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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

07
Jan22

Perdeu-se a dinâmica...


João Silva

Quando participei na prova das 4 estações na Vendas da Luísa, a 08 de dezembro, dei por mim a sentir um certo vazio durante largos minutos.

Parei, olhei à volta e percebi que, por um lado, isso é um problema meu, porque sou uma pessoa que se isola apesar de ser muito extrovertida (mais uma bela contradição da minha personalidade).

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No entanto, olhando melhor, vê-se que o mal também está em muitos outros. Passo a explicar: a ausência de muita gente em provas desde o início da pandemia retirou proximidade, aqueles toques normais e simpáticos entre atletas, aquelas conversas cheias de gargalhadas.

Há pessoas que, aparentemente, já conseguem estar muito bem em sociedade, mas há muitos que se isolam, que procuram não tirar a máscara. Ambas as coisas podem ser certas. Depende sempre de cada um, mas sinto mesmo que se perdeu a dinâmica social com este bicho.

Esta incerteza atual também não ajuda a recuperar o nosso lado social...

23
Nov21

Começa-se do zero?


João Silva

Uma lesão é o "ponto negativo máximo". Normalmente, daqui não se desce mais. 

É a subir.

Uma vez curada a lesão, é hora de retomar os treinos.

Mas não se vai para a estrada nem se começa logo a correr à bruta. Os primeiros tempos são de habituação ao "novo corpo".

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Um corpo lesionado ou que curou uma lesão é um corpo com uma nova dinâmica. É preciso percebê-lo e ouvi-lo e isso não se faz de um momento para o outro.

É um começar do zero sem ser um começar do zero.

Passo a explicar: é um regresso ao início com uma evolução cuidadosa e progressiva. É uma interação entre caminhada e corrida. É um passo a passo.

Mas já é um início com um passado de cinco anos na modalidade e, portanto, há conhecimentos que se vão adquirindo. Há uma parte da etapa que já está interiorizada. Falo de aspetos como postura, posição e respiração.

Há um registo no corpo que é ativado no momento da primeira passada. E que saudades dessa passada na estrada...

 

15
Out21

O tempo de cada um


João Silva

O bicho, como lhe chamavam, dificilmente se irá embora na totalidade. Provavelmente, ficará como algo cíclico. Tal como outras doenças. 

Mas teve o condão de nos afastar do contacto humano. Sempre gostei da socialização, embora não fosse um fanático de toques e contactos físicos.

Desde o início de tudo isto que cingi os meus cumprimentos e as minhas proximidades à minha família mais chegada.

No entanto, chega uma altura em que é preciso dar o passo seguinte. Ou seja, estar em espaços com mais pessoas. 

Esse, confesso, foi o medo que ainda não perdi por completo.

Estou vacinado e estive a treinar afincadamente para participar na maratona do Porto, prova onde estou inscrito desde 2019. A dada altura desta viagem, lesionei-me, o que deixou tudo .águas de bacalhau.

Mas, apesar de todo o empenho nos treinos, confesso que não percebi se estaria pronto para partilhar o espaço com milhares de participantes. Mesmo com partidas segmentadas.

Foi um bloqueio que se criou e que percebi quando comecei a ver fotos de provas de colegas e dava por mim a dizer que não seria capaz de estar ali.

A segurança absoluta foi roubada. Mas também é tempo de trabalhar a aproximação. E, nos últimos tempos, já me sentia mais tranquilo com a ideia.

Se o conseguirei fazer entretanto ou não é algo que ainda não descobri. Esta lesão também ajudou a fazer crescer a hesitação, ainda que por outras razões. Mas acho que é legítimo que cada um precise do seu tempo para se libertar...

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29
Set21

O jogo do gato e do rato


João Silva

Muitas vezes, mesmo agora nesta fase da minha vida, esta é a minha relação com a comida.

Isto não tem a ver com a tipologia de alimentos. Já o disse várias vezes,  mas repito: por uma questão de opção e de reeducação, neste momento, não como alguns alimentos. Não é uma imposição, não é uma norma, é apenas vontade, porque não, não são os alimentos (genericamente) que engordam, são as quantidades e as confeções.

