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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

06
Abr21

Certo e sabido


João Silva

Já era algo que pairava no ar há uns meses valentes. Portanto, agora o que venho aqui fazer é "comunicar" a minha opção. Ainda para mais, depois de a própria organização ter anunciado o cancelamento da prova. 

Face a todos os desenvolvimentos do último ano, em particular dos primeiros três meses de 2021, não conseguiria ter coragem para fazer a maratona oficial de Aveiro, marcada originalmente para o final deste mês, no dia 25.

Toda a evolução negativa do danado do bicho acabou por fazer das suas e já era expectável que a organização não avançasse. E bem, a meu ver. O anúncio pecou por tardio. Foi feito há pouco mais de um mês.

Na verdade, ainda antes disso não tinha condições nem confiança para estar no meio de multidões. Ainda não estou preparado para correr e estar próximo de muitas pessoas, muita gente mesmo. 

Não se faz de uma maneira, faz-se outra. Felizmente, nunca tive problemas em correr sozinho e, como tal, lá irei tentar fazer uma maratona oficiosa no espaço de um mês.

A capacidade de treino está lá, embora o desempenho tenha decrescido imenso por vários fatores. Ainda assim, há que dar a devida continuidade aos treinos. Quero acreditar que haverá mais oportunidades e, tendo em conta o medo e o risco, prefiro resguardar-me e aos meus, sem deixar de fazer desporto, o meu desporto, mas sem me mandar para fora de pé.

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Quem sabe?! Talvez em abril do próximo ano a consiga fazer. 

21
Fev21

(Não) havia necessidade?


João Silva

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Embora não atribua muita importância a isso, sei que há alguma perplexidade de umas quantas pessoas quando falo nas distâncias que corro, em particular, nas maratonas em treino. 

No fundo, entre outras coisas, isso acontece porque há o estigma de que não se deve correr a mesma distância de uma prova num treino.

Pois bem, percebo e respeito os argumentos, desde logo porque são distâncias muito duras e que não devem ser banalizadas.

Por outro lado, além de adorar testar os meus limites e de querer empurrá-los um pouco mais, tenho necessidade de perceber a reação do corpo numa distância de maratona antes mesmo de fazer uma oficial. Porquê? Pela necessidade de ajustar o meu esforço e de me preparar psicologicamente para o que vou enfrentar. Não me imagino a fazer uma maratona em prova sem antes ver como estou.

Há outras formas de melhorar o desempenho, mas o treino dessa distância já me deu ferramentas muito úteis em termos de abastecimento e de postura. 

Diz-se que o corpo melhora s sua forma de correr com o passar dos anos de treino. Acredito mesmo nisso. 

11
Dez20

Dois malucos juntos e dá "asneira"


João Silva

Já passaram algumas semanas, mas não podia deixar mencionar aqui que "acidentalmente" fiz a minha nona maratona (quinta em treinos) no dia 30 de novembro.

Porquê "acidentalmente"? Não sou inocente. Já sabia que o treino seria longo. A isto juntou-se o facto de ter ido treinar pela primeira vez com o muito estimado Zé Carlos.

Num treino no quinto dos infernos, ou seja, em terreno desconhecido para mim, saí de casa às 05h00. Estava longe de imaginar que ia acabar esse domingo com mais uma maratona no corpo. É aqui que entra o "acidentalmente".

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O treino foi todo a um ritmo muito confortável, mas quando o tempo começou a apertar e a hora de regressar a casa estava mesmo mesmo a queimar, fiz 30 minutos de uma intensidade que me arrumou o corpo nos dias seguintes. Nessa fase, já ia sozinho.

Fiquei feliz pela distância, mas menos feliz por a ter feito "a frio", sem uma preparação decente por trás. 

31
Out20

O mês de setembro visto ao longe


João Silva

Nem de propósito, terminamos as análises ao desempenho nos últimos três meses no último dia do mês. Gosto destas "coincidências". 

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O último mês de verão tornou-se em mais um momento assinalável.

