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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

24
Abr22

Estagnar é (muito) mau, andar para trás é doloroso


João Silva

Olhando para trás, ao fim de quase cinco anos e meio, vejo que foram muitas as vezes em que não consegui fazer o que queria em termos de treinos. 

Percebo que estagnei muitas vezes. Se o primeiro ano foi de grandes mudanças, como era suposto, depois passei muito tempo atrás daquilo que já tinha acontecido no passado.

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Se, por um lado, é bom saber que chegamos a determinado ponto e que, se estamos mal, é apenas uma fase, por outro, não adianta perseguir aquilo que, a dada altura, se torna muito distante.

O que mais me desilude é ter esta noção de que o excesso de treinos me minou a evolução e que, à exceção de alguns períodos de provas, nunca consegui estar em plena forma durante muitos meses. Até me ter lesionado a sério. Foi o episódio de que precisava para abrir os olhos. Sobretudo, em termos de qualidade de treino e ao nível dos resultados.

A chave para subir a forma é combinar os treinos de elevada intensidade com períodos de descanso. Sei que falhei nesse capítulo. Durante muito tempo, como não "sabia" o conceito de abrandar, o corpo não deixou fazer mais sessões de treinos de velocidade pura. Outra das causas estúpidas para isso foi acreditar que, para poder comer (coisas "normais" no meu estilo de vida atual), tinha de treinar sempre e sem olhar para trás. Tudo isso me levou a um ponto em que não consegui evoluir. 

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Agora tornei-me constante, tenho sido paciente e os resultados dos treinos estão a materializar-se em boas sensações do corpo e em resultados práticos, mas dói perceber que fui muito burro (por culpa própria) durante tanto tempo. Sobretudo, custa saber que se tem as ferramentas certas e que bastava ter calma e método.

Não gosto de ser conhecido como o tolinho que corre muito. Porque sim, corro muitos quilómetros, mas gostava que esta quantidade se transformasse em algo palpável. Não falo de pódios, embora pense neles, ainda assim, sinto que sei qual o caminho teórico a percorrer para chegar lá e que acabo a andar para trás por "cegueira". 

No entanto, os últimos cinco meses, no balanço do meu regresso da lesão, provaram que afinal aprendemos com os erros.

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Pior do que estagnar é ficar pior do que se estava. Isso aconteceu-me no ano passado depois de ter corrido os 50 km pela primeira vez. 

Não foi a distância a provocar isso, foi a falta de descanso e a incapacidade para mudar métodos.

Aceitei o que me aconteceu e todas as dores reais que tive e, na verdade, nem posso dizer que tenha sido tudo mau, porque consegui mudar a minha passada para o pé direito (passei a conseguir marcar ritmo com os dois) e consegui mudar um pouco as cargas do fim de semana e apostar no reforço muscular. Só que já foi muito tarde naquela altura. O corpo já estava muito massacrado e nunca mais consegui ter regularidade num ritmo que me permitisse fazer 18 km em 1h30 (era o normal em períodos bons) sem me deixar quase k.o. nos dias seguintes.

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Isso doeu tanto. Representou um enorme fracasso e foi provocado por mim. Diria que é um pouco o resumo da minha vida.

Digerir tudo isto não foi fácil... mas o que não nos mata, torna-nos mais fortes... foi o caso. Pelo menos, por agora.

 

11
Fev22

Os dias de merda podem valer ouro


João Silva

Alguém dizia há algum tempo que não se aprende com os momentos bons. 

Na verdade, nos dias bons a nossa disposição para refletir no curso das coisas não é muito grande. Ficamos vulneráveis perante o sucesso.

Transportando isto para o desporto, a ideia é simples: em condições ideais, um treino brutalmente bom terá sido o reflexo de coisas bem feitas. Portanto, se não tiver sido uma coincidência, nao haverá muito a mudar.

