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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

09
Jan23

Um balanço em revista - maratonas em 2022


João Silva

A loucura. É sempre, não vai mudar. Que simbiose entre o corpo e o público. Ainda assim, desiludi-me, confesso. Esperava mais das gentes do Porto, porque já me tinham habituado a isso. No entanto, também há o risco de ter criado demasiado expectativas.

Tracei um plano ambicioso, segui-o e entrei no Porto confiante, muito, mas com motivos para isso. Porém, houve dois momentos em que me entusiasmei e acabei por pagar a fatura no final. Uma primeira metade incrível e uma segunda metade a pedir a todos os anjinhos misericórdia. Nunca tinha chegado com um gémeo quase de fora. Ainda hoje o sinto a latejar e o sinto “fora do sítio”. Ninguém corre uma maratona pela saúde. Não dá nenhuma. Corre-se pela superação. Dá de sobra. Feitas as contas, apesar da quebra, baixei das 03h20. Fiz 03H19m.

Vou voltar lá em 2023.

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07
Jan23

Um balanço em revista - meias-maratonas em 2022


João Silva

Infelizmente só fiz uma. No entanto, valeu por muitas. Foi o primeiro ano em que apostei forte nos treinos exclusivamente para este tipo de prova. Queria voltar a ficar abaixo da marca de 1h30. Dei tudo, foi no limite do esforço, mas consegui mesmo e com quase um minuto de diferença. Foi a “perseguir” o meu colega Bruno o tempo quase todo, cometi alguns erros de gestão ao ter-me deixado “ir” com um atleta claramente mais constante e forte do que eu e sofri com a questão do calor (em outubro!!). No fim, a sensação não foi boa, mas hoje, olhando bem e de forma apaziguadora, vejo que foi uma prestação de raça, de força de vontade. Abnegado.

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05
Jan23

Um balanço em revista - 10 km em 2022


João Silva

O primeiro eixo de melhoria que tinha projetado era este tipo de prova. Mudei a minha forma de treinar e ganhei método. Ia funcionar. Tinha de funcionar. Funcionou na perfeição. Corri cinco provas de 10 km e em nenhuma fiquei acima dos 41 minutos. Na verdade, fiz as três primeiras abaixo dos 40. As duas últimas tiveram um sabor igual pela dureza. Senti que este género de provas me deu uma espécie de entrada num grupo restrito. Passei a ficar mais vezes num vazio de atletas, comecei a cavar fossos para quem vinha atrás.

Começando pelo início, em janeiro fui até Soure e consegui fazer o meu primeiro tempo inferior a 40 minutos no ano. O trajeto era regular, mas lembro-me que foi uma roda-viva e que fiquei constantemente com o “credo na boca”, como se diz.

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Uma semana depois, com muito descanso no corpo (uma inovação) lá fui fazer o mesmo em Leiria, numa prova com muito mais gente por ocasião da Taça da Liga. A emoção foi muita, a prestação foi sempre ao mesmo nível.

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Em fevereiro, já perto do final, novo desempenho dos bons em Coimbra, em mais um evento cheio de gente, numa espécie de celebração da primavera. O meu maior feito nessa prova foi ter “mordido” os calcanhares à primeira atleta feminina, que estava a ser acompanhada pela Federação Portuguesa de Atletismo. Quebrei imenso na última parte dessa prova, mas senti-me na lua.

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Perante o interregno de provas decidido pela questão financeira, voltei a fazer provas de 10 km no final do ano. Em novembro, numa espécie de carrossel na Venda da Luísa. Tinha feito a maratona do Porto uma semana antes. Dei claramente mais do que tinha para conseguir chegar ao meu colega Tiago. Não consegui, mas acabei muito feliz.

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Última prova de 2022 e foi também uma das mais prazerosas. Falo da São Silvestre de Coimbra. Que luxo poder estar com tanta gente. Acabei no 84.º lugar num total de 1433 atletas. Orgulhos e missão cumprida foi o que senti. Isso e dores pela mítica subida.

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19
Nov22

Ainda cá estou seis anos depois...


João Silva

Vivo sempre com a sensação de que nada dura para sempre. 

