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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

31
Jan23

O glamour da escuridão


João Silva

Para muitos, a vida/o desporto só existe em companhia e na presença de outros, mesmo que desconhecidos. 

Porém, há um lado que não se vê em que se treina todos os dias e de forma regular. Sejam amadores ou profissionais. 

Há muitos dias de solidão para essas pessoas, atrevo-me a dizer. Também por ser o que se passa comigo. Mas, a meu ver, isso não é mais. É a vida.

Treino todos os dias. Vou diversificando as modalidades. Faço muito reforço muscular em casa. Não vou a ginásios. Por opção, preferência e questões financeiras. 

Acham que treino num "ginásio caseiro"? Cheguei a ter um espaço no escritório ou na sala, mas depois veio o Mateus e tive de me adaptar. Sobretudo quando comecei a treinar em casa após as 04h da manhã. A vida num apartamento também não oferece grandes opções de espaço. Se é assim, tudo bem. Cá me arranjo. E arranjei! Passei a treinar na cozinha. Levei para lá a bicicleta estática e tenho lá o meu tapete e alguns acessórios de musculação como pesos ou fitas de reforço muscular. E todos os dias ao início da noite estendo o meu tapete de ginásio.

Como estou em casa e quero ter conforto no meio do desconforto do exercício, ainda estendo duas mantas. Há que ter o mínimo de quentinho.

E todos os dias vou para o meu ginásio, onde nem sequer gasto luz. Sim, para evitar acordar o Mateus com o reflexo da luz acesa da cozinha, habituei-me a trabalhar apenas com a luz dos visoree do forno e do micro-ondas. E sabem que mais? Funciona. Apesar de míope e "vesgarolho", vejo bem.

O meu ginásio não tem glamour. Ou melhor, até tem, se olharmos para o "bright side of life".

19
Jan23

O reforço muscular tem prazo de validade?


João Silva

Os nossos músculos adaptam-se a praticamente tudo. Por isso mesmo, ao fim de algum tempo deixamos de ver efeito neles.

É por essa razão que devemos mudar a tipologia, a regularidade e a intensidade dos exercícios de reforço muscular.

No entanto, apesar de se habituarem às cargas, isso não acontece de um dia para o outro.

No início, passei por uma fase em que achava que tinha de mudar o plano ao fim de cada mês. No entanto, percebi que isso é contraprodutivo e que não dá ao corpo o tempo de assimilar as mudanças advindas desse exercício.

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Fonte da foto: inscrita na lateral

 

Atualmente, procuro seguir planos de reforço durante dois meses. Quando começo a sentir demasiada facilidade na realização dos mesmos, aumento a intensidade e, noutros casos, mudo a tipologia.

Como é convosco? Fazem sempre os mesmos exercícios ou mudam? Se mudam, ao fim de quanto tempo o fazem e como fazem?

Uma boa estratégia é, por exemplo, fazer um grupo de exercícios durante algum tempo e depois mudar para a mesma versão com pesos.  Comigo resulta.

03
Jan23

Um balanço em revista - trails em 2022


João Silva

Que ano o de 2022! 

A todos os níveis. Talvez tenha sido o ano em que mais fui posto à prova e solicitado e não apenas no desporto.

Ainda assim, a dureza do primeiro deu lugar à leveza no último trimestre. E ainda bem. Talvez mais para a frente possa escrever mais sobre este lado pessoal e esta viagem que estou a fazer.

Em termos desportivos, o ano foi muito regular. Mas em bom. Foi mesmo o meu melhor ano. E os resultados 

Em 2022 fiz três trails. Talvez tenha sido o ano em que fiquei a gostar mais, confesso. Ao ponto de, num período de 10 anos, querer fazer uma Ultra. Um belo desafio, mas tenho recursos físicos e humanos à disposição para me preparar.

Em fevereiro, fiz o Trail de Sicó nas calmas, numa ótica de desfrutar e ainda nem sabia muito bem o que era fazer isso em prova. Talvez tenha sido a única em que tive zero interesse no tempo. Foi ótimo, porque conheci o Bruno Silva, meu colega de equipa e que fez a sua estreia em trails. Mais tarde, vim a saber que adora estrada como eu.

