Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

24
Jul21

1, 2, 3, uma entrevista diferente desta vez


João Silva

Como disse na última entrevista, o Carlos Canais está em toda a parte. O homem não pára: ele corre, ele trabalha, ele tem família. Ele tem uma função importantíssima para unir a equipa. Ele é o mestre por detrás de toda a burocracia associada à gestão da equipa.

Pelo fascínio que isso desperta em mim, tinha mesmo de ir para o lado administrativo da corrida para perceber os meandros do ramo. Cansa só de saber o que é preciso fazer para tratar de inscrições, de papelada, de participações, de treinos gerais e para ainda ter força para correr. 

Bem, o melhor é mesmo verem o que o Carlos Canais tem para nos dizer a esse respeito:

· Ligação ao atletismo desde

1986 até 1988, no Clube de Condeixa, mas com um grande interregno que terminou em 2012 quando foi retomada a ligação à modalidade na ARCD Venda da Luísa… até hoje!

Pódio 110m barr. Campeonato Nacional INATEL, Port

Foto: pódio 110 m barreiras no Campeonato Nacional INATEL, Porto, 1987

· Funções atuais principais na equipa

Neste momento, aquilo a que se pode chamar um colaborador da Direção.

Pódio 400m barr. Campeonato Nacional INATEL, Port

Foto: pódio 400 m barreiras no Campeonato Nacional INATEL, Porto, 1987

· Abrangência e implicação das funções

Como em todas as coisas em que me meto, faço-o por gosto, mas exigindo bastante de mim próprio. Sou o responsável pela ligação da Direção aos restantes elementos da equipa, e sou o responsável pela inscrição dos elementos da equipa nas provas, fazendo a ponte entre a equipa e as organizações.

· Porquê esta equipa 

Porque sou sócio (n.º 4) desde a fundação da Associação e sou dos elementos fundadores da equipa de atletismo, para além do facto de ter residido na Venda da Luísa durante muitos anos.

IMG_20210715_163350.jpg

Foto: com a esposa no Trail de S. Martinho (Ega), 2018

· Maior dificuldade na gestão das atividades/provas

 Atualmente está a ser a pandemia. Neste contexto de COVID que todos vivemos está a ser demasiado difícil gerir expectativas e manter o interesse dos elementos da equipa na competição. Mesmo que para se fazer parte da equipa esta época ninguém tenha tido a obrigação de se comprometer com nada, tem havido um número muito grande de atletas que não competiram desde o início da pandemia. Como é lógico, compreendemos, e nunca houve qualquer pressão para o fazerem. Antes da pandemia, a maior dificuldade era obter dos atletas (mais de 100) respostas atempadas às perguntas que se fazem: se pretendem participar em determinada prova, se querem estar presentes num jantar ou convívio, se querem adquirir determinada peça do equipamento, etc… as respostas surgem sempre lentamente e tiradas a ferros. Obviamente que depois dos prazos terminarem há sempre alguém que afinal queria ter-se inscrito ou queria ter adquirido aquela peça de equipamento. Às vezes é possível remediar a situação, outras nem por isso.

received_413107806685667.jpeg

Foto: 111 km do Trail de Sicó - Maio de 2021

· Motivos de orgulho a nível diretivo

 Pertencer a uma organização que tem as contas em dia e que, mesmo não procurando por novos atletas, eles venham à nossa procura, por indicação de amigos ou familiares que já estão na equipa. Esse é o maior orgulho. Também o cuidado que temos na comunicação com os atletas. É fundamental que os atletas saibam que alguém está atento por eles a pormenores competitivos, a prazos e a preços mais baixos. Apesar de nos orgulharmos de ter todos os atletas que temos, sentimos um orgulho especial por aqueles que podiam obter melhores condições económicas noutras equipas, e preferem estar connosco porque se sentem bem tratados, bem acolhidos e porque sabem que nos preocupamos com o seu bem-estar. O simples facto de gastarmos grande parte dos apoios que temos no pagamento de clínica de fisioterapia para tratamento gratuito de lesões que eventualmente possam vir a sofrer, é algo diferenciador que nos orgulhamos de fazer. 

Trail Conimbriga Terras de Sicó - Fevereiro 2012.

Foto: Trail Conimbriga Terras de Sicó - Fevereiro 2012

· Maior envolvência e empenho em ter mais mulheres ou isso é irrelevante?

 Dá-nos um orgulho muito grande em ter no seio da equipa um tão grande número de mulheres, mais de um terço da totalidade dos membros atuais, mas não nos temos empenhado particularmente nesse aspeto. Mais do que isso, orgulha-nos ter mais de 70% da equipa no escalão de veteranos. Ao contrário dos jovens que têm muitas alternativas para praticarem desporto, provavelmente sem a existência da equipa, grande parte destes veteranos (maiores de 35 anos de idade) fariam parte do grande número de sedentários do nosso país.

· Momentos difíceis como gerente

Esta pandemia tem sido muito difícil de gerir. De resto, apenas um momento ou outro de maior aperto de tesouraria que, felizmente, têm sido raros. Apesar de não ser dirigente, partilho com eles essas dificuldades…

· Momentos positivos marcantes

 A fundação da equipa com 5 atletas da terra, a que se juntaram num abrir e fechar de olhos outros tantos ainda no primeiro ano de vida foi um momento marcante. Também foram marcantes os primeiros pódios, os primeiros títulos e os primeiros prémios. O atingir do centésimo atleta também foi marcante, bem como o baixo número de saídas de ex-elementos para outras equipas: dois! Julgamos que atesta o quanto os atletas aqui se sentem bem.

Treino de equipa janeiro de 2020.jpg

Foto: Treino de equipa - Janeiro de 2020

· Realidade de apoios/subsistência de clubes mais pequenos 

Os apoios que temos não são muitos, mas são bons. O apoio da Câmara Municipal é fundamental para a nossa equipa, bem como para a grande maioria das equipas do nosso concelho. Sem ele não poderíamos oferecer o pouco que oferecemos. Depois o apoio de outro grande amigo do Desporto na nossa região, o Intermarché de Condeixa. São estes os dois únicos patrocinadores que temos nas nossas camisolas. Apesar dos atletas poderem obter patrocínios para si, não tem sido habitual fazerem-no. Temos ainda o apoio das duas freguesias a que a Venda da Luísa pertence. Temos essa sorte (de pertencer a duas freguesias, Sebal e Anobra) uma vez que a divisão das freguesias passa a meio da aldeia e a sua ajuda, apesar de modesta, também é bem-vinda. Julgamos que tal como nós, a grande maioria dos pequenos clubes subsiste desta forma: apoios das Câmaras e das Juntas e de um ou outro patrocinador que oferece pequenas quantias. Nós optámos por ter, para além da Câmara, apenas um patrocinador, e termos a camisola de prova sem os inúmeros pequenos patrocínios que outras equipas têm. Felizmente fazemo-lo porque conseguimos, mas a realidade mais frequente é aquela referida antes. São poucas as equipas que podem suportar as filiações, pagamentos de seguros, inscrições nas provas e equipamentos para todos os atletas. E às vezes ainda pagam prémios. A maioria penso ser como nós: pagam as filiações e os seguros, parte dos equipamentos (no nosso caso para criar um compromisso com a equipa não oferecemos a totalidade do valor do equipamento) e uma inscrição ou outra para provas. Raras são as equipas que oferecem os tratamentos médicos aos seus atletas, como nós fazemos. Mas apesar deste cenário, há alguns anos atrás os apoios ainda eram menos, principalmente autárquicos.

 Projetos futuros

Eventualmente poderá surgir uma equipa de BTT, uma vez que muitos dos nossos atletas praticam também esta modalidade. Mas ainda nada está decidido.

Trilhos dos Abutres - Janeiro de 2017 - 1ª Ultra.

Foto: Trilhos dos Abutres - Janeiro de 2017 - 1.ª Ultra

· Objetivos da equipa

Manter a equipa com este espirito e tentar manter as condições que oferecemos aos nossos atletas. Tudo o que vier por acréscimo será bem-vindo!

Tail Piódão - abril de 2019.JPG

Foto: Trail de Piódão - Abril de 2019

22
Jul21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Finalmente tenho a possibilidade de dar a conhecer este atleta já bem experimentado no atletismo.

Falo-vos de uma pessoa que não pára quieta, que tem mil e uma funções e que procura garantir o bem-estar de todos no seio da equipa. 

Sim, é da minha equipa e todos os elementos lhe farão uma vénia por tudo o que nos tira do caminho.

Como se não bastassem os afazeres administrativos, ainda corre por diversão, como o próprio defende, e acumula grandes distâncias como quem acorda, tal é o gosto que tem pela corrida em serra/montanha.

Deixo-vos com as respostas do Carlos Canais. Já lhe tinha pedido esta entrevista há imenso tempo. Demorou, mas aconteceu agora finalmente. Mais vale tarde do que nunca. E valeu bem a pena.

25-07-2011 - Dia em que comecei a correr com 95Kg.

Foto: 25-07-2011 - Dia em que começou a correr com 95 Kg

Nome

 Carlos Canais

Idade

 51 anos

Equipa

ARCD Venda da Luísa

Praticante de atletismo desde

2012

Modalidade de atletismo preferida

 Trail

Prefere curtas ou longas distâncias

Longas

Na atual equipa desde

2012, ou seja, desde a sua fundação.

Campeonato Distrital Pista Veteranos 2019 - 100m.J

Foto: Campeonato Distrital Pista Veteranos 2019 - 100 m

Volume de treinos por semana

Conforme disponibilidade e objetivos (às vezes temos de arranjar disponibilidade mesmo que a horas pouco convencionais), mas normalmente 2 treinos durante a semana e um mais longo ao fim de semana.

