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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

18
Set19

Who the hell is gonna teach me how to run?


João Silva

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Engraçado e curioso como este assunto surgiu na sequência de uma má audição durante a visualização de um vídeo afeto a um corredor com 70 anos capaz de correr maratonas abaixo das 03h00.

A dada altura, quando faz referência à necessidade de ter um treinador, percebi que ele disse "mas como raios é que alguém me vai ensinar a correr?", sendo que, na verdade, ele diz "mas quem é que não sabe como se corre?" (who doesn't know how to run).

Frases e sentidos distintos, bem sei. Mas ouvimos o que queremos, certo? Foi  que aconteceu. Porquê? porque é a ideia que tenho relativamente à contratação de treinadores.

Ponto prévio sempre útil nos dias que correm: ao defender o que se segue não estou, de forma alguma, a depreciar quem opta por essa via.

Com efeito, não sinto, nunca senti e espero não vir a sentir a falta de um treinador. Há muitos corredores que optam por essa via, por razões diversas, desde a necessidade de estabelecer e definir um plano para atingir um objetivo à necessidade de melhoria dos métodos.

Não sou prepotente ao ponto de achar que um treinador não me poderia ajudar. Bem sei que, em determinadas circunstâncias, me poderia ser muito útil para dar aquele salto muito específico em termos de resultados.

Contudo, à partida, não ando nisto pelos resultados. Comecei a correr por uma razão muito específica, a modalidade virou uma paixão, que não quero estragar com pressões desnecessárias. Além disso, sou muito autónomo e autodidata, não tenho dificuldades em estabelecer planos e métodos de trabalho e procuro tudo e mais alguma coisa relativa ao tema (no caso, treino e técnicas de corrida, treino funcional, etc.). Claro que cometo erros na forma como, por vezes, implemento determinados métodos de treinos e resvalo para o abuso. É um facto. Ainda assim, tenho tudo organizado e bem definido na minha cabeça. Os planos são definidos com base nos meus objetivos principais e, regra geral, tenho o plano estruturado com um mês de antecedência.

Por último, duas razões também muito válidas para não recorrer a esse tipo de ajuda: não me vejo a correr para os objetivos de outra pessoa e prefiro economizar o dinheiro de um eventual investimento para coisas mais importantes na minha vida. Quanto ao primeiro destes dois argumentos, sinto, pelo que vou vendo, que, a dada altura, há pessoas que treinam e competem nas distâncias e com os propósitos definidos por um treinador. Ora não me parece útil nem correto fazer isso. Quando marco um treino, faço-o porque considero necessário para a minha evolução ou simplesmente porque me apetece correr. Não me vejo, de todo, a assumir algo com o qual posso discordar e que posso não considerar útil para a minha evolução técnica.

Quando preciso de mudar aspetos técnicos, leio, estudo quem sabe mais do que eu e vou testando. Há muita coisa que faço mal e que não corre tão bem na implementação quanto na teoria, mas é um risco.

A sabedoria e a experiência de alguém que já esteve no meu lugar seriam sempre uma mais-valia, mas, ainda assim, é um risco assumido.Suspeito que um eventual treinador me iria dar na cabeça muitas vezes por causa da sobrecarga e da exaustividade de treinos. Digo isto, uma vez mais, sem arrogâncias. Sei que, por vezes, posso ser indisciplinado na disciplina. Mas é um risco...que disposto a correr.

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