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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

13
Out21

Também se abrem oportunidades


João Silva

É uma espécie de clichê mais recente no mundo do desporto. Porém, é verdade.

Sem me perguntarem, obviamente que não queria ter parado por causa de uma coisa que se arrasta há seis semanas. Até porque nunca se sabe o tempo exato que se demora a chegar novamente ao ritmo em que se estava. Que isso aconteça às portas da prova para a qual trabalhámos torna-se ainda mais doloroso.

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No entanto, após uma fase de "luto" (no meu caso, de revolta e de chatice), o chip muda.

Mediante a lesão, abrem-se algumas possibilidades de trabalhar outras coisas.

Novamente mediante a gravidade, estar lesionado também requer uma postura ativa da nossa parte, porque é necessário preparar o regresso sem o espectro de uma recaída.

No meu caso, depois de lamentar o sucedido e de parar de pensar no fim do mundo, procurei um conjunto de exercícios que potenciassem o reforço da zona afetada (glúteos e coxa). Também foi um momento em que trabalhei muito a zona abdominal.

Já sabia que nunca poderia começar logo no ritmo em que parei, portanto, era importante ter força em zonas estratégicas para suportar os primeiros dias de corrida, que ainda parecem uma miragem por esta altura.

A todo este nível, foi muito importante ter conhecimento de exercícios de ioga e de pilates. Igualmente essencial: os exercícios só foram feitos até ao ponto em que me senti confortável para não ressuscitar a dor.

Acho que, mais uma vez, se aplica o ditado "fecha-se uma porta, abre-se uma janela".

No meu caso esta janela foi aberta pela fisioterapia. Os exercícios de reforço do adutor e do glúteo não tardaram a dar uma enorme estabilidade à perna. A dor começou a espreitar apenas em momentos esporádicos. 

O caminho ainda parece ter alguns quilómetros até poder começar a correr, mas já há muitas melhorias e, sobretudo, crença...

11
Out21

Objetivos furados ou revistos


João Silva

Mesmo sem saber inicialmente se ia correr a maratona no Porto em novembro, treinei com um propósito na cabeça: fazer a prova em 3h15. O meu recorde atual está nas 3h21 também naquela cidade em 2019.

Tracei um plano diferente do habitual, mais centrado num ritmo elevado. Reuni várias informações de vários corredores mais experientes e foi assim que cheguei ao meu plano final, que fui ajustando em função do meu desgaste.

Isso deixou-me orgulhoso, honestamente. E houve momentos em que acreditei mesmo que era possível (tudo começa na crença e a minha baseava-se nos resultados dos treinos técnicos de velocidade). Também houve (muitos) momentos em que duvidei, principalmente, porque o plano era muito exigente, o que aumentava consideravelmente o cansaço.

Mas depois chegou a contratura muscular acompanhada do bloqueio da zona sacro-ilíaca e da tensão na banda iliotibial no final da nona semana de treinos. E isso obrigou-me a atrasar tudo. Já levo cerca de 8 semanas sem correr. Quando retomar a corrida, não terei logo o ritmo que tinha.

Muito longe disso. E para não prejudicar tudo e não correr o risco de me defraudar a sério, retirei a meta das 3h15. Já não fazia qualquer sentido. Não deixei de acreditar, porque sei que me transcendo nas provas de maratonas. Ficou, em vez disso, como desejo secreto.

Mas já não tenho esse valor médio como objetivo. Vai como sonho e, muito honestamente, um sonho que terá de esperar um ano para ser concretizado. Até porque esta lesão mostrou, uma vez mais, que não é um dado adquirido acabar uma maratona só porque já se fez a distância 10 vezes (quatro em provas). Cada maratona tem a sua história.

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E esta não contará a minha história.

09
Out21

A alimentação neste contexto


João Silva

Quando se tem um grande volume de treino, o gasto energético é elevado. Uma lesão pode significar uma quebra no exercício e, consequentemente, no consumo de alimentos.