Foi o mês em que fiz a minha sétima maratona (a quarta en treinos) e também o segundo com mais quilómetros corridos na minha vida. Além disso, como se não bastasse, marcou também uma alteração no sistema e na hora dos treinos, já que tive de me ajustar a novos desafios pessoais, o que redundou em acordares permanentes às 5h00. E que mágico é correr a essa hora. Um prazer, genuinamente.

A terminar, apesar de me ter faltado o gás nos últimos três dias do mês, ainda deu para passar os 670 km de corrida e para voltar a perceber que o corpo reage bem a alguns esticões. Foi isso que me mostrou que continua a ser possível sair de situações de habituação do corpo. E, do mesmo modo, que tudo depende da nossa atitude perante os imprevistos.

Este mês de outubro já foi muito mais condicionado (para melhor) pelo desempenho geral do verão.

Se doeu? Voltava a fazer tudo igual.

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26
Ago20

Podem não ser oficiais mas contam na mesma


João Silva

Como não podia deixar de ser, ter retomado a corrida em finais de maio veio aguçar-me o apetite.

Teve também o condão de me mostrar o quão irresponsavelmente lido com o meu corpo, mas isso agora não interessa.

 

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Como o bichinho continuou lá e até aumentou a sua insaciedade, ressurgiram os desejos de maipres distâncias. Os cerca de 24 km em duas horas já me pedem outro aliciante.

Como tal, o meu objetivo até ao final do ano passará pela realização de duas maratonas oficiosas aqui pelos arredores.
Oficiais não as haverá, mas as oficiosas também contam para mim, mostram-me o meu lado mais confiante e, paradoxalmente, mais temerário em relação a riscos corridos na gestão do esforço. Mostram-me como posso ser no meu elemento.


Portanto, até ao dia 31 de Dezembro, proponho-me a arranjar uma forma decente para completar duas vezes a distância mítica, ou seja, ainda é um processo para levar uns mesinhos.


Aqui direi se consigo ou não.

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29
Jul20

A Maratona de Berlim vista por quem já a correu


João Silva

A oportunidade surgiu e não a podia enjeitar.

Conhecedor da minha grande paixão por maratonas, o jovem de 69 anos que dá pelo nome de Manuel Sequeira e é jornalista/repórter/redator na Revista Atletismo, cedeu-me uma reportagem da sua autoria sobre a Maratona de Berlim.

Claro que não podia ficar "quieto" e sem me aguentar lá lhe pedi para republicar este texto grande que ele escrevera para a edição em papel da Revista Atletismo.

Gentil como só ele, deu-me autorização para partilhar convosco todo o seu testemunho.

Espero que, tal como eu, se deliciem com esta aventura do Manuel Sequeira, uma espécie de atletismo com pernas...

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O que acharam deste testemunho deste homem?

25
Jul20

A Maratona de Médoc na escrita do Manuel Sequeira


João Silva

Dentro de dois dias, perceberão melhor quem é o "jovem" Manuel Sequeira, residente na zona sul do país.

Posso adiantar que foi um dos melhores conhecimentos que o atletismo me ofereceu nestes "pequenos" e "curtos" três anos e meio.

É um monstro das maratonas e tem a "sorte" de colaborar com a Revista Atletismo. O resto saberão depois.

Detentor de uma gentileza extrema, mostrou-me uma reportagem sua sobre a Maratona de Médoc, prova realizada em França e com característias muito específicas.

Não tinha como deixar escapar esta oportunidade, perdi a vergonha e perguntei-lhe se vos podia mostrar esta relíquia que ele escreveu para a Revista Atletismo.

Até aposto que haverá alguns de vós a querer correr uma maratona, isto depois de perceberem que se trata de uma aventura sem qualquer tipo de comparação.

Leiam e depois contem-me se já tiveram uma experiência assim (mesmo em trails).

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22
Fev20

Reduzir ou destruir?


João Silva

Gosto disto: ler, ver ou pensar em alguma coisa aleatória e depois utilizar para refletir sempre com o foco e o termo comparativo na corrida.

