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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

07
Set20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Segue-se hoje uma entrevista a uma pessoa que se destaca pelo seu lado mais discreto, mas também por já saber muito da "poda". É simpático e parece andar nisto pela diversão e pela vitalidade que recebe em troca. No entanto, ao ouvi-lo falar, dá logo para perceber que o homem tem muito conhecimento...nestas andanças. 

Pois bem, é essa experiência andante que dá um prazer enorme absorver. 

O meu contacto direto com o Francisco é muito reduzido, mas sempre foi muito cordial e deixou-me satisfeito, confesso, o facto de ter manifestado interesse em saber a forma como treino no último jantar da equipa. 

Curioso o facto de termos entrado os dois na equipa ARCD Venda da Luísa no mesmo ano...e de termos começado a levar a corrida a sério em 2016.

Sem mais demoras, deixo-vos mais um testemunho interessante de um verdadeiro jovem muito experiente

 

  • Nome

Francisco António Coelho e Silva

Francisco_2.jpg

  •  Idade

58 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

2016

  • Modalidade de atletismo preferida

Trail running

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Os trails que mais aprecio são na casa dos 20 km mas esta época tenho corrido só trails curtos

  •  Na atual equipa desde

2018

Francisco_7.jpg

  •  Volume de treinos por semana

Em condições normais 5 treinos por semana, mas varia um pouco em função da disponibilidade pessoal

  •  Importância dos treinos

Sem se treinar de forma adequada não se obtêm resultados. É óbvio que nos podemos divertir correndo alguns quilómetros ao longo da semana e participando em algumas provas mais fáceis mas se pretendermos superar-nos e atingir os melhores resultados possíveis temos de treinar de forma planeada e com total dedicação. E não esquecer que treinar não é apenas correr. É necessário não descurar os alongamentos, treinos de força. 

Francisco_6.jpg

  •  Se tem ou não treinador

Tenho treinador desde finais de 2017, antes da minha primeira participação nos Abutres. Após algumas experiências anteriores em trails mais longos, decidi que necessitava de orientação para conseguir completar trails mais longos ou para fazer provas mais curtas em tempos competitivos para a minha idade e condições físicas.

  •  Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Não tenho grande experiência no atletismo no passado (fiz uma meia maratona nos anos 80) mas tenho a ideia que a grande diferença se relaciona com a popularidade do trail running que atraiu muitas pessoas para a prática do atletismo e que se reflete também numa participação mais alargada nas provas de estrada.

  •  Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Na minha primeira participação no Trail da Serra da Freita, ia ali pelo meio do pelotão e ao chegar às eólicas, no abastecimento onde havia um controlo de tempo, vejo um grupo de corredores a aproximar-se fora do percurso. Eram os primeiros classificados que tinham sido enganados por uma voluntária e fizeram uma volta maior. Assim, durante alguns quilómetros fui correndo no meio dos atletas mais rápidos que me foram ultrapassando, praguejando contra a organização. Uns quilómetros mais à frente, já a andar mais que correr, integrei-me num grupo e comecei a conversar com uma pessoa que reconheci, não sabia de onde. Só quando vi o nome no dorsal o identifiquei. Era o Rui Quinta, que durante algum tempo foi treinador de futebol do FC Porto.

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Nos Trilhos do Luso-Bussaco de 2018, para não ter de me preocupar com a recolha do dorsal antes da partida fui na 6ª feira recolhê-lo à Mealhada, depois do trabalho, no regresso de Coimbra para Aveiro. No Domingo de manhã lá saio de casa, sossegado, com tempo mais do que suficiente para chegar o Luso, aquecer e fazer a prova. A meio caminho lembrei-me do dorsal. Tinha-o deixado em casa. Tinha tempo, voltei para trás, fui a casa e retornei ao caminho para o Luso. Chegar, estacionar o carro, ir para a zona da partida, acabei por sair 10 min depois da partida, no meio do pessoal da caminhada. Mesmo assim, fiquei em 176.º em cerca de 500 atletas que concluíram a prova dos 15 km e em 5.º no escalão.

  • Aventura marcante

A situação mais marcante foi num treino: ia isolado numa zona de pinhal quando me apareceu pela frente uma matilha de cães vadios. Tentei evitá-los e passar ao lado mas 2 cães começaram a correr atrás de mim. Parei e enfrentei-os. Não sei o que apanhei do chão para me defender mas, de imediato, eles pararam e voltaram para o grupo. Pude, então, afastar-me em segurança. Mais tarde avistei-os ao longe a vaguearem na zona onde treinava. Não voltei mais para essa zona de treino.

Francisco_4.jpg

  • Participação em prova mais longa

A prova mais longa foi o Trilho dos Abutres em 2019, no traçado do Campeonato do Mundo. Foi a minha única experiência num ultratrail (44 km). Aguentei-me bem nos primeiros 23 km mas depois tive de gerir o esforço até ao final.

  • Objetivos pessoais futuros

Se voltar o campeonato de trail da ADAC, vou tentar o pódio no escalão M55. Mas, neste momento o meu objetivo principal é poder voltar a correr com total liberdade e conseguir manter-me mais alguns anos em competição. Esta época tem sido marcada por lesões sucessivas e só muita perseverança me tem permitido manter a treinar e a competir.

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  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos 

Penso que ultrapassada esta fase da pandemia, iremos ter um crescimento moderado nas provas populares de estrada e trail. Se os clubes e entidades do atletismo aproveitarem a popularidade do atletismo, poderemos vir a ter um aumento também no número de praticantes nas provas de pista.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Se as minhas condições físicas o permitirem, irei tentar estar a competir no circuito ATRP e participar em algumas provas internacionais. 

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28
Ago20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje venho falar-vos e dar-vos a conhecer o Paulo Alves, nome de antigo jogador da bola.

Não conheço pessoalmente este rapaz, mas já pude sentir a sua simpatia e boa disposição no seio da nossa equipa.

Curioso o facto de achar que ele já fazia parte da equipa há mais tempo do que eu, quando, na verdade, sou mais "velho" na laranja. Particularidades, portanto.

Outra é o facto de a minha alcunha atual no seio da equipa ter sido dada por ele: alcatroado. Qualquer relação do nome com a minha paixão à estrada é pura coincidência.

Aprecio o jeito descontraído do Paulo, bem como a sua abordagem mais ligeira. Como sei que é algo difícil para mim, gabo-lhe os méritos dessa atitude, que, ou muito me engano, é uma marca distintiva da sua personalidade.

Deixo-vos, pois, com o Paulo Alves.

 

  • Nome:

Paulo Alves aka Alfacinha aka #treinapaulo :)

EGT2016-46kms.JPG

 

  • Idade:

42

  • Equipa:

ARCD Venda da Luísa

 

  • Praticante de atletismo desde:

Meados de 2012, pois foi quando a balança chegou aos 106 kg. Achei que já bastava e meti na cabeça que iria fazer a corrida do Sporting (10 km) nesse mesmo ano, pelo que comecei a correr do zero por períodos de 5 min. no máximo e aumentando gradualmente.

OMD2018-50kms.JPG

 

  • Modalidade de atletismo preferida:

É o trail running pela sensação de liberdade, camaradagem e aventura que cada treino/prova proporciona.

 

  • Prefere curtas ou longas distâncias:

Claramente as longas distâncias pelo desafio de ter de vencer os quilómetros, o tempo, a meteorologia, gerir o corpo, mas, sobretudo, por ter de contrariar o que a cabeça muitas vezes pede quando surgem as dificuldades.

Sicó 2020-111kms.JPG

 

  • Na atual equipa desde:

24 de Março de 2019, dia do Trail de Pereira.

 

  • Volume de treinos por semana:

É muito variável pois sou um "atleta" muito indisciplinado, por isso, tenho semanas em que treino 1 vez e outras em que chego às 6. Mas, se seguirmos a grande máxima "descanso também é treino", então é todos os dias e nisso sou fortíssimo. :)

Almourol 2014 - 1a maratona em trilhos (44 km).jpe

 

  • Importâncias dos treinos:

Considero que, de facto, treinar com regularidade e disciplina é muito importante pois conseguimos desfrutar muito mais das provas e acabá-las sem ter a sensação que fomos atropelados pelo Intercidades. (risos)

Trail Viver Pereira 2019.JPG

 

  • Se tem ou não treinador:

Não tenho treinador, mas como sou algo preguiçoso para treinar, tenho 2 treinadores informais que usam todos os métodos possíveis e imaginários para me "obrigar" a treinar.

 

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual:

Sinceramente não considero que esteja no atletismo há tanto tempo para notar as diferenças, mas acho que há cada vez mais uma "indústria" das provas de corrida, sobretudo no trail, em que o objetivo é principalmente fazer dinheiro, sendo que há ainda uns resistentes que dão prioridade à qualidade em detrimento da quantidade dos seus eventos.

TSL2017-55kms.JPG

 

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas,

O acontecimento mais insólito numa prova foi num Oh Meu Deus, na subida da Garganta de Loriga para a Torre senti-me mal com o calor, fui sempre subindo e esperando que viesse o vassoura, quando cheguei à Torre, 4 horas depois de ter saído de Loriga, descobri que nenhum dos elementos estava à minha espera porque pensavam que o último já tinha passado...Outra situação insólita foi no ano passado nos 65 km da Freita, eu estava a fazer a prova com o Rui Monteiro e o José Carlos Fernandes, entrámos juntos na mítica Besta, sendo que depois cada um seguiu o seu ritmo e, de repente, eu consegui perder-me naquele percurso para parece simples e depois só ouvia os gritos do Rui e do José a chamar por mim...  e uma curiosidade é que já acabei várias provas com pelo menos uma rapariga que não conhecia até aí. ;)

Oh Meu Deus K70 2014.jpeg

 

  • Aventura marcante

Tive algumas experiências em prova que me marcaram, como correr na neve na Serra da Estrela, a brutalidade e beleza da Serra da Freita, as noites das provas de 100 km, mas o que mais me marcou ao longo destes anos de corridas foram sobretudo as pessoas que trouxe de cada aventura.

