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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

06
Set22

Estás mais pequeno, homem!


João Silva

Sempre me fascinou perceber o que acontece ao corpo de um atleta durante uma prova de longa duração como é a maratona.

Por isso, parttilho convosco uma explicação mais visual no vídeo que se segue:

Como maratonista, posso dizer que uma pessoa não sente estes mecanismos no momento em que está a correr. Mas que encolhemos, aí não há dúvidas. É o impacto da desidratação. 

Umas litradas de água e vai tudo ao sítio.

04
Nov21

A primeira


João Silva

Faz hoje 3 anos que corri a minha primeira maratona oficial. 

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Um dia para o qual trabalhei todo um ano.

Ainda me lembro dos medos e das dúvidas.

Também me recordo da magia daquele dia, da viagem até ao Porto e do regresso com o objetivo cumprido, das pessoas que me apoiaram na rua e nem me conheciam.

Lembro-me que aquele momento foi a confirmação do que achava que passaria a ser como corredor.

Lembro-me também que, à "custa" de ter feito a minha primeira maratona, provei pela primeira vez arroz de cabidela (feito pela minha sogra). E adorei!! 

Em jeito de "comemoração", deixo um pequeno vídeo do meu canal de YouTube com a minha chegada à zona da meta.

 

01
Nov21

A decisão


João Silva

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Foram quase nove semanas de paragem, sem que o corpo me deixasse correr sem dores e com medicamentos e fisioterapia.

Naturalmente, ia fazer mossa. 

Os músculos das coxas encurtaram, comecei a perder massa muscular e ainda tinha o facto de a lesão original me ter afetado os músculos estabilizadores.

Perante isto e o devido aconselhamento, não dá para estar em condições mínimas no Porto (também não iria querer ir apenas pelo mínimo, honestamente). Portanto, nada de maratona este ano. A prova realiza-se já no domingo. Era só somar 1+1. Dá para ver que ia acabar com uma recaída no bolso, frustração de sobra e tempo perdido materializado numa manhã longe dos meus, sem poder fazer nada.

O mais importante é retomar a corrida com calma e ir gradualmente.

Penso que voltarei a correr uma maratona, mas terei de esperar. Terei de saber esperar.

Mas voltei a correr e isso supera tudo o resto. Já foram três sessões de corrida, nenhuma acima dos vinte minutos. Mas foram tão boas, apesar de algum desconforto expectável.

Há que aprender a valorizar as pequenas vitórias para se valorizar mais aquela que procuramos.

Esta é também uma lição para si, senhor João Silva.

31
Out21

Os ensinamentos deste berbicacho


João Silva

Assim que me lesionei, reagi com maior serenidade do que pensava, apesar do desespero que senti. Antes de prosseguir, volto a dizê-lo: há coisas piores na vida. Nasci numa família sem meios e só aos 12 anos tive o "luxo" de ter luz elétrica em casa, por exemplo. Portanto, este é um problema menor. Ainda que tivesse sido (muito) doloroso a vários níveis.

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Continuando a dissertação principal, procurei logo retirar aspetos positivos da lesão.

O primeiro: pude passar mais tempo em casa com os meus. Não que passasse pouco, mas ganhei mais uns belos minutos. 

Os restantes:

Poder escrever no blogue enquanto fazia bicicleta estática a passo de caracol para não sobrecarregar a coxa nem o glúteo.

Necessidade de refletir a sério sobre a forma como treino.

Decisão de mudar composição futura dos treinos longos (quando puder voltar a fazê-los em condições, sem dores).

Aproveitar melhor o tempo para treinar. Estando em casa, é mais difícil fazer o treino seguido porque há sempre interrupções necessárias.

Perceber que tenho de cuidar mais do meu corpo, que não posso ser tão bruto no que exijo dele.

Obrigar-me a abdicar de algumas sessões de exercícios quando o corpo deu sinais de cansaço.

Apreciar ainda mais os sítios por onde corri e sentir saudades disso. Ajudou a cultivar a paixão pela corrida.

O reagir de forma mais calma deu lugar ao desconcerto emocional e ao desespero (e à frustração) à medida que o tempo de paragem foi aumentando.

A passagem do tempo vai trazer-me outros ensinamentos. Vou ter deixar tudo isso chegar de forma natural. Não vale de nada forçar.