A situação piora um pouco quando a lesão afeta alguém com algum histórico de obesidade. Não quer dizer que recaia à primeira oportunidade, nada disso, mas neste ponto é muito importante ter disciplina.

Desde que comecei a correr há quase cinco anos que sempre pensei: "como vou fazer quando/se não puder correr?".

Ponto prévio importante: já há mais de dois anos que não como produtos processados, gorduras saturadas ou açúcar/produtos com açúcar. Deixei porque não me fazia falta, o meu pensamento afastou-se desse tipo de alimentos. O foco na corrida foi decisivo para esse esquecimento. Não houve influências das modas.

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Posto isto, o meu problema com a lesão não era a tipologia de alimentos, era, isso sim, o ajuste da quantidade de comida. Não, o processo não é linear e, nos primeiros dias, o corpo vai pedir a quantidade de energia que estava habituado a receber. Só que não há um gasto igual. É necessário dizer não. Como já tinha tido estas experiências no passado, conhecia as reações do corpo: tonturas, momentos de muita fome (sobretudo ao acordar), má disposição. Tal como no passado, isto passa ao fim de alguna dias (cerca de uma semana) e permite-nos ajustar o corpo à energia de que precisa.

Por outro lado, os exercícios que foram introduzidos na fisioterapia e o tipo de treino alternativo que tive também me permitiram não fazer um corte muito brusco, porque isso seria complicado de gerir.

Quando se lesionam ou ficam impedidos de treinar por qualquer motivo, ajustam ou não o consumo energético?

07
Out21

Tratar de uma lesão

E lamber feridas pelo meio


João Silva

O processo começa por ser mental.

Por muito que quisesse manter a calma, a minha cabeça ia parar sempre ao pensamento de que poderia ter sido o fim. É algo estúpido e nem sequer tenho o direito de me queixar por me ter lesionado (só) agora (também fiz para que não acontecesse mais cedo, importa referir). Há que relativizar.

Depois do pensamento do "fim", veio o pensamento de que os objetivos para esta maratona seriam afetados (e foram). Aqui, tenho de ser sincero, já aceitei a realidade mas parece que vai ser muito complicado recuperar o nível em que já estava (com, por exemplo, 28 km corridos em 2 horas).

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Esta luta mental é a primeira grande barreira para aceitar e enfrentar uma lesão.

Até porque na parte mental também se insere a culpa pelo que aconteceu, mas são, efetivamente, situações que ocorrem algumas vezes sem erros. Porém, não foi o caso aqui.

A tudo isto segue-se a fase de tratamento. Aqui é importante adotar uma disciplina para que nada falhe, senão tudo o resto cai por terra.

O passo seguinte é a recuperação ativa. Sim, recuperar de uma lesão não é "só" esperar a ação do tratamento. Chega um momento em que é preciso fazer alguns exercícios para promover o reforço muscular (quando possível). Mas é preciso deixar vir o tal momento sem o provocar à força.

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Neste passo é muito importante ir com calma. É tão importante quanto difícil, sobretudo, quando se é muito ativo e quando se sente muita dificuldade em aceitar o impedimento de dado desporto.

Foi duro para mim. Vivi "no limbo". Ora preocupado porque não via melhorias e o tempo continuava a passar, ora entusiasmado nos momentos em que a dor aliviava.

E aqui tive de me reinventar. Não parei o exercício físico. Talvez devesse tê-lo feito, mas não deu. Não correr deixou-me a ressacar, quase ao ponto de olhar com "inveja" para quem via a correr (a dada altura, virou tristeza). Uma estupidez. Tal como foi o péssimo feitio com que fiquei (quer dizer, o feitio já era mau, acabou foi por ficar ainda pior).

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Sem corrida, concentrei-me na bicicleta estática (a uma velocidade muito muito lenta para não agredir a zona lesionada) e em muitos exercícios básicos de reforço muscular. O objetivo era não perder o máximo possível da forma que tinha.

