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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

21
Mai20

A falta que faz


João Silva

11 de março foi o último dia em que corri ao ar livre. Mais de dois meses e já nem sei o que é pôr os pés no asfalto e voar sem destino por tempo ilimitado. 

Não sou diferente de ninguém, nem sequer me estou a queixar por ter tido de ficar em casa, numa primeira fase, devido à situação de quarentena. Chama-se respeito pela minha vida e pela dos outros, ao contrário de muitos que escolheram continuar como se nada fosse. Negacionistas, I say. Ainda assim, aos poucos, as coisas estão a encarreirar e todos estão a a criar uma nova realidade.

Depois da mudança forçada de metodologia de treinos, sendo curioso o facto de ter começado a treinar ainda mais no tempo em que estive sempre em confinamento, entrei numa limitação diferente. No fundo, era aquela com que já contava desde agosto de 2010: a paternidade.

Agravada pela situação pandémica que vivemos, a saudade e a falta cresceram.

Mas saudade e falta de quê?

Daquilo que se tornou o meu ponto de equilíbrio nos últimos três anos e meio (celebrados há dois dias).

De sair de casa com as sapatilhas calçadas e de sentir o fresco e o quente no corpo. 

De subir a primeira "ladeira" de Condeixa.

De passar junto à escola e ao estádio e de praguejar com tanto carro a passar. 

De ouvir os apitos de conhecidos l. 

De dizer olá ao senhor que passeava o cão todos os dias e que já me conhecia há mais de 3 anos. 

De seguir para Alcabideque e de passar pelo velhinho pastor alemão que guardava um terreno. 

De cruzar o Bom Velho de Cima a arfar e de descer pelo lado oposto, no IC3 rumo a Condeixa.

De subir pela Casa telhada, sem viv'alma por perto, e de ver a raposa ao longe a fugir.

De sentir o ar puro da estrada de Alcabideque.

De subir ao Casal da Légua depois de ter descido pela Venda. 

De tudo isso sinto uma falta de "morte".

Enquanto pude, treinei o mais que deu, portanto, nem sequer é um lamento. Fui um privilegiado em relação a muitos e não descuro isso. 

Porém, constato uma falta que sinto: correr.  Faz-me mesmo muita falta.

IMG_20191212_082903.jpg

 

13
Jan20

O percurso quer-se duro


João Silva

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Esta afirmação pode vir a morder-me é pela boca morre o peixe. É sempre a mesma coisa.
Ainda assim, assumo destemido esse lema e digo-vos claramente que não me apraz mesmo nada fazer provas com percursos totalmente planos, o que, supostamente, redundar num maior nível de facilidade.
Frequentemente, isso é feito para facilitar a conquista de tempos e para chamar um maior número de pessoas.
Percebo mas não concordo.
Uma das provas mais duras que fiz foi a da Venda da Luísa em novembro de 2019 e adorei-a precisamente pelas dificuldades.
A maratona de Aveiro também foi um bom exemplo disso.
Ou mesmo a São Silvestre de Coimbra.
São as dificuldades que nos fazem chegar mais longe e é um pouco a teoria de passar o Cabo das Tormentas para depois ser feliz.
A questão é polémica, mas gostava de saber o que acham. Até mesmo porque a questão de provas planas pode ser uma falsa questao: experimentem correr 2 km seguidos em zona totalmente reta e depois digam-me se é fácil. Ainda assim, prefiro irregularidades no percurso.

Dureza, portanto.

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