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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

22
Dez21

São Silvestre em Barbalimpa?

Ou a São Silvestre imaginada pelo Milorde


João Silva

 

A vila de Barbalimpa já está toda enfeitada para a época natalícia. Iluminações nas árvores, estrelas brilhantes nas rotundas e vários arcos suspensos de luzes e letras a desejas um Feliz Natal e um próspero Ano Novo fazem parte da maior decoração de Natal que Barbalimpa jamais viu em toda a sua existência. Nisso o nosso presidente da junta está de parabéns.

No entanto, pensei eu cá com os meus botões, Barbalimpa precisa de algo mais grandioso não só para comemorar esta época, mas também para que a nossa vila fique mais conhecida. Então decidi organizar, juntamente com o meu amigo João, uma corrida São Silvestre em Barbalimpa. Por norma, as São Silvestre acontecem entre o Natal e o Ano Novo por isso tenho tempo mais que suficiente.

A primeira coisa que fiz foi falar com o presidente da junta que aceitou de bom grado tal evento e assim obtive também o segundo participante, não fosse ele adepto de corridas. “Mas quem é o primeiro participante?” – perguntam vocês. O João, claro! “E tu, Milorde?” – voltam a perguntar vocês, pessoas insistentes e curiosas. Vocês acham que eu tenho idade para participar nessas coisas?! Nem pensar, eu sou uma pessoa doente!

A segunda coisa que fiz foi aplicar os meus conhecimentos informáticos e criar um sítio na internet para obter mais inscrições seguido de uma página no Facebook onde paguei uma publicidade para todas aquelas pessoas que colocaram nos seus interesses “corrida” para assim a minha página aparecer no feed de notícias dessas pessoas e angariar ainda mais participantes.

“Então, mas Milorde, tu não tens dinheiro nem para tocar um cego, como é que vais pagar uma publicidade no Facebook para uma corrida?” – voltam a perguntar vocês. Já paravam com essas perguntas, não? Já me estão a irritar, mas eu respondo sem problema nenhum. Eu estou a investir para depois ganhar o dobro! Ou acham que eu não vou ganhar uma comissão com o dinheiro de todas estas inscrições? Aprendam comigo que eu não duro para sempre.

Passados uns dias já tenho para cima de mil inscritos! Não só de habitantes locais, mas pessoas de outras vilas e cidades. Agora só falta uma coisa, os prémios para os três primeiros classificados. Então dirigi-me à fábrica de colchões daqui da vila que me ofereceram um colchão ortopédico em troca de um grande cartaz para publicitar os seus produtos. Pronto, o primeiro prémio está encontrado. Há lá coisa melhor que um colchão para o corredor descansar depois!

A Flama ofereceu um micro-ondas também em troca da publicidade que tal evento lhes irá proporcionar. Segundo prémio. A D. Emília ofereceu dois galos vivos e uma garrafa do vinho que produz, também para publicitar. Terceiro prémio.

O evento irá decorrer no dia 28 de dezembro pelas 15 horas e o percurso será de 10km. Irá iniciar-se na Rua da Junta de Freguesia, onde a vice-presidente dará o “tiro” da partida (já que o presidente também vai participar), depois os participantes descerão por ali abaixo até ao caminho do Calvário, entram pelo mato adentro, saem na Capela da senhora dos Remédios, passam pela casa do Ti Zé das Couves e pelo café do Jorge (sem parar porque senão serão desclassificados), sobem pela Rua das Desgraças, dão duas voltas à igreja de São Pedro e chegam à meta ali perto da rotunda das estrelas.

Cada atleta receberá um diploma de participação que no fundo não irá servir para nada, mas é sempre um agrado.

Por fim, e não menos importante, este evento é patrocinado por:

 

  • Fábrica de colchões Pinheiro Manso - há 50 anos a trabalhar para o seu descanso;
  • Flama - marca portuguesa de eletrodomésticos;
  • D. Emília – quem quiser bom vinho, venha ter ao meu caminho;
  • Jorge Bar – café de qualidade, sandes variadas e cerveja para acompanhar;
  • Banco Recebê – deposite aqui o seu dinheiro e depois logo se vê;
  • Barbalimpa Jornal Oxum – o jornal mais lido da vila pois não há mais nenhum.




