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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

16
Jan22

Tudo uma questão de dinâmica ou de estar parado


João Silva

Já sabem o que acho dos alongamentos. São vitais para qualquer desportista e para a qualidade do nosso dia-a-dia.

No entanto, os últimos anos de investigações na área do desporto vieram retirar algum peso aos alongamentos como os conhecemos.

Ou melhor, passou a fazer-se uma distinção global entre alongamentos estáticos e dinâmicos.

Os estáticos são os que já conhecemos Esticar uma perna, um joelho ou um braço e suportar o alongamento muscular durante 10 a 30 segundos. Repetir na outra perna (ou braço).

Aqui ficam outros exemplos:

O inconveniente que se encontrou neste tipo de alongamento foi o processo de esticar demasiado o músculo. A ação de puxar ou esticar pode provocar desequilíbrios num dos lados.

Com base nisso, sugere-se cada vez mais a adoção de alongamentos dinâmicos, que mais não são do queovimentos contínuos, sequências ritmadas de determinados músculos, com o intuito de preparar o corpo para o início da atividade física (aquece mais depressa os músculos, levando-lhes mais sangue mais rapidamente).

O problema maior deste tipo de alongamento está na intensidade. Fazer alguns destes exercícios, presentes no vídeo, a um ritmo elevado e intenso pode deixar o corpo demasiado alterado, fatigado antes do treino propriamente dito. 

Já no domínio das possibilidades, outra forma de alongar dinamicamente é recorrendo ao rolo de espuma.

No primeiro vídeo que aparece nwste texto, podem ver o testemunho de alguém que já corre há muito tempo e podem ficar a conhecer o método dele.

No fundo, tal como ele, também tenho um lado que tende para os alongamentos estáticos. No final de cada treino, procuro não falhar mesmo. Vou alternando os exercícios para não danificar os músculos. Contudo, não me fico por aqui. Procuro fazer muito rolo de espuma para desanuviar os nós musculares. 

A parte mais dinâmica dos alongamentos só começou a ser adotada por mim há pouco tempo, mas nota-se logo que o corpo fica mais preparado e com menos dores depois de um treino bem duro.

10
Nov21

Em águas de bacalhau

(O ponto em que tudo ficou)


João Silva

Li, informei-me, ouvi e vi. Mudei o plano. Criei um plano à minha medida para tentar fazer 3h15 na maratona do Porto em novembro.

Comecei na primeira semana de julho. Foram nove semanas de treino intenso até me ter lesionado com alguma seriedade. Foram dois ciclos de quatro semanas vocacionadas para o aumento da velocidade, da economia de corrida, para a melhoria da passada, da postura do corpo e da respiração. 

Entre estes dois períodos de quatro semanas intensas houve uma semana de treino de recuperação, de baixa intensidade. Como era suposto. A um dia de acabar o segundo ciclo, que foi mais duro, senti um desconforto, consegui acabar o treino longo e tive de ir para o estaleiro durante praticamente dois meses.

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Os meus sonhos para novembro caíram verdadeiramente por terra. A prioridade passou a ser perceber qual o problema físico, resolvê-lo e conseguir voltar a correr. E isso precisou e tem precisado de muito tempo.

Tendo recomeçado a corrida gradual a menos de duas semanas, ficava difícil retomar o ciclo na sua terceira fase, que era ainda mais intenso. Ia mandar-me novamente para o estaleiro. Cada vez tenho menos dúvidas disso.

Essa terceira fase terá de ficar para outras núpcias. Assim espero. Assim quero. Com os devidos ajustes.

Em termos concretos, de forma "sucinta", aconteceu o seguinte desde a primeira semana de julho até à primeira de setembro:

4 semanas - por semana, 1 treino de fartleks Watson (4' minutos em ritmo alto e 1' minuto em ritmo baixo, 8 repetições por sessão), 1 treino de VMA (fracionado de velocidade máxima, 10 repetições de 2 minutos em ritmo máximo e 2 minutos de recuperação a trote), 2 treinos longos acima de duas horas (um deles com 2h30). Os restantes dias foram ao ritmo mais baixo possível para recuperação.

 

Semana de recuperação apenas com um treino longo a ritmo baixo e com 10 repetições de VMA a 1'/1'.