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No mês de março, tive um belo presente: o meu primeiro pódio numa prova. Fiquei em terceiro lugar no Trail da Bajouca. Foi aqui que percebi que há trails que poso usar a favor das minhas capacidades para conseguir lugares de destaque. Havia partes complexas, claro, mas o trail era rolante, dava margem para correr.

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Mais tarde, já quase no fim de 2022, fiquei a conhecer o Casmilo em condições e disputei um trail maravilhoso da organização da minha equipa. Foi um desempenho louco num trail demasiado técnico. Top 30 no bolso e prova provada de que também me safo bem em terrenos difíceis.

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Numa análise global, diria que os trails subiram na minha consideração, também pelo facto de ver neles a possibilidade de estar mais vezes com elementos da minha equipa. O que me custa mais é a parte física, o risco associado às provas. Eu não sei ir com pouco, vou com tudo. No último trail, demorei uma semana a recuperar.

19
Nov22

Ainda cá estou seis anos depois...


João Silva

Vivo sempre com a sensação de que nada dura para sempre. 

Talvez isso me desgaste e me destrua (entretanto, pude sentir na pele que sim, embora agora as coisas estejam a mudar)

Mas também tem o lado de me fazer apreciar cada momento que tenho disto, das corridas, da minha vida sem obesidade.

Seis anos depois, ainda corro, ainda adoro uma alimentação mais equilibrada e regrada e, aos poucos, tenho aprendido a lidar com uma "rédea mais solta, mas adequada".

Seis anos depois, a obesidade ainda é um passado bem longínquo e que está em vias de resolução mental.

Há seis anos neste dia, dei os primeiros passos para me apaixonar pela corrida e para deixar para trás uma fase muito marcada pela obesidade (embora tivesse começado a caminhar a 28/10/16).

Seis anos já não é mudança, é forma de vida...

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Em seis anos, já corri oficialmente 26 provas de 10 km, 8 trails (fiz, provavelmente mais uns 5 ou 6 a caminhar), 11 meias maratonas, 5 maratonas oficiais (e 5 oficiosas) e 1 prova oficiosa de 50 km.

Seis anos depois já não faz sentido viver com medo de que o passado venha atrás de mim, porque isso dependerá sempre de mim. Quilo a mais, quilo a menos, aos poucos, com ajuda, tenho procurado ver-me como estou, como sou. Fui obeso e isso não fez de mim má pessoa, mesmo quando quis acreditar nisso. Era apenas o meu peso. Era apenas o meu volume. Agora não sou gordo, tenho um peso estável e um corpo do qual gosto, mesmo nos dias em que achei que não estava onde devia. Está. E, aos poucos, sinto que era "nisto" que me queria tornar.

Em seis anos, vivi muito e percebi muito sobre mim, tendo a certeza de que a minha viagem de autoconhecimento está em bom curso, mas não chegou ao fim.

 

05
Nov22

Porto 2022: é possível sonhar?


João Silva

Sim, é. Sempre. Além disso, sinto que o meu trabalho ao longo de sete meses me permite mesmo sonhar com um belo desempenho amanhã.

Estou entusiasmado e levo na bagagem a esperança de passar belos momentos naquela cidade. Amanhã é o grande dia.

Em termos de desempenho, os meus indicadores foram constantes nos últimos meses e andaram quase sempre acima dos 13 km/hora. É essa a intenção.

Vou à procura de fazer 3h15, o que seria o meu recorde. Atualmente, o meu melhor resultado está nas 3h21m.

Sinceramente, se as coisas encarreirarem como espero e como trabalhei, penso que é possível ficar mesmo abaixo das 3h15.

Digo-o sem medos, digo-o correndo o risco de me desiludir. Se assim for, não haverá problema: lamberei todas as feridas, tomarei o meu tempo e voltarei a levantar-me. Já aconteceu, irá voltar a acontecer.

Mas estou confiante. Tenho razões para isso. Nunca tive uma forma tão constante durante tantos meses. Os resultados das provas também sustentam esta ambição. Segui conselhos e dicas de treino de quem percebe da poda

Estou e vou de consciência tranquila, porque mais não podia fazer nesta fase.

Cá estarei daqui a uns dias para dar conta do que aconteceu de facto.

Uns incentivos desse lado serão sempre bem-vindos =)

04
Nov22

Porto 2022: gestão das dificuldades físicas e psicológicas


João Silva

Foi a parte mais difícil.