Por outro lado, os dias de cão, aqueles mesmo merdosos em que as coisas não saem, seja na vida normal ou no desporto, vão levantar dúvidas. Vão meter-nos em causa. E é aqui que esse mau-estar pode funcionar a nosso favor. É aqui que encontramos a chave da evolução.

Mas tudo tem o seu tempo. Quando as coisas correm mal, é preciso tempo para encaixar e aceitar, para lidar com a frustração. Depois chega a hora de analisar de forma fria e honesta para connosco. Não adianta sermos moles. Temos de ir ao centro da questão e temos de ser honestos connosco.

A partir daqui, importa traçar novos planos que permitam mudar o que está mal.

Viver com dias maus é um pouco como viver no limbo. Tem tanto de mau como de bom. Precisamente porque ou nos ajuda ou nos enterra.

Embora seja uma pessoa muito emotiva, muito revoltada e impulsiva, tenho sempre este lado dentro de mim: no momento em que tudo corre mal, penso que haverá forma de tirar dali alguma coisa boa. E há, sempre, mesmo nas coisas horrendas da vida. Só que isso requer tempo e distanciamento.

Concordam?

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14
Jul21

Precisas de uma lebre


João Silva

Em conversa com um estimado colega destas andanças, partilhei um dos meus grandes objetivos (sonhos) num futuro próximo e a médio prazo: entrar no grupo dos que correm uma maratona em menos de 3 horas.

Neste momento, ando algures entre 3h20 e 3h30, o que significa que ainda é um belo esticão. 

Esse meu colega disse-me a dada altura: precisas de uma lebre a correr contigo.

Sendo um lobo solitário, não dei especial importância, até porque sei o que preciso de fazer para correr mais rápido: aprimorar o meu plano para treinos de Vma. 

No entanto, os últimos meses mostraram que, afinal, seria importante ter uma lebre a puxar por mim. Seria uma espécie de benefício mútuo. 

Se facto, por muito que treine no limite, nunca estarei no limite das minhas capacidades porque me falta aquela motivação extra do fator "competição".

Penso bem na "coisa", os grandes atletas têm uma equipa de atletas (os pacers) a trabalhar com eles para os fazer chegar mais além.

Por razões várias, por agora, não estou a "aceitar candidaturas" para lebres. Por agora...porque me parece que vou precisar para atingir o nível seguinte.

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10
Jun21

No meu tempo...


João Silva

Apesar de fazer muitas referências ao passado em muitos assuntos, ainda não recorro muito à expressão que usei no título. Talvez porque ainda não me sinta velho e, de certeza, porque não o sou. Curioso, em forma de antítese, a ideia do meu pai, que se acha velho e tem apenas 55 anos. 

A propósito disso, há uns tempos, a falar de corrida, porque ele também foi atleta, disse-me "no meu tempo, não queríamos saber disso, era pôr os pés na estrada e correr". O tema incidia sobre a importância da técnica de corrida. Chutei para canto.

Mais recentemente, quando lhe expliquei por que usava sapatilhas de corrida, disse-me que não havia melhores do que as dele. Diga-se que as dele eram sapatilhas casuais normais, com uma sola rígida e ideais para deslocar uma rótula ao primeiro impacto.

Aquela conversa fez-me pensar nas muitas diferenças entre o corredor típico da época do meu pai e o da minha.

Tendo em conta que o investimento não era uma prioridade na altura, já que o dinheiro tinha para onde ir, não deixa de ser interessante que um corredor de há 35 anos so precisava de uma t-shirt e de uns calções. Quanto a meias e a sapatilhas, era o que houvesse.

Quando penso em mim e no que considero essencial, vejo que não é nada assim. Por outro lado, há que admitir, também se cai muito no excesso. 

