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Tira o rabo do sofá

Em 2016 era obeso. Hoje sou maratonista com 8 maratonas e mais de 70 provas. Partilho histórias, dicas para iniciantes e motivação diária para te ajudar a perder peso e sair do sedentarismo. Tira o rabo do sofá!

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Tira o Rabo do Sofá

O que dizem as minhas sapatilhas

11.12.25

Um peregrino e dois ateus a correr até Fátima.


João Silva

Parece o início de uma anedota — mas foi, na verdade, o início de uma das experiências mais marcantes da minha vida.

A ideia nasceu de forma simples: correr até Fátima. Uns chamariam loucura. Outros, promessa. Para mim, foi um desafio. E para os meus amigos Ricardo e André, talvez apenas mais uma aventura maluca que o “ex-gordo” decidiu inventar.

Mas há algo mágico quando decides sair da tua zona de conforto, calçar as sapatilhas e seguir em frente, mesmo sem saber exatamente o que vais encontrar.

O caminho da fé (mesmo quando ela não existe)

O Ricardo é aquele tipo de pessoa que acredita profundamente. Vê sentido, propósito e silêncio em cada passo. Já eu e o André… digamos que acreditamos mais nas pernas do que nos milagres. E, ainda assim, ao longo da estrada, percebemos que há algo de profundamente espiritual em correr — mesmo para quem não acredita em nada.

Porque a fé, afinal, não é exclusiva de quem reza. É também de quem insiste. De quem continua quando o corpo pede para parar. De quem acredita que o próximo quilómetro pode ser melhor que o anterior.

Dor, riso e partilha

Foram dezenas de quilómetros de sol, dores e risadas.

O André, sempre com humor ácido, dizia: “se o São Pedro nos vê agora, está a rir-se de certeza”. O Ricardo, mais contido, respondia com um sorriso sereno, quase contemplativo. E eu, no meio deles, tentava gerir a glicemia, as bolhas e o ego — porque correr até Fátima é mais sobre humildade do que resistência.

A estrada ensinou-nos que a amizade é o melhor combustível.

Quando um vacila, o outro puxa. Quando o corpo fraqueja, a palavra certa empurra. E quando o cansaço se instala, o riso salva.

Fátima — a meta que é só o início

Chegar a Fátima não foi o fim. Foi uma espécie de reinício.

Não há medalhas, nem pódio, nem linha pintada no chão. Só silêncio. E uma sensação de que tudo o que procurávamos — fé, força, propósito — estava connosco desde o primeiro passo.

A fé do Ricardo, o ceticismo do André e a minha eterna curiosidade encontraram-se ali, na basílica, numa mistura improvável de suor e emoção.

Percebi que correr pode ser a forma mais pura de oração — mesmo para quem nunca reza.

 

 Reflexão final

Correr até Fátima não foi sobre religião.

Foi sobre acreditar. Sobre persistir.

Sobre não desistir — mesmo quando o corpo duvida.

E, talvez, seja esse o verdadeiro milagre: continuar a correr quando a mente diz para parar.

👉 Se esta história te inspirou, subscreve o canal Tira o Rabo do Sofá e ouve o episódio completo no Spotify.

Há muitas formas de ter fé. A minha começa sempre com um passo.