Pela experiência, reconheci bem as dores físicas. 

O plano deste ano foi muito mais disciplinado e sem exageros, mas sabia que ia gerar desgaste. A minha falta de descanso também não ajudou nesse sentido.

Ainda assim, fiquei muito orgulhoso pela forma como lidei com o aparecimento dos sinais de cansaço no músculo píriforme esquerdo (no ano passado, o mesmo problema no lado direito deixou-me k.o). Fiquei feliz como reduzi o treino e encurtei ciclos quando senti que o corpo me queria oferecer uma pubalgia ou uma tendinopatia, esta última ainda ameaça mas penso que está controlada.

Sinto que foi o primeiro ano em que fui o corredor que pretendo. Do ponto de vista físico, respeitei-me. Fui até onde podia.

Em termos psicológicos não foi assim. Não percebi o que me estava a acontecer. Exigi de mais em muitos momentos porque julguei que era o certo, mas era o errado. Já não eram estados de espírito, era uma forma de vida a entrar numa espécie de abismo. Honestamente, não sei por que razão isso não afetou a minha preparação em termos de vontade, de crença nas minhas capacidades. Talvez porque correr foi uma das formas que usei para sair do buraco. Emocionalmente foi difícil gerir períodos com pouco trabalho e dinheiro e momentos familiares mais duros no início do ano. E sinto que não estive à altura. Não podia ter estado. O lado bom disto é que, de certa forma, consegui canalizar isso para a corrida.

Umas vezes mal, mas muitas bem, cá cheguei. Estou preparado!

02
Nov22

Porto 2022: a espera


João Silva

É a melhor e a pior fase.

Melhor pela expectativa, pelo extâse, pelos momentos mágicos em treinos, pelo sentir que a coisa avança. É a melhor prova de que dar tempo ao tempo é a coisa certa.

É estender uma passadeira vermelha e desfilar durante largos meses para ver se chegamos à escadaria de Hollywood.

Sinceramente, a espera por uma prova destas é mágica. Porque é validada por um caminho intenso, nem sempre recheado de euforia. Quando é a primeira prova do género, a espera é a imaginação a funcionar, é a incerteza de se estar preparado, é o medo de não se conseguir. Quando já virou "moda", a espera é o antecipar o que de bom aí vem, sim, porque quem corre maratonas não o faz porque lhe vai fazer mal, faz porque é especial, não se explica.

Mas a espera também pode ser turbulenta. Sobretudo no meu caso, por vezes, a espera deu lugar à preocupação, à ansiedade, ao stress negativo, daquele que nos corrói. E depois chega uma fase em que se atingiu o pico de forma e a espera significa que temos de o aguentar até à prova. E ainda falta muito.

Quando cheguei ao quarto ciclo de treinos, senti que estava. Ainda não sabia se ia conseguir melhorar mais, mas sentia que o pico tinha chegado. Estamos a falar de meados de agosto. Tive de prolongar toda a expectativa até meados de outubro, a fase final. No quinto ciclo, foi quando fiz o meu treino mais longo. Foram quase 40 km e senti que aquela foi uma excelente prestação. Fiz aquela distância em 3 horas! Estava pronto. Mas ainda faltava. 

O foco tem tendência para começar a descer, porque já se chegou ao auge da forma para o que tínhamos previsto. Ainda assim, inscrevi-me numa prova, mantive os ciclos de treino e as durezas. O volume foi diminuindo e fui adicionando mais pontos de descanso, para sentir a alma revitalizada. Isso funcionou. Há duas semanas, quando comecei a fase de maior repouso para deixar "assentar", senti que estava pronto. Fisicamente e emocionalmente, apesar dos contratempos a este nível. Procurei encher uma bolha de confiança. As consultas de psicologia foram ajudando a resolver a ansiedade. E a espera também se tornou numa bela viagem. Agora quero ir para aquelas estradas do Porto e ser feliz. Já o fui lá tantas vezes. Sê-lo-ei mais uma, acredito. A espera não tem de ser má, porque saber esperar é também uma virtude, que se desenvolve com os anos. Mas sete meses de treino são uma espera muito grande.

31
Out22

Porto 2022: a lógica da meia maratona para preparar uma maratona


João Silva

Qual a importância de escolher uma prova exigente a um mês de uma maratona?