IMG_20210715_163521.jpg

Foto: Poiares Trail 2019

Importância dos treinos

Grande. Para promover a atividade física em primeiro lugar e para se atingir alguns objetivos, o que no meu caso passa por conseguir terminar as provas, usufruindo das mesmas, sem qualquer sofrimento. E também para promover a união dos atletas da nossa equipa. É algo que muito me agrada: estar numa equipa que treina junta sem grandes compromissos, apesar dos objetivos desportivos distintos de cada elemento. Isso não impede que treinemos juntos, apesar de cada um ao seu ritmo.

received_774143286605340.jpeg

Foto: Campeonato Distrital Pista Veteranos 2021 - 110 m barreiras

Se tem ou não treinador

Não

Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Pratiquei atletismo entre os 17 e 18 anos de idade (1986 e 1987) e depois deixei de o fazer. Veio o ensino superior, o início da vida profissional e, depois quando comecei a ter disponibilidade, o futebol até aos trinta anos. As diferenças que noto passam essencialmente pelo número de praticantes (que agora são muito mais do que naquela altura), pelo grande número de mulheres, pelo número de pessoas mais maduras com quarenta, cinquenta e sessenta anos, pela informação e preparação que os atletas têm, pelo maior apoio que existe das entidades públicas e, principalmente, pela forma como é vista pela sociedade a prática do atletismo. Hoje é tudo normal. Naquele tempo se te viam a treinar perguntavam se não tinhas trabalho para fazer. O que também mudou foi o surgimento da vertente do Trail e da corrida em natureza, grande responsável pelo aumento de praticantes da modalidade.

Campeonato Distrital Pista Veteranos 2019 - salto

Foto: Campeonato Distrital Pista Veteranos 2019 - salto em altura

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Curiosamente, quando pratiquei atletismo na minha juventude eu gostava principalmente de provas de pista. As minhas preferidas eram as de velocidade como os 200 e 400 metros, as de barreiras, tanto de 110 como de 400 metros e o salto em altura. Na altura, o INATEL era o grande promotor do atletismo e cheguei a ser vice-campeão nacional de 110 e 400 metros barreiras. O que detestava mesmo eram as provas longas, quer fossem de estrada ou de corta mato. Mal sabia que anos mais tarde seriam as provas longas que me dariam maior gozo. Outra história que posso contar, esta mais recente, surgiu no início da pandemia e no primeiro confinamento. Para não parar totalmente, e com a ajuda do meu pai, abrimos trilhos com uma roçadeira e fizemos um circuito de corrida no pinhal atrás da minha casa com mais de 500 metros. Na altura fiz questão de não andar a correr na rua (mesmo que não implicasse cruzar-me com quem quer que fosse), até para dar o exemplo, e foi uma ótima forma de poder continuar a praticar. Finalmente, sempre que vou para uma prova (normalmente longa), lembro-me sempre de algo que aprendi com o Zé Carlos Fernandes, um dos portugueses com mais maratonas e ultramaratonas no currículo pessoal, e que nos dá a honra de ser nosso colega de equipa: "antes mal preparado que cansado". Apesar de saber que o preferível é estar preparado, a verdade é que se chegarmos a uma prova com treinos a mais e cansados não a conseguimos acabar. Pelo contrário, mesmo que a preparação não seja a ideal, nem que seja devagar e parando de vez em quando, conseguimos acabar a prova.

II Trilhos dos Abutres - Janeiro 2012.jpg

Foto: II Trilhos dos Abutres - Janeiro 2012

Aventura marcante

 A aventura da minha vida aconteceu no Trail do Piódão de 2019 disputado sob condições meteorológicas adversas. Foi chuva, granizo e neve, muita neve, ao longo dos cerca de 50 km de prova, o que a tornou inesquecível. Nos últimos 10 km a neve era tanta que não conseguia ver as pegadas da pessoa que ia cerca de 50 metros à minha frente. Foi uma aventura e tanto, passada na maioria dos Km com duas colegas de equipa, a Carla e a Elza que, com toda a certeza, também terão tido a aventura das suas vidas. Outra aventura que não esquecerei foi a primeira vez que terminei os 111 km do Sicó. Foi uma prova que fiz juntamente com 4 colegas de equipa (o Zé Carlos, o Marco, a Célia e o Rui) do início ao fim, sempre todos juntos. 

IMG_20210715_163450.jpg

Foto: 111 km no Trail de Sicó 2019

Participação em prova mais longa

 111 km do Sicó.

Objetivos pessoais futuros

 Continuar a ter força e vontade de correr pela diversão e partilha de momentos. Não tenho objetivos competitivos…até porque, recomecei a correr para perder peso (já me pareço com alguém que conheço [risos]) – em julho de 2011 pesava 95kg e em setembro, menos de dois meses depois estava com 84kg e fiz a Meia Maratona do Porto!

Fim de treino às 4 da madrugada a preparar os pri

Foto: Fim de treino às 4 da madrugada a preparar os primeiros 111 km de Sicó - Outubro de 2016

Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Com mais praticantes e com melhores condições. Penso que haverá uma seleção natural do exagerado número de provas que existem atualmente e que visam principalmente o lucro sem se preocuparem com as condições que oferecem aos atletas. A seleção será feita pelos percursos e sua qualidade, inovação, condições de segurança, conforto e boa organização. Pelo menos é o que espero!

Fim de treino em Sicó - Fevereiro 2020.jpg

Foto: Fim de treino em Sicó - Fevereiro 2020

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos Como disse antes, apenas quero continuar a divertir-me e a poder usufruir da companhia dos meus colegas de equipa e dos restantes atletas.

Meia Maratona do Porto, setembro 2011 - 1ª prova

Foto: Meia Maratona do Porto, setembro 2011 - 1.ª prova após décadas sem correr, já tinha baixado para 84 Kg

26
Abr21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje exponho uma entrevista feita a uma das pessoas mais simpáticas que encontrei na ARCD Venda da Luísa. Foi prestável desde o início, tem um sorriso contagiante e, acreditem, anda mesmo nisto pela diversão e pelo companheirismo. Tem um instinto acolhedor que salta à vista. Foi das primeiras pessoas a dizer-me que lia este espaço. Boa disposição e seriedade, no sentido de compromisso, são com ela.

E não vos deixa ficar mal. Há algum tempo, tinha ficado com uma camisola minha de prova e "perseguiu-me" de carro até um supermercado local para ma entregar.

Tenho uma estima especial por ela.

Fiquem, pois, com a Graça Simões:

FB_IMG_1611073193925~2.jpg

 

  • Nome

Graça Maria Martins Simões

  • Idade

44 anos

  • Equipa​

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante ​de ​atletismo ​desde

Sempre gostei de desporto, mas não tive essa possibilidade quando era mais nova. Há alguns anos participava em grupos de ginástica e comecei a desafiar-me nas caminhadas , o que me começou a despertar curiosidade em experimentar a corrida, onde me iniciei em 2015.

  • Modalidade ​preferida​

Habituada às caminhadas pelo monte, foi lá que meiniciei na corrida e daí tornou-se uma paixão pelo trail. Aprecio muito a natureza e gosto de me desafiar em novos trilhos.

  • Prefere ​curtas ​ou ​longas ​distâncias

​Iniciei ​nos ​mini ​trail, ou ​seja, ​10/12 km. Atualmente participo em provas com mais de 15 km, porém ainda não tive a coragem de experimentar uma longa distância.

FB_IMG_1611073533259~2.jpg

  • Na​ ​atual​ ​equipa​ ​desde

2017

  • Volume​ ​de​ ​treinos​ ​por​ ​semana

4 / 5 (entre corrida e reforço muscular).

  • Importância ​dos ​treinos

São importantes os treinos para nos mantermos ativos e fortalecer os músculos. Desse modo, vamos alcançar o ritmo desejado nos dias das provas.

  • Se ​têm ​ou ​não ​treinador

Treinador não tenho, mas tenho colegas com que treino frequentemente. A quem eu tenho que agradecer por irem sempre a puxar por mim. Há frases que ficam nas nossas memórias como: "Aguenta Graça! " , "É isso" , "São só mais 10 metros ". A eles e a todo o grupo de treino, só tenho que agradecer a minha evolução, principalmente, nas subidas, que é onde tenho ainda alguma dificuldade. Infelizmente, devido a situação de pandemia, tivemos de fazer uma pausa nos treinos de grupo. Assim, tenho treinado sozinha. Mas claro que não é a mesma coisa!

FB_IMG_1611073098204.jpg

  • ​Diferenças entre ​o ​atletismo ​passado ​e ​atual

Como nunca pratiquei atletismo no passado, não sei a diferença, mas, pelo que tenho lido, hoje em dia há muitos mais participantes em grupos organizados.

  • História​ ​insólita​ ,​curiosa​ ​ou​ ​inédita​

Bem, nestes últimos anos não me recordo.

  • Aventura marcante

Para mim, todas as provas têm algo de marcante, pelos sítios magníficos que conhecemos, pelas amizades que fazemos nos trilhos.

FB_IMG_1611073154548.jpg

A maior aventura até hoje foi em 2019, quando o Carlos Canais me incentivou a participar no Campeonato distrital de veteranos. Sem nunca ter corrido em pista, tornei- me campeã distrital em 200 metros nesse mesmo ano.

Participação em prova mais longa

Trail de Conímbriga Terras de Sicó 25 km.

Objetivos pessoais futuros

Continuar a realizar provas curtas, desfrutar ao máximo da natureza, realizar provas em sítios diferentes. Quando me sentir preparada e com coragem, quero realizar a ultra no Sicó de 60 km. 

Como ​vê ​o ​atletismo ​daqui ​a ​5 ​anos

Daqui a 5 anos espero que muito mais gente esteja a praticar esta modalidade, não pela competição mas para promover uma vida saudável e ativa. 

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

​Espero daqui a 5 anos continuar a correr, participar nas provas, conhecer sítios diferentes, bem como pessoas novas e com a mesma paixão.

FB_IMG_1611392156550~3.jpg

Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias

​Na minha opinião, têm vindo a aumentar. No entanto, devido ao pouco tempo que têm livre por causa das tarefas domésticas, não têm tanta disponibilidade. Como está modalidade requer bastante treino e dedicação, não há muitas a participar em provas de grandes distâncias, pois optam por curtas distâncias e caminhadas. 

FB_IMG_1611073567323~2.jpg

Existem diferenças de tratamento em relação aos homens

​Nunca dei conta de haver desigualdade entre géneros, até pelo contrário: numa prova, o percurso, a distância e o grau de dificuldade são iguais para homens e para mulheres.

 

FB_IMG_1611073595113~3.jpg

 

 

14
Abr21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Após um grande interregno da rubrica, em parte, pela minha falta de tempo, e, por outro lado, também por falta de respostas dos meus potenciais entrevistados, estamos de volta.

