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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

21
Out20

Aquela prova revivida II


João Silva

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Nesta senda de reviver o que de melhor me aconteceu nas provas de 2019, não podia contornar a meia maratona de Coimbra. 

Foi um dia de sonho em termos desportivos. Ia com uma estratégia muito bem definida: começar muito forte para depois aguentar a parte de plano que surgia na segunda metade. 

Já lá vamos ao desempenho. Antes disso, foi tempo de beber um pouco do ambiente e de trocar impressões com o estimado Ricardo Veiga (foto de cima). Naquela fase, já era um habitué em provas em conjunto. 

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Quanto ao desempenho propriamente dito: dei tudo o que tinha. Não havia muito mais após a chegada à meta. 

Arranquei forte como nunca e foi aí que aprendi o verdadeiro sentido de aproveitar uma descida numa prova.

Contrariamente ao que o relógio dizia a dada altura, o meu corpo estava a dizer-me que dva para ficar bem abaixo de 1h30.

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Para ficar abaixo dessa marca, como veio a acontecer, tive de ir buscar as minhas reservas. Não era assim tão fácil. 

Foi com base nesse último esforço e com o meu pequeno (que já estava a caminho) que me consegui motivar ainda mais. Fiz 1h29.

Dá para melhorar, mas já foi recorde pessoal absoluto. 

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Esta foi uma prova em que a motivação e a energia positiva que levei no corpo ditaram a minha sorte ao cruzar a meta. 

24
Ago20

Uma oportunidade para aquecer e não para arrefecer


João Silva

Vivemos uma fase muito complicada com muitos aspetos novos, que, sem dúvida, vieram alterar os planos de muitos.
Em termos de desporto, sobretudo no atletismo, há e vai ter de haver uma abordagem diferente. É um desporto onde o nível de contágio é elevadíssimo, apesar de ter uma forte componente de ar livre.
Como não podia deixar de ser, houve muitos adiamentos e cancelamentos de provas.

Razão que me leva ao ponto de afirmar que não competirem oficialmente em 2020.
Na verdade, já achava que não seria diferente, mas relativamente aos priemrios sete meses do ano, já que o nascimento do Mateus obrigava a uma grande readaptação.


O que não contava é que essa decisão se estenderia aos últimos seis meses deste ano.
Na verdade, tendo em conta as minhas dúvidas em termos de forma e o meu receio com a disseminação da doença Covid-19, até "deu jeito" ter a decisão tomada por mim.


Por outro lado, como regressei aos treinos de estrada no final de maio, já me sentia mais capaz de preparar algumas provas a partir de setembro.
Assim sendo, nada feito.


Vendo noutra perspetiva, tudo isto gera uma enorme oportunidade: a de ter tempo para definir bons objetivos de corrida para 2021, a de escolher as provas com detalhe e a de fazer uma boa preparação em termos de treino.


Portanto, aqui reside o foco e a responsabilidade: fazer deste tempo a rampa perfeita para estar bem e em forma.


Se não deixar que a irresponsabilidade tome conta de mim nem que o ímpeto leve a melhor, será uma época perfeita para treinar e adotar novos métodos de treino.

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Se...

04
Ago20

Mais tarde ou mais cedo, é hora de tomar decisões


João Silva

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Passado todo o período de confinamento e de restrições, já é tempo de olhar para a nova realidade.

No meu caso, se, para me salvaguardar, já via poucas notícias durante o pico da pandemia em Portugal, na fase de desconfinamento, ainda que por outros motivos, menos vejo.

Sei, ainda assim, que, aos poucos, os eventos desportivos estão a ter lugar. É o ciclo normal da vida, aquela forma de nos lembrar que tudo tem de continuar.

Perante tudo e sem me querer desculpar com a paternidade e a pandemia, confesso que o receio de estar em multidões é muito grande, também por ter um pequenito sem grandes vacinas nesta fase, o que me leva à seguinte questão: vou ou não participar em provas em 2020? Por agora, estou inscrito (e com inscrição paga) na maratona do Porto, que se realiza em novembro. No entanto, custa-me a acreditar que será permitido realizar uma prova onde habitualmente estão cerca de 15 mil atletas. Pelo medo das pessoas e da minha forma física.

