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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

03
Jun22

A dificuldade em pedir e em aceitar ajuda


João Silva

O tema é sensível e nem sei como é mesmo convosco.

Como pessoa, por norma, peço ajuda quando preciso.

Ainda assim, a questão não é muito linear. Em muitos domínios da minha vida.

Consigo perceber com alguma facilidade que não consigo fazer tudo sozinho em muitas áreas. Até aqui, ótimo. O problema é que, nessas fases, nem sempre verbalizo a necessidade de auxílio e acabo por sofrer e por ser abalroado pela complexidade das tarefas.

Foi, sobretudo, quando me tornei pai que percebi que tenho dificuldade em aceitar ajuda nos momentos certos.

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Resmungo muito e estou sempre a reclamar falta de ajuda (muitas vezes não é justificado). Porém, quando alguém oferece mesmo os seus préstimos, eu entro em curto-circuito e não sei o que fazer. Dá a sensação de que quero é chamar a atenção para o facto de estar a ser sobrecarregado.

Essa foi uma grande lição dos últimos anos.

Volto a dizer, não sei como é convosco, mas é importante não levar o nosso individualismo ao extremo. Gosto de fazer e de tomar a iniciativa. Mas, algumas vezes, é de mais. Só nos faz mal.

Se é assim na vida, também o deve ser na atividade desportiva. Mesmo que alguém vos pareça inacessível, devem pedir conselhos, por exemplo, relativamente a exercícios ou a técnicas.

Pedir ajuda é fundamental, mas saber aceitar ajuda não é um dado adquirido!

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22
Mai22

A criança ainda brinca


João Silva

Longe vai a ideia de que um pai (mais do que as mães neste ponto) só tem de assegurar a sobrevivência da sua família. Têm os dois, ponto final.

Ser pai (e mãe também) implica educar e dar amor. E as duas "funções" são inteiramente compatíveis.

Uma das formas de amor é brincar com eles, dar a nossa presença. Sinto isso tantas vezes com o Mateus. Ocupo-me dele, mas, quando tenho de entregar algum projeto com maior brevidade, ele não descansa enquanto não vou ter com ele. Quer brincar. E se comigo é assim, imaginem como é quando é a mãe a ter projetos e a não poder estar mais diretamente!

Sim, eu brinco. Eu faço figuras tontas. Eu sou pai. Coloco-me sempre ao nível dele (eu e a mãe). É um igual a nós, só que mais pequenino. 

Acho que ele adora brincar comigo. Eu sei que há poucas coisas na vida que me deixam tão feliz.

Há uns tempos, o Pedro Ribeiro da Comercial dizia que adorava sentir-se criança quando brincava com os filhos.

É, de facto, uma bênção! Não trocava uma brincadeira com o meu filho pela melhor maratona do mundo (não é necessário chegar a tanto, é possível conciliar, mas é para se perceber que adoro brincar com ele).

E quando brincamos, eu saio da pele de adulto e sou feliz na minha forma mais pura. Não escondo qualquer desejo de voltar à minha infância. Teve liberdade mas também teve muitas dores que não provoquei e, mesmo assim, teimaram em aparecer.

Quando brinco com o Mateus, deixo brincar quem está dentro de mim.

E mesmo quando a brincadeira acaba, acabo o dia com esperança de poder ter tempo para voltar a brincar com ele no dia seguinte.

Ser pai não é brincar a toda a hora, mas é mostrar ao nosso filho que também nós temos uma criança que precisa de ser "alimentada". 

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Não sou um amigo. Sou amigo. É diferente. Para mim, 

20
Mai22

Bebé bailarino


João Silva

Dançar também é uma atividade desportiva.

O meu bebé que o diga.

O senhor Mateus adora dançar.

Na verdade, ele mistura a dança com o movimento de agachamentos. E fá-lo sempre que pomos música, quando ouve o seu livro de instrumentos musicais ou quando ouve e vê a máquina de lavar a roupa a trabalhar.