 

  • Participação em prova mais longa

 

Foi este ano nos 111 km do Sicó, que já tinha tentado o ano passado e fiquei a 18 km da meta, sendo que desta vez terminei-a, mas a prova mais longa prevista para este ano era a Ultra Caminhos do Tejo 144 km.

UMA2016-43kms.jpg

 

  • Objetivos pessoais futuros:

Basicamente terminar os objetivos que tinha para este ano, ou seja, UCT 144 km, TPG 55kms, finisher circuito ultra endurance da ATRP. 

Projetos que não tinha para este ano, mas que quero cumprir são OMD 100k ou 100 milhas, MIUT, PGTA, também PT281+ e/ou ALUT (solo ou estafeta) isto só para referir os objetivos internos.... :p

 

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Vejo o atletismo daqui a 5 anos como já tendo feito uma seleção natural entre as provas de qualidade e provas que só procuram lucro fácil sem qualidade, mas, no geral, cada vez mais gente a correr seja na estrada ou no trilho.

 

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos:

Sinceramente acho que andarei pelos trilhos lá atrás como é meu hábito, mas a curtir cada dia e cada metro percorrido.

20
Ago20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje trago-vos alguém que conheci virtualmente há muito pouco tempo e que já me parece ter um peso importante no atletismo da sua região e também a um nível mais global, isto porque tem uma plataforma denominada Aquele que gosta de correr, onde expõe o seu gosto pela corrida, mas também para onde convida outros atletas com o objetivo de os dar a conhecer um pouco por toda a rede. Portanto, tem uma atitude altruísta que também revela ao participar em ações que visam o apoio social aos bombeiros, por exemplo.

A sua envolvência e o seu gosto pela corrida são mesmo contagiantes. Perante isto, não podia ser o único a usufruir deste tipo de conhecimento e decidi convidá-lo para uma entrevista, mal terminou a conversa que lhe dei em maio e que podem ver aqui e aqui.

Acrescento, apesar de ser acessório neste caso, que o Vítor é um atleta de créditos firmados e com excelentes resultados. Basta darem uma olhadela na sua página.

Fiquemos, pois, com o Vítor Oliveira:

 

Nome: 

Vítor Oliveira

Idade: 

30 anos

Corridas das Lezirias 2016 (das provas que já fiz

 

Equipa: 

Vitória Futebol Clube

Corrida do Avante 2019 (primeira prova depois do c

 

Praticante de atletismo desde: 

2012

Modalidade de atletismo preferida: 

Corrida, claro

Prefere curtas ou longas distâncias: 

Eu prefiro longas distâncias, mas claro só até à distância oficial da Maratona. Se considerarmos que 10 km é uma curta distância, mesmo gosto bastante!

Maratona de Sevilha 2019 - Primeira e unica marato

 

Na atual equipa desde: 

Comecei esta época, portanto, desde outubro de 2019! Antes disso estava na Associação Vale Grande, clube que me acolheu durante 3 anos.

Volume de treinos por semana: 

Treino corrida 5 dias por semana e reforço muscular nos dias de descanso.

Fim de uma Meia Maratona (2018)dos Descobrimentos

 

Importância dos treinos: 

Todos os treinos são importantes. Desde os treinos mais curtos, dos treinos intervalados, aos treinos longos. Todos são importantes e todos deverão ser encarados com seriedade. Sem nunca tirar o prazer de correr claro!

Se tem ou não treinador: 

Sim, tenho treinador há três anos. Já tinha tido anteriormente, mas passei por um período em que me treinei a mim próprio. No entanto acho que o melhor é ter alguém a lidar com a gestão dos nossos ciclos de treino. É importante para não fazermos as “asneiras” normais no ataque às provas.

Vitoria no GP Almargem do Bispo (zona onde moradav

 

Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual: 

Eu não vivi o atletismo do passado, mas tenho a minha opinião meio formada. A verdade é que isto se aplica a diversas áreas da atualidade. Antigamente os trabalhos não eram tão exigentes, não havia tantas distrações, não havia tanta pressão, o mundo era completamente diferente do que era agora. Eu falo por mim, eu adoro atletismo, e adorava dedicar-lhe bem mais tempo. Nem que fosse para dormir, que é essencial na recuperação muscular. Mas é-me impossível, tenho demasiado para fazer, estou envolvido em demasiadas coisas na minha vida para poder concentrar-me mais no atletismo como parte da minha vida.

Resumindo, sim, claro que o atletismo do passado era bem mais forte do que é atualmente (falo do contexto português claro). Infelizmente o atletismo como profissão não evoluiu como as outras profissões e o facto destas outras profissões terem evoluído tanto é que causou um maior impacto em tornar mais pobre o atletismo amador.

Corridas das Lezirias 2016 (das provas que já fiz

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas: 

Eu não tenho grande memória para este tipo de histórias honestamente! Uma história curta é a da Légua Noturna de Odivelas. Uma prova que já tive o prazer de ganhar. Na edição que ganhei, durante a prova havia um cruzamento que não estava bem sinalizado para onde a prova deveria seguir. Como seguia em primeiro, tinha um carro da polícia à minha frente. No dito cruzamento, o carro seguiu em frente e eu claro, segui com ele. De repente o carro acelera e dá uma volta de 180º. Eu fico “então mas???”. Está claro que o caminho não era por ali e a própria polícia se enganou! Valeu o desportivismo de quem seguia em 2.º lugar que abrandou para me deixar voltar a ganhar a posição.

Uma segunda história foi durante uma Meia-Maratona dos Descobrimentos em que o comentador que fez a cobertura televisiva disse que eu me chamava Nico e era um atleta espanhol. Esse vídeo ainda hoje está no YouTube para assistir a esse belo momento! Verdade seja dita que o equipamento da Associação Vale Grande é vermelho e amarelo, as cores de Espanha!

Aventura marcante: 

Eu sou uma pessoa de objetivos, mas acabo por não ficar a pensar em aventuras passadas. Posso pensar aqui numa Maratona de Sevilha que foi a minha primeira Maratona, numa São Silvestre da Amadora em 2018 em que bati o meu recorde aos 10km sem sequer ter isso na cabeça, ou até numa Meia-Maratona dos Descobrimentos em que consegui ir a um pódio (imagine-se, eu num pódio de uma Meia-Maratona de Lisboa). Honestamente, nunca fico mesmo ligado a qualquer prova ou aventura. Para mim todos os momentos são importantes. E bons para serem relatados no meu blog!

Participação em prova mais longa:

Maratona de Sevilha. É preciso dizer a distância?

Objetivos pessoais futuros:

Melhorar a marca aos 10 km e à meia-maratona. Depois disso, trabalho outra vez em voltar à Maratona!

Corta mato distrital Setubal 2020 (1).jpg

Como vê o atletismo daqui a 5 anos: 

Honestamente não sei. Tenho previsões algo pessimistas no setor feminino (parece estar a decair um pouco). No masculino os nossos melhores atletas estão neste momento a começar a demonstrar o seu valor. Veremos!

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos: 

Honestamente, não sei. Tenho objetivos e visão em tudo na minha vida, menos com o atletismo em termos competitivos. A única coisa que me vejo no futuro é continuar a tirar prazer da corrida e dos treinos!

Perturbações sentidas pela Covid-19
Eventuais provas canceladas ou objetivos adiados em 2020 por causa da pandemia:

Maratona da Europa. Era o objetivo desta época e foi abortado.

Que mudanças se perspetivam no contacto social em provas a partir da segunda metade do ano:

Não sei mesmo. Acredito que vamos sentir algumas diferenças, mas a corrida não funciona com muitas limitações. Não vamos correr de máscara. Não vamos correr afastados uns dos outros. No máximo poderemos desinfetar as mãos. Mas falando mais a sério, penso que o que se poderá sentir mais é a limitação no número de participantes. E isso poderá afetar a realização de provas maiores, como as meias das pontes, as maiores São Silvestres do país, ou mesmo a Maratona de Lisboa e do Porto.

 

10
Ago20

1, 2, 3, uma entrevista diferente desta vez...


João Silva

Esta é uma entrevista diferente. Por não ter percebido a dúvida do meu convidado, induzi-o claramente em erro na forma de comunicação do conteúdo.

O mais curioso foi que gostei da forma como enquadrou e desenvolveu os temas. 

Posto isto, hoje trago-vos o Gil Santos, meu colega de equipa e um dos primeiros que conheci quando me juntei ao grupo. O Gil é uma pessoa muito simpática e sempre disposta a ajudar na integração.

Além disso, este jovem é meu vizinho, o que também tem os seus méritos.

Mais a sério, é um atleta à maneira e, apesar de não fazer estrada, noto que desenvolve bem o seu ritmo nesse palco.

Fiquem, pois, com o Gil Santos.  

1° ultra trail no VIII ULTRA TRAIL DE SICÓ 2017.

O meu nome é Gil Santos e tenho 44 anos. 

Neste momento, faço parte de uma equipa de trail do concelho de Condeixa a nova do distrito de Coimbra ( ARCD VENDA DA LUÍSA) desde 2015.

Apesar de ter iniciado a prática de atletismo na vertente estrada em 2014, (na equipa das 4 estações de Coimbra, que era e ainda é liderada pelo meu amigo Guilherme), logo me apaixonei pelo TRAIL através do meu amigo Marco Santos, que numa manhã de treino me levou a conhecer os trilhos da Serra de Sicó. Passei logo a gostar de trail running, a vertente que prefiro. Inicialmente fazia curtas distâncias nas provas em que participava, mas ao longo dos anos comecei a fazer distâncias maiores até atingir provas 'chamadas' ultras.