 

Segundo ciclo de 4 semanas - por semana, fartleks Watson (8 repetições de 5'+1').

VMA - 12 repetições de 2'/2'.

2 treinos longos ao fim de semana: um com 2h15 e o outro com 2h45.

Em termos musculares: oito semanas com 10' por dia que foram alternando ao fim de sete dias, com valorização de abdominais, equilíbrio, postura, glúteos e pranchas.

A tudo isto juntei sessões diárias de 7 minutos de rolo muscular para recuperação.

Ficou a faltar o descanso efetivo. Foi esse o problema.

31
Out21

Os ensinamentos deste berbicacho


João Silva

Assim que me lesionei, reagi com maior serenidade do que pensava, apesar do desespero que senti. Antes de prosseguir, volto a dizê-lo: há coisas piores na vida. Nasci numa família sem meios e só aos 12 anos tive o "luxo" de ter luz elétrica em casa, por exemplo. Portanto, este é um problema menor. Ainda que tivesse sido (muito) doloroso a vários níveis.

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Continuando a dissertação principal, procurei logo retirar aspetos positivos da lesão.

O primeiro: pude passar mais tempo em casa com os meus. Não que passasse pouco, mas ganhei mais uns belos minutos. 

Os restantes:

Poder escrever no blogue enquanto fazia bicicleta estática a passo de caracol para não sobrecarregar a coxa nem o glúteo.

Necessidade de refletir a sério sobre a forma como treino.

Decisão de mudar composição futura dos treinos longos (quando puder voltar a fazê-los em condições, sem dores).

Aproveitar melhor o tempo para treinar. Estando em casa, é mais difícil fazer o treino seguido porque há sempre interrupções necessárias.

Perceber que tenho de cuidar mais do meu corpo, que não posso ser tão bruto no que exijo dele.

Obrigar-me a abdicar de algumas sessões de exercícios quando o corpo deu sinais de cansaço.

Apreciar ainda mais os sítios por onde corri e sentir saudades disso. Ajudou a cultivar a paixão pela corrida.

O reagir de forma mais calma deu lugar ao desconcerto emocional e ao desespero (e à frustração) à medida que o tempo de paragem foi aumentando.

A passagem do tempo vai trazer-me outros ensinamentos. Vou ter deixar tudo isso chegar de forma natural. Não vale de nada forçar.

De uma coisa não tenho dúvidas, há um pré-lesão e um pós-lesão. O resto logo verei na devida altura.

 

29
Out21

Uma lesão que veio na altura certa 


João Silva

Bem sei que isto é contestável. Obviamente que não veio, mas aqui refiro-me à necessidade de paragem da corrida (felizmente, consegui fazer exercícios de bicicleta estática sem impacto e muito reforço muscular das zonas que não foram afetadas). 

A minha tese é a seguinte: se isto me tivesse acontecido há cinco anos, quando estava a começar o processo de perda de peso através do desporto, havia uma enorme probabilidade de não continuar. De recair, de voltar aos mesmos erros na alimentação. Porquê?

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Porque não tinha conhecimento da panóplia de exercícios que poderia fazer na ausência da grande força motriz.

Porque não tinha o conhecimento das necessidades alimentares e do tipo de alimentos que podia ingerir numa fase de menor gasto energético. Não conhecia as alternativas alimentares como abóboras assadas, batatas doces, abóboras Hokkaido com sal, etc. Ou seja, já comia legumes, sempre adorei, mas percebi que os consigo comer em abundância para encher o estômago nas alturas de maior aperto, de ansiedade, da fome por compensação. Percebi as diferentes composições nutricionais e agora jogo com isso. 

É por isso que agradeço que isto me tenha acontecido (já que aconteceu e não posso mudar isso) apenas agora, porque neste momento sei lidar com essa adversidade sem cair em padrões comportamentais passados.

Tinha de servir para alguma coisa...

27
Out21

As noites não foram más, foram péssimas


João Silva

Esta é uma crónica das primeiras noites lesionado...

 

No fim da primeira semana lesionado, acabei o primeiro tratamento receitado pela médica (para esse período). Para não viciar o corpo com medicamentos, parei o Voltaren, não tomei paracetamol, nada. Sem o etoricoxib (medicamento receitado pela médica), as dores foram regressando. Chegaram a passar o nível que tinham atingido nas primeiras noites.