Não deixei de treinar, mas não consigo fazê-lo de modo a apresentar uma forma física digna para aguentar 42 km em alto nível, no meu melhor, portanto, que, no fundo, é isso que me importa para o caso.

 E perante toda esta realidade, chegada a hora de planear os próximos meses em termos de treino, fico com sérias dúvidas quanto à minha presença. Preparar uma prova desse calibre implica fazer alguns "ensaios" em meias maratonas. Ora, tal requer que me meta em aglomerados de pessoas algures entre julho e outubro. E vou arriscar a fazer isso? Mais importante ainda: quando conseguirei ter tempo para fazer novamente treinos de 3/3h30 para preparar algo desta dimensão?

Não sou mais do que ninguém e muitos outros têm este problema do tempo, portanto, ainda assim, nem me posso queixar.

O facto de desistir da participação, em si, não encerra nenhum mal, mas deixa-me seriamente a pensar se isso não significará o fim da minha presença em provas de atletismo. Uma coisa não implica a outra, mas eu também me conheço um pouco...O medo disso, pelo menos, está lá

 

10
Abr20

Uma espécie de travessia do deserto


João Silva

Como já esperava, 2020 tem sido um ano diferente e a missa ainda vai no adro.

Certamente que o melhor ainda está para vir e que tudo será ainda mais diferente do que nestes últimos meses.

No entanto, desde logo, houve muita coisa que mudou. Não deixei de treinar e, a esse nível, não me posso queixar, mas organizei-me de maneira diferente. Aumentei a exigência dos treinos, mas também consegui abordar com mais clareza outros aspetos da minha vida.

No meio disto tudo e enquanto o "dono" da família ainda está ausente num espaço quentinho e devidamente acondicionado, numa primeira fase, optei por abdicar voluntariamente da participação em provas. Como fiz questão de referir no passado, nunca me medi pela participação em provas. Ou seja, na prática, a minha motivação não é influenciada pela competição, o que até é bom, pois permite ver as coisas noutra perspetiva.

Embora reconheça que as provas, sobretudo meias e maratonas, dão aquele quentinho no coração e ajudam a potenciar a evolução de qualquer atleta, senti em dezembro que seria difícil competir em condições, até porque o trabalho meu obrigou a reconfigurar a minha planificação e porque o cansaço dos treinos se tornou mais constante, tendo em conta que passei a treinar todos os dias. Foi consciente.

Numa segunda fase, o avançar da gravidez trouxe outro tipo de prioridades e deixou de ser possível estar muito tempo longe de casa. A assistência à esposa e ao pequenote tornaram-se muito mais relevantes, pelo que foi "forçado" a deixar as competições para outras núpcias.

Portanto, desde 17 de novembro de 2019 que só tenho feito uma coisa: treinar pelo prazer puro. Por mim, para me encontrar. Para me perder (no bom sentido). Em termos anímicos, tem funcionado bem, já que, após um período de adaptação, consegui aumentar a intensidade para o nível que pretendia.

Por agora, só estou inscrito na maratona do Porto, que se realiza em novembro deste ano. É preferível assim, até porque não sei o que me espera a partir das próximas semanas. Não me sinto triste com nada disso. Estou entusiasmado com este novo desafio que aí vem. Além disso, a minha grávida mostra uma confiança inabalável em mim, o que me dá confiança para dobrar esta travessia do deserto em termos de provas.

E há ainda outro lado positivo: estar sem competir permite intensificar treinos durante mais tempo e refletir sobre o que pode ser melhorado quando voltar a abraçar as provas.

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22
Dez19

Assim corri as maratonas em 2019


João Silva

Nada melhor do que analisar a performance deste vosso caríssimo em 2019 do que falar nas provas que lhe dão um sorriso de orelha a orelha: os 42 km, as maratonas.

Cedo pecebi que são o meu elemento de trabalho e que são a minha plataforma de aperfeiçoamento e melhoria de treino.