Desta feita, com uma jovem que não conheço muito bem pessoalmente, mas a quem atesto um enorme poder de companheirismo e uma fantástica vontade de correr em plena natureza. Pertence à ARCD Venda da Luísa, mas, quando entrei para a equipa, ela já estava noutra equipa. Regressou agora à casa que ajudou a fundar e que hoje já tem uma extensão invejável. Só por isso, já diria que "a boa filha à casa torna". 

A sua simpatia e espontaneidade são armas para integrar qualquer tímido. 

Fiquem, pois, com a Liliane Vaz

FB_IMG_1610147244645.jpg

 

Nome
Liliane Vaz 
 
· Idade
Daquela bela colheita de 1984 (36 anos) 
 
· Equipa
ARCD Venda da Luísa
 
· Praticante de atletismo desde
Desde 2015, com passagens em corta-mato e provas escolares (nada de muito sério e sem filiação a equipa).

FB_IMG_1610146553321.jpg

· Modalidade de atletismo preferida Trail running
 
· Prefere curtas ou longas distâncias Longas, não consigo correr muito rápido (risos). Gosto de andar lá, desfrutar e empenar.
 
· Na atual equipa desde
Pertenço à formação da equipa, em 2015. Como vivi no Algarve quase 11anos, estive uma época (2017/2018) na ATR- Associação Trail Running do Algarve e outra (2018/2019) na CDC Nave Trailrruning
 
· Volume de treinos por semana
Por norma, se tudo estiver a favor, seis dias por semana com descanso ao domingo. Os treinos, por norma, não ultrapassam os 60' exceto ao sábado, onde podem ir até 3h.
 
· Importância dos treinos
Os treinos são para nos tornarmos mais fortes! É essa a linha que pretendo seguir sempre. Ficar forte para quando vou para as empreitadas (40/100km) poder desfrutar mais e melhor sem grandes estouros ou rebentamento (risos)
 
· Se tem ou não treinador
Não tenho treinador, tenho um orientador que é chato e exigente como o raio.

FB_IMG_1610147368402.jpg

· Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual
Não posso opinar acerca deste tema. Pratico trail há quase seis anos e posso dizer que a modalidade tem vindo a crescer, cada vez com mais atletas e curiosos, uns mais e outros menos amantes da natureza. Na juventude andei mais pelos desportos coletivos.
 
· Histórias insólitas, curiosas ou inéditas
Já fiz um "parto" durante o percurso dos 52 km dos Abutres em 2020 (risos). Ao Rui Monteiro da ARCD Venda da Luísa. Estávamos os dois na mesma distância, quando a determinada altura o encontro. Estava todo "parido" o rapaz, cheio de cãibras. Fomos juntos muito tempo, mas houve uma altura em que o gémeo desceu e pimba um parto no meio do trilho (risos). Foi do caraças pois ele estava mesmo com dores. Eu tentei ajudar e brincar com a situação para ele relaxar um pouco. Já rimos muito com esse episódio. Nas empreitadas, há sempre situações caricatas. Como ando lá muito tempo, dá para tudo.

FB_IMG_1610147448689.jpg

· Aventura marcante
Estrelaçor 2019 - 100km
 
· Participação em prova mais longa Trail Conímbriga Terras de Sicó 111km (115km) 2019
 
· Objetivos pessoais futuros Continuar na mesma linha... Treinar, participar em provas, fazer umas empreitadas. Aproveitar o que a Natureza nos dá.
 
· Como vê o atletismo daqui a 5 anos Com esta pandemia, é uma incerteza, portanto prefiro não criar expectativas.

FB_IMG_1610147405713.jpg

· Como se vê no atletismo daqui a 5 anos
A cair de podre, mas a continuar a andar pelos montes com o mesmo gosto e admiração. Bastante mais lenta, certamente (risos)
 
· Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?
Poucas mas boas! Raçudas!
 
· Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?
Não gosto muito de tocar nesse assunto, mas ainda há por aí muitos seres do sexo masculino que se sentem incomodados com o facto de os ultrapassarmos durante uma prova. São poucos, felizmente, mas existem.

FB_IMG_1610147494370.jpg

 

Legenda das imagens fornecida pela entrevistada:

Imagem 1
5.° Trail Urbano Entre Muralhas - Castro Marim (17 Dezembro 2017) com a camisola da ATR.

Imagem 2
Eu e o Rui Monteiro no Trilho dos Abutres 2020
Fotografia de Fotos do Zé

Imagem 3
No dia que me foi apresentado o km vertical da Serra da Estrela
Fotografia João Veríssimo

Imagem 4
Estrelaçor 2019 a chegada à Torre
Este dia vai ficar para sempre guardado na minha memória, aprendi muito!
Fotografia Fotos do Zé (Sequeira)

Imagem 5
Com a camisola da CDC NAVE no Monchique Open Trail 2019

Imagem 6
Ultra Trail Douro Paiva 2018 em Cinfães
Fotografia de Matias Novo

07
Set20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Segue-se hoje uma entrevista a uma pessoa que se destaca pelo seu lado mais discreto, mas também por já saber muito da "poda". É simpático e parece andar nisto pela diversão e pela vitalidade que recebe em troca. No entanto, ao ouvi-lo falar, dá logo para perceber que o homem tem muito conhecimento...nestas andanças. 

Pois bem, é essa experiência andante que dá um prazer enorme absorver. 

O meu contacto direto com o Francisco é muito reduzido, mas sempre foi muito cordial e deixou-me satisfeito, confesso, o facto de ter manifestado interesse em saber a forma como treino no último jantar da equipa. 

Curioso o facto de termos entrado os dois na equipa ARCD Venda da Luísa no mesmo ano...e de termos começado a levar a corrida a sério em 2016.

Sem mais demoras, deixo-vos mais um testemunho interessante de um verdadeiro jovem muito experiente

 

  • Nome

Francisco António Coelho e Silva

Francisco_2.jpg

  •  Idade

58 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

2016

  • Modalidade de atletismo preferida

Trail running

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Os trails que mais aprecio são na casa dos 20 km mas esta época tenho corrido só trails curtos

  •  Na atual equipa desde

2018

Francisco_7.jpg

  •  Volume de treinos por semana

Em condições normais 5 treinos por semana, mas varia um pouco em função da disponibilidade pessoal

  •  Importância dos treinos

Sem se treinar de forma adequada não se obtêm resultados. É óbvio que nos podemos divertir correndo alguns quilómetros ao longo da semana e participando em algumas provas mais fáceis mas se pretendermos superar-nos e atingir os melhores resultados possíveis temos de treinar de forma planeada e com total dedicação. E não esquecer que treinar não é apenas correr. É necessário não descurar os alongamentos, treinos de força. 

Francisco_6.jpg

  •  Se tem ou não treinador

Tenho treinador desde finais de 2017, antes da minha primeira participação nos Abutres. Após algumas experiências anteriores em trails mais longos, decidi que necessitava de orientação para conseguir completar trails mais longos ou para fazer provas mais curtas em tempos competitivos para a minha idade e condições físicas.

  •  Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Não tenho grande experiência no atletismo no passado (fiz uma meia maratona nos anos 80) mas tenho a ideia que a grande diferença se relaciona com a popularidade do trail running que atraiu muitas pessoas para a prática do atletismo e que se reflete também numa participação mais alargada nas provas de estrada.

  •  Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Na minha primeira participação no Trail da Serra da Freita, ia ali pelo meio do pelotão e ao chegar às eólicas, no abastecimento onde havia um controlo de tempo, vejo um grupo de corredores a aproximar-se fora do percurso. Eram os primeiros classificados que tinham sido enganados por uma voluntária e fizeram uma volta maior. Assim, durante alguns quilómetros fui correndo no meio dos atletas mais rápidos que me foram ultrapassando, praguejando contra a organização. Uns quilómetros mais à frente, já a andar mais que correr, integrei-me num grupo e comecei a conversar com uma pessoa que reconheci, não sabia de onde. Só quando vi o nome no dorsal o identifiquei. Era o Rui Quinta, que durante algum tempo foi treinador de futebol do FC Porto.

Francisco_5.jpg

Nos Trilhos do Luso-Bussaco de 2018, para não ter de me preocupar com a recolha do dorsal antes da partida fui na 6ª feira recolhê-lo à Mealhada, depois do trabalho, no regresso de Coimbra para Aveiro. No Domingo de manhã lá saio de casa, sossegado, com tempo mais do que suficiente para chegar o Luso, aquecer e fazer a prova. A meio caminho lembrei-me do dorsal. Tinha-o deixado em casa. Tinha tempo, voltei para trás, fui a casa e retornei ao caminho para o Luso. Chegar, estacionar o carro, ir para a zona da partida, acabei por sair 10 min depois da partida, no meio do pessoal da caminhada. Mesmo assim, fiquei em 176.º em cerca de 500 atletas que concluíram a prova dos 15 km e em 5.º no escalão.

  • Aventura marcante

A situação mais marcante foi num treino: ia isolado numa zona de pinhal quando me apareceu pela frente uma matilha de cães vadios. Tentei evitá-los e passar ao lado mas 2 cães começaram a correr atrás de mim. Parei e enfrentei-os. Não sei o que apanhei do chão para me defender mas, de imediato, eles pararam e voltaram para o grupo. Pude, então, afastar-me em segurança. Mais tarde avistei-os ao longe a vaguearem na zona onde treinava. Não voltei mais para essa zona de treino.

Francisco_4.jpg

  • Participação em prova mais longa

A prova mais longa foi o Trilho dos Abutres em 2019, no traçado do Campeonato do Mundo. Foi a minha única experiência num ultratrail (44 km). Aguentei-me bem nos primeiros 23 km mas depois tive de gerir o esforço até ao final.

  • Objetivos pessoais futuros

Se voltar o campeonato de trail da ADAC, vou tentar o pódio no escalão M55. Mas, neste momento o meu objetivo principal é poder voltar a correr com total liberdade e conseguir manter-me mais alguns anos em competição. Esta época tem sido marcada por lesões sucessivas e só muita perseverança me tem permitido manter a treinar e a competir.

Francisco_3.jpg

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos 

Penso que ultrapassada esta fase da pandemia, iremos ter um crescimento moderado nas provas populares de estrada e trail. Se os clubes e entidades do atletismo aproveitarem a popularidade do atletismo, poderemos vir a ter um aumento também no número de praticantes nas provas de pista.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Se as minhas condições físicas o permitirem, irei tentar estar a competir no circuito ATRP e participar em algumas provas internacionais. 