Trail infante-Penela 2017.jpg

Em relação ao volume de treinos semanalmente é um pouco relativo, isto é,  treino consoante a minha disponibilidade uma vez que tenho vida profissional.  Praticamente faço e quando posso dois treinos longos ou 3 curtos, compensando com natação e estática por vezes, mas tudo depende da disponibilidade que tenho. Por vezes pode haver uma semana em que não treino. Os meus treinos faço praticamente sozinho na Serra de Sicó na zona de Condeixa, e, por vezesm para elevar o ritmo, faço uns treinos de estrada. 

Louzantrail 2018.jpg

Apesar de não ter treinador (sou eu o meu treinador), sou eu que faço previamente o que irei fazer. Ultimamente tenho lido muito sobre provas e quais os métodos a utilizar nos respetivos treinos, tenho um conselheiro (João Fantástico) que me ajuda muito, especialmente a dar-me conselhos nos treinos que faço, o que lhe agradeço imenso. 

Coimbra trail 2016.jpg

Relativamente ao atletismo do passado e o atual, sinceramente não conheço muito do passado, mas no presente, em relação ao trail, tenho  reparado que muita gente anda a participar mais, uns, claro, têm os seus objetivos e outros apenas para se divertirem. Conheço muita gente que apenas participa para conhecer as paisagens e não estar num domingo, por exemplo, sentado no sofá. Claro que é muito bom ver nas provas todo o tipo de pessoas a participarem.

Em 2014, fiz a minha primeira prova oficial em estrada (Corrida Pedro e Inês), onde o mais importante para mim era terminar a prova, o que consegui com muito suor e esforço. 

Curiosamente, numa prova que participei em 2017 ( IV GRANDE TRAIL DAS LAVADEIRAS 25K), fiz praticamente o percurso todo a ajudar um adversário que não conhecia de lado nenhum (Renato Ferreira), hoje somos grandes amigos, e que participava com a sua cadela (Kyra). Essa prova foi uma enorme aventura pois ajudei-o várias vezes a subir trilhos muito técnicos com a sua cadela.

Castellum Trail 2018.jpg

Destaco também com muito gosto a minha primeira participação numa prova ultra: VIII ULTRA TRAIL DE SICÓ 2017, onde participei pela primeira vez participei e com êxito numa prova de 52km. No ano seguinte, voltei a repetir, no ano 2019, não participei infelizmente porque 2 meses antes tinha sido operado a uma hérnia umbilical mas no ano 2020 voltei e fiz os 57km de Sicó. Esta prova para mim é muito especial, pois é realizada na vila de Condeixa, onde resido, e considero-a a minha prova rainha. Em todas as provas que já realizei, seja vertente TRAIL ou Estrada, tenho sempre um objetivo que é terminar bem e sem lesões. Depois, se bater o meu recorde pessoal, é um acréscimo. Como se costuma dizer: é a cereja no topo do bolo. Quanto ao futuro dos trail em questão, vejo com muita satisfação em relação a quem as organiza,  uma vez que as mesmas ano para ano melhoram muito, a nível de qualidade, segurança e abastecimentos. A nível pessoal , ou continuar com os meus treinos, mesmo sabendo que as provas que tinha em mente para este ano foram todas canceladas devido ao novo coronavírus. Futuramente, acredito que, a partir do ano 2021, as provas vão voltar e continuarei a dar sempre o meu melhor em prol da minha equipa que me acolheu há 5 anos e onde fui excecionalmente recebido de braços abertos ou não fosse ela a minha família do desporto. Voltar às provas, serras, montes, trilhos, rever paisagens, amigos, poder ajudar quem precisa, conhecer novas pessoas, seja com sol, chuva, frio, calor, trovoada, neve e vento é tudo o que desejo para o futuro e isto sim é TRAIL. 

2°eco meia maratona 2016.png

Por fim queria agradecer a todos os meus companheiros de equipa e a todos os meus amigos de equipas "adversárias" que me apoiam antes, durante e no fim das provas, dar os parabéns a todas as organizações de provas que sei que dão tudo por tudo para que corra tudo bem. Às pessoas que mencionei aqui fica um grande abraço. À minha família em especial, que me apoia totalmente. E, por fim, um enorme abraço ao meu grande amigo, criador deste blogue, que, ao conhecer um pouco da sua história, vi que conseguiu ultrapassar todas as divergências e que hoje é um MARATONISTA. 

GIL SANTOS

 

XI ULTRA TRAIL SICÓ 2020 57KM.jpg

III grande trail das lavadeiras 2016.jpg

Equipa ARCD venda da luisa 2019.jpg

 

27
Jul20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje temos uma estreia nesta rubrica.

Pela primeira vez, vou "dar voz" a uma pessoa que não conheço pessoalmente, mas por quem tenho uma grande estima e admiração.

Como não podia deixar de ser, é mais um "papa-maratonas" e é aí que começa o meu processo de fascínio pela sua carreira.

Além de tudo isto, Manuel Sequeira é ainda jornalista/repórter na Revista Atletismo.

Na verdade, na sequência de um e-mail para aquela publicação em 2019 onde dei a conhecer a minha história, foi ele que tomou a iniciativa de estabelecer contacto. Sempre muito cordial, rapidamente se percebeu que este homem transpira atletismo por todo o lado. 

Perante isto, era impossível não o trazer para este espaço. Vem, estou certo disso, enriquecer o blogue e oxalá possam beber dele muitas informações e histórias dignas de registo. Este homem teve a incrível gentileza de refletir muito bem sobre as diferenças do atletismo ao longo dos anos. Não desfazendo de nenhuma resposta, aquela que se refere às diferenças na modalidade vale cada linha.

Uma pessoa com tanta história tem de a poder contar. E é isso que pretendo: que nos faça perceber, uma vez mais, que velhos são os trapos.

Fiquemos, pois, com Manuel Sequeira:

Sequeira-Corrida Dublin com minha mulher.jpg

 

 

  • Nome

Manuel Sequeira

  • Idade

69 anos

Sequeira-Grupo chegado de amigos.jpg

 

  • Equipa

Como atleta popular, vou correndo pelo Grupo Desp. e Cultural dos Trabalhadores da Repsol Polímeros e Associação Talentos Team.

  • Praticante de atletismo desde

Comecei a treinar aos sábados com um grupo de amigos na Primavera de 1980. Sou dos tempos onde correr nas ruas era uma “aventura”, ouvindo todo o tipo de comentários depreciativos, tipo “vai trabalhar malandro, para trabalhar não corres tu!”.

A minha primeira corrida (noturna) foi em 15 de Setembro desse ano, com cerca de 10 km. A Corrida do Bocage, prova integrada nas comemorações do poeta setubalense. Demorei 50 minutos. A partida e meta eram no interior do Estádio do Bonfim. A bancada central estava cheia de espetadores porque, entretanto, havia outros eventos desportivos. No dia seguinte, fartei-me de ouvir “bocas” de colegas da Setenave (onde trabalhava) que me tinham visto a correr.

Sequeira-Maratona Berlim.jpg

 

 

  • Modalidade de atletismo preferida

De há uns anos a esta parte, prefiro as provas de estrada. A razão é muito simples, são de menor desgaste comparativamente com as atuais provas de trail. Durante boa parte da minha vida desportiva, gostava mais de participar em provas de montanha, era habitual participante das provas do António Matias, pioneiro em Portugal na montanha. Mas a idade não perdoa, daí agora, uma maior opção pela estrada.

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Curiosamente e durante muitos anos, a minha distância preferida era a meia maratona. Nunca fui um corredor rápido, muito raramente fazia séries, optando quase sempre pela corrida contínua. Por isso, não apreciava muito as provas de 10 km, corria-as em 40/45 minutos mas eram muito rápidas para mim. Claro que com os anos (velhice), as preferências vão-se alterando e mais a partir dos 65 anos de idade, quando a quebra começa a ser maior, a maior parte das provas em que participo têm 10 km.

  • Na atual equipa desde

Nunca trabalhei na atual Repsol, foi um amigo de Setúbal que corria e trabalhava lá, que me convidou a fazer parte do Grupo Desportivo e a correr por eles. A empresa chamava-se então Petroquímica e sofreu várias alterações no seu nome conforme ia mudando de dono.

Durante uma boa meia dúzia de anos, fui dirigente e corredor da Associação de Atletismo Lebres do Sado e obviamente, corri então a maior parte das provas por eles. Mas quando corri a minha centésima meia maratona, (Évora-Arraiolos) em 9 de Dezembro de 2001, fiz a primeira metade da prova com uma camisola e a segunda parte com a outra do segundo clube que levava dentro de uma bolsa à cintura.

Atualmente, sou sócio da Associação Talentos Team, clube de Setúbal fundado há poucos anos com um excelente ambiente entre os atletas. Identifiquei-me com eles desde o momento que os conheci e tenho corrido várias vezes pelo clube.

  • Volume de treinos por semana

Treino pouco, em média três vezes por semana. Duas vezes na casa dos 30/40 minutos e uma vez, à volta de uma hora. É o suficiente para participar em provas de 10/15 km. Se o objetivo for participar numa meia maratona, aumento a quilometragem mas mantenho os três treinos por semana. Antigamente, treinava em média quatro vezes por semana, mesmo quando me preparava para a maratona, claro que com outra quilometragem.

Sequeira-Maratona Médoc 2014.jpg

 

  • Importância dos treinos

Os treinos são fundamentais para estarmos preparados no desempenho de uma qualquer atividade desportiva, seja ela individual ou coletiva. É o que se passa no atletismo. Basta ver como nos sentimos quando estamos uma ou duas semanas sem treinar e vamos participar numa corrida. Ainda assim e nas pequenas entrevistas que faço após as corridas, deparo-me com alguns corredores que não treinam durante a semana mas não falham as corridas domingueiras. Não é aconselhável tal prática.