Será que inventou a dança agachada? Um novo desporto?

Além disso, ainda manda testos para o chão com o objetivo de dançar enquanto os ouve a tilintar.

Que desportos inventaram os vossos pequenitos?

 

10
Abr22

Uma questão de identidade


João Silva

Este é mais um tema ligado à paternidade.

Um bebê nasce e os pais morrem como seres individuais!

Vá lá, apesar de haver veracidade nisso, não é inteiramente assim. Porém, é óbvio que temos de sair de cena para dar prioridade a quem depende muito de nós.

Essa dependência mantém-se durante muito tempo, portanto, os primeiros anos de vida não dão grande margem para que os dois adultos do casal (apenas com um filho) tenham muito tempo para si.

Ainda assim, as coisas bem faladas e partilhadas pelo casal permitem que cada pessoa possa ter os seus bocadinhos. Possa perceber que ainda existe sem ser como pai ou mãe.

Isso é muito importante. É preciso comunicar muito em casal e transmitir a sua vontade.

É um pouco ao abrigo disso que acabo por conseguir treinar. Abdico de algumas horas de sono e procuro ainda que a Diana tenha tempo para si, às vezes, simplesmente para estar, para descansar.

Apesar de me custar abdicar da minha identidade, ser pai também me trouxe uma realidade que desconhecia: adoro ajudar um bebé a ganhar vida a cada dia que passa.

Adoro cuidar dele, mesmo nos dias em que me apetece gritar de desespero, em que quero "fugir" da dura realidade. Embora adore, não significa que não precise de saber quem é o João. Mas esse é um processo demorado. Lá está, mais uma maratona!

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27
Mar22

A comparação


João Silva

Poderia estar a falar da corrida, mas não. Este é mais um caso de paternidade, algo que também é importante e que também faz parte deste espaço.

Como já disse várias vezes, cresci num meio de violência doméstica. Naturalmente, é algo que nos ensombra e persegue.

E depois chega a hora em que sou eu o pai e em que tenho de ajudar a dar educação a um ser humano.

Há muita coisa que o meu pai faz ou diz com a qual não me identifico. Pura e simplesmente, vejo (muitas) coisas de maneira diferente.

Quando se cresce, procura-se seguir o que vemos em casa. Eu tive que lutar contra isso, porque o exemplo era francamente mau a vários níveis.

E depois surge a paternidade e somos obrigados a educar e a cuidar de alguém.

Felizmente, o Mateus não tem nem o meio nem o exemplo que eu tive em pequenito.

Mas também não é viável educar com base na comparação ao contrário. Não serve de nada e pode ser prejudicial fazer algo como "comigo foi assim, então vou fazer ao contrário". Até porque nem tudo o que foi feito foi errado. Há que reconhecê-lo: houve coisas que só agora consigo perceber e essas nada tiveram a ver com o tal ambiente. São as questões próprias da chegada de um filho a casa. Aqui é que está a dureza: ter de reviver o passado para educar de forma consciente no presente e sempre com um olho no futuro. 

Houve uma altura em que o pequeno João foi privado de falar com a avó materna. É algo impensável para o pai João. Não é essa a via, até porque o amor dos avós é necessário para construir uma personalidade forte, apoiada, consciente do seu valor. Porque os pais têm de estar ocupados a educar e nem sempre dão o mimo que só os avós vão conseguir revelar. Neste caso, sei que o Carlos é muito mais "apaixonado" como avô do que foi um pai. Mas isso é ótimo para o Mateus. E eu estou de bem com isso.

Temos sempre duas opções: podemos cortar abruptamente com o passado e não aproveitamos nada dele ou temos de o reviver para tirar algo benéfico de lá. Só que essa comparação traz dores. As dores do que se viveu! E depois das dores vêm os fantasmas e isso cria mais dores...

 

 

07
Mar22

Treino interrompido....


