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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

27
Dez21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje dou-vos a conhecer mais um atleta.

Este vem do norte e é um homem que já trata as grandes distâncias da corrida por tu.

Conheço-o desde setembro de 2019, numa Eco meia maratona  de Coimbra.

Com a falta de vergonha do costume, fui pedir a alguns elementos da equipa do Boavista para tirarem uma foto comigo.

Este jovem fazia parte da mesma. Encontrei-o ao longe na maratona do ano de 2019.

Passei a admirá-lo pelo seu amor à corrida. Vejo nele a paixão do desporto que quero ter um dia, quando passar os 50 anos.

Tinha obrigatoriamente de ter o testemunho dele aqui.

Como faço com todos, pedi que me respondesse a umas questões. 

Em vez de o fazer de forma segmentada, este entrevistado criou um texto corrido onde se percebe claramente o lado humano a comandar o atleta.

Por isso mesmo, quero partilhar convosco o texto na sua versão natural, sem adaptações.

Fiquem, pois, com o estimado Baltazar Sousa.

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Pratico atletismo desde Julho de 1983. Atualmente, represento o SC Salgueiros como corredor e treinador. Não gosto de me intitular atleta para não desvirtuar a modalidade. Ser atleta é uma coisa, ser corredor é outra. Já fui atleta. 

A disciplina que desde jovem gostei mais foi o Corta Mato. Depois passei a gostar de correr maratonas. Em termos de espetáculo em campeonatos, gosto de ver a estafeta de 4 x 400 metros. 

Na minha idade (52 anos), a minha preferência é mesmo deteeminada pela força da circunstância (deixamos de ter fibras rápidas) as longas distâncias, mas adorava correr os 1500 m e os 3000 m em pista ao ar livre e pista coberta (mais até em pista coberta), também corri provas de 10.000 metros em pista e gostava. 

Sem contar com os momentos em que me encontro impossibilitado de treinar, em situação normal, ainda treino 7 dias por semana, num volume total entre os 90 a 120 km.

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Os treinos devem ser feitos regularmente, de forma planificada e supervisionada por um treinador. Só assim o praticante poderá ver a sua dedicação recompensada nos resultados nas provas, até mesmo na prevenção de lesões e da própria saúde, isto porque os dias de descanso também devem ser aplicados na planificação do treino. 

Não gosto muito de fazer comparações entre os atletas antigos ou o atletismo de antigamente e o de hoje. Entendo que nos devemos concentrar em ver o que se passa hoje, respeitar quem não viveu no passado e vive a sua própria história. As circunstâncias são diferentes, é certo. O atletismo, os atletas e treinadores de antigamente foram os pioneiros na conquista do impensável, foram os que desbravaram caminhos. 

Não devemos pensar que se ganha uma medalha olímpica ou se bate um record nacional a qualquer hora...

Uma história da minha vida um tanto ou quanto insólita, isto no conjunto de imensas histórias, foi a primeira maratona do Porto em outubro de 2004: passava eu aos 30 km, numa fase muito complicada, ia em 7.º lugar e era o primeiro português a passar, os africanos já tinham passado há uns bons minutos à minha frente (claro) a zona ribeirinha e, enquanto os pescadores pescavam de anzol e lesca,  escuto um deles a " incentivar-me". Diz ele: "olha, os africanos já passaram há meia hora, vai mas é ali à tasca comer uma posta de bacalhau e beber um copo!"

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Penso que o atletismo daqui a cinco anos estará muito melhor. Acredito que alguns jovens irão evoluir e até mesmo o pelotão irá melhorar em termos de performance, isto porque vejo muitos runners a procurarem apoio para treinarem melhor, como tem acontecido desde que o SC Salgueiros, pela mão do seu Presidente Gil Almeida, abriu portas a todos os amantes da modalidade, estando neste momento a acompanhar diariamente cerca de 60 corredores de estrada e mesmo de pista, com várias idades.

O prof. António Ascensão é o nosso diretor técnico, contando comigo e com o Manuel Azevedo no cumprimento das nossas tarefas e objetivos para o clube e, inerentemente, para a modalidade.

