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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

20
Jul21

Aceitação


João Silva

Um dos meus maiores defeitos (que, paradoxalmente, também considero uma das minhas maiores qualidades) é querer remar contra a maré.

Não é mau querer fazer diferente e querer "forçar" a concretização de algumas coisas. Em muitos casos, é necessário dar um certo empurrão e fazer com que as coisas aconteçam.

O nascimento do meu filho veio mostrar-me que era preciso aceitar que nem sempre dá para fazer os pontos todos da lista de tarefas, que, por vezes, é uma sorte fazer um trabalho, que é preciso ter calma e aceitar que tudo precisa do seu tempo para encarreirar.

A vida não é a mesmo depois de se ter um filho, é necessário fazer ajustes. Um deles é aprender a valorizar o (pouco) que se faz num determinado dia. É olhar para a cozinha e ver que se lavou a louça, mesmo que o fogao tenha ficado sujo ou o chão não tenha sido varrido. É ficar feliz porque deu para tomar banho, mesmo que não tenha dado para lavar os dentes. É ficar radiante porque se correu 10 minutos, mesmo que o previsto fossem 90. É aceitar que um jogo de 90 minutos ou um filme de 2 horas podem demorar 3 dias até serem vistos na totalidade. 

Este processo é muito duro e demora muito tempo até que aceitemos que a nossa vida mudou, mas, por outro lado, que as coisas não vão ser sempre assim.

Aceitar é a chave para acalmarmos a nossa luta interior. Aceitar é a solução para vivermos mais calmos e felizes e para valorizarmos o que temos. Porém, aceitar também é muito duro e demora muito tempo. 

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16
Jul21

Geduld ist gefragt


João Silva

É como quem diz : "pede-se paciência".

O passar do tempo tem-me trazido cada vez mais esta certeza: a paciência é a chave de tudo!

Mais do que nunca, procuramos sempre coisas imediatas, o que, consequentemente, gera frustração quando não há a conquista esperada. 

No entanto, tenho visto em várias áreas da minha vida que ser paciente e ter paciência são duas enormes qualidades. Não são é fáceis de adquirir. Depois de termos posto o nosso trabalho em ação, e aqui falo de desporto e da vida pessoal, é preciso deixar o tempo atuar.

Nada disto é fácil porque todos nós vivemos na ânsia de ter tudo para ontem, mas a vida não é sprint. É uma maratonas com alguns sprints. 

Façamos um exercício: numa discussão, se esperarmos uns segundos antes de dizermos as baboseira que nos vierem à cabeça, vamos ser mais ponderados, não vamos magoar. Na vida também é assim. E, claro, o desporto não foge dessa tónica.

Os planos não fazem efeito da noite para o dia, requerem tempo, descanso, para que a assimilação ocorra naturalmente. 

Portanto, no fim de contas, a paciência é a chave. O bem mais precioso, talvez por não se encontrar em qualquer lado. 

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22
Jun21

Talvez a origem esteja aí


João Silva

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Nesta aventura para tentar perceber de onde vem todo este gosto pela corrida, deparei-me com uma memória que talvez possa explicar tudo.

Regressando ao meu passado de há 13 ou 14 anos, encontro-me a correr noutro país.

Ainda era bem gordinho, mas a verdade é que já via a corrida como um escape.

Na altura, foi durante uma estadia em casa dos meus pais no Luxemburgo que descobri uma verdadeira forma de me equilibrar. 

O ambiente era muito pesado e a única forma que tinha de fugir daquela opressão psicológica era caminhar e correr. De há coisa que não falta naquele país são campos frondosos e florestas bem escuras, sempre a fazer lembrar os filmes nórdicos. 

Além disso, em meados de abril costumava haver muito frio, gelo e neve. 

Lembro-me de correr devagarinho por aquele espaço e de sentir que entra a noutra dimensão. Lembro-me da felicidade e da liberdade. Recordo uma curva em particular quando saía de casa e uma reta com muitos ramos no caminho de regresso.

Durante aquelas duas semanas, corrida era o meu escape. 

Percebo hoje que é também a minha tábua de salvação e o meu ponto de equilíbrio. 

Infelizmente, perdi as fotos daquela altura. E tantas tirei eu. Porém, acredito que tudo tenha começado aí. 