 

Esta história é da criação do Milorde, que acedeu ao meu pedido para inventar literalmente uma narrativa em torno das provas São Silvestre. O meu muito obrigado por esta primeira parte deliciosa. Falta a segunda...

10
Dez21

O regresso às provas (vídeo e fotos)

Corrida 4 estações - Venda da Luísa


João Silva

Dois anos e um mês depois, voltei a correr numa prova. De um modo geral, nota-se entre as pessoas que houve uma rotura com a dinâmica do passado, mas falarei nisso noutra altura. 

Em termos pessoais, depois de dois meses sem correr devido a lesão e com apenas.um mês de regresso a um ritmo lento, a divisa era levar tudo com calma. Não consegui, porque estes ambientes pedem transcendência.

Falarei disso mais tarde, mas posso dizer que o corpo me surpreendeu imenso. Esteve sempre muito estável e aguentou todos os esticões, como se pode ver aqui:

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Mas estas análises ficarão mais para adiante.

Por agora, deixo algumas memórias boas da prova.

Em imagens:

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Esta última foto foi uma cortesia do fotógrafo Ivo Carrito

E em vídeo (no canal do YouTube)

 

 

26
Ago21

Vamos lá a isso?


João Silva

O ano não tem corrido bem. Não esperava um ano louco de retoma, mas confesso que não perspetivava tanta incerteza ainda nesta fase.

Já estou vacinado há algum tempo e desde então que me começou a morder o bichinho da competição. De tal forma que penso seriamente em fazer a maratona do Porto. Na verdade, já estou a trabalhar para isso desde a segunda metade de junho, sempre sem saber quando seria vacinado e se teria coragem para estar presente nessa multidão. Porque, na verdade, aqui é que está o meu problema, conseguir sentir-me bem e seguro no meio de tanta gente.

A organização ainda não informou se haverá lugar a cancelamento, pelo que, face ao atual ponto de desconfinamento, tudo se encaminha para a realização da prova. 

Sem saber se terei capacidade mental para enfrentar este receio de multidões (que, normalmente, não cumprem regras), continuo a treinar com a secreta certeza (muito duvidosa, de facto) de que lá estarei.

Se não for, será uma enorme pena e fica a frustração de um ano que podia ter nessa prova o ponto alto, mas pronto. A saúde e a segurança da minha pessoa e dos meus estão acima de tudo.

Muitos poderão achar um exagero, eu chamo-lhe precaução e algum medo, confesso.

Neste momento, a cabeça manda ter prudência quanto às expectativas, mas o coração acredita que vai lá estar.

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26
Mar21

À distância mas foi um sonho


João Silva

Já la vão sete dias desde o Dia do pai, o meu primeiro nessa condição.

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Como aquilo que melhor faço por esta altura é pôr os pés na estrada e correr, o meu filhote, na pessoa da sua mãe, deu-me uma prenda muito especial: inscreveu-me na Corrida Virtual do Dia do Pai, organizada pela Runporto.

Por acaso ou talvez não, era uma corrida que gostava de fazer no local, caso não houvesse pandemia. 

Assim, todo lamechas e vaidoso, lá vesti a cisola que me foi enviada com o kit da prova e tracei um percurso de 10 km. Na verdade, foram mais quilómetros, mas a organização só contava os ditos 10 e então fracionei o treino.

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Foi um percurso que me deu imenso prazer e, no fim, ainda houve direito a medalha finisher. Uns dias depois foi emitido o diploma. 

Ainda assim, para mim contou como a minha primeira corrida do Dia do pai. Estou um lamechas irrecuperável.

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17
Nov20

Aquela prova revivida IV


João Silva

Termino esta sequência de belos momentos de 2019 com uma prova que, muito honestamente, nem queria fazer.