E, se no início custou imenso arrancar para esta limitação, depois aceitei bem e comecei a redescobrir o entusiasmo com o treino. E porquê? Porque senti o meu corpo a melhorar. O anti-inflamatório etoricoxib estava a fazer efeito e a mobilidade foi aumentando. Mas isto foi nas primeiras noites. Assim que acabei o primeiro tratamento, tinha mais mobilidade mas também mais dores sem qualquer medicação. Mais uma ida ao centro de saúde.

As noites foram a parte mais difícil, porque o primeiro relaxante muscular me fazia sentir dores de morte ao levantar. Parecia que me ia desmontar. O segundo relaxante, por seu lado, acabou por me oferecer noites mais suaves.

Não foi o fim do mundo, há coisas bem piores, mas, quando é connosco, tudo tem um peso diferente. Por isso, é crucial ter cabeça fria para avaliar bem o estado das coisas.

05
Out21

Repousar ou o flagelo de um "mexilhão"


João Silva

Repouso. A arte de não forçar o corpo para o ajudar a recuperar. Tudo muito belo na teoria. Faz todo o sentido parar a dada altura para depois regressar bem.

O único senão disso é quando o repouso é administrado a alguém que passa muito pouco tempo sentado ou deitado, a alguém que não pára quieto por esta ou aquela razão.

Como não podia correr nem fazer exercício intenso, procurei fazer algumas atividades a pé. Para entreter o filhote, não me neguei a fazer caminhadas com ele ao colo no ergo baby (onde tive dois belos momentos de dores sem sequer conseguir levantar a perna). Em vez de ir de carro ao centro de saúde, fui a pé (mais de 1,5 km para cada lado). Ainda que com muito menos intensidade, fiz estática (a própria médica aconselhou, mas também recomendou calma). Ou seja, parei de correr, mas não parei de fazer exercício. Passei para a estática e para o reforço muscular. Mas não repousei o suficiente. E poderei ter atrasado assim o processo de recuperação.

No entanto, em abono da verdade também é relevante dizer que esse exercício todo ajudou a manter o foco no regresso e que foi útil para recuperar a mobilidade e a flexibilidade.

IMG_20210710_055952.jpgNuma fase mais avançada da lesão, onde a medicação ajudava mas a dor teimava em não desaparecer, tive de recorrer a sessões bidiárias de alongamentos para ajudar o músculo piriforme. 

Já no tratamento de fisioterapia dediquei-me ao reforço muscular e à bicicleta estática. Sempre com o consentimento de quem me tratou. A condição era não provocar dor.

 

03
Out21

Entre a esperança e a desilusão


João Silva

Foi assim que vivi o período após o treino de 04 de setembro em que me lesionei.

Percebi logo que aquilo não tinha sido um episódio como outros em que consegui correr apesar de ter dores. Era uma lesão. A lesão que sempre achei que apareceria.

E com isso chegou o medo maior: O de não estar na maratona em novembro. Depois veio a calma e a ideia de que ainda havia tempo até ao dia da prova.

No entanto, comecei a gerar outro pensamento: com esta paragem da corrida ficava sem grandes perspetivas para um grande desempenho.

Até ao dia em que fui ao médico para ser avaliado, ora alimentava a esperança e o espírito combativo ora me deixava dominar pela tristeza e pela desilusão de quem, no fundo, sabia que tinha perdido um sonho que estava a construir.

O primeiro diagnóstico foi uma contratura no glúteo. E, efetivamente, o músculo estava duro e eu não conseguia abrir a perna, por exemplo. Nova ida ao centro de saúde uma semana depois e aí comecei a perceber que tinha um problema mais permanente.

Injeção para aqui, relaxantes musculares e anti-inflamatórios para ali. Nada de corrida, só bicicleta estática e reforço muscular. E repouso. Mais uma grande dose de esperança depois de deixar o centro de saúde. Mais uma dose de desilusão quando tive de lá voltar uma semana depois.