Diz-me essa pergunta algumas vezes antes de, em agosto, ter feito a inscrição. Na verdade, foi a Diana.

Há sempre um risco associado, sobretudo, pelas lesões. 

Ainda assim, dados os meus treinos mais incidentes numa corrida de ritmo alto, fazia todo o sentido procurar uma prova que me permitisse "testar as águas".

Inicialmente, tinha pensado ir apenas rolar, mas isso não funciona assim comigo, sobretudo, porque era a única meia maratona do ano. 

O que fiz foi ajustar o plano da maratona à meia cerca de duas a três semanas. Se a ideia fosse trabalhar mais um tempo, seria importante ter mais ciclos, mas assim dava perfeitamente.

Corri a uma média de 14,40 km/hora a 4'10" km/min, o que foi excelente, principalmente, pensando no calor que nos acompanhou em outubro.

Aguentei muito tempo naquele ritmo e isso significa que estou pronto para os diferentes ciclos de ritmos que preparei para a maratona.

A dada altura do processo de treino, percebi que não iria conseguir chegar mais longe por agora. Ainda tentei algumas vezes correr a 15 km/h, mas é um ritmo muito forte para esta fase. Está tudo bem com isso.

O "menu" que preparei para o Porto foi trabalhado em Leiria. E isso foi muito importante. Permitiu-me ver que funciona. Dá um quentinho mental.

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Foto: cortesia da Native Warriors, meia maratona de Leiria em 2022

29
Out22

Porto 2022: sorria que dói menos


João Silva

Este foi um dos grandes ensinamentos destes sete meses dedicados a preparar a maratona do Porto: sempre que as coisas apertaram, sempre que tinha dificuldades de concentração, sempre que o corpo já ameaçava uma paragem, sorri. 

Sim, abria o rosto e sorria. Deixava que o ar fosse expelido por toda a largura da minha boca. Naquele momento, tudo era aliviado.

Não sou o único a dizê-lo: se dói, sorria, porque alivia.

Dá frescura. É por isso que o apoio do público também ajuda numa prova destas: porque nos faz sorrir e o sorriso ajuda a descontrair a mente, ajuda a "esquecer" a dureza da viagem.

Se está a doer, sorriam. 

O sorriso traz otimismo. O sorriso ajuda.

É difícil sorrir a sofrer, mas no fim vai valer a pena.

25
Out22

Porto 2022: ciclo 3


João Silva

Começo hoje uma rubrica de textos diários que têm o objetivo de criar um bom estado de espírito para a maratona do Porto, onde estarei no dia 06 de novembro.

Primeiro ciclo:

Duração: 13 de junho de 2022 a 01 de maio de 2022

Especificação: 

Segunda - Treino de fartleks watson - 4x2' de ritmo muito elevado/1' de ritmo lento + 4x3/1+ 4x4/4 (60 minutos)

Terça - Treino de reforço muscular de abdominais, glúteos e elasticidade (60 minutos)

Quarta - Treino de recuperação, ritmo entre 6' e 6'30'' km/min (50 minutos)

Quinta - Treino de séries - 10x1' de velocidade máxima aeróbia/1' de trote muito lento (60 minutos)

Sexta - Treino de recuperação muito lenta, ritmo acima de 6'30'' (45 minutos)

Sábado - Treino longo da semana (100 minutos) - aumentou progressivamente 10 minutos por semana (nas três  semanas deste ciclo) - chegou aos 120 minutos.

Domingo - Treino de recuperação, ritmo acima de 5'30'' km/min (75 minutos)

Objetivos: 

Aumento da quilometragem, implementação de velocidade variável por períodos fixos de 10 minutos no treino grande (sábado - exemplo: 10'- 10-12 km/h; 10'-12 km/h; 10'-13 km/h). Sistema de abastecimentos em movimento. 

Dificuldades:

Capacidade de gerir esforço físico, necessidade de encurtamento do ciclo de treinos devido a princípios de problemas na banda iliotibial esquerda. Intensidade de treinos a partir de quinta-feira, aumento do volume de treinos para seis por semana.

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23
Out22

Porto 2022: ciclo 1


João Silva

Começo hoje uma rubrica de textos diários que têm o objetivo de criar um bom estado de espírito para a maratona do Porto, onde estarei no dia 06 de novembro.

