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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

12
Nov19

O que mudou de novembro de 2018 para novembro de 2019


João Silva

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No fundo, o meu propósito com este texto não é tanto falar no mês de novembro em 2018 e em 2019 mas sim no processo de treinos e do longão de 42 km que antecederam as maratonas no Porto.

42 km em circuito, setembro de 2018.png

Foto: treino de 42,250 km em 2018

TREINO 42 KM, 13.09.19, ONMOVE.jpg

Foto: treino de 42,250 km em 2019

Desde logo, olhando para as imagens dos treinos em causa (acima), é curioso perceber que calharam na mesma semana de setembro e, na verdade, os motivos foram semelhantes: depois desta semana, começava a ser muito complicado ter um treino tão longo e duro porque iria retirar frescura para os treinos e para as provas em si.

Em 2018, tentei fazê-lo em agosto, mas o excesso de calor dificultou tudo e, curiosamente, um ou dois meses antes, tinha sofrido alguns contratempos nos treinos longos superiores a 30 km. No dia 15 de setembro, lembro-me que fiz o treino com um tempo muito fresco e um nevoeiro cerrado e bem cedo pela manhã. Além disso, fruto das dificuldades e das dúvidas que começava a sentir, tracei um percurso em circuito, com três voltas ao mesmo, o que acabou por ajudar bastante no tempo alcançado. Ainda outro aspeto interessante: durante aquele ano andei com "paninhos quentes" e geri treinos e afins, procurando andar mais "poupado".

Este ano, talvez pelas contrariedades dos primeiros seis meses do ano, o conhecimento é muito mais denso: de mim, das minhas capacidades, dos meus limites, das necessidades de abastecimento e das especificidades de abastecimento. Quando fiz este treino a 13 de setembro agora em 2019, já andava a carregar muito, com um acumulado de 403 km em julho e um de 470 km em agosto. Estava bem "oleado" e na semana do treino fiz uma sessão de técnicas de corrida. A diferença em termos de tempo, deveu-se sobretudo às maiores dificuldades do percurso, que não foi em circuito. E, pior no meio disto tudo, enfrentei temperaturas na ordem dos 30 graus. Foi complicado, mas senti que dominei bem e fiz o que procurava: acabar mais um treino de 42 km.

Isso é crucial para mim, no sentido em que ajuda a ter uma noção exata do meu corpo. Por ter querido fazer tudo muito rápido e a um ritmo muito elevado em julho e agosto, "falhei" duas oportunidades "inventadas" (decidi à última hora que ia tentar os 42 km nesses treinos) e senti que a minha cabeça estava a começar a criar um problema e uma dúvida que não existia.

No fim de contas, consegui tempos muito próximos e, tenho percebido isso com o tempo, em princípio, dará para tirar cerca de dez a quinze minutos ao tempo de treino no dia da prova.

Apesar das semelhanças, os processos foram diferentes e, sinceramente, achei que melhorei muito em 2019, não deixando, contudo, de registar que, tal como neste ano, também no ano passado atravessei um período inicial de muitas dúvidas e dificuldades.

 

11
Nov19

As mudanças necessárias


João Silva

Ontem falei-vos da redução da carga no mês de outubro e da importância que isso teve no meu desempenho nas provas.

O dito mês é, na minha opinião, o mês mais importante da preparação, isto porque teria tudo a perder e nada a ganhar. O mês anterior a uma prova da dimensão de uma maratona pode prejudicar o nosso desempenho, se fizermos asneira.

O que me propus a fazer foi, antes de mais, reduzir o volume de treinos. 

Fiz menos longões e rampas, mas mantive algumas sessões de velocidade para não descurar o ritmo nem a cadência.

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Ao nível do reforço, para não massacrar os tendões ou as articulações, reduzi o nível de treino de saltos.

Como complemento, aumentei alongamentos profundos e sessões de ioga. O propósito era bem claro: relaxar o corpo e dar elasticidade.

A tudo isto, claro está, não podia faltar a meditação, para me relaxar a alma.

E desse lado, o que fazem nas vésperas de uma prova importante? 