Além disso, cheguei também à conclusão de que estou melhor na segunda metade do ano do que na primeira. Este ano deu-me essa prova e não me permitiu refutar a ideia. O volume de treinos foi muito superior, mas as técnicas, os exercícios e as metodologias de trabalho também foram distintas...para melhor. Contudo, apesar de ter sido assim, não posso deixar de considerar que a maratona de abril foi o elemento que me catapultou para uma subida de rendimento no segundo semestre.

MARATONA DE AVEIRO - ABRIL 2019

Primeira edição e logo numa data muito especial e numa cidade que me falou muito ao coração. O desempenho não foi esplêndido, embora tenha terminado abaixo das 4h (3h49'26''). Não posso dizer que a gestão tenha sido má para enfrentar a dureza do calor, do percurso e da distância, mas, olhando agora em retrospetiva, percebo que não estava num pico de forma, que cometi erros em treinos, mas também com a alimentação. É uma experiência a repetir no futuro, porque me permitirá trabalhar tão metodicamente como o fiz para a prova de novembro. Por questões familiares, em 2020 não poderei ir. Terei uma prova muito mais dura e imprevisível pela frente. Mas voltarei no futuro.

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MARATONA DO PORTO - NOVEMBRO 2019

Não sei explicar, mas acho que se deve ao ambiente e à cidade o facto de considerar esta a minha prova de eleição. Sinto-me verdadeiramente feliz por ir lá correr, por beber todo aquele apoio. É uma prova mágica e tê-la como objetivo faz-me trabalhar muito bem para obter um excelente resultado. Foi, até ao momento, a prestação de uma vida por tudo o que melhorei num só ano e por, mais uma vez, ter percebido que a solução estava dentro de mim, mesmo tendo de reccorer ao exemplo de outros atletas melhores do que eu. Quando deixei de me focar tanto nos lados e comecei a olhar mais para a frente, o desbloqueio aconteceu naturalmente. Acabei a prova com 11 minutos a menos face a 2018: 3h21m58s em 2019!! Fiquei genuinamente orgulhoso e com a certeza de que trabalhei muito bem. Objetivo para 2020: abaixo das 3h20m...quem sabe se dá para as 3h15m?!

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Esta foto foi cortesia da página "Objetiva em movimento".

21
Dez19

Assim corri os trails em 2019


João Silva

Foram poucos os trails que fiz em 2019, o mesmo número de 2018: 2.

Já é sabido que a minha paixão está na estrada e que não tenho nada contra quem corre trails, muito pelo contrário. Contudo, tiro muito mais prazer da estrada e é aí que quero e vou evoluir.

Ainda assim, em jeito de balanço, corri o trail de Sicó e o Anadia Wine Run.

TRAIL DE SICÓ - FEVEREIRO 2019

Uma prova estranha por ter sido a minha primeira do ano e por não ter estado a um excelente nível. Apesar de tudo e de não ter dado para aplicar os conceitos e as estratégias da estrada, serviu para conviver com os meus colegas e para ganhar mais alguma resistência. Tudo tem pontos positivos e esta prova, que teve lugar na minha terra, foi um bom teste. Fisicamente não saí bem, andei uns dias à procura da recuperação, mas valeu a pena: fiz 15 km em 1h36'17''.

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ANADIA WINE RUN - JUNHO 2019

Fiquei desiludido porque esperava algo diferente, sobretudo, ao nível do tempo. O envolvimento foi interessante e valeu pelo convívio, mas entrei a pensar na retoma da estrada e saí com a certeza de que aquela prova nunca poderia contar como fator de análise. Contudo, as 2h que demorei a percorrer os 23 km serviram para aumentar a resistência e para me preparar a sério para um segundo semestre muito intenso.

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20
Dez19

Assim corri as meias maratonas em 2019


João Silva

21 km foi a distância que mais percorri em provas neste ano que agora fecha.