Talvez isso me desgaste e me destrua (entretanto, pude sentir na pele que sim, embora agora as coisas estejam a mudar)

Mas também tem o lado de me fazer apreciar cada momento que tenho disto, das corridas, da minha vida sem obesidade.

Seis anos depois, ainda corro, ainda adoro uma alimentação mais equilibrada e regrada e, aos poucos, tenho aprendido a lidar com uma "rédea mais solta, mas adequada".

Seis anos depois, a obesidade ainda é um passado bem longínquo e que está em vias de resolução mental.

Há seis anos neste dia, dei os primeiros passos para me apaixonar pela corrida e para deixar para trás uma fase muito marcada pela obesidade (embora tivesse começado a caminhar a 28/10/16).

Seis anos já não é mudança, é forma de vida...

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Em seis anos, já corri oficialmente 26 provas de 10 km, 8 trails (fiz, provavelmente mais uns 5 ou 6 a caminhar), 11 meias maratonas, 5 maratonas oficiais (e 5 oficiosas) e 1 prova oficiosa de 50 km.

Seis anos depois já não faz sentido viver com medo de que o passado venha atrás de mim, porque isso dependerá sempre de mim. Quilo a mais, quilo a menos, aos poucos, com ajuda, tenho procurado ver-me como estou, como sou. Fui obeso e isso não fez de mim má pessoa, mesmo quando quis acreditar nisso. Era apenas o meu peso. Era apenas o meu volume. Agora não sou gordo, tenho um peso estável e um corpo do qual gosto, mesmo nos dias em que achei que não estava onde devia. Está. E, aos poucos, sinto que era "nisto" que me queria tornar.

Em seis anos, vivi muito e percebi muito sobre mim, tendo a certeza de que a minha viagem de autoconhecimento está em bom curso, mas não chegou ao fim.

 

01
Abr22

Marasmo provocado pela escassez financeira...


João Silva

Não fiz este post para mostrar que já tive melhores dias em termos financeiros. Escrevi para mostrar três coisas: participar em provas é uma "renda", é importante escolher bem as provas e a vida (desportiva) não acaba sem provas...

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A vida ficou mais cara no último ano e aqui enfrentamos alguns desafios que dificultaram as coisas. Numa fase de instabilidade profissional, chegou o momento em que foi necessário fechar a torneira de financiamento das provas. Para quem não sabe, de um modo geral, a nível amador, as provas são suportadas (salvo exceções) pelos atletas. Se estabelecermos um preço médio de 10€ (normalmente é bem mais elevado), torna-se fácil de perceber que a corrida é um investimento. Mas há muitas coisas mais importantes na vida do que participar em provas.

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Por isso, a grande lição disto tudo é que uma seleção criteriosa de provas pode valer ouro. Entre janeiro e março, fiz cinco provas. Depois fui obrigado a cortar essa "despesa" e fiquei "apenas" com a maratona do Porto em novembro (porque já me tinha inscrito meses antes). À luz do que sei hoje, apesar das boas experiências e dos bons resultados (sobretudo em estrada), não teria participado em três delas. Teria espaçado mais as provas pelo calendário. Se assim fosse, teria conseguido financiar uma grande prova, por exemplo, ou uma prova média e outra mais pequena. Não foi assim, paciência. O que fiz também valeu ouro.

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Por fim, a questão das provas no seguimento de um plano de treinos. Aprendi este ano as vantagens do treino direcionado. Não ter "o sumo" das provas retira, à primeira vista, algum encanto. No entanto, ainda não se paga para correr na rua.

E nem tudo é mau: não ir a provas abre-me a perspetiva de trabalhar com objetivos intermédios volantes (definir, por exemplo, um dia para fazer uma meia maratona em treino, organizar treinos conjuntos longos, etc. ). Acima de tudo, abre-me a possibilidade de estar mais de seis meses a preparar uma maratona. Aumenta a "pressão" de um bom resultado, mas também me dá a melhor ferramenta da corrida: o tempo.

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28
Fev22

Um trail no meu quintal


João Silva

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Há sensivelmente três anos que não corria numa prova de trail. É sabido que me sinto extremamente bem a correr em estrada.