12
Out19

Se abrandou, mete estímulo


João Silva

No final de agosto já tinha falado sobre a importância dos esticões nos treinos como forma de melhorar a forma e de obrigar o corpo a sair da zona de conforto e da habituação.

Recordo-me de na altura ter contado com um belo parecer da estimada Luísa de Sousa. Em relação aos seus treinos, ela dizia que mudava o cárdio para sessões de HIIT como forma de estimular o corpo e o metabolismo.

Efetivamente, é a melhor forma de explicar o que quero dizer quando afirmo que é importante estimular o corpo. No caso da corrida, para os atletas amadores ou mesmo para os curiosos da corrida, sugeri jogos de velocidade durante os treinos para ajudar a abanar o corpo.

No fundo, os estímulos são isso mesmo, ruturas bruscas e repentinas numa determinada metodologia que têm o "condão" de levar o vosso corpo a pensar "mas o que é que este gajo está a fazer?".

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Acreditem, ao fim de algum tempo, a "máquina" fica viciada e, como gasta sempre a mesma energia e trabalha sempre da mesma forma, não desenvolve, não vos deixa sair da "cepa torta". Mudar de exercícios e de duração das sessões de treinos vai ajudar imenso. Diz-se, e com razão, que a transpiração não é sinal de maior queima de calorias, no entanto, é normalmente um sinal bem forte de que o corpo precisa de mais esforço para regular a temperatura. E, valha a verdade, anda tudo à volta disso: da capacidade que ele tem para nos manter em equilíbrio. Como tem de haver sempre perda de energia nesses casos, o metabolismo terá de acelerar e isso é benéfico para a vossa evolução. Em pouco tempo notarão melhorias.

Falando do meu caso, quando decidi aumentar ainda mais o volume dos treinos em maio não sabia bem até que ponto iria notar evolução. A esta distância temporal, percebo que foi o melhor que fiz.

O truque aqui também passa por ser paciente, porque o corpo demora algum tempo a assimilar novos métodos e novas estratégias para ser funcional. Mas, meus caros, paciência é um bem muito precioso e muito escasso na sociedade atual. Contra mim também falo.

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09
Out19

Planificação de treinos


João Silva

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Como não tenho treinador, sou eu que faço os meus planos de treinos.

Sendo sincero, é algo que gosto de fazer, pois trata-se de uma tarefa exaustiva mas muito esquemática. Dado desde miúdo ter este toque (necessidade?) de escrever tudo para me organizar, faço-o de bom grado.

Ainda assim, é difícil explicar-vos detalhadamente como distribuo os treinos e as suas tipologias.

Até há pouco tempo, fazia uma planificação a pensar em dois meses (também já chegou às três), mas depois percebi que precisava de deixar algum espaço para o improviso.

Se me apetecer fazer um percurso diferente do estipulado, faço-o. Por outro lado, quando defino tipologias específicas, procuro nao "faltar", desde logo, porque, como são treinos muito duros, não quero dar "abébias" ao cérebro. Dito assim é um pouco duro, mas é raro mudar ou retirar um treino desses.

Uma das vantagens de amadurecer e de amealhar experiência com tudo isto é perceber quando o corpo não vai responder ao estipulado. Portanto, quando é mau para mim, não os faço.

Retomando a questão do plano propriamente dito, são sempre sessões duplas: normalmente, uma de corrida e outra de reforço. Depois, a cada grupo muscular atribuo um dia para não repetir as mesmas zonas. No passado percebi que isso era mau para o meu corpo. Outra das preocupações é não definir treinos duros de reforço nas vésperas de treinos mais longos ou de provas. Para essas ocasiões, por exemplo, determino treino de braços ou de peito.

Em relação ao treino de corrida, é importante espaçar, pelo menos, com um dia de intervalo, os treinos de fartleks dos de séries, dos de escadas ou também dos de subidas. Por norma, dois treinos de velocidade, um de subidas e um longão no cardápio. O resto consiste em treinos intermédios para recuperar ativamente.

Nem sempre foi assim, houve alturas em que era muito bruto na estipulação, mas o corpo, a carga e as dores encarregaram-se de me levar nessa direção.