É um segmento que adoro, onde me sinto bem e onde considero que tenho potencial para baixar tempos. Continua a estar atrás das maratonas na minha lista de preferências, mas merece um lugar de destaque. Ao contrário das provas de 10 km, aqui há forma de gerir bem as várias componentes da corrida, desde a postura aos abastecimentos. Além disso, é mais "fácil" de suportar o desgaste, que não é explosivo mas sim prolongado.

O ano começou com a pior marca de sempre no registo e acabou com um recorde pessoal e um desempenho que me deixou feliz e justificou todos os passos dados.

MEIA MARATONA DE ÍLHAVO - ABRIL 2019

1h44'45'', o pior dos piores, num dia em que tudo deu errado, desde a saída de casa até ao regresso. Um momento de aprendizagem a todos os níveis, mas que me deixou muito triste por ter menosprezado partes importantes da gestão de uma prova. Os primeiros 5 km acima do que o corpo dava, o resto da prova a apanhar cacos.

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MEIA MARATONA DA FIGUEIRA DA FOZ - JUNHO 2019

Uma prova que fiz pela terceira vez, embora agora com novo percurso. 1h42'25'' foi o tempo, o pior das três edições, mas tratou-se claramente de uma fase de retoma. Os índices motivacionais e de performance já começavam a apontar para cima. Não consegui manter um nível elevado em toda a prova, tive uma primeira parte complicada, mas recordo que cavalguei nos últimos 5 km. Boas recordações e a certeza de que só podia melhorar.

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ECO MEIA MARATONA DE COIMBRA - SETEMBRO 2019

Depois de um verão fantástico em termos de volume de treinos, mas também de componentes técnicas, um resultado mais dentro da linha dos anos anteriores: 1h35'24''. Mais do que tudo isto, destaco a gestão quase perfeita que só cedeu nos últimos 2 km e que enfrentou muito calor. Foi também a prova em que melhor estive na hora de aproveitar e de gerar desempenho coletivo.

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MEIA MARATONA DE LEIRIA - OUTUBRO 2019

Segunda melhor marca do ano, na altura, a primeira e também recorde pessoal, com 1h30'35''. Em termos de gestão, de capacidade de impressão de ritmo e de jogar com abastecimentos e com a estratégia definida, foi o meu melhor desempenho do ano. Cheguei quase sem força, mas com o coração e a garra levaram-me a conseguir uns 5 km finais dignos de alguém tão dedicado.

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MEIA MARATONA DE COIMBRA - OUTUBRO 2019

Recorde pessoal absoluto com 1h29'25'' (tempo do chip) e com uma felicidade maior do que eu. Porém, a frio, importa referir que não foi tão boa quanto a de Leiria e que tirei partido da primeira parte, apesar de ter sentido também que fiz uma segunda metade com imensa garra e crença de que ia chegar ao que queria.

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19
Dez19

Assim corri as provas de 10 km em 2019


João Silva

Tal como tinha definido em 2018, em 2019 passei a correr em menos provas de 10 km, não por não gostar, mas por ter percebido que o meu foco está nas meias e nas maratonas.

Portanto, além de economizar energias para treinos técnicos, ainda poupei uns euros para provas mais importantes. Tudo é gestão.

Nesta espécie de balanço em provas no ano de 2019,  arranco com a análise às provas de 10 km. 

Não deixa de ser curioso que, apesar de não ter sabido fazer as coisas adequadamente, os resultados revelam precisamente um decréscimo de forma.

Assim:

CORRIDA 4 ESTAÇÕES EM COIMBRA - MARÇO 2019

Numa fase em que estava a tentar perceber o que me tinha acontecido depois da maratona de novembro e em que tentava alinhar o corpo para a maratona de abril, quis fazer uma prova sem ser a "contar", num regime de gestão. Dei-me mal, primeiro, porque não sabia fazer isso, depois por não ter gerido bem a prova. Acabei a arfar com o meu pior tempo de sempre nesta prova: 47'23''.

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CORRIDA 4 ESTAÇÕES EM CONDEIXA - MAIO 2019

Na ressaca da maratona em Aveiro, tentei fazer um brilharete num percurso que dominava por inteiro, já que é o palco principal dos meus treinos. O percurso não enfrentava dificuldades de maior, mas fisicamente não estava bem e precisava de me encontrar. Acabei a achar que tinha sido excelente, mas o relógio desmentiu-me: 46'48''.