No entanto, este ano decidi dar-me um "miminho" e inscrevi-me numa prova que partia mesmo atrás de minha casa, o Trail de Sicó.

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Não ia a fazer projeções para tempos ou para competir. Ia apenas correr em serra, na bela serra de Sicó, que me vê treinar diariamente em estrada.

Depois da última prova de estrada, tive uma semana em que não consegui descansar muito. Houve muita atribulação e muitas noites mal dormidas. Em termos técnicos, fiz um treino intenso de subida, só mesmo com a ideia de "não vá eu ser surpreendido pela dureza da prova".

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Na manhã da prova, ou seja ontem, mais contratempos, regressos a casa antes da partida (que sorte ter a casa dois minutos de casa) para trocar de roupa, mais uma bela noite por dormir e ainda tive direito a chegar a pouco tempo do arranque.

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Estava descontraído, apesar de mal-humorado, porque sabia que ia "divertir-me".

A prova fez-se bem. Trail rolante, com algumas subidas duras e muitas pedras no caminho. O melhor de tudo foi ter encontrado um colega de equipa que não conhecia. Pela primeira vez, fiz uma prova do início ao fim com outro colega. Tínhamos ritmos parecidos. 

O que mais me agradou foi o facto de o Bruno também ser um fã(nático) por estrada. Na verdade, o Trail de Sicó foi o seu primeiro Trail.

E no fim de tudo, apesar de ter convivido muito pouco antes da prova, senti que percebi finalmente o lado mágico de um trail: o companheirismo e a entreajuda. Contam-se histórias marailhosas e partilham-se momentos muito bons. Na estrada, que eu adoro, este convívio é muito mais difícil. Pelo menos, para mim.

No que toca ao resultado efetivo, corri quase 15 km em 01:25:37. Ou seja: 69.º numa geral com 419 atletas. O que me importou mais foi o que ganhei: uma bela experiência, muita conversa e um "compincha" da estrada. Ou muito me engano ou terei muito a aprender com ele.

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17
Fev22

Ainda "ontem" fiz aquilo e "hoje"...


João Silva

Quando comecei a ler sobre corrida, deparei-me muitas vezes com a ideia de que correr bem é saber correr rápido e correr lento.

E sabem que mais?

Existe mesmo arte nisso e é algo que só o tempo nos ajuda a perceber.

A resposta está toda na preparação física e mental. Quando se traça uma prova como objetivo, todo o trabalho de treino e de recuperação é canalizado para aquele dia. Portanto, há todo um conjunto de ferramentas que vamos adquirir até lá. 

Chegamos lá e transcendemo-nos. Resultados históricos para nós, corpos no auge, hormonas nos píncaros. Nada superou aquilo. Mas foi um dia.

No seguinte, o corpo já não deverá ser sujeito àquele desgaste extremo. Regra geral, também não é suposto.

Aqui é que está a arte. No dia seguinte, quando o corpo está dorido e desgastado, o essencial é recuperar, seja de forma ativa com uma corrida suave ou de forma passiva. 

Da mesma forma que "ontem" corri a 3'56"/km, "hoje" tenho de o fazer a 6'00' ou a 6'22".

É normal. É bom que assim seja. Eu também demorei cinco anos a interiorizar esta ideia. Mas até por isso é importante fazer treinos regulares de velocidade.

O corpo pode e deve ser potenciado, não deve é ser explorado.

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13
Fev22

Uma semana, dois resultados próximos mas...


João Silva

Em Soure foi assim...

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Em Leiria foi assim...

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Nos tempos dos chips, a diferença entre provas foi de 20 segundos.

Parece insignificante mas revela algumas diferenças. Naturalmente, a primeira está na questão do percurso. O de Leiria era um pouco mais agressivo.

No entanto, a diferença substancial foi a seguinte: trabalhei bem de 1 a 22/01 e cheguei a Soure com a "convicção" de que ia baixar da barreira dos 40' minutos. A vida à minha volta não estava fácil mas permitiu esse meu foco. 

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Uma semana depois, o desgaste físico da prova de Soure fez-se sentir, mas foi na "vida social e privada" que tudo se tornou mais denso. Não tive tanta capacidade para impedir que isso me afetasse e cheguei a Leiria com a vontade de repetir o tempo da semana anterior mas sem a convicção. 