Por agora, tem funcionado bem. E por aí, como é?

06
Out19

Não esquecem...e duram, duram


João Silva

Sabiam que os vossos músculos e o vosso organismo se vão lembrar se retomarem a prática de exercício físico após alguns meses ou anos de paragem?

Passo a explicar: está comprovado que o corpo não esquece e, se tiverem praticado desporto de forma continuada, após um interregno, ele vai lembrar-se e responde de forma positiva. Em que se reflete? Por exemplo, na regeneração ou no gasto energético. Se a prática tiver sido muito prolongada, o vosso metabolismo não vai queimar a mesma energia que faria, caso tivessem começado agora o exercício.

Tal como se lembra disso, também tem memória de elefante no que toca a dores musculares.

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Houve um período na primeira quinzena de agosto em que sofri algumas cãibras na zona dos gémeos. Foi o corpo a acusar o desgaste e, sem mentir, ao fim de uma semana, ainda sentia os "laivos" de dor naquela zona. É verdade que já não doía com intensidade, mas, me determinados movimentos, a memória vinha ao de cima.

Não sei se já vos aconteceu o mesmo. Sei, isso sim, que é muito desagradável treinar assim. Num dos treinos de séries, ao executar a primeira, comecei logo a sentir os gémeos a dar esticões e a querer enrijecer. Depois passou, talvez porque o organismo já está habituado, mas, tal como os meus músculos, também eu não me esqueci das dores que senti.

04
Out19

Dores de amadurecimento


João Silva

Todos já ouviram falar em dores de crescimento, pelo que não me serve de muito estar a explicar o que significa.

Venho "introduzir" as dores de amadurecimento.

Não sei se o conceito existe, mas acredito piamente que haja muito mais pessoas e desportistas a sofrer desse "mal".

Então e o que são as ditas dores?

São aquelas que, de tão frequentes, persistentes ou nefastas, nos obrigam a aprender.

Neste contexto, como não poderia deixar de ser, vou falar da sua aplicação e presença no atletismo.

É uma espécie de cliché haver um atleta a dizer "no início não ouvia o meu corpo, mas agora aprendi". Na verdade, acho que, não poucas vezes, somos forçados pelo corpo a adquirir essa aprendizagem.

Dou-vos o meu exemplo: tenho consciência do que me faz mal, do que é incorreto na minha preparação, do que o meu corpo gosto e do que a minha cabeça aprecia para poder render. Contudo, tenho um defeito enorme: sou demasiado persistente, teimoso e, porque não dizê-lo, obstinado com os treinos. Não são poucas as vezes em que caio na "armadilha" da sobrecarga. Perante essa tendência quase tresloucada para destruir a minha evolução, acabo por conseguir contrariar tudo isso através de uma análise mais ponderada e racional.

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Ao longo destes quase três anos (dentro de um mês), cometi tantos exageros na forma como lidei com o meu corpo. No entanto, como gosto de pensar, fiz "bom proveito" das dores. Ou seja: por ter sofrido tanto em determinados momentos, por ter corrido a mancar durante semanas a fio (entre dezembro e janeiro de 2016), acabei perceber que o corpo chega a um ponto em que vai rebentar, em que diz chega e depois não o tens. Perante esse cenário e tendo em conta o meu receio (medo mesmo?!) de lesões (que, felizmente, até agora não tive ao ponto de ter de parar), acabei por aprender a parar, a ter paciência com as minhas exigências e a relativizar o treino e a sua intensidade.

Todavia, para chegar a esse nível de amadurecimento, tive mesmo de suportar muitas dores e muitas manhãs em que mal me conseguia mexer.

Costumo dizer à minha treinadora (esposa) que aprendo, mas que preciso de sofrer para que isso aconteça.

Vocês são iguais e caem no exagero ou conseguem parar atempadamente sem problemas?

02
Out19

Se não dá, baralha e volta a dar...diferente


João Silva

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Acabou por ser uma semana curiosa aquela que vivi entre o dia 05 e o dia 11 do passado mês de agosto.

Bem sei que já passaram praticamente dois meses, mas a menção serve apenas para explicar que nem sempre se consegue fazer o que está estabelecido e que, muitas vezes, é ponderado adaptar as coisas, no caso, os treinos.

