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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em 2016 era obeso, hoje sou maratonista (6 oficiais e quase 20 meias-maratonas). A viagem segue agora com muita dedicação, meditação, foco e crença na partilha das histórias e do conhecimeto na corrida.

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25
Fev24

Planos de treinos de revistas/redes sociais: desfasados da realidade


João Silva

Não tenho nada contra planos de revistas ou de canais de redes sociais.

 Na verdade, aprendi muito com alguns deles. 

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No entanto, a exaustividade e a complexidade de alguns acabam por afastar mais pessoas desta forma de praticar desporto. 

Desde logo, vejo problemas nas definições e abreviaturas usadas. Se virem alguns planos, parece que se recorreu ao chinês. Além das abreviaturas nem sempre explicadas, ainda usam representações numéricas que não são óbvias para corredores iniciantes, por exemplo.

Ora, logo aqui, se o objetivo é chamar pessoas, acho que se consegue o oposto.

Depois tenho de criticar os planos intermináveis.

Sim, para se evoluir progressivamente, é necessário investir muitas semanas. Para uma meia maratona, por exemplo, falamos num período médio de 8 a 12 semanas. 

Já numa maratona, vamos das 12 às 26 semanas e, neste caso, como podem imaginar, trata-se de um plano muito exaustivo.

No entanto, isso também se traduz num quadro com muitas páginas, o que vai acabar por afastar. Não há paciência, infelizmente, para (querer?) compreender tudo bem. 

Portanto, uma forma de tornar tudo mais apelativo seria recorrer menos a tabelas preenchidas e, numa primeira fase, falar com coisas simples como corrida rápida, corrida lenta, descanso entre séries, etc. É apenas a minha opinião...

04
Ago23

Vantagens e desvantagens de um estradista num trail


João Silva

Finalmente escrevo este texto. Já mo tinham pedido há imenso tempo, não foi, Ricardo Veiga? 

No entanto, infelizmente, não houve tempo mais cedo. A vida meteu-se pelo caminho e esta reflexão esteve muito tempo na gaveta.

Ora bem, numa primeira análise, um corredor de estrada, um estradista nas minhas palavras, está muito deslocado numa prova de trail. Desde logo, os desníveis são muito diferentes, a proprioceção, ou seja, a capacidade para o corpo se automovimentar sem colidir com obstáculos,  não está devidamente treinada e a mecânica da corrida é diferente.

Forçados pelo trajeto, os movimentos de um estradista, sobretudo, ao nível do joelho, são mais intensos. Se a força é importante em estrada, em serra é-o a dobrar. Não se exige "apenas" um movimento de pernas, o corpo tem de funcionar como um bloco bastante flexível. A rapidez de reflexos também é um requisito mínimo obrigatório.

Onde me parece que um estradista tira partido de um trail é quando encontra um trajeto mais rolante, com menos labirintos técnicos, porque aí sobressaem as suas capacidades de resistência (quando se tem a particularidade de se ser corredor de meio fundo ou de fundo). Um corredor de estrada vai com mais dinâmica, está mais habituado à "falta de convívio" nas suas provas e foca-se mais numa chegada à meta.

Apesar destas diferenças claras, diria que há benefícios em cruzar modalidades, principalmente, se for o de estrada a participar em trails, porque ganha mais noção "inconsciente" das características do piso onde corre, vai ganhando proprioceção e consegue trabalhar uma passada mais alta, com os joelhos mais elevados e aí está a ganhar para as suas provas em estrada.

 

10
Fev23

O ego


João Silva

Esse safado é o condutor de toda a nossa evolução desportiva. 

Umas vezes aparece disfarçado (controlado) de leão domado, mas arrisco a dizer que é mais "cão que não conhece dono".

Quantas vezes damos por nós a esticar bem um treino ou o esforço numa prova? Seja para mostrarmos que somos melhores do que nós, seja, sobretudo, para mostrarmos aos outros que temos mais capacidade e que somos seres válidos.

Esta jigajoga entre o nosso lado mais animal e o cerebral pode ser a chave para conseguir um excelente resultado desportivo, mas é preciso condimentar tudo com uma bela dose de disciplina.

Acho que o nosso ego é o lado mais puro de cada um (não necessariamente o mais bondoso ou justo).

E acho que, se lhe dermos rédea solta, temos um problema social em mãos, porque vamos deixar de respeitar quem temos à nossa volta e quem é melhor do que nós.

Porém, o ego também é o que nos faz chegar mais longe, o que nos deixa à mercê da nossa força sem amarras, o que nos permite alcançar aquele novo máximo.

O ego é um pouco como o inconsciente: é o nosso lado mais puro mas não pode ser deixado à solta...

