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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

08
Fev20

“O medo é um lençol com ar por baixo”


João Silva

A frase não é minha, mas “apropriei-me” dela por lhe reconhecer verdade na significação.

Sobretudo numa fase em que a minha cabeça me levantou tantos problemas e me criou tantas barreiras e medos, foi útil rever nesta afirmação da psiquiatra Maria de Vasconcelos.

O medo inibe, todos o sabem. De uma forma ou de outra, já todos vivemos períodos em que não agimos porque acreditámos que nos iríamos magoar ou não iríamos conseguir.

Esta minha fase não teve a ver com as minhas capacidades desportivas mas sim pessoais, porque é a esse nível que as barreiras mais têm crescido e é aí que preciso de atuar para destruir os meus medos.

Se no segundo semestre de 2019 senti o quão importante é a crença para alcançar objetivos, neste início de 2020, por todas as mudanças que estão a ocorrer na minha vida, sinto que a crença me está a abandonar e isso agrava o lado negativo das coisas. Portanto, o tal medo é alimentado pela descrença, neste caso. Foi, por conseguinte, muito importante perceber em que medida podia tirar o ar debaixo do dito lençol.

Foram dois os polos de insuflação dos meus medos, com a parte da alimentação à cabeça. Uma vez mais, pude experienciar em primeira mão os efeitos nefastos de uma alimentação demasiado restritiva nos processos cognitivos, o que retira beleza a coisas que aí vêm e que são positivas.

Portanto, em jeito de ajuda, diria que é importante olhar para a altura do lençol e, gradualmente e com base numa análise cuidada, retirar algum ar ao dito. Não acho que se deva ignorar o que está por baixo do lençol, considero, isso sim, que devemos olhar de frente para o que lá está e que precisamos de desconstruir a ideia que levou à insuflação, porque só dessa forma o lençol baixa e nós conseguimos avançar.

O medo tolhe movimentos, mas não podemos ter medo de enfrentar o medo. Devemos confrontá-lo para o derrotar. No entanto, até isso acontecer, importa não perder a racionalidade e tal implica termos gente boa do nosso lado que não desista de nós, porque o processo pode ser doloroso.

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