Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

03
Jul22

Sem tempo para perder tempo


João Silva

IMG_20210718_054033.jpg

 

Algum dos meus leitores já viu um dos vídeos de apanhados da TVI no YouTube em que um senhor diz que tem de ir embora porque tem uma consulta às 5 horas e, atrás de si, a sua casa está a arder?

Em algumas situações, sou um pouco assim.

Está quase a fazer um ano que fui vacinado contra a Covid-19. Já sabia que poderia ter de abrandar o treino do dia seguinte devido aos efeitos secundários.

Felizmente, o meu único efeito foram dores no braço, situação que se complicou um pouco durante a noite. 

Mas, mesmo com dores, este menino deixou de ir treinar? Qual quê!! E tomou paracetamol como lhe tinha sido recomendado? Sim, só que não. Evitou, evitou, evitou (porque tinha medo de não ouvir o despertador para ir treinar).

Ao recordar o episódio, percebo que aquilo que aconteceu foi "João Silva". Eu sou assim. Tantas vezes. Se tiver algo previsto/agendado/programado, fico obstinado e posso estar a cair de podre,  mas tem de ser.

A minha avó falava muitas vezes em "antes partir que vergar".

Eu vergo. 

Eu vergo muito e muitas vezes.

Mas também tenho uma parte de mim que prefere forçar até partir.

Aquilo que sinto é que não tenho tempo para perder tempo, mesmo que isso seja benéfico para mim.

É um defeito terrível. Também lhe chamo obstinação (e, em alguns casos, persistência, vá).

 

24
Mai22

O prazer de correr comigo


João Silva

Dizem alguns especialistas que um dos problemas do nosso tempo é que não há muita gente com capacidade para estar apenas com o seu interior. Para desfrutar da sua própria companhia.

Vendo tudo o que queremos desenfreadamente arranjar para os nossos filhos fazerem, sou forçado a concordar.

Ainda assim, eu não ajo dessa forma. Isto é, não tenho problemas em passar tempo comigo. Na verdade, sem qualquer falsa modéstia, gosto de passar tempo comigo. Gosto da minha companhia, não que seja necessariamente a melhor companhia do mundo. É por isso que gosto tanto de correr sozinho.

Apesar de ter uma personalidade muito difusa e muito problemática, gosto mesmo de passar tempo comigo. 

E divirto-me. E consigo entreter-me durante os treinos. Nos em que me sinto particularmente feliz, grito, canto e rio (também já chorei).

Acho que é por isso que não preciso de estar sempre a fazer provas nem de companhia para me motivar nos treinos.

FB_IMG_1560290224783.jpg

 

 

18
Mai22

O travão da felicidade (e do sucesso)


João Silva

Já falei no balão de felicidade que só enche até certo ponto.

Também a nível psicológico, há outra forma de condicionar ou de impulsionar a evolução positiva de um atleta.

Aqui falamos do desporto, mas isso aplica-se a qualquer aspeto da nossa vida.

No caso, há quem acredite que poderemos projetar cenários horrendos na nossa cabeça como forma de gerar insegurança em nós e, em primeira análise, de baixar as expectativas. Em última análise, se não houver controlo, isso pode redundar numa valente depressão. 

Percebo a importância de baixar as expectativas ao nível do que é executável e real. 

Por outro lado, há um caminho muito negro, porque podemos minar-nos por completo.

IMG_20190623_062012_248.jpg

 

Se, no desporto, procuro projetar cenários reais positivos, no resto da minha vida, isso nem sempre é assim. Às vezes, de forma inconsciente, dou por mim a imaginar cenários horríveis de mortes de entes muito queridos. Nesses momentos, sinto uma fragilidade sem qualquer comparação. Fico mesmo muito pequenino. Não o faço propositadamente, mas acontece-me com muita frequência.

Regressando ao lado desportivo, lembro-me que um dos primeiros que li sobre a corrida falava na importância de idealizar um momento mágico ao cruzar a linha de meta. Fiz isso na minha primeira meia maratona e na primeira maratona. Foi bom, sim.

Depois já tive o lado inverso, embora nunca tenha achado que as imagens negativas tenham contribuído especialmente para provas menos boas.

Mas que é um limbo é! 

IMG_20190722_191754_944.jpg

 

10
Mai22

Do mau perder à aceitação


João Silva

Falo-vos de um menino que jogava à bola em pequeno e que detestava perder. De tal maneira que chegava a inventar desculpas para anular vitórias dos outros ou que destruía as balizas feitas com paus.