Francisco_8.jpg

 

28
Ago20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje venho falar-vos e dar-vos a conhecer o Paulo Alves, nome de antigo jogador da bola.

Não conheço pessoalmente este rapaz, mas já pude sentir a sua simpatia e boa disposição no seio da nossa equipa.

Curioso o facto de achar que ele já fazia parte da equipa há mais tempo do que eu, quando, na verdade, sou mais "velho" na laranja. Particularidades, portanto.

Outra é o facto de a minha alcunha atual no seio da equipa ter sido dada por ele: alcatroado. Qualquer relação do nome com a minha paixão à estrada é pura coincidência.

Aprecio o jeito descontraído do Paulo, bem como a sua abordagem mais ligeira. Como sei que é algo difícil para mim, gabo-lhe os méritos dessa atitude, que, ou muito me engano, é uma marca distintiva da sua personalidade.

Deixo-vos, pois, com o Paulo Alves.

 

  • Nome:

Paulo Alves aka Alfacinha aka #treinapaulo :)

EGT2016-46kms.JPG

 

  • Idade:

42

  • Equipa:

ARCD Venda da Luísa

 

  • Praticante de atletismo desde:

Meados de 2012, pois foi quando a balança chegou aos 106 kg. Achei que já bastava e meti na cabeça que iria fazer a corrida do Sporting (10 km) nesse mesmo ano, pelo que comecei a correr do zero por períodos de 5 min. no máximo e aumentando gradualmente.

OMD2018-50kms.JPG

 

  • Modalidade de atletismo preferida:

É o trail running pela sensação de liberdade, camaradagem e aventura que cada treino/prova proporciona.

 

  • Prefere curtas ou longas distâncias:

Claramente as longas distâncias pelo desafio de ter de vencer os quilómetros, o tempo, a meteorologia, gerir o corpo, mas, sobretudo, por ter de contrariar o que a cabeça muitas vezes pede quando surgem as dificuldades.

Sicó 2020-111kms.JPG

 

  • Na atual equipa desde:

24 de Março de 2019, dia do Trail de Pereira.

 

  • Volume de treinos por semana:

É muito variável pois sou um "atleta" muito indisciplinado, por isso, tenho semanas em que treino 1 vez e outras em que chego às 6. Mas, se seguirmos a grande máxima "descanso também é treino", então é todos os dias e nisso sou fortíssimo. :)

Almourol 2014 - 1a maratona em trilhos (44 km).jpe

 

  • Importâncias dos treinos:

Considero que, de facto, treinar com regularidade e disciplina é muito importante pois conseguimos desfrutar muito mais das provas e acabá-las sem ter a sensação que fomos atropelados pelo Intercidades. (risos)

Trail Viver Pereira 2019.JPG

 

  • Se tem ou não treinador:

Não tenho treinador, mas como sou algo preguiçoso para treinar, tenho 2 treinadores informais que usam todos os métodos possíveis e imaginários para me "obrigar" a treinar.

 

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual:

Sinceramente não considero que esteja no atletismo há tanto tempo para notar as diferenças, mas acho que há cada vez mais uma "indústria" das provas de corrida, sobretudo no trail, em que o objetivo é principalmente fazer dinheiro, sendo que há ainda uns resistentes que dão prioridade à qualidade em detrimento da quantidade dos seus eventos.

TSL2017-55kms.JPG

 

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas,

O acontecimento mais insólito numa prova foi num Oh Meu Deus, na subida da Garganta de Loriga para a Torre senti-me mal com o calor, fui sempre subindo e esperando que viesse o vassoura, quando cheguei à Torre, 4 horas depois de ter saído de Loriga, descobri que nenhum dos elementos estava à minha espera porque pensavam que o último já tinha passado...Outra situação insólita foi no ano passado nos 65 km da Freita, eu estava a fazer a prova com o Rui Monteiro e o José Carlos Fernandes, entrámos juntos na mítica Besta, sendo que depois cada um seguiu o seu ritmo e, de repente, eu consegui perder-me naquele percurso para parece simples e depois só ouvia os gritos do Rui e do José a chamar por mim...  e uma curiosidade é que já acabei várias provas com pelo menos uma rapariga que não conhecia até aí. ;)

Oh Meu Deus K70 2014.jpeg

 

  • Aventura marcante

Tive algumas experiências em prova que me marcaram, como correr na neve na Serra da Estrela, a brutalidade e beleza da Serra da Freita, as noites das provas de 100 km, mas o que mais me marcou ao longo destes anos de corridas foram sobretudo as pessoas que trouxe de cada aventura.

 

  • Participação em prova mais longa

 

Foi este ano nos 111 km do Sicó, que já tinha tentado o ano passado e fiquei a 18 km da meta, sendo que desta vez terminei-a, mas a prova mais longa prevista para este ano era a Ultra Caminhos do Tejo 144 km.

UMA2016-43kms.jpg

 

  • Objetivos pessoais futuros:

Basicamente terminar os objetivos que tinha para este ano, ou seja, UCT 144 km, TPG 55kms, finisher circuito ultra endurance da ATRP. 

Projetos que não tinha para este ano, mas que quero cumprir são OMD 100k ou 100 milhas, MIUT, PGTA, também PT281+ e/ou ALUT (solo ou estafeta) isto só para referir os objetivos internos.... :p

 

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Vejo o atletismo daqui a 5 anos como já tendo feito uma seleção natural entre as provas de qualidade e provas que só procuram lucro fácil sem qualidade, mas, no geral, cada vez mais gente a correr seja na estrada ou no trilho.

 

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos:

Sinceramente acho que andarei pelos trilhos lá atrás como é meu hábito, mas a curtir cada dia e cada metro percorrido.

20
Ago20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje trago-vos alguém que conheci virtualmente há muito pouco tempo e que já me parece ter um peso importante no atletismo da sua região e também a um nível mais global, isto porque tem uma plataforma denominada Aquele que gosta de correr, onde expõe o seu gosto pela corrida, mas também para onde convida outros atletas com o objetivo de os dar a conhecer um pouco por toda a rede. Portanto, tem uma atitude altruísta que também revela ao participar em ações que visam o apoio social aos bombeiros, por exemplo.

A sua envolvência e o seu gosto pela corrida são mesmo contagiantes. Perante isto, não podia ser o único a usufruir deste tipo de conhecimento e decidi convidá-lo para uma entrevista, mal terminou a conversa que lhe dei em maio e que podem ver aqui e aqui.

Acrescento, apesar de ser acessório neste caso, que o Vítor é um atleta de créditos firmados e com excelentes resultados. Basta darem uma olhadela na sua página.

Fiquemos, pois, com o Vítor Oliveira:

 

Nome: 

Vítor Oliveira

Idade: 

30 anos

Corridas das Lezirias 2016 (das provas que já fiz

 

Equipa: 

Vitória Futebol Clube

Corrida do Avante 2019 (primeira prova depois do c

 

Praticante de atletismo desde: 

2012

Modalidade de atletismo preferida: 

Corrida, claro

Prefere curtas ou longas distâncias: 

Eu prefiro longas distâncias, mas claro só até à distância oficial da Maratona. Se considerarmos que 10 km é uma curta distância, mesmo gosto bastante!

Maratona de Sevilha 2019 - Primeira e unica marato

 

Na atual equipa desde: 

Comecei esta época, portanto, desde outubro de 2019! Antes disso estava na Associação Vale Grande, clube que me acolheu durante 3 anos.

Volume de treinos por semana: 

Treino corrida 5 dias por semana e reforço muscular nos dias de descanso.

Fim de uma Meia Maratona (2018)dos Descobrimentos

 

Importância dos treinos: 

Todos os treinos são importantes. Desde os treinos mais curtos, dos treinos intervalados, aos treinos longos. Todos são importantes e todos deverão ser encarados com seriedade. Sem nunca tirar o prazer de correr claro!

Se tem ou não treinador: 

Sim, tenho treinador há três anos. Já tinha tido anteriormente, mas passei por um período em que me treinei a mim próprio. No entanto acho que o melhor é ter alguém a lidar com a gestão dos nossos ciclos de treino. É importante para não fazermos as “asneiras” normais no ataque às provas.

Vitoria no GP Almargem do Bispo (zona onde moradav

 

Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual: 

Eu não vivi o atletismo do passado, mas tenho a minha opinião meio formada. A verdade é que isto se aplica a diversas áreas da atualidade. Antigamente os trabalhos não eram tão exigentes, não havia tantas distrações, não havia tanta pressão, o mundo era completamente diferente do que era agora. Eu falo por mim, eu adoro atletismo, e adorava dedicar-lhe bem mais tempo. Nem que fosse para dormir, que é essencial na recuperação muscular. Mas é-me impossível, tenho demasiado para fazer, estou envolvido em demasiadas coisas na minha vida para poder concentrar-me mais no atletismo como parte da minha vida.

Resumindo, sim, claro que o atletismo do passado era bem mais forte do que é atualmente (falo do contexto português claro). Infelizmente o atletismo como profissão não evoluiu como as outras profissões e o facto destas outras profissões terem evoluído tanto é que causou um maior impacto em tornar mais pobre o atletismo amador.

Corridas das Lezirias 2016 (das provas que já fiz

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas: 

Eu não tenho grande memória para este tipo de histórias honestamente! Uma história curta é a da Légua Noturna de Odivelas. Uma prova que já tive o prazer de ganhar. Na edição que ganhei, durante a prova havia um cruzamento que não estava bem sinalizado para onde a prova deveria seguir. Como seguia em primeiro, tinha um carro da polícia à minha frente. No dito cruzamento, o carro seguiu em frente e eu claro, segui com ele. De repente o carro acelera e dá uma volta de 180º. Eu fico “então mas???”. Está claro que o caminho não era por ali e a própria polícia se enganou! Valeu o desportivismo de quem seguia em 2.º lugar que abrandou para me deixar voltar a ganhar a posição.

Uma segunda história foi durante uma Meia-Maratona dos Descobrimentos em que o comentador que fez a cobertura televisiva disse que eu me chamava Nico e era um atleta espanhol. Esse vídeo ainda hoje está no YouTube para assistir a esse belo momento! Verdade seja dita que o equipamento da Associação Vale Grande é vermelho e amarelo, as cores de Espanha!

