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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

19
Nov20

A mudança de uma vida (e para a vida?!)


João Silva

Faz hoje, dia 19, precisamente 4 anos que mudei por completo a minha vida. 

Após tanto escrever e falar sobre o assunto, já não há nada de novo a acrescentar sobre o facto de me ter visto livre de um problema e de ter encontrado um rumo pessoal.

E é no fundo isso que fica no meio de todo o processo de perda de peso: ter baixado de 118 kg para 66 kg de forma gradual e sustentada com a corrida foi, ao mesmo tempo, encontrar um rumo para mim, não a nível íntimo nem profissional, mas sim a nível de imagem de mim próprio.

Embora ainda hoje lute contra imagens que me ficaram na cabeça e contra hábitos de pensamentos autodestrutivos, a minha vida mudou. Tenho e devo aceitar isso. Fazer as pazes comigo, porque não preciso de estar sempre em guerra interna. Esse é o lado negativo do processo. É preciso chegar a vias de facto com o nosso eu mais escondido, o que dói e deixa marcas.

Passado todo este tempo, ainda vivo com medo de deitar por terra tudo aquilo por que passei e de perder a minha maior vitória: ter encontrado o eu que estava lá bem no fundo e que sempre desejou ser assim. Fugi, em passo de corrida, de tudo isso e sinto-me agora mais estável e maduro do que há doze anos, quando enfrentei algo semelhante, mas não consegui que a mudança aguentasse mais de seis meses.

Agora já lá vão quatro anos. Talvez pelo que aconteceu em 2007 ou 2008, ainda sinto que posso resvalar. Porém, agora tenho duas armas fortíssimas que não tive na altura: uma esposa que me apoiou e apoia ferreamente em todo o processo e um vasto conhecimento de estratégias para lidar com ataques e fragilidades que me põem em causa. 

Dizem que uma mudança tem tendência a perder-se e a ser revertida ao fim de dois anos. Felizmente, tenho lutado para que assim não seja e já lá vão 4 anos desta nova realidade. 

E é por acreditar que este sou mesmo eu e que isto que agora sou sempre foi aquilo em que me quis tornar que alimento a esperança de não perder esta mudança, que tanto custou (a mim e à minha família mais chegada). 

Vou continuar a ter fantasmas dentro de mim, mas também vou continuar a ter a minha maior qualidade: força de vontade. Espero e desejo que esta última faça dissipar todas as dúvidas em relação áquilo que sou.

Se tenho medo? Sim, sempre me acompanhou em todo este processo de reeducação alimentar. Se pensei em recuar? Algumas vezes, sem dúvida. Porém, até agora nunca deixei que nada disso me inibisse na minha missão interior.

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06
Abr20

Eu ex-obeso me confesso! (REPUBLICAÇÃO EDITADA)


João Silva

Na sequência da comemoração do primeiro ano deste espaço, que também acaba por ser o vosso canto, decidi trazer-vos o primeiro texto de todos.

Foram as primeiras palavras e as primeiras linhas no blogue. Serviu de catarse e sabem que mais? Ajudou a tirar um grande peso de cima.

Há coisas que não são fáceis de partilhar e, honestamente, há muita coisa que tem de ficar para nós próprios. No entanto, após o devido tratamento e processamento de tudo o que vivi desde novembro de 2016, senti que só tinha a ganhar com o desabafo.

Olho para o texto que vos deixo abaixo com muita "ternura", pois fui eu "in meinem Element", como dizem os alemães. Ou seja: fui eu próprio, sem "filtros".

Fiquem, pois, com o primeiro texto deste blogue:

 

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É caso para dizer: quem te viu e quem te vê!

Esta foto data de 06 de novembro de 2016 e funciona como o meu atestado de obesidade, tendo atingido a "mágica" marca dos 118 kg.

Desde muito novo que sempre tive propensão para engordar, não só por tudo aquilo que comia, pela falta de regras e de consciência alimentar e nutricional (e escassez de dinheiro), como também pela disposição "genética". Nunca fui alvo de nenhum exame que provasse essa mesma disposição genética, mas posso proferir a afirmação anterior com base em tudo o que foi e é a minha família.