Primeiro ciclo:

Duração: 04 de abril de 2022 a 01 de maio de 2022

Especificação: 

Segunda - Treino de fartleks watson - 4x2' de ritmo muito elevado/1' de ritmo lento + 4x3'/1' (60 minutos)

Terça - Treino de reforço muscular de abdominais, glúteos e elasticidade (60 minutos)

Quarta - Treino de recuperação, ritmo entre 6' e 6'30'' km/min (50 minutos)

Quinta - Treino de séries - 10x30'' de velocidade máxima aeróbia/30'' de trote muito lento (60 minutos)

Sexta - Sessão de exercícios de flexibilidade, vertente fisioterapia (60-70 minutos)

Sábado - Treino longo da semana (75-80 minutos) - aumentou progressivamente 10 minutos por semana (nas quatro de cada ciclo)

Domingo - Treino de recuperação, ritmo acima de 6' km/min + 10 minutos de sprints de 10'' com recuperação de 1'30''

Objetivos: 

Ganhar sequência base de treino, ganhar fluidez e gerar velocidade. Oscilações de ritmos nos treinos de sábado.

Dificuldades:

Gestão de oscilação entre ritmos altos e ritmos baixos, acumular de sessões do fim de semana.

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12
Out22

A "praga" dos Lève-tôt


João Silva

São cada vez mais e, aos poucos, a moda está a pegar. Na verdade, em França, por exemplo, já é uma realidade.

Falo do conceito "lève-tôt", também conhecido por madrugadores. Numa sociedade que nos asfixia cada vez mais com o passar das horas, há pessoas que optam por acordar cedo, bem cedo, de modo a conseguirem algum tempo para si ou para alguma tarefa mais exigente.

Não é fácil, porque acaba por ser um contrarritmo social, uma vez que, por norma, um madrugador se deita muito cedo, quando os outros ainda estão de pé, e acorda muito cedo também, quando todos estão a dormir. Isto numa ótica de não encurtar o sono para ter um dia maior.

Depois de muitos anos num trabalho que me fazia deitar tardíssimo e me deixava de rastos, passei por uma fase em que me deitava pouco depois da meia noite. Sempre gostei de aproveitar o início do dia.

Quando comecei a correr, a exigência dos treinos passou a obrigar-me a deitar até perto da meia noite para estar num brinquinho na manhã seguinte. Os meus objetivos levaram-me a isso.

O nascimento do Mateus acentuou ainda mais essa necessidade: passei a treinar de madrugada. Foi a minha resposta para conseguir tratar do meu filho, estar presente na vida familiar e continuar a correr. Passei a acordar às 05 h da manhã. Cá em casa, aproveitámos o nascimento do Mateus para nos deitarmos com ele. Foi um hábito um pouco doloroso no início, porque implicava ir dormir algures entre as 20 e as 21 horas. Foi uma opção mas também uma necessidade. Com as noites mal dormidas do rapaz, era imperativo aproveitar cada segundo para dormir.

Isto virou rotina e passou a forma de estar na vida. Há relativamente pouco tempo, quando o trabalho começou a apertar mais, tentei trabalhar depois de o Mateus ir dormir à noite. No entanto, continuava a acordar às 05 h para ir correr. Embora não fosse todos os dias, acreditem, é uma dor bem forte deitar às 00h e acordar às 05 h.

Como não me sentia bem com isso, porque acabava a parecer um zoombie, adaptei esta realidade profissional à minha preferência (é efetivamente uma das vantagens de ser trabalhador independente) e retomei a hora de deitar entre as 20 e as 21 h. Para conseguir trabalhar e treinar, passei a levantar-me mais cedo do que as 5 h. Aconteceu muitas vezes acordar às 03h e sair para treinar às 05 ou 05h30. Parece loucura, mas, como o meu corpo descansa seguido, consigo recuperar melhor e, mais importante, ter concentração a trabalhar, um dos aspetos que mais sofriam com o trabalho à noite.

Isto também tem um lado negativo, pois nem sempre me consigo deixar a descansar. Há muitos dias em que não preciso de acordar tão mais cedo do que o habitual, mas o corpo e, principalmente, a cabeça já estão a pensar naquele acordar e não descanso o que devo. Este aspeto tem de ser melhorado. 