  • Se tem ou não treinador

Nunca tive um treinador. E apenas seguia um plano de treinos elaborado por mim quando me preparava para as maratonas ou distâncias superiores.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Sequeira-Meia Maratona Estocolmo.jpg

As diferenças são enormes, a começar pelos meios tecnológicos disponíveis. Antigamente, seria praticamente impossível realizar-se uma prova com 10 mil participantes, como já vamos tendo em Portugal. Então, as provas com 30 ou 40 mil…Não havia chips, um avanço determinante que proporciona haver tanta gente numa mesma prova.

Antigamente, quando acabávamos uma prova, ficávamos num funil que dava voltas e voltas até chegar a nossa vez de entregar o dorsal e receber a t.shirt ou diploma e alguma lembrança. E muitas vezes a chover torrencialmente, cheguei a estar mais tempo na fila do que o demorado na prova!

Os dorsais tinham os números escritos muitas vezes à mão. Quando chovia, era frequente, os dorsais ficarem destruídos, sem o número visível.

As classificações eram feitas à mão. Os prémios começavam a ser distribuídos 1h30m/2h depois dos primeiros terem chegado! Quando alguém do grupo tinha hipóteses de ser premiado, ficávamos à espera até bem depois do meio-dia. Isto para uma prova que podia ter terminado às 10.30.

Depois, as inscrições eram feitas pelo correio, envio dos dados dos inscritos e cheques.

As inscrições eram gratuitas, o que fazia com que equipas inscrevessem todos os seus corredores, sem saber se eles estavam ou não interessados em ir a essa prova. Dava-se muito trabalho e despesas desnecessárias às Organizações

As distâncias das provas não eram frequentemente rigorosas, pecando muitas vezes pela falta de centenas de metros.

Não eram raras as provas com trânsito, os carros a passarem pelo meio dos corredores. Poucas provas tinham a polícia a orientarem o trânsito.

Não havia wc’s. Ou havia cafés ao pé das partidas ou então, o recurso era “regar” as árvores. A situação era mais complicada para as corredoras do sexo feminino.

Os abastecimentos falhavam muitas vezes. Agora, isso acontece raramente. Hoje, uma prova mal organizada é que é notícia, melhorou-se imenso o nível organizativo das provas em Portugal.

Não havia muitos patrocinadores privados mas as autarquias subsidiavam geralmente as provas. Estas tinham muitas vezes prémios elevados, na casa das muitas centenas de contos, em moeda antiga.

Também havia muito pouco informação técnica. Apenas a Revista Spiridon e mais tarde, a Revista Atletismo. Hoje e com a internet, há um grande manancial de informação que nos permite preparar adequadamente, seja a nível técnico como nutricional.

Hoje ainda, as despesas com a organização de uma prova são enormes a começar com o iva. Por cada inscrição que fazemos, o Estado fica com 23%! E depois, são taxas e taxinhas para as Associações Regionais de Atletismo, para as Câmaras, taxas de ruído, de ocupação de espaço, a polícia. Quem critica o preço das inscrições, não imagina quando pagam a Organizações nas taxas e licenças.

Baixou muito o nível competitivo

Costumamos dizer e com razão, que baixou muito o nível do meio fundo e fundo em Portugal nos atletas de elite. Para além de Carlos Lopes e Fernando Mamede, Rosa Mota e Aurora Cunha, tivemos mais de uma dezena de atletas que foram dos/as melhores do mundo. Agora, o nível é extremamente baixo. Mas o mesmo se passa nos atletas populares. Sempre fui um “Zé Ninguém” no pelotão, um dos muitos anónimos do pelotão. Dou apenas quatro exemplos:

  • O meu recorde pessoal da meia maratona foi fixado na Ponte 25 de Abril, em 1993, com 1h24m14s. Fiquei então em 1.160º entre 4.261 classificados. Com o mesmo tempo na edição do ano passado, teria sido o 311º entre 10.607 classificados.
  • Na minha primeira maratona em 1983, fiz 3h37m13s. Fiquei nos últimos, em 161º entre 176 classificados. Na maratona de Lisboa do ano passado, com o mesmo tempo teria ficado em 920º entre 4.442 classificados.
  • Na Corrida do 1º de Maio em Lisboa, em 1993, terminei em 301º entre 895 classificados com 58m51s. Na edição de 2019, teria sido o 28º em 1.043 classificados.
  • Na Corrida dos Sinos em Mafra, em 1991, fui o 712º com 1h04m14s em 1.566 classificados. No ano passado, teria sido o 161º entre 1.575 classificados.

Na minha opinião, a razão está em hoje correr-se com outro espírito. Há menos competitividade no pelotão, interessa mais acabar bem do que lutar por um grande tempo. Prefiro o espírito de hoje.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Quando se corre há 41 anos, tem de haver sempre estórias curiosas. Aqui vão três delas:

  • - Fui uma vez correr o GP do Museu Ferroviário no Entroncamento. Saí de Setúbal de boleia com um amigo que também ia correr e com as nossas mulheres. Perdemo-nos no caminho e quando vi que íamos chegar atrasados à partida uns minutos, telefonei a um companheiro do clube. Pedi-lhe que entregasse os nossos dois dorsais a alguém da Organização que ficasse na meta. Assim aconteceu e lá partimos uns 5/10 minutos depois da partida oficial. Tinha dito ao meu companheiro de infortúnio: “Não te preocupes que daqui a pouco, apanhamos os mais atrasados e depois, é só seguir o percurso”. O problema é que não encontrávamos os mais atrasados. No início, fomos perguntando aos transeuntes que nos iam dizendo “eles passaram por aqui ou por ali”. Mas chegámos a um momento que estávamos completamente perdidos e ninguém sabia por onde era a prova. Quando demos por nós, estávamos à porta do cemitério do Entroncamento! Aí, disse ao meu companheiro: “Eh pá, vamos voltar já a caminho da meta, já estamos com mais de 40 minutos, quando chegarmos à meta, já se terá passado quase uma hora”. Na altura, corria os 10 km em menos de 50 minutos. Perguntámos como ir para a meta, lá nos disseram. Quando íamos a entrar na meta, reparámos que estávamos a entrar nela no sentido inverso ao da corrida. Lá demos uma voltinha para entrarmos pelo sentido correto. Um membro da Organização reconheceu-nos e saudou termos feito a prova. Nunca sonhou como tinha sido.
  • Esta estória passou-se em 2017, numa corrida comemorativa do Comércio e Indústria, clube de Setúbal. Combinei com um amigo que faríamos a prova sempre juntos. O número de concorrentes era diminuto, ao fim de pouco tempo já o pelotão estava bem estendido. Como o percurso estava muito mal marcado, perdemo-nos. A certa altura, perguntámos a um polícia que nos mandou seguir em frente. Era um percurso parcialmente de ida e volta, não víamos ninguém a cruzar-se connosco. Percebemos que tínhamos cortado caminho. A solução foi esperar que chegasse boa parte do pelotão e continuarmos então a correr. Já a uns 2 km da meta, apanhámos o que seria o último que ia com a “atleta-vassoura”. Ele depois contou-nos que ela também se tinha perdido! Lá cortámos a meta e contei à Organização o que se tinha passado. Como não influenciámos em nada as classificações, não houve problemas. Valeu a prova ser na minha cidade e saber bem como chegar à meta.
  • Estava na Organização da Maratona dos Descobrimentos, num dos anos com a partida e meta localizadas no Estádio 1º de Maio. A poucos minutos da partida, um atleta holandês (cerca de 60 anos) pediu-me muito aflito se eu não lhe arranjava uns sapatos de corrida e uns calções emprestados. O seu saco com o equipamento tinha ficado no porão do avião e não apareceu a tempo da prova. Por sorte dele, eu estava calçado com os sapatos de treino. Ele experimentou-os e como lhe serviam, trocámos de sapatos. Ainda fui à procura de alguém que tivesse uns calções a mais mas não consegui. Voltei à partida para avisá-lo que não tinha arranjado os calções mas já não o vi.

Contei depois a situação a alguns companheiros que me disseram que se fossem eles não tinham emprestado os sapatos. “E se ele não aparece? Ficas sem os sapatos”. Pois, os dele que eu tinha calçado até eram bem velhotes. Bom. Lá fui para a meta fazer umas entrevistas a quem acabava a prova e o bom do holandês nunca mais chegava. Já depois das 4 horas de prova, lá chegou ele, muito feliz e muito agradecido a mim. Tinha resolvido o problema dos calções, correu de boxers!

  • Aventura marcante

 

Sequeira-Santiago Compostela.jpg

Escolho a minha participação na Maratona do Sahará, em 25 de Fevereiro de 2002. Aqui, a “culpa” maior foi da Revista Spiridon. O seu diretor Mário Machado tinha ido em tempos correr no deserto e fez uma reportagem. Fiquei admirado pela forma entusiástica como ele descrevia a sua experiência no deserto, correr quilómetros e quilómetros, só a ver areia. Uma vez, perguntei-lhe qual era o prazer e ele respondeu-me: “só indo lá”. Mais tare, tive a oportunidade de ir com um grupo de dezenas de portugueses correr a maratona e não a desperdicei. Foi uma experiência fascinante, o contato com aquele povo oprimido e a viver em condições muito difíceis (racionamento de água, de comida, etc) mas extremamente simples e simpático. E gostei muito de correr na areia, o Mário Machado tinha razão. Foi muito difícil, apanhámos muita areia solta mas acabei em 4h52m30s. Fiquei em 66º lugar entre 130 classificados.

  • Participação em prova mais longa

Foi em 12 de Julho de 2003, na Noturna da Malcata, com 51 km. Fiquei em 35º entre 46 classificados. Então, eram muito raras as provas acima da maratona. E o número de participantes também era naturalmente muito baixo. Hoje, temos muitas dezenas de trails com distâncias superiores a 50 km.

