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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

12
Mai22

E os dois não chocam num só corpo?!


João Silva

Numa das "sessões de estudo da corrida", tropecei num comentário do jovem Nico (também conhecido por Running Addict, já vos falei do canal de YouTube dele) sobre o facto de o treinador e o treinador colaborarem no mesmo corpo.

Como se sabe, não tenho treinador e procuro tratar de tudo pela minha cabeça com base no que vou descobrindo e aprendendo com quem sabe mais. Com o Nico, por exemplo.

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Ainda assim, fiquei a pensar no que dizia o rapaz: basicamente, é muito difícil um atleta ser o seu próprio treinador, porque precisa de ser brutalmente honesto consigo e de traçar um caminho que não pode depender (muito) dá vontade do atleta. Atenção, nada disto apela ao desrespeito. Porém, se pensarmos, um treinador traça um caminho (de acordo com a vontade do atleta). O atleta, por seu turno, "tem" de o seguir, mas vai sofrer com a dureza. 

Ora, na mesma pessoa, isso provoca um choque de intenções, porque o atleta vai ter de traçar o seu caminho e de ser frio na hora de se avaliar e de continuar a treinar. 

Não havendo um ponto de vista externo, tudo se pode desmoronar numa convicção mais ilusória do atleta.

No meu caso, apesar de definir planos e de tentar sempre adotar novas técnicas, há momentos em que tenho de me desviar do que defini, sobretudo, por causa do desgaste físico. Procuro ser honesto em relação ao que falha, mas também sei que há alguns casos em que sou mais condescendente do que devia e outros em que exijo estupidamente de mais.

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Em jeito de conclusão, apesar de reconhecer que um treinador pode trazer um lado muito benéfico a uma evolução de um atleta, não me vejo a mudar a minha abordagem à corrida. Por agora, ainda não me vou demitir de ser o meu treinador.

Quem se treina a si próprio também sente isso?

24
Abr22

Estagnar é (muito) mau, andar para trás é doloroso


João Silva

Olhando para trás, ao fim de quase cinco anos e meio, vejo que foram muitas as vezes em que não consegui fazer o que queria em termos de treinos. 

Percebo que estagnei muitas vezes. Se o primeiro ano foi de grandes mudanças, como era suposto, depois passei muito tempo atrás daquilo que já tinha acontecido no passado.

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Se, por um lado, é bom saber que chegamos a determinado ponto e que, se estamos mal, é apenas uma fase, por outro, não adianta perseguir aquilo que, a dada altura, se torna muito distante.

O que mais me desilude é ter esta noção de que o excesso de treinos me minou a evolução e que, à exceção de alguns períodos de provas, nunca consegui estar em plena forma durante muitos meses. Até me ter lesionado a sério. Foi o episódio de que precisava para abrir os olhos. Sobretudo, em termos de qualidade de treino e ao nível dos resultados.

A chave para subir a forma é combinar os treinos de elevada intensidade com períodos de descanso. Sei que falhei nesse capítulo. Durante muito tempo, como não "sabia" o conceito de abrandar, o corpo não deixou fazer mais sessões de treinos de velocidade pura. Outra das causas estúpidas para isso foi acreditar que, para poder comer (coisas "normais" no meu estilo de vida atual), tinha de treinar sempre e sem olhar para trás. Tudo isso me levou a um ponto em que não consegui evoluir. 

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Agora tornei-me constante, tenho sido paciente e os resultados dos treinos estão a materializar-se em boas sensações do corpo e em resultados práticos, mas dói perceber que fui muito burro (por culpa própria) durante tanto tempo. Sobretudo, custa saber que se tem as ferramentas certas e que bastava ter calma e método.

Não gosto de ser conhecido como o tolinho que corre muito. Porque sim, corro muitos quilómetros, mas gostava que esta quantidade se transformasse em algo palpável. Não falo de pódios, embora pense neles, ainda assim, sinto que sei qual o caminho teórico a percorrer para chegar lá e que acabo a andar para trás por "cegueira". 