João Silva

Esta foi uma sensação que comecei a ter muito desde o nascimento do Mateus. (E que agora regressou mesmo em grande, quase ao nível do nascimento. Ele está a atravessar uma fase muito complicada que terá começado há um mês, quando decidimos abandonar a chupeta para dormir. Falarei nisso lá muito para a frente. Naturalmente, ainda está a tentar encontrar a melhor forma de regular o seu novo sono.)

O nascimento de um filhote marca o fim do controlo que temos da nossa vida. Arriscaria a dizer que, se os dois pais fizerem as coisas de forma equitativa, é mesmo isso. Já não mandamos. Fazemos as nossas coisas e os nossos hobbies quando e se os filhos deixarem.

Uma das piores sensações que tenho é quando o telefone toca a meio de um treino (quando este está a correr bem) e tenho de regressar logo a casa.

Até há bem pouco tempo, o Mateus adormecia ao meu colo. Agora isso mudou um pouco, mas quando tem noites complicadas e não dorme depois das 05 horas da manhã, recebo as chamadas da Diana.

Para que tudo fique bem claro, não me estou a queixar por isso. Faz-se o que é necessário e a prioridade da minha vida é o filho. Mas também mentiria se dissesse que gosto da sensação de treino interrompido.

No início, ficava com o dia estragado. Remoía naquilo, porque ficava com a sensação de ter falhado! O tempo ajuda a curar tudo e lá aceitei. É o que é. E não posso fazer nada.

Se tinha marcado um treino de uma hora e meia e só fiz trinta ou quarenta minutos, pelo menos ainda corri um pouco. Tento tirar o lado bom da situação.

E quando tenho de regressar a casa, se o corpo deixar, procuro tirar o máximo daqueles quilómetros.

E já tive grandes treinos assim!!!

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E também aprendi que o pouco representa muitas vezes muito, em termos de treino (e não só). Depende sempre do que fazemos com esse pouco.

05
Mar22

"Eu mexo..."


João Silva

Alguém daí conhece a seguinte "ladainha" para bebés?

"Eu mexo um dedo, digi digi. Eu mexo o outro, digi, digi. Eu mexo os dois, digi, digi!"

Cá em casa tem sido muito usada para embalar o Mateus e para o acalmar.

Nas noites duras, naquelas que vão para o top dos internos, não há corpo que chegue para dar sequência a está ladainha.

Normalmente, são órgãos ou elementos que tenhamos em duplicado no corpo.

À conta dessas noites muito mal dormidas, já fizemos toda uma enciclopédia.

Começa nos "dedos" e segue por aí fora: orelhas, olhos, pestanas, narinas, bochechas, braços, cúbitos, rádios, cotovelos, falanges, ancas, coxas, adutores, virilhas, isquiotibiais, joelhos, rótulas, tíbias, perónios, fémures, metatarsos, tornozelos, gastrocnoménios...

Por aí a lista também costuma ser (ou foi) assim tão longa em algumas noites?

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27
Fev22

Primeiro cuida-se, depois educa-se!


João Silva

Quando se tem um filho, passamos o tempo todo a levar com o sermão do "tens de o educar" ou "se lhe dás muito colo, depois manipula-te".

Dei e dou todo o colo que posso. Mesmo nas noites em que quase caí com ele de tão cansado ou naquelas em que duvidei dessa necessidade de colo. Mesmo quando foi difícil e senti que estava a ceder a esse pensamento manhoso da sociedade.

Quando se é pai ou mãe, a perspetiva muda. E, entre outras coisas, houve uma grande lição que aprendi: primeiro cuida-se.

Falar em educação num bebé de meses é absurdo. Na verdade, diria que no primeiro ano de vida isso não tem qualquer cabimento.

Um bebé quer as suas necessidades satisfeitas e precisa de muito amor e carinho, porque, e isso está comprovado, esse é um enorme fator potenciador do bom desenvolvimento físico e neuronal. 