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CORRIDA 4 ESTAÇÕES EM SOURE - JUNHO 2019

Mais uma prova de má memória, embora aqui deva ressalvar que é o trajeto mais complexo do circuito. Tenho ideia de ter achado que ia bem, mas na segunda volta percebi que o corpo não estava bem. Foi o início das mudanças em termos de treinos técnicos. Serviu de lição e mais uma "medalha" de piores tempos: 47'25''. Psicologicamente deixou algumas marcas.

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CORRIDA 4 ESTAÇÕES NA VENDA DA LUÍSA - NOVEMBRO 2019

Este ano, esta prova contou com um percurso diferente e com 12 km em vez dos habituais 10, mas, ainda assim, pela sua natureza, decidi incluí-la neste campo de análise. O trajeto era mais do que meu conhecido, tantas foram as vezes que por lá passei no segundo semestre nos diferentes sentidos. Foi uma prova fantástica que superou em larga escala todas as minhas expectativas, tendo feito uns excelentes 50 minutos. Uma prova que voltou a mostrar o quão possível é quando acreditamos em nós e quando temos alguém ao nosso lado que nos vê melhor do que nós próprios. 

 

05
Dez19

Memórias (quase) perdidas II


João Silva

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Em mais uma publicação sobre as memórias remotas de acontecimentos importantes em termos de corrida, falo-vos da primeira vez em que tomei verdadeira consciência de que também havia outros corredores a recorrer ao ziguezague como técnica.

O que é o ziguezague? Basicamente consiste em alternar o lado de corrida, sendo especialmente usado em subidas pois permite ganhar ritmo e uma boa cadência.

Como sou perdido por ciclismo, foi lá que aprendi esse método.

Curioso foi o facto de o atleta que adotou esse sistema na Eco Meia Maratona de Coimbra em 2018 ter sido o elo de ligação na minha mudança para a equipa ARCD Venda da Luísa.

Falo-vos do meu colega Joaquim Baltazar, que podem ver na foto acima. Quando o vi adotar aquela técnica, percebi logo o que estava a fazer. Também eu comecei a fazê-lo naquele momento. Desde então nunca mais me vi livre da dita "artimanha".

Meses mais tarde, já ambos vestidos de laranja, tive a oportunidade de confirmar isso mesmo com o colega no almoço da equipa.

Desse lado alguém já recorreu ao ziguezague como técnica? (Em embriaguez não vale).

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25
Nov19

Outubro, o mês do alívio


João Silva

Tal como previsto, a "maluqueira" que tinha no corpo só podia durar até finais de setembro, pois o mês de outubro obrigava-me a baixar a intensidade dos treinos. 

A maratona já estava à porta, pelo que quis baixar a carga. O corpo precisa de tempo para regenerar e o objetivo era estar bem para dia 03 de novembro.

Além disso, as mudanças neste mês, com o adiamento da meia maratona de Leiria para o dia 13 de outubro, também apresentavam desafios de sobra.

Fiquei com duas meias maratonas muito seguidas, apenas com uma semana de intervalo, e queria fazer bons resultados. Assumo-o perfeitamente: estava à procura de baixar o meu recorde pessoal. E consegui.

Portanto, e como era suposto e também saudável, o número de quilómetros baixou em outubro (em comparação com julho, agosto e setembro) e também os treinos de reforço foram menos intensos, embora, em abono da verdade, como se pode ver abaixo, não tenha havido um decréscimo significativo em quilómetros. Mas caramba, nunca me senti assim tão bem.

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Estratégias, cada um com a sua, mas todas viáveis desde que saudáveis.

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23
Nov19

E se...


João Silva

Evolução km treino 06.09, 12 km, quase progressi

Esta imagem foi capturada no final do meu treino de dia 06 de setembro. Já estava em fase de preparação para a Eco meia maratona de Coimbra, que se realizou no dia 08. Ou seja, dali a dois dias.