Acabo a viver em contraciclo, mas, deste modo, consigo fazer algo por mim e ainda trabalhar antes do acordar do meu filho, uma vez que depois o meu dia é organizado em função dele. Durante o dia é normalmente a Diana quem assume o leme do trabalho.

21
Jul22

Séries sem pista


João Silva

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Na minha terra não tenho pista de atletismo. Se quisesse fazer treino de séries (ou intervalado) nesse piso, teria de me deslocar até ao Estádio Cidade de Coimbra.

Ida e volta seriam 32 km uma ou duas vezes por semana. Mais os custos de utilização do espaço. Seria incomportável para um amador. 

Mas o que se pede é imaginação. 

No início dos inícios, utilizava um caminho muito menos frequentado atrás de minha casa.

Depois, aproveitei o espaço em terra batida (com uma espécie de pista imaginária) no antigo campo do Condeixa.

Quando passei a treinar de madrugada, mudei para uma grande reta que liga Condeixa a Alcabideque.

A partir de dada altura, deixei as séries feitas num só espaço e passei a integrar as ditas num percurso dinâmico.

Tem a grande vantagem de não ser monótono e de apresentar muitos estímulos visuais. Como também mudei o esquema desse tipo de treinos (de distância para tempo de cada série), acabou por ser muito mais prazeroso.

Portanto, o princípio é o mesmo do ginásio: não ter dinheiro não é desculpa, porque há sempre forma de fazer exercício sem gastar. Haja vontade e criatividade.

 

 

03
Jun22

A dificuldade em pedir e em aceitar ajuda


João Silva

O tema é sensível e nem sei como é mesmo convosco.

Como pessoa, por norma, peço ajuda quando preciso.

Ainda assim, a questão não é muito linear. Em muitos domínios da minha vida.

Consigo perceber com alguma facilidade que não consigo fazer tudo sozinho em muitas áreas. Até aqui, ótimo. O problema é que, nessas fases, nem sempre verbalizo a necessidade de auxílio e acabo por sofrer e por ser abalroado pela complexidade das tarefas.

Foi, sobretudo, quando me tornei pai que percebi que tenho dificuldade em aceitar ajuda nos momentos certos.

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Resmungo muito e estou sempre a reclamar falta de ajuda (muitas vezes não é justificado). Porém, quando alguém oferece mesmo os seus préstimos, eu entro em curto-circuito e não sei o que fazer. Dá a sensação de que quero é chamar a atenção para o facto de estar a ser sobrecarregado.

Essa foi uma grande lição dos últimos anos.

Volto a dizer, não sei como é convosco, mas é importante não levar o nosso individualismo ao extremo. Gosto de fazer e de tomar a iniciativa. Mas, algumas vezes, é de mais. Só nos faz mal.

Se é assim na vida, também o deve ser na atividade desportiva. Mesmo que alguém vos pareça inacessível, devem pedir conselhos, por exemplo, relativamente a exercícios ou a técnicas.

Pedir ajuda é fundamental, mas saber aceitar ajuda não é um dado adquirido!

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28
Mai22

Fui ao Casal dos Galegos e fiquei com a Painça cheia de castanhas do Marachão


João Silva

Este título surge na sequência de um treino que fiz há já algum tempo mas que foi maravilhoso. 

Foi um treino tão bom em termos de sensações que não podia deixar de brincar com o nome das terras por onde passei. Aquela foi mais uma forma de me aproximar de Montemor-o-velho.

A partida teve lugar em minha casa, em Condeixa-a-Nova.

Tudo isto serviu também o propósito de "testar as águas" para chegar à Figueira da Foz.

Mas essas são outras cantigas.

Aqui importou o prazer que tive ao correr por caminhos diferentes do habitual.

Para efeitos de trocadilho, alterei a ordem de aparecimento das terras, tendo em conta que parti de Condeixa.

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A título de curiosidade, para quem não conhece, aqui fica o nome de algumas terras por onde passei até voltar a entrar em casa (não memorizei todos): Condeixa, Cartaxa, Casal da Estrada, Venda da Luísa, Rapoila, Belide, Figueiró do Campo, Nera, Marachão, Painça, Casal dos Galegos, Casével e Sebal.

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