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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

23
Nov22

Duram(o), Duram(o)


João Silva

Esta foi a minha estreia com umas Adidas.

Para uma explicação mais técnica, podem consultar aqui:

https://www.adidas.pt/sapatos-duramo-sl/FV8786.html

No meu parecer, estas sapatilhas são uma maravilha estética. Quase me sinto vaidoso com elas nos pés.

Os acabamentos são um sonho e o acolchoamento um mimo. 

IMG_20220921_051126.jpg

Fiquei imediatamente rendido. 

Foram, uma vez mais, uma sugestão da Diana, que lá teve um desconto que nos permitiu comprar as Duramo SL por 32€ em vez dos 60€ marcados.

Já fiz pequenas distâncias e trajetos muito longos.

Os meus pés não são a melhor referência, porque aquecem por natureza, mas senti um sobreaquecimento excessivo em distâncias grandes. 

Em trajetos menores, os pés ficam mais protegidos.

Outro ponto menos bom é o comprimento excessivo dos atacadores.

Tirando isso, estas Adidas são um verdadeiro brinquinho nos pés e acrescentam vaidade a qualquer corredor.

IMG_20220921_051142.jpg

 

20
Abr20

Há razões para tudo


João Silva

Acho que nunca aqui falei nisso, mas foi por um mero acaso.

Como tantas vezes, começamos a escrever ou a ter um espaço nosso por uma razão.

No caso, em abril de 2019, senti definitivamente a necessidade de sistematizar todos os pensamentos e conhecimentos que vou adquirindo neste mundo do desporto.

Sem falsas modéstias, acho que tenho muito para partilhar e desafiou-me a ideia de poder chegar a várias pessoas.

Começando neste prisma, tudo o que passei desde a redução de peso e a reeducação alimentar de 2016 constituíram o ponto de partida para chegar às pessoas. Porquê? Porque acredito que as histórias reais, sem pejos nem complexos, são muito importantes para fazer com que os outros sintam que é possível.

A nível pessoal, senti isso com a questão da violência doméstica a que assisti em miúdo e adolescente (e até mesmo na idade adulta, embora já me tenha afastado desse foco perturbador da minha vida). Na altura, tinha vergonha de partilhar, achava que estava sozinho e que ninguém me compreenderia. Pior: que me colocariam de parte.

Com o tempo, percebi que a palavra e as conversas sobre estes assuntos melindrosos me podiam ajudar e que não estava sozinho.

Com base em todas estas conclusões, juntei o útil ao agradável. Adoro escrever e tenho uma história real para mostrar que é possível chegar a determinado ponto sem desvios nem atalhos manhosos. Sim, posso ter muitos defeitos (e tenho), mas este corpo nunca viu substâncias químicas nem instrumentos cirúrgicos para emagrecer.

IMG_20170114_145256.jpg

E pronto, foram estes os princípios motrizes de tudo. 

Um ano passado, muito mudou e comecei a perceber que também poderia partilhar bom conhecimento ligado ao desporto. Experimentei várias modalidades, sempre com o propósito de evoluir como atleta.

Como acredito que a partilha de conhecimento é proveitosa e não me importo em ceder as minhas fontes, cá tenho este espaço. Espero que se mantenha em pé durante muito e bom tempo.

Bem sei que o pequeno Mateus precisará mais da minha atenção durante algum tempo (o resto da minha vida), mas isso não implicará a extinção deste canto.

14
Mar20

Opinião no feminino VII


João Silva

E por fim, trago-vos a reflexão da Sarin, certamente já do conhecimento da maioria que circula nestas andanças, à minha pergunta.

Fazia parte do núcleo duro das minhas escolhidas para esta ação. É uma mulher de opiniões fortes, mas, mais importante, de opiniões muito fundamentadas. Não deixa créditos por mãos alheias. 

É curioso que tropecei nos seus escritos a propósito do blogue em que expõe o seu lado familiar. Revi-me com aquele lado de partilha das peripécias da sua sobrinha. Mais tarde, quando passei para o blogue dos "adultos", foi aí que percebi o quão capaz é esta jovem.

Certamente que não é indiferente a ninguém, principalmente, porque não se nega a um bom debate fundamentado, mas sem fundamentalismos.

Fiquem, portanto, com esta bela reflexão:

De que forma o desporto me faz sentir uma mulher mais forte?

Não faz. Estive em pausa prolongada no desporto, uma pausa que se arrasta há demasiado tempo e não apenas por minha vontade.

Mas fez. Desde miúda envolvida em actividades desportivas e dança, demorei anos a perceber o efeito que o desporto tinha e continuou a ter em mim – não a percepção teórica do “mens sana in corpore sano” que nos vem dos gregos, mas a percepção sensorial dos quase inexistentes episódios agudos de doença, da agilidade mental no pós-desporto por descansar a mente enquanto cansava o corpo, da calma satisfação nascida na empatia dos treinos e dos jogos. O desporto fez-me mais forte porque me fez física e mentalmente mais saudável e robusta, sim, mas também porque me permitiu explorar vários níveis de entrega e resistência ao cansaço – a paragem no desporto reduziu a eficácia alcançada, mas alguns dos efeitos perduram. E, tendo sido praticante de desportos colectivos (especialmente basquetebol), o desporto demonstrou-me poder-se aniquilar o adversário sem deixar de o respeitar em campo e abraçar fora dele, o que foi extremamente importante na consolidação de valores que me foram incutidos. A força da teoria feita prática.  

E fará. Porque meditação é bom, mas há que desarticular o sedentarismo.

A pergunta exige uma segunda reflexão: o desporto far-me-ia sentir um homem mais forte, se homem fosse. Mas numa sociedade ainda tão presa a preconceitos como as mulheres não jogam futebol (apesar de muitas demonstrarem que jogam e jogam bem), é fundamental que uma mulher seja emocional e mentalmente tão forte quanto possível, pois que fazemos o que os homens fazem e fazemo-lo de saltos altos – mas os saltos altos afectam a coluna e toda a paciência é pouca perante a discriminação a que estamos sujeitas, alguma tão subtil ou tão inconsciente que passa despercebida.

13
Mar20

Opinião no feminino VI


João Silva

A convidada seguinte dá pelo nome de Helena. Conheço-a há muito pouco tempo, mas já deu para perceber que a tenra idade engana e que não foge de reflexões complexas como esta que lhe pedi a propósito do dia da mulher.

Recentemente, criou um blogue e podem acompanhá-la aqui.

Verão que se trata de uma pessoa com conteúdo.

Aliás, o texto que se segue é a prova das minhas palavras:

 

 

 

A minha relação com o desporto começa, obrigatoriamente, na escola. As aulas de Educação Física eram tão complicadas. Por pressão social, apercebi-me de que teria de perder peso, mas não queria suar, correr, esforçar-me. Aos 18 anos, decidi, por iniciativa própria, apostar em algo que me ocupasse algum tempo. É aqui que as coisas mudam.

Atualmente, é difícil ter tempo livre. Não há muitas coisas que eu faça por mim própria, mas o desporto é uma delas.

O desporto é para mim algo “casual”. Não me considero uma desportista, sequer. Ainda assim, retiro benefícios de praticar desporto, que fazem de mim uma mulher forte, a nível individual e coletivo.

A nível individual destaco a minha saúde. Durante a prática do desporto, as minhas preocupações dissipam-se, dando forma a apenas uma: eu própria. Pela minha saúde física e mental, interrompo a rotina diária “automática”, – o clássico trabalhar, comer e dormir, - para me dedicar a mim mesma. Naquela hora e meia, preocupo-me em respirar, em esticar os braços, em desaparecer do mundo e ser eu própria.

Já a nível coletivo, e fazendo a ligação para o tema deste texto, destaco o papel das mulheres, como grupo social, no desporto. Quando iniciei a minha “jornada desportiva”, por muitas vezes que ouvi dizer: “Isso não é desporto” ou “Isso é desporto de mulher.” Por oposição a quê? A “desportos de homem”? Ainda hoje não percebo tal distinção. Enquanto que as mulheres têm o papel de “mãe” e “esposa” para desempenhar, os homens são o sexo do desporto, da força, do suor. Esta ideologia é retrógrada e cada vez mais diverge da realidade.

O simples ato de interromper a minha rotina diária para fazer exercício já demonstra que tenho vontades dentro de mim. Disso não haja dúvidas. Pô-las em prática é o que me diz que faço o que quero, não o que as pressões sociais exigem de mim. Posso ter uma casa para limpar, uma pilha de pratos para lavar, mas se o meu namorado quer acabar o jogo antes de ir arrumar a loiça ou fazer a cama de lavado, porque é que eu não poderia despender do meu tempo para dedicá-lo a mim mesma?

Este estereótipo de que só os homens é que praticam desporto tem de ser anulado. A diferença que existe entre os homens e as mulheres na área do desporto era grande. Está a começar a desaparecer e isso, claro, assusta a população machista. Mulheres e homens podem partilhar a vontade e a prática do desporto. Não é por isso não ser reconhecido que se põe em causa a virilidade dos homens.

As mulheres são fortes. Cada uma sofre, chora em silêncio, luta muito. Todas essas coisas nos definem, ainda que sejam “fraquezas” aos olhos de metade da população mundial. Não podemos continuar a ser vistas como o “sexo fraco” no desporto, como aquelas que só praticam desporto para ter um corpo bonito e agradar aos homens, em vez de se agradarem a si próprias. Há que bater com o pé e, principalmente, fazer aquilo que queremos. Não há ninguém que nos possa dizer o que fazemos ou deixamos de fazer a não ser nós mesmas. Isso é o que importa. Isso é o que nos torna fortes.

 

Desde cedo que todos ouvimos a expressão “corres como uma menina” atirada da boca para fora como um insulto entre crianças. Mas as meninas também correm rápido.

 

Mudemos isto, Mulheres.

 

12
Mar20

Opinião no feminino V


João Silva

Já com o "barco" em maré alta, apresento-vos mais uma reflexão feminina sobre o papel do desporto no fortalecimento da mulher e do seu papel.

Hoje trago-vos a Alala, uma guerreira que tem a particularidade de ter sido a minha primeira seguidora nisto dos blogues. Podem acompanhar tudo o que tem para nos dizer aqui.

Claro está, empatia criada de imediato. A juntar ao seu lado mais revoltado e explosivo, traz-nos uma paixão muito grande pelo desporto, o que, está-se me mesmo a ver, é motivo mais do que suficiente para fazer parte do "clã" deste blogue.

Ora vamos lá seguir o que diz a Alala:

 

De que forma o desporto te faz sentir uma mulher mais forte?

O desporto é o meu aliado em muitas situações. É quase como aquele amigo que está sempre disponível para te ouvir e que te levanta a cabeça quando te sentes em baixo, é aquele que eu muitas vezes ofereço resistência mas que depois de ceder só me dá alegrias e sensações boas. Até o cansaço no corpo é uma sensação boa. Adoro a sensação de chegar a casa com o corpo todo dorido e não há nada melhor do que cair na cama sem pensar em nada porque libertei tudo, toda a minha energia ficou ali naquela atividade que optei por fazer. Seja a dança, uma simples caminhada ou até algum desporto de explosão que tanta falta me faz. Quando o corpo dói, o peito queima, a mente grita em silêncio que não consigo mais e tenho de parar, há algo que me faz continuar… Isso torna-me mais forte! Desafio-me a mim mesma a conhecer os meus limites. Ainda não descobri alguns limites mas a pouco e pouco o desporto também me vai trazendo respostas. O corpo fala mas a mente comanda. E o que a mente quer, o corpo cede. Bem, pelo menos comigo… o limite de cada um de nós não é algo que se conhece facilmente. Só sei o que sou capaz de fazer se conhecer os meus próprios limites. O desporto faz-me muita falta. É um momento em que estou comigo mesma e ponho as ideias em ordem, o momento em que ouço uma música que tem todo o significado para mim e que me faz correr com mais vontade e garra. Faz-me sentir que estou viva e em equilíbrio com o que me rodeia. O desporto traz também momentos de convívio e de aproximação entre as pessoas. E sim, sou uma mulher mais forte quando pratico desporto. O desporto devolve muito mais do que um corpo “Danone”. Mais importante do que isso, devolve a confiança, a segurança, a vontade de vencer, a paz, a alegria, a disposição, o entusiasmo, a saúde e a percepção de que estar vivo e sentir-se vivo é realmente importante! E é importante saber VIVER!

11
Mar20

Opinião no feminino IV


João Silva

Mais um dia e mais um texto escrito no feminino.

Desta feita, o espaço é todo da Luísa, sempre presente e bem ativa nos seus blogues. Podem vê-los aqui e aqui.

Nunca escondi a admiração que tenho pelo que a Luísa representa e não seria possível deixar passar esta ocasião sem perceber até que ponto o desporto é benéfico na sua evolução e afirmação como mulher. 

O texto dela em resposta ao meu repto versa assim:

 

A prática regular de desporto ou de uma atividade física nas crianças, jovens adultas e mulheres pré e pós-menopausa, assim como nas mulheres no envelhecimento, gera benefícios físicos, psíquicos e de integração social, além da redução de doenças crónico-degenerativas, como hipertensão, diabetes e obesidade.

Na infância e na adolescência, principalmente para as jovens, a prática de atividade física auxilia no desenvolvimento social e na autoestima, contribui para melhorar o perfil lípido e reduzir a prevalência da obesidade, além da prevenção do sedentarismo na idade adulta.

Na mulher adulta a prática da atividade física ajuda na melhoria da capacidade cardiorrespiratória e muscular, reduz o risco de doenças cardíacas e metabólicas, ajuda na manutenção do peso e menor risco de sintomas de depressão.

No envelhecimento e por altura da menopausa, a prática do exercício físico é um aliado para a prevenção das doenças músculo-esqueléticas - osteoporose, sarcopenia, que leva a risco de queda e consequente morbilidade e mortalidade, reduz o risco de morte por doenças cardíacas e metabólicas, ajuda na melhoria da função cognitiva e aumento da aptidão física e funcional, contribuindo, assim, para uma melhor habilidade na prática das atividades do dia-a-dia.

 

Atualmente o conceito de saúde e bem-estar está intimamente ligado à prática do desporto e de uma atividade física e é procurado cada vez mais pelas mulheres em qualquer idade, que cuidam mais de si, da sua imagem, dos seus interesses profissionais e sociais e procuram uma boa saúde física e mental."

10
Mar20

Opinião no feminino III


João Silva

Seguimos em velocidade de cruzeiro neste périplo pela opinião feminina neste espaço e hoje damos "voz" à MJP, uma leitora assídua deste canto e alguém que, sem me conhecer pessoalmente, já mostrou mais preocupação com o meu bem-estar do que muitos conhecidos.

Só lhe podia "encomendar" mais um belo texto.

Aqui fica:

 

Recebi (mais) um generoso convite do João para escrever no seu blogue, que me desafiava a reflectir sobre a seguinte questão:

“De que forma o desporto a faz sentir uma mulher mais forte?

O intuito é perceber de que forma o desporto pode ser um elemento agregador para valorizar e evidenciar o papel da mulher na sociedade atual.”

Ora bem, não sendo, eu, uma desportista e tão-somente uma entusiasta do desporto (sobretudo atletismo e ciclismo), enquanto espectadora, decidi aceitar tão amável convite e focar-me no papel que as caminhadas desempenham na minha Vida…

Gosto muito de caminhar, sobretudo, à beira-mar, embora não o faça com a regularidade que gostaria…

Também gosto de fazer longos passeios pelo campo…

O que ambos têm em comum (o Mar e o campo) é o facto de constituírem locais que me fazem “viajar ao sabor do pensamento”, proporcionando-me momentos de intenso prazer e profunda Liberdade enquanto caminho… 

De um ponto de vista mais abrangente, tendo por base o desporto de competição, diria que, lamentavelmente, ainda há uma enorme clivagem entre homens e mulheres que urge corrigir, nomeadamente, no que concerne aos prémios monetários, que são manifestamente inferiores no sector feminino, sendo transversal a qualquer desporto praticado. 

No entanto, considero que as mulheres desempenham um papel (muito) relevante no panorama desportivo, que deve ser valorizado e incentivado desde tenra idade, onde o desporto escolar deverá constituir um pilar primordial, desmistificando a ideia de que existem “desportos para meninos” e “desportos para meninas”.

O desporto deve ser inclusivo e agregador, não discriminando género, cor da pele ou qualquer outra diferença existente entre os seus intervenientes…

 

09
Mar20

A opinião no feminino II


João Silva

Hoje trago-vos um texto da estimada Nala, cujo blogue podem consultar aqui.

Decidi lançar-lhe o repto porque reconheço nela um espírito íntegro e vejo nos seus textos alguém com ideias muito claras sobre a forma como a sociedade deve ver a mulher na atualidade.

 

De que forma o desporto te faz sentir uma mulher mais forte?

 

Mentiria se dissesse que faço desporto pelo prazer do desporto... 

 

Pratiquei vários desportos ao longo da minha vida e, como não era propriamente muito dada ao desporto e de tanto me terem dito isso, acabei por me classificar como “um zero à esquerda” e a prática desportiva deixou de fazer parte da minha vida. 

 

Hoje em dia tenho, portanto, uma relação de amor-ódio com o desporto. Obrigo-me a fazê-lo em primeiro lugar porque me faz bem ao corpo e depois porque me faz bem à alma mas não posso dizer que não seja uma grande batalha cada vez que preciso de começar. 

 

O desporto faz-me sentir forte não no momento em que o faço mas essencialmente quando sinto os seus efeitos a longo prazo: quando me sinto mais calma e capaz de gerir o stress, quando estou motivada e com os pensamentos renovados depois de uma boa sessão de exercício ou quando sinto a autoconfiança típica de quem está em boas condições físicas. 

 

No fundo o desporto para mim funciona como uma arma secreta para lidar com o stress e a ansiedade a que estamos todos tão sujeitos e fazer aquela pausa que me é muitas vezes tão necessária e que me faz sentir muito mais forte e segura de mim. 

 

E as diferenças entre os momentos em que estou mais focada no exercício e aqueles em que me desleixo são notórias: sou muito mais eu, muito mais capaz de responder às exigências de uma vida a 100 à hora e muito mais forte graças a ele. 

08
Mar20

Opinião no feminino I


João Silva

No arranque deste Dia Mundial da Mulher, decidi dar este canto à minha esposa. Já sei o que ela acha sobre a influência do desporto na afirmação social da mulher, mas gostaria de partilhar essa opinião convosco. E foi assim que lhe lancei o repto de escrever no blogue. 

Trata-se da mulher que mais admiro no mundo e em quem revejo um ser humano extraordinário, pelo que tudo o que possa dizer é suspeito.

Por isso mesmo, faço questão de vos deixar de seguida com o texto dela. 

Aproveito igualmente para desejar um feliz dia a todas as mulheres. 

 

De que forma o desporto te faz sentir uma mulher mais forte?

Qualquer pessoa deve procurar um desporto que a faça sentir-se melhor. Sei que parece cliché, mas há um desporto perfeito para cada um de nós. É uma questão de experimentar até o encontrarmos. Quando isso acontece, sentimo-nos muito mais confiantes e prontos para enfrentar os desafios do quotidiano.

O (pouquíssimo) desporto que pratico faz-me sentir que posso conquistar muito mais do que aquilo que pensava. Há uns anos, mal conseguia andar meio quilómetro sem dores e há um ano já conseguia fazer mais do que isso a correr.
Quando decido praticar uma atividade desportiva (nem que seja correr apenas uns minutos), sinto que estou a desafiar o meu corpo para saber quais são os meus verdadeiros limites. Sinto-me em paz e feliz. Sinto-me mais leve, embora esse sentimento passe quando sinto as dores nos dias que se seguem 😉. Mesmo assim, sinto que vale a pena. Mesmo que sejam apenas uns minutos e muito raramente, a sensação é maravilhosa e sinto-me renovada a cada passo dado.

 

07
Mar20

Uma ação diferente


João Silva

Não sou grande apologista de dias internacionais disto ou daquilo. 

No fundo, parece-me tudo muito comercializável e pouco sincero.

Fala-se muito (superficialmente) e evolui-se muito pouco na prática.

O dia 08 de março não é exceção. 

No fundo, trata-se de um dia que foi criado na altura da Primeira Guerra, na sequência da luta das mulheres pelo direito de voto e por maior igualdade.

Como não podia deixar de ser, o dia acabou nas amarras do marketing. 

De forma a vê-lo como um dia de reflexão (mais do que de celebração), decidi convidar algumas mulheres a dar o seu testemunho sobre o papel que o desporto pode ter em tudo isto.

Portanto, ao longo da próxima semana (começando amanhã), cederei este canto a várias vozes femininas, que terão a "missão" de responder a uma questão que lhes coloquei. 

Espero que ajude a refletir no papel da mulher, neste caso, no desporto.

A dada altura disse que o dia de amanhã deve ser visto como dia de reflexão e não de celebração. Mantenho essa ideia, pois não é suposto existir apenas um dia para celebrar as mulheres (ou o que quer que seja). 

Cresci numa família mergulhada em violência doméstica e com os papéis sociais antigos bem vincados. Vivi (com algum desespero) alguns momentos marcantes como a altura em que a minha mãe começou a trabalhar. Assisti de perto à sua escravização doméstica e desvalorização. Fiz o que pude para me instigar contra isso e sei que foi uma batalha que perdi por não lhe ter conseguido mostrar a realidade. Ainda assim, ganhei o outro lado: o da importância do respeito e da necessidade de valorização do papel do outro. Sempre vi as mulheres como seres iguais e, sem fundamentalismos e para ser honesto, até as acho um ser mais completo do que os homens.

Sim, também eu tratei de acautelar um presente para a mulher da minha vida. No entanto, não o fiz para assinalar o dia, até porque procurei dar-lho na semana anterior. Não é preciso haver dias específicos. Fiz porque foi apenas uma (pequena) forma de assinalar o quão importante ela é. Procuro dizer-lhe e mostrar-lho todos os dias. Tento que seja feliz e que nunca se sinta diminuída, ao longo do ano, não apenas por umas horas.

Posto isto, fiquem desse lado para os textos dos próximos dias.

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