Aventura marcante: 

Eu sou uma pessoa de objetivos, mas acabo por não ficar a pensar em aventuras passadas. Posso pensar aqui numa Maratona de Sevilha que foi a minha primeira Maratona, numa São Silvestre da Amadora em 2018 em que bati o meu recorde aos 10km sem sequer ter isso na cabeça, ou até numa Meia-Maratona dos Descobrimentos em que consegui ir a um pódio (imagine-se, eu num pódio de uma Meia-Maratona de Lisboa). Honestamente, nunca fico mesmo ligado a qualquer prova ou aventura. Para mim todos os momentos são importantes. E bons para serem relatados no meu blog!

Participação em prova mais longa:

Maratona de Sevilha. É preciso dizer a distância?

Objetivos pessoais futuros:

Melhorar a marca aos 10 km e à meia-maratona. Depois disso, trabalho outra vez em voltar à Maratona!

Corta mato distrital Setubal 2020 (1).jpg

Como vê o atletismo daqui a 5 anos: 

Honestamente não sei. Tenho previsões algo pessimistas no setor feminino (parece estar a decair um pouco). No masculino os nossos melhores atletas estão neste momento a começar a demonstrar o seu valor. Veremos!

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos: 

Honestamente, não sei. Tenho objetivos e visão em tudo na minha vida, menos com o atletismo em termos competitivos. A única coisa que me vejo no futuro é continuar a tirar prazer da corrida e dos treinos!

Perturbações sentidas pela Covid-19
Eventuais provas canceladas ou objetivos adiados em 2020 por causa da pandemia:

Maratona da Europa. Era o objetivo desta época e foi abortado.

Que mudanças se perspetivam no contacto social em provas a partir da segunda metade do ano:

Não sei mesmo. Acredito que vamos sentir algumas diferenças, mas a corrida não funciona com muitas limitações. Não vamos correr de máscara. Não vamos correr afastados uns dos outros. No máximo poderemos desinfetar as mãos. Mas falando mais a sério, penso que o que se poderá sentir mais é a limitação no número de participantes. E isso poderá afetar a realização de provas maiores, como as meias das pontes, as maiores São Silvestres do país, ou mesmo a Maratona de Lisboa e do Porto.

 

10
Ago20

1, 2, 3, uma entrevista diferente desta vez...


João Silva

Esta é uma entrevista diferente. Por não ter percebido a dúvida do meu convidado, induzi-o claramente em erro na forma de comunicação do conteúdo.

O mais curioso foi que gostei da forma como enquadrou e desenvolveu os temas. 

Posto isto, hoje trago-vos o Gil Santos, meu colega de equipa e um dos primeiros que conheci quando me juntei ao grupo. O Gil é uma pessoa muito simpática e sempre disposta a ajudar na integração.

Além disso, este jovem é meu vizinho, o que também tem os seus méritos.

Mais a sério, é um atleta à maneira e, apesar de não fazer estrada, noto que desenvolve bem o seu ritmo nesse palco.

Fiquem, pois, com o Gil Santos.  

1° ultra trail no VIII ULTRA TRAIL DE SICÓ 2017.

O meu nome é Gil Santos e tenho 44 anos. 

Neste momento, faço parte de uma equipa de trail do concelho de Condeixa a nova do distrito de Coimbra ( ARCD VENDA DA LUÍSA) desde 2015.

Apesar de ter iniciado a prática de atletismo na vertente estrada em 2014, (na equipa das 4 estações de Coimbra, que era e ainda é liderada pelo meu amigo Guilherme), logo me apaixonei pelo TRAIL através do meu amigo Marco Santos, que numa manhã de treino me levou a conhecer os trilhos da Serra de Sicó. Passei logo a gostar de trail running, a vertente que prefiro. Inicialmente fazia curtas distâncias nas provas em que participava, mas ao longo dos anos comecei a fazer distâncias maiores até atingir provas 'chamadas' ultras.

Trail infante-Penela 2017.jpg

Em relação ao volume de treinos semanalmente é um pouco relativo, isto é,  treino consoante a minha disponibilidade uma vez que tenho vida profissional.  Praticamente faço e quando posso dois treinos longos ou 3 curtos, compensando com natação e estática por vezes, mas tudo depende da disponibilidade que tenho. Por vezes pode haver uma semana em que não treino. Os meus treinos faço praticamente sozinho na Serra de Sicó na zona de Condeixa, e, por vezesm para elevar o ritmo, faço uns treinos de estrada. 

Louzantrail 2018.jpg

Apesar de não ter treinador (sou eu o meu treinador), sou eu que faço previamente o que irei fazer. Ultimamente tenho lido muito sobre provas e quais os métodos a utilizar nos respetivos treinos, tenho um conselheiro (João Fantástico) que me ajuda muito, especialmente a dar-me conselhos nos treinos que faço, o que lhe agradeço imenso. 

Coimbra trail 2016.jpg

Relativamente ao atletismo do passado e o atual, sinceramente não conheço muito do passado, mas no presente, em relação ao trail, tenho  reparado que muita gente anda a participar mais, uns, claro, têm os seus objetivos e outros apenas para se divertirem. Conheço muita gente que apenas participa para conhecer as paisagens e não estar num domingo, por exemplo, sentado no sofá. Claro que é muito bom ver nas provas todo o tipo de pessoas a participarem.

Em 2014, fiz a minha primeira prova oficial em estrada (Corrida Pedro e Inês), onde o mais importante para mim era terminar a prova, o que consegui com muito suor e esforço. 

Curiosamente, numa prova que participei em 2017 ( IV GRANDE TRAIL DAS LAVADEIRAS 25K), fiz praticamente o percurso todo a ajudar um adversário que não conhecia de lado nenhum (Renato Ferreira), hoje somos grandes amigos, e que participava com a sua cadela (Kyra). Essa prova foi uma enorme aventura pois ajudei-o várias vezes a subir trilhos muito técnicos com a sua cadela.

Castellum Trail 2018.jpg

Destaco também com muito gosto a minha primeira participação numa prova ultra: VIII ULTRA TRAIL DE SICÓ 2017, onde participei pela primeira vez participei e com êxito numa prova de 52km. No ano seguinte, voltei a repetir, no ano 2019, não participei infelizmente porque 2 meses antes tinha sido operado a uma hérnia umbilical mas no ano 2020 voltei e fiz os 57km de Sicó. Esta prova para mim é muito especial, pois é realizada na vila de Condeixa, onde resido, e considero-a a minha prova rainha. Em todas as provas que já realizei, seja vertente TRAIL ou Estrada, tenho sempre um objetivo que é terminar bem e sem lesões. Depois, se bater o meu recorde pessoal, é um acréscimo. Como se costuma dizer: é a cereja no topo do bolo. Quanto ao futuro dos trail em questão, vejo com muita satisfação em relação a quem as organiza,  uma vez que as mesmas ano para ano melhoram muito, a nível de qualidade, segurança e abastecimentos. A nível pessoal , ou continuar com os meus treinos, mesmo sabendo que as provas que tinha em mente para este ano foram todas canceladas devido ao novo coronavírus. Futuramente, acredito que, a partir do ano 2021, as provas vão voltar e continuarei a dar sempre o meu melhor em prol da minha equipa que me acolheu há 5 anos e onde fui excecionalmente recebido de braços abertos ou não fosse ela a minha família do desporto. Voltar às provas, serras, montes, trilhos, rever paisagens, amigos, poder ajudar quem precisa, conhecer novas pessoas, seja com sol, chuva, frio, calor, trovoada, neve e vento é tudo o que desejo para o futuro e isto sim é TRAIL. 

2°eco meia maratona 2016.png

Por fim queria agradecer a todos os meus companheiros de equipa e a todos os meus amigos de equipas "adversárias" que me apoiam antes, durante e no fim das provas, dar os parabéns a todas as organizações de provas que sei que dão tudo por tudo para que corra tudo bem. Às pessoas que mencionei aqui fica um grande abraço. À minha família em especial, que me apoia totalmente. E, por fim, um enorme abraço ao meu grande amigo, criador deste blogue, que, ao conhecer um pouco da sua história, vi que conseguiu ultrapassar todas as divergências e que hoje é um MARATONISTA. 

GIL SANTOS

 

XI ULTRA TRAIL SICÓ 2020 57KM.jpg

III grande trail das lavadeiras 2016.jpg

Equipa ARCD venda da luisa 2019.jpg

 

27
Jul20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje temos uma estreia nesta rubrica.

Pela primeira vez, vou "dar voz" a uma pessoa que não conheço pessoalmente, mas por quem tenho uma grande estima e admiração.

Como não podia deixar de ser, é mais um "papa-maratonas" e é aí que começa o meu processo de fascínio pela sua carreira.

Além de tudo isto, Manuel Sequeira é ainda jornalista/repórter na Revista Atletismo.

Na verdade, na sequência de um e-mail para aquela publicação em 2019 onde dei a conhecer a minha história, foi ele que tomou a iniciativa de estabelecer contacto. Sempre muito cordial, rapidamente se percebeu que este homem transpira atletismo por todo o lado. 

Perante isto, era impossível não o trazer para este espaço. Vem, estou certo disso, enriquecer o blogue e oxalá possam beber dele muitas informações e histórias dignas de registo. Este homem teve a incrível gentileza de refletir muito bem sobre as diferenças do atletismo ao longo dos anos. Não desfazendo de nenhuma resposta, aquela que se refere às diferenças na modalidade vale cada linha.

Uma pessoa com tanta história tem de a poder contar. E é isso que pretendo: que nos faça perceber, uma vez mais, que velhos são os trapos.

Fiquemos, pois, com Manuel Sequeira:

Sequeira-Corrida Dublin com minha mulher.jpg

 

 

  • Nome

Manuel Sequeira

  • Idade

69 anos

Sequeira-Grupo chegado de amigos.jpg

 

  • Equipa

Como atleta popular, vou correndo pelo Grupo Desp. e Cultural dos Trabalhadores da Repsol Polímeros e Associação Talentos Team.