Na semana em causa, tinha previsto fazer um treino de 42 km, como forma de preparação da maratona do Porto.

Inicialmente, por questões práticas, estava estipulado para o sábado.

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Contudo, com base na previsão meteorológica prevista para essa semana, decidi antecipar o dito longão para a sexta-feira, dia 09.

Como é hábito, a semana foi pesada e o corpo acusou cansaço. Além disso, na terça-feira, abusei um pouco com um treino de 1h30 de corrida. A esta distância, considerando o bem maior, era desnecessário e só prejudicou.

Na quinta-feira, já o treino tinha terminado há muito tempo, num movimento intenso, forcei demasiado os gémeos e as cãibras atacaram aquela região. Mas atacaram de tal forma que fiquei com memória da dor nas pernas durante três dias. 

Por isso, nessa noite, após algumas hesitações e ponderações, decidi que não podia fazer os 42 km na sexta-feira. O corpo não iria dar resposta capaz, por certo, iria contrair uma lesão e acabaria por prejudicar o bem maior.

Nesse sentido, foi necessário modificar três dias do plano de treinos. Confesso que é algo que não gosto muito de fazer mas que, em abono da verdade, tenho aprendido a fazer com base na experiência (e, às vezes, nas dores). Em vez do estipulado, fiz um treino de corrida de 02h00 na sexta (primeira imagem) e uma sessão intensa de ioga.

Tenho o dever de ser honesto: não devia ter corrido tanto tempo seguido na sexta-feira. O meu corpo ressentiu-se ainda mais, passei o tempo todo com imensas dores nos gémeos. Tive muito tempo para pensar na dita asneira durante a corrida. Foi a sessão intensa e profunda de ioga que me deixou em condições e me diminuiu as dores.

Isso e o facto de ter feito bicicleta estática e treino funcional no sábado.

Custou-me horrores não ter saído para correr no sábado, mas, à distância, sei que foi totalmente avisado.

E tanto assim foi que, no domingo, o corpo respondeu fanstasticamente bem, praticamente sem dores e novamente numa "viagem" de duas horas no asfalto (imagem do meio).

O desempenho melhorou substancialmente, mas, a parte que mais me satisfez, o corpo reagiu bem, não teve quebras nem "ressacas" dos exageros.

Apesar do desagrado por ter sido "obrigado" a adiar o treino dos 42 km para setembro, fiquei genuinamente feliz pela forma como lidei com as constantes contrariedades, logo eu que não gosto muito de imprevistos.

Além disso, refira-se também que há males que vêm por bem. Porquê? Porque assim pude dividir o trajeto do treino dos 42 km pela sexta e pelo domingo e porque isso me permitiu ter uma ideia mais exata do que iria encontrar quando fizesse o percurso sem interrupções.

Como diz o outro (seja lá ele quem for): vivendo e aprendendo.

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01
Out19

A história do rapaz que não sabe estar quieto


João Silva

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Vou começar por retirar o "suspense". Estou a falar de mim.

Sei que o fenómeno acontece com muitos desportistas, mas, no meu caso, não deixa de ser revelador. Desde logo, expõe a minha personalidade.

Não sei estar parado, lido mal com isso e depois fico muito ansioso e stressado porque não consigo aproveitar pequenos momentos da vida. É um pouco a ideia de viver muito e de saborear pouco.

Houve uma altura em que comecei a perceber que, em determinados dias, acordava mal, andava o dia todo com uma angústia. No dia seguinte ia embora.

Num determinado domingo de agosto, percebi finalmente qual era a ligação: os dias de folga dos treinos.

Fiquei (e fico, por vezes) muito tenso por não fazer desporto, porque crio a falsa ideia de que vou ganhar peso e de que devia estar a fazer alguma coisa. É aí que entra a minha esposa para me meter juízo na cabeça e para me fazer voltar à racionalidade. Como se treinasse pouco ou tivesse uma forma errada de me alimentar.

