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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em 2016 era obeso, hoje sou maratonista (6 oficiais e quase 20 meias-maratonas). A viagem segue agora com muita dedicação, meditação, foco e crença na partilha das histórias e do conhecimeto na corrida.

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31
Ago22

Uma espécie de saudade (ciclismo)


João Silva

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É sabido que adoro ciclismo. Esta altura do ano é muito pródiga em grandes provas desta modalidade fabulosa. 

Talvez por isso, tenha batido aquela saudade de uma altura, há mais de três anos, em que cumpri um sonho que tinha: um vizinho sabia que tinha uma grande vontade de experimentar uma bicicleta de ciclismo de estrada (ao jeito das profissionais) e teve a gentileza de me emprestar a sua.

Foram apenas três sessões, mas deu para explorar o espaço à minha volta. 

Ao ponto de pegar na bicicleta e de me lançar ao desconhecido que era a estrada até às Lousã. Ainda hoje me lembro do quão adorei e rejubilei por andar naquela terra "meio perdido" (eu tinha um objetivo, mas acabei por ter de fazer alguns desvios para lá chegar). 

Lembro-me da sensação fantástica ao descer e ao subir a enorme inclinação de uma parte da estrada N342. O perigo que foi! Poucos imaginam o quão problemática pode ser uma guinada ao de leve num "bicho" daqueles.

Financeiramente, não me era nem é viável comprar uma bicicleta destas. Fica a memória deliciosa e a paixão por este desporto. Isso e a vontade de ver. Sim, eu sou daquele grupo de doidos que ficam colados ao ecrã a ver etapa após etapa da Volta a França. Assim os comentadores ajudem com boas conversas.

04
Nov20

Passaram dois anos e a primeira continua a ser a mais especial


João Silva

Numa altura em que já teria feito a quarta maratona oficial, caso não houvesse pandemia, importa recordar aquele dia em que passei a ser um maratonista oficial. 

Foi a 4 de novembro de 2018 no Porto. 

O tempo foi bom (3h33m), mas foi tudo o resto que me encantou: começou pelo companheirismo na viagem com o Zé Carlos, a Sara, o Paulo e a minha querida esposa Diana (claro que ela não poderia faltar num dia tão especial). 

A semana anterior à prova com algum nervosismo natural e direito a deitar bem perto das 21 h para ter o corpo num brinquinho. 

Viagem a partir de Condeixa com o Zé Carlos ao leme, tudo isto, por volta das 6 horas da manhã. 

Muitas histórias, muita animação, tudo novidade. Alguma ansiedade, mas dentro de mim crescia a sensação de que poderia acabar a prova e fazer um bom tempo. 

Chuva, muita chuva, logo desde o início, para nos bafejar na chegada ao Porto. 

Ansiedade, coração a palpitar, olhos esbugalhados a querer absorver tudo, uma criança aos saltos por dentro. 

Arranca a prova, a Diana ficou à nossa espera debaixo de tremendas chuvadas, pensamento nela, foco e prazer. Foi puro prazer o que senti nas ruas daquelas duas cidades (Porto e Gaia). Senti-me em casa, eu que adoro aquelas duas terras e que já lá tinha passado algum tempo durante a universidade. 

Uma comunhão sem igual com o público, os incentivos sempre que via o Zé Carlos e a Sara durante o percurso e explosão emocional à chegada. 

Chorei tanto, mas tanto, que as minhas lágrimas se confundiram com a chuva. 

Um dia feliz para mim. O dia do meu renascimento como homem e em que percebi que tudo o que estava para trás tinha valido a pena. Tantas horas de treino para aquilo, uma das minhas maiores proezas como ser humano.

Pouco para muitos, imenso para mim.

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21
Set19

Dores "esquecidas", dores "(re)aparecidas"


João Silva

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O ser humano é tramado! Quando estamos em dificuldades, revelamos "humildade", dizemos coisas como "não volto a fazer aquilo", "agora vai ser diferente" ou "aprendi a lição".

Talvez sirva como forma de baixar as expetativas. Talvez isso ajude, não duvido disso e sei que é a mais pura verdade.

Ainda assim, tiramos o tempo necessário, fazemos quase um reiniciar da máquina e seguimos o nosso caminho.

Daí a um tempo, o jogo muda, as mudanças foram bem assimiladas e, aparentemente, está tudo diferente. Só que não é bem assim. 

Talvez por não sentirmos a "respiração" do que nos fez mal, achamos que está tudo bem e eis que voltamos aos mesmos erros ou parecidos. Não é exatamente assim e não é sempre desta forma, mas apercebi-me bem disso no decurso dos últimos meses. Onde? Em aspetos tão simples como a ansiedade.

Durante os primeiros dois anos de treinos e provas, nas vésperas de longões ou de competições que me despertavam mais interesses, tinha problemas em dormir. Acordava muitas vezes, pensava muito no que ia acontecer e projetava cenários. Tem um lado benéfico, não questiono isso, mas tornava-se difícil de gerir e de suportar. Lembro-me perfeitamente do primeiro treino em que fiz 30 km. Que noite terrível, tão pouco descanso. Hoje, volvidos todos estes meses, continuo a respeitar a distância, mas aprendi a lidar com isso, tornou-se "normal".

No fim dos dois primeiros anos, os resultados começaram a piorar e precisei, a bem da minha sanidade mental, de baixar as expetativas e de aprender a treinar e a "competir" pelo prazer. Não é coincidência o facto de ter passado a dormir melhor. Aceitei a realidade e isso foi essencial para o que se seguiu: consegui trabalhar em "surdina", adaptei e mudei o que achei necessário e, sem dar muito conta disso, comecei a subir de forma. 

E o que significa isso? Tão só o facto de voltar a ganhar um certo burburinho antes de treinos mais importantes e duros, o facto de "acusar" alguma responsabilidade e de voltar a encarar as sessões com maior seriedade. 

Temos memória curta, só pode ser isso. 

Faço o que faço por gosto, porque é uma paixão, não por obsessão, obrigação ou pelos resultados, mas confesso sem problemas que o facto de ter regressado do "inferno" me deixa entusiasmado com o que aí vem, quero tanto desfrutar da evolução que tive e da forma como lidei com o "problema" que depois deixo isso resvalar para a responsabilidade.

Curioso ainda o facto de se perceber claramente o efeito de expetativas elevadas e baixas nas diferentes fases do desempenho desportivo. Moral da história: a pressão e as expetativas desmedidas podem ser um fardo em vez de um auxílio, mas isso também acaba por depender muito de cada um.

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