  • Praticante de atletismo desde

Comecei a treinar aos sábados com um grupo de amigos na Primavera de 1980. Sou dos tempos onde correr nas ruas era uma “aventura”, ouvindo todo o tipo de comentários depreciativos, tipo “vai trabalhar malandro, para trabalhar não corres tu!”.

A minha primeira corrida (noturna) foi em 15 de Setembro desse ano, com cerca de 10 km. A Corrida do Bocage, prova integrada nas comemorações do poeta setubalense. Demorei 50 minutos. A partida e meta eram no interior do Estádio do Bonfim. A bancada central estava cheia de espetadores porque, entretanto, havia outros eventos desportivos. No dia seguinte, fartei-me de ouvir “bocas” de colegas da Setenave (onde trabalhava) que me tinham visto a correr.

Sequeira-Maratona Berlim.jpg

 

 

  • Modalidade de atletismo preferida

De há uns anos a esta parte, prefiro as provas de estrada. A razão é muito simples, são de menor desgaste comparativamente com as atuais provas de trail. Durante boa parte da minha vida desportiva, gostava mais de participar em provas de montanha, era habitual participante das provas do António Matias, pioneiro em Portugal na montanha. Mas a idade não perdoa, daí agora, uma maior opção pela estrada.

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Curiosamente e durante muitos anos, a minha distância preferida era a meia maratona. Nunca fui um corredor rápido, muito raramente fazia séries, optando quase sempre pela corrida contínua. Por isso, não apreciava muito as provas de 10 km, corria-as em 40/45 minutos mas eram muito rápidas para mim. Claro que com os anos (velhice), as preferências vão-se alterando e mais a partir dos 65 anos de idade, quando a quebra começa a ser maior, a maior parte das provas em que participo têm 10 km.

  • Na atual equipa desde

Nunca trabalhei na atual Repsol, foi um amigo de Setúbal que corria e trabalhava lá, que me convidou a fazer parte do Grupo Desportivo e a correr por eles. A empresa chamava-se então Petroquímica e sofreu várias alterações no seu nome conforme ia mudando de dono.

Durante uma boa meia dúzia de anos, fui dirigente e corredor da Associação de Atletismo Lebres do Sado e obviamente, corri então a maior parte das provas por eles. Mas quando corri a minha centésima meia maratona, (Évora-Arraiolos) em 9 de Dezembro de 2001, fiz a primeira metade da prova com uma camisola e a segunda parte com a outra do segundo clube que levava dentro de uma bolsa à cintura.

Atualmente, sou sócio da Associação Talentos Team, clube de Setúbal fundado há poucos anos com um excelente ambiente entre os atletas. Identifiquei-me com eles desde o momento que os conheci e tenho corrido várias vezes pelo clube.

  • Volume de treinos por semana

Treino pouco, em média três vezes por semana. Duas vezes na casa dos 30/40 minutos e uma vez, à volta de uma hora. É o suficiente para participar em provas de 10/15 km. Se o objetivo for participar numa meia maratona, aumento a quilometragem mas mantenho os três treinos por semana. Antigamente, treinava em média quatro vezes por semana, mesmo quando me preparava para a maratona, claro que com outra quilometragem.

Sequeira-Maratona Médoc 2014.jpg

 

  • Importância dos treinos

Os treinos são fundamentais para estarmos preparados no desempenho de uma qualquer atividade desportiva, seja ela individual ou coletiva. É o que se passa no atletismo. Basta ver como nos sentimos quando estamos uma ou duas semanas sem treinar e vamos participar numa corrida. Ainda assim e nas pequenas entrevistas que faço após as corridas, deparo-me com alguns corredores que não treinam durante a semana mas não falham as corridas domingueiras. Não é aconselhável tal prática.

  • Se tem ou não treinador

Nunca tive um treinador. E apenas seguia um plano de treinos elaborado por mim quando me preparava para as maratonas ou distâncias superiores.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Sequeira-Meia Maratona Estocolmo.jpg

As diferenças são enormes, a começar pelos meios tecnológicos disponíveis. Antigamente, seria praticamente impossível realizar-se uma prova com 10 mil participantes, como já vamos tendo em Portugal. Então, as provas com 30 ou 40 mil…Não havia chips, um avanço determinante que proporciona haver tanta gente numa mesma prova.

Antigamente, quando acabávamos uma prova, ficávamos num funil que dava voltas e voltas até chegar a nossa vez de entregar o dorsal e receber a t.shirt ou diploma e alguma lembrança. E muitas vezes a chover torrencialmente, cheguei a estar mais tempo na fila do que o demorado na prova!

Os dorsais tinham os números escritos muitas vezes à mão. Quando chovia, era frequente, os dorsais ficarem destruídos, sem o número visível.

As classificações eram feitas à mão. Os prémios começavam a ser distribuídos 1h30m/2h depois dos primeiros terem chegado! Quando alguém do grupo tinha hipóteses de ser premiado, ficávamos à espera até bem depois do meio-dia. Isto para uma prova que podia ter terminado às 10.30.

Depois, as inscrições eram feitas pelo correio, envio dos dados dos inscritos e cheques.

As inscrições eram gratuitas, o que fazia com que equipas inscrevessem todos os seus corredores, sem saber se eles estavam ou não interessados em ir a essa prova. Dava-se muito trabalho e despesas desnecessárias às Organizações

As distâncias das provas não eram frequentemente rigorosas, pecando muitas vezes pela falta de centenas de metros.

Não eram raras as provas com trânsito, os carros a passarem pelo meio dos corredores. Poucas provas tinham a polícia a orientarem o trânsito.

Não havia wc’s. Ou havia cafés ao pé das partidas ou então, o recurso era “regar” as árvores. A situação era mais complicada para as corredoras do sexo feminino.

Os abastecimentos falhavam muitas vezes. Agora, isso acontece raramente. Hoje, uma prova mal organizada é que é notícia, melhorou-se imenso o nível organizativo das provas em Portugal.

Não havia muitos patrocinadores privados mas as autarquias subsidiavam geralmente as provas. Estas tinham muitas vezes prémios elevados, na casa das muitas centenas de contos, em moeda antiga.

Também havia muito pouco informação técnica. Apenas a Revista Spiridon e mais tarde, a Revista Atletismo. Hoje e com a internet, há um grande manancial de informação que nos permite preparar adequadamente, seja a nível técnico como nutricional.

Hoje ainda, as despesas com a organização de uma prova são enormes a começar com o iva. Por cada inscrição que fazemos, o Estado fica com 23%! E depois, são taxas e taxinhas para as Associações Regionais de Atletismo, para as Câmaras, taxas de ruído, de ocupação de espaço, a polícia. Quem critica o preço das inscrições, não imagina quando pagam a Organizações nas taxas e licenças.

Baixou muito o nível competitivo

Costumamos dizer e com razão, que baixou muito o nível do meio fundo e fundo em Portugal nos atletas de elite. Para além de Carlos Lopes e Fernando Mamede, Rosa Mota e Aurora Cunha, tivemos mais de uma dezena de atletas que foram dos/as melhores do mundo. Agora, o nível é extremamente baixo. Mas o mesmo se passa nos atletas populares. Sempre fui um “Zé Ninguém” no pelotão, um dos muitos anónimos do pelotão. Dou apenas quatro exemplos:

  • O meu recorde pessoal da meia maratona foi fixado na Ponte 25 de Abril, em 1993, com 1h24m14s. Fiquei então em 1.160º entre 4.261 classificados. Com o mesmo tempo na edição do ano passado, teria sido o 311º entre 10.607 classificados.
  • Na minha primeira maratona em 1983, fiz 3h37m13s. Fiquei nos últimos, em 161º entre 176 classificados. Na maratona de Lisboa do ano passado, com o mesmo tempo teria ficado em 920º entre 4.442 classificados.
  • Na Corrida do 1º de Maio em Lisboa, em 1993, terminei em 301º entre 895 classificados com 58m51s. Na edição de 2019, teria sido o 28º em 1.043 classificados.
  • Na Corrida dos Sinos em Mafra, em 1991, fui o 712º com 1h04m14s em 1.566 classificados. No ano passado, teria sido o 161º entre 1.575 classificados.

Na minha opinião, a razão está em hoje correr-se com outro espírito. Há menos competitividade no pelotão, interessa mais acabar bem do que lutar por um grande tempo. Prefiro o espírito de hoje.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Quando se corre há 41 anos, tem de haver sempre estórias curiosas. Aqui vão três delas:

  • - Fui uma vez correr o GP do Museu Ferroviário no Entroncamento. Saí de Setúbal de boleia com um amigo que também ia correr e com as nossas mulheres. Perdemo-nos no caminho e quando vi que íamos chegar atrasados à partida uns minutos, telefonei a um companheiro do clube. Pedi-lhe que entregasse os nossos dois dorsais a alguém da Organização que ficasse na meta. Assim aconteceu e lá partimos uns 5/10 minutos depois da partida oficial. Tinha dito ao meu companheiro de infortúnio: “Não te preocupes que daqui a pouco, apanhamos os mais atrasados e depois, é só seguir o percurso”. O problema é que não encontrávamos os mais atrasados. No início, fomos perguntando aos transeuntes que nos iam dizendo “eles passaram por aqui ou por ali”. Mas chegámos a um momento que estávamos completamente perdidos e ninguém sabia por onde era a prova. Quando demos por nós, estávamos à porta do cemitério do Entroncamento! Aí, disse ao meu companheiro: “Eh pá, vamos voltar já a caminho da meta, já estamos com mais de 40 minutos, quando chegarmos à meta, já se terá passado quase uma hora”. Na altura, corria os 10 km em menos de 50 minutos. Perguntámos como ir para a meta, lá nos disseram. Quando íamos a entrar na meta, reparámos que estávamos a entrar nela no sentido inverso ao da corrida. Lá demos uma voltinha para entrarmos pelo sentido correto. Um membro da Organização reconheceu-nos e saudou termos feito a prova. Nunca sonhou como tinha sido.
  • Esta estória passou-se em 2017, numa corrida comemorativa do Comércio e Indústria, clube de Setúbal. Combinei com um amigo que faríamos a prova sempre juntos. O número de concorrentes era diminuto, ao fim de pouco tempo já o pelotão estava bem estendido. Como o percurso estava muito mal marcado, perdemo-nos. A certa altura, perguntámos a um polícia que nos mandou seguir em frente. Era um percurso parcialmente de ida e volta, não víamos ninguém a cruzar-se connosco. Percebemos que tínhamos cortado caminho. A solução foi esperar que chegasse boa parte do pelotão e continuarmos então a correr. Já a uns 2 km da meta, apanhámos o que seria o último que ia com a “atleta-vassoura”. Ele depois contou-nos que ela também se tinha perdido! Lá cortámos a meta e contei à Organização o que se tinha passado. Como não influenciámos em nada as classificações, não houve problemas. Valeu a prova ser na minha cidade e saber bem como chegar à meta.
  • Estava na Organização da Maratona dos Descobrimentos, num dos anos com a partida e meta localizadas no Estádio 1º de Maio. A poucos minutos da partida, um atleta holandês (cerca de 60 anos) pediu-me muito aflito se eu não lhe arranjava uns sapatos de corrida e uns calções emprestados. O seu saco com o equipamento tinha ficado no porão do avião e não apareceu a tempo da prova. Por sorte dele, eu estava calçado com os sapatos de treino. Ele experimentou-os e como lhe serviam, trocámos de sapatos. Ainda fui à procura de alguém que tivesse uns calções a mais mas não consegui. Voltei à partida para avisá-lo que não tinha arranjado os calções mas já não o vi.