Queria era ficar em casa. Ainda assim, a contragosto, lá fui até à Venda da Luísa. 

Na ressaca da maratona, pensava que aqueles 12 km que constituíam um novo percurso das 4 Estações iam custar horrores. 

Uma vez mais, enganei-me e, uma vez mais, consegui acabar aquela prova com um excelente resultado: 12 km em 52 minutos. Era um excelente indicador para o campeonato distrital em março de 2020. Este era um dos objetivos deste ano, por causa da pandemia e da gravidez do Mateus. Talvez em 2021.

A juntar a tudo isto, foi dia de foto de equipa, de muito convívio e risada e ainda de muitos reencontros. 

Foi a última vez que competir numa prova. De lá para cá, só treinos. Muitos. 

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06
Nov20

Aquela prova revivida III


João Silva

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É a prova, aquela prova, a minha prova! 

Até agora, foi a única para a qual consegui pôr em prática treinos, planos e metodologias próprias. 

É diferente de todas as outras pelo encanto e pela localidade, que me diz imenso. 

Falo da maratona do Porto. 

Foi o corolário de meio ano muito intenso em termos de treinos e do período de seis meses em que mais evoluí desde que me tornei corredor amador. Falei na altura em todas a a ferramentas novas que levava no corpo para a prova. Funcionou tudo de tal forma que tirei 12 minutos ao tempo de 2019. Acabei a prova com 3h21.

Gestão de sonho, tempo à Zé Carlos (e como percebi que rendo melhor com chuva!!!), companhia de topo (pena o Zé Carlos não ter podido ir e a minha esposa ter ficado a cuidar do nosso pequenito, que ainda estava no forno) e, por fim, evolução da prova melhor do que tinha imaginado. 

Não menos importante em todo este dia foi a animação que se viveu no carro do Nélson, que se estreou n distância. Já à Sara era uma habituée e tinha feito a prova comigo em 2019.

Saímos de madrugada e chegámos de noite serrada, debaixo de uma chuva copiosa. 

Tirando a ausência da minha esposa, foi um dia perfeito. Correu tudo melhor do que queria. 

 

 

 

 

04
Nov20

Passaram dois anos e a primeira continua a ser a mais especial


João Silva

Numa altura em que já teria feito a quarta maratona oficial, caso não houvesse pandemia, importa recordar aquele dia em que passei a ser um maratonista oficial. 

Foi a 4 de novembro de 2018 no Porto. 

O tempo foi bom (3h33m), mas foi tudo o resto que me encantou: começou pelo companheirismo na viagem com o Zé Carlos, a Sara, o Paulo e a minha querida esposa Diana (claro que ela não poderia faltar num dia tão especial). 

A semana anterior à prova com algum nervosismo natural e direito a deitar bem perto das 21 h para ter o corpo num brinquinho. 

Viagem a partir de Condeixa com o Zé Carlos ao leme, tudo isto, por volta das 6 horas da manhã. 

Muitas histórias, muita animação, tudo novidade. Alguma ansiedade, mas dentro de mim crescia a sensação de que poderia acabar a prova e fazer um bom tempo. 

Chuva, muita chuva, logo desde o início, para nos bafejar na chegada ao Porto. 

Ansiedade, coração a palpitar, olhos esbugalhados a querer absorver tudo, uma criança aos saltos por dentro. 

Arranca a prova, a Diana ficou à nossa espera debaixo de tremendas chuvadas, pensamento nela, foco e prazer. Foi puro prazer o que senti nas ruas daquelas duas cidades (Porto e Gaia). Senti-me em casa, eu que adoro aquelas duas terras e que já lá tinha passado algum tempo durante a universidade. 

Uma comunhão sem igual com o público, os incentivos sempre que via o Zé Carlos e a Sara durante o percurso e explosão emocional à chegada. 

Chorei tanto, mas tanto, que as minhas lágrimas se confundiram com a chuva. 

Um dia feliz para mim. O dia do meu renascimento como homem e em que percebi que tudo o que estava para trás tinha valido a pena. Tantas horas de treino para aquilo, uma das minhas maiores proezas como ser humano.