De uma coisa não tenho dúvidas, há um pré-lesão e um pós-lesão. O resto logo verei na devida altura.

 

29
Out21

Uma lesão que veio na altura certa 


João Silva

Bem sei que isto é contestável. Obviamente que não veio, mas aqui refiro-me à necessidade de paragem da corrida (felizmente, consegui fazer exercícios de bicicleta estática sem impacto e muito reforço muscular das zonas que não foram afetadas). 

A minha tese é a seguinte: se isto me tivesse acontecido há cinco anos, quando estava a começar o processo de perda de peso através do desporto, havia uma enorme probabilidade de não continuar. De recair, de voltar aos mesmos erros na alimentação. Porquê?

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Porque não tinha conhecimento da panóplia de exercícios que poderia fazer na ausência da grande força motriz.

Porque não tinha o conhecimento das necessidades alimentares e do tipo de alimentos que podia ingerir numa fase de menor gasto energético. Não conhecia as alternativas alimentares como abóboras assadas, batatas doces, abóboras Hokkaido com sal, etc. Ou seja, já comia legumes, sempre adorei, mas percebi que os consigo comer em abundância para encher o estômago nas alturas de maior aperto, de ansiedade, da fome por compensação. Percebi as diferentes composições nutricionais e agora jogo com isso. 

É por isso que agradeço que isto me tenha acontecido (já que aconteceu e não posso mudar isso) apenas agora, porque neste momento sei lidar com essa adversidade sem cair em padrões comportamentais passados.

Tinha de servir para alguma coisa...

25
Out21

Afinal não era assim tão "simples"

Um rewind com direito a fast forward


João Silva

Afinal a ligeira contratura era muito mais do que isso. Escondia uma síndrome do músculo piriforme com bloqueio da zona sacro-ilíaca e tensão na banda iliotibial. 

Uma semana após a toma de anti-inflamatórios, injeções e relaxantes musculares (prescritos pela médica), as dores voltaram em força. Em desespero, ainda esbocei uma tentativa inútil de corrida. Na verdade, foram uns passinhos apressados. Levei logo uma chapada de realidade. Dores, dores e mais dores a cada impacto. Se já as sentia a andar normalmente e com o meu filhote ao colo, o que podia esperar de um trote baixíssimo? 

A realidade era mais dura. Após a primeira semana de tratamento, recuperei a minha mobilidade na perna direita, mas não resolvi o problema principal. Era sério. Só podia. Para não me deixar andar sem dores, só podia ser algo que não passaria apenas numa semana. E não foi. Durou, durou, durou.

E lá fui novamente ao centro de saúde. Detesto ir a hospitais e centros de saúde. Fujo a sete pés. Para lá ir duas vezes no espaço de uma semana, tinha de ser sério. E só fui porque estava impedido de correr. Confesso. Se puder correr, mesmo com ligeiras dores, está tudo bem. Sem correr, está tudo péssimo. E, de certo modo, foi mesmo isso.

Mais anti-inflamatórios e um relaxante muscular mais "requintado". 

Os dois medicamentos ajudaram, mas a dor nunca desapareceu. Nada. Já nem sequer andava de forma normal. Comecei a compensar todos os movimentos com o resto do corpo. Demorava imenso tempo a caminhar. O glúteo continuou a enrijecer a cada passo que dava.

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Para não perder mais tempo com caminhadas longas e dolorosas até ao centro de saúde, mandei e-mail à médica de família.

Já ia na terceira semana e foi aí que me receitou Tramadol (75 mg!!!!!!) e um complexo vitamínico com vitaminas B1, B6 e B12.

Primeiro, fiquei estupefacto. Levantei o tramadol mas não tomei. Já tinha visto o que fez à Diana e isto apenas com 35 mg. Aquilo "desliga" o sistema nervoso central. É um opioide. "Ruminei" muito esta situação até decidir que ia falar com a equipa para poder fazer fisioterapia. 

Sim, estava com muitas dores, mas caramba, não queria ficar um zombie. Não tomei e hoje vejo que foi o melhor. A solução estava onde também acreditava (apesar de ter demorado a fazer fisioterapia). 

O que ajudou mesmo muito foi o complexo vitamínico Neurobion. Na altura, fiquei desconfiado. Como podia ela querer tratar isto com vitaminas?