Contei depois a situação a alguns companheiros que me disseram que se fossem eles não tinham emprestado os sapatos. “E se ele não aparece? Ficas sem os sapatos”. Pois, os dele que eu tinha calçado até eram bem velhotes. Bom. Lá fui para a meta fazer umas entrevistas a quem acabava a prova e o bom do holandês nunca mais chegava. Já depois das 4 horas de prova, lá chegou ele, muito feliz e muito agradecido a mim. Tinha resolvido o problema dos calções, correu de boxers!

  • Aventura marcante

 

Sequeira-Santiago Compostela.jpg

Escolho a minha participação na Maratona do Sahará, em 25 de Fevereiro de 2002. Aqui, a “culpa” maior foi da Revista Spiridon. O seu diretor Mário Machado tinha ido em tempos correr no deserto e fez uma reportagem. Fiquei admirado pela forma entusiástica como ele descrevia a sua experiência no deserto, correr quilómetros e quilómetros, só a ver areia. Uma vez, perguntei-lhe qual era o prazer e ele respondeu-me: “só indo lá”. Mais tare, tive a oportunidade de ir com um grupo de dezenas de portugueses correr a maratona e não a desperdicei. Foi uma experiência fascinante, o contato com aquele povo oprimido e a viver em condições muito difíceis (racionamento de água, de comida, etc) mas extremamente simples e simpático. E gostei muito de correr na areia, o Mário Machado tinha razão. Foi muito difícil, apanhámos muita areia solta mas acabei em 4h52m30s. Fiquei em 66º lugar entre 130 classificados.

  • Participação em prova mais longa

Foi em 12 de Julho de 2003, na Noturna da Malcata, com 51 km. Fiquei em 35º entre 46 classificados. Então, eram muito raras as provas acima da maratona. E o número de participantes também era naturalmente muito baixo. Hoje, temos muitas dezenas de trails com distâncias superiores a 50 km.

A outro nível, consegui completar a antiga Volta ao Minho disputada entre 1 e 9 de Agosto. Foram 347 km em 16 etapas, corridas a uma média de 5m/km. Havia um carro da organização à frente dos participantes que regulava a velocidade. Inicialmente, correr a 5m/km era muito lento mas a partir do 4º/5º dia, começavam a aparecer as lesões que obrigavam muitos que corriam habitualmente bem mais rápido, a desistirem. Era uma Volta duríssima, em pleno Verão, com duas etapas diárias à exceção de dois dias. Chegámos a fazer 52 km num só dia, em constante sobe e desce. Com um enorme sacrifício nos dois últimos dias, consegui chegar à meta em Braga como um d os sobreviventes. Durante uma semana, mal conseguia andar, tinha ficado com um “andar novo”.

  • Objetivos pessoais futuros

Quando se está prestes a completar 70 anos de idade e se corre há 41, os objetivos futuros só podem passar por poder continuar a correr, sem quaisquer preocupações quanto a tempos. Quero continuar a correr muitas provas de 10 km e duas ou três de 15 km. Sou totalista de corridas na Ponte 25 de Abril, para o ano ainda penso correr a Meia Maratona mas deve ser a minha última. Depois, farei lá apenas os 10 km. Já demoro mais de duas horas a correr a meia maratona, é muito tempo para poucos quilómetros, os últimos já são penosos.

Sequeira-Tãlentos Team.jpg

 

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Fazendo votos que o atual constrangimento provocado pela pandemia do coronavírus seja ultrapassado a curto prazo (4/5 meses), prevejo um grande aumento de participantes nas provas populares. Em 2019, tivemos 60 provas de estrada com mais de 1.000 participantes. É previsível que daqui a cinco anos, tenhamos não 60 mas 150/200. Embora ainda longe da média europeia, temos cada vez mais gente a aderir ao mundo da corrida.

Seria desejável que o Governo, autarquias e Federação através das suas Associações Regionais, baixassem as taxas que atualmente se paga, a começar pelos 23% das inscrições. Particularmente o Governo e as autarquias, promovem pouco o atletismo e ainda ganham bom dinheiro com quem corre e organiza.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

 

Sequeira-Trail serra S. Mamede.jpg

Como disse na pergunta referente aos objetivos pessoais futuros, quero continuar a participar em provas de 10 km. E quando tal não for possível, há as caminhadas incluídas nas provas para continuar a viver o ambiente caraterístico das corridas onde o convívio com os amigos é maravilhoso. O problema é que já hoje, quando estou nas partidas e olho em volta, já vejo poucos corredores conhecidos. Houve uma grande renovação no pelotão, restam poucos veteranos do antigamente.

 

 

 

 

11
Jul20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Para aproveitar este belo mês de verão, deixo-vos mais um "episódio" desta rubrica fixa de entrevistas para vos dar a conhecer mais atletas e a sua realidade.

Como a fonte é inesgotável bem perto de mim, trago-vos mais um elemento da minha equipa, a ARCD Venda da Luísa.

No entanto, não é esse o fator determinante para vos trazer aqui a história do Rui Monteiro. Existem outros, na verdade. Desde logo, porque o Rui transpira sociabilidade. É talvez o elemento mais extrovertido, comunicativo e divertido da equipa, não desfazendo de ninguém. Procura sempre gerar bom ambiente, brincadeira e é um facilitador de integrações.

Na prática, conheci-o pessoalmente por intermédio do Zé Carlos, mas não deixa de ser curioso que foi ele a primeira pessoa a "indicar-me" boleia para a minha primeira prova como laranjinha.

No entanto, o Rui não se resume apenas a boa disposição. Vejo nele um grande poder de integração e um elemento congregador, características sempre muito importantes no seio de uma equipa com tantos elementos.

Apesar de, na minha opinião, nem sempre transparecer isso, este rapaz tem um potencial enorme. A meu ver, precisa de o aplicar, mas a paixão que revela por este desporto e por um bom convívio já são meio caminho andado.

Mais do que ser eu a descrevê-lo, devem ser vocês a ter uma noção vossa da boa pessoa que é.

Fiquem, pois, com o Rui Monteiro.

 

  • Nome

Rui Monteiro

Ultra trail dos Abutres 2020 55km.png

  • Idade

29 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Não sei precisar, mas para aí desde 2015

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida a pé no monte (o chamado trail) 

100 km Abrantes 2019 - Aqui cerca de 65 km, antes

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Gosto de tudo, mas prefiro longas/ultras.

  • Na atual equipa desde

Desde 2016.

  • Volume de treinos por semana

Treino 6/7 dias por semana, depende daquilo para que me estou a preparar.

Trail encosta do Mondego 2019 25km - Cansado no fi

  • Importância dos treinos

Os treinos são a base de tudo, sem eles não há nada, pelo menos em distâncias longas/ultras/endurance.

  • Se tem ou não treinador

Não tem treinador.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Para além de muito mais gente, acho que há coisas boas e menos boas. As boas são que há mais gente, existe espírito de entreajuda entre praticamente todos, os eventos tornam se melhores e com maior importância, muita gente quer superar-se a si própria e isso pode levar a coisas menos boas, já que "saltam" etapas sobretudo de distâncias. Ou seja, a meu ver, tem de se ir progredindo, um passo de cada vez, correndo o risco de, para além de não gostar, ainda acartar lesões que podem colocar em causa a continuação da atividade física.

Sico 2020 57km - Primeira ultra da Jéssica, na qu

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Existem algumas, mas uma que me marcou foi logo na primeira prova que fiz, no Trail de S. Martinho na Ega em 2016, em que numa descida bastante acentuada passou um atleta por mim e caiu uns metros minha frente de forma muito violenta que lhe abriu a cabeça, quando cheguei ao pé dele estava a revirar os olhos, foi algo que me marcou muito. Outra foi nos 65km da Serra da Freita em 2019, ia com um grupo de amigos, chegamos a uma aldeia, estávamos todos a falar numa "uma cerveja agora é que era" a primeira pessoa que vimos a sair de uma casa, onde eu pergunto se havia um café aberto, na qual o senhor responde "sou dono de um, e vou abri-lo agora, é ja ali em cima" chegamos na hora H hehehe. 

  • Aventura marcante

Sem dúvida, os 100 km de Abrantes. Primeira ultra de 3 dígitos, até agora foi a que mais me marcou sem dúvida. 

Oh Meu Deus 2017 40km - Primeira prova longa, não

  • Participação em prova mais longa

 100 km de Abrantes. 

  • Objetivos pessoais futuros

Existem alguns, desde um que foi cancelado (o objetivo seria fazer os 146 km da Ultra Maratona Caminhos do Tejo), a outros que ainda estão no segredo dos Deuses (sorrisos).

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Acho que muitos recordes vão ser batidos, algumas coisas vão mudar para melhor, alguns eventos vão acabar, ficando apenas os "bons".

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Vejo-me melhor do que estou hoje fisicamente (assim espero).