18
Jun21

Reféns dos patrocínios


João Silva

Isto do desporto é mesmo giro. 

Todos dizem que fazer é uma espécie de milagre para a nossa saúde, o que não me atrevo a desmentir. 

Além disso, o desporto é tido como um prazer. O que também é verdade. 

Mas se tudo isto é uma realidade, onde é que têm lugar as histórias de atletas profissionais que deixam de poder treinar e competir porque perderam os patrocínios?

Alguns perdem as bolsas ou mesmo os patrocínios, porque deixaram de apresentar resultados. Outros ficam sem nada porque se lesionaram e as marcas foram à sua vida. E, como se não bastasse, ainda temos o caso de atletas mulheres que deixam de ter quem aposte nelas porque, veja-se, foram mães.

Cada vez mais recorrentemente, tenho ouvido relatos de profissionais que viram a sua vida cair em desgraça porque as marcas perderam o interesse.

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Apesar de saber há muito que a nossa sociedade só valoriza números, e se for dinheiro melhor ainda, não deixo de ficar triste quando percebo que o crédito das pessoas se esgota no dia em que deixam de render. Então e onde fica o legado da pessoa? E onde se esgotam os seus valores morais e o exemo que dá aos mais novos e o caminho desportivo que mostra?

Só vale se ganhar? Recuso-me a aceitar essa ideia. 

12
Jun21

De vez em quando lá vem ela


João Silva

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Por defeito e feitio, gero ansiedade. Deverá haver algo de genético nisto, pois a minha mãe é a pessoa mais ansiosa, nervosa e angustiada que conheço. Não sei se é genético ou "contagioso". Sei que, embora consiga lidar melhor com isso do que ela, de tempos a tempos lá vem ela chatear-me, a dita ansiedade. E é tão perturbadora que a sinto a aparecer, que a crio e que depois demora até desaparecer.

Desde logo, tudo começa com o excesso de coisas que defino para fazer em cada dia. É claramente mais do que consigo fazer e aguentar. Como tal, primeiro crio estratégias inconscientes para acordar antes do despertador, depois, essa inconsciência vira consciência e já sou eu quem "dá as ordem".

E assim vão os dias até que começo a sentir-me angustiado, até que ando acelerado e me deito com o coração a mil, não deixando, porém, de beber muito café para ajudar à festa. 

A melhor conclusão para todo este cenário é que deixo de conseguir dormir e, consequentemente, de descansar. 

A forma que encontro para lidar com isso é falar cá em casa e expor o que se passa comigo. Isso ajuda. O maior trunfo é quando começo a definir apenas uma ou duas tarefas extra para os meus dias.

Tudo isto agrava quando se tem filhos e nem sempre (muitas vezes) se consegue fazer tudo o que é necessário em termos familiares. 

Não sei como é com as outras pessoas, sei que essas épocas viram um inferno para mim. 

08
Jun21

Um problema de (ex)pressão


João Silva

A pressão é uma constante da vida. Chega mesmo a ser concreta e definida. 

Sou da opinião de que deve partir de nós. 

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No meu caso, sou o primeiro a fazê-lo, com quase tudo na minha vida, e acabo, por um lado, por gerar ansiedade, com a qual nem sempre (muito poucas vezes) sei lidar. Por outro, também desenvolvo mecanismos próprios para chegar onde pretendo. Porém, elevar a fasquia também é viver permanentemente na insuficiência e na imperfeição. Nunca nada chega.

Transportando para o desporto, no meu caso é o mesmo. Se não vejo o número (resultado) que pretendo, questiono-me logo, quando sei perfeitamente que, se, analisar o todo, o caminho foi bem feito. E é esse caminho que conta, não o resultado em si. Para mim, morrer a tentar é melhor do que nunca tentar. Portanto, a questão da pressão está na forma de expressão.

É a formulação que condiciona a avaliação. 

Se ganharmos distanciamento do que quer que seja e mudarmos as lentes para umas menos subjectivas, veremos que o resultado foi melhor mesmo não tendo sido o melhor. Concordam ou discordam? 

02
Jun21

E se perguntarem aos envolvidos...


João Silva

Prometo ser breve. 