Já corri cerca de 160 meias maratonas e 25 maratonas, mas a minha prova mais longa foi esta última Maratona do Porto, realizada no dia 07/11. De facto, foi a mais longa, porque demorei 4:27.

Foram mais 2h07 do que a minha melhor marca. Corri de uma foma controlada, isto por estar a recuperar de uma lesão. Nunca até então corri quase a passo (em alguns momentos fui mesmo a passo, só queria sentir a alegria do que é a festa da chegada na minha Maratona de eleição - a do Porto). Aproveito desde já para felicitar a empresa organizadora do evento, a Runporto.

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Após este longo período de proibição de organização de provas, brindou os "seus" maratonistas de todo o mundo com este êxito, que já o é desde 2004. Cumpriram todas as restrições impostas pela DGS, que todos nós, os participantes, também cumprimos.

Não tive nem tenho problema algum em divulgar esta entidade, até porque fez de mim alguém mais resistente ou persistente.   

 

26
Ago21

Vamos lá a isso?


João Silva

O ano não tem corrido bem. Não esperava um ano louco de retoma, mas confesso que não perspetivava tanta incerteza ainda nesta fase.

Já estou vacinado há algum tempo e desde então que me começou a morder o bichinho da competição. De tal forma que penso seriamente em fazer a maratona do Porto. Na verdade, já estou a trabalhar para isso desde a segunda metade de junho, sempre sem saber quando seria vacinado e se teria coragem para estar presente nessa multidão. Porque, na verdade, aqui é que está o meu problema, conseguir sentir-me bem e seguro no meio de tanta gente.

A organização ainda não informou se haverá lugar a cancelamento, pelo que, face ao atual ponto de desconfinamento, tudo se encaminha para a realização da prova. 

Sem saber se terei capacidade mental para enfrentar este receio de multidões (que, normalmente, não cumprem regras), continuo a treinar com a secreta certeza (muito duvidosa, de facto) de que lá estarei.

Se não for, será uma enorme pena e fica a frustração de um ano que podia ter nessa prova o ponto alto, mas pronto. A saúde e a segurança da minha pessoa e dos meus estão acima de tudo.

Muitos poderão achar um exagero, eu chamo-lhe precaução e algum medo, confesso.

Neste momento, a cabeça manda ter prudência quanto às expectativas, mas o coração acredita que vai lá estar.

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12
Nov19

O que mudou de novembro de 2018 para novembro de 2019


João Silva

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No fundo, o meu propósito com este texto não é tanto falar no mês de novembro em 2018 e em 2019 mas sim no processo de treinos e do longão de 42 km que antecederam as maratonas no Porto.

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Foto: treino de 42,250 km em 2018

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Foto: treino de 42,250 km em 2019

Desde logo, olhando para as imagens dos treinos em causa (acima), é curioso perceber que calharam na mesma semana de setembro e, na verdade, os motivos foram semelhantes: depois desta semana, começava a ser muito complicado ter um treino tão longo e duro porque iria retirar frescura para os treinos e para as provas em si.

Em 2018, tentei fazê-lo em agosto, mas o excesso de calor dificultou tudo e, curiosamente, um ou dois meses antes, tinha sofrido alguns contratempos nos treinos longos superiores a 30 km. No dia 15 de setembro, lembro-me que fiz o treino com um tempo muito fresco e um nevoeiro cerrado e bem cedo pela manhã. Além disso, fruto das dificuldades e das dúvidas que começava a sentir, tracei um percurso em circuito, com três voltas ao mesmo, o que acabou por ajudar bastante no tempo alcançado. Ainda outro aspeto interessante: durante aquele ano andei com "paninhos quentes" e geri treinos e afins, procurando andar mais "poupado".