Posto isto, passei por várias fases. Na adolescência sofri da "síndrome da rejeição", nunca fui um alvo apetecível para o sexo oposto. Na fase final da minha adolescência e na inicial da minha vida adulta, graças à prática de futebol amador num clube da terra, o U. D. Gândara, perdi cerca de 50 kg em apenas três meses. Foi um tempo monstro. Privei-me de todo o tipo de comida, o que, agora a uma distância temporal de 12 anos, confesso que se tratou de um erro.

Dado o processo de emigração dos meus pais, vivia sozinho na altura e estava prestes a entrar na Universidade de Aveiro.

Ao mudar de distrito, voltei a mudar de hábitos, trabalhei e estudei em simultâneo durante a licenciatura e o mestrado em tradução (francês e alemão) e abandonei por completo a prática desportiva, algo que sempre fora uma paixão.

Tudo isto conciliado com o facto de ter trabalhado numa pizaria e posteriormente num hipermercado com horários loucos redundou em nova subida de peso. No fundo, deixei de lutar contra a tendência e foi como se tivesse fechado o ciclo anterior da mesma maneira que o comecei: com excesso de peso. No fim de todas estas vivências, estava com 118 kg. E ainda nem tinha chegado aos 30 anos.

Passada uma fase agitada com mudança de emprego, casamento e mudança de residência, abracei novamente a missão de recuperar a minha saúde.

Foi então que "descobri" as caminhadas; primeiro com a minha cara-metade, depois com os meus cunhados (juntamente com a minha esposa, os grandes pilares e precursores da minha mudança). No dia 19 de novembro de 2016, já com duas semanas de caminhadas no corpo, decidi começar a correr.

A partir daí, mudei literalmente de vida. O gosto que sempre tive pelo desporto revelou-se o combustível certo para começar a alterar o meu padrão de alimentação e, consequentemente, a forma como via as coisas.

Agora, em abril de 2019, estou a 24 dias de fazer a minha segunda maratona oficial. Será no dia 28 deste mês em Aveiro, cidade onde vivi durante 10 anos e onde estudei, trabalhei e me casei. Será especial, sem dúvida!

Este espaço surge agora como forma de explicar ao "mundo" como a corrida mudou a minha vida e me transformou nisto:

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Haverá tempo e disposição para vos contar tudo o que fiz neste processo, para vos falar dos meus treinos diários, da minha alimentação, das minhas preferências de corrida, da minha vida desportiva, das minhas ambições pessoais e desportivas, bem como de outros assuntos que naveguem na minha cabeça, como a minha paixão louca pela Bundesliga e pelo Borussia Dortmund.

Partilharei também vídeos pessoais, relacionados com desporto ou não, artigos de entendidos, registos e informações sobre as diferentes provas. No fundo, este será um espaço que me permitirá contar-vos um pouco de mim.

Será um prazer ter-vos por aqui e contar com as vossas opiniões e/ou sugestões.

Não se "acanhem".

 

07
Out19

Muitos apeadeiros para chegar à paragem atual


João Silva

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É sempre assim com tudo, não é?

Nunca se obtém um resultado final e quando se chega a um determinado ponto, há sempre algo a melhorar e a adaptar.

Foi um pouco assim todo o processo ligado à minha alimentação.

Já falei disso há algum tempo, mas, olhando para trás, é curioso perceber a evolução que as coisas tiveram desde há três anos.

Com efeito, foi a reeducação foi profunda ao ponto de ter deixado de sentir necessidade de comer determinadas coisas.

Passo a explicar: este ano nem sequer comi um gelado dos de compra. Os que ingeri foram feitos por mim. Outro exemplo, há meses que não bebo um copo de vinho ou como um bolo de pastelaria. Como aqui sempre digo e não é para ferir suscetibilidades, não sou mais do que ninguém. Contudo, não como porque não quero, mas não há qualquer mal em comer esses alimentos de forma equilibrada, mas tive a felicidade de ter deixado que a bolha do desporto me isolasse dessas vontades.