Não, não tenho, modéstia à parte, mas sei que sou disciplinado e que não me permito muitos (se é que alguns) deslizes. Tenho perfeita consciência, mas depois deixo que a inconsciência e os receios tomem conta de mim.

No domingo em causa, estava de folga após uma semana duríssima e tendo corrido 38 km no sábado. Ou seja: em condições normais, precisava mesmo de repousar, de estar de papo para o ar no sofá a saborear a vida e os momentos com a minha esposa. Em relação ao repouso, é muito simples: se não descansar, não regenero, vou ter lesões e acabo por estragar os meus objetivos. Acho que o truque é tentar ver o bem maior, perceber que tudo tem uma finalidade.

Nesse dia, foi difícil e já estava a "salivar" para ir fazer pilates, ioga ou mesmo bicicleta estática. Quando fui lançado para o "ginásio" que criámos cá em casa, eis que a Diana acorda. Foi a minha "sorte". Lá me "fez" parar, respirar, explicar a questão e o dilema. Enquanto o estava a fazer, senti o problema a desvanecer e decidi no momento que não ia treinar nesse dia.

Assim foi e soube tão bem. Há meses que não sabia assim. Foi um carregamento bem jeitoso de energia.

Tudo graças a quem me atura.

13
Set19

Atrasado, perdido e cego


João Silva

Mais uma história daquelas que merecem ser contadas.

E é também mais uma em que se pode utilizar na perfeição o ditado "contado ninguém acredita".

Em abril deste ano, fui finalmente estrear-me como corredor no distrito de Aveiro.

Meia maratona de Ílhavo, dia chuvoso.

Decidi que era boa ideia sair de casa 1h30 antes da prova. Ideia peregrina, ainda para mais, quando nunca tinha conduzido para aquelas bandas.

O enredo jeitoso teve início ainda antes da partida, porque escolhi uma estrada no GPS e nem me apercebi que me ia mandar para um percurso a passar por Montemor em vez do típico IC2 a cruzar Coimbra.

Dei conta do erro nessa manhã, perdi imenso tempo, porque tive de voltar para trás e de redefinir a rota.

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Como se não bastasse, na zona da Anadia, distraí-me, não tomei atenção ao GPS e voltei a perder-me.

Tinha pedido à minha colega Lígia para me levantar o dorsal. Foi a minha sorte.

Só cheguei a Ílhavo 15 minutos antes do início da corrida. Foi tempo de procurar estacionamento numa zona completamente lotada e de ir buscar o papel mágico para conseguir correr.

Como não tenho juízo nenhum (ou muito pouco), achei boa ideia tirar umas fotos primeiro, aqueci no trajeto para ir buscar o meu dorsal. Como se não bastasse, deixei o meu porta-dorsal no carro e, para não furar a camisola, tive de voltar ao dito.

A chuva, sempre impiedosa, não me deixava ver nada com os óculos. Conclusão: mais uma prova sem aqueles vidros bem importantes.

Foi remédio santo. Nas outras provas fora da minha localidade, saí de casa perto de 03 horas antes da dita.

Em relação à de Ílhavo, ou muito me engano ou terá sido a primeira e última. Não gostei do percurso, não apreciei a prova no geral e, verdade seja dita, também não estive ao meu melhor nível.

05
Set19

O rei ficou (todo) nu


João Silva

Primeiro, esta história insólita só poderia ter acontecido num dia tão especial: 04 de novembro de 2018.

Foi o dia em que corri a minha primeira maratona. Choveu copiosamente. Olhando bem para a grande maioria das histórias curiosas que tenho vindo a partilhar neste espaço, diria que um dos pontos em comum entre todas elas é o facto de ter chovido imenso.

Acabei a prova toda encharcado.

No início, os colegas com quem fui foram inteligentes ao ponto de encontrarem umas espécie de capas plásticas que a organização estava a ceder, prevendo já o que iríamos enfrentar.

A minha esposa ganhou a lotaria: ficou com a dela e com a minha. Ainda assim, isso não a salvou de ficar ensopada. 3h30 à espera do marido é obra. Merece uma estátua e muitos elogios, porque nem toda a gente se prestava a isso. Por essa mesma razão, uma vez mais: muito obrigado, meu amor.