Esse menino era eu e isto começou com 10 anos e deve ter-se prolongado até aos 15/16. Refiro-me ao pico do mau perder.

IMG_20190722_191754_944.jpg

 

O tempo foi passando e as derrotas (da vida e as do desporto com os amigos) foram-se acumulando. Portanto, havia dois caminhos: forçava o mau perder e minava tudo à minha volta ou aceitava e reconhecia quando os outros eram melhores do que eu.

Felizmente, foi a segunda opção a vingar.

Não fico especialmente maravilhado nem posso dizer que fico feliz pelas vitórias dos outros quando estas acontecem "em troca" de derrotas minhas ou de equipas que apoio. Mas aprendi a ser empático e, acima de tudo, a ser crítico e a reconhecer valor.

Penso sobretudo no futebol, mas isso também acontece no atletismo ou no ciclismo. Quando não consigo chegar onde quero, sou o primeiro a apontar o dedo (ae se aponto!), mas a mim, não aos outros. E sim, consigo ficar contente por alguém próximo de mim chegar a determinado objetivo.

Uma das grandes vantagens do atletismo é o facto de não dar para culpar outros pelos nossos falhanços.

Ainda assim, nas equipas federadas de topo mete muito trabalho coletivo, pois não é o atleta que se ocupa de preparar a sua roupa ou de ir comprar os seus abastecimentos, por exemplo.

No desporto amador, não é bem assim. É tudo "One man/woman show". Portanto, não faz qualquer sentido ignorar o bom trabalho dos outros que são melhores do que nós. É a lei do corpo de cada um que dita sucessos e insucessos (isso e o conhecimento/treino que cada um usa para evoluir).

Aceitar que alguém tem mérito e que nós não somos a última cereja torna-nos lúcidos...mas não nos pode roubar os sonhos nem as ambições.

IMG_20190728_110618_245.jpg

 

22
Abr22

Afinal, afinal...


João Silva

IMG_20210424_040206.jpg

 

Nunca tive treinador de corrida. Sempre assumi que gostava de tomar as rédeas da minha própria evolução, o que denota alguma audácia mas também excesso de confiança em alguém sem créditos firmados como é o meu caso.

Nunca critiquei o facto de alguém ter treinador. Crítico o facto de ser necessário ter um treinador para se criar motivação numa pessoa, porque considero que isso deve vir do interior de cada um.

No entanto, há que reconhecer que há um limite. 

Quando queremos passar para um patamar diferente, é necessário aumentar a exigência e isso implica métodos mais duros e testes mais desafiantes.

Por muito autodidata que uma pessoa seja, não domina toda a terminologia técnica na perfeição. 

Por exemplo, quando se fala em Vma, o valor máximo aeróbico, fala-se num dos pontos mais importantes dos treinos. No entanto, a literatura é confusa na hora de apresentar formas de treino, porque fala em sessões com diferentes ritmos. Há muitos textos que falam em fazer uma sessão de Vma a um ritmo de maratona. Isso é muito vago.

Um treinador saberia interpretar isso melhor e ajudaria a passar logo essa barreira para o atleta. Não vos parece?

20
Abr22

Como se avalia a forma sem competição?


João Silva

Há muitos corredores que usam as provas como forma de perceber o ponto em que se encontram.

É, na verdade, o mais comum, até porque é mais imediato e mais exato. Há tempos, há números de ritmos, há números de cadência e há energia desperdiçada contabilizada.

Mas também há quem corra sem competir. E também é justo que queiram poder avaliar a sua evolução. 

Além da disposição com que correm, essas pessoas também podem medir os seus ritmos e as cadências. Essa é uma forma. Depois podem repetir percursos e registar a velocidade global. 

Antes de tudo isso, dá para perceber se o corpo responde bem a diferentes cargas, se é possível aumentar a carga gradualmente e se o corpo reage bem nos diferentes dias.

Não são propriamente métricas, são, ao invés, perceções, mas são igualmente válidas. Ninguém melhor do que os próprio para poder perceber os próprios estados.

IMG_20190309_121229_919.jpg

 

 

08
Mar22

Será que os homens aceitariam o desafio?


João Silva

Será que os homens desportistas, sobretudo profissionais, têm noção da "sorte" que têm?

Hoje, Dia da Mulher, trago uma proposta: algum homem seria capaz de se submeter às limitações que as mulheres têm no desporto?

Principalmente no último ano, tenho tomado conhecimento de atletas femininas de elite que viram a sua vida passar a ser um inferno por terem sido mães. Perderam os patrocínios, deixaram de ter apoios e ainda tiveram de gerir toda a sua vida familiar e desportiva.