O meu pensamento está todo canalizado para a minha evolução física e para a funcionalidade do meu corpo, pelo que não penso sequer nesse tipo de alimentos e por essa razão é que afirmo que não tenho sentido vontade.

Podia dizer que sentia a ausência desses produtos e que tinha dificuldade em controlar-me, mas não é o caso.

No início, ainda comia algumas dessas coisas, pelo menos, uma vez por semana. Foi importante e voltava a fazê-lo, é fundamental perceber que a recusa voluntária acaba mal. Sei disso por experiência própria. O que fiz foi comer quando sentia falta, numa primeira fase, uma vez por semana.

Com o tempo e com a evolução que as coisas tiveram, foi fácil "promover" a ausência, descurar a cobiça.

Há que admiti-lo, tive uma sorte descomunal, já que a bola de neve do desporto e do que quis começar a construir me levou a abdicar inconscientemente dessas coisas.

Sinto-me feliz assim, porque consegui suprir as ausências desses doces processados, por exemplo, através de alternativas diferentes.

Foi, no fundo, fruto da dedicação e do treino. Sem isso, é provável que a evolução não tivesse sido essa.

 

20
Set19

Do afastamento gradual à ausência total


João Silva

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Por esta altura, já todos os assíduos do blogue sabem que não mando indiretas a ninguém e que não faço autopromoção dos meus hábitos em detrimento dos dos outros. Cada um faz o que quer.

Ainda assim, este texto serve o propósito de explicar o fenómeno que aconteceu comigo e que mudou a minha relação com o açúcar.

Desde logo, quando alguém chega aos 118 kg, os primeiros cortes têm de ser sempre feitos nas quantidades de açúcar ingeridas. E eu comia muitos produtos direta e indiretamente massacrados com açúcar.

Com o passar do tempo e durante o processo de emagrecimento, houve uma evolução progressiva. Nunca deixei de comer açúcar. Não entro em estupidezes e não faz sentido abolir coisas de forma brusca. Já tinha passado por isso com 18 anos e não correu bem, portanto, optei por fazer uma reeducação, comer sim, mas com regras.

Ainda me recordo bem: uma das primeiras coisas foi retirar o açúcar do café. Não, não custou e não, já não consigo beber café com açúcar. A esse propósito, no passado dia 23 de junho, tirei café de uma máquina, que não me obedeceu e adicionou açúcar. Moral da história: intragável, nem um golo e tive de abdicar de beber o meu café.

Retomando as ideias de cima, fui comendo de forma gradual, pelo menos, uma vez por semana comia açúcar, em festas também. Porém, fruto do conhecimento que fui adquirindo e da evolução a nível físico, fui encontrando alternativas, como a fruta. Já aqui falei muito nisso, portanto, é água passada. 

Seja como for, agora dou por mim a evitar o açúcar. Não tem mal comer de vez em quando e de forma regulada, mas simplesmente deixei de sentir necessidade, talvez porque, a nível hormonal, o desporto me compensa e me retira essa necessidade. As endorfinas que o desporto ajuda a libertar dizimaram por inteiro o meu gosto pelo açúcar, seja ele qual for.

Por exemplo, se deixei os produtos processados de forma voluntária (entre outras coisas, por causa do açúcar adicionado em alimentos que não o levam de forma natural e que servem o propósito de viciar as pessoas), no caso do açúcar foi absolutamente ocasional. Também devo confessar que esta inclincação da balança se deve ao facto de ter perfeita noção do quanto dou de mim para me manter em boa forma. Mas, e isto é muito importante de referir, não deixei de comer coisas doces. Passei foi a recorrer às diferentes frutas. 

Genuinamente, não sinto qualquer falta de açúcares artificiais, embora saiba que também não são um bicho papão quando são consumidos de forma racional.

E por aí, como é em relação ao açúcar?

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