Se a história dela desse dia já foi caricata, pois andou de um lado para o outro para me ver passar, a minha não foi menos.

Já com a medalha de finisher ao peito, vi-me grego para encontrar a "barraca" onde era suposto gravarem a laser o tempo da prova. Era olhar à volta e ver zero, ou, como diria Jorge Jesus: "bola".

Não sei quanto tempo passou, mas sei que a hipotermia me estava a querer fazer companhia.

Fizemos cerca de 1 km para chegar ao carro do Zé Carlos, mas antes foi necessário parar para tomar o café imperativo e uns rebuçados para a esposa. Ela merecia um camião imenso de coisas apetitosas, tendo em conta o que passou.

Beber o café com os dentes a bater no copo só serviu para me aquecer a alma. O corpo teimava em manter-se gelado.

Chegados ao carro, eu não poderia entrar. Jamais ia lá para dentro e molhava o carro todo ao meu colega de equipa.

Solução: ainda se lembram das capas plásticas do início? Exato, a esposa ainda as tinha, tirou-as e colocou-as à minha volta para que pudesse trocar de roupa. É verdade que foi uma excelente ideia, mas não me permitiu fugir ao embaraço de ficar todo nu em plena Invicta e de ter sido confrontado com os olhares de outros atletas que se dirigiam aos seus veículos.

Nunca fui muito envergonhado, mas não deixou de ser uma experiência muito curiosa num dia tão especial.

Acho que numa me vesti tão rápido. E não, não trouxe a capa como recordação.

E já me esquecia: foi a primeira prova que fiz com a camisola da ARCD Venda da Luísa.

Outra particularidade inesquecível.

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04
Set19

Ter velocidade sem ter velocidade


João Silva

Aceito o argumento de que pode parecer estranho o que disse.

No entanto, tem fundamento.

Vamos às explicações, não sem antes deixar uma nota prévia, que, na verdade, acaba por ser repetitiva em relação ao que já disse várias vezes: não me considero um corredor naturalmente rápido. Isto é, não faço um sprint a um nível elevadíssimo. Na verdade, aos 400 m, numa série boa, consigo andar entre os 1'25'' e os 1'30''. 

Portanto, há atletas que têm mais essa característica do que eu.

Considero é que, através do ritmo e dos km nas pernas, consigo ganhar alguma velocidade. Numa hora, em treino, consigo encaixar mais de 12 km, o que, na melhor das hipóteses, dá para apresentar um ritmo de 04'50''/km. No meu entender, é bom.

Apesar de não ser um rápido explosivo, tenho de fazer treinos de velocidades. Porquê? )perguntarão alguns), isso é contraditório (afirmarão outros). Nada disso, os treinos de velocidades são importantíssimos (e dolorosos e malvados) pois são os responsáveis pelas grandes melhorias em termos de gestão de ritmos e de capacidade para aguentar um ritmo elevado durante muito mais tempo.

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Esses danados desses treinos põe-nos a arfar, fazem-nos suar as estopinhas, obrigam-nos a gerar oxigénio onde ele não existe e dão-nos um abanão (qual rajada de vento) que mete o nosso metabolismo em sentido, como se alguém nos tivesse dado uma chapada e isso nos obrigasse a reagir.

A questão da geração de oxigénio é a mais importante nesses treinos, onde os tempos de "explosão" têm de ser superiores aos de retorno à calma.

No fundo e em jeito de conclusão, esses treinos de velocidades fazem-nos entrar num patamar produção alternativa de energia e por isso é que são tão decisivos na evolução de um atleta. Passo a explicar: os treinos de velocidade fazem-nos entrar no treino anaeróbio, onde o oxigénio (elemento essencial para produção de glicose, logo, de energia) é gerado pelos músculos e não através do ar que respiramos.

Moral da história: se dói (e doem imenso!), é porque faz bem.

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24
Mai19

Quando o sonho ganha forma...


João Silva

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Ao longo das últimas semanas fui desvendando o véu, mas agora já se pode ver mesmo e adquirir o "rebento".

Algo com que sempre sonhei ganhou forma e já se encontra disponível na maioria das livrarias online, incluindo as internacionais.

