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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

29
Abr19

Talhado para maratonas


João Silva

IMG_20190428_124413.jpg

Não ando nisto pelos tempos. 

Se assim fosse, teria de me retirar. Em termos objetivos: o tempo é mediano. E existem infinitos atletas com melhores tempos. Mas corro por paixão ao desporto e porque acredito que é um local incrível para se conhecer pessoas e histórias únicas de superação.

Cruzar cada meta de uma maratona (de qualquer prova, diria), é um motivo de felicidade e de dever cumprido.

Contudo, não sou diferente dos outros e também pretendo fazer o melhor tempo possível. E em competição também tento ser mais rápido. 

Porém, já tinha dito noutro post que o meu maior objetivo era conseguir terminar em saúde, lúcido e bem fisicamente. Se possível, abaixo das 04h00. E, na loucura, se fosse mesmo mesmo possível, com 03h30 minutos.

Não deu para esta última parte. Mas deu para o resto, o que me deixa genuinamente feliz.

Isso e o facto de ter conseguido fazer uma gestão perfeita da minha evolução.

É por essa razão que sinto que tudo compensou. Cada treino e cada quilómetro desde novembro de 2018 até ao dia 28 de abril de 2019.

Comecei no separador das 4h15, aos poucos fui-me "deslocando" para o bloco das 04h00. Tentei sempre estabelecer o paralelismo com a minha prestação na prova do Porto em novembro de 2018.

Até aos 10 km foi assim. Sempre com o pensamento: não é como começa, é como acaba. Frase sábia do mestre José Carlos proferida momentos antes da partida.

E ainda com o lema que me persegue há muito tempo: começar velho para acabar novo.

O problema nesta fase é manter a calma, porque as provas partem todas ao mesmo tempo, os ritmos são obrigatoriamente diferentes e isso obriga a "resfriar os ânimos".

Dos 10 aos 20 km, um ritmo mais intenso, a subir aos poucos, como tinha previsto. É uma parte do percurso propícia a manter um ritmo constante, o que ajuda a ganhar rapidez.

Aos 25 km, encontro o meu caro Ricardo Veiga. Dei-lhe um sermão e continuei. Aqui encontro dois atletas que desconhecia, fui um pouco na "roda" deles, partilhei a minha história de vida.

Ao quilómetro 26, encontro uma grande dupla que foi uma ajuda enorme para o último terço da aventura: o senhor Salazar de Bragança e o senhor Artur de Gaia. Sempre num bom ritmo, a galgar terreno, a derrubar metros e numa cadência constante. Sem esquecer a partilha de histórias de vida e de opiniões quanto a públicos de provas. 

E foram cerca de 10 km nisto.

As dores nas ancas, que comecei a sentir ao quilómetro 6, aumentaram por volta do 36.º km, quando já ia sozinho, a "pedido" do senhor Salazar. O senhor Artur já tinha ficado alguns quilómetros antes.

Essa parte foi dura, porque não era uma zona com muito público e porque o calor começou a apertar. Nada de parede psicológica até aos 37 km. A partir daí, ainda sem esse "fantasma", comecei a perder algum ritmo e a deparar-me com muita gente a parar, a encostar às boxes.

Nunca parei, senti que se o fizesse, ia ser difícil acabar em condições e comecei a perceber que podia fazer perto de 03h50m.

Mantive um ritmo constante, ainda que baixo. 

E senti cada músculo a querer romper. Era evidente que esticar de mais me ia prejudicar. Já sem água, recolhi uma garrafa no último abastecimento, o dos 40 quilómetros. Reguei-me.

Ainda bem que o fiz. Deu para aliviar o calor e para ir aumentando o ritmo. Dou de caras com uma atleta, meti conversa, porque isso distrai e ajuda a libertar o foco das dores que se sentem em cada músculo. 

Todavia, ainda deu para sentir a zona superior do joelho esquerdo a avisar-me: se esticas mais, ficas a pé. Não abusei. Prometo.

E nisto estava no quilómetro 42. Os restantes metros são indescritíveis. São da responsabilidade do povo.

E lá deu para ficar nas 03h49m.

Talvez pela responsabilidade de correr numa prova daquelas e pela consciência das dificuldades, sei que não posso abusar demasiado cedo. É por isso que acho que giro melhor essas provas.

Uma nova para os meus abastecimentos: correram bem, três a cada 40 minutos, os dois seguintes a cada 30 minutos e os últimos dois a cada 20. Foram mais do que pretendia, mas senti necessidade, talvez por causa das dores. Acabei por recorrer às gelatinas de frutas Aptonia da Decathon. São simples, só têm maltodextrina, mas ajudam imenso.

Uma observação também para o gel antifricação da Decathlon que é um grande amigo a evitar foles nos pés e assaduras nas virilhas.

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