O objetivo não é mostrar qualquer treino progressivo, embora se possam dali retirar alguns indicadores nesse sentido, mas sim provar o meu ponto. Que é o seguinte: tenho dificuldades em abrandar e em puxar um travão. 

Assim, na semana de preparação para a prova, não devia ter feito tanto nem ter puxado tanto pelo corpo, porque as energias ficam na reserva e não é o que se pede na antecâmara de uma competição.

Isto prova duas coisas: a primeira é que de facto os treinos para mim são tão importantes quanto as provas, a segunda é que, na realidade, ainda não atingi o nível de maturidade exigível para alguém que não se vê apenas como um corredor ocasional, mas sim como um atleta, ainda que amador.

Como ponto suplementar em tudo isto, aquela semana foi muito dura, não só por ter sido a ressaca do treino de 38 km que fizera no sábado anterior, mas por ter decidido fazer treino de reforço nos glúteos e nas pernas na terça-feira. De segunda a sexta, percorri 61 km, o que é indesejável para atacar uma prova. Ela faz-se, mas uma coisa é "picar o ponto", outra é fazer um brilharete.

E esse, meus amigos, é o mote para o título deste texto: e se? E se um dia eu fizesse as coisas como é suposto e desse descanso ao corpo? Será que conseguia resultados mais interessantes? 

Aquele quilómetro percorrido a 04'03 (ver imagem) é a prova de que sim, de certeza que conseguiria, mas não me vejo a "viver" apenas para um dia de prova, exceção feita às maratonas. Considero tudo o resto como um processo evolutivo global e não fragmentado. Além disso, por causa do peso e da forma, a minha consciência não me deixa abrandar. Olhando apenas pela razão, sei que tenho cuidados e que não era um abrandamento que me faria engordar ou perder forma. Porém, arranjo sempre formas de me minar e depois fico a pensar incessantemente nisso.

E desse lado, há algum "e se" que gostassem de mudar? Por que será que isso não acontece?

 

13
Nov19

Sem açúcar adicionado é impossível


João Silva

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Meus caros, sou um teimoso inveterado em muitas coisas e não é por cliché que aponto a teimosia como um dos meus defeitos.

Desde há uns valentes meses a esta parte, meti na cabeça que ia deixar de abastecer com barras de geltinas em treinos acima de 2 horas e que o ia tentar fazer na maratona.

Em relação aos treinos, como adotei um sistema de inclusão de muitos treinos superiores as 2 horas, também com o auxílio da água consegui lidar bem com essa questão. O meu corpo aguenta bem e num ritmo bastante satisfatório.

Nos treinos até 03h20, também já consegui fazê-lo, embora tenha chegado ao fim completamente esgotado, mesmo tendo bebido água de forma faseada, por exemplo, a cada 10-15 minutos.

O problema é que, apesar de fazer milagres, a água não impede a acumulação de cansaço e quem já fez treinos ou provas muito longos sabe muito bem que o corpo se começa a ressentir.

Da experiência que já vou tendo, é a partir dos 30 km que tudo acontece, mas a ingestão de sólidos não pode ser guardada apenas para essa fase. Tem de ser um processo de acumulação. E é aqui que as barras de gelatina atuam no seu melhor: graças à maltodextrina, reduzem a sensação de fadiga, além de ajudarem no controlo das cãibras, já que oferecem um belo aporte de glicose aos músculos, que é a sua fonte de energia.

Portanto, findas todas as experiências, percebi a meio de setembro que não podia abdicar das ditas na maratona. E não se trata apenas de prestação desportiva, trata-se da sensação de que não acabaria uma prova dessas sem um sólido do género.

Porém, e isso foi um enorme ganho dos últimos meses, como a gestão do ritmo é diferente e se trata de uma prova longa, é possível reduzir a quantidade de gelatinas a ingerir. Nada contra quem o faz, mas meti na cabeça que quero o meu corpo livre dessas coisas, já me chegou os "maus tratos" que lhe dei dos 18 aos 28 anos. Resumindo: sim, tive de ingerir barras de gelatina, mas o mínimo "aceitável" para me permitir acabar bem a prova.