Trata-se do livro "O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista".

Este livro foi pensado e estruturado durante os treinos "longões" de preparação para a maratona da Europa em Aveiro.

No fundo, versa sobre todos os pontos importantes da preparação desde o treino específico às distâncias percorridas, sem esquecer a relevância da alimentação e dos abastecimentos nem os aspetos psicológicos associados como a depressão.

Poderão encontrá-lo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui.

Fico bastante feliz se sentir e souber que pode ter contribuído para a evolução de algum de vós.

 

 

04
Abr19

Eu ex-obeso me confesso!


João Silva

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É caso para dizer: quem te viu e quem te vê!

Esta foto data de 06 de novembro de 2016 e funciona como o meu atestado de obesidade, tendo atingido a "mágica" marca dos 118 kg.

Desde muito novo que sempre tive propensão para engordar, não só por tudo aquilo que comia, pela falta de regras e de consciência alimentar e nutricional (e escassez de dinheiro), como também pela disposição "genética". Nunca fui alvo de nenhum exame que provasse essa mesma disposição genética, mas posso proferir a afirmação anterior com base em tudo o que foi e é a minha família.

Posto isto, passei por várias fases. Na adolescência sofri da "síndrome da rejeição", nunca fui um alvo apetecível para o sexo oposto. Na fase final da minha adolescência e na inicial da minha vida adulta, graças à prática de futebol amador num clube da terra, o U. D. Gândara, perdi cerca de 50 kg em apenas três meses. Foi um tempo monstro. Privei-me de todo o tipo de comida, o que, agora a uma distância temporal de 12 anos, confesso que se tratou de um erro.

Dado o processo de emigração dos meus pais, vivia sozinho na altura e estava prestes a entrar na Universidade de Aveiro.

Ao mudar de distrito, voltei a mudar de hábitos, trabalhei e estudei em simultâneo durante a licenciatura e o mestrado em tradução (francês e alemão) e abandonei por completo a prática desportiva, algo que sempre fora uma paixão.

Tudo isto conciliado com o facto de ter trabalhado numa pizaria e posteriormente num hipermercado com horários loucos redundou em nova subida de peso. No fundo, deixei de lutar contra a tendência e foi como se tivesse fechado o ciclo anterior da mesma maneira que o comecei: com excesso de peso. No fim de todas estas vivências, estava com 118 kg. E ainda nem tinha chegado aos 30 anos.

Passada uma fase agitada com mudança de emprego, casamento e mudança de residência, abracei novamente a missão de recuperar a minha saúde.

Foi então que "descobri" as caminhadas; primeiro com a minha cara-metade, depois com os meus cunhados (juntamente com a minha esposa, os grandes pilares e precursores da minha mudança). No dia 19 de novembro de 2016, já com duas semanas de caminhadas no corpo, decidi começar a correr.

A partir daí, mudei literalmente de vida. O gosto que sempre tive pelo desporto revelou-se o combustível certo para começar a alterar o meu padrão de alimentação e, consequentemente, a forma como via as coisas.

Agora, em abril de 2019, estou a 24 dias de fazer a minha segunda maratona oficial. Será no dia 28 deste mês em Aveiro, cidade onde vivi durante 10 anos e onde estudei, trabalhei e me casei. Será especial, sem dúvida!

Este espaço surge agora como forma de explicar ao "mundo" como a corrida mudou a minha vida e me transformou nisto:

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Haverá tempo e disposição para vos contar tudo o que fiz neste processo, para vos falar dos meus treinos diários, da minha alimentação, das minhas preferências de corrida, da minha vida desportiva, das minhas ambições pessoais e desportivas, bem como de outros assuntos que naveguem na minha cabeça, como a minha paixão louca pela Bundesliga e pelo Borussia Dortmund.

Partilharei também vídeos pessoais, relacionados com desporto ou não, artigos de entendidos, registos e informações sobre as diferentes provas. No fundo, este será um espaço que me permitirá contar-vos um pouco de mim.

Será um prazer ter-vos por aqui e contar com as vossas opiniões e/ou sugestões.

Não se "acanhem".

 

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