O tema é claro como água: ao que parece, vamos mesmo ter Jogos Olímpicos. 

Faz sentido? O Comité Olímpico acha que sim. Aliás, há uns meses, mas já em finais de 2020, veio a terreiro dizer algo como "não admitimos a hipótese de não se realizar em 2021".

Ouvi relatos de vários atletas e treinadores, de vários países. A insegurança é palpável. 

Perante tudo isto, face à possibilidade de limitação de contactos entre comitivas, à necessidade de restringir acessos e ao risco real de algo que nunca ninguém viveu até ao momento, pergunto: faz sentido realizar uma das provas mais apaixonantes do planeta apenas pelo dinheiro?

Faz sentido fazer aqui o que se faz no futebol e seguir viagem como se nada fosse porque o que importa é o jogo e "a vida continua"?

Não será isto uma velha máxima mas ao contrário: o palhaço está doente mas "hoje" há circo?

E cada um dos envolvidos no espetáculo não deveria ter uma posição?

Já alguém perguntou aos atletas se queriam que a prova se realizasse?

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26
Mai21

Há muitas, mas há alguma imaculada?


João Silva

Há uns tempos, recebi uma newsletter de atletismo proveniente de Espanha. 

O grande argumento daquela edição (que entretanto perdi) era uma máscara bem bonita por sinal e que, segundo eles, era perfeita para a corrida. 

Não sei se conhecem de alguma perfeita para corredores e, se souberem, peço que partilhem comigo. 

Não sou apoiante desta ideia maluca de correr com uma máscara, mas tenho muita curiosidade para perceber como são. 

Porquê?

Desde logo porque já corri uma vez, no dia 24 de abril de 2020 (primeiro confinamento e, como não me deixaram entrar na maternidade, aproveitei). Em segundo, porque o bom tempo desta altura do ano vai trazer ajuntamentos e provas e gostaria de perceber como tudo se vai passar.

A insegurança não diminuiu, pelo menos, não a minha. Ainda assim, não vejo a máscara como opção para correr. Entre fazer uma prova com uma e não fazer, optava pela segunda hipótese.

Quem já o fez, sabe que a respiração fica mais curta, que o fôlego é escasso e não nos permite recuperar rápido. É uma espécie de asfixia permanente. 

O que fiz para me adaptar foi mudar as horas de treino, escolher sítios não movimentados e procurar não me cruzar com pessoas. 

Quando isso acontece, desvio-me para a faixa contrária, mas, mesmo assim, não deixo de saudar pessoas nem de cumprimentar, pondo a mão à frente da boca e mantendo a distância própria da estrada.

Correr com máscara é um pouco como querer correr para receber ar puro e ir treinar para as grandes metrópoles chinesas como Xangai ou Pequim. 

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22
Mar21

Era uma vez o gelo


João Silva

Agora que ele (o gelo) já tem guia de marcha para desaparecer por uns tempos, bem que podemos desancar um pouco do dito.

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Nos anos anteriores, já corria de manhã bem cedinho e, claro, sempre senti a presença do frio e do gelo no inverno.

Estes últimos meses dessa estação entram para uma categoria especial, já que passei a treinar a partir das 05h00 e das 05h30 da manhã.

Os níveis de gelo e de frio são gritantes e afetam imenso a nossa capacidade de resposta. 

Nos outros anos, sempre associei algum défice de desempenho no inverno a algum peso a mais. 

 Na verdade, isso sempre foi mais um problema da minha cabeça do que real, mesmo quando quem lida comigo de muito perto me dizia para não stressar. 

Agora, ao fim de mais de quatro anos, percebo que o meu desempenho diminuiu drasticamente nesta altura por causa da incapacidade natural do corpo para fazer ao frio.

Num dia de gelo, o corpo entra em modo de vasoconstrição, ou seja, não leva tanto sangue às extremidades, logo, não há oxigénio suficiente para esses músculos. Ao mesmo tempo, a corrida é uma atividade vasodilatadora, ou seja, obriga o corpo a alargar os vasos para que o sangue chegue à periferia e aos respetivos músculos.

São, portanto, duas ações que fazem o corpo entrar em luta interna, levando à perda de desempenho. 