Desta feita, uma vez mais, foi a minha querida Diana que me sugeriu o texto que esteve na base desta publicação. Podem lê-lo na íntegra aqui: 

https://corredoresanonimos.pt/actualidade/especialistas/reducao-treinos-maratona

MAS PRIMEIRO TOCA A VER O QUE VOS DIZ ESTE VOSSO ESTIMADO! 

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Quando se aproxima uma prova da dimensão de uma maratona, é importante perceber que há uma fase decisiva para determinar, em grande medida, o vosso desempenho.

Tenho lido e percebido que há um grande dilema sobre o que fazer perto do grande dia.

As opiniões dividem-se entre treinar, abrandar o ritmo ou parar por completo-

Pela experiência pessoal, defendo que é necessário abrandar, pois isso vai permitir que o corpo assimile a carga dos últimos meses e recupere energias para a prova. Na minha primeira experiência, as duas semanas anteriores à prova redundaram numa redução da carga de corrida e na repetição continuada de reforço muscular. Folguei no dia anterior à prova.

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Na segunda passagem, em Aveiro, procedi da mesma forma. Cheguei relaxado mas bem, ativado, sem perda de foco muscular. Na terceira, optei por manter um nível aceitável de corrida na semana que antecedeu a aventura no Porto e não folguei. Na véspera, decidi fazer duas horas de reforço muscular nos braços e peito. Posso dizer que ajudou, já que me senti bem soltinho e consegui um bom desempenho, que conta mais para mim do que o resultado final.

Isto para dizer o quê? Que em momento algum me passou pela cabeça parar por completo. Não o faço por convicção e por necessidade de equilíbrio mental e de regulação do peso. Ainda assim, parece unânime, como poderão ver na ligação da referida reportagem do Corredores Anónimos, que não é aconselhável parar por completo. Porquê? Simples de explicar: os sinais enviados ao corpo são de que não há necessidade de manter o "alerta", pelo que a consequência será um grande relaxamento. Logicamente, a ativação perde-se e a forma vai atrás, embora não na totalidade, dificultando muito a resposta do corpo no dia da prova.

Na verdade, como certamente percebem, abrandar não é parar, o que implica manter algum exercício. No artigo que sustentou este meu texto, têm "direito" a ficar com alguns conselhos para adotar na fase de aproximação ao grande dia. O volume de treinos, ainda que menos intenso, permite igualmente não baixar a guarda, manter o foco. Mentalmente, é muito importante. A performance passa muito pela força psicológica para enfrentar as dificuldades.

Portanto, antes de vos "deixar" ir ler o texto, pergunto: reduzir ou destruir?

 

27
Dez19

Batoteira, fura-filas ou algo que o valha


João Silva

Depois da época natalícia, corremos a passos largos para mais um virar de ano.

Nesta época em que estamos mais propícios às recordações, trago-vos uma história insólita que data da minha última maratona, no passado dia 03 de novembro no Porto.

Ao quilómetro 37, seguia eu de sorriso estampado no rosto quando ultrapassei alguns atletas em maior dificuldade.

Como forma de incentivo, soltei um "vamos lá, está quase" e um "para quem já fez 37 km, o que são 5?".

Perante esta minha observação, uma atleta vira-se e diz-me o seguinte: "para mim são menos que só comecei aos 17".

Não parei, porque não me perdoaria, mas fiquei incrédulo perante aquela desfaçatez.

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E porque digo isto?

Porque a senhora tinha dorsal de maratona, logo estava a participar no evento e não era uma "mera corredora" de domingo e porque é mais comum do que se pensa haver batota nestas provas, algo que me ultrapassa.

O que se pode ganhar com isso? 

E pior: que benefício para quem o faz? É uma espécie de autoengano.

Além disso, parece-me de uma tremenda injustiça dizer-se que se cruzou uma meta numa prova dessas após fazer uma estupidez do género.