Pouco para muitos, imenso para mim.

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03
Abr20

Sessão de alongamentos


João Silva

Sem querer, tropecei nos vídeos do grupo Globe-Runners.fr.

Felizmente, foi um bom tropeção. 

Partilham informação útil de forma constante e sem fim. 

Trata-se de uma espécie de manancial de boas práticas para quem corre.

Para hoje, decidi partilhar convosco uma sessão simples de alongamentos para todo o tipo de corredores: desde os de estrada aos de Trail, desde os profissionais aos amadores. 

Alguns deles já fazia antes, outros fiquei a conhecer agora. 

Não sou nenhum moralista e não procuro dar lições a ninguém, mas queria mesmo alertar para a importância dos alongamentos. 

Se pensar no meu caso, em que ando há meses a correr entre 400 e 600 km por mês, seria impensável fazê-lo, se não tivesse uma boa base de alongamentos para recuperar do esforço.

Deixo-vos o vídeo aqui:

 

12
Dez19

Um carro no meio do milho


João Silva

Em mais uma peripécia ocorrida em provas, venho contar uma história insólita e à qual não achei muita piada no momento.

Já no regresso à linha da meta pelos milheirais que envolvem o Choupal em Coimbra, começo a ouvir um carro a aproximar-se.

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Nem queria acreditar. Com tanta gente naquela zona, fossem atletas ou caminheiros, como foi possível deixar um carro atravessar aquela via, levantando tanto pó que mal conseguíamos respirar em condições.

É tão insólito que custa a acreditar que tenha acontecido.

Quando o dito passou por mim, vi algumas pessoas dentro dele com camisola de prova. Não sei se se sentiram mal e estavam a ser "rebocados". Sei, por outro lado, que aquela poeira em simbiose com o muito calor que se fez sentir foram muito prejudiciais.

E convosco também já aconteceu algo assim tão caricato?

22
Nov19

A última 4 estações do ano em imagens


João Silva

Já é um habitué, depois de uma prova, nada melhor do que recordar os bons momentos, aquelas imagens que valem sempre a pena e que nos fazem querer voltar a uma prova.

No fundo, é uma espécie de "alerta" para o que perderemos no ano seguinte, se não formos àquela prova.

Gostei muito de alguns reencontros, em especial, com a mui caríssima Lígia, que belos dedos de conversa sobre as suas gloriosas aventuras na maratona de Chicago. 

Além disso, claro, belas sessões de palheta intermináveis com muitos colegas da Venda, destacando aqui o André Santos, o João Nobre e o Sandro. Já merece uma tardada na conversa com este pessoal.

No fim, não deu para ficar no almoço, há outros valores que se levantam nesta fase, mas posso garantir que a "coisa" vale mesmo muito pelas belas conversas.

Por agora, sejamos parcos nas palavras e passemos tempo de qualidade a ver as belas imagens do passado domingo.

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21
Nov19

O melhor percurso 4 estações de sempre


João Silva

Que belo percurso e que bela forma de provar que é possível transformar um percurso "limitado" em algo mais abrangente, mais exigente e desafiante. 

Surpreendeu-me muito mais do que estaria à espera, até porque, sendo honesto, achava que o conhecia e não. Ou melhor: conhecia as estradas porque treino por lá, mas não o percurso naquela forma.

Extensível ao Sebal Pequeno mas também a Anobra e ao Casal da Légua, este percurso ganhou dureza por causa das subidas, que foram muito intensas: a primeira, na zona industrial da Venda, foi logo uma espécie de sneek peek para a última, já na ligação de Anobra a Palhagões. Foram durinhas, mas adorei. Deu-me novas ideias para treinos e ganhou um fã incondicional deste percurso.

Na verdade, toda a estruturação do percurso, desde logo, pelo aumento de 2 km face a 2018, fez da prova uma "mais-valia" para a promover junto de outras entidades. Sem dúvida, um chamariz. Pois recria em estrada uma espécie de trail urbano, um aspeto cada vez mais em voga para os amantes de corridas com maior grau de aventura.