Num dos casos, assim que souberam que a atleta (alemã) estava grávida, informaram-na logo que estava na hora de fazerem uma restruturação e foram à sua vida.

Quando um homem decide ser pai, não se lhe pede que abdique da família, nem sequer se espera que escolha. É óbvio que pode ser um súper atleta.

Então e por que razão faz sentido exigir isso a uma mulher? Já o disse e reafirmo até morrer: filhos não são coisas de mulheres. São do casal, homo ou heterossexual. As responsabilidades e as expectativas têm de ser iguais. Por isso, não faz o mínimo sentido impedir as mulheres de terem as mesmas condições.

Como seria se um homem se queixasse de discriminação dos patrocinadores?

Deixo duas notas finais: sabiam que, a dada altura, se defendia que as mulheres não conseguiriam correr mais do que 1 km? Um absurdo completo!

Por último, um beijinho muito especial às mulheres da minha vida, em particular, à minha esposa, que respeito e a quem reconheço uma enorme inteligência e capacidade de luta pelos seus direitos.

 

11
Fev22

Os dias de merda podem valer ouro


João Silva

Alguém dizia há algum tempo que não se aprende com os momentos bons. 

Na verdade, nos dias bons a nossa disposição para refletir no curso das coisas não é muito grande. Ficamos vulneráveis perante o sucesso.

Transportando isto para o desporto, a ideia é simples: em condições ideais, um treino brutalmente bom terá sido o reflexo de coisas bem feitas. Portanto, se não tiver sido uma coincidência, nao haverá muito a mudar.

Por outro lado, os dias de cão, aqueles mesmo merdosos em que as coisas não saem, seja na vida normal ou no desporto, vão levantar dúvidas. Vão meter-nos em causa. E é aqui que esse mau-estar pode funcionar a nosso favor. É aqui que encontramos a chave da evolução.

Mas tudo tem o seu tempo. Quando as coisas correm mal, é preciso tempo para encaixar e aceitar, para lidar com a frustração. Depois chega a hora de analisar de forma fria e honesta para connosco. Não adianta sermos moles. Temos de ir ao centro da questão e temos de ser honestos connosco.

A partir daqui, importa traçar novos planos que permitam mudar o que está mal.

Viver com dias maus é um pouco como viver no limbo. Tem tanto de mau como de bom. Precisamente porque ou nos ajuda ou nos enterra.

Embora seja uma pessoa muito emotiva, muito revoltada e impulsiva, tenho sempre este lado dentro de mim: no momento em que tudo corre mal, penso que haverá forma de tirar dali alguma coisa boa. E há, sempre, mesmo nas coisas horrendas da vida. Só que isso requer tempo e distanciamento.

Concordam?

IMG_20190615_092425_146.jpg

 

05
Fev22

Dia de prova é dia de não mudar a rotina


João Silva

Regra geral, levanto-me por volta das 05 da manhã. 

De há uns meses para cá, a minha ansiedade para conseguir treinar, trabalhar e prestar cuidados ao Mateus juntamente com a Diana, tem-me feito acordar algures entre as 04h e as 04h30. (Sim, isso deixa-me de rastos mas ainda não consegui mudar isso.)

 

IMG_20220123_101415.jpg

Mas nem me atrevo a mudar estas rotinas em dias de provas, onde normalmente só se começa a correr entre as 10 e as 11 horas. Sabem porquê? Porque o corpo ia reagir mal. Não está habituado e eu começaria a prova muito mais cansado do que se acordar à hora normal. 

Assim sendo, faço o que já é hábito em todos os outros dias: um treino (ligeiro) de flexibilidade e mobilidade e alguns abdominais menos agressivos. Desse modo, preparo o corpo para o que virá a seguir. Tem resultado e não tenho começado as provas cansado...

 

07
Jan22

Perdeu-se a dinâmica...


João Silva

Quando participei na prova das 4 estações na Vendas da Luísa, a 08 de dezembro, dei por mim a sentir um certo vazio durante largos minutos.

Parei, olhei à volta e percebi que, por um lado, isso é um problema meu, porque sou uma pessoa que se isola apesar de ser muito extrovertida (mais uma bela contradição da minha personalidade).

IMG_20211208_102114.jpg

No entanto, olhando melhor, vê-se que o mal também está em muitos outros. Passo a explicar: a ausência de muita gente em provas desde o início da pandemia retirou proximidade, aqueles toques normais e simpáticos entre atletas, aquelas conversas cheias de gargalhadas.