No meu caso, há mais de dois anos que não como açúcar nem produtos processados.

Dito isto, o meu jogo de gato e rato com a comida tem mais a ver com a quantidade, por um lado, e com aquilo que sei que tenho de fazer (em termos de exercício físico) para poder comer determinada quantidade do que quero. Até porque está tudo relacionado com o gasto energético.

Isto não me parece totalmente mau, até que porque como em função do treino que tenho.

O lado mau é a sequência de viciação em que se pode cair. Depois acabamos por nos tornar reféns e isso obriga a uma certa rotura mais brusca com determinadas escolhas em alturas mais duras....como esta.

Estou numa fase em que não quero perder, quero manter e, se possível, aumentar a massa muscular. No entanto, há mais de três semanas que não posso correr. O corpo não deixa por agora.

Ora, para ganhar massa muscular aconteça, tenho de ingerir mais coisas. É normal e comum. O problema surge depois na cabeça, que, devido ao passado de obesidade, tem mais dificuldade em lidar com o facto de estar a comer mais em dada altura.

No que toca ao exercício, como normalmente é diário e em grande quantidade, acabo por ter "espaço" nas minhas contas.

Em alturas de preparação de provas, normalmente, é preciso perder algum peso para conseguir aumentar e melhorar o desempenho. Não é uma obrigação, é um processo natural, mas a experiência tem-me mostrado que é preciso secar para levar o corpo para outros patamares.

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No meu caso, e esta é outra observação da minha situação, se perder demasiado peso, começo a sofrer em termos cognitivos. Perco a capacidade de concentração, as minhas reações são mais intempestivas e o meu feitio fica ainda pior.

É um jogo em que é preciso ter muito cuidado entre os dois extremos.

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Como o jogo para poder gerir melhorar o meu sentimento de culpa com a comida, "tenho" de correr todos os dias. Senão entro em curto-circuito...precisamente o que me tem acontecido mas últimas semanas.

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Mas somos animais de hábitos. E somos capazes de nos adaptar às situações. Relativizar e aprender são as palavras de ordem. Com uma pitada de racionalidade, fica uma bela receita. O difícil é acertar nas quantidades.

27
Set21

Bloqueios


João Silva

Uma enorme percentagem de um bom desempenho recai sobre o lado mental.

Se pensarmos no futebol ou no ciclismo, é o bloqueio mental e a falta de confiança que levam muitas equipas ou atletas a cair em desgraça.

Ora isto não é diferente entre atletas amadores e profissionais. Só que os profissionais conseguem ter mais mecanismos de apoio.

No entanto, um belo par de bloqueios é bem capaz de nos travar.

Não sou exceção e até consigo identificar alguns fatores que me impedem de ir mais além (não só em termos desportivos).

Reconhecê-los é importante, mas tem sido difícil ultrapassá-los.

Desde logo, tenho o bloqueio do medo. Por exemplo, medo de dar o descanso necessário ao corpo para que consiga assimilar os treinos. Medo de que parar um dia seja sinónimo de deixar de correr (este ponto carece de mais umas semanas para dar uma resposta válida). Medo de mudar alguns hábitos de treino, porque isso me "mandaria para fora de pé".

Depois do medo, a insegurança, que se reflete, por exemplo, no permanente levantar de obstáculos às minhas escolhas. Incapacidade (voluntária) para reconhecer o que foi feito e para usar isso "como cartão de visita".

A rotina da metodologia: jogar ao gato e ao rato com os mesmos métodos, impede-nos de evoluir.

Há inúmeros pontos de bloqueio, mas há um que é uma espécie de parafuso que se solta sempre na minha cabeça: a comparação. É importante relativizar o que fazemos e reconhecer que há quem faça melhor do que nós, mas isso nunca nos pode melindrar nem tirar a capacidade de agir.

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25
Set21

Autodestruição


João Silva

Há uns dias falei na autoestima e na sua existência na minha vida pela via do desporto e agora trago a outra companheira de vida: a autodestruição.