No entanto, os últimos cinco meses, no balanço do meu regresso da lesão, provaram que afinal aprendemos com os erros.

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Pior do que estagnar é ficar pior do que se estava. Isso aconteceu-me no ano passado depois de ter corrido os 50 km pela primeira vez. 

Não foi a distância a provocar isso, foi a falta de descanso e a incapacidade para mudar métodos.

Aceitei o que me aconteceu e todas as dores reais que tive e, na verdade, nem posso dizer que tenha sido tudo mau, porque consegui mudar a minha passada para o pé direito (passei a conseguir marcar ritmo com os dois) e consegui mudar um pouco as cargas do fim de semana e apostar no reforço muscular. Só que já foi muito tarde naquela altura. O corpo já estava muito massacrado e nunca mais consegui ter regularidade num ritmo que me permitisse fazer 18 km em 1h30 (era o normal em períodos bons) sem me deixar quase k.o. nos dias seguintes.

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Isso doeu tanto. Representou um enorme fracasso e foi provocado por mim. Diria que é um pouco o resumo da minha vida.

Digerir tudo isto não foi fácil... mas o que não nos mata, torna-nos mais fortes... foi o caso. Pelo menos, por agora.

 

20
Abr22

Como se avalia a forma sem competição?


João Silva

Há muitos corredores que usam as provas como forma de perceber o ponto em que se encontram.

É, na verdade, o mais comum, até porque é mais imediato e mais exato. Há tempos, há números de ritmos, há números de cadência e há energia desperdiçada contabilizada.

Mas também há quem corra sem competir. E também é justo que queiram poder avaliar a sua evolução. 

Além da disposição com que correm, essas pessoas também podem medir os seus ritmos e as cadências. Essa é uma forma. Depois podem repetir percursos e registar a velocidade global. 

Antes de tudo isso, dá para perceber se o corpo responde bem a diferentes cargas, se é possível aumentar a carga gradualmente e se o corpo reage bem nos diferentes dias.

Não são propriamente métricas, são, ao invés, perceções, mas são igualmente válidas. Ninguém melhor do que os próprio para poder perceber os próprios estados.

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10
Mar22

Perdi-me e agora?


João Silva

"Estou oficialmente perdido."

Foi exatamente isto que pensei num treino em que me perdi. Acrescentei ainda uns quantos palavrões.

Não entrei em pânico, mas perdi-me mesmo.

Olhei à minha volta e só vi isto:

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Quis experimentar um caminho novo e achei que uma dada estrada ia dar onde queria.

Não foi logo, mas quando comecei a ter de escolher cortadas por estradas de terra batida, senti que já não sabia onde estava.

No meio da floresta e só com mato à minha frente, procurei seguir numa direção que acreditava ser a solução.

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Rapidamente percebi que ia passar muito tempo rodeado por mato e árvores.

Tive de tirar o telemóvel e de consultar o mapa da aplicação de GPS. 

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Ao fim de algum tempo, senti-me mais confortável. O grande susto tinha passado.

Sem saber como é que foi aquilo, acabei por ir ter ao sítio onde tinha começado.

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A partir dali foi regressar a casa.

Apesar de ter tido medo, porque, de facto, me perdi, mantive a calma para perceber, primeiro, a direção por onde queria seguir e, segundo, para consultsr o abençoado GPS. Foi uma sorte ter o telemóvel com bateria carregada, mas isso é algo que não pode faltar a nenhum corredor.

No meio disto tudo, ainda houve tempo para uma ou outra foto extra:

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03
Mar22

Recuperação ativa ou passiva?


João Silva

Acabámos um treino duro ou uma prova que fez chorar os nossos atacadores e o pessoal deseja-nos sempre uma boa recuperação.

Palavras gentis, sem dúvida, mas o que significam na prática?

Desde logo há três grandes hipóteses: recuperação ativa, recuperação passiva ou papo para o ar.