E o colo faz parte desse cuidado, se bem que ainda hoje desconfio que ele está nos meus braços mas que sou eu quem está ao colo.

Durante muitos meses não serve de nada dizermos "não" ou "isso não". Eles não percebem o significado do não durante muito tempo, muito para lá do primeiro ano. É outro ponto comprovado em termos cognitivos.

Portanto, de tudo o que já aprendi em quase dois anos, diria que cuidamos primeiro e educamos depois, na fase em que surgem as primeiras traquinices e tentativas dos bebés.

Mesmo nessa altura, de nada serve dizer que não ou mesmo ralhar, embora todos o façamos (não me excluo de nada disto). Importa é redirecionar o comportamento deles. 

Agora, com todo o desgaste e cansaço da missão, se me perguntarem se é fácil, terei de ser honesto: não e nem sempre conseguimos redirecionar.

Há a tese de que, no primeiro ano, importa manter o bebé vivo. Isso requer cuidado. A educação nada tem a ver com isso, nesta situação.

 

15
Fev22

Um pai às voltas


João Silva

Regressamos ao tema da maternidade/paternidade.

O nascimento do Mateus há quase dois anos trouxe-me uma felicidade absoluta que nunca tinha conhecido nesta forma. 

No entanto, os primeiros meses foram de ajuste mental, tal como já disse neste espaço. 

Não pelo pequeno mas pela força das circunstâncias. Trocando por miúdos: a tarefa era dura e muito compexa. Na verdade, hoje não é menos exigente. Nada disso. A cada dia se torna muito mais desgastante. Quanto a isto, não há discussão.

As circunstâncias a que me refiro são o contexto que tive, eu próprio, como filho. Estes dois planos, aquele onde cresci e aquele em que ia fazer crescer o pequeno Mateus, trouxeram-me horas de desespero comigo próprio. 

E nós não conseguimos estar bem com os outros se não estivermos bem connosco.

Claramente foi algo pessoal. Em momento algum deixei de fazer, de procurar dar apoio à mãe e ao bebé. Porém, houve muitas horas de autossofrimento, de autodestruição. 

Demorei muito a perceber o valor e a utilidade que teria para os outros elementos desta família. O problema não veio deles, veio de um chorrilho de questões ligadas à minha infância e à minha realidade de crescimento.

Se juntarmos a isto todo o stress, o desespero de ter um bebé em casa e as infindáveis noites acordado, temos a combinação perfeita para dar transtorno. 

Antes de estabilizar a cabeça, andei a tentar matar fantasmas e acabei criar outros. 

Como sempre, a compreensão (nossa e de quem nos rodeia) e a aceitação tendem a aparecer com o tempo, esse agente mágico.

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02
Fev22

Vaidosices....


João Silva

Sou vaidoso. Admito e não tenho problemas.

E tenho um orgulho enorme por ter um filhote também ele vaidosão.

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Sim, o Mateus adora ver-se ao espelho, adora ver-se no vidro das janelas, não perde pitada quando a sua imagem surge no vidro da lareira ou no do forno. 

Aliás, pode estar a chorar que, assim que se vê ao espelho, começa logo a acalmar. 

Adora que lhe tiremos fotos, o que não é apreciado por todos os bebés. Assim que pegamos no telemóvel, pensa sempre que vem lá fotografia dele.

Mas é preciso um para reconhecer o outro, não é? Pois, culpado me confesso.

"Quem sai aos seus..."

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22
Jan22

Gestão de expectativas e de papéis


João Silva

Antes de voltar às corridas, venho falar de algo que acaba por estar ligado ao blogue.

Refiro-me à paternidade.

Pontualmente vou falando no assunto e, na verdade, é um tema muito importante e pertinente.

Este espaço é sobre deporto, mas tudo desde o nascimento do Mateus acaba por determinar os meus treinos, a sua duração, a sua complexidade. 

Além disso, é importante que os homens falem abertamente de vários aspetos ligados à paternidade.