Pois bem, sempre tive de sobra e, infelizmente, nem a corrida me ajudou a resolver isso, embora ainda me permita acalmar.

Este fenómeno consiste em mecanismos mentais que visam o autoinsulto permanente e o julgamento permanente de todas as minhas ações.

Transferindo isto para a corrida, reflete-se na não valorização das conquistas, na elevação de expectativas, na incompreensão face a alguns aspetos de treino e na comparação frequente com outros elementos.

A consequência imediata de tudo isto é minar a minha confiança, o meu desenvolvimento.

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Porém, este fenómeno pessoal já me assombra desde a minha infância. Não é novo.

A minha insegurança e o meu sentimento de inferioridade tratam de fazer o resto.

Agora que voltei a uma fase mais débil da minha personalidade, consigo criticar-me com maior facilidade, o que me faz pior.

No caso da corrida, este ano está a ser uma maravilha para o "manda-abaixo", porque os resultados não foram bons no primeiro semestre e isso é mais uma forma de minar o meu próprio progresso.

Dou por mim a questionar constantemente as minhas opções. Não é mau fazer o papel de polícia mau de nós próprios. O problema é fazê-lo de forma desmedida e destrutiva, que não leva a lado nenhum.

A rever.

19
Set21

Autoestima


João Silva

Foi coisa que nunca abundou por esses lados. 

Histórico familiar difícil, falta de meios de financeiros em toda a infância e idade adolescente e insegurança são alguns dos fatores que contribuíram para isso.

Em termos desportivos, que é o ponto em análise aqui, havia excesso de peso a retirar confiança.

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Portanto, nunca tive propriamente grande noção daquilo que valia (falo de qualidades) e isso impediu-me de evoluir quando jogava futebol. Ao ponto de nunca acreditar que me poderia destacar. 

Estes níveis de crença em mim ficaram nas lonas. Em 2016, na sequência de mais complicações familiares, "acabei" num psicólogo, que, entre outras coisas, teve o toque de Midas, quando me faz ver que precisava de uma paixão pessoal para conquistar confiança e autoestima.

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No alto dos meus 118 kg da altura, achei que seria a corrida que me ia dar isso.

A verdade é que comecei aos poucos e, mesmo com aquele peso todo, percebi que era o veículo para alterar a imagem que tinha de mim.

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Todo o processo faseado de reeducação alimentar e de perda de peso deu-me uma imagem diferente de mim, mais forte. Fez-me acreditar que era possível e dava para reverter o que estava mal. O físico não é tudo, dizem. E eu concordo. Porém, também devo reconhecer que essa mudança física me ajudou a ganhar uma maior valorização pessoal. Foi muito importante.

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A partir desse momento, criei uma espécie de balão de confiança, que me ajudou a enfrentar alguns problemas pessoais e que deu pensamentos positivos.

É por toda esta transformação que não vos sei explicar o quão relevante a corrida é na minha vida.

Os bons resultados que fui tendo (para a minha realidade) trataram de fazer aumentar a minha noção de valor próprio.

Por mais paradoxal que possa parecer, ser pai escancarou-me outra vez a porta da autodestruição, não pelo Mateus, que foi a melhor coisa que me aconteceu, mas porque me confrontou com fantasmas, perspetivas e diabruras.

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A vantagem agora é que tenho mecanismos que me ajudam a lutar pelo amor próprio. Um deles é a corrida. Daí a necessidade diária de correr. Porque correr também é a minha terapia. 

15
Set21

O desânimo


João Silva

O desânimo é primo do desalento. Umas vezes andam sós, outras vêm em simultâneo, mas dão sempre sinal de si. De tempos a tempos.

Numa época como esta, é perfeitamente normal que o desânimo apareça. Diria até que é saudável, na medida em que pode ser utilizado como impulsionador de outras ações mais proveitosas.

É assim em tudo na vida. Pessoalmente, passo por muitas fases de desânimo na vida. Porém, não sei bem explicar como nem porquê, consigo impedir que isso me deprima ao ponto de me demover definitivamente de alguma ação.