Seja como for, o percurso de 2019 mereceu a minha total aprovação. Sua-se a sério e, mais uma vez, somos obrigados a uma bela superação. Muitos parabéns à organização e oxalá não mudem a configuração para 2020.

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20
Nov19

Bem organizados com uma ou outra observação


João Silva

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Como já conheço muito bem esta organização e, na verdade como já a analisei noutras provas, não há muito mais a dizer, porque, em abono da verdade, o padrão foi o mesmo, tirando um ou outro aspeto em que só agora reparei.

A continuidade, neste caso, foi uma boa conselheira. O percurso era novo e essa alteração foi previamente informada, bem como horas e locais de estacionamento, pelo que ninguém se deve poder queixar de falta de informação a esse nível. A propósito dessa mudança, os meus parabéns. Foi a melhor prova de sempre.

Assistência e abastecimentos devidamente identificados e também previamente comunicados na newsletter enviada, embora, sobretudo no final, estivesse à espera de uma oferta maior, até mesmo pelo padrão. No pavilhão, estavam laranjas cortadas em quartos, pequenas barras da Prozis às metades, garrafas de água e o que me pareceu ser isotónico.

Adorei a camisola escolhida, um tom azul escuro com uns traços laranjas mesmo a lembrar o outono e as cores da Venda da Luísa. Confesso que não gostei tanto do padrão estampado na camisola por ser demasiado simplista, mas até aqui não houve quaisquer alterações em relação às etapas anteriores.

No fim, a medalha que faltava para completar o circuito de 2019 e já lá vão três ciclos destas provas desde 2017, embora, a este propósito, reconheça sem problemas que não gosto dos efeitos das medalhas deste ano. As de 2018 eram muito mais bonitas.

Ficam apenas dois desabafos: percebo perfeitamente a estratégia comercial de se colocar o levantamento dos dorsais dentro da zona de vendas do Intermarché, mas confesso que um ambiente mais sossegado seria mais agradável.

Além disso, fiz questão de o referir no final da prova: o meu dorsal tinha o número 455 e o meu chip era o 454. Com outra organização, teria ficado desconfiado. Como ali me garantiram que estava tudo em conformidade, confiei plenamente, porque são boa gente.

18
Nov19

Sem vontade para participar mas com final muito feliz


João Silva

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Como tinha dito antes, esta era a última etapa do circuito 4 estações em 2019.
Uma prova remodelada com um percurso novo e uma distância também ela diferente.
A juntar a tudo isto, a possibilidade de rever bons velhos conhecidos destas andanças, como a minha cara Lígia, que teve um fantástico desempenho na maratona de Chicago em outubro passado, e os colegas de equipa.

Todos estes eram fatores que, seguramente, tinham tudo para motivar. Contudo, talvez por estar agora numa fase de maior introspeção fruto de todas as mudanças que vão ocorrer na minha vida em 2020 e de algumas considerações que prefiro guardar para mim, não estava mesmo nada motivado para fazer a prova. Para correr, sim, estou sempre, mas, não querendo ser rude, precisava daquele tempo para um treino a sós com a minha cabeça. Aliás, tanto assim foi que nem no próprio dia acordei com aquele bom feeling.

Além disso, uma constipação chata, fruto de treinos debaixo de belas cargas de água, também não ajudou mesmo nada a "set the mood".

É o que é e há dias assim.

Quanto à prova, estando a reiniciar um novo ciclo de treinos após a maratona, não tinha a mesma capacidade pré-maratona. Anyway, o meu corpo tinha-me reservado mais umas surpresas agradáveis.

Seja como for, os últimos treinos da semana já tinham dados boas indicações e sabia que não estava mal, mas que precisava de abanar o corpo em algumas fases para acabar bem.

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Na prova, não foi preciso dar estímulos adicionais para render.

Por causa das conversas paralelas após a foto de "família", não arranquei colocado onde queria ou gosto. Portanto, com as estradas estreitas, tive de tentar passar pelos pingos da chuva para me chegar a uma zona mais confortável.