Embora a última também tenha o seu valor em determinados momentos, não é chamada para o caso.

Sobram-nos as outras duas.

Na recuperação ativa, mexemos o corpo, fazemos alguns exercícios como alongamentos dinâmicos ou estáticos e fazemos uma corrida, normalmente, em ritmo muito baixo. O objetivo é pôr o sistema circulatório a funcionar, é irrigar os músculos e potenciar assim a sua recuperação total. É uma forma de pegar no cansaço do corpo e de canalizar para a recuperação. É uma tipologia cada vez mais adeptos. O próprio lactato, que se pensava ser um inibidor do movimento, é utilizado neste processo ativo.

Por outro lado, há momentos em que as nossas profissões não permitem está forma ativa de recuperar de uma prova. 

Aí recorremos ao método passivo. Deixamos que o corpo faça o seu trabalho com os músculos quietos, sem grandes ações. Apesar de ser uma boa forma de recuperação, vai ser muito mais lenta. É muito reparadora, mas muito morosa também e deverá atrasar o nosso regresso à forma sem dores. Aqui a alimentação desempenha um papel importantíssimo. Em função dos alimentos escolhidos, a recuperação poderá ser mais rápida ou mais lenta.

Deixo-vos agora um vídeo onde podem perceber melhor o que significa recuperar ativa ou passivamente num cenário continuo de treinos:

Além disso, este vídeo revela ainda que, ao contrário do que se pensava, o lactato pode ser usado como um mecanismo de recuperação do corpo.

11
Fev22

Os dias de merda podem valer ouro


João Silva

Alguém dizia há algum tempo que não se aprende com os momentos bons. 

Na verdade, nos dias bons a nossa disposição para refletir no curso das coisas não é muito grande. Ficamos vulneráveis perante o sucesso.

Transportando isto para o desporto, a ideia é simples: em condições ideais, um treino brutalmente bom terá sido o reflexo de coisas bem feitas. Portanto, se não tiver sido uma coincidência, nao haverá muito a mudar.

Por outro lado, os dias de cão, aqueles mesmo merdosos em que as coisas não saem, seja na vida normal ou no desporto, vão levantar dúvidas. Vão meter-nos em causa. E é aqui que esse mau-estar pode funcionar a nosso favor. É aqui que encontramos a chave da evolução.

Mas tudo tem o seu tempo. Quando as coisas correm mal, é preciso tempo para encaixar e aceitar, para lidar com a frustração. Depois chega a hora de analisar de forma fria e honesta para connosco. Não adianta sermos moles. Temos de ir ao centro da questão e temos de ser honestos connosco.

A partir daqui, importa traçar novos planos que permitam mudar o que está mal.

Viver com dias maus é um pouco como viver no limbo. Tem tanto de mau como de bom. Precisamente porque ou nos ajuda ou nos enterra.

Embora seja uma pessoa muito emotiva, muito revoltada e impulsiva, tenho sempre este lado dentro de mim: no momento em que tudo corre mal, penso que haverá forma de tirar dali alguma coisa boa. E há, sempre, mesmo nas coisas horrendas da vida. Só que isso requer tempo e distanciamento.

Concordam?

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29
Jan22

As dores desaparecem...


João Silva

Há duas grandes alturas em que me cruzo com peregrinos aqui pelos lados de Condeixa.

Como acho importante apoiar, aqui e ali, solto uns incentivos. Alguns retribuem com votos de força para os meus treinos.

Aqueles momentos de incentivos, seja de peregrinos ou de conhecidos com que me cruzo, valem ouro. Sinto uma espécie de dose extra de motivação. São segundos ou minutos sem dores, por muito duro que o treino esteja a ser.

Num episódio mais recente, mesmo a recuperar de um princípio de lesão e já com 20 km nas pernas, recebi incentivos de um grupo de peregrinos. Bem! Que ajuda. Aquilo revitaliza.