Num futuro próximo, vou falar muito disso e vou partilhar o meu ponto de vista. Não serão textos seguidos, porque o tema é complexo, mas gostaria de vos ter por aqui.

Até agora todos sabem o que pensa uma mulher genericamente sobre a gravidez. Porém, poucos querem saber o que nós, pais, temos a dizer.

Começo por dizer o seguinte: sou contra a ideia de que os filhos são apenas das mães, ou melhor, que são um assunto exclusivo de mulheres. (Abordarei isso noutro post). Desde o início que penso assim e, felizmente, a minha esposa também.

Penso muito, de mais, sobre os assuntos que me interessam. Quando o Mateus nasceu, dei por mim a ter de reavaliar o meu lugar na família.

Sim, de dois passamos a três e isso muda tudo. É clichê mas é verdade.

Os primeiros momentos são muito duros. Para mim foram. Eu era o centro da Diana e ela o meu. Vivemos juntos  cerca de 11 anos antes de termos o Mateus.

Portanto, quando ele veio ao mundo, foi necessário perceber que deixei de ser protagonista. A prioridade mudou e a dedicação também.

Mais para a frente, percebi que depois tudo encarreira nos trilhos, mas, para isso, é importante que os adultos da relação não se percam. E é tão fácil. 

Custa mas é necessário que o pai dê um passo atrás, que opere em segundo plano. O papel não é menor e a lista de tarefas é bem grande, mas durante muito tempo não vai importar o que sentimos. E isso traz insegurança e medo. Sem que nos transmitam isso, muito pelo contrário, achamos que somos descartáveis (comigo foi assim). 

Nunca fui um pai ausente. Pode soar arrogante, mas mergulhei na vida do meu filho desde o início. Sei o tamanho da roupa, dou-lhe banho, tomo conta dele quase desde que me levanto até que me deito, preparo a sua comida. Não sou mais do que ninguém, mas faço-o. E essa era a minha expectativa, mesmo quando ainda não sabia que tomaria conta dele todos os dias meses a fio. Queria ser esse tipo de pai porque acredito claramente que o Mateus é o meu projeto de vida. Não o sabia antes de ele nascer.

Como sempre fomos um núcleo muito fechado e também devido à pandemia, os primeiros meses foram passados sem ajudas externas. Fomos só nós os três. A rir, a chorar, a celebrar, a sofrer. E aquilo que nos invade nos primeiros meses é tudo menos felicidade infinita. Lamento, mas não vendo esse tipo de sonhos. Continua a ser a melhor coisa do mundo, ser pai ou mãe, mas é o desafio supremo que enfrentamos como pessoas.

Abdicar do nosso eu não é fácil. É um processo. Demora muito tempo até aceitarmos que já não mandamos na nossa vida, que tudo muda de um momento para o outro e que temos de fazer tudo por um ser que chora dias a fio e que não nos deixa dormir.

Bem sei e reconheço isso, mais ainda depois de ter sido pai: as mulheres sofrem muito, uma pressão social absurda e têm de lutar contra muita coisa. Não se espera menos delas do que a criação de um ser humano. Mas isso não é nem têm de ser algo exclusivo delas. Deve e tem de ser partilhado pelo casal! Que lógica tem ser só um a abdicar de uma parte da sua vida quando estão os dois implicados na criação de um ser humano feito pelos dois?!

É por isso que detesto aquelas tretas de dizerem "o meu pai é um héroi" no dia do pai, por exemplo. Apesar de ser algo em mudança, são poucos os pais que se ocupam profundamente da vida dos filhos. Não há heróis. Há dedicação.

Mas, sendo justo, a fase inicial é muito dura de suportar, sobretudo, pela gestão de expectativas e porque estamos todos, os adultos da relação, a lidar com o nosso interior. Demora até conseguirmos perceber qual é mesmo o nosso papel no núcleo familiar. 