Valha a verdade, o percurso foi bem mais duro do que esperava, mas adorei genuinamente. Comecei muito forte.

Durante meses, tive medo de arrancar forte e "morrer" rápido, mas os meus treinos ajudaram a dar-me confiança, mas também capacidade muscular e respiratória para ter um arranque sustentável.

Olhando para trás, estive "coerente" comigo nas três grandes subidas, sendo que foi mesmo aí que consegui ganhar mais vantagem e progressão.

A última subida foi a mais durinha, claro que custou um pouco, mas foi feita com a anca bem levantada e direita, com recurso a ziguezagues para aumentar a progressão e com uma boa cadência que depois utilizei a meu favor para descer rápido e forte: joelhos bem levantados e passada bem larga como nos treinos. Só faltou ter uma aterragem mais suave da planta do pé e isso custou-me um pouco, porque senti mais o alcatrão no corpo.

Seja como for e é isto que me deixa mais contente e feliz (muito mais do que o tempo): as minhas provas (qual reflexo dos meus treinos) têm sido muito consistentes, não tenho notado quebras e chego à meta com o corpo em forma, sem dar mostras de cansaço. Sinal de que estou a trabalhar bem e que as dores dos treinos depois se transformam em coisas boas nas provas. Modéstia à parte, sinto-me muito mais consciente da energia e da força do meu corpo.

Quanto a tempos, fiquei feliz: o meu relógio marcou 00:50:32, o que foi perfeitamente dentro das minhas projeções. Abre-me boas perspetivas para o campeonato distrital de Coimbra em março. Até lá, sofrer...e desfrutar.

Custou chegar aqui, mas custa mais não estragar o que foi feito.

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04
Nov19

O que é ser maratonista?


João Silva

 

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Começo com um cliché: só quem passa por elas é que sabe.

Agora mais a sério, é difícil explicar os sentimentos e acho que, antes de mais, ser um maratonista é sentir, mesmo quando o nosso corpo deixa de o fazer, mesmo quando já passámos para lá do inteligível.

Antes de mais, não acho que seja algo inacessável ao comum dos mortais, por outro lado, considero que nem todos estão dispostos a embarcar na viagem que é a preparação.

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Tudo se resume ao momento em que cruzamos aquela linha de meta, mas essa é tão somente a conclusão. É, precisamente, o fechar de um ciclo que teve de ser iniciado alguns meses antes e que assentou muito na disciplina, seja pela necessidade de meter quilómetros na perna, seja pela urgência em criar mecanismos de gestão, de antecipação das dificuldades e de defesa para fazer face às dores e ao sofrimento em que a corrida se transforma.

Meio a sério meio a brincar, diz-se que uma maratona começa a sério aos 30 km. Por tudo o que se passa naqueles "desgraçados" 12 km, diria que é mesmo assim, que uma viagem tranquila e agradável de 30 km se pode tornar, "de repente", num pesadelo físico e mental.

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A disciplina que o treino requer e que nos impede de fazer "desvios", a gestão para determinar ritmos, para fazer face aos nossos gastos energéticos e à ingestão de alimentos, o foco em não deixar fugir aquela ideia de que se vai conseguir superar o obstáculo, a imaginação e o jogo de cintura para se adaptar às vicissitudes da corrida, a responsabilidade de cumprir o compromisso, as competências técnicas para correr "bem" e para superar o cansaço, o sofrimento e força mental para suportar a violência da prova.

Todos estes são traços que, no meu entender, marcam a personalidade do maratonista, sendo que, além disso, são características que nos devem acompanhar na nossa vida "normal".

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Olhando para trás, não me vejo a ser outra coisa que não maratonista, porque consigo encontrar pontos comuns entre o João corredor e o João pessoa "normal".

Quem já fez a prova, e eu já tive a felicidade de fazer três oficiais e três em treinos, sabe que tudo se resume à superação. É impossível pensar que se faz com uma perna às costas, porque a dureza derrota-nos de imediato.