Há pessoas que, aparentemente, já conseguem estar muito bem em sociedade, mas há muitos que se isolam, que procuram não tirar a máscara. Ambas as coisas podem ser certas. Depende sempre de cada um, mas sinto mesmo que se perdeu a dinâmica social com este bicho.

Esta incerteza atual também não ajuda a recuperar o nosso lado social...

23
Nov21

Começa-se do zero?


João Silva

Uma lesão é o "ponto negativo máximo". Normalmente, daqui não se desce mais. 

É a subir.

Uma vez curada a lesão, é hora de retomar os treinos.

Mas não se vai para a estrada nem se começa logo a correr à bruta. Os primeiros tempos são de habituação ao "novo corpo".

IMG_20210724_062150.jpg

 

Um corpo lesionado ou que curou uma lesão é um corpo com uma nova dinâmica. É preciso percebê-lo e ouvi-lo e isso não se faz de um momento para o outro.

É um começar do zero sem ser um começar do zero.

Passo a explicar: é um regresso ao início com uma evolução cuidadosa e progressiva. É uma interação entre caminhada e corrida. É um passo a passo.

Mas já é um início com um passado de cinco anos na modalidade e, portanto, há conhecimentos que se vão adquirindo. Há uma parte da etapa que já está interiorizada. Falo de aspetos como postura, posição e respiração.

Há um registo no corpo que é ativado no momento da primeira passada. E que saudades dessa passada na estrada...

 

15
Out21

O tempo de cada um


João Silva

O bicho, como lhe chamavam, dificilmente se irá embora na totalidade. Provavelmente, ficará como algo cíclico. Tal como outras doenças. 

Mas teve o condão de nos afastar do contacto humano. Sempre gostei da socialização, embora não fosse um fanático de toques e contactos físicos.

Desde o início de tudo isto que cingi os meus cumprimentos e as minhas proximidades à minha família mais chegada.

No entanto, chega uma altura em que é preciso dar o passo seguinte. Ou seja, estar em espaços com mais pessoas. 

Esse, confesso, foi o medo que ainda não perdi por completo.

Estou vacinado e estive a treinar afincadamente para participar na maratona do Porto, prova onde estou inscrito desde 2019. A dada altura desta viagem, lesionei-me, o que deixou tudo .águas de bacalhau.

Mas, apesar de todo o empenho nos treinos, confesso que não percebi se estaria pronto para partilhar o espaço com milhares de participantes. Mesmo com partidas segmentadas.

Foi um bloqueio que se criou e que percebi quando comecei a ver fotos de provas de colegas e dava por mim a dizer que não seria capaz de estar ali.

A segurança absoluta foi roubada. Mas também é tempo de trabalhar a aproximação. E, nos últimos tempos, já me sentia mais tranquilo com a ideia.

Se o conseguirei fazer entretanto ou não é algo que ainda não descobri. Esta lesão também ajudou a fazer crescer a hesitação, ainda que por outras razões. Mas acho que é legítimo que cada um precise do seu tempo para se libertar...

IMG_20210807_053536.jpg

 

29
Set21

O jogo do gato e do rato


João Silva

Muitas vezes, mesmo agora nesta fase da minha vida, esta é a minha relação com a comida.

Isto não tem a ver com a tipologia de alimentos. Já o disse várias vezes,  mas repito: por uma questão de opção e de reeducação, neste momento, não como alguns alimentos. Não é uma imposição, não é uma norma, é apenas vontade, porque não, não são os alimentos (genericamente) que engordam, são as quantidades e as confeções.

No meu caso, há mais de dois anos que não como açúcar nem produtos processados.

Dito isto, o meu jogo de gato e rato com a comida tem mais a ver com a quantidade, por um lado, e com aquilo que sei que tenho de fazer (em termos de exercício físico) para poder comer determinada quantidade do que quero. Até porque está tudo relacionado com o gasto energético.

Isto não me parece totalmente mau, até que porque como em função do treino que tenho.

O lado mau é a sequência de viciação em que se pode cair. Depois acabamos por nos tornar reféns e isso obriga a uma certa rotura mais brusca com determinadas escolhas em alturas mais duras....como esta.

Estou numa fase em que não quero perder, quero manter e, se possível, aumentar a massa muscular. No entanto, há mais de três semanas que não posso correr. O corpo não deixa por agora.