E é isto em dobro que sinto nas provas. É por isto que nos transcendemos em competições. Tenho motivação suficiente para treinar, mas nada substitui uma bela "ovação" numa prova.

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Cura tudo! Mesmo as dores!!

14
Jan22

Serei maluco?


João Silva

Sem querer tropecei nisto:

Para quem não vir o vídeo, trata-se de um desafio de 24 horas a correr. No caso concreto, falamos de um jovem que procurou bater o recorde que já existia e que não era mais do que 300 e alguns km em 24 horas e a um ritmo monstruoso.

Uma pessoa normal veria isto e diria algo como "ele há com cada maluco!".

Ora eu vi o dito vídeo e pensei: "este ritmo é de loucos. O treino para enfrentar este desafio é uma coisa monstruosa."

Mas ficou um bichinho atrás da orelha...não me vejo a fazer isto nesta fase da minha vida. 

Nesta fase, sublinho, até porque tenho tido tudo menos treinos em condições. O futuro não o sei, mas...aquilo ficou ali a pairar na telha...é que a transcendência para derrubar um obstáculo destes é incrível. 

Não fecho portas. Muito pelo contrário, neste caso.

Mais alguém desse lado tem vontade de descobrir como reage o corpo a 24 horas seguidas de corrida?

O meu máximo vai em quatro horas e meia... sem parar... mas nunca digo nunca...

De génio e de louco todos temos um pouco, já dizia a minha avó.

 

10
Jan22

De esquerda, direita para direita, esquerda!


João Silva

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No último artigo falei do pé forte e do pé de apoio.

Para quem "estudou a lição", pergunto: sabiam que é possível mudar o pé forte da cadeia de movimento?

Para acelerar processos, respondo já: sim, é. Demora algum tempo porque é um processo de base do corpo.

Em maio do ano passado, o meu corpo apresentou-me a fatura por não ter parado ou abrandado algum tempo depois de ter corrido os 50 km. 

O presente foi incapacidade para correr bem, foram dores fortes no adutor esquerdo, pernas pesadas, dores na virilha esquerda. Tudo isto passava mais depressa se depois tivesse parado uns dias ou mesmo umas semanas. Houve treinos em que mal conseguia começar a corrida (por causa do lado do pé forte estar afetado). E percebi isto tudo alguns meses mais tarde e da pior forma possível.

Para quem não está muito dentro do assunto, além de correr com dores, numa hora e meia de corrida só consegui encaixar 13 km em vez dos normais 16/17 para aquela fase e em vez dos 18 km que costumo meter numa fase boa do meu corpo. Nada disto foi fácil de gerir.

Como fui o culpado por aquilo, tive de encontrar uma solução (se não tivesse sido, também teria de arranjar uma).

Comecei a arrancar com o pé direito. Os treinos passaram a ter o pé direito como pé forte. Naturalmente, ainda sentia dores, mas eram menores. Não melhorei significativamente a velocidade, mas dos 13 km em 1h30 passei para 14 ou 15 km no espaço de uma semana. Reduzi a carga nas sessões e trabalhei a parte do reforço.

A primeira vez que se muda de pé forte parece que se está num corpo estranho. Requer habituação e é preciso dar tempo para que o corpo se adapte. 

Mas é possível mudar a mecânica de movimentos, o que pode ser muito útil em provas longas para não massacrar muito um determinado lado.

Este processo arrastou-se até setembro e, curiosamente ou não, foi no lado direito que tive um bloqueio na banda iliotibial que me roubou o direito a participar na maratona do Porto. Isso revela que a ideia de mudar o pé de apoio até foi boa. Ao fim de uns dois meses os meus apoios iam alternando bem. Onde tudo ruiu foi na ausência de descanso e no "suplemento" de ter havido muito colo (ossos do ofício).

Seja como for, continuo a acreditar que é possível mudar algo tão estrutural. É preciso é ter calma e dar descanso ao corpo.