Logo de seguida, mais uma enorme dose de desilusão por não sentir evolução positiva no problema e por ver que a segunda médica percebia pouco do que se estava ali a passar.

Este limbo dos dois primeiros dias estendeu-se às três semanas seguintes.

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O desespero tratou de fazer o resto. Diz, quem viveu comigo nesse tipo, que o meu feitio ficou ainda mais detestável.

Gostava de dizer que não tinham razão...

Ao fim de três semanas, ganhei juízo e falei com a equipa. Fui visto na clínica que trata os elementos da ARCD e recebi a notícia de que tinha um bloqueio na zona sacro-ilíaca e uma tensão na banda iliotibial. Este tempo todo sem correr provocou também um encurtamento muscular na perna direita. 

No meio da desilusão de todo este tempo sem saber o que tinha, também houve espaço para a esperança. Tinha mais 2/3 semanas de tratamento localizado.

Esperança no regresso...

 

 

01
Out21

Foi ali que tudo parou (por uns tempos)


João Silva

Estava no penúltimo treino do segundo ciclo para a maratona. Estava no final da nona semana de treinos sem quaisquer paragens. Era dia de treino longo.

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Depois de uma noite com um bebé ao colo, comecei com algumas dores nas costas. Nada de anormal, pensei. Já tinha acontecido. O treino não estava a correr extraordinariamente bem.

Ao quilómetro 24 voei no bom sentido. Atingi o ritmo que queria e pensei que o treino tinha valido por aquela ponta final.

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Só não consegui prever que aquele seria o último treino de corrida durante algum tempo. Durante muito tempo. Demasiado tempo.

Ainda antes de acabar o treino, perto do quilómetro 27, senti um pequeno desconforto algures entre o glúteo médio e a zona lombar. Não foi nada de mais, mas comecei a sentir dificuldades para correr ao mesmo ritmo.  Quando parei, dez minutos depois, já não consegui andar em condições. A partir daí, fui tendo muitos problemas para mover a perna direita. O ato do pé a tocar no chão era muito doloroso.

Como previsto, fomos visitar os meus pais e senti dores de morte para ter o meu bebé ao colo. Mover a perna em condições era uma miragem. Percebi logo que não iria correr no dia seguinte.

Caminhar era um suplício. Havia movimentos "finos" em que não conseguia mexer a perna. Temi o pior e aconteceu o dito.

Estava longe de saber que aquilo ia comprometer (e mudar) a minha evolução para a maratona do Porto de 2021. Estava longe de tudo, sobretudo, de poder voltar a treinar.

28
Ago21

Como correr uma maratona aos olhos de um especialista


João Silva

Há muitas teorias, algumas balelas e muitos mitos sobre como correr uma maratona.

Depois há quem percebe da poda, porque passa pela experiência.

Sim, mais do que uma corrida, falamos de uma experiência.

É o caso do atleta Ben Parkes, britânico que vos apresentarei dentro de uns dias. 

Como criador de conteúdo, teve a fantástica ideia de dar dicas e sugestou sobre como correr uma maratona, seja para quem nunca o fez, seja para quem quer melhorar. 

A melhor marca dele nos 42 km anda nas 2h25. Nesta maratona do vídeo, fez 2h55.

Ainda assim, não "impinge" essa marca, não dá dicas com esse propósito. Procura, isso sim, tornar fácil aquilo que é duro. 

Digam de vossa justiça. 

 

26
Ago21

Vamos lá a isso?


João Silva

O ano não tem corrido bem. Não esperava um ano louco de retoma, mas confesso que não perspetivava tanta incerteza ainda nesta fase.

