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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

29
Jun22

Mexer os braços com critério


João Silva

Os braços são muito importantes na corrida. E podem ser a chave para se melhorar um tempo, por exemplo, quando queremos quebrar o nosso recorde e faltam milésimas.

Uma boa postura dos braços e um movimento sincronizado e "limpo" dão toda uma nova segurança ao corpo.

Trago-vos um vídeo que vos ajuda a melhorar o movimento dos braços.

Eu testei efetivamente o que diz a atleta e notam-se grandes melhorias, porque a dinâmica de movimentos é muito maior e mais estável.

No caso, a atleta em causa vai desde os sprints às corridas de longa distância. 

Que vos ajude tanto quanto a mim.

08
Mai22

Sabiam que...


João Silva

...os braços são fundamentais na corrida?

Na cadeia de movimentos, os braços são importantíssimos. 

Embora muitos corredores não saiba o que fazer aos braços em movimento, este ajudam a estabilizar o corpo e a gerar uma maior dinâmica e fluidez de movimentos.

Não devem ficar parados enquantos as pernas se mexem, porque vão provocar rigidez e levam a ritmos mais lentos e a problemas na "mecânica da corrida". À conta de mais movimentos dos braços, os ombros é que sofrem.

Portanto, os braços devem ter um movimento suave e devem acompanhar a movimentação das pernas (braço esquerdo com perna direita e perna esquerda com braço direito.

O ideal é treinar o movimento no final de um treino ou num treino de baixa velocidade.

IMG_20190716_193340_162.jpg

 

 

10
Jan22

De esquerda, direita para direita, esquerda!


João Silva

IMG_20190612_075004_000.jpg

 

No último artigo falei do pé forte e do pé de apoio.

Para quem "estudou a lição", pergunto: sabiam que é possível mudar o pé forte da cadeia de movimento?

Para acelerar processos, respondo já: sim, é. Demora algum tempo porque é um processo de base do corpo.

Em maio do ano passado, o meu corpo apresentou-me a fatura por não ter parado ou abrandado algum tempo depois de ter corrido os 50 km. 

O presente foi incapacidade para correr bem, foram dores fortes no adutor esquerdo, pernas pesadas, dores na virilha esquerda. Tudo isto passava mais depressa se depois tivesse parado uns dias ou mesmo umas semanas. Houve treinos em que mal conseguia começar a corrida (por causa do lado do pé forte estar afetado). E percebi isto tudo alguns meses mais tarde e da pior forma possível.

Para quem não está muito dentro do assunto, além de correr com dores, numa hora e meia de corrida só consegui encaixar 13 km em vez dos normais 16/17 para aquela fase e em vez dos 18 km que costumo meter numa fase boa do meu corpo. Nada disto foi fácil de gerir.

Como fui o culpado por aquilo, tive de encontrar uma solução (se não tivesse sido, também teria de arranjar uma).

Comecei a arrancar com o pé direito. Os treinos passaram a ter o pé direito como pé forte. Naturalmente, ainda sentia dores, mas eram menores. Não melhorei significativamente a velocidade, mas dos 13 km em 1h30 passei para 14 ou 15 km no espaço de uma semana. Reduzi a carga nas sessões e trabalhei a parte do reforço.

A primeira vez que se muda de pé forte parece que se está num corpo estranho. Requer habituação e é preciso dar tempo para que o corpo se adapte. 

Mas é possível mudar a mecânica de movimentos, o que pode ser muito útil em provas longas para não massacrar muito um determinado lado.

Este processo arrastou-se até setembro e, curiosamente ou não, foi no lado direito que tive um bloqueio na banda iliotibial que me roubou o direito a participar na maratona do Porto. Isso revela que a ideia de mudar o pé de apoio até foi boa. Ao fim de uns dois meses os meus apoios iam alternando bem. Onde tudo ruiu foi na ausência de descanso e no "suplemento" de ter havido muito colo (ossos do ofício).

Seja como for, continuo a acreditar que é possível mudar algo tão estrutural. É preciso é ter calma e dar descanso ao corpo.

10
Ago21

Alongar para melhorar


João Silva

Postura, sempre ela, uma bela companheira de qualquer corredor.

Uma boa postura é a diferença entre correr sem problemas e andar de rastos com dores nas costas e nos quadris.

Por isso mesmo, hoje trago-vos uns exercícios de alongamentos muito simples e rápidos que vos vão deixar em forma e sem lesões.

 

Por aí, alguém já faz estes alongamentos? 

24
Mai21

Se não souber, escolha neutro


João Silva

Muito tenho falado em pés por esta altura, mas prometo que não é um fetiche.

É apenas uma forma de perceber o que pode afetar e influenciar uma das principais áreas da corrida. 

Dada a vasta escolha de calçado de corrida hoje em dia, é normal não saber o que escolher. 

Há sítios que permitem colocar o pé numa estrutura, deixando assim saber qual o tipo de passada. 

Aqui não há bom nem mau. Não há passadas melhores do que outras. Há biologia e fisionomia e a necessidade de termos algo que se adapte à nossa maneira de correr para melhorar o nosso conforto e a nossa forma de correr.

Posto isto, a passada é importante para perceber qual o local de maior carga do pé na hora de aterrar (segunda fase da cadeia cinética). 

Com o tempo e as pesquisas, percebi que a minha passada é supinada. Além desta, há também a neutra e a pronada.

Muito rapidamente, na passada supinada, a força do pé é feita pela parte externa (desgaste no lado de fora da sapatilha, no calcanhar, por exemplo). Na passada neutra, o pé apoia totalmente bem no chão e a força sai da zona do peito do pé. Já na passada pronada, o pé flete para dentro e a força sai da parte interna (desgaste na extremidade do arco e do calcanhar).

Em caso de dúvidas na hora das compras, devem optar sempre por uma sapatilha neutra. Apesar de conhecer a minha passada, é o que faço. 

Deixo-vos uma ilustração da página FUTfanatics que vos mostra do que falo.

Screenshot_20210224_104424.jpg

Se quiserem saber mais sobre o assunto, podem consultar aqui, por exemplo: 

https://www.institutotrata.com.br/tipos-de-pisada/

22
Mai21

Desengonçado!


João Silva

Muito recentemente, falei aqui do facto de ter tido os pés tortos quando comecei a andar, em bebé. 

IMG_20190709_091824.jpg

O tempo passou e a prática foi ajudando a melhorar esse problema. Na verdade, chegam-me relatos da situação, pois não tenho memória disso.

Pratiquei desporto em miúdo e em adolescente e nunca tive problemas diretos.

Os meus pés endireitaram. Vendo melhor agora e analisando o desgaste em todo o meu calçado e, agora, particularmente nas sapatilhas de corrida, chego à conclusão de que isso influenciou a minha forma de correr e de andar. 

Logicamente (qualquer podologista o confirmará), a minha postura também sofre. 

E talvez isso também explique alguma descoordenação em alguns momentos da corrida. 

No ano em que corri a minha primeira maratona, tive problemas nos tornozelos, não por lesões de corrida, mas porque o calcanhar inclinava mais para dentro em corridas mais rápidas e batia lá, descascando aquela zona do corpo. Ficaram umas feridas muito jeitosas.

Outro detalhe desta descoordenação inconsciente é a ligeira inclinação para dentro do joelho. Se não atentar ao que estou a fazer, é certo que me vou magoar.

No primeiro ano de corrida, quando ainda fazia alguns trails, caía muito. Muitas vezes por tropeçar (fraco leventamento do joelho) e algumas por não coordenar os meus movimentos. Talvez por isso prefira caminhar em serra e correr em estrada. 

Tudo isto são especulações, mas a verdade é que tenho hoje algumas marcas físicas que se podem explicar por esse tal problema na tenta infância. 

29
Nov20

Ao arrastão também lá chegas, mas...


João Silva

Esta é uma daquelas coisas que nos deviam ensinar quando começamos a correr: a postura.

A colocação da coluna ligeiramente inclinada para a frente como um todo e não apenas o peito, a cabeça a olhar em frente, os joelhos levantados ao nível da cintura a cada passada e os pés a aterrarem por inteiro no chão e não apenas com as pontas dos dedos.

Estes são fatores absolutamente imprescindíveis para se ter um desempenho de excelência.

Com o cansaço e o tempo de corrida, temos tendência a deixar cair a cabeça, a curvar o peito para a frente, a deixar cair os ombros e, aqui é que está o que procuro para este texto, os joelhos já não levantam. Começamos a arrastar os pés e, naturalmente, a passada fica mais curta, demoramos mais e geramos mais cansaço. 

Portanto, um dos grande trunfos da corrida está em ter os joelhos levantados ao nível da cintura. No início, parece pouco natural e podem achar que estão a fazer figuras estranhas, mas rapidamente verão resultados. 

No meu caso, procurei começar a tomar mais consciência do momento em que os joelhos deixam de levantar tanto. Com o treino e o tempo, as coisas começaram a melhorar e agora lembro-me sempre de levantar os joelhos quando já me estou a arrastar. Melhora muito a última fase da corrida. Nas maratonas, é uma enorme ajuda. 

Um dos exercícios para isso é levantar alternadamente os joelhos até ao peito (gradualmente conseguem chegar lá perto, importante é ser acima da cintura). Outro muito útil consiste em tocar com os calcanhares no rabo, pois também alarga a amplitude da nossa passada. 

Por fim, digo-vos ainda que esta é uma das grandes diferenças entre corredores africanos e europeus. Por norma, eles abrem mais a passada, dão menos passos, mas cobrem uma maior área. Observem um corredor africano e vejam onde vão parar os joelhos em cada movimento. É também isso que os ajuda a correr mais rápido. 

Já mesmo mesmo a terminar, deixo-vos com um vídeo que vos ajuda a perceber melhor o alargamento da passada pela subida dos joelhos. 

 

Moral da história: ao arrastão também lá chegas, mas... 

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