A oitava noite que passei lesionado foi horrível (não que as outras tenham sido melhores). A sensação de ardor a rasgar toda a coxa. A irradiação para a zona da virilha e para a parte lombar. 

O pico da dor noturna aconteceu na décima noite em que dormi com esta lesão. A minha perna parecia querer sair do corpo. As costas, na região lombar, comiam-me vivo. Todo o esforço do dia (simplesmente o facto de estar de pé e de andar para trás e para a frente e de ter ido às compras) culminou em dores novas na parte inferior da perna. A coxa ardia, parecia que tinha recebido facadas infinitas, o adutor e o glúteo queriam enrijecer à força e nem o calcanhar (com o tendão de Aquiles) escapou. Nessa noite, véspera da segunda ida ao médico, levantar-me de noite para ir beber água era uma tarefa incrivelmente difícil.

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Após a segunda ida ao médico, as noites ficaram mais calmas. Ainda assim, as dores não foram embora.

Foram precisas muitas noites para conseguir ter a sensação de me levantar sem dores. 

No início deste mamarracho, quando era preciso adormecer o bebé a caminhar pela casa, tudo piorava. 

Só em outubro, quando comecei a fazer fisioterapia, é que comecei a ter mais qualidade nas minhas noites. 

Durante o dia, como não se pára, tudo é relativizado. Mas durante a noite. Ui, ui!! 

Aparece tudo a dobrar!!!

25
Out21

Afinal não era assim tão "simples"

Um rewind com direito a fast forward


João Silva

Afinal a ligeira contratura era muito mais do que isso. Escondia uma síndrome do músculo piriforme com bloqueio da zona sacro-ilíaca e tensão na banda iliotibial. 

Uma semana após a toma de anti-inflamatórios, injeções e relaxantes musculares (prescritos pela médica), as dores voltaram em força. Em desespero, ainda esbocei uma tentativa inútil de corrida. Na verdade, foram uns passinhos apressados. Levei logo uma chapada de realidade. Dores, dores e mais dores a cada impacto. Se já as sentia a andar normalmente e com o meu filhote ao colo, o que podia esperar de um trote baixíssimo? 

A realidade era mais dura. Após a primeira semana de tratamento, recuperei a minha mobilidade na perna direita, mas não resolvi o problema principal. Era sério. Só podia. Para não me deixar andar sem dores, só podia ser algo que não passaria apenas numa semana. E não foi. Durou, durou, durou.

E lá fui novamente ao centro de saúde. Detesto ir a hospitais e centros de saúde. Fujo a sete pés. Para lá ir duas vezes no espaço de uma semana, tinha de ser sério. E só fui porque estava impedido de correr. Confesso. Se puder correr, mesmo com ligeiras dores, está tudo bem. Sem correr, está tudo péssimo. E, de certo modo, foi mesmo isso.

Mais anti-inflamatórios e um relaxante muscular mais "requintado". 

Os dois medicamentos ajudaram, mas a dor nunca desapareceu. Nada. Já nem sequer andava de forma normal. Comecei a compensar todos os movimentos com o resto do corpo. Demorava imenso tempo a caminhar. O glúteo continuou a enrijecer a cada passo que dava.

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Para não perder mais tempo com caminhadas longas e dolorosas até ao centro de saúde, mandei e-mail à médica de família.

Já ia na terceira semana e foi aí que me receitou Tramadol (75 mg!!!!!!) e um complexo vitamínico com vitaminas B1, B6 e B12.

Primeiro, fiquei estupefacto. Levantei o tramadol mas não tomei. Já tinha visto o que fez à Diana e isto apenas com 35 mg. Aquilo "desliga" o sistema nervoso central. É um opioide. "Ruminei" muito esta situação até decidir que ia falar com a equipa para poder fazer fisioterapia. 

Sim, estava com muitas dores, mas caramba, não queria ficar um zombie. Não tomei e hoje vejo que foi o melhor. A solução estava onde também acreditava (apesar de ter demorado a fazer fisioterapia). 

O que ajudou mesmo muito foi o complexo vitamínico Neurobion. Na altura, fiquei desconfiado. Como podia ela querer tratar isto com vitaminas?

A verdade, tenho de reconhecer, é que as vitaminas tinham uma atuação a nível muscular e neuronal. Não me deixaram como novo, porque isso ficou a cargo da fisioterapia, mas abriram a porta para tudo corresse melhor.

Uma coisa é certa, se tivesse sido tão simples quanto achou a primeira médica, não tinha parado de correr até ao dia de hoje, quase dois meses depois. E ainda não tive "autorização" para recomeçar.

13
Out21

Também se abrem oportunidades


João Silva

É uma espécie de clichê mais recente no mundo do desporto. Porém, é verdade.

Sem me perguntarem, obviamente que não queria ter parado por causa de uma coisa que se arrasta há seis semanas. Até porque nunca se sabe o tempo exato que se demora a chegar novamente ao ritmo em que se estava. Que isso aconteça às portas da prova para a qual trabalhámos torna-se ainda mais doloroso.

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No entanto, após uma fase de "luto" (no meu caso, de revolta e de chatice), o chip muda.

Mediante a lesão, abrem-se algumas possibilidades de trabalhar outras coisas.

Novamente mediante a gravidade, estar lesionado também requer uma postura ativa da nossa parte, porque é necessário preparar o regresso sem o espectro de uma recaída.

No meu caso, depois de lamentar o sucedido e de parar de pensar no fim do mundo, procurei um conjunto de exercícios que potenciassem o reforço da zona afetada (glúteos e coxa). Também foi um momento em que trabalhei muito a zona abdominal.

Já sabia que nunca poderia começar logo no ritmo em que parei, portanto, era importante ter força em zonas estratégicas para suportar os primeiros dias de corrida, que ainda parecem uma miragem por esta altura.

A todo este nível, foi muito importante ter conhecimento de exercícios de ioga e de pilates. Igualmente essencial: os exercícios só foram feitos até ao ponto em que me senti confortável para não ressuscitar a dor.

Acho que, mais uma vez, se aplica o ditado "fecha-se uma porta, abre-se uma janela".

No meu caso esta janela foi aberta pela fisioterapia. Os exercícios de reforço do adutor e do glúteo não tardaram a dar uma enorme estabilidade à perna. A dor começou a espreitar apenas em momentos esporádicos. 

O caminho ainda parece ter alguns quilómetros até poder começar a correr, mas já há muitas melhorias e, sobretudo, crença...

11
Out21

Objetivos furados ou revistos


João Silva

Mesmo sem saber inicialmente se ia correr a maratona no Porto em novembro, treinei com um propósito na cabeça: fazer a prova em 3h15. O meu recorde atual está nas 3h21 também naquela cidade em 2019.

Tracei um plano diferente do habitual, mais centrado num ritmo elevado. Reuni várias informações de vários corredores mais experientes e foi assim que cheguei ao meu plano final, que fui ajustando em função do meu desgaste.

Isso deixou-me orgulhoso, honestamente. E houve momentos em que acreditei mesmo que era possível (tudo começa na crença e a minha baseava-se nos resultados dos treinos técnicos de velocidade). Também houve (muitos) momentos em que duvidei, principalmente, porque o plano era muito exigente, o que aumentava consideravelmente o cansaço.

Mas depois chegou a contratura muscular acompanhada do bloqueio da zona sacro-ilíaca e da tensão na banda iliotibial no final da nona semana de treinos. E isso obrigou-me a atrasar tudo. Já levo cerca de 8 semanas sem correr. Quando retomar a corrida, não terei logo o ritmo que tinha.

Muito longe disso. E para não prejudicar tudo e não correr o risco de me defraudar a sério, retirei a meta das 3h15. Já não fazia qualquer sentido. Não deixei de acreditar, porque sei que me transcendo nas provas de maratonas. Ficou, em vez disso, como desejo secreto.

Mas já não tenho esse valor médio como objetivo. Vai como sonho e, muito honestamente, um sonho que terá de esperar um ano para ser concretizado. Até porque esta lesão mostrou, uma vez mais, que não é um dado adquirido acabar uma maratona só porque já se fez a distância 10 vezes (quatro em provas). Cada maratona tem a sua história.

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E esta não contará a minha história.

09
Out21

A alimentação neste contexto


João Silva

Quando se tem um grande volume de treino, o gasto energético é elevado. Uma lesão pode significar uma quebra no exercício e, consequentemente, no consumo de alimentos.

A situação piora um pouco quando a lesão afeta alguém com algum histórico de obesidade. Não quer dizer que recaia à primeira oportunidade, nada disso, mas neste ponto é muito importante ter disciplina.

Desde que comecei a correr há quase cinco anos que sempre pensei: "como vou fazer quando/se não puder correr?".

Ponto prévio importante: já há mais de dois anos que não como produtos processados, gorduras saturadas ou açúcar/produtos com açúcar. Deixei porque não me fazia falta, o meu pensamento afastou-se desse tipo de alimentos. O foco na corrida foi decisivo para esse esquecimento. Não houve influências das modas.

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Posto isto, o meu problema com a lesão não era a tipologia de alimentos, era, isso sim, o ajuste da quantidade de comida. Não, o processo não é linear e, nos primeiros dias, o corpo vai pedir a quantidade de energia que estava habituado a receber. Só que não há um gasto igual. É necessário dizer não. Como já tinha tido estas experiências no passado, conhecia as reações do corpo: tonturas, momentos de muita fome (sobretudo ao acordar), má disposição. Tal como no passado, isto passa ao fim de alguna dias (cerca de uma semana) e permite-nos ajustar o corpo à energia de que precisa.

Por outro lado, os exercícios que foram introduzidos na fisioterapia e o tipo de treino alternativo que tive também me permitiram não fazer um corte muito brusco, porque isso seria complicado de gerir.

Quando se lesionam ou ficam impedidos de treinar por qualquer motivo, ajustam ou não o consumo energético?

07
Out21

Tratar de uma lesão

E lamber feridas pelo meio


João Silva

O processo começa por ser mental.

Por muito que quisesse manter a calma, a minha cabeça ia parar sempre ao pensamento de que poderia ter sido o fim. É algo estúpido e nem sequer tenho o direito de me queixar por me ter lesionado (só) agora (também fiz para que não acontecesse mais cedo, importa referir). Há que relativizar.

Depois do pensamento do "fim", veio o pensamento de que os objetivos para esta maratona seriam afetados (e foram). Aqui, tenho de ser sincero, já aceitei a realidade mas parece que vai ser muito complicado recuperar o nível em que já estava (com, por exemplo, 28 km corridos em 2 horas).

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Esta luta mental é a primeira grande barreira para aceitar e enfrentar uma lesão.

Até porque na parte mental também se insere a culpa pelo que aconteceu, mas são, efetivamente, situações que ocorrem algumas vezes sem erros. Porém, não foi o caso aqui.

A tudo isto segue-se a fase de tratamento. Aqui é importante adotar uma disciplina para que nada falhe, senão tudo o resto cai por terra.

O passo seguinte é a recuperação ativa. Sim, recuperar de uma lesão não é "só" esperar a ação do tratamento. Chega um momento em que é preciso fazer alguns exercícios para promover o reforço muscular (quando possível). Mas é preciso deixar vir o tal momento sem o provocar à força.

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Neste passo é muito importante ir com calma. É tão importante quanto difícil, sobretudo, quando se é muito ativo e quando se sente muita dificuldade em aceitar o impedimento de dado desporto.

Foi duro para mim. Vivi "no limbo". Ora preocupado porque não via melhorias e o tempo continuava a passar, ora entusiasmado nos momentos em que a dor aliviava.

E aqui tive de me reinventar. Não parei o exercício físico. Talvez devesse tê-lo feito, mas não deu. Não correr deixou-me a ressacar, quase ao ponto de olhar com "inveja" para quem via a correr (a dada altura, virou tristeza). Uma estupidez. Tal como foi o péssimo feitio com que fiquei (quer dizer, o feitio já era mau, acabou foi por ficar ainda pior).

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Sem corrida, concentrei-me na bicicleta estática (a uma velocidade muito muito lenta para não agredir a zona lesionada) e em muitos exercícios básicos de reforço muscular. O objetivo era não perder o máximo possível da forma que tinha.

E, se no início custou imenso arrancar para esta limitação, depois aceitei bem e comecei a redescobrir o entusiasmo com o treino. E porquê? Porque senti o meu corpo a melhorar. O anti-inflamatório etoricoxib estava a fazer efeito e a mobilidade foi aumentando. Mas isto foi nas primeiras noites. Assim que acabei o primeiro tratamento, tinha mais mobilidade mas também mais dores sem qualquer medicação. Mais uma ida ao centro de saúde.

As noites foram a parte mais difícil, porque o primeiro relaxante muscular me fazia sentir dores de morte ao levantar. Parecia que me ia desmontar. O segundo relaxante, por seu lado, acabou por me oferecer noites mais suaves.

Não foi o fim do mundo, há coisas bem piores, mas, quando é connosco, tudo tem um peso diferente. Por isso, é crucial ter cabeça fria para avaliar bem o estado das coisas.

12
Jan21

As lesões de um corredor - parte V


João Silva

Para terminar esta rubrica, que já vem longa, exponho as duas últimas lesões apresentadas no livro Corrida e maratona, da editora DK.

Como último capítulo, falamos de fascites, ou de inflamações nas fascias, uma zona suave de revestimento dos músculos e que é muito importante na horas de proteger estes últimos. 

Portanto, no menu temos tendinopatia de Aquiles, fascite e

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lesões nos tendões do pé e do tornozelo. 

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Acrescentariam mais alguma à toda esta lista das últimas semanas?

Mantenham-se longe das lesões e próximos das corridas. 

10
Jan21

As lesões de um corredor - parte IV


João Silva

Segue-se mais um capítulo nesta senda de divulgações do livro da DK, Corrida e maratona.

Na linha do que expliquei ainda em dezembro, o objetivo disto passa por vos dar conhecimento na hora de perceberem se têm uma lesão, onde se encontra e como pode ser debelada.

Portanto desta feita, exponho a canelite (que afeta imensas pessoas e que, na verdade, pode ser facilmente debelada, se for detetada a tempo), a síndrome compartiments (que não conhecia, confesso) 

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e ainda com as malfadada lesões nos tornozelos, uma zona do corpo que paga a fatura do esforço e, muitas vezes, dá "negligência". 

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Por aí há alguém que já tenha tido alguma lesão destas? 

08
Jan21

As lesões de um corredor - parte III


João Silva

Ano Novo, continuação das rubricas antigas. 

Terminámos a falar de lesões e são estas que retomamos agora em 2021, sempre com o objetivo de partilhar conhecimento. Até porque saber é poder.

Por isso, seguem-se mais duas lesões com textos e imagens da revista Corrida e maratona, da editora DK:

lesão nos ligamentos (daquelas que podem acabar com os sonhos de qualquer corredor) 

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e fraturas de esforço e joelho de corredor (não, não é ter um joelho musculado, sequinho e de fazer inveja) 

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Ja houve algum destes problemas desse lado? 

 

29
Dez20

As lesões de um corredor - parte II


João Silva

Depois da primeira publicação há dois, seguem-se agora mais lesões devidamente apresentadas e explicadas pela revista Corrida e maratona.

Se forem como eu, mesmo não decorando tudo (até porque os termos aqui usados são técnicos), vão gostar de saber o que vos pode eventualmente afetar e, com base no dito conhecimento, poderão tratar os problemas.

Hoje trago-vos mais duas lesões:

a dor lombar (extremamente famosa e incómoda) 

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e a síndrome da banda iliotibial (um dos maiores problemas entre os corredores e que acaba por passar despercebida) 

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Já houve destes males por essas bandas? 

27
Dez20

As lesões de um corredor - parte I


João Silva

Felizmente, não há uma relação direta comigo ou com algum problema físico que tenha tido, no entanto, achei que faria todo o sentido apresentar-vos algumas páginas do livro Corrida e maratona (edições DK). Porquê?

Porque, munidos de imagens da zona corporal afetada, expõe a lesão, como pode ter ocorrido, qual o tratamento e qual a ligação com outras zonas do corpo. 

Todas as imagens que surgirem na sequência destas publicações das lesões provêm da revista supramencionada.

Arrancamos hoje com duas lesões, que dão pelo nome de luxação

IMG_20200913_180342.jpg

e de bursite (desconhecia esta por completo). 

IMG_20200913_180350.jpg

Alguém já fez parte do grupo de afetados destas duas? 

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