Este ano, talvez pelas contrariedades dos primeiros seis meses do ano, o conhecimento é muito mais denso: de mim, das minhas capacidades, dos meus limites, das necessidades de abastecimento e das especificidades de abastecimento. Quando fiz este treino a 13 de setembro agora em 2019, já andava a carregar muito, com um acumulado de 403 km em julho e um de 470 km em agosto. Estava bem "oleado" e na semana do treino fiz uma sessão de técnicas de corrida. A diferença em termos de tempo, deveu-se sobretudo às maiores dificuldades do percurso, que não foi em circuito. E, pior no meio disto tudo, enfrentei temperaturas na ordem dos 30 graus. Foi complicado, mas senti que dominei bem e fiz o que procurava: acabar mais um treino de 42 km.

Isso é crucial para mim, no sentido em que ajuda a ter uma noção exata do meu corpo. Por ter querido fazer tudo muito rápido e a um ritmo muito elevado em julho e agosto, "falhei" duas oportunidades "inventadas" (decidi à última hora que ia tentar os 42 km nesses treinos) e senti que a minha cabeça estava a começar a criar um problema e uma dúvida que não existia.

No fim de contas, consegui tempos muito próximos e, tenho percebido isso com o tempo, em princípio, dará para tirar cerca de dez a quinze minutos ao tempo de treino no dia da prova.

Apesar das semelhanças, os processos foram diferentes e, sinceramente, achei que melhorei muito em 2019, não deixando, contudo, de registar que, tal como neste ano, também no ano passado atravessei um período inicial de muitas dúvidas e dificuldades.

 

09
Nov19

Um dia tão especial quanto longo


João Silva

Não consigo partilhar convosco todas as emoções que tive nesta maratona. Dentro do possível, vou procurar recriar uma parte dessa euforia com fotos. Digo-vos que seria difícil pedir melhor. Fico grato pelas pessoas que encontrei e pelas boas conversas que tive com velhos amigos destas andanças. Fica um certo "amargo" por não ter contado com a presença da minha querida Diana, mas outros valores se levantaram. Foi mais importante ter repouso e fica para outras alturas.

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08
Nov19

Empedrado para dar e vender e a ilusão de que é simples


João Silva

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O percurso não mudou. Aliás, acho que não muda e foi curioso perceber, antes da prova, que, afinal, não me lembrava de tudo. Ainda bem, porque assim não deu tempo para grandes projeções.

Parece um percurso linear, mas tem algumas "armadilhas" espalhadas. A primeira está logo relacionada com o facto de se correr num espaço com tanta gente.

A segunda está nas viragens em determinadas alturas do percurso.

A terceira prende-se com falsas retas na zona de Matosinhos, na saída da Ribeira e na falsa reta final, composta por 3/4 km e com uma subida algo dura no final.

A maior dificuldade de todas residiu no empedrado. Sentir a calçada toda debaixo dos pés em Gaia e na zona seguinte à ribeira é muito complicado e só isso justifica que tantos corredores se afastassem da zona central da estrada.

Por tudo isto, ainda assim, recomendo claramente esta prova.

O Porto tem um encanto diferente e correr com pessoas a berrar o nosso nome é indescritível.
Leva-nos em pontas.
Fiz questão de agradecer a cada pessoa que me incentivou. Foi o mínimo que pude fazer para retribuir tudo o que me deram.

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07
Nov19

Organização praticamente imaculada


João Silva

Não admira, não andam nisto há dois dias e têm uma dimensão internacional que não lhes dá grande margem de manobra para falhar.
Houve algumas críticas ao facto de não ser possível levantar dorsais no dia, mas já imaginaram isso numa prova com, pelo menos, 15 mil pessoas? Podia dar confusão.

Logisticamente, é complicado para quem não vive no Porto, mas, neste capítulo, gostaria de deixar uma sugestão: poderem enviar dorsais e kits pelos CTT a troco de um dado valor, sendo que, dada a dimensão da prova, podia ser acordado um valor simpático. Claro, com um período limitado.

De resto, tudo em conformidade: muito apoio "contratado" com música e animação nas ruas, bons abastecimentos e devidamente espalhados a cada 5 km a partir de determinada altura. Esponjas, isotónicos e fruta em boas quantidades. Tirando meia banana no fim, não usei mais nada dos restantes mencionados, mas foi muito importante para outros atletas.

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Medalha espetacular, camisola inicial mais bonita que a do ano passado e a de finisher também era jeitosa, de mangas compridas, embora o material não pareça tão bom quanto o do ano passado.