Voltando a mim: sapatilhas de corrida (mesmo que a um preço muito acessível), meias próprias, perneiras, collants no inverno, joelheiras por causa do impacto em alguns treinos, calções, luvas no inverno, t-shirt respirável, bolsa para telemóvel, gorro no inverno. Como corro de madrugada, ainda acrescento frontal, dínamos e fita refletora. Ah, e relógio GPS. Pouca coisa, portanto. É preciso uma sessão só para me vestir.

Mais a sério, há aqui algumas coisas dispensáveis, mas os tempos são outros. Mais do que de estilo, falamos de tornar uma atividade desportiva dura em algo confortável.

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Tal como noutras áreas da vida, houve evolução e já nem me atrevo a ir para a mentalidade, porque aí as diferenças são mais gritantes. Alongamentos, exercícios complementares de reforço muscular e treino cruzado são coisas que ainda não existem para muitos corredores mais velhos. 

E por aí, como se vê a evolução geracional naquilo que gostam de fazer. 

28
Mar21

Mais uma descoberta das úteis


João Silva

Se há coisa que gosto de fazer é procurar pessoas com igual (ou superior) nível de paixão pela corrida e que sejam capazes de o transmitir sem arrogância e com simplicidade.

Em várias pesquisas cruzadas no YouTube, deparei-me com uma mina de conhecimento.

Como não podia deixar de ser, trata-se de um francês. É, na verdade, um enorme mercado para os amantes e corrida. Além disso, são muita atenção a todos os pormenores deste desporto.

Aprende-se imenso com esta malta. Foi e é o caso do Running addict.

Podem consultar o site aqui: https://www.running-addict.fr/

Podem ver os muitos vídeos práticos de técnicas e conselhos aqui:

https://youtube.com/c/RunningAddict

O jovem em causa é um verdadeiro apaixonado pela modalidade, já foi vendedor de artigos desportivos, é corredor e partilha todo o tipo de informação que o ajudou a correr maratonas abaixo das 3h00. Corre há mais de 15 anos e tem uma linguagem muito acessível a todos. 

Espero que desfrutem tanto do conteúdo quanto eu. 

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12
Ago20

Análise ao semestre passado


João Silva

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Esta análise habitual é um pouco bizarra em 2020, isto face à ausência de provas da minha pessoa, primeiro, por motivos pessoais, depois, por causa da pandemia.

Como mostram as imagens da minha aplicação de gestão, andei imparável de janeiro a meados de março. Nunca corro tanto e nunca me senti tão vivo e desafiado em termos de resistência.
Bati os meus recordes de corrida e isto num nível aceitavelmente bom e constante face ao mesmo período de 2019. Não me posso mesmo queixar, porque o meu corpo foi tirando proveito da forma alcançada no final de 2019.
Chega-se a pandemia e o método se treino muda: os pés largam a estrada e aterram na pedaleira da estática. Para manter o nível de perda diária, aumentei a carga em meia hora face ao que teria feito em estrada.
Como se pode ver, o número de km em abril (percorridos na estática) constituíram um autêntico recorde de treino.
Após o nascimento do meu filho e alguns ajustes na rotina da família, no final de maio, foi hora de retomar a estrada e de ainda ir a tempo de passar os 100 km.
Em junho, já com uma metodologia mais definida, aumentei a carga e a duração dos treinos.
O que os gráficos não mostram é a intensidade, a duração nem mesmo a frequência dos trabalhos de reforço muscular que foram uma constante em todo o processo, com especial incidência nos meses sem estrada.
Além disso, para final, também não fica evidente que quis retomar maio e junho como se nunca tivesse deixado de correr e esse foi um enorme erro do meu corpo, ou melhor, meu.

11
Mai20

Até começou tudo bem


João Silva

 

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De facto, este tem sido um ano de aventuras e novidades.

No início de janeiro e até meados de março, corri, corri, corri e corri.

Como podem ver na imagem, foram valores excelentes em termos de quilometragem nas pernas.

Com a invasão da pandemia no nosso país, acatei as ordens de quem sabe mais do que eu e tive de me reinventar.

Parei as corridas e saltei para a bicicleta estática com roda de inércia de 6 kg.

Em termos de horas por dia, acabei por treinar mais ainda, sempre com o intuito de chegar ao nível que já tinha alcançado em corrida.

Foi o necessário, o mais aconselhável e também o mais correto não só pela minha família mais direta, que é mesmo tudo para mim, mas também pela minha pessoa.

No entanto, embora o treino tivesse passado a ser diferente e sentisse muita falta das minhas passadas ao ar livre, treinei muito bem.

Nesta segunda imagem, trago-vos os valores em bicicleta estática no mês de março, momento do início da quarentena.

Poderei sempre alegar que me preparava para alcancar um registo (ainda mais) fantástico de quilómetros (per)corridos em 2020.

Pergunto-me muitas vezes onde poderia estar em termos de corpo, de forma física. Modéstia à parte, sei que fiz tanto ou mais para chegar ao nível que já tinha alcançado na estrada. No entanto, fiz o que pude e apenas uma pandemia excecional me deu cabo dos planos.

Como dizia a minha avó: o que não tem remédio, remediado está.

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28
Fev20

Ser melhor implica ir além da dor


João Silva

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É um

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É um assunto recorrente e, na verdade, muito ou pouco "polémico". Primeiro, a "dor" depende do que cada um consegue suportar e não há mal nenhum nisso.

A dor é como os gostos: "cada um com o seu", portanto, não se questiona.

Onde pretendo chegar com a afirmação do título é que a melhoria de cada um passa invariavelmente pela superação.

Passo a explicar: se estivermos sempre no mesmo patamar com o mesmo nível de treino, é muito pouco provável que evoluamos, se esse for o nosso propósito. Se não for, pode-se continuar. No entanto, só com aumento do nível e da intensidade é possível passar para o nível seguinte.

Não falo em ser teimoso e provocar dor ou treinar com dores. Apesar de o fazer mais vezes do que gostaria e deveria, sei que não é benéfico. 

Por outro lado, refiro-me sim à superação do "Cabo das Tormentas". Para se correr mais rápido, é importante e necessário fazer treinos de séries, o que, invariavelmente, vai trazer dor inicial. Sofre-se muito porque se está a treinar a respiração anaeróbia, logo, há muito pouco oxigénio entre repetições. 

Portanto, resumindo, com dor, refiro-me às sessões mais duras que nos colocam fora do nosso habitat, que são extraordinárias pela sua irregularidade, mas que são simultaneamente muito benéficas para todo o nosso corpo.

Concluindo, na minha opinião, não há (muita) evolução sem passar por estágios de dor. É necessário enfrentar monstros. Pelo menos, vejo as coisas assim e é dessa forma que me consigo superar.

Mas há dor e (ar)dor e esta última não é benéfica...

Como se posicionam nesta questão?

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15
Dez19

De junho a novembro com a "roda" no ar


João Silva

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Costuma ser a minha época mais produtiva em termos de treinos.

No entanto, nunca tinha sido tão intensa em termos de carga, de volume de treinos, de número de quilómetros percorridos ou mesmo em relação às técnicas de corrida.

Depois da maratona em abril, onde os resultados, mas, sobretudo, a forma como terminei a prova não me agradaram, tive necessidade de repensar a abordagem à maratona da passada semana no Porto.

Desde logo, percebi que precisava de fazer mais treinos de ritmo e de técnica de corrida. Depois, fruto de algumas cargas "acidentais", também compreendi que daria para chegar sem problemas a uma média aproimada de 100 km por semana.

Estes jogos e estas mudanças trouxeram resultados e os meses de julho, agosto e setembro foram provas evidentes das melhorias. 

Naturalmente, também apareceram as dores, algumas. Como alguém dizia num podcast sobre corridas, sentir dores no corpo é o que nos mostra que estamos vivos.

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Custa no momento mas também acho o mesmo, sabendo, inclusive, que houve dias em que mal me consegui mexer.

A juntar a todas estas mudanças, importa referir o papel de treinos conjuntos com vários colegas. Aprende-se e ensina-se muito. É uma estrada de dois sentidos.

Por último, destaco ainda três pontos que foram cruciais para me ajudar a melhorar muito a minha forma: rolo muscular para debelar lesões, ioga e alongamentos para dar elasticidade e frescura ao corpo e, por último, a mochila de abastecimento que me foi oferecida pelos meus cunhados como prenda de aniversário e que me permitiu fazer uma melhor gestão da quantidade de água a ingerir.

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25
Nov19

Outubro, o mês do alívio


João Silva

Tal como previsto, a "maluqueira" que tinha no corpo só podia durar até finais de setembro, pois o mês de outubro obrigava-me a baixar a intensidade dos treinos. 

A maratona já estava à porta, pelo que quis baixar a carga. O corpo precisa de tempo para regenerar e o objetivo era estar bem para dia 03 de novembro.

Além disso, as mudanças neste mês, com o adiamento da meia maratona de Leiria para o dia 13 de outubro, também apresentavam desafios de sobra.

Fiquei com duas meias maratonas muito seguidas, apenas com uma semana de intervalo, e queria fazer bons resultados. Assumo-o perfeitamente: estava à procura de baixar o meu recorde pessoal. E consegui.

Portanto, e como era suposto e também saudável, o número de quilómetros baixou em outubro (em comparação com julho, agosto e setembro) e também os treinos de reforço foram menos intensos, embora, em abono da verdade, como se pode ver abaixo, não tenha havido um decréscimo significativo em quilómetros. Mas caramba, nunca me senti assim tão bem.

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Estratégias, cada um com a sua, mas todas viáveis desde que saudáveis.

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29
Out19

Julho e agosto de muito bom gosto


João Silva

Foram, sem dúvida, os meses que permitiram lançar os alicerces corretos para o que me espera no domingo.

Era suposto ter sido assim, mas do alegado ao efetivo vai uma distância muito grande.

Deu para fazer tudo e um par de botas, para correr muito, para treinar o reforço muscular do corpo todo, para alongar, para respirar, para fazer bicicleta estática e para evoluir positivamente.

Meti carga nas pernas, aliás, não fiz/faço eu outra coisa, meti ritmo, velocidade e técnica, capacidade de resposta, testes, tudo. Claro que houve coisas a mudar, nomeadamente, a sobrecarga que a dada altura senti na canela esquerda, mas também isso foi bom para exigir uma resposta em condições.

Se em julho já achei que tinha sido excelente passar a barreira dos 400 km, em agosto estive a pouco, muito pouco de atingir a mágica marca dos 500 km. Sou uma espécie de "papa-quilómetros" e isso deixou-me muito feliz. Isso e o facto de ter conseguido treinar em condições, apanhei o nível com que terminei o ano de 2018. Se isso quer dizer alguma coisa para domingo, francamente não sei, mas quero acreditar que sim.

E pensar em positivamente atrai coisas positivas. Já diz a minha esposa.

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Nota: os print screens não indicam o tempo dedicado a alongamentos ou a reforço muscular.

 

04
Out19

Dores de amadurecimento


João Silva

Todos já ouviram falar em dores de crescimento, pelo que não me serve de muito estar a explicar o que significa.

Venho "introduzir" as dores de amadurecimento.

Não sei se o conceito existe, mas acredito piamente que haja muito mais pessoas e desportistas a sofrer desse "mal".

Então e o que são as ditas dores?

São aquelas que, de tão frequentes, persistentes ou nefastas, nos obrigam a aprender.

Neste contexto, como não poderia deixar de ser, vou falar da sua aplicação e presença no atletismo.

É uma espécie de cliché haver um atleta a dizer "no início não ouvia o meu corpo, mas agora aprendi". Na verdade, acho que, não poucas vezes, somos forçados pelo corpo a adquirir essa aprendizagem.

Dou-vos o meu exemplo: tenho consciência do que me faz mal, do que é incorreto na minha preparação, do que o meu corpo gosto e do que a minha cabeça aprecia para poder render. Contudo, tenho um defeito enorme: sou demasiado persistente, teimoso e, porque não dizê-lo, obstinado com os treinos. Não são poucas as vezes em que caio na "armadilha" da sobrecarga. Perante essa tendência quase tresloucada para destruir a minha evolução, acabo por conseguir contrariar tudo isso através de uma análise mais ponderada e racional.

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Ao longo destes quase três anos (dentro de um mês), cometi tantos exageros na forma como lidei com o meu corpo. No entanto, como gosto de pensar, fiz "bom proveito" das dores. Ou seja: por ter sofrido tanto em determinados momentos, por ter corrido a mancar durante semanas a fio (entre dezembro e janeiro de 2016), acabei perceber que o corpo chega a um ponto em que vai rebentar, em que diz chega e depois não o tens. Perante esse cenário e tendo em conta o meu receio (medo mesmo?!) de lesões (que, felizmente, até agora não tive ao ponto de ter de parar), acabei por aprender a parar, a ter paciência com as minhas exigências e a relativizar o treino e a sua intensidade.

Todavia, para chegar a esse nível de amadurecimento, tive mesmo de suportar muitas dores e muitas manhãs em que mal me conseguia mexer.

Costumo dizer à minha treinadora (esposa) que aprendo, mas que preciso de sofrer para que isso aconteça.

Vocês são iguais e caem no exagero ou conseguem parar atempadamente sem problemas?

04
Set19

Ter velocidade sem ter velocidade


João Silva

Aceito o argumento de que pode parecer estranho o que disse.

No entanto, tem fundamento.

Vamos às explicações, não sem antes deixar uma nota prévia, que, na verdade, acaba por ser repetitiva em relação ao que já disse várias vezes: não me considero um corredor naturalmente rápido. Isto é, não faço um sprint a um nível elevadíssimo. Na verdade, aos 400 m, numa série boa, consigo andar entre os 1'25'' e os 1'30''. 

Portanto, há atletas que têm mais essa característica do que eu.

Considero é que, através do ritmo e dos km nas pernas, consigo ganhar alguma velocidade. Numa hora, em treino, consigo encaixar mais de 12 km, o que, na melhor das hipóteses, dá para apresentar um ritmo de 04'50''/km. No meu entender, é bom.

Apesar de não ser um rápido explosivo, tenho de fazer treinos de velocidades. Porquê? )perguntarão alguns), isso é contraditório (afirmarão outros). Nada disso, os treinos de velocidades são importantíssimos (e dolorosos e malvados) pois são os responsáveis pelas grandes melhorias em termos de gestão de ritmos e de capacidade para aguentar um ritmo elevado durante muito mais tempo.

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Esses danados desses treinos põe-nos a arfar, fazem-nos suar as estopinhas, obrigam-nos a gerar oxigénio onde ele não existe e dão-nos um abanão (qual rajada de vento) que mete o nosso metabolismo em sentido, como se alguém nos tivesse dado uma chapada e isso nos obrigasse a reagir.

A questão da geração de oxigénio é a mais importante nesses treinos, onde os tempos de "explosão" têm de ser superiores aos de retorno à calma.

No fundo e em jeito de conclusão, esses treinos de velocidades fazem-nos entrar num patamar produção alternativa de energia e por isso é que são tão decisivos na evolução de um atleta. Passo a explicar: os treinos de velocidade fazem-nos entrar no treino anaeróbio, onde o oxigénio (elemento essencial para produção de glicose, logo, de energia) é gerado pelos músculos e não através do ar que respiramos.

Moral da história: se dói (e doem imenso!), é porque faz bem.

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