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E essa convicção faz milagres, acreditem. É a cola que liga a disciplina ao foco. É isso que tira aqueles pozinhos que temos escondidos.

A minha "sorte" em Leiria foi estar lá um pacer (marcador de ritmo) muito bom e de ter conseguido seguir na linha dele o tempo todo. Isso fez-me acreditar. Mas foi isso. 

Essa foi a razão que me deixou mais feliz em Leiria, porque não contava, achava que não daria. E é isso que escondem estes 20' de diferença.

 

09
Fev22

Como se preparam duas provas no espaço de 8 dias


João Silva

Passei por isto em janeiro e vou voltar agora em fevereiro e depois em março: ter duas provas no espaço de oito dias.

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Tudo depende do prisma. Se for para ir atrás de resultados, é importante descansar muito e bem entre provas. Sempre foi algo difícil para mim, mas talvez essa tenha sido uma das mudanças da lesão. Como estou mais centrado em treinar de forma específica para alcançar determinados tempos, mantenho o foco e tenho conseguiso disciplinar-me. Mesmo quando me apetece correr sem destino. E são tantas as vezes. Só que o foco é outro nesta altura e ajuda a aguentar os cavalos. A materialização do trabalho em resultados em janeiro fez-me acreditar que estava mesmo na direção certa. 

Para se ter noção, na semana após a prova de Soure e antes da prova de Leiria não corri uma única vez mais de 50' minutos. Nunca no passado isto aconteceu.

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Nesses oito dias procurei fazer recuperação ativa com reforço muscular específico, exercícios de mobilidade e fisioterapia e pequenas corridas para manter o organismo com a "tensão" normal de uma corrida. Custa, mas resulta.

Se o foco for amealhar participações em provas (o que não tem mal), nada disso importa e é possível fazer tudo na descontra e ainda treinar mais de uma hora.

07
Jan22

Perdeu-se a dinâmica...


João Silva

Quando participei na prova das 4 estações na Vendas da Luísa, a 08 de dezembro, dei por mim a sentir um certo vazio durante largos minutos.

Parei, olhei à volta e percebi que, por um lado, isso é um problema meu, porque sou uma pessoa que se isola apesar de ser muito extrovertida (mais uma bela contradição da minha personalidade).

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No entanto, olhando melhor, vê-se que o mal também está em muitos outros. Passo a explicar: a ausência de muita gente em provas desde o início da pandemia retirou proximidade, aqueles toques normais e simpáticos entre atletas, aquelas conversas cheias de gargalhadas.

Há pessoas que, aparentemente, já conseguem estar muito bem em sociedade, mas há muitos que se isolam, que procuram não tirar a máscara. Ambas as coisas podem ser certas. Depende sempre de cada um, mas sinto mesmo que se perdeu a dinâmica social com este bicho.

Esta incerteza atual também não ajuda a recuperar o nosso lado social...

20
Dez21

Uma vitória do corona


João Silva

Não podemos ficar reféns do bicho. Identifico-me totalmente com isso e, sempre dentro da manutenção das medidas de segurança, tenho procurado fazer algumas coisas que me davam prazer. 

Foi por isso que fiz uma prova no dia 08 deste mês. E senti-me seguro. 

O que mudou desde esse dia até ao dia 18, em que tomei a decisão de não correr na São Silvestre de Coimbra?

Era uma prova tão especial para mim, mas, a dada altura, comecei a ter medo de sair de lá infetado.

Esse medo apareceu quando soube que seriam mais de 2000 pessoas.

Esse medo cresceu depois de saber que um bom amigo tinha apanhado COVID dois dias antes.

Esse medo tornou-se insuportável quando me caiu a ficha a dois dias da prova e percebi que, se ficasse infetado, perderia o Natal com os meus e um evento familiar muito especial que vai ter lugar dentro de 20 dias.

Mas foi o medo que me fez desistir. Não tenho problemas em admitir isso, tenho dificuldades em aceitar que isso não é uma contradição com o que defendia antes deste episódio: uma criação de uma nova normalidade em que não ia deixando de viver, mesmo com medidas de segurança.