A outro nível, consegui completar a antiga Volta ao Minho disputada entre 1 e 9 de Agosto. Foram 347 km em 16 etapas, corridas a uma média de 5m/km. Havia um carro da organização à frente dos participantes que regulava a velocidade. Inicialmente, correr a 5m/km era muito lento mas a partir do 4º/5º dia, começavam a aparecer as lesões que obrigavam muitos que corriam habitualmente bem mais rápido, a desistirem. Era uma Volta duríssima, em pleno Verão, com duas etapas diárias à exceção de dois dias. Chegámos a fazer 52 km num só dia, em constante sobe e desce. Com um enorme sacrifício nos dois últimos dias, consegui chegar à meta em Braga como um d os sobreviventes. Durante uma semana, mal conseguia andar, tinha ficado com um “andar novo”.

  • Objetivos pessoais futuros

Quando se está prestes a completar 70 anos de idade e se corre há 41, os objetivos futuros só podem passar por poder continuar a correr, sem quaisquer preocupações quanto a tempos. Quero continuar a correr muitas provas de 10 km e duas ou três de 15 km. Sou totalista de corridas na Ponte 25 de Abril, para o ano ainda penso correr a Meia Maratona mas deve ser a minha última. Depois, farei lá apenas os 10 km. Já demoro mais de duas horas a correr a meia maratona, é muito tempo para poucos quilómetros, os últimos já são penosos.

Sequeira-Tãlentos Team.jpg

 

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Fazendo votos que o atual constrangimento provocado pela pandemia do coronavírus seja ultrapassado a curto prazo (4/5 meses), prevejo um grande aumento de participantes nas provas populares. Em 2019, tivemos 60 provas de estrada com mais de 1.000 participantes. É previsível que daqui a cinco anos, tenhamos não 60 mas 150/200. Embora ainda longe da média europeia, temos cada vez mais gente a aderir ao mundo da corrida.

Seria desejável que o Governo, autarquias e Federação através das suas Associações Regionais, baixassem as taxas que atualmente se paga, a começar pelos 23% das inscrições. Particularmente o Governo e as autarquias, promovem pouco o atletismo e ainda ganham bom dinheiro com quem corre e organiza.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

 

Sequeira-Trail serra S. Mamede.jpg

Como disse na pergunta referente aos objetivos pessoais futuros, quero continuar a participar em provas de 10 km. E quando tal não for possível, há as caminhadas incluídas nas provas para continuar a viver o ambiente caraterístico das corridas onde o convívio com os amigos é maravilhoso. O problema é que já hoje, quando estou nas partidas e olho em volta, já vejo poucos corredores conhecidos. Houve uma grande renovação no pelotão, restam poucos veteranos do antigamente.

 

 

 

 

11
Jul20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Para aproveitar este belo mês de verão, deixo-vos mais um "episódio" desta rubrica fixa de entrevistas para vos dar a conhecer mais atletas e a sua realidade.

Como a fonte é inesgotável bem perto de mim, trago-vos mais um elemento da minha equipa, a ARCD Venda da Luísa.

No entanto, não é esse o fator determinante para vos trazer aqui a história do Rui Monteiro. Existem outros, na verdade. Desde logo, porque o Rui transpira sociabilidade. É talvez o elemento mais extrovertido, comunicativo e divertido da equipa, não desfazendo de ninguém. Procura sempre gerar bom ambiente, brincadeira e é um facilitador de integrações.

Na prática, conheci-o pessoalmente por intermédio do Zé Carlos, mas não deixa de ser curioso que foi ele a primeira pessoa a "indicar-me" boleia para a minha primeira prova como laranjinha.

No entanto, o Rui não se resume apenas a boa disposição. Vejo nele um grande poder de integração e um elemento congregador, características sempre muito importantes no seio de uma equipa com tantos elementos.

Apesar de, na minha opinião, nem sempre transparecer isso, este rapaz tem um potencial enorme. A meu ver, precisa de o aplicar, mas a paixão que revela por este desporto e por um bom convívio já são meio caminho andado.

Mais do que ser eu a descrevê-lo, devem ser vocês a ter uma noção vossa da boa pessoa que é.

Fiquem, pois, com o Rui Monteiro.

 

  • Nome

Rui Monteiro

Ultra trail dos Abutres 2020 55km.png

  • Idade

29 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Não sei precisar, mas para aí desde 2015

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida a pé no monte (o chamado trail) 

100 km Abrantes 2019 - Aqui cerca de 65 km, antes

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Gosto de tudo, mas prefiro longas/ultras.

  • Na atual equipa desde

Desde 2016.

  • Volume de treinos por semana

Treino 6/7 dias por semana, depende daquilo para que me estou a preparar.

Trail encosta do Mondego 2019 25km - Cansado no fi

  • Importância dos treinos

Os treinos são a base de tudo, sem eles não há nada, pelo menos em distâncias longas/ultras/endurance.

  • Se tem ou não treinador

Não tem treinador.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Para além de muito mais gente, acho que há coisas boas e menos boas. As boas são que há mais gente, existe espírito de entreajuda entre praticamente todos, os eventos tornam se melhores e com maior importância, muita gente quer superar-se a si própria e isso pode levar a coisas menos boas, já que "saltam" etapas sobretudo de distâncias. Ou seja, a meu ver, tem de se ir progredindo, um passo de cada vez, correndo o risco de, para além de não gostar, ainda acartar lesões que podem colocar em causa a continuação da atividade física.

Sico 2020 57km - Primeira ultra da Jéssica, na qu

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Existem algumas, mas uma que me marcou foi logo na primeira prova que fiz, no Trail de S. Martinho na Ega em 2016, em que numa descida bastante acentuada passou um atleta por mim e caiu uns metros minha frente de forma muito violenta que lhe abriu a cabeça, quando cheguei ao pé dele estava a revirar os olhos, foi algo que me marcou muito. Outra foi nos 65km da Serra da Freita em 2019, ia com um grupo de amigos, chegamos a uma aldeia, estávamos todos a falar numa "uma cerveja agora é que era" a primeira pessoa que vimos a sair de uma casa, onde eu pergunto se havia um café aberto, na qual o senhor responde "sou dono de um, e vou abri-lo agora, é ja ali em cima" chegamos na hora H hehehe. 

  • Aventura marcante

Sem dúvida, os 100 km de Abrantes. Primeira ultra de 3 dígitos, até agora foi a que mais me marcou sem dúvida. 

Oh Meu Deus 2017 40km - Primeira prova longa, não

  • Participação em prova mais longa

 100 km de Abrantes. 

  • Objetivos pessoais futuros

Existem alguns, desde um que foi cancelado (o objetivo seria fazer os 146 km da Ultra Maratona Caminhos do Tejo), a outros que ainda estão no segredo dos Deuses (sorrisos).

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Acho que muitos recordes vão ser batidos, algumas coisas vão mudar para melhor, alguns eventos vão acabar, ficando apenas os "bons".

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Vejo-me melhor do que estou hoje fisicamente (assim espero).

Mondego Ultra Trail 2019 22km - Prova onde fui de

 

Deixo-vos este extra - a descrição das fotos na "voz" do próprio:

Foto 1- Ultra trail dos Abutres 2020 55 km 

Foto 2-  100km Abrantes 2019 - Aqui cerca de 65 km, antes de levar com a marreta 

Foto 3-  Trail encosta do Mondego 2019 25 km - Cansado no final da prova, pois no dia antes tinha estado no Marão a ajudar o amigo Fantástico a fazer o everesting 

Foto 4- Sico 2020 57 km - Primeira ultra da Jéssica, que tive muito orgulho de acompanhar de inicio ao fim, fica na memória

Foto 5- Oh Meu Deus 2017 40 km - Primeira prova longa, não foi ultra, mas era dura

Foto 6- Mondego Ultra Trail 2019 22 km - Prova onde fui de vassoura

01
Jul20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Começamos o segundo semestre deste ano muito anómalo com mais uma entrevista, desta feita, a alguém por quem nutro uma grande simpatia.

Trata-se do Michael, meu colega de equipa na ARCD Venda da Luísa, a quem eu comecei por trocar o nome e por "casar" com uma colega da equipa. Na verdade, estava equivocado. Um começo em beleza, sem dúvida.
Por outro lado, foi também assim que nasceu um bom relacionamento. No início deste ano, quando palmilhava as terras circundantes da Venda da Luísa, passei a cruzar-me com ele todos os dias. Já era o meu ponto de referência.

Pessoa de trato fácil e muito sociável, do que conheço. É um apaixonado pela corrida. Já anda nisto desde 2012. Tem muito a contar, portanto.

Fiquem, pois, a conhecer o Nelson Michael. 

 

  • Nome

Nelson Michael Simões

Sico 2012.jpg

  • Idade

42 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Desde 2012

Abustres 2013.jpg

  • Modalidade de atletismo preferida

Trail

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Distâncias curtas

  • Na atual equipa desde

Desde 2013, ou seja, desde a fundação do ARCD Venda da Luísa Trail.

  • Volume de treinos por semana

 2 ou 3 treinos/semana.

  • Importância dos treinos

Com os treinos melhoro o desempenho físico, aumentando desta forma o rendimento e os resultados. Ao mesmo tempo proporciona-me bem-estar e ajuda-me a manter o equilíbrio mental depois de dias longos de trabalho. Infelizmente treino muito menos do que queria.

Prova em Condeixa_2015.jpg

  • Se tem ou não treinador

Sem treinador.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Em oito anos, a diferença é enorme em número de praticantes, número de provas e nos equipamentos/acessórios de corrida que temos ao dispor.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Primeiro treino que fiz: 19 de janeiro de 2012 com os amigos Carlos Canais e Zé Carlos Fernandes. Como era habitual, todas as quintas-feiras íamos jogar à bola e mais uma vez não apareceu pessoal suficiente. Assim, eu e o Canais fomos ter com o Zé Carlos e a ideia (pelo menos a minha) era fazer uma coisa curta. Comecei a correr sempre à frente deles ao bom tipo de lebre e o Zé dizia para o Canais: ele já se cansa. E teve razão, depois de uns quilómetros cheguei tal maneira a casa que fui para a cama que devo ter tido febre e o Canais, preocupado, ainda me mandou umas mensagens durante a noite a perguntar como eu estava. Resultado? Nunca mais parei de treinar até ao Covid....