Mondego Ultra Trail 2019 22km - Prova onde fui de

 

Deixo-vos este extra - a descrição das fotos na "voz" do próprio:

Foto 1- Ultra trail dos Abutres 2020 55 km 

Foto 2-  100km Abrantes 2019 - Aqui cerca de 65 km, antes de levar com a marreta 

Foto 3-  Trail encosta do Mondego 2019 25 km - Cansado no final da prova, pois no dia antes tinha estado no Marão a ajudar o amigo Fantástico a fazer o everesting 

Foto 4- Sico 2020 57 km - Primeira ultra da Jéssica, que tive muito orgulho de acompanhar de inicio ao fim, fica na memória

Foto 5- Oh Meu Deus 2017 40 km - Primeira prova longa, não foi ultra, mas era dura

Foto 6- Mondego Ultra Trail 2019 22 km - Prova onde fui de vassoura

01
Jul20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Começamos o segundo semestre deste ano muito anómalo com mais uma entrevista, desta feita, a alguém por quem nutro uma grande simpatia.

Trata-se do Michael, meu colega de equipa na ARCD Venda da Luísa, a quem eu comecei por trocar o nome e por "casar" com uma colega da equipa. Na verdade, estava equivocado. Um começo em beleza, sem dúvida.
Por outro lado, foi também assim que nasceu um bom relacionamento. No início deste ano, quando palmilhava as terras circundantes da Venda da Luísa, passei a cruzar-me com ele todos os dias. Já era o meu ponto de referência.

Pessoa de trato fácil e muito sociável, do que conheço. É um apaixonado pela corrida. Já anda nisto desde 2012. Tem muito a contar, portanto.

Fiquem, pois, a conhecer o Nelson Michael. 

 

  • Nome

Nelson Michael Simões

Sico 2012.jpg

  • Idade

42 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Desde 2012

Abustres 2013.jpg

  • Modalidade de atletismo preferida

Trail

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Distâncias curtas

  • Na atual equipa desde

Desde 2013, ou seja, desde a fundação do ARCD Venda da Luísa Trail.

  • Volume de treinos por semana

 2 ou 3 treinos/semana.

  • Importância dos treinos

Com os treinos melhoro o desempenho físico, aumentando desta forma o rendimento e os resultados. Ao mesmo tempo proporciona-me bem-estar e ajuda-me a manter o equilíbrio mental depois de dias longos de trabalho. Infelizmente treino muito menos do que queria.

Prova em Condeixa_2015.jpg

  • Se tem ou não treinador

Sem treinador.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Em oito anos, a diferença é enorme em número de praticantes, número de provas e nos equipamentos/acessórios de corrida que temos ao dispor.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Primeiro treino que fiz: 19 de janeiro de 2012 com os amigos Carlos Canais e Zé Carlos Fernandes. Como era habitual, todas as quintas-feiras íamos jogar à bola e mais uma vez não apareceu pessoal suficiente. Assim, eu e o Canais fomos ter com o Zé Carlos e a ideia (pelo menos a minha) era fazer uma coisa curta. Comecei a correr sempre à frente deles ao bom tipo de lebre e o Zé dizia para o Canais: ele já se cansa. E teve razão, depois de uns quilómetros cheguei tal maneira a casa que fui para a cama que devo ter tido febre e o Canais, preocupado, ainda me mandou umas mensagens durante a noite a perguntar como eu estava. Resultado? Nunca mais parei de treinar até ao Covid....

  • Aventura marcante

Marcante? Acho que ainda está para vir.

Corrida da Amizade Coimbra - Reequilibra Team.jpg

  • Participação em prova mais longa

Só faço curtas, pois fico com dores insuportáveis. A mais longa teve pouco mais de 30 km.

  • Objetivos pessoais futuros

Não deixar de correr e fazer mais provas por ano.

Trail Pereira.jpg

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Acho que estão reunidas todas as condições para haver mais praticantes de todas as idades.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

A fazer o mesmo tipo de provas, pois é assim que me sinto bem. Apenas queria fazer mais provas.

Poiares 2020.jpg

 

 

 

17
Jun20

1, 2, 3, uma entrevista que deveria ter acontecido


João Silva

Esta era daquelas que queria mesmo fazer, sobretudo, por ter uma estima muito especial por este rapaz, que, em abono da verdade, treinou comigo duas vezes em 2019, numa das fases em que preparava a maratona do Porto.

IMG_20190831_080029.jpg

Ele é relativamente novo nestas andanças. Na verdade, penso que começou a correr há pouco mais de um ano, altura em que também se juntou à equipa ARCD Venda da Luísa. Após ter convidado elementos para um treino conjunto, ele foi o único a "voluntariar-se" e a aparecer.

Queria perceber qual o terreno mais apropriado ao seu gosto pela corrida. 

Em retrospetiva, pelo contexto de amigos, já dava para ver que iria apostar mais em Trail. Ainda assim, é de tal forma eclético que também faz estrada. Diria também que tira imenso prazer das corridas e do convívio inerente, sendo isso o que mais conta para ele.

Gostei genuinamente daqueles treinos e depois do convívio no jantar de equipa. Na verdade, pelo menos da minha parte, criou-se uma grande empatia.

Em termos práticos, não tenho dados para sustentar o que vou dizer, mas do ponto de vista técnico, ele tornou-se num atleta muito resistente e com espírito de sacrifício.

Tanto assim é que fez a sua primeira ultramaratona em 2020. 

Não é comigo, mas fico genuinamente contente por ver como tem evoluído e por saber que não se nega a desafios. É muito consciente na medição da sua frequência cardíaca máxima e esse é um enorme trunfo no seu desenvolvimento.

Não sei quando nem como acontecerá, mas de certo que gostaria de voltar a treinar com o André Santos.

Quis fazer-lhe a habitual entrevista deste blogue, mas o André disse, simpaticamente, que não é um homem de escritas. Apreciei a honestidade e fiquei mesmo grato pela resposta.

Mas lá diz o ditado, se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé.

Foi um gosto escrever sobre um atleta que me parece ter muito para dar e que é, acima de tudo, uma boa pessoa.

Nada disto me foi encomendado e foi também por isso que decidi não lhe dizer nada sobre este texto.

Ainda assim, ficaria feliz se o visse. 

07
Jun20

À conversa com Aquele que gosta de correr


João Silva

O convite surgiu de forma inesperada, confesso. Não fazia ideia de que iria estar à conversa com alguém ligado ao atletismo.

A verdade é que o Vítor Oliveira teve a gentileza de me convidar para uma pequena conversa/entrevista no seu espaço: aquelequegostadecorrer.com.

Como o primeiro contacto surgiu na reta final da gravidez, a entrevista foi adiada algumas semanas.

E foi assim que no passado dia 30 de maio, por entre "receios" de choros do pequeno Mateus, que tive o prazer de responder a algumas perguntas do Vítor.

Podem assistir à entrevista no canal do YouTube do Vítor, que ainda teve a amabilidade de aceitar responder as umas questões para o meu espaço (essa entrevista será divulgada mais para a frente).

Aqui podem ver a primeira parte:

https://youtu.be/WR4j1oIE5SQ

E aqui podem assistir à segunda:

https://youtu.be/Yj33febA_PY

 

Fico à espera dos vossos comentários e o Vítor das vossas visualizações.

 

04
Jun20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

O "candidato" seguinte nesta rubrica de entrevistas dá pelo nome de Artur Jorge, sendo conhecido nas corridas por Tujó.

Foi dos primeiros elementos da minha atual equipa que conheci. Na verdade, na prova Pedro e Inês em 2018 trocámos algumas ideias e fiquei logo com boa impressão dele. Trata-se de alguém que leva isto com ligeireza, mas que assume o gosto pelo desporto e que o pratica para estar bem consigo próprio. O facto de ser um bom atleta e de obter bons resultados funciona como um extra nesta escada de atributos.

É um homem de ação, deixa as palavras na gaveta, mas, em todo o caso, sabe bem o que quer desta modalidade.

Fiquem, pois, com o Artur Jorge Henriques Gândara:

  • Idade

40 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Janeiro 2014; (Night Runners Coimbra)

  • Modalidade de atletismo preferida

Estrada

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Distâncias curtas

  • Na atual equipa desde

12/2016

  • Volume de treinos por semana

 3 ou 4 treinos por semana

  • Importância dos treinos

Manter a forma, preparar as provas e gosto por correr (diversão).

  • Se tem ou não treinador

Não tenho nem nunca tive treinador.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Só consigo responder desde que comecei, e noto mais provas regionais, mais competição, mais afluência e  profissionalismo.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Lembro-me de uma que fiz hà pouco tempo já em estado de emergência: fiz uma meia maratona na garagem (em 50 m).

  • Aventura marcante

Talvez tenha sido a primeira prova (PoiaresTrail 2014), senti-me muito bem com tudo e percebi que as corridas tinham vindo para ficar na minha vida.

  • Participação em prova mais longa

A minha prova mais longa foram 30 km no PoiaresTrail em 2015, não me senti bem nessa prova, por isso talvez não ter feito mais nenhuma dessa distância. Em 2018 participei num treino noturno da equipa e fiz 54 km, sendo essa a distância mais longa que fiz a correr.

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Talvez esta “febre” passe ligeiramente e só fiquem aqueles que realmente gostam de correr (na provas amadoras, que são a minha realidade).

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Quero continuar a divertir-me, a fazer amigos, na mesma equipa (se me quiserem lá) e se o corpo deixar, continuar a superar os meus próprios objetivos, sem sofrer lesões.

 

 

 

 

28
Mai20

De volta à Revista Atletismo


João Silva

Menos de um ano após a primeira entrevista à revista Atletismo, na pessoa do senhor Manuel Sequeira, eis que este vosso estimado voltou a ser contactado para dar o seu parecer sobre as participações em maratonas, numa rubrica bem interessante deste mesmo jornalista, que, segundo pude apurar, também ele dá "perninhas" no mundo da corrida.

 

Ora, pois bem, podem consultar aqui o destaque que a minha pessoa mereceu no site Revista Atletismo:

https://revistaatletismo.com/a-minha-1a-maratona-por-joao-silva/

Screenshot_20200528_072339_com.android.chrome.jpg

Caso tenham interesse adicional e ainda não tenham vislumbrado a entrevista do ano passado, que versou sobre uma parte da minha história, podem descobri-la aqui:

https://revistaatletismo.com/joao-balcas-silvade-118-kg-a-maratonista-em-dois-anos/

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Redes sociais

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub