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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

11
Set20

Motivação vs objetivos vs corrida


João Silva

Estes três pontos estão relacionados, mas não são indissociáveis entre si.
De forma sucinta, passo a explicar:
Posso sentir-me motivado a fazer alguma coisa, a experimentar um exercício, uma modalidade sem que isso vire um objetivo de vida ou tenha qualquer influência no desenvolvimento da corrida.

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Este período de confinamento que foi vivido por cada um de uma forma mais ou menos intensa trouxe isso mesmo à tona: não perdi a minha motivação nos treinos. Em casa, todas as semanas apliquei uma carga jeitosa e só alguém com muita automotivação (obstinação também se pode aplicar aqui) consegue fazer exercícios físicos intensos sem saber o que virá a seguir. Não parei um dia, quis aproveitar tudo. Portanto, não deixei de estar motivado.

Por outro lado, esta motivação não tinha um objetivo desportivo concreto, à exceção da minha saúde. Sabia que estava a treinar mas não sabia para quê em termos competitivos, já que não havia provas marcadas.
Honestamente, dei-me bem com essa metodologia e não senti quebras anormais de vontade.

Claro que houve dias mais "fáceis" do que outros.
Como não corri nesta fase, nem a motivação nem os objetivos serviam a evolução na corrida.

Resumindo: é possível trabalhar com motivação sem ter objetivos claramente traçados e sem ser pensar apenas na corrida.
Já na primeira fase de retoma, como ainda não havia provas marcadas, este princípio manteve-se.

A motivação liderou o processo, sendo que aí passou a haver um objetivo: recuperar a forma de corredor de fundo.

Nos meses de verão, os treinos já passaram a incidir nesse propósito.

Apesar da imensa carga de treinos, a verdade é que essa tal motivação ajudou a superar fases mais duras ao longo dos últimos meses.

Como veem a questão: para vocês não há corrida sem motivação nem objetivos?

 

01
Jan20

2020: um ano de surpresas e de incertezas


João Silva

FELIZ 2020, MALTA BOA.

Como forma de criar uma espécie de bolha motivacional, gosto de definir objetivos com antecedência, pois sou uma pessoa que trabalha bem com base em metas a médio e longo prazo.

Se fôssemos apenas por esse prisma, diria que o grande objetivo de 2020 já ficou traçado no dia 03 de novembro deste ano: voltar à maratona do Porto em 2020 e fazer uma prova abaixo das 03h20, com tendência a atacar a marca das 03h15.

No entanto, ao contrário do primeiro ano em que corri uma maratona, é forçado apresentar a minha terceira edição daquela prova como objetivo maior. 11 meses até ao grande dia é muito tempo.

Tinha perspetivado uns voos mais ambiciosos em termos de meias maratonas, como, por exemplo, atacar a marca de 01h25 ou tentar chegar às 03h30 na maratona de Aveiro.

No entanto, em 2020 vou enfrentar o maior desafio da minha vida, aquele para o qual sei que não estou preparado, o mais ambicioso, difícil e duradouro. Um projeto com início marcado e que, assim espero, me acompanhará até ao fim dos meus dias.

Portanto, esse projeto ambicioso (e maravilhoso) é uma incógnita e, de certo, não me permite projetar voos maiores. Os primeiros seis meses servirão de preparação e os segundos serão a fase de formação com o projeto já em andamento. Conclusão: 2020 será um ano de transição, uma espécie de segurar pontas até ver se me consigo manter em pé em 2021.

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Portanto, tive de dar voltas aos miolos e lá cheguei a um objetivo aliciante para a minha realidade: o campeonato distrital de estrada, que se realiza habitualmente em março e cuja distância a percorrer é de 15 km. [infelizmente, por questões de calendário e contigências da gravidez, ainda não será desta que irei correr a Oliveira do Hospital, fico-me pelo Trail de Sicó em março.]

Será interessante perceber como vou preparar uma prova mais curta, sobretudo, numa fase em que sinto que posso chegar a desempenhos muito interessantes. 

No segundo semestre, dependendo do meu estado de "vida", procurarei manter um registo próximo de 1h30 nas meias maratonas (perspetivo fazer as de Coimbra e Leiria).

De resto, além da maratona, tenciono ainda fazer provas mais curtas, aquelas que surgirem e forem ao lado de casa. Não deverão ser muitas e penso que em 2020 não dará para muito mais do que isso. Resta-me ter a esperança de que em 2021 ainda possa estar ligado ao atletismo...

29
Dez19

Qual a melhor altura para definir objetivos?


João Silva

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É uma dúvida que me assola muitas vezes.

Não falo só de objetivos pessoais.

Aliás, neste espaço, importa particularmente falar de objetivos desportivos.

No início do ano que agora termina tinha como propósito fazer 2 maratonas: a de Aveiro em abril e a do Porto em junho.

Percebi, com o avançar do ano, que, sem sombra de dúvidas, o principal objetivo que tive foi a maratona do Porto.

Nada me tomou mais tempo nem exigiu tanto. Além disso, os métodos, as mudanças, as adaptações, tudo isso foi feito a pensar naquele dia.

E é por isso que não posso dizer que a de Aveiro teve a mesma atenção/importância da minha parte (mas devia ter tido).

Agora, na hora de dobrar o ano, gostava de saber de que forma vocês estabelecem os vossos objetivos.

Isto é: determinam um só, daqueles bem grandes, e trabalham para ele apenas, servindo tudo o resto como preparação ou optam por definir objetivos mais "pequenos" e vão tendo vários ao longo do ano?

Além disso, no vosso entender, quais são os principais critérios a considerar na hora de definir metas? Vão pela dureza, pela duração ou por outro fator?

Terminado e alcançado um objetivo, escolhem de imediato o seguinte ou deixam acalmar as águas e depois é que definem novas metas?

17
Dez19

Quando definir objetivos pode ser um problema


João Silva

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Talvez por muita gente se levar demasiado a sério, definir objetivos (no caso, de corrida) pode constituir um problema.

Por uma questão de lidar bem com a pressão, no início, procurava olhar com "humildade" (também lhe chamo medo) para as provas. No primeiro ano (e mesmo no segundo), não queria ir para fora de pé. Andava sempre com o típico "é fazer melhor do que na anterior". Nada mais óbvio, diria. É um mecanismo como todos os outros. Era também uma forma de não estragar o que estava a fazer em termos de redução de peso com competitividades inócuas.

À medida que as coisas foram avançando na direção certa, comecei a sentir mais segurança na hora de olhar para as minhas metas. 

Ainda assim, só neste terceiro ano consegui finalmente perceber que traçar objetivos, falar sobre eles e expô-los não pode ser um problema. Desde logo, porque é algo bom, é uma forma de materializarmos e concretizarmos o nosso trabalho.

Tal como se diz sempre, têm de ser palpáveis e atingíveis. Óbvio, senão o efeito pretendido perde-se.

Aí entra a capacidade de analisar a realidade com os óculos certos. É importante ter uma noção exata do trabalho feito. Se corri durante algum tempo em treinos com a relação 12 km/hora, não posso traçar um objetivo de fazer esses mesmos 12 km em 30 minutos. Porém, posso perspetivar que consigo chegar aos 50 ou aos 55 minutos.

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Quando comecei a perceber que essa manifestação em voz alta dos objetivos me poderia ajudar, não parei. 

Acho que foi uma mudança fantástica e totalmente necessária para tentar chegar mais longe. Até mesmo pelo seguinte: assumir um objetivo ambicioso é uma força extra, desencadeia um positivismo que nos vai ajudar a chegar lá.

Na meia maratona de Coimbra, corri o tempo todo a pensar: vou azer abaixo de 1h30.

Custou, foi um autêntico contrarrelógio, mas só essa "obstinação" justifica a minha conquista.

De outra forma não teria conseguido.

E é por isso que já não acredito que definir objetivos possa constituir um problema.

Pelo contrário, ajuda a chegar onde queremos.

E desse lado, pensam da mesma maneira?

27
Nov19

E se não chegar lá?


João Silva

Penso nesta pergunta muitas vezes e, desde há pouco tempo a esta parte, acabo sempre com a mesma resposta: se acontecer não chegar onde quero, tenho bom remédio, tentar outra vez.

Não se trata da definição de tempos, até porque já aconteceu não chegar onde queria e não me restou outro remédio que não "engolir em seco", procurar as razões em mim e, como dizem os alemães, "Mund abputzen und weiter geht es" (limpar a boca e siga). Porque não serve de nada remoer no que quer que seja.

Além disso, há um aspeto que me parece relevante: não sendo profissional, não há a pressão de dinheiro, patrocinadores ou resultados. Porém, falo por mim, há a pressão pessoal. Não se trata de levar tudo demasiado a sério, mas sim de querer evoluir, de querer mais do corpo porque sinto que ele pode dar mais, de manter uma disciplina que ajuda em tudo na vida pessoal e de desafiar os meus limites. E, claro está, os resultados são um indicador disso, mas não passam de um elemento  considerar, não podem determinar por completo se valeu ou não a pena.

Portanto, a resposta mais lógica à pergunta do título é: tentar novamente, persistir sem obstinação, mas com razão, sempre com uma análise equilibrada. Para isso, é importante conhecer o corpo e admitir os erros.

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Nos últimos meses dei por mim a "confessar" mais vezes que não dava, que cometi este ou aquele erro e isso dói porque são falhas cometidas, mas o tempo ajuda a perceber que identificá-las é uma forma de as suprimir e superar.

Nunca aconteceu ter de desistir de uma prova, bem como nunca fui assolado por uma lesão impeditiva. Como ando no limbo físico muitas vezes, certamente que serei afetado e depois terei de saber lidar com isso. De que forma? Ativa, procurando formas de ajudar o corpo, mesmo que seja apenas com descanso e tentar não cometer os mesmos erros. Mas, a meu ver, não há outra forma, o caminho é apenas um: insistir e persistir. 

Como veem a causa?

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