03
Nov19

A prova, the one and only


João Silva

A 04 de novembro de 2018, o desfecho foi maravilhoso, como se pode ver por estas duas fotos abaixo:

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Um dia de chuva copiosa em que tudo foi perfeito. Alinhou-se tudo e ainda me lembro que parecia uma criança, em parte assustada, quando me vi no meio de tanta gente com a minha loucura. Apesar de ter sido apenas a primeira edição, a maratona de Aveiro, realizada em abril de 2019, em nada se pode comparar com a dimensão internacional que a maratona do Porto tem.

Aliás, para cada zona que se olhe, na Invicta respira-se apoio incondicional, alegria e um povo que nos leva em bicos dos pés até à meta. E, além de tudo isto, estas duas maratonas que já fazem parte do meu currículo não podiam ter apresentado climas mais distintos: chuva no Porto, calor tórrido em Aveiro.

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O meu momento de forma em novembro era muito superior àquele com que me apresentei em Aveiro. No entanto, não se trata de comparar, porque não há forma justa de o fazer.

Trata-se, ao invés, de afirmar que os meus objetivos para o dia de hoje são, em primeiro lugar, terminar bem de saúde (vivo, como costumo dizer). Por muito "pobre" que seja, trata-se de um objetivo relevante, tal é a dureza de uma prova deste género.

Numa segunda fase, conquistado o primeiro objetivo, irei à procura de fazer menos de 03h33m37s, tempo com que terminei no ano passado. O meu propósito passa por colocar o cronómetro abaixo das 03h30.

Em termos de treinos, sei que fiz mais sesões técmicas este ano do que no ano passado e também tenho noção de que os meus conhecimentos aumentaram, mas isso não me garante nada e tudo se vai resumir à capacidade que terei para não me empolgar com o que fiz nos treinos. Porquê? Porque essa adrenalina e excitação iniciais acabam por se pagar muito caro numa fase mais adiantada do trajeto. Ainda me lembro do medo que senti ao ver pessoas a cair e já nas bermas a receber assistência depois dos 30 km. Modéstia à parte e sem saber o que esses atletas (não) fizeram em termos de preparação, sei que tomo muitos cuidados e que me defendo bem, mas isso pode não chegar.

Igualmente importante é abastecer bem e não esquecer o lado sólido que tantos "problemas" me causou nos treinos de longões.

Por fim e muito mais fundamental do que tudo isto, oxalá volte a viver uma simbiose perfeita com a multidão, Sou um "animal" social e adoro sentir o calor e os incentivos das pessoas. Preciso disso como de água para não desidratar durante uma corrida. O público do Porto é maravilhoso.

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19
Set19

E à primeira oportunidade, charco com ele


João Silva

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Mais um momentos da categoria "isto só a mim".

Primeira prova oficial a correr em trail.

Foi no dia 01 de abril de 2017 na terra da minha esposa, Bajouca, no distrito de Leiria.

Nesse dia, contei com a presença do meu bom amigo Filipe Coelho.

Nada mais oportuno do que deixar logo a marca.
A prova foi exigente, adorei-a, mas, nos primeiros 5 km, fui "alvo" de uma situação digna de registo: passámos por túnel e, no lado da saída, deparámo-nos com um "lago" de lama misturada com estrume. Na verdade, era lama de esgoto.

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Como não ia na fila dos primeiros, o terreno já estava muito massacrado e aquilo parecia uma piscina de terreno movediço.

Assim que coloco um pé, fico enterrado até aos joelhos, desequilibro-me e zás, toca a tomar uma banhoca no meio do charco.

Restou-me levar a prova a bom porto no meio daquele odor fétido e daquela lama toda bastante incómoda espalhada pelo meu corpo.

A camisola era branca. Era. Depois ganhou uma coloração bem mais interessante.

Como se não bastasse, rasguei uma das perneiras. É o único rasgão que tem. Até agora, a boracha de absorção do impacto nunca saiu. Oxalá continue assim.

 

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