17
Jan23

Entre o fundamentalismo e a aceitação


João Silva

Nesta senda de partilhas de reportagens sobre a "verdade desportiva" vista pelo prisma do atleta, esses documentários foram financiados (ou divulgados, pelo menos) por uma plataforma de apostas desportivas.

Não tenho nada contra a empresa em causa e, valha a verdade, foi graças a eles que pude ver testemunhos maravilhosos e chocantes de atletas que idolatrava e com os quais vibrei pela televisão.

O que sinto em relação a este tipo de coisas é o mesmo quando vejo que um seminário de nutrição saudável é financiado por cadeias de fast-food que nada têm de saudável. Não consigo passar por cima do interesse subjacente.

E o meu ponto é este: numa coisa tão importante como o desporto e numa altura em que se procura chamar mais pessoas para as diferentes modalidades, não fazia mais sentido ter uma cadeia de televisão, pública, por exemplo, a financiar este tipo de reportagens? 

Assim não haveria associações duvidosas. Seria tudo muito claro.

Faz mais sentido financiar tardes infindáveis de feiras e músicas tradicionais? (Nada contra, mas, no meio de tanta emissão dessas, se calhar, era possível ter uma dedicada a reportagens sobre atletas especiais e sobre o seu lado humano.)

Ficam as questões...

15
Jan23

O que podem fazer os pais para evitar a asfixia do desporto?


João Silva

Já lá vai muito tempo desde que estes vídeos foram lançados, mas não vi ninguém pegar nisto a sério para focar os problemas associados ao desporto, mesmo no nosso país.

Caramba, fiquei chocado com as declarações e a visão da Vanessa. E precisamos e precisávamos mais disto!!

Não neste vídeo que aqui trago mas no documentário da Betclic, a Vanessa foca o sofrimento dos pais enquanto ela estava no Centro de Alto Rendimento.

Perante isto, quero ouvir o que têm a dizer: será que os pais têm o dever/a obrigação de cortar o mal pela raiz e de tirar os filhos deste tipo de pressão a que são sujeitos?

Qual o preço mental para toda a família para superar a perseguição desenfreada dos sonhos (dos atletas e das respetivas federações)?

Por favor, digam-me o que acham...

30
Dez22

Nobody Cares...


João Silva

Há uma frase que diz "se eu não gostar de mim, ninguém gostará".

Há medida que vou envelhecendo, vou vendo o quão verdadeiro isso é, embora seja uma pessoa que se odiava e que não se sentia bem na sua pele.

Refiro-me a quê? No fundo, a tudo, mas sobretudo à questão do desporto. 

Não peço nem nunca pedi que as pessoas saíssem da sua vida para me perguntarem como estou ou como evoluiu a minha lesão, mas, sobretudo dos familiares diretos, inclusive daqueles de sangue, esperava que mostrassem algum interesse.

O que senti há mais de um ano foi que a minha incapacidade para correr (mas também para andar em condições e sem dores no primeiro mês) era completamente irrelevante. Não tinha nada partido, não tinha nada fraturado. Olhavam para mim e estava tudo igual. Por que haveriam de se preocupar?

Por nada, porque nada mais interessa e porque cada um tem de olhar por si.

Não sou exemplo de nada nem para ninguém, nunca me vi como tal, mas gostava, por vezes, que alguém me mandasse uma SMS a perguntar como estou, porque também o faço àqueles que estimo mesmo.

A lesão foi superada, a vida continuou e cada um na sua. Foi assim, é assim e será assim, mas aquele momento foi um "abre-olhos".

Na hora da verdade, nobody cares. Porque todos têm com que se preocupar e não há tempo para lançar sequer um olhar fingidamente preocupado a quem está ao nosso lado...

 

 

P. S.: fiz questão de deixar este texto que escrevi ainda em agosto. Estava a ficar com muitos problemas mentais. Sentia-me só no meio das multidões. A entristecer cada vez mais. Tudo tem uma explicação. Entretanto já a percebi e já sei que tenho quem goste de mim. Sempre tive, mas houve alturas em que não quis ver. Também isso tem explicação. Deixar este texto aqui com esta nota permite-me ver o quão voláteis são as coisas. Ganhar uma perspetiva diferente e um autoconhecimento vasto tem-me feito muito muito bem. Obrigado a quem gosta de mim, hoje sei que são muitos. Hoje sinto-o. Já não é "Nobody Cares", é "everyone matters". Um bem haja a todos.

08
Set22

Pensar no fim ainda antes do fim


João Silva

Normalmente, diz-se que devemos aproveitar as oportunidades e os momentos sem pensar na hipótese (real ou não) de terminarem.