08
Jan22

Esquerda, direita ou direita, esquerda?


João Silva

Talvez alguém possa pensar que o assunto versa sobre política. Não versa!

É sobre o chamado pé forte na corrida.

Já se aperceberam (os que correm ou os que caminham) que há um pé que marca o ritmo da passada?

Pois é, a cadeia de movimentos, designada cadeia cinética em corrida, tem sempre um pé mais forte na hora de fazer mexer o corpo.

O meu é o esquerdo. É uma mera coincidência com o facto de ser canhoto. É este lado que marca também a intensidade. O direito serve de apoio.

Da próxima vez que saírem para correr, reparem no pé que marca o ritmo. Será o vosso pé forte. E vejam se não é nesse que a sequência de respiração tem início. Reparem nesses detalhes e digam lá se não é assim.

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03
Jan22

Um balanço de 2021 com números à mistura


João Silva

Mudança de ano é também sinónimo de análise a tudo o que se passou.

Costumo analisar evolução, desempenho, atitude, aspetos pessoais e de treino.

Faço-o de forma qualitativa. Não pontuo nada. No entanto, dá um certo gosto materializar treinos e quilómetros em números.

Neste caso, trago-vos a evolução quantificada e separada por meses. 

Não interessa fazer muito, importa que se faça bem. No meu caso fiz muito mas pouco foi, de facto, produtivo. Em termos de treino, isso foi ainda mais evidente. 

Corri muito. Sofri por causa disso e tive uma quebra de rendimento em maio. Demorei muito a restabelecer a normalidade e mantive a questão do volume.

Procurei mudar o que estava mal, as coisas melhoraram entre a segunda metade de junho e o início de setembro. Até que me lesionei a sério, tive direito a dores, fisioterapia, uma paragem de dois meses que me roubou a participação na maratona do Porto e a um regresso faseado mas azarado entre novembro e dezembro.

Acabei o ano a ter de baixar tudo: forma, expectativas, objetivos.

Ainda assim, consegui voltar ao convívio com alguns colegas de equipa e pude voltar a correr em provas (e que bela surpresa tive em termos de resultados). 

Voltou-se ao sururu do corona e, com isso, o medo cresceu e lá tive de ceder e abdicar outra vez de uma das minhas provas preferidas, a São Silvestre de Coimbra.

Foi necessário baixar tudo outra vez (expectativas, etc.) em termos desportivos e pessoais. Este início de ano traz uma certa dose de incerteza e isso faz-me tremer ainda mais.

No fim do ano de 2021, ficaram estes registos:

Registo de todas as atividades físicas (corrida, bicicleta estática e caminhada)

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Registo de corrida:

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01
Jan22

A tradição manda e eu obedeço


João Silva

É incontornável!

Passagem de ano é sinónimo de primeiro treino do ano seguinte de longa duração e com muita dureza, especialmente, de subidas.

No entanto, no ano passado já tive de fazer alterações porque não fui até Pombal, onde comecei esta tradição. A COVID obrigou-me a correr por Condeixa, o que não foi nenhum flagelo.

Este ano, a mesma história. Filho muito pequeno é sinal de maiores preocupações e, na verdade, ontem estávamos todos a dormir às 21 h, o que o Mateus agradeceu, já que teve um dia muito complicado.

Mas, mesmo com algumas mudanças, a minha tradição de início de ano manteve-se e lá saí para mais uma corrida. A lesão de setembro ainda não deixa esticar muito mais do que 1h20' e, por isso, é preferível levar tudo com calma.

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E assim foi. Não fiz subidas, fiz treino de fartleks, em séries de 4 x 1' rápido e 1' lento. Depois seguiram-se 6 séries de 2' rápidos e 1' lento e, por fim, 1 série de 3' rápidos e 1' lento.

Este ano o gelo dos outros anos deu lugar ao vento. Mas foi um "passeio" muito bom. A reavivar-me a memória para nunca me esquecer por que gosto de correr. Como se precisasse!