  • Aventura marcante

Marcante? Acho que ainda está para vir.

Corrida da Amizade Coimbra - Reequilibra Team.jpg

  • Participação em prova mais longa

Só faço curtas, pois fico com dores insuportáveis. A mais longa teve pouco mais de 30 km.

  • Objetivos pessoais futuros

Não deixar de correr e fazer mais provas por ano.

Trail Pereira.jpg

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Acho que estão reunidas todas as condições para haver mais praticantes de todas as idades.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

A fazer o mesmo tipo de provas, pois é assim que me sinto bem. Apenas queria fazer mais provas.

Poiares 2020.jpg

 

 

 

17
Jun20

1, 2, 3, uma entrevista que deveria ter acontecido


João Silva

Esta era daquelas que queria mesmo fazer, sobretudo, por ter uma estima muito especial por este rapaz, que, em abono da verdade, treinou comigo duas vezes em 2019, numa das fases em que preparava a maratona do Porto.

IMG_20190831_080029.jpg

Ele é relativamente novo nestas andanças. Na verdade, penso que começou a correr há pouco mais de um ano, altura em que também se juntou à equipa ARCD Venda da Luísa. Após ter convidado elementos para um treino conjunto, ele foi o único a "voluntariar-se" e a aparecer.

Queria perceber qual o terreno mais apropriado ao seu gosto pela corrida. 

Em retrospetiva, pelo contexto de amigos, já dava para ver que iria apostar mais em Trail. Ainda assim, é de tal forma eclético que também faz estrada. Diria também que tira imenso prazer das corridas e do convívio inerente, sendo isso o que mais conta para ele.

Gostei genuinamente daqueles treinos e depois do convívio no jantar de equipa. Na verdade, pelo menos da minha parte, criou-se uma grande empatia.

Em termos práticos, não tenho dados para sustentar o que vou dizer, mas do ponto de vista técnico, ele tornou-se num atleta muito resistente e com espírito de sacrifício.

Tanto assim é que fez a sua primeira ultramaratona em 2020. 

Não é comigo, mas fico genuinamente contente por ver como tem evoluído e por saber que não se nega a desafios. É muito consciente na medição da sua frequência cardíaca máxima e esse é um enorme trunfo no seu desenvolvimento.

Não sei quando nem como acontecerá, mas de certo que gostaria de voltar a treinar com o André Santos.

Quis fazer-lhe a habitual entrevista deste blogue, mas o André disse, simpaticamente, que não é um homem de escritas. Apreciei a honestidade e fiquei mesmo grato pela resposta.

Mas lá diz o ditado, se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé.

Foi um gosto escrever sobre um atleta que me parece ter muito para dar e que é, acima de tudo, uma boa pessoa.

Nada disto me foi encomendado e foi também por isso que decidi não lhe dizer nada sobre este texto.

Ainda assim, ficaria feliz se o visse. 

07
Jun20

À conversa com Aquele que gosta de correr


João Silva

O convite surgiu de forma inesperada, confesso. Não fazia ideia de que iria estar à conversa com alguém ligado ao atletismo.

A verdade é que o Vítor Oliveira teve a gentileza de me convidar para uma pequena conversa/entrevista no seu espaço: aquelequegostadecorrer.com.

Como o primeiro contacto surgiu na reta final da gravidez, a entrevista foi adiada algumas semanas.

E foi assim que no passado dia 30 de maio, por entre "receios" de choros do pequeno Mateus, que tive o prazer de responder a algumas perguntas do Vítor.

Podem assistir à entrevista no canal do YouTube do Vítor, que ainda teve a amabilidade de aceitar responder as umas questões para o meu espaço (essa entrevista será divulgada mais para a frente).

Aqui podem ver a primeira parte:

https://youtu.be/WR4j1oIE5SQ

E aqui podem assistir à segunda:

https://youtu.be/Yj33febA_PY

 

Fico à espera dos vossos comentários e o Vítor das vossas visualizações.

 

04
Jun20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

O "candidato" seguinte nesta rubrica de entrevistas dá pelo nome de Artur Jorge, sendo conhecido nas corridas por Tujó.

Foi dos primeiros elementos da minha atual equipa que conheci. Na verdade, na prova Pedro e Inês em 2018 trocámos algumas ideias e fiquei logo com boa impressão dele. Trata-se de alguém que leva isto com ligeireza, mas que assume o gosto pelo desporto e que o pratica para estar bem consigo próprio. O facto de ser um bom atleta e de obter bons resultados funciona como um extra nesta escada de atributos.

É um homem de ação, deixa as palavras na gaveta, mas, em todo o caso, sabe bem o que quer desta modalidade.

Fiquem, pois, com o Artur Jorge Henriques Gândara:

  • Idade

40 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Janeiro 2014; (Night Runners Coimbra)

  • Modalidade de atletismo preferida

Estrada

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Distâncias curtas

  • Na atual equipa desde

12/2016

  • Volume de treinos por semana

 3 ou 4 treinos por semana

  • Importância dos treinos

Manter a forma, preparar as provas e gosto por correr (diversão).

  • Se tem ou não treinador

Não tenho nem nunca tive treinador.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Só consigo responder desde que comecei, e noto mais provas regionais, mais competição, mais afluência e  profissionalismo.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Lembro-me de uma que fiz hà pouco tempo já em estado de emergência: fiz uma meia maratona na garagem (em 50 m).

  • Aventura marcante

Talvez tenha sido a primeira prova (PoiaresTrail 2014), senti-me muito bem com tudo e percebi que as corridas tinham vindo para ficar na minha vida.

  • Participação em prova mais longa

A minha prova mais longa foram 30 km no PoiaresTrail em 2015, não me senti bem nessa prova, por isso talvez não ter feito mais nenhuma dessa distância. Em 2018 participei num treino noturno da equipa e fiz 54 km, sendo essa a distância mais longa que fiz a correr.

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Talvez esta “febre” passe ligeiramente e só fiquem aqueles que realmente gostam de correr (na provas amadoras, que são a minha realidade).

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Quero continuar a divertir-me, a fazer amigos, na mesma equipa (se me quiserem lá) e se o corpo deixar, continuar a superar os meus próprios objetivos, sem sofrer lesões.

 

 

 

 

28
Mai20

De volta à Revista Atletismo


João Silva

Menos de um ano após a primeira entrevista à revista Atletismo, na pessoa do senhor Manuel Sequeira, eis que este vosso estimado voltou a ser contactado para dar o seu parecer sobre as participações em maratonas, numa rubrica bem interessante deste mesmo jornalista, que, segundo pude apurar, também ele dá "perninhas" no mundo da corrida.

 

Ora, pois bem, podem consultar aqui o destaque que a minha pessoa mereceu no site Revista Atletismo:

https://revistaatletismo.com/a-minha-1a-maratona-por-joao-silva/

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Caso tenham interesse adicional e ainda não tenham vislumbrado a entrevista do ano passado, que versou sobre uma parte da minha história, podem descobri-la aqui:

https://revistaatletismo.com/joao-balcas-silvade-118-kg-a-maratonista-em-dois-anos/

09
Mai20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje trago-vos uma pessoa por quem desenvolvi empatia com muita rapidez. Na verdade, fui "interpelado" por ele na sua primeira prova pela nossa equipa, ainda sem o equipamento.

Mais tarde, começamos a conversar sobre duas paixões em comum: desporto em geral e ciclismo. Foram algumas horas, enquanto esperávamos pela nossa vez nos exames médicos. 

Fiquei fascinado com o seu percurso no ciclismo e por ter percebido que tinha encontrado alguém com quem podia falar sobre a modalidade.

Com base nisso, cada encontro (sempre ocasional) era motivo para uma "amena cavaqueira".

E é com base neste percurso maravilhoso que começou no ciclismo e que agora "resvalou" para o atletismo que vos trago hoje o jovem João Nobre.

Fiquem, pois, com o João na primeira pessoa:

4 estações 2019.jpg

  • Nome

João Nobre

  • Idade: 

29

  • Equipa: 

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Comecei no desporto muito cedo e já pratiquei de tudo um pouco: natação, karate, futsal, ciclismo nas vertentes de btt e estrada, onde fiz por duas vezes o calendário nacional completo, incluindo duas voltas a Portugal em juniores e algumas competições fora de Portugal. Em 2009, tive um problema de saúde que me obrigou a parar e acabei por dar outro rumo à vida: estudos, trabalho, família... até que em 2017, através do Cesar Ramalho e do Artur Gândara, comecei no atletismo com umas corridas de 4 a 6 km. Em 2018, comecei a fazer provas curtas e em 2019 cheguei aos 25 km, distância na qual me quero manter para já.

com alves.jpg

  • Modalidade de atletismo preferida: 

Trail running. Fora do atletismo: MotoGP e, claro, ciclismo de estrada.

  • Prefere curtas ou longas distâncias: 

Prefiro distâncias curtas, gosto de treinar em estrada mas prefiro competir em terra.

  • Na atual equipa desde

2019

poiares trail 2020.jpg

  • Volume de treinos por semana

O meu volume de treinos depende muito do horário do trabalho, das atividades do meu pequenote e de outros hobbies que tenho, como a música e as motos. Mas ronda sempre 2 treinos e 1 prova por semana, quando não há prova, faço 1 treino mais longo ou mais intenso.

  • Importância dos treinos: 

O treino é 1/3 da preparação de um atleta, tão ou mais importante que a alimentação e o descanso. No meu caso, neste momento da minha vida, a importância do treino passa por afastar as lesões e para me sentir bem comigo mesmo tanto em prova como no meu dia a dia.

  • Se tem ou não treinador: 

Não tenho treinador, a minha vida não me permite ter rotinas para isso, no entanto, aconselho-me com colegas nossos que estão nisto há mais tempo e daí tento seguir o meu rumo.