Não funciono assim. Talvez por ter crescido a ouvir "não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe". Então, começo logo a pensar que determinada coisa boa deixará de existir na minha vida a dada altura. 

É algo muito masoquista, mas que, infelizmente, nunca consegui resolver até agora.

Na verdade, quando tenho uma boa sequência de treinos ou estou numa boa fase de forma, penso sempre que vai ser sol de pouca dura. 

Isso leva-me a um certo desapego e a um certo desespero antecipado. É mau, bem sei, mas não é defeito, é feitio.

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E por aí também há alguém com uma visão aproximada das coisas?

03
Jul22

Sem tempo para perder tempo


João Silva

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Algum dos meus leitores já viu um dos vídeos de apanhados da TVI no YouTube em que um senhor diz que tem de ir embora porque tem uma consulta às 5 horas e, atrás de si, a sua casa está a arder?

Em algumas situações, sou um pouco assim.

Está quase a fazer um ano que fui vacinado contra a Covid-19. Já sabia que poderia ter de abrandar o treino do dia seguinte devido aos efeitos secundários.

Felizmente, o meu único efeito foram dores no braço, situação que se complicou um pouco durante a noite. 

Mas, mesmo com dores, este menino deixou de ir treinar? Qual quê!! E tomou paracetamol como lhe tinha sido recomendado? Sim, só que não. Evitou, evitou, evitou (porque tinha medo de não ouvir o despertador para ir treinar).

Ao recordar o episódio, percebo que aquilo que aconteceu foi "João Silva". Eu sou assim. Tantas vezes. Se tiver algo previsto/agendado/programado, fico obstinado e posso estar a cair de podre,  mas tem de ser.

A minha avó falava muitas vezes em "antes partir que vergar".

Eu vergo. 

Eu vergo muito e muitas vezes.

Mas também tenho uma parte de mim que prefere forçar até partir.

Aquilo que sinto é que não tenho tempo para perder tempo, mesmo que isso seja benéfico para mim.

É um defeito terrível. Também lhe chamo obstinação (e, em alguns casos, persistência, vá).

 

24
Mai22

O prazer de correr comigo


João Silva

Dizem alguns especialistas que um dos problemas do nosso tempo é que não há muita gente com capacidade para estar apenas com o seu interior. Para desfrutar da sua própria companhia.

Vendo tudo o que queremos desenfreadamente arranjar para os nossos filhos fazerem, sou forçado a concordar.

Ainda assim, eu não ajo dessa forma. Isto é, não tenho problemas em passar tempo comigo. Na verdade, sem qualquer falsa modéstia, gosto de passar tempo comigo. Gosto da minha companhia, não que seja necessariamente a melhor companhia do mundo. É por isso que gosto tanto de correr sozinho.

Apesar de ter uma personalidade muito difusa e muito problemática, gosto mesmo de passar tempo comigo. 

E divirto-me. E consigo entreter-me durante os treinos. Nos em que me sinto particularmente feliz, grito, canto e rio (também já chorei).

Acho que é por isso que não preciso de estar sempre a fazer provas nem de companhia para me motivar nos treinos.

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18
Mai22

O travão da felicidade (e do sucesso)


João Silva

Já falei no balão de felicidade que só enche até certo ponto.

Também a nível psicológico, há outra forma de condicionar ou de impulsionar a evolução positiva de um atleta.

Aqui falamos do desporto, mas isso aplica-se a qualquer aspeto da nossa vida.

No caso, há quem acredite que poderemos projetar cenários horrendos na nossa cabeça como forma de gerar insegurança em nós e, em primeira análise, de baixar as expectativas. Em última análise, se não houver controlo, isso pode redundar numa valente depressão. 

Percebo a importância de baixar as expectativas ao nível do que é executável e real. 

Por outro lado, há um caminho muito negro, porque podemos minar-nos por completo.

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Se, no desporto, procuro projetar cenários reais positivos, no resto da minha vida, isso nem sempre é assim. Às vezes, de forma inconsciente, dou por mim a imaginar cenários horríveis de mortes de entes muito queridos. Nesses momentos, sinto uma fragilidade sem qualquer comparação. Fico mesmo muito pequenino. Não o faço propositadamente, mas acontece-me com muita frequência.

Regressando ao lado desportivo, lembro-me que um dos primeiros que li sobre a corrida falava na importância de idealizar um momento mágico ao cruzar a linha de meta. Fiz isso na minha primeira meia maratona e na primeira maratona. Foi bom, sim.

Depois já tive o lado inverso, embora nunca tenha achado que as imagens negativas tenham contribuído especialmente para provas menos boas.

Mas que é um limbo é! 

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