Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

28
Jul19

The walk of shame and of stubbornness


João Silva

Para concluir o "relatório" do longão de há duas semanas, falta referir o momento da caminhada.

Ainda em Palhagões, o meu primeiro impulso foi informar a minha esposa (já lhe tinha descrito o percurso antes de sair, talvez por ter pressentido que não ia correr totalmente bem).

Ela ainda não tinha tomado o pequeno-almoço, então ficou combinado que, após o fazer, me ligaria para saber se precisava que me fosse buscar.

E a verdade é que precisava muito. Estava num estado lastimável, sem qualquer ponta de clareza e em claro défice.

Disse-lhe que não. Pedi-lhe que preparasse comida e disse que ia tentar caminhar até casa.

Foram 06 km em sofrimento, mas na minha cabeça só estava a ideia: assim são mais uns km que percorro, mesmo que seja a andar. Não existo, definitivamente.

Já sem água na garrafa e sem qualquer ponta de oxigénio no cérebro, dou de caras com quatro senhoras (todas elas viúvas, penso, pois estavam vestidas de preto, como se estivessem de luto. Foi daquela forma que a minha avó se passou a vestir, quando perdeu um dos filhos.). Pergunto se a fonte da Venda da Luísa era boa para encher a garrafa. Disseram-me que sim, mas a minha teimosia persistiu. A verdade é que a água na minha zona perdeu alguma qualidade e não quis arriscar, não havia análises visíveis. 

Avistei um café e fui lá pedir auxílio. Pedi um copo de água e o enchimento da minha garrafa. O senhor foi extremamente prestável perante o meu estado e o meu alerta de que não estava bem. Ofereceu-me um pacote de açúcar. Não quis, porque sou teimoso e não ia ingerir aquilo. Fujo daquilo como o diabo da cruz, é a minha conclusão.

Caminho mais uns metros, talvez 100 ou 200, e chego ao pavilhão da minha equipa. Como é normal, estava fechado, mas avistei lá duas senhoras e, como já não tinha água, pedi que me enchessem a garrafa, fiz questão de mencionar o que tinha acontecido e que pertencia à equipa. Uma das senhoras ofereceu-se insistentemente para me dar boleia até casa.

Conseguem adivinhar? A parvoíce não teve limites e, como ainda não tinha recuperado o juízo, ripostei várias vezes que não queria, não sem antes agradecer a gentileza.

Porque não aceitei? Porque queria fazer o raça da caminhada até casa. Ainda faltavam 3,5 km. 

Voltei a falar ao telefone com a esposa e reforcei a ideia de que ia sozinho. Enfim, só boas decisões.

Como se não bastasse tudo aquilo debaixo de um calor abrasador, cheguei a minha casa e não parei. No fim de contas, faltavam 400 metros para os 06 km. Claro que os caminhei. 

Engraçado, da varanda, a minha esposa avistou-me, ligou-me e pediu-me que fosse para casa. Fui, sempre debaixo do olhar dela. Assim que me "perdeu de vista", ainda fiz mais 100 metros, tudo aquilo para ver os 06 km no relógio.

Enfim, quando a cabeça não tem juízo...

IMG_20190720_111250_BURST001_COVER.jpg

8 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Redes sociais

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D