Andei às voltas na minha cabeça até ter tomado a decisão de não ir. Perdi o dinheiro da inscrição e abdiquei de lá ir levantar a camisola no dia anterior. 

E, por estúpido que pareça, admito que pensei no que pensariam algumas pessoas de mim. Sei que me acharam fraco. É um erro fazer isso, mas foi inevitável para mim. 

E pronto, lá fiquei por casa, junto dos meus. Não fui para o meio da multidão. Para alguns é uma coisa óbvia, para mim, foi muito custoso por se tratar de uma das provas que mais queria fazer. É a segunda vez em três anos que desisto de participar numa São Silvestre. Caramba!

Mas como podia viver comigo se ficasse infetado e tivesse de faltar ao batizado do meu próprio filho que acontece dentro de duas semanas?!

A corrida é muito importante para mim, mas nem preciso de dizer que o meu filho é mais.

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Não fui, é certo. Mas treinei. Sozinho como sempre. Na minha vila, toda ela decorada nesta altura do ano. 

Fiz o meu primeiro treino técnico de velocidade após a lesão.

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Soube-me tão bem!

E ainda tive direito à minha São Silvestre na minha vila:

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Esta é a vantagem de se ter crescido numa família com dificuldades: como não se pode fazer tudo, aprendemos a divertir-nos com pouco. 

E tudo isto de resistir é muito bonito quando não se tem nada a perder... Não era o caso...

26
Mai21

Há muitas, mas há alguma imaculada?


João Silva

Há uns tempos, recebi uma newsletter de atletismo proveniente de Espanha. 

O grande argumento daquela edição (que entretanto perdi) era uma máscara bem bonita por sinal e que, segundo eles, era perfeita para a corrida. 

Não sei se conhecem de alguma perfeita para corredores e, se souberem, peço que partilhem comigo. 

Não sou apoiante desta ideia maluca de correr com uma máscara, mas tenho muita curiosidade para perceber como são. 

Porquê?

Desde logo porque já corri uma vez, no dia 24 de abril de 2020 (primeiro confinamento e, como não me deixaram entrar na maternidade, aproveitei). Em segundo, porque o bom tempo desta altura do ano vai trazer ajuntamentos e provas e gostaria de perceber como tudo se vai passar.

A insegurança não diminuiu, pelo menos, não a minha. Ainda assim, não vejo a máscara como opção para correr. Entre fazer uma prova com uma e não fazer, optava pela segunda hipótese.

Quem já o fez, sabe que a respiração fica mais curta, que o fôlego é escasso e não nos permite recuperar rápido. É uma espécie de asfixia permanente. 

O que fiz para me adaptar foi mudar as horas de treino, escolher sítios não movimentados e procurar não me cruzar com pessoas. 

Quando isso acontece, desvio-me para a faixa contrária, mas, mesmo assim, não deixo de saudar pessoas nem de cumprimentar, pondo a mão à frente da boca e mantendo a distância própria da estrada.

Correr com máscara é um pouco como querer correr para receber ar puro e ir treinar para as grandes metrópoles chinesas como Xangai ou Pequim. 

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24
Mai21

Se não souber, escolha neutro


João Silva

Muito tenho falado em pés por esta altura, mas prometo que não é um fetiche.

É apenas uma forma de perceber o que pode afetar e influenciar uma das principais áreas da corrida. 

Dada a vasta escolha de calçado de corrida hoje em dia, é normal não saber o que escolher. 

Há sítios que permitem colocar o pé numa estrutura, deixando assim saber qual o tipo de passada. 

Aqui não há bom nem mau. Não há passadas melhores do que outras. Há biologia e fisionomia e a necessidade de termos algo que se adapte à nossa maneira de correr para melhorar o nosso conforto e a nossa forma de correr.

Posto isto, a passada é importante para perceber qual o local de maior carga do pé na hora de aterrar (segunda fase da cadeia cinética). 

Com o tempo e as pesquisas, percebi que a minha passada é supinada. Além desta, há também a neutra e a pronada.