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  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

As diferenças são as mesmas que noto no ciclismo: antigamente, os treinos eram feitos a sós, hoje existem muitos praticantes. Há mais senhoras, houve o alargamento da idade de desportistas. Penso que vem tudo do trabalho das organizações. Antigamente, a corrida era até à morte, hoje, quem quer ir à morte, vai, mas quem quer apenas tirar prazer da corrida, ganhou o direito de o poder fazer. Basicamente, a diferença é que criaram condições para que todos possamos participar.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas: 

Existem muitas, pincipalmente no ciclismo. Por exemplo, uma vez na Volta a Pontevedra de juniores, uma prova conceituada em Espanha, na 2.ª etapa, enquanto trepador, foi-me pedido para eu puxar à morte numa subida de 20 km com o objetivo de partir o pelotão. Assim fiz, mas, quando chegámos ao Prémio montanha, só vinham 6 ciclistas (nunca me tinha sentido tão bem numa prova e ainda por cima eu era júnior de 1.º ano), mas furei a roda de trás na descida e para não perdermos muito tempo trocaram-me logo de bicicleta e arrancaram, mas a bicicleta, que era a do Pedro! A diferença? Eu tenho 1,65 m e ele tem 1,95 m. Fiz 15 km em pé e com o banco a bater-me nas costas.... No trail, a coisa mais estranha que já me aconteceu foi cair 2 vezes em 5 ou 6 metros no Trail de Pereira, mal me levantei, dei duas ou três passadas e pimba outra vez.

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  • Aventura marcante: 

Uma das aventuras que mais me marcaram foi em 2008 na Volta a Alcobaça (prova de 1 dia apenas e em circuito), não aguentei o ritmo dos da frente e fiquei para trás. Os profissionais corriam a seguir e já andavam a aquecer, ouvi uma voz “anda para a roda e descansa um bocado que eu levo-te até à frente”. Quando olho bem, era o SR. Cândido Barbosa, que corria nesse ano no Benfica. Tinha um ritmo no aquecimento igual ao nosso a sprintar. Embora o meu ídolo sempre tivesse sido o Nuno Ribeiro, o Cândido é o Cândido.

Participação em prova mais longa

Fiz duas provas a rondar os 23 e os 25 km. O MUT e uma outra em Cantanhede já em 2020.

  • Objetivos pessoais futuros:

Os meus objetivos desportivos passam por me divertir e manter a saúde. Começo e acabo as corridas sempre com os mesmos objetivos: 1- Acabar sem me lesionar 2- divertir me imenso 3- se possivel, não ficar em último.

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos: 

A ganhar cada vez mais adeptos e mais praticantes. Há que continuar a dar condições para que todos possam praticar!

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos: 

Tal como estou hoje, que me sirva de escape do dia a dia, me ajude a ter a cabeça no lugar e que, uma vez ou outra, vá quebrando um recorde pessoal aqui e ali. Já agora que continue a dar-me a oportunidade de conhecer pessoas incríveis como tem feito até aqui.

volta a pontevedra 2007 - apresentação de equipa

24
Mar20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Em mais um "episódio" desta rubrica, trago-vos uma pessoa que encontrei nestas andanças de blogues.

Foi, na verdade, talvez dos primeiros a encontrar o meu canto.

Com o passar do tempo, tem-se vindo a criar uma ligação de simpatia, arrisco-me a dizer.

E, portanto, não podia ficar indiferente ao facto de o jovem em causa também ser um corredor, embora, no seu entender, seja "apenas" alguém que leva a corrida com um fator social, parafraseando: "como workout".

Seja como for, deixo-vos abaixo com a entrevista feita ao autor do blogue muito conhecido O último fecha a porta, que, após lerem as palavras do autor, podem visitar aqui.

Vale a pena e, para quem o segue no blogue, fica "revelado" o mistério, já que o poderão ver "de frente" e, quiçá, apoiá-lo em algum evento desportivo.

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  • Idade

31 anos

  • Equipa

Individual

  • Praticante de atletismo desde

Não diria atletismo, mas corrida de fim de semana desde meados de 2017

  • Modalidade de atletismo preferida

Estrada

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Como tenho pouca resistência, opto por distâncias mais curtas (10 km)

  • Volume de treinos por semana

Dois (um mais curto e outro mais longo)

  • Importância dos treinos

Os treinos são importantissimos. Não há milagres. O nosso corpo só responde (sem lesões e sem “extras”) se for treinado para os objetivos. Procuro, sempre que possível, treinar em grupo, tendo a de na minha zona haver vários grupos amadores gratuitos de corrida. Com diferentes grupos e ritmos e com pessoas que também vêm correr depois de um dia de trabalho numa lógica de “workout”.

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  • Se tem ou não treinador

Não tem

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Hoje em dia creio que há mais atletas nas corridas, seja estrada ou trail. Uns aderem por gosto, outros por moda, outros por arrasto, outros pela vida saudável.

Ao olhar para a agenda no dia de hoje, há uma enorme variedadede opções para o fim de semana, numa geografia reduzida. Muita oferta, umas mais comerciais, outras mais amadoras. Acho isso positivo, quer para a prática desportiva e saudável, quer para a própria dinamização das localidades.

Na minha opinião, está-se também a tornar numa indústria, onde a rentabilidade começa a ser procurada. Preços elevados para poucas contrapartidas. Porém, os atletas vão-se também ajustando ao que lhes interessa.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Vomitei uma vez porque tomei o pequeno almoço 10 minutos antes de começar a correr. Numa subida e com mais esforço, “virei o barco”. Nunca mais comi iogurte antes de correr (risos).

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  • Aventura marcante

Foi num “grande prémio”. Foi a primeira e única vez que fui. O preço era acessível e perto de casa. Isso motivou-me a inscrever. Em pleno mês de julho, num sábado à tarde, quando cheguei, chamou-me a atenção estar pouca gente e tudo com t-shirts de clubes. Ao fim do primeiro quilómetro, já ia em último. E fui mesmo o último. Atrás de mim, vinha a amabulância e sentia o motor a fazer o meu ritmo. Pior, era a duas voltas e ia eu a acabar a primeira, já havia alteltas que tinham acabado. Não me meti mais em corridas dessas.

  • Participação em prova mais longa

Será no Trail do Ermelo (21 km)

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  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Vejo o atletismo como uma indústria e tentar a encontrar o seu ponto de equilibrio.

Com um mundo cada vaz mais tecnológico, já é possível com um leve e simples relógio ter todas as métricas e percursos de uma corrida. Perspetivo uma enorme evolução por essa via, com o aparecimento de novos players na medição de performance.

Por outro lado, nos últimos anos têm aparecido muitos eventos e novas variedades, desde corridas, trails e em 2019 muitas provas de obstáculos (chamados “challenges”).

Com tanta oferta e sem saber se o número de participantes consegue acompanhar,  têm desurgir ideias diferenciadoras: criatividade, novas formas de negócio, novos prémios aleatórios, cross selling, medalhões de várias provas, parcerias cada vez intensas com ginásios, ofertas de inscrições e até leilões de descontos já se veem. Ao nível de marketing, vai haver ainda mais agressividade. Daqui a cinco anos, prevejo mais participantes (o que me parece muito bom em termos de combate ao sedentarismo e a bons hábitos de saúde), mas também mais pressão comercial sobre os atletas.

Mesmo que uns adiram por moda, conseguirão estas ideias reter os corredores?

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  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Se não tiver lesões, já será bom sinal. Como gosto de correr, gostava de continuar neste desporto. Revejo-me a continuar no meu amadorismo e como workout, sempre na desportiva, melhorando o meu ritmo e resistência e ambicionando distâncias um pouco maiores. Gostava também de experimentar novas corridas e trails todos os anos.

 

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04
Fev20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

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Foto: o João no final da primeira prova (Mini da Ponte 2006)

Em mais um "episódio" de entrevistas a atletas que, de alguma forma, me marcaram neste percurso, trago-vos o João Lima, que, desde logo, podem conhecer melhor e de forma mais continuada aqui: http://joaolimanet.blogspot.com .

Conheci o João por mero acaso. Primeiro, encontrei o seu blogue quando ainda estava a dar os primeiros passos neste canto do Sapo. Fiquei surpreendido pelo trabalho exaustivo, chegando ao ponto de apresentar uma calendarização de provas a nível nacional. Só uma pessoa com um nível elevado de paixão consegue e se predispõe a fazer tal coisa.

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Foto: a comandar um grupo de atletas em Constância 2011 no percurso que mais aprecia para provas de 10 km

Depois disso, uma vez mais acidentalmente, encontrámo-nos pessoalmente na maratona de Aveiro. Numa daquelas idas nervosas ao Wc antes da prova, sinto um toque nas costas e lá tivemos o primeiro momento de troca de ideias. Como já sabia do blogue, o João é uma boa pessoa de verdade.

Assim é de facto, que não se coibiu de me incentivar quando nos cruzamos em plena cruzada de 42 km.

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Foto: no final da primeira Maratona com o extenso e incansável grupo que o apoiou durante a prova!

Meses mais tarde, na meia maratona de Leiria (outubro), outra vez de forma acidental, acabámos por conversar muito mais tempo, por trocar medos e expetativas para a maratona do Porto (em novembro) e ainda tive o privilégio de aquecer com o João. 

No dia da maratona, já com este pedido de entrevista feito, sem contar com isso, lá dei de caras com o João. Mais um motivo para umas belas fotos de recordação e para tentar, sem sucesso, que deixasse o nervoso miudinho que o "assombrava".

E, no fundo, antes de passar a palavra ao João, diria que o que mais aprecio na sua personalidade é a enorme paixão pela corrida, a sua bondade e generosidade na hora da partilha e de transmitir conhecimentos aos mais novos e, como se não bastasse, o respeito (e nervos) que tem perante cada prova. E estamos a falar de um "veterano" nas maratonas.