Respeito muito a distância, talvez até de mais, porque, de cada vez que a faço, é como se me transformasse, como se excedesse o João "normal" e fosse para lá de mim.

Não é fácil (nem lógico) considerar uma maratona uma zona de conforto. No entanto, é precisamente isso que sinto. Consegui transformar aquele sofrimento e aquela superação a que muitos só se querem submeter uma vez na vida em algo contínuo, num "evento" que marca o meu renascimento, que me mostra que é possível e não há impossíveis. Requer persistência? Sem dúvida. É exigente? Não consigo encontrar melhor forma de descrever a prova. Porém, apesar de tudo, é um desafio que não se resume a um dia, começa muito antes e acompanha-nos dia e noite durante meses a fio. Talvez por isso goste de fazer "apenas" uma a duas por ano, porque me permite esboçar um plano e fazer tudo para o cumprir.

No fim de contas, ser maratonista é ser meticuloso e metódico, sem nunca esquecer uma dose saudável de loucura para fazer acontecer. Por conseguinte, olhando para as pessoas por trás dos maratonistas, diria, não desfazendo de ninguém, que têm um atestado de competência, que revelam responsabilidade e capacidade para passar "além da dor" e para concretizar. Tudo isto, traços relevantes em qualquer sociedade.

 

 

13
Out19

Em Leiria para repetir o ano passado


João Silva

Mais de um mês depois, a prova seguinte. 

Como não podia deixar de ser, mais uma meia maratona.

Desta feita, de malas aviadas para a cidade do Lis, Leiria, uma terra que me diz muito, não só por ter "acolhido" o nascimento da minha esposa, mas também pelos familiares que lá se encontram e, claro está, pela beleza natural.

Daqui a uns minutos, novamente aquele calafrio bom e saudável de quem vai tentar fazer uma gracinha.

Farei a prova pela segunda vez, pelo que já tenho referências, embora tenha lido que o percurso iria ser um pouco diferente.

Em 2018, estava em "grande dinâmica" e numa excelente forma, algo que durou meses. Fiz 01h32m, o meu terceiro melhor resultado de sempre numa meia maratona.

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Este ano, depois da travessia do deserto, recuperei a boa forma, como já foi bem percetível no desempenho na prova de setembro. Além disso, o indicador mais importante, ou seja, os treinos, revela-me que tenho estado no bom caminho.

Sinto-me fresco fisicamente e tenho genuinamente o sentimento de que trabalhei muito bem desde junho para recuperar o que me fugiu em dezembro de 2018.

Posto isto e já com uma bagagem mais alargada de conhecimento técnico, vou à procura de fazer 1h30m. Ao contrário da eco meia maratona em Coimbra, esta vai ser mais "acidentada" e tem um maior desnível, mas acredito que, encarreirando bem num ritmo forte desde o início, sou capaz de chegar à marca que referi em cima. Não há que ter medo de tentar. Se não der para 1h30m, que dê para, pelo menos, igualar 1h35m de Coimbra. Não havendo hipótese de nenhuma das duas marcas, "lá" "terei" de tentar novamente, o que não é chato.

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O desafio será enfrentar bem aquilo a que chamo a "zona do deserto", que é quando saímos da cidade e ficamos em estrada nacional durante algum tempo, sem apoio do público (na mesma proporção) e com algumas dificuldades técnicas impostas pelo percurso.

No ano passado, consegui "forçar" companhia durante o percurso, o nos permitiu imprimir um ritmo bem forte. Vi um rapaz com um ritmo semelhante ao meu e perguntei-lhe declaradamente se queria "ir na roda" comigo. Foi por volta do quilómetro 13 e foi muito bom.

Em termos de técnica, vou tentar novamente o contrarrelógio, mas, desta feita, vou procurar dar uns esticões quando começar a perder a força com um jogo de Fartleks Watson.

E voilà, é isto. Agora é calçar as sapatilhas e ala que a multidão e a bela cidade de Leiria esperam por mim.

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