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Nesta transição para um ano que se espera mais animador, decidi começar em força para ver se me preparo bem para o que aí vem. Se não é para dar uso ao corpo, então nem vale a pena.

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Feliz 2022 a todos!

19
Dez21

O manto sagrado


João Silva

Embora seja um "assunto de primeiro mundo", houve algo de que senti falta ao longo do último ano. Na verdade, como estive sem correr em provas reais de novembro de 2019 a dezembro de 2021, já não sabia o que isto era.

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Senti falta de vestir o "manto sagrado", a camisola da ARCD VENDA DA LUÍSA.

Nunca pensei que seria assim, mas a verdade é que a camisola é um elemento identificativo de uma comunidade, de um grupo. E é disso que sinto tanta falta. E foi por isso que fiz questão de só usar a camisola oficial em treinos muitos especiais ou em provas virtuais. Porque esta camisola é especial. 

Foi uma senhora espera pela primeira prova oficial com ela vestida!

Lamechices de primeiro mundo. Ainda assim, faltas que nos tiram pedaços da realização pessoal!

19
Nov21

Memórias de odisseia


João Silva

A 19 de novembro de 2016 a minha odisseia nas corridas começou assim, na altura, com 118 kg.

A evolução foi mais ou menos pela ordem das fotos abaixo. 

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Hoje faz 5 anos que consegui mudar a minha forma física e mental (embora esta ainda sofra muito).

Tudo o que fiz foi: treinar, treinar, treinar, educar a minha alimentação e acreditar que era possível. Cinco anos depois, nenhum destes "instrumentos" desapareceu...

03
Out21

Entre a esperança e a desilusão


João Silva

Foi assim que vivi o período após o treino de 04 de setembro em que me lesionei.

Percebi logo que aquilo não tinha sido um episódio como outros em que consegui correr apesar de ter dores. Era uma lesão. A lesão que sempre achei que apareceria.

E com isso chegou o medo maior: O de não estar na maratona em novembro. Depois veio a calma e a ideia de que ainda havia tempo até ao dia da prova.

No entanto, comecei a gerar outro pensamento: com esta paragem da corrida ficava sem grandes perspetivas para um grande desempenho.

Até ao dia em que fui ao médico para ser avaliado, ora alimentava a esperança e o espírito combativo ora me deixava dominar pela tristeza e pela desilusão de quem, no fundo, sabia que tinha perdido um sonho que estava a construir.

O primeiro diagnóstico foi uma contratura no glúteo. E, efetivamente, o músculo estava duro e eu não conseguia abrir a perna, por exemplo. Nova ida ao centro de saúde uma semana depois e aí comecei a perceber que tinha um problema mais permanente.

Injeção para aqui, relaxantes musculares e anti-inflamatórios para ali. Nada de corrida, só bicicleta estática e reforço muscular. E repouso. Mais uma grande dose de esperança depois de deixar o centro de saúde. Mais uma dose de desilusão quando tive de lá voltar uma semana depois.

Logo de seguida, mais uma enorme dose de desilusão por não sentir evolução positiva no problema e por ver que a segunda médica percebia pouco do que se estava ali a passar.

Este limbo dos dois primeiros dias estendeu-se às três semanas seguintes.

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O desespero tratou de fazer o resto. Diz, quem viveu comigo nesse tipo, que o meu feitio ficou ainda mais detestável.

Gostava de dizer que não tinham razão...

Ao fim de três semanas, ganhei juízo e falei com a equipa. Fui visto na clínica que trata os elementos da ARCD e recebi a notícia de que tinha um bloqueio na zona sacro-ilíaca e uma tensão na banda iliotibial. Este tempo todo sem correr provocou também um encurtamento muscular na perna direita. 

No meio da desilusão de todo este tempo sem saber o que tinha, também houve espaço para a esperança. Tinha mais 2/3 semanas de tratamento localizado.

Esperança no regresso...

 

 

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