Já vos chegaram aos ouvidos histórias de batota no desporto?

Convido-vos a partilhá-las aqui.

28
Nov19

Fecha ciclo, abre ciclo


João Silva

Terminada mais uma maratona, a terceira oficial, tenho pela frente uma tarefa muito exigente: fechar o ciclo. Ou seja, é chegada a fase do desmame, que mais não é do que uns dias dedicados a descansar o corpo, a não correr e a deixar tudo assentar. Porquê? Porque o organismo precisa de descomprimir e de libertar tudo o que sofreu nos meses anteriores. Ter objetivos e, no meu caso, que eles sejam maratonas é muito importante porque ensina a saber fechar e abrir ciclos de treino.

No primeiro ano não o fiz e depois paguei bem caro, porque entrei rapidamente em subrendimento e porque as dores tomaram conta do meu treino. Mais curioso ainda é o facto de elas só surgirem umas boas semanas após a competição, não é logo no dia seguinte.

Embora tivesse feito a de Aveiro numa forma mais deficitária face à do Porto em 2018, fiz o fecho do ciclo na primeira semana de maio. Contudo, quando falo em encerrar ciclos não quero dizer ficar de papo para o ar. Isso pode (e deve) ser feito nos dois dias seguintes, mas depois é necessário ajudar o corpo a recuperar. Como? Caminhando sem abusar, fazer reforço muscular e ingerir alimentos antioxidantes e repletos de vitaminas. Só assim se consegue recomeçar bem.

Em bom rigor, deveria fazer um desmame maior. Os profissionais fazem desmames de corrida na ordem das três semanas, por se estimar que só ao fim desse tempo o corpo apaga a memória muscular e regenera por completo. Isso não consigo, porque preciso do desporto para o meu equilíbrio mental, também no que à regulação do peso (mesmo não tendo uma alimentação desregrada). Ou seja, no meu caso, fico uma semana sem correr, embora não deixe de recuperar ativamente. Acreditem que depois tudo fica melhor. 

Terminada uma maratona, é tempo de preparar a seguinte, pelo menos, para mim, pelo que depois é necessário integrar faseadamente exercícios com maior carga.

No vosso caso, fazem algum tipo de desmame de exercício? Em que alturas e de que tipo?

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14
Nov19

Não foi por acaso que morreu no fim


João Silva

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Já foi há alguns dias, malta porreiraça, que realizei mais um sonho bom. Voltei a uma cidade que me faz e fez muito feliz, a uma região que me diz muito e a uma prova que representa o meu maior desafio como atleta e homem por tudo o que lhe está inerente.

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Em jeito de conclusão do capítulo, vou dar-vos a conhecer um pouco da história por detrás da distância mítica e verão no fim a curiosidade que marcou o episódio e que acaba por ser um símbolo do que acontece na prova.

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O início da lenda tem lugar no ano de 490 a. C. na Grécia, quando um soldado, de seu nome Pheidippidis, foi enviado pelo general Milcíadis para, a correr, fazer uma distância de aproximadamente 40 km entre as cidades de Maratona e de Atenas para informar as mulheres atenienses de que tinham ganho a batalha contra os Persas. E porquê? Porque os soldados atenienses tinham deixado às suas mulheres a ordem para se matarem, bem como aos respetivos filhos, caso aqueles não regressassem da guera.

Ora, como a batalha demorou mais do que o previsto, apesar de os gregos ganharem, havia o receio de que as mulheres cumprissem as ordem.

O esforço do soldado foi de tal ordem que só teve hipótese de dizer "Vencemos" no momento em que chegou a Atenas, tendo falecido de imediato.

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Para homenagear o esforço do dito soldado, nos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, em 1896, criou-se a prova denominada maratona, com a distância aproximada de 40 km. Curioso o facto de a distância não ter sido encarada como fixa, cada organização estipulava uma distância a seu belo gosto.