Pelas circunstâncias, nós, os pais, somos colocados um pouco à margem (da dedicação). Depois cabe a cada um escolher se fica nesse papel e se se afasta por completo ou se procura ser ativo e mostrar que está presente. Mesmo nos dias em que só lhe apetece desaparecer da face da terra...

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20
Jan22

Paranóia ou uma espécie de manual de sobrevivência


João Silva

Hoje saímos um pouco da parte desportiva. Quer dizer, na verdade, não. Porque isto que vos trago é uma espécie de manual sobrevivência para quando se tem um bebé a dormir.

Nunca se acorda um bebé adormecido. Este é o lema cá em casa desde o dia em que o Mateus nasceu. 

Quem é pai ou mãe sabe bem o quão difícil é adormecer um recém-nascido ou um bebé.

Por isso, livre-se aquele que acordar um rebento.

Sigo isto tão à letra que chego ao ponto de ficar paranóico.

Primeiro, saio de casa pouco depois das 05 horas da manhã para treinar. Ora, normalmente, o bebé está a dormir. Conclusão: rodo a chave com uma minúcia que nunca tive. Demoro dois minutos a abrir a porta (dois minutos é imenso num processo que demora segundos normalmente).

Saio de casa com o frontal ligado no mínimo para não ligar a luz do corredor.

A porta do WC range um pouco em algumas alturas do ano. A prática levou-me a perceber que tenho de empurrar um pouco antes de a puxar para não ranger.

Como se não bastasse, já sei que se chegar a determinada hora tenho de entrar rápido em casa porque é a hora de saída de uma das vizinhas e ela bate a porta com muita força.

Se ouço algum camião a apitar perto da nossa rua, fico doente a pensar que me acordaram o garoto. Da mesma forma, já sei que, quando adormece entre as 21 e as 21h30, o Mateus vai ouvir o barulho todo dos estoros dos vizinhos.

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Às vezes nem se mexeu, continua a descansar, mas eu fico numa inquietação que nem sabia ser possível.

O desgaste que isto cria!!! Sou apologista de que temos de nos adaptar aos bebés e aos seus ritmos. Foi isso que fizemos desde o início. E o desgaste que isso cria em algumas circunstâncias?!

E por aí também têm ou tiveram cuidados com os pequenos dorminhocls quando saem de casa para trabalhar ou treinar?

12
Jan22

O maestro é exigente!


João Silva

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Quando me tornei pai, também virei cantor. Faz parte. São as letras pequeninas no "contrato".

Ele não tem culpa que tenha voz de cana rachada (nem a mãe).

Ainda assim, também sabe que precisa de baladas depois do almoço para fazer uma sestinha sossegado.

Eu canto tudo. Aliás, aprendi muitas cantilenas infantis com a Diana desde abril de 2020.

Há uma espécie de playlist.

E assim é de facto ao ponto de ele resmungar comigo quando decido alterar a ordem das músicas. 

Por vezes, resmunga até conseguir que chegue à música que ele quer. Aquela que lhe traz os melhores sonhos.

Numa família materna de ligação à música, não me admirava nada que enveredasse pela atividade de maestro.

Também vos acontecem/aconteceram coisas assim?

 

01
Dez21

Como desativar uma bomba (metafórica)


João Silva

Os papás e as mamãs sabem bem o que isto é!

Falo da sensação de chegar de madrugada à cozinha com a luz apagada para não acordar o bebé e, de repente, ver um brinquedo com som ligado mesmo ao lado do nosso pé. 

Há um certo friozinho a percorrer o corpo. É o frio do medo. Do pânico!

E isso é pior (vezes dez), se forem desajeitados como eu e nunca acertarem com o desligar logo à primeira (nos botões de correr).

Há umas semanas, ia para começar mais um treino de força na cozinha (na fase de recuperação) e deparo-me com um telefone de brincar.

Respirei fundo, bem fundo e liguei a luz (do relógio!!!) e lá me baixei para desligar o bicho.

Consegui à primeira, mas temi pela vida.

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