Fiquem, pois, com o João Lima:

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Foto: a sua fotografia preferida! Sevilha 2014 (ler “aventura marcante”). Só ele sabe o que estava a passar de felicidade nesse momento

  • Nome 

João Lima 

  • Idade

59, a menos de 4 meses de mudar para o escalão M60 e natural de Tomar 

  • Equipa 

4 ao km, uma equipa de amigos 

  • Praticante de atletismo desde

Em Junho de 2005 comecei a dar umas corridinhas no Passeio Marítimo de Oeiras. A primeira vez, fiz 1800 metros e julguei que o coração e pulmões saltavam boca fora. No dia que cheguei aos 3 km foi uma alegria. Depois andei muito tempo com 4,6 km (era na altura ida e volta no referido passeio onde corria de 3 em 3 dias). No final do ano, vi numa publicação da Câmara de Oeiras uma notícia sobre a Corrida do Tejo. Pensei que seria giro participar mas tinha uma muito longa distância de 10 km! Idealizei que se todos os meses fosse subindo uns 500 a mil metros, conseguiria chegar lá. Mas no início de 2006 um colega mostrou-me um folheto para a Mini da Ponte com 7 km. Entusiasmei-me com a hipótese de passar a ponte a correr e inscrevi-me. Quando disse que ia à Ponte, um outro colega perguntou-me se ia à Meia ou Mini. Respondi, convicto, “Mini! Meia não faço nem nunca farei!” Efetivamente, na altura os 10 pareciam-me o máximo dos máximos e já seriam uma coisa brutal. Na feira da prova, recebi um folheto para a Corrida da APAV a disputar passadas 2 semanas. Inscrevi-me e quando dei por mim, estava bem dentro das corridas, tendo neste momento participado em 463, das quais 13 Maratonas e 65 Meia-maratonas (estreei-me na Meia da Ponte, exatamente um ano após julgar que nunca faria uma distância dessas…). 

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Foto: com a nossa bandeira a cortar a meta na Maratona que sempre sonhou um dia realizar, Paris 2015

Além da corrida, mantenho uma base de dados de resultados de provas portuguesas, bem como o (extenso) calendário anual. Esse trabalho é algo que faço há 10 anos e nasceu da necessidade de preservar os resultados, verdadeiro património das nossas corridas, pois de ano para ano a esmagadora maioria das classificações perdia-se. Assim, guardando-as no meu servidor, ficam disponíveis 24 horas por dia, 365 dias ao ano ao sabor dum simples clique. Neste momento estou quase nas 10 mil classificações, algumas bem antigas como a da primeira Maratona realizada em Portugal, a única ainda em monarquia (2 de Maio de 1910). 

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida em estrada 

  • Prefere curtas ou longas distâncias

De 10 km para cima, com especial gosto em Meia-Maratona e uma paixão arrebatadora na Maratona 

  • Na atual equipa desde

A sua criação, agosto de 2011. Fui um dos 4 fundadores e sou o seu responsável. Por sermos 4, ficou o nome de 4 ao Km, que não tem a ver com velocidade mas que gera algumas situações caricatas em provas, com pessoal que ainda não conhece a equipa dizendo “isso não é a 4 ao Km” ao que costumo responder por piada coisas como “é sim, é a 4.90 ao km (se vou por exemplo a 5.30)” ou “é mais IVA”. Aliás, na única edição da Corrida Nauticampo no Parque das Nações (2012), passei por 3 raparigas que, ao terem dito que não ia a 4 ao km e eu tendo respondido que era com IVA, uma disse “Não, não! Aqui não há IVA!”. Ora estávamos em pleno período da troika, fiquei muito sério e respondi “Estão a dizer para fugir aos impostos?!? Olhem que é por causa disso que o país está como está!”. Bom… elas ficaram espantadas a olhar para mim como quem pensa que eu estaria mesmo a falar a sério. Aí ri--me, desejei-lhes boa prova e prossegui. 

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Foto: com os bons amigos Sandra, Nuno e João Branco, Corrida do Tejo 2015. A corrida deu-lhe grandes amigos

  • Volume de treinos por semana

Treino 5 vezes por semana. Em relação à quilometragem, vai variando conforme as semanas, mas no final de cada mês dá normalmente entre 210 a 220 km, mais em período de preparação para Maratona, sendo a maior quilometragem já registada de 276 km neste Agosto. Irei terminar o corrente ano na casa dos 2500 km. 

  • Importância dos treinos

Fundamental!!! A forma é a coisa mais ingrata que existe. Batalha-se, batalha-se e basta um pequeno tempo sem treinar e ela eclipsa-se. Há quem possa estar uns dias sem correr que não nota nada de especial, no meu caso é muito penalizador para a forma. Tudo o que se consegue numa corrida, tem por trás o que se foi fazendo nos treinos e a inteligência como se treinou. 

  • Se tem ou não treinador

Nunca tive. Fui aprendendo com o que via, lia e ouvia de outros atletas e treinadores. Ao fim de um certo tempo, aprendi a ler o meu corpo e suas sensações e, baseado nisso, crio os meus próprios planos de treino. Não me tenho dado mal, antes pelo contrário. Se poderia ser melhor com treinador? Hum…provavelmente sim. Mas assim, quando alcanço um objectivo, venço por duas vezes, como atleta e como auto-treinador… 

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Foto: Sevilha 2017 e a felicidade por bater o seu recorde em Maratona (que se mantém)

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Em comparação quando comecei a participar em corridas (2006), assiste-se a um positivo crescimento de tecnologia que vem ajudar em vários aspetos, como maior rigor nas tomadas de tempo, com generalização de chips que há 13 anos não estavam assim tão espalhados como hoje, maior divulgação aproveitando a Internet e diversas plataformas digitais e uma expansão e maior profissionalização de diversas entidades organizadoras. Durante este período deu-se também uma revolução com a criação do conceito trail, na altura apenas existiam corridas de montanha com certas diferenças para este tipo de provas, algo que tem aumentado a oferta de forma impressionante. Outra grande diferença é que os portugueses perderam o medo à distância e temos cada vez mais maratonistas. Mas a que considero a maior e mais saudável diferença, tem a ver com a participação feminina. Quando me iniciei, a percentagem de atletas femininas situava-se entre os 3 e os 6%, enquanto actualmente na maioria das provas anda pelos 20%, ainda longe das médias de alguns países mas a aumentar.  

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Foto: a cortar a meta em Valência 2018, uma Maratona impressionante e cujo entusiasmante final é de colocar qualquer um louco de alegria, como se constata!

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Algumas. Desde uma senhora de idade a insultar os atletas gritando que as corridas eram uma merda, ao que gritei “desporto é saúde” e a senhora querer vir atrás de mim para me bater com a sua bengala, a estar a treinar numas férias que por acaso eram um dia de greve e um carro aproximou-se abrindo o vidro (o que sucede algumas vezes para pedir alguma indicação de rua) mas quando me aproximei, o senhor (que provavelmente estava danado por vir de alguma repartição fechada) gritou em fúria “grevista de merda!” e arrancou (esquecendo-se que além de poder efetivamente estar em greve, poderia estar de férias, desempregado, trabalhar por turnos ou horário diferenciado, etc), a engasgar-me numa corrida por engolir uma mosca ou então por falha da organização, fazer 23 km numa Meia, ao que a minha mulher apelidou “duma meia até aos joelhos”! 

  • Aventura marcante 

Sevilha 2014! Tenho muitas provas que foram especiais mas nada como esta. Tenho 13 Maratonas concluídas mas parti em 14. Na que teria sido a minha 2ª, a Cascais-Lisboa 2013, fui forçado a desistir aos 15,5 por um problema físico completamente impeditivo de continuar, o que foi uma experiência muito dura. Seguiu-se Sevilha 2014 mas 5 semanas antes apanhei uma infeção pulmonar que me obrigou a parar. E se em Maratona é necessária muita resistência, não esquecer que ela vem dos pulmões. Recomecei a treinar mas fraco. Duas semanas antes tentei 24 km mas andei mais do que consegui correr. Basicamente, não tinha força mas não estava preparado para ter um novo DNF. A semana anterior foi terrível com a inevitável sombra da desistência. Mas ia tentar. Mais valia desistir por ser impossível continuar do que nem sequer tentar. Ficou na memória de todos como estava no pequeno almoço no dia da prova, isto para já nem falar do que a minha mulher teve de aturar nessa noite. Sentia-me impotente para evitar o que seria para mim outra dura derrota. Mas…na altura de ir deixar o fato de treino no carro, e ao sentir o ar frio, algo mudou em mim. Mudei do estado de derrotado para um outro que nem sei definir. Conclusão, fiz a que considero a corrida da minha vida e ao mesmo tempo a mais feliz, divertida e emocional. Costumo dizer por brincadeira que devo ter sido tocado por alguma fada das corridas por mais pareceu magia. Mas a magia veio toda do meu desejo de completar o desafio. E nesse dia, com 2 Maratonas no currículo, sinto que ganhei carreira de maratonista pois se tivesse desistido pela 2.ª vez em 3 tentativas, não sei se teria continuado a tentar a distância, eu que era para ter feito apenas uma. E o que teria perdido!     

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Foto: com os grandes amigos Isa e Vitor na Corrida do Bodo 2019, a brincar antes da prova com a placa que faz alusão ao nome da nossa equipa

  • Participação em prova mais longa

Por 13 vezes em Maratona. Lisboa 2012, Sevilha e Porto 2014, Paris e Cascais-Lisboa 2015, Barcelona e Porto 2016, Sevilha e Porto 2017, Valência 2018, Sevilha, Aveiro e Porto 2019   

  • Objetivos pessoais futuros

Continuar sempre a correr com o mesmo prazer que tenho desde o início. Em termos de provas, os grandes objectivos são em Maratona, tendo planeado em 2020 Madrid e Málaga, 2021 Aveiro e Loch Ness e tentar o sorteio para Berlim 2022. Isto para já. Em termos meramente utópicos, gostava de fazer uma