Ainda assim, não deixa de ser autodestrutivo nem corrosivo.

Em termos de treinos, passo por muitas fases de desânimo. Principalmente, quando não tenho a regularidade que ambiciono para correr mais vezes com um ritmo mais elevado. Qual a consequência disso? Primeiro, tenho logo de baixar expetativas e depois caio em rotinas de treino que me impedem de evoluir. No fim, é a velha história: recorremos a padrões que resultam porque sabemos que não nos põem causa.

A salvação neste processo é a minha resiliência interna, que me obriga a continuar, que me tem ensinado que o tempo ajuda e que as coisas mudam (mesmo nas fases de maior impaciência).

Como me questiono constantemente, o desânimo tem em mim uma ação impulsionadora e até criativa (mesmo que demore a manifestar-se).

Sei que, para muitos, o desânimo é sinónimo de bloqueio e de desistência. Não há mal em admitir isso. Há pessoas que nos podem ajudar a reacender a chama, no caso, do desporto. Por vezes, só precisamos de alguém que nos ouça.

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13
Set21

Quem corre por gosto não cansa


João Silva

Cansa, pois, mas cansa com vontade de repetir.

Gosto do provérbio, mas sempre senti que não é bem assim.

Há alturas em que também não apetece ir correr (ainda assim, vou, porque estou como novo por dentro ao fim de cinco minutos).

Há alturas em que olho "milhões" de vezes para o relógio até terminar o treino.

Há alturas em que fico com os nervos em franja porque não soube ouvir o meu corpo e dar descanso.

Correr por gosto é sofrer e voltar a sair para treinar no dia seguinte porque se quer mais "sofrimento".

Mas correr por gosto também cansa. Só que o cansaço é visto como uma coisa passageira, como um "faz parte".

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06
Ago21

(Muito) distorcido


João Silva

Quando pensei em escrever sobre este assunto, sabia que ia ser um caminho duro. Desde logo, sei que procurei empatar e atrasar a redação do texto porque se trata de um tema duro de falar e que, de certo modo, ainda hoje me acompanha. 

Falo da dismorfia ou a ideia distorcida como vemos prolongadamente o nosso corpo. 

E é por isso que vos trago esta coleção de fotos minhas desde o meu passado mais recente até agora. Não é exibicionismo, é uma forma de expor um problema que afeta muita gente e pode servir como escape e como mecanismo de ajuda para quem sofre deste problema. 

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Tendo sido obeso uma parte da minha vida, habituei-me a ver o meu corpo assim. Havia muito espaço de corpo e havia um enorme desequilíbrio. 

Não é que agora esteja tudo resolvido, mas o condicionamento que isso trazia à minha imagem na hora de me relacionar com os outros já não se manifesta tanto desde que comecei a correr. 

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Aí deu-se o grande ponto de viragem na minha relação com os outros, pois deixei de me sentir sempre inferior, mesmo quando o que mais interessava era a essência da pessoa, o que ela sabe e como atua. Isso não mudou de lá para cá, mas ter um corpo menos disforme ajudou a dar mais autoestima, a encarar melhor as coisas. 

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No entanto, começar esta aventura com 118 kg (em novembro de 2016) fez-me perder a noção do razoável e do equilíbrio. Então, fiz aquilo em que sou mesmo bom: dar cabo de mim e deixar que a situação tome conta da minha cabeça. 

Eu estava magérrimo, cheguei aos 60 kg nos dois primeiros meses de 2018 e comecei a perder faculdades cognitivas.

Pior do que isso foi continuar a achar que ainda tinha peso para perder. Passei por momentos em que comia e tratava de expulsar o que tinha acabado de ingerir. Sim, foram momentos muito duros. 

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A sorte foi ter alguém ao meu lado que insistia em não me ver como eu via. Aos poucos, e é aqui que quero chegar, é possível comer mais, ganhar um peso aceitável e continuar saudável e de bem com o nosso corpo. 

É um processo e também é preciso querer sair dessas situações, mas é reversível. 

Não sou muito paciente, é um facto. Tal como também é um facto que ainda hoje passo por momentos em que duvido do que vejo ao espelho, em que desconfio do meu corpo, em que vou com os dedos medir o meu perímetro abdominal. 

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O lado bom deste processo retorcido do nosso cérebro é que, dentro de um limite aceitável, nos permite lidar com a situação e relativizar.

Quando o meu filho nasceu, uma das coisas que eu me disse, isto porque pensei logo em ajustes para cortar na alimentação (sem razão para tal), foi que não podia cair em parvoíces. Não podia deixar que isso afetasse a minha relação com ele. É que um dos problemas da dismorfia é cair no racionamento da comida e isso retira discernimento.

Assim, acima de tudo, diria, em jeito de conselho, que é preciso acreditar em quem temos connosco, que não nos podemos iludir e que temos de relativizar. Aceitar é sempre a melhor via. Mesmo que também seja a mais dolorosa. 

20
Jul21

Aceitação


João Silva

Um dos meus maiores defeitos (que, paradoxalmente, também considero uma das minhas maiores qualidades) é querer remar contra a maré.

Não é mau querer fazer diferente e querer "forçar" a concretização de algumas coisas. Em muitos casos, é necessário dar um certo empurrão e fazer com que as coisas aconteçam.

O nascimento do meu filho veio mostrar-me que era preciso aceitar que nem sempre dá para fazer os pontos todos da lista de tarefas, que, por vezes, é uma sorte fazer um trabalho, que é preciso ter calma e aceitar que tudo precisa do seu tempo para encarreirar.

A vida não é a mesmo depois de se ter um filho, é necessário fazer ajustes. Um deles é aprender a valorizar o (pouco) que se faz num determinado dia. É olhar para a cozinha e ver que se lavou a louça, mesmo que o fogao tenha ficado sujo ou o chão não tenha sido varrido. É ficar feliz porque deu para tomar banho, mesmo que não tenha dado para lavar os dentes. É ficar radiante porque se correu 10 minutos, mesmo que o previsto fossem 90. É aceitar que um jogo de 90 minutos ou um filme de 2 horas podem demorar 3 dias até serem vistos na totalidade. 

Este processo é muito duro e demora muito tempo até que aceitemos que a nossa vida mudou, mas, por outro lado, que as coisas não vão ser sempre assim.

Aceitar é a chave para acalmarmos a nossa luta interior. Aceitar é a solução para vivermos mais calmos e felizes e para valorizarmos o que temos. Porém, aceitar também é muito duro e demora muito tempo. 

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16
Jul21

Geduld ist gefragt


João Silva

É como quem diz : "pede-se paciência".

O passar do tempo tem-me trazido cada vez mais esta certeza: a paciência é a chave de tudo!

Mais do que nunca, procuramos sempre coisas imediatas, o que, consequentemente, gera frustração quando não há a conquista esperada. 

No entanto, tenho visto em várias áreas da minha vida que ser paciente e ter paciência são duas enormes qualidades. Não são é fáceis de adquirir. Depois de termos posto o nosso trabalho em ação, e aqui falo de desporto e da vida pessoal, é preciso deixar o tempo atuar.

Nada disto é fácil porque todos nós vivemos na ânsia de ter tudo para ontem, mas a vida não é sprint. É uma maratonas com alguns sprints. 

Façamos um exercício: numa discussão, se esperarmos uns segundos antes de dizermos as baboseira que nos vierem à cabeça, vamos ser mais ponderados, não vamos magoar. Na vida também é assim. E, claro, o desporto não foge dessa tónica.

Os planos não fazem efeito da noite para o dia, requerem tempo, descanso, para que a assimilação ocorra naturalmente. 

Portanto, no fim de contas, a paciência é a chave. O bem mais precioso, talvez por não se encontrar em qualquer lado. 

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22
Jun21

Talvez a origem esteja aí


João Silva

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Nesta aventura para tentar perceber de onde vem todo este gosto pela corrida, deparei-me com uma memória que talvez possa explicar tudo.

Regressando ao meu passado de há 13 ou 14 anos, encontro-me a correr noutro país.

Ainda era bem gordinho, mas a verdade é que já via a corrida como um escape.

Na altura, foi durante uma estadia em casa dos meus pais no Luxemburgo que descobri uma verdadeira forma de me equilibrar. 

O ambiente era muito pesado e a única forma que tinha de fugir daquela opressão psicológica era caminhar e correr. De há coisa que não falta naquele país são campos frondosos e florestas bem escuras, sempre a fazer lembrar os filmes nórdicos. 

Além disso, em meados de abril costumava haver muito frio, gelo e neve. 

Lembro-me de correr devagarinho por aquele espaço e de sentir que entra a noutra dimensão. Lembro-me da felicidade e da liberdade. Recordo uma curva em particular quando saía de casa e uma reta com muitos ramos no caminho de regresso.

Durante aquelas duas semanas, corrida era o meu escape. 

Percebo hoje que é também a minha tábua de salvação e o meu ponto de equilíbrio. 

Infelizmente, perdi as fotos daquela altura. E tantas tirei eu. Porém, acredito que tudo tenha começado aí. 

18
Jun21

Reféns dos patrocínios


João Silva

Isto do desporto é mesmo giro. 

Todos dizem que fazer é uma espécie de milagre para a nossa saúde, o que não me atrevo a desmentir. 

Além disso, o desporto é tido como um prazer. O que também é verdade. 

Mas se tudo isto é uma realidade, onde é que têm lugar as histórias de atletas profissionais que deixam de poder treinar e competir porque perderam os patrocínios?

Alguns perdem as bolsas ou mesmo os patrocínios, porque deixaram de apresentar resultados. Outros ficam sem nada porque se lesionaram e as marcas foram à sua vida. E, como se não bastasse, ainda temos o caso de atletas mulheres que deixam de ter quem aposte nelas porque, veja-se, foram mães.

Cada vez mais recorrentemente, tenho ouvido relatos de profissionais que viram a sua vida cair em desgraça porque as marcas perderam o interesse.

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Apesar de saber há muito que a nossa sociedade só valoriza números, e se for dinheiro melhor ainda, não deixo de ficar triste quando percebo que o crédito das pessoas se esgota no dia em que deixam de render. Então e onde fica o legado da pessoa? E onde se esgotam os seus valores morais e o exemo que dá aos mais novos e o caminho desportivo que mostra?

Só vale se ganhar? Recuso-me a aceitar essa ideia. 

12
Jun21

De vez em quando lá vem ela


João Silva

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Por defeito e feitio, gero ansiedade. Deverá haver algo de genético nisto, pois a minha mãe é a pessoa mais ansiosa, nervosa e angustiada que conheço. Não sei se é genético ou "contagioso". Sei que, embora consiga lidar melhor com isso do que ela, de tempos a tempos lá vem ela chatear-me, a dita ansiedade. E é tão perturbadora que a sinto a aparecer, que a crio e que depois demora até desaparecer.

Desde logo, tudo começa com o excesso de coisas que defino para fazer em cada dia. É claramente mais do que consigo fazer e aguentar. Como tal, primeiro crio estratégias inconscientes para acordar antes do despertador, depois, essa inconsciência vira consciência e já sou eu quem "dá as ordem".

E assim vão os dias até que começo a sentir-me angustiado, até que ando acelerado e me deito com o coração a mil, não deixando, porém, de beber muito café para ajudar à festa. 

A melhor conclusão para todo este cenário é que deixo de conseguir dormir e, consequentemente, de descansar. 

A forma que encontro para lidar com isso é falar cá em casa e expor o que se passa comigo. Isso ajuda. O maior trunfo é quando começo a definir apenas uma ou duas tarefas extra para os meus dias.

Tudo isto agrava quando se tem filhos e nem sempre (muitas vezes) se consegue fazer tudo o que é necessário em termos familiares. 

Não sei como é com as outras pessoas, sei que essas épocas viram um inferno para mim. 

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