A verdade, tenho de reconhecer, é que as vitaminas tinham uma atuação a nível muscular e neuronal. Não me deixaram como novo, porque isso ficou a cargo da fisioterapia, mas abriram a porta para tudo corresse melhor.

Uma coisa é certa, se tivesse sido tão simples quanto achou a primeira médica, não tinha parado de correr até ao dia de hoje, quase dois meses depois. E ainda não tive "autorização" para recomeçar.

13
Out21

Também se abrem oportunidades


João Silva

É uma espécie de clichê mais recente no mundo do desporto. Porém, é verdade.

Sem me perguntarem, obviamente que não queria ter parado por causa de uma coisa que se arrasta há seis semanas. Até porque nunca se sabe o tempo exato que se demora a chegar novamente ao ritmo em que se estava. Que isso aconteça às portas da prova para a qual trabalhámos torna-se ainda mais doloroso.

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No entanto, após uma fase de "luto" (no meu caso, de revolta e de chatice), o chip muda.

Mediante a lesão, abrem-se algumas possibilidades de trabalhar outras coisas.

Novamente mediante a gravidade, estar lesionado também requer uma postura ativa da nossa parte, porque é necessário preparar o regresso sem o espectro de uma recaída.

No meu caso, depois de lamentar o sucedido e de parar de pensar no fim do mundo, procurei um conjunto de exercícios que potenciassem o reforço da zona afetada (glúteos e coxa). Também foi um momento em que trabalhei muito a zona abdominal.

Já sabia que nunca poderia começar logo no ritmo em que parei, portanto, era importante ter força em zonas estratégicas para suportar os primeiros dias de corrida, que ainda parecem uma miragem por esta altura.

A todo este nível, foi muito importante ter conhecimento de exercícios de ioga e de pilates. Igualmente essencial: os exercícios só foram feitos até ao ponto em que me senti confortável para não ressuscitar a dor.

Acho que, mais uma vez, se aplica o ditado "fecha-se uma porta, abre-se uma janela".

No meu caso esta janela foi aberta pela fisioterapia. Os exercícios de reforço do adutor e do glúteo não tardaram a dar uma enorme estabilidade à perna. A dor começou a espreitar apenas em momentos esporádicos. 

O caminho ainda parece ter alguns quilómetros até poder começar a correr, mas já há muitas melhorias e, sobretudo, crença...

11
Out21

Objetivos furados ou revistos


João Silva

Mesmo sem saber inicialmente se ia correr a maratona no Porto em novembro, treinei com um propósito na cabeça: fazer a prova em 3h15. O meu recorde atual está nas 3h21 também naquela cidade em 2019.

Tracei um plano diferente do habitual, mais centrado num ritmo elevado. Reuni várias informações de vários corredores mais experientes e foi assim que cheguei ao meu plano final, que fui ajustando em função do meu desgaste.

Isso deixou-me orgulhoso, honestamente. E houve momentos em que acreditei mesmo que era possível (tudo começa na crença e a minha baseava-se nos resultados dos treinos técnicos de velocidade). Também houve (muitos) momentos em que duvidei, principalmente, porque o plano era muito exigente, o que aumentava consideravelmente o cansaço.

Mas depois chegou a contratura muscular acompanhada do bloqueio da zona sacro-ilíaca e da tensão na banda iliotibial no final da nona semana de treinos. E isso obrigou-me a atrasar tudo. Já levo cerca de 8 semanas sem correr. Quando retomar a corrida, não terei logo o ritmo que tinha.

Muito longe disso. E para não prejudicar tudo e não correr o risco de me defraudar a sério, retirei a meta das 3h15. Já não fazia qualquer sentido. Não deixei de acreditar, porque sei que me transcendo nas provas de maratonas. Ficou, em vez disso, como desejo secreto.

Mas já não tenho esse valor médio como objetivo. Vai como sonho e, muito honestamente, um sonho que terá de esperar um ano para ser concretizado. Até porque esta lesão mostrou, uma vez mais, que não é um dado adquirido acabar uma maratona só porque já se fez a distância 10 vezes (quatro em provas). Cada maratona tem a sua história.

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E esta não contará a minha história.

09
Out21

A alimentação neste contexto


João Silva

Quando se tem um grande volume de treino, o gasto energético é elevado. Uma lesão pode significar uma quebra no exercício e, consequentemente, no consumo de alimentos.

A situação piora um pouco quando a lesão afeta alguém com algum histórico de obesidade. Não quer dizer que recaia à primeira oportunidade, nada disso, mas neste ponto é muito importante ter disciplina.

Desde que comecei a correr há quase cinco anos que sempre pensei: "como vou fazer quando/se não puder correr?".

Ponto prévio importante: já há mais de dois anos que não como produtos processados, gorduras saturadas ou açúcar/produtos com açúcar. Deixei porque não me fazia falta, o meu pensamento afastou-se desse tipo de alimentos. O foco na corrida foi decisivo para esse esquecimento. Não houve influências das modas.

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Posto isto, o meu problema com a lesão não era a tipologia de alimentos, era, isso sim, o ajuste da quantidade de comida. Não, o processo não é linear e, nos primeiros dias, o corpo vai pedir a quantidade de energia que estava habituado a receber. Só que não há um gasto igual. É necessário dizer não. Como já tinha tido estas experiências no passado, conhecia as reações do corpo: tonturas, momentos de muita fome (sobretudo ao acordar), má disposição. Tal como no passado, isto passa ao fim de alguna dias (cerca de uma semana) e permite-nos ajustar o corpo à energia de que precisa.

Por outro lado, os exercícios que foram introduzidos na fisioterapia e o tipo de treino alternativo que tive também me permitiram não fazer um corte muito brusco, porque isso seria complicado de gerir.

Quando se lesionam ou ficam impedidos de treinar por qualquer motivo, ajustam ou não o consumo energético?

07
Out21

Tratar de uma lesão

E lamber feridas pelo meio


João Silva

O processo começa por ser mental.

Por muito que quisesse manter a calma, a minha cabeça ia parar sempre ao pensamento de que poderia ter sido o fim. É algo estúpido e nem sequer tenho o direito de me queixar por me ter lesionado (só) agora (também fiz para que não acontecesse mais cedo, importa referir). Há que relativizar.

Depois do pensamento do "fim", veio o pensamento de que os objetivos para esta maratona seriam afetados (e foram). Aqui, tenho de ser sincero, já aceitei a realidade mas parece que vai ser muito complicado recuperar o nível em que já estava (com, por exemplo, 28 km corridos em 2 horas).

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Esta luta mental é a primeira grande barreira para aceitar e enfrentar uma lesão.

Até porque na parte mental também se insere a culpa pelo que aconteceu, mas são, efetivamente, situações que ocorrem algumas vezes sem erros. Porém, não foi o caso aqui.

A tudo isto segue-se a fase de tratamento. Aqui é importante adotar uma disciplina para que nada falhe, senão tudo o resto cai por terra.

O passo seguinte é a recuperação ativa. Sim, recuperar de uma lesão não é "só" esperar a ação do tratamento. Chega um momento em que é preciso fazer alguns exercícios para promover o reforço muscular (quando possível). Mas é preciso deixar vir o tal momento sem o provocar à força.

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Neste passo é muito importante ir com calma. É tão importante quanto difícil, sobretudo, quando se é muito ativo e quando se sente muita dificuldade em aceitar o impedimento de dado desporto.

Foi duro para mim. Vivi "no limbo". Ora preocupado porque não via melhorias e o tempo continuava a passar, ora entusiasmado nos momentos em que a dor aliviava.

E aqui tive de me reinventar. Não parei o exercício físico. Talvez devesse tê-lo feito, mas não deu. Não correr deixou-me a ressacar, quase ao ponto de olhar com "inveja" para quem via a correr (a dada altura, virou tristeza). Uma estupidez. Tal como foi o péssimo feitio com que fiquei (quer dizer, o feitio já era mau, acabou foi por ficar ainda pior).

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Sem corrida, concentrei-me na bicicleta estática (a uma velocidade muito muito lenta para não agredir a zona lesionada) e em muitos exercícios básicos de reforço muscular. O objetivo era não perder o máximo possível da forma que tinha.

E, se no início custou imenso arrancar para esta limitação, depois aceitei bem e comecei a redescobrir o entusiasmo com o treino. E porquê? Porque senti o meu corpo a melhorar. O anti-inflamatório etoricoxib estava a fazer efeito e a mobilidade foi aumentando. Mas isto foi nas primeiras noites. Assim que acabei o primeiro tratamento, tinha mais mobilidade mas também mais dores sem qualquer medicação. Mais uma ida ao centro de saúde.

As noites foram a parte mais difícil, porque o primeiro relaxante muscular me fazia sentir dores de morte ao levantar. Parecia que me ia desmontar. O segundo relaxante, por seu lado, acabou por me oferecer noites mais suaves.

Não foi o fim do mundo, há coisas bem piores, mas, quando é connosco, tudo tem um peso diferente. Por isso, é crucial ter cabeça fria para avaliar bem o estado das coisas.

05
Out21

Repousar ou o flagelo de um "mexilhão"


João Silva

Repouso. A arte de não forçar o corpo para o ajudar a recuperar. Tudo muito belo na teoria. Faz todo o sentido parar a dada altura para depois regressar bem.

O único senão disso é quando o repouso é administrado a alguém que passa muito pouco tempo sentado ou deitado, a alguém que não pára quieto por esta ou aquela razão.

Como não podia correr nem fazer exercício intenso, procurei fazer algumas atividades a pé. Para entreter o filhote, não me neguei a fazer caminhadas com ele ao colo no ergo baby (onde tive dois belos momentos de dores sem sequer conseguir levantar a perna). Em vez de ir de carro ao centro de saúde, fui a pé (mais de 1,5 km para cada lado). Ainda que com muito menos intensidade, fiz estática (a própria médica aconselhou, mas também recomendou calma). Ou seja, parei de correr, mas não parei de fazer exercício. Passei para a estática e para o reforço muscular. Mas não repousei o suficiente. E poderei ter atrasado assim o processo de recuperação.

No entanto, em abono da verdade também é relevante dizer que esse exercício todo ajudou a manter o foco no regresso e que foi útil para recuperar a mobilidade e a flexibilidade.

IMG_20210710_055952.jpgNuma fase mais avançada da lesão, onde a medicação ajudava mas a dor teimava em não desaparecer, tive de recorrer a sessões bidiárias de alongamentos para ajudar o músculo piriforme. 

Já no tratamento de fisioterapia dediquei-me ao reforço muscular e à bicicleta estática. Sempre com o consentimento de quem me tratou. A condição era não provocar dor.

 

03
Out21

Entre a esperança e a desilusão


João Silva

Foi assim que vivi o período após o treino de 04 de setembro em que me lesionei.

Percebi logo que aquilo não tinha sido um episódio como outros em que consegui correr apesar de ter dores. Era uma lesão. A lesão que sempre achei que apareceria.

E com isso chegou o medo maior: O de não estar na maratona em novembro. Depois veio a calma e a ideia de que ainda havia tempo até ao dia da prova.

No entanto, comecei a gerar outro pensamento: com esta paragem da corrida ficava sem grandes perspetivas para um grande desempenho.

Até ao dia em que fui ao médico para ser avaliado, ora alimentava a esperança e o espírito combativo ora me deixava dominar pela tristeza e pela desilusão de quem, no fundo, sabia que tinha perdido um sonho que estava a construir.

O primeiro diagnóstico foi uma contratura no glúteo. E, efetivamente, o músculo estava duro e eu não conseguia abrir a perna, por exemplo. Nova ida ao centro de saúde uma semana depois e aí comecei a perceber que tinha um problema mais permanente.

Injeção para aqui, relaxantes musculares e anti-inflamatórios para ali. Nada de corrida, só bicicleta estática e reforço muscular. E repouso. Mais uma grande dose de esperança depois de deixar o centro de saúde. Mais uma dose de desilusão quando tive de lá voltar uma semana depois.

Logo de seguida, mais uma enorme dose de desilusão por não sentir evolução positiva no problema e por ver que a segunda médica percebia pouco do que se estava ali a passar.

Este limbo dos dois primeiros dias estendeu-se às três semanas seguintes.

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O desespero tratou de fazer o resto. Diz, quem viveu comigo nesse tipo, que o meu feitio ficou ainda mais detestável.

Gostava de dizer que não tinham razão...