Já estou vacinado há algum tempo e desde então que me começou a morder o bichinho da competição. De tal forma que penso seriamente em fazer a maratona do Porto. Na verdade, já estou a trabalhar para isso desde a segunda metade de junho, sempre sem saber quando seria vacinado e se teria coragem para estar presente nessa multidão. Porque, na verdade, aqui é que está o meu problema, conseguir sentir-me bem e seguro no meio de tanta gente.

A organização ainda não informou se haverá lugar a cancelamento, pelo que, face ao atual ponto de desconfinamento, tudo se encaminha para a realização da prova. 

Sem saber se terei capacidade mental para enfrentar este receio de multidões (que, normalmente, não cumprem regras), continuo a treinar com a secreta certeza (muito duvidosa, de facto) de que lá estarei.

Se não for, será uma enorme pena e fica a frustração de um ano que podia ter nessa prova o ponto alto, mas pronto. A saúde e a segurança da minha pessoa e dos meus estão acima de tudo.

Muitos poderão achar um exagero, eu chamo-lhe precaução e algum medo, confesso.

Neste momento, a cabeça manda ter prudência quanto às expectativas, mas o coração acredita que vai lá estar.

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06
Abr21

Certo e sabido


João Silva

Já era algo que pairava no ar há uns meses valentes. Portanto, agora o que venho aqui fazer é "comunicar" a minha opção. Ainda para mais, depois de a própria organização ter anunciado o cancelamento da prova. 

Face a todos os desenvolvimentos do último ano, em particular dos primeiros três meses de 2021, não conseguiria ter coragem para fazer a maratona oficial de Aveiro, marcada originalmente para o final deste mês, no dia 25.

Toda a evolução negativa do danado do bicho acabou por fazer das suas e já era expectável que a organização não avançasse. E bem, a meu ver. O anúncio pecou por tardio. Foi feito há pouco mais de um mês.

Na verdade, ainda antes disso não tinha condições nem confiança para estar no meio de multidões. Ainda não estou preparado para correr e estar próximo de muitas pessoas, muita gente mesmo. 

Não se faz de uma maneira, faz-se outra. Felizmente, nunca tive problemas em correr sozinho e, como tal, lá irei tentar fazer uma maratona oficiosa no espaço de um mês.

A capacidade de treino está lá, embora o desempenho tenha decrescido imenso por vários fatores. Ainda assim, há que dar a devida continuidade aos treinos. Quero acreditar que haverá mais oportunidades e, tendo em conta o medo e o risco, prefiro resguardar-me e aos meus, sem deixar de fazer desporto, o meu desporto, mas sem me mandar para fora de pé.

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Quem sabe?! Talvez em abril do próximo ano a consiga fazer. 

21
Fev21

(Não) havia necessidade?


João Silva

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Embora não atribua muita importância a isso, sei que há alguma perplexidade de umas quantas pessoas quando falo nas distâncias que corro, em particular, nas maratonas em treino. 

No fundo, entre outras coisas, isso acontece porque há o estigma de que não se deve correr a mesma distância de uma prova num treino.

Pois bem, percebo e respeito os argumentos, desde logo porque são distâncias muito duras e que não devem ser banalizadas.

Por outro lado, além de adorar testar os meus limites e de querer empurrá-los um pouco mais, tenho necessidade de perceber a reação do corpo numa distância de maratona antes mesmo de fazer uma oficial. Porquê? Pela necessidade de ajustar o meu esforço e de me preparar psicologicamente para o que vou enfrentar. Não me imagino a fazer uma maratona em prova sem antes ver como estou.

Há outras formas de melhorar o desempenho, mas o treino dessa distância já me deu ferramentas muito úteis em termos de abastecimento e de postura. 

Diz-se que o corpo melhora s sua forma de correr com o passar dos anos de treino. Acredito mesmo nisso. 

11
Dez20

Dois malucos juntos e dá "asneira"


João Silva

Já passaram algumas semanas, mas não podia deixar mencionar aqui que "acidentalmente" fiz a minha nona maratona (quinta em treinos) no dia 30 de novembro.

Porquê "acidentalmente"? Não sou inocente. Já sabia que o treino seria longo. A isto juntou-se o facto de ter ido treinar pela primeira vez com o muito estimado Zé Carlos.

Num treino no quinto dos infernos, ou seja, em terreno desconhecido para mim, saí de casa às 05h00. Estava longe de imaginar que ia acabar esse domingo com mais uma maratona no corpo. É aqui que entra o "acidentalmente".

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O treino foi todo a um ritmo muito confortável, mas quando o tempo começou a apertar e a hora de regressar a casa estava mesmo mesmo a queimar, fiz 30 minutos de uma intensidade que me arrumou o corpo nos dias seguintes. Nessa fase, já ia sozinho.

Fiquei feliz pela distância, mas menos feliz por a ter feito "a frio", sem uma preparação decente por trás. 

31
Out20

O mês de setembro visto ao longe


João Silva

Nem de propósito, terminamos as análises ao desempenho nos últimos três meses no último dia do mês. Gosto destas "coincidências". 

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O último mês de verão tornou-se em mais um momento assinalável.

Foi o mês em que fiz a minha sétima maratona (a quarta en treinos) e também o segundo com mais quilómetros corridos na minha vida. Além disso, como se não bastasse, marcou também uma alteração no sistema e na hora dos treinos, já que tive de me ajustar a novos desafios pessoais, o que redundou em acordares permanentes às 5h00. E que mágico é correr a essa hora. Um prazer, genuinamente.

A terminar, apesar de me ter faltado o gás nos últimos três dias do mês, ainda deu para passar os 670 km de corrida e para voltar a perceber que o corpo reage bem a alguns esticões. Foi isso que me mostrou que continua a ser possível sair de situações de habituação do corpo. E, do mesmo modo, que tudo depende da nossa atitude perante os imprevistos.

Este mês de outubro já foi muito mais condicionado (para melhor) pelo desempenho geral do verão.

Se doeu? Voltava a fazer tudo igual.

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26
Ago20

Podem não ser oficiais mas contam na mesma


João Silva

Como não podia deixar de ser, ter retomado a corrida em finais de maio veio aguçar-me o apetite.

Teve também o condão de me mostrar o quão irresponsavelmente lido com o meu corpo, mas isso agora não interessa.

 

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Como o bichinho continuou lá e até aumentou a sua insaciedade, ressurgiram os desejos de maipres distâncias. Os cerca de 24 km em duas horas já me pedem outro aliciante.

Como tal, o meu objetivo até ao final do ano passará pela realização de duas maratonas oficiosas aqui pelos arredores.
Oficiais não as haverá, mas as oficiosas também contam para mim, mostram-me o meu lado mais confiante e, paradoxalmente, mais temerário em relação a riscos corridos na gestão do esforço. Mostram-me como posso ser no meu elemento.


Portanto, até ao dia 31 de Dezembro, proponho-me a arranjar uma forma decente para completar duas vezes a distância mítica, ou seja, ainda é um processo para levar uns mesinhos.


Aqui direi se consigo ou não.

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29
Jul20

A Maratona de Berlim vista por quem já a correu


João Silva

A oportunidade surgiu e não a podia enjeitar.

Conhecedor da minha grande paixão por maratonas, o jovem de 69 anos que dá pelo nome de Manuel Sequeira e é jornalista/repórter/redator na Revista Atletismo, cedeu-me uma reportagem da sua autoria sobre a Maratona de Berlim.

Claro que não podia ficar "quieto" e sem me aguentar lá lhe pedi para republicar este texto grande que ele escrevera para a edição em papel da Revista Atletismo.

Gentil como só ele, deu-me autorização para partilhar convosco todo o seu testemunho.

Espero que, tal como eu, se deliciem com esta aventura do Manuel Sequeira, uma espécie de atletismo com pernas...

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O que acharam deste testemunho deste homem?

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