Quando penso na quebra de forma de janeiro e ao fraco desempenho em sessões de séries, só posso aceitar que o corpo não deu mais porque não conseguia. 

Perante isso, até acabei por aceitar bem o que estava a acontecer. Nunca deixei de acreditar que a boa forma ia voltar.  Nem mesmo após treinos em que só fazia 33 km, quando habitualmente chegava aos 36 km no mesmo tempo. Nem quando passei a fazer 400 m em 2 minutos em vez dos normais 1,36' ou 1,40'. Não foi fácil, mas como percebi o que se estava a passar, consegui aceitar melhor. 

14
Mar21

Aceitar que há melhores do que nós faz-nos melhores


João Silva

Não só na corrida como na vida, é importante percebermos que há pessoas com melhores desempenhos do que nós e que não vamos conseguir fazer sempre parte dos destaques de determinada situação ou experiência.

Perceber onde estão os nossos limites ajuda-nos, desde logo, a lidar melhor com a frustração e a canalizar energias para tirar partido dos nossos atributos e, com base em tudo isto, leva-nos a trabalhar numa ótica de melhoria.

Quem não arrisca não petisca. O ditado é velho e sábio, já dizia a minha avó. 

Posto isto, seja para treinos ou provas, na minha ótica, deve prevalecer a honestidade. Em quê, perguntam? Por exemplo, na partilha de informações que podem ajudar os outros a melhorar a sua performance.

Em primeiro lugar, os materiais podem ser extraordinários, mas, se a pessoa não souber fazer uso deles, nunca conseguirá evoluir. Além disso, se a pessoa colocar efetivamente tudo em prática como é suposto e se conseguir passar quem lhe cedeu as coisas, está última tem de aceitar isso. 

A corrida é um desporto individual, deixa-nos ir onde o nosso corpo permitir. Mais do que esse limite (que pode ser empurrado com muito trabalho, mas essa é outra questão), é fazer mal a nós próprios. Por isso mesmo, se alguém fizer melhor do que eu com as "minhas" ferramentas, isso prova que ele ou ela são melhores, mas não me pode tirar o valor, quanto mais não seja, por ter partilhado o conteúdo.

As nossas limitações são o que são e temos de as aceitar, mesmo que doa (e dói). No fim de tudo, isto também tem um lado interessante: no desporto, nada se perde verdadeiramente, pois uma má forma pode ser convertida numa boa com muita dedicação e força de vontade.

Não vamos todos receber a luz do destaque e é importante, quando não a recebermos, perceber que isso não nos tira o mérito. Pelo contrário. 

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01
Mar21

A integração pela força dos atos e não das palavras


João Silva

Sempre achei que as palavras eram importantes. Sendo tradutor, mais ainda percebo a importância da mensagem transmitida. As palavras são a roupa da mensagem.

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E para que serve a conversa fiada? Para dizer que no caso da integração no seio de um grupo, desportivo ou não, há um conjunto de regras a cumprir e, acima de tudo, é preciso articular as ações com os discursos.

Primeiro, é preciso saber que não somos o centro do mundo e conhecer o nosso lugar. Como? Sem mudar a nossa personalidade mas mostrando aptidão para interagir, ensinar sem arrogância e aprender com humildade.

Depois de tudo isto, serão os nossos atos a falar por nós. Vai ser a nossa obra que nos vai destacar e inserir no grupo. 

Esta é a minha visão das coisas. Não gosto de me impor num grupo pelo que digo mas pelo que faço. E quando falo em impor, refiro-me ao ato de aproximação aos valores de uma comunidade (ou de uma equipa, por exemplo).

Tenho sempre a ideia de que, quando entro para um grupo, tenho de me mostrar, no sentido em que procuro que me conheçam pela obra e não pela obra que digo que vou fazer. Até porque "palavras, leva-as o vento".

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27
Fev21

Motivação


João Silva

Não serve o presente texto como autoelogio, mas acredito que a motivação (na verdade, mais a força de vontade, embora não seja totalmente a mesma coisa) é a minha maior virtude. Na vida pessoal e no desporto. Não sendo diferente dos outros, também passo por momentos de desânimo e de desespero.

No entanto, sinto que não me falta a motivação para o que realmente quero. Conseguir ou não já é outra coisa. 