Ora, para ganhar massa muscular aconteça, tenho de ingerir mais coisas. É normal e comum. O problema surge depois na cabeça, que, devido ao passado de obesidade, tem mais dificuldade em lidar com o facto de estar a comer mais em dada altura.

No que toca ao exercício, como normalmente é diário e em grande quantidade, acabo por ter "espaço" nas minhas contas.

Em alturas de preparação de provas, normalmente, é preciso perder algum peso para conseguir aumentar e melhorar o desempenho. Não é uma obrigação, é um processo natural, mas a experiência tem-me mostrado que é preciso secar para levar o corpo para outros patamares.

IMG_20190709_091824.jpg

No meu caso, e esta é outra observação da minha situação, se perder demasiado peso, começo a sofrer em termos cognitivos. Perco a capacidade de concentração, as minhas reações são mais intempestivas e o meu feitio fica ainda pior.

É um jogo em que é preciso ter muito cuidado entre os dois extremos.

IMG_20190716_083912.jpg

Como o jogo para poder gerir melhorar o meu sentimento de culpa com a comida, "tenho" de correr todos os dias. Senão entro em curto-circuito...precisamente o que me tem acontecido mas últimas semanas.

IMG_20190730_110245.jpg

Mas somos animais de hábitos. E somos capazes de nos adaptar às situações. Relativizar e aprender são as palavras de ordem. Com uma pitada de racionalidade, fica uma bela receita. O difícil é acertar nas quantidades.

27
Set21

Bloqueios


João Silva

Uma enorme percentagem de um bom desempenho recai sobre o lado mental.

Se pensarmos no futebol ou no ciclismo, é o bloqueio mental e a falta de confiança que levam muitas equipas ou atletas a cair em desgraça.

Ora isto não é diferente entre atletas amadores e profissionais. Só que os profissionais conseguem ter mais mecanismos de apoio.

No entanto, um belo par de bloqueios é bem capaz de nos travar.

Não sou exceção e até consigo identificar alguns fatores que me impedem de ir mais além (não só em termos desportivos).

Reconhecê-los é importante, mas tem sido difícil ultrapassá-los.

Desde logo, tenho o bloqueio do medo. Por exemplo, medo de dar o descanso necessário ao corpo para que consiga assimilar os treinos. Medo de que parar um dia seja sinónimo de deixar de correr (este ponto carece de mais umas semanas para dar uma resposta válida). Medo de mudar alguns hábitos de treino, porque isso me "mandaria para fora de pé".

Depois do medo, a insegurança, que se reflete, por exemplo, no permanente levantar de obstáculos às minhas escolhas. Incapacidade (voluntária) para reconhecer o que foi feito e para usar isso "como cartão de visita".

A rotina da metodologia: jogar ao gato e ao rato com os mesmos métodos, impede-nos de evoluir.

Há inúmeros pontos de bloqueio, mas há um que é uma espécie de parafuso que se solta sempre na minha cabeça: a comparação. É importante relativizar o que fazemos e reconhecer que há quem faça melhor do que nós, mas isso nunca nos pode melindrar nem tirar a capacidade de agir.

IMG_20190712_093136.jpg

 

25
Set21

Autodestruição


João Silva

Há uns dias falei na autoestima e na sua existência na minha vida pela via do desporto e agora trago a outra companheira de vida: a autodestruição.

Pois bem, sempre tive de sobra e, infelizmente, nem a corrida me ajudou a resolver isso, embora ainda me permita acalmar.

Este fenómeno consiste em mecanismos mentais que visam o autoinsulto permanente e o julgamento permanente de todas as minhas ações.

Transferindo isto para a corrida, reflete-se na não valorização das conquistas, na elevação de expectativas, na incompreensão face a alguns aspetos de treino e na comparação frequente com outros elementos.

A consequência imediata de tudo isto é minar a minha confiança, o meu desenvolvimento.

IMG_20170909_073648.jpg

Porém, este fenómeno pessoal já me assombra desde a minha infância. Não é novo.

A minha insegurança e o meu sentimento de inferioridade tratam de fazer o resto.

Agora que voltei a uma fase mais débil da minha personalidade, consigo criticar-me com maior facilidade, o que me faz pior.

No caso da corrida, este ano está a ser uma maravilha para o "manda-abaixo", porque os resultados não foram bons no primeiro semestre e isso é mais uma forma de minar o meu próprio progresso.

Dou por mim a questionar constantemente as minhas opções. Não é mau fazer o papel de polícia mau de nós próprios. O problema é fazê-lo de forma desmedida e destrutiva, que não leva a lado nenhum.

A rever.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Redes sociais

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub