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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em 2016 era obeso, hoje sou maratonista (6 oficiais e quase 20 meias-maratonas). A viagem segue agora com muita dedicação, meditação, foco e crença na partilha das histórias e do conhecimeto na corrida.

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07
Jul20

Maiores erros na retoma à estrada


João Silva

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Quis começar como se não tivesse estado sem correr praticamente dois meses, mesmo tendo continuado com trabalho de força inteso e com bicicleta estática.

Não é a mesma coisa e só um louco e obstinado como eu podia achar que o corpo ia responder como estava a fazer antes da paragem. Pior, só alguém com enormes problemas mentais podia achar que era normal retomar tão intensamente sem fazer uma gestão mais faseada.

Teria sido tão mais simples se tivesse começado a correr gradualmente. Não, pelo contrário: na primeira semana de retoma, foram só sessões acima de 01h10m.

O corpo doeu-me como nunca tinha feito e a razão estava do lado dele.

Apesar de adorar o desporto e a corrida em particular, não se percebe (eu próprio não percebo) por que motivo arranquei logo em grande força, quando nem sequer havia provas no horizonte.

O esticão que senti no adutor no dia 30 de maio após 1h30 de corrida foi uma grande lição. Só que, já diz o ditado: "burro velho não aprende línguas". Eu até aprendo, sei falar quatro, mas faço-me de desentendido quando a conversa não me agrada.

Portanto, os maiores erros foram querer retomar como se nunca tivesse parado e ainda ter desrespeitado o meu corpo. 

10
Out19

Tens direito a errar, mas não à repetição dos erros


João Silva

Falar sobre isto passou a ser assunto para mim depois de ter visto uma entrevista de uma pessoa que admirei muito no passado e que já não admiro tanto no presente. Trata-se de José Mourinho.

Para o blogue, não é relevante a ideia de ter deixado de gostar das suas qualidades enquanto agente desportivo. No entanto, a dada altura, disse a seguinte frase: "podes cometer erros, não podes é repetir os mesmos". Talvez por me tocarem diretamente, aquelas palavras acionaram logo o alarme da reflexão e da necessidade de escrever sobre isso.

No fundo, concordo, embora tenha uma ou outra reserva.

Se percebes que atuaste mal em determinada situação/fase da vida e consegues descortinar as verdadeiras causas que levaram ao erro, estás no bom caminho para evitar que a mesma falha seja repetida. Por outro lado, podes cair novamente na asneira, embora tenhas aprendido com o erro. E porquê? Porque, não poucas vezes, criamos excesso de confiança em determinada abordagem ou temos fatores psicológicos intrínsecos que nos moldam de tal maneira que não conseguimos soltar-nos das amarras.

A título pessoal, entristece-me olhar para trás, perceber que consigo refletir e identificar bem as causas de determinado problema e, mesmo assim, vejo que comi exatamente o mesmo erro em diferentes fases da minha vida. Um exemplo claríssimo foi o caso da comida. Depois de todo o esforço para deixar de ser obeso quando cheguei aos 18 anos, voltei a cair nas malhas da obesidade daí a um ano, quando entrei para a universidade e não tive maturidade suficiente para controlar o facto de trabalhar numa pizaria ou num hipermercado (mais tarde) durante o curso. Fui ingénuo, paguei a fatura.

Mais gritante do que isso é analisar os últimos três anos e ver que andei sempre no limbo entre o exagero na prática desportiva e a discernimento para abrandar. A sobrecarga foi uma constante e, lá está, foi isolada de forma consciente em determinadas alturas, mas depois voltou, quando baixei as guarda.

Não é desculpa, é um traço característico meu, mas deixa sempre aquele amargo de boca, quando se pensa no que poderia ter sido alcançado sem exageros. Além disso, o travo não é bom quando penso que essa repetição do erro se estendeu a aspetos mais pessoais.

Ainda assim, por muito "Gustavo Santos" que isto pareça, há sempre um novo dia para tentar mudar o rumo das coisas e é meio caminho andado saber o que causa os erros. Depois disso, (só?) fica a falar aprender com eles e não os repetir.

E por essas bandas também se repetem muitos erros? Como lidam com isso?

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21
Set19

Dores "esquecidas", dores "(re)aparecidas"


João Silva

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O ser humano é tramado! Quando estamos em dificuldades, revelamos "humildade", dizemos coisas como "não volto a fazer aquilo", "agora vai ser diferente" ou "aprendi a lição".

Talvez sirva como forma de baixar as expetativas. Talvez isso ajude, não duvido disso e sei que é a mais pura verdade.

Ainda assim, tiramos o tempo necessário, fazemos quase um reiniciar da máquina e seguimos o nosso caminho.

Daí a um tempo, o jogo muda, as mudanças foram bem assimiladas e, aparentemente, está tudo diferente. Só que não é bem assim. 

Talvez por não sentirmos a "respiração" do que nos fez mal, achamos que está tudo bem e eis que voltamos aos mesmos erros ou parecidos. Não é exatamente assim e não é sempre desta forma, mas apercebi-me bem disso no decurso dos últimos meses. Onde? Em aspetos tão simples como a ansiedade.

Durante os primeiros dois anos de treinos e provas, nas vésperas de longões ou de competições que me despertavam mais interesses, tinha problemas em dormir. Acordava muitas vezes, pensava muito no que ia acontecer e projetava cenários. Tem um lado benéfico, não questiono isso, mas tornava-se difícil de gerir e de suportar. Lembro-me perfeitamente do primeiro treino em que fiz 30 km. Que noite terrível, tão pouco descanso. Hoje, volvidos todos estes meses, continuo a respeitar a distância, mas aprendi a lidar com isso, tornou-se "normal".

No fim dos dois primeiros anos, os resultados começaram a piorar e precisei, a bem da minha sanidade mental, de baixar as expetativas e de aprender a treinar e a "competir" pelo prazer. Não é coincidência o facto de ter passado a dormir melhor. Aceitei a realidade e isso foi essencial para o que se seguiu: consegui trabalhar em "surdina", adaptei e mudei o que achei necessário e, sem dar muito conta disso, comecei a subir de forma. 

E o que significa isso? Tão só o facto de voltar a ganhar um certo burburinho antes de treinos mais importantes e duros, o facto de "acusar" alguma responsabilidade e de voltar a encarar as sessões com maior seriedade. 

Temos memória curta, só pode ser isso. 

Faço o que faço por gosto, porque é uma paixão, não por obsessão, obrigação ou pelos resultados, mas confesso sem problemas que o facto de ter regressado do "inferno" me deixa entusiasmado com o que aí vem, quero tanto desfrutar da evolução que tive e da forma como lidei com o "problema" que depois deixo isso resvalar para a responsabilidade.

Curioso ainda o facto de se perceber claramente o efeito de expetativas elevadas e baixas nas diferentes fases do desempenho desportivo. Moral da história: a pressão e as expetativas desmedidas podem ser um fardo em vez de um auxílio, mas isso também acaba por depender muito de cada um.

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