Muito rapidamente, na passada supinada, a força do pé é feita pela parte externa (desgaste no lado de fora da sapatilha, no calcanhar, por exemplo). Na passada neutra, o pé apoia totalmente bem no chão e a força sai da zona do peito do pé. Já na passada pronada, o pé flete para dentro e a força sai da parte interna (desgaste na extremidade do arco e do calcanhar).

Em caso de dúvidas na hora das compras, devem optar sempre por uma sapatilha neutra. Apesar de conhecer a minha passada, é o que faço. 

Deixo-vos uma ilustração da página FUTfanatics que vos mostra do que falo.

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Se quiserem saber mais sobre o assunto, podem consultar aqui, por exemplo: 

https://www.institutotrata.com.br/tipos-de-pisada/

06
Abr21

Certo e sabido


João Silva

Já era algo que pairava no ar há uns meses valentes. Portanto, agora o que venho aqui fazer é "comunicar" a minha opção. Ainda para mais, depois de a própria organização ter anunciado o cancelamento da prova. 

Face a todos os desenvolvimentos do último ano, em particular dos primeiros três meses de 2021, não conseguiria ter coragem para fazer a maratona oficial de Aveiro, marcada originalmente para o final deste mês, no dia 25.

Toda a evolução negativa do danado do bicho acabou por fazer das suas e já era expectável que a organização não avançasse. E bem, a meu ver. O anúncio pecou por tardio. Foi feito há pouco mais de um mês.

Na verdade, ainda antes disso não tinha condições nem confiança para estar no meio de multidões. Ainda não estou preparado para correr e estar próximo de muitas pessoas, muita gente mesmo. 

Não se faz de uma maneira, faz-se outra. Felizmente, nunca tive problemas em correr sozinho e, como tal, lá irei tentar fazer uma maratona oficiosa no espaço de um mês.

A capacidade de treino está lá, embora o desempenho tenha decrescido imenso por vários fatores. Ainda assim, há que dar a devida continuidade aos treinos. Quero acreditar que haverá mais oportunidades e, tendo em conta o medo e o risco, prefiro resguardar-me e aos meus, sem deixar de fazer desporto, o meu desporto, mas sem me mandar para fora de pé.

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Quem sabe?! Talvez em abril do próximo ano a consiga fazer. 

25
Fev21

O esboço por detrás da obra


João Silva

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Embora seja possível alcançar alguns feitos sem preparação, acredito plenamente que tudo é fruto do trabalho.

Nesse sentido, depois de ter feito duas maratonas (em treino) entre setembro e novembro, venho explicar agora o que me fez tirar 22 minutos ao tempo de setembro.

Basicamente, um plano que estruturei devidamente para me tornar mais consistente no desempenho. O objetivo de outubro a dezembro foi sempre esse.

Assim, vou explicar melhor tudo o que fiz:

A começar a 5 de outubro, fiz 4 semanas com a mesma estrutura: à segunda, recuperação do esforço do fim de semana, à terça, treino intervalado com 12 séries de 400 m, às quartas, treino de transição, à quinta, treinos de fartleks Watson com 8 séries de 4 minutos em ritmo alto e outras tantas de ritmo mais baixo. As sextas, usei para fazer a transição para os longões do fim de semana: corrida de 3 h ao sábado e outras tantas ao domingo, com incidência nas subidas.

Depois, entrei numa semana diferente, com um treino à terça com 6 séries e 6 sequências de fartleks. Na quarta, aumentei em 15 minutos o tempo habitual de corrida durante a semana (1h45 em vez de 1h30) e no sábado encurtei para 2 horas para depois fazer a maratona no domingo. 

Na semana seguinte à maratona de novembro, fiz treinos de 1h30 mas com um ritmo mais baixo para recuperar e no fim de semana, corri 2h30 no sábado e no domingo. No final destas 2h30, fiz dois treinos de 30 minutos com saltos à corda, escadas e técnicas de corrida para potenciar as minhas capacidades técnicas. 

Terminada esta primeira fase, decidi fazer o mesmo plano de outubro mas durante 6 semanas para cimentar melhor a capacidade de adotar um ritmo alto durante mais tempo. No final deste período, seguiu-se nova maratona. 

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