No caso da corrida, a motivação vê-se na vontade de treinar, de melhorar, de aplicar e explorar aspetos técnicos, de treinar sozinho (mesmo em treinos demasiado longos) e na capacidade para treinar faça chuva ou sol.

Às vezes, podemos estar a confundir isso com obstinação. Contudo, no meu caso, isso é motivação. Correr motiva-me e ter um plano criado por mim para me fazer evoluir funciona como farol motivacional.

Não sendo algo que possa medir, diria que a minha evolução nos treinos me motiva a fazer mais e me dá a prova provada de que é possível.

Não sei ao certo por que razão isso me acontece, mas a motivação nunca foi coisa que me faltasse. Só precisou foi de ser redirecionada para o que realmente importava ao longo dos anos.

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21
Fev21

(Não) havia necessidade?


João Silva

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Embora não atribua muita importância a isso, sei que há alguma perplexidade de umas quantas pessoas quando falo nas distâncias que corro, em particular, nas maratonas em treino. 

No fundo, entre outras coisas, isso acontece porque há o estigma de que não se deve correr a mesma distância de uma prova num treino.

Pois bem, percebo e respeito os argumentos, desde logo porque são distâncias muito duras e que não devem ser banalizadas.

Por outro lado, além de adorar testar os meus limites e de querer empurrá-los um pouco mais, tenho necessidade de perceber a reação do corpo numa distância de maratona antes mesmo de fazer uma oficial. Porquê? Pela necessidade de ajustar o meu esforço e de me preparar psicologicamente para o que vou enfrentar. Não me imagino a fazer uma maratona em prova sem antes ver como estou.

Há outras formas de melhorar o desempenho, mas o treino dessa distância já me deu ferramentas muito úteis em termos de abastecimento e de postura. 

Diz-se que o corpo melhora s sua forma de correr com o passar dos anos de treino. Acredito mesmo nisso. 

13
Fev21

Irritações


João Silva

Não, não falo do programa da SIC Radical, do qual sou fã.

Por defeito, sou um resmungão de primeira e sou muito sensível a muitas coisas insignificantes. 

Como o quê? 

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O facto de me atrasar um minuto a sair de casa antes do treino, de não ter os acessórios de treino já tirados de véspera, de me atrasar um minuto que seja na preparação do pequeno almoço e de não acordar antes do despertador para conseguir sair mais cedo para o treino. 

São pequenos nadas. Coisas insignificantes, aceito a resposta. 

Mas há um propósito para vos falar nisto: na verdade, esta irritabilidade extrema e quase histérica esconde um problema muito comum entre desportistas: o excesso de treino. 

É um dos sinais de que devemos abrandar. 

Se é verdade que consigo identificar as fases de tensão, não é menos verdade que não lido muito bem com o sobretreino, porque demoro a fazer os devidos ajustes. Vou adiando e isso prejudica a qualidade dos treinos e mesmo da minha disposição. 

Não sei se vocês chegam a este extremo, mas gostava de saber o que fazem para contrariar isso. 

 

 

11
Fev21

E tudo o medo levou?


João Silva

"Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe."

Esta frase da minha avó ecoa-me na cabeça muitas vezes.

Tendo tendência para achar que tudo tem um momento, penso sempre que as fases boas vão acabar rapidamente.

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O lado negro mais óbvio de tudo isto é que me martirizo cedo de mais e que gero ansiedade desnecessária.

Ainda assim, a verdade é que pensar na perda de um bom momento de forma me dá medo. É inevitável ficar tolhido pelo medo, porque essa é a sua função. 

Mais recentemente, passei por uma destas situações com o plano de treinos. 

Quando iniciei o plano específico de outubro, senti uma grande melhoria no desempenho. Tanto assim foi que isso começou a fazer pairar na minha cabeça o medo da perda. Esse sentimento só aparece quando temos algo para perder. 

Por outro lado, tudo é cíclico e é a isso que me agarro para acreditar que depois de uma fase má vem novamente uma boa, sempre com a condição de sermos nós próprios a fazer por isso. O medo não nos pode impedir de arriscar, deve, ainda assim, fazer-nos pensar bem na forma de correr esse mesmo risco. 

Desse lado também sentem o mesmo em relação à vossa vida?

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