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Em 1908, nos Jogos Olímpicos de Londres, a distância foi finalmente fixada nos 42,195 km. E porquê? Porque as excelências monárquicas de Inglaterra queriam ver a partida da prova, mas não queriam assar as virilhas para se deslocar para fora do Castelo de Windsor. E assim nasceu a distância mítica.

Para nós portugueses, a maratona começou por ter um lado muito triste, isto porque em 1912, na maratona de Estocolmo (Suécia) o atleta Francisco Lázaro morreu em plena prova. 

Mais tarde, em 1985, em Roterdão, o grandioso Carlos Lopes venceu a prova com o tempo de 02h07'12''.

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Não deixa de ser relevante o facto de a prova estar associada a tanto sofrimento. Quem já a fez ou já treinou para a fazer sabe perfeitamente que é preciso ir ao inferno e voltar. É um desafio maior do que nós, mas que vale a pena tentar. É possível e executável!

 

Fontes consultadas para a história:

https://www.jn.pt/desporto/especial/interior/a-verdadeira-historia-dos-42-195-metros-arrancou-em-windsor-9358453.html

https://www.infopedia.pt/$maratona

https://www.infoescola.com/esportes/maratona/

13
Nov19

Sem açúcar adicionado é impossível


João Silva

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Meus caros, sou um teimoso inveterado em muitas coisas e não é por cliché que aponto a teimosia como um dos meus defeitos.

Desde há uns valentes meses a esta parte, meti na cabeça que ia deixar de abastecer com barras de geltinas em treinos acima de 2 horas e que o ia tentar fazer na maratona.

Em relação aos treinos, como adotei um sistema de inclusão de muitos treinos superiores as 2 horas, também com o auxílio da água consegui lidar bem com essa questão. O meu corpo aguenta bem e num ritmo bastante satisfatório.

Nos treinos até 03h20, também já consegui fazê-lo, embora tenha chegado ao fim completamente esgotado, mesmo tendo bebido água de forma faseada, por exemplo, a cada 10-15 minutos.

O problema é que, apesar de fazer milagres, a água não impede a acumulação de cansaço e quem já fez treinos ou provas muito longos sabe muito bem que o corpo se começa a ressentir.

Da experiência que já vou tendo, é a partir dos 30 km que tudo acontece, mas a ingestão de sólidos não pode ser guardada apenas para essa fase. Tem de ser um processo de acumulação. E é aqui que as barras de gelatina atuam no seu melhor: graças à maltodextrina, reduzem a sensação de fadiga, além de ajudarem no controlo das cãibras, já que oferecem um belo aporte de glicose aos músculos, que é a sua fonte de energia.

Portanto, findas todas as experiências, percebi a meio de setembro que não podia abdicar das ditas na maratona. E não se trata apenas de prestação desportiva, trata-se da sensação de que não acabaria uma prova dessas sem um sólido do género.

Porém, e isso foi um enorme ganho dos últimos meses, como a gestão do ritmo é diferente e se trata de uma prova longa, é possível reduzir a quantidade de gelatinas a ingerir. Nada contra quem o faz, mas meti na cabeça que quero o meu corpo livre dessas coisas, já me chegou os "maus tratos" que lhe dei dos 18 aos 28 anos. Resumindo: sim, tive de ingerir barras de gelatina, mas o mínimo "aceitável" para me permitir acabar bem a prova.

12
Nov19

O que mudou de novembro de 2018 para novembro de 2019


João Silva

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No fundo, o meu propósito com este texto não é tanto falar no mês de novembro em 2018 e em 2019 mas sim no processo de treinos e do longão de 42 km que antecederam as maratonas no Porto.

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Foto: treino de 42,250 km em 2018

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Foto: treino de 42,250 km em 2019

Desde logo, olhando para as imagens dos treinos em causa (acima), é curioso perceber que calharam na mesma semana de setembro e, na verdade, os motivos foram semelhantes: depois desta semana, começava a ser muito complicado ter um treino tão longo e duro porque iria retirar frescura para os treinos e para as provas em si.

Em 2018, tentei fazê-lo em agosto, mas o excesso de calor dificultou tudo e, curiosamente, um ou dois meses antes, tinha sofrido alguns contratempos nos treinos longos superiores a 30 km. No dia 15 de setembro, lembro-me que fiz o treino com um tempo muito fresco e um nevoeiro cerrado e bem cedo pela manhã. Além disso, fruto das dificuldades e das dúvidas que começava a sentir, tracei um percurso em circuito, com três voltas ao mesmo, o que acabou por ajudar bastante no tempo alcançado. Ainda outro aspeto interessante: durante aquele ano andei com "paninhos quentes" e geri treinos e afins, procurando andar mais "poupado".

Este ano, talvez pelas contrariedades dos primeiros seis meses do ano, o conhecimento é muito mais denso: de mim, das minhas capacidades, dos meus limites, das necessidades de abastecimento e das especificidades de abastecimento. Quando fiz este treino a 13 de setembro agora em 2019, já andava a carregar muito, com um acumulado de 403 km em julho e um de 470 km em agosto. Estava bem "oleado" e na semana do treino fiz uma sessão de técnicas de corrida. A diferença em termos de tempo, deveu-se sobretudo às maiores dificuldades do percurso, que não foi em circuito. E, pior no meio disto tudo, enfrentei temperaturas na ordem dos 30 graus. Foi complicado, mas senti que dominei bem e fiz o que procurava: acabar mais um treino de 42 km.

Isso é crucial para mim, no sentido em que ajuda a ter uma noção exata do meu corpo. Por ter querido fazer tudo muito rápido e a um ritmo muito elevado em julho e agosto, "falhei" duas oportunidades "inventadas" (decidi à última hora que ia tentar os 42 km nesses treinos) e senti que a minha cabeça estava a começar a criar um problema e uma dúvida que não existia.

No fim de contas, consegui tempos muito próximos e, tenho percebido isso com o tempo, em princípio, dará para tirar cerca de dez a quinze minutos ao tempo de treino no dia da prova.

Apesar das semelhanças, os processos foram diferentes e, sinceramente, achei que melhorei muito em 2019, não deixando, contudo, de registar que, tal como neste ano, também no ano passado atravessei um período inicial de muitas dúvidas e dificuldades.

 

09
Nov19

Um dia tão especial quanto longo


João Silva

Não consigo partilhar convosco todas as emoções que tive nesta maratona. Dentro do possível, vou procurar recriar uma parte dessa euforia com fotos. Digo-vos que seria difícil pedir melhor. Fico grato pelas pessoas que encontrei e pelas boas conversas que tive com velhos amigos destas andanças. Fica um certo "amargo" por não ter contado com a presença da minha querida Diana, mas outros valores se levantaram. Foi mais importante ter repouso e fica para outras alturas.

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08
Nov19

Empedrado para dar e vender e a ilusão de que é simples


João Silva

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O percurso não mudou. Aliás, acho que não muda e foi curioso perceber, antes da prova, que, afinal, não me lembrava de tudo. Ainda bem, porque assim não deu tempo para grandes projeções.

Parece um percurso linear, mas tem algumas "armadilhas" espalhadas. A primeira está logo relacionada com o facto de se correr num espaço com tanta gente.

A segunda está nas viragens em determinadas alturas do percurso.

A terceira prende-se com falsas retas na zona de Matosinhos, na saída da Ribeira e na falsa reta final, composta por 3/4 km e com uma subida algo dura no final.

A maior dificuldade de todas residiu no empedrado. Sentir a calçada toda debaixo dos pés em Gaia e na zona seguinte à ribeira é muito complicado e só isso justifica que tantos corredores se afastassem da zona central da estrada.

Por tudo isto, ainda assim, recomendo claramente esta prova.

O Porto tem um encanto diferente e correr com pessoas a berrar o nosso nome é indescritível.
Leva-nos em pontas.
Fiz questão de agradecer a cada pessoa que me incentivou. Foi o mínimo que pude fazer para retribuir tudo o que me deram.

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