Ao fim de três semanas, ganhei juízo e falei com a equipa. Fui visto na clínica que trata os elementos da ARCD e recebi a notícia de que tinha um bloqueio na zona sacro-ilíaca e uma tensão na banda iliotibial. Este tempo todo sem correr provocou também um encurtamento muscular na perna direita. 

No meio da desilusão de todo este tempo sem saber o que tinha, também houve espaço para a esperança. Tinha mais 2/3 semanas de tratamento localizado.

Esperança no regresso...

 

 

01
Out21

Foi ali que tudo parou (por uns tempos)


João Silva

Estava no penúltimo treino do segundo ciclo para a maratona. Estava no final da nona semana de treinos sem quaisquer paragens. Era dia de treino longo.

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Depois de uma noite com um bebé ao colo, comecei com algumas dores nas costas. Nada de anormal, pensei. Já tinha acontecido. O treino não estava a correr extraordinariamente bem.

Ao quilómetro 24 voei no bom sentido. Atingi o ritmo que queria e pensei que o treino tinha valido por aquela ponta final.

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Só não consegui prever que aquele seria o último treino de corrida durante algum tempo. Durante muito tempo. Demasiado tempo.

Ainda antes de acabar o treino, perto do quilómetro 27, senti um pequeno desconforto algures entre o glúteo médio e a zona lombar. Não foi nada de mais, mas comecei a sentir dificuldades para correr ao mesmo ritmo.  Quando parei, dez minutos depois, já não consegui andar em condições. A partir daí, fui tendo muitos problemas para mover a perna direita. O ato do pé a tocar no chão era muito doloroso.

Como previsto, fomos visitar os meus pais e senti dores de morte para ter o meu bebé ao colo. Mover a perna em condições era uma miragem. Percebi logo que não iria correr no dia seguinte.

Caminhar era um suplício. Havia movimentos "finos" em que não conseguia mexer a perna. Temi o pior e aconteceu o dito.

Estava longe de saber que aquilo ia comprometer (e mudar) a minha evolução para a maratona do Porto de 2021. Estava longe de tudo, sobretudo, de poder voltar a treinar.

28
Ago21

Como correr uma maratona aos olhos de um especialista


João Silva

Há muitas teorias, algumas balelas e muitos mitos sobre como correr uma maratona.

Depois há quem percebe da poda, porque passa pela experiência.

Sim, mais do que uma corrida, falamos de uma experiência.

É o caso do atleta Ben Parkes, britânico que vos apresentarei dentro de uns dias. 

Como criador de conteúdo, teve a fantástica ideia de dar dicas e sugestou sobre como correr uma maratona, seja para quem nunca o fez, seja para quem quer melhorar. 

A melhor marca dele nos 42 km anda nas 2h25. Nesta maratona do vídeo, fez 2h55.

Ainda assim, não "impinge" essa marca, não dá dicas com esse propósito. Procura, isso sim, tornar fácil aquilo que é duro. 

Digam de vossa justiça. 

 

26
Ago21

Vamos lá a isso?


João Silva

O ano não tem corrido bem. Não esperava um ano louco de retoma, mas confesso que não perspetivava tanta incerteza ainda nesta fase.

Já estou vacinado há algum tempo e desde então que me começou a morder o bichinho da competição. De tal forma que penso seriamente em fazer a maratona do Porto. Na verdade, já estou a trabalhar para isso desde a segunda metade de junho, sempre sem saber quando seria vacinado e se teria coragem para estar presente nessa multidão. Porque, na verdade, aqui é que está o meu problema, conseguir sentir-me bem e seguro no meio de tanta gente.

A organização ainda não informou se haverá lugar a cancelamento, pelo que, face ao atual ponto de desconfinamento, tudo se encaminha para a realização da prova. 

Sem saber se terei capacidade mental para enfrentar este receio de multidões (que, normalmente, não cumprem regras), continuo a treinar com a secreta certeza (muito duvidosa, de facto) de que lá estarei.

Se não for, será uma enorme pena e fica a frustração de um ano que podia ter nessa prova o ponto alto, mas pronto. A saúde e a segurança da minha pessoa e dos meus estão acima de tudo.

Muitos poderão achar um exagero, eu chamo-lhe precaução e algum medo, confesso.

Neste momento, a cabeça manda ter prudência quanto às expectativas, mas o coração acredita que vai lá estar.

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