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No fim, a nota é claramente positiva e só tenho pena de não ter conseguido visitar a feira antes da prova. Graças ao Nelson, que lá foi, ainda tive direito a umas belas meias da Joma.

Nota ainda para as melhorias que fizeram na zona dos bengaleiros e no circuito final da entrega das medalhas, mas o facto de não ter chovido também ajudou.

 

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06
Nov19

O Porto foi mágico para mim


João Silva

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O Porto não me desilude e este ano até me deixou ser mais feliz do que no ano anterior.
Antes da maratona desta semana, vinha com ideias de fazer 3h30, ou seja, menos 3 minutos do que em 2018.

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E sabem que mais? Saí do Porto com um novo recorde pessoal em maratonas: terminei a prova com 3h21m22s!!!!!!!

Caramba. Nem em sonhos podia pedir isso!!!

Nem me atrevo a ir ao cliché do sacrifício, do tempo investido, da dedicação, e da recompensa de tudo isso. Está implícito!!!!

Em termos de gestão, foi francamente perfeita.

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Comecei encaixado no setor das 3h30 e aí achei que ia num bom ritmo. Canelite esquerda e ancas a quererem interferir, mas nada disso foi impeditivo.

Depois disso, com o passar do tempo, sempre fresco, cheguei-me ao grupo das 3h15.

Estava endiabrado, o "gajo".

Confesso que tive medo de depois pagar a fatura mais tarde: numa maratona com 12,800 km ao fim de 56 minutos? Sacana.

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Mas correu tudo bem. A minha preocupação foi sempre não esticar demasiado para não sofrer no fim.

Perto dos 27 km, houve uma fase de ligeira quebra, o único momento em que senti que podia ter alguns problemas. Fechei os olhos, lembrei-me do que de melhor tenho na minha vida, deixei sair as lágrimas certas e ganhei ânimo.

A partir dos 30 km, em nova viragem, comecei a sentir a sério que conseguiria um tempo excelente.

Os incentivos destas pessoas, também elas "puxadas" por mim, levaram-me em pontas até à meta.

Houve tempo para gritar como mandam as regras e para deixar sair tudo.

Nota para os timings perfeitos de abastecimentos sólidos: a cada hora até às 2h e depois um às 2h30. Mais tarde, "atrevi-me" a meia banana aos 41 km para dar aquele puxão final. Os líquidos foram sempre ingeridos a uma média de 15 minutos. Abençoada mochila oferecida pelos cunhados.

Foi mágico, não consigo pôr de outra maneira.

Mais um dia em que senti amadurecimento na pele. Mais um dia de crescimento. Mais um dia feliz.
Palavra final para os meus colegas da Venda e os outros, também eles, "especiais".

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Começando pela Venda: a Vera e o Nelson estrearam-se nestas andanças. Muitos parabéns. Sem desprimor do Nelson, que esteve excelente face ao pouco volume de treino, a Vera voou e cavalgou praticamente até aos 34 ou 35 km. Depois teve uma ligeira quebra, mas acabou com um fantástico tempo de 3h27m. A Sara, mais uma vez, fez uma excelente prova, embora tenha acabado com dores. Diz que não faz mais nenhuma, mas acho que vai fazer de certeza.

Uma palavra de força e incentivo para o meu bom amigo Ricardo, com quem parti e que prometia muito, estava numa forma brutal, mas não passou bem e terminou em dificuldades.

Encontrei o bravo João Lima antes da prova. Estava muito nervoso, mas vi-o durante a prova e estava rijo como mandam as regras. Um prazer vê-lo.

Tempo ainda para um grande abraço ao Fábio Fernandes e uma menção de "saudade" em relação ao meu caro José Carlos. Foi tão bom receber a chamada dele. Caramba, senti tanto a falta dele que o confundi com outra pessoa na prova.

 

05
Nov19

Porque todo o durante tem um antes


João Silva

 

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Antes de vos "presentear" com a minha análise do percurso, decidi partilhar uma espécie de sinopse da viagem.

Só falarei nos tempos e no desempenho nos próximos dias.

O que fazia uma data de malucos junto ao cemitério de Taveiro às 06 da manhã?
Tão simples como isto: preparava-se para arrancar rumo ao Porto.

É sempre uma aventura e uma certa incerteza, que belo paradoxo, ir no próprio dia, mas a logística destas coisas é sempre complicada.
Seja como for, depois de uma semana em que o nervosismo esteve a brincar às eecondidas comigo, aparecendo a espaços sob a forma de irritabilidades, consegui descansar bem.

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Quando me deitei, estava tão cansado que nem sofri de ansiedade. Não acordei durante a noite e dormi muito bem. Levantei-me com a vontade de fazer "magia", o que é sempre um excelente indício.

 

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Este ano, pela primeira vez, sem a companhia da minha esposa e técnica, o sabor ao deixar a casa foi diferente. Por outro lado, temos um projeto em mãos, o maior das nossas vidas, que vai durar mais 7 meses a ganhar pernas, pelo que era mais seguro ela ficar no sossego.

Retomando a prova propriamente dita, esperava-nos uma manhã de chuva abundante. E de vento "sempre apetitoso".

Chegámos bem e com tempo, como eu gosto, para poder aquecer em condições e num local recatado.

Por sorte, ficámos exatamente no mesmo local do ano anterior, desta feita, com direito a estacionamento privado con WC improvisado.

Ele há sortes e coincidências que deixam antever coisas boas. 

E estas deixaram mesmo.

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03
Nov19

A prova, the one and only


João Silva

A 04 de novembro de 2018, o desfecho foi maravilhoso, como se pode ver por estas duas fotos abaixo:

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Um dia de chuva copiosa em que tudo foi perfeito. Alinhou-se tudo e ainda me lembro que parecia uma criança, em parte assustada, quando me vi no meio de tanta gente com a minha loucura. Apesar de ter sido apenas a primeira edição, a maratona de Aveiro, realizada em abril de 2019, em nada se pode comparar com a dimensão internacional que a maratona do Porto tem.

Aliás, para cada zona que se olhe, na Invicta respira-se apoio incondicional, alegria e um povo que nos leva em bicos dos pés até à meta. E, além de tudo isto, estas duas maratonas que já fazem parte do meu currículo não podiam ter apresentado climas mais distintos: chuva no Porto, calor tórrido em Aveiro.

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O meu momento de forma em novembro era muito superior àquele com que me apresentei em Aveiro. No entanto, não se trata de comparar, porque não há forma justa de o fazer.

Trata-se, ao invés, de afirmar que os meus objetivos para o dia de hoje são, em primeiro lugar, terminar bem de saúde (vivo, como costumo dizer). Por muito "pobre" que seja, trata-se de um objetivo relevante, tal é a dureza de uma prova deste género.

Numa segunda fase, conquistado o primeiro objetivo, irei à procura de fazer menos de 03h33m37s, tempo com que terminei no ano passado. O meu propósito passa por colocar o cronómetro abaixo das 03h30.

Em termos de treinos, sei que fiz mais sesões técmicas este ano do que no ano passado e também tenho noção de que os meus conhecimentos aumentaram, mas isso não me garante nada e tudo se vai resumir à capacidade que terei para não me empolgar com o que fiz nos treinos. Porquê? Porque essa adrenalina e excitação iniciais acabam por se pagar muito caro numa fase mais adiantada do trajeto. Ainda me lembro do medo que senti ao ver pessoas a cair e já nas bermas a receber assistência depois dos 30 km. Modéstia à parte e sem saber o que esses atletas (não) fizeram em termos de preparação, sei que tomo muitos cuidados e que me defendo bem, mas isso pode não chegar.

Igualmente importante é abastecer bem e não esquecer o lado sólido que tantos "problemas" me causou nos treinos de longões.

Por fim e muito mais fundamental do que tudo isto, oxalá volte a viver uma simbiose perfeita com a multidão, Sou um "animal" social e adoro sentir o calor e os incentivos das pessoas. Preciso disso como de água para não desidratar durante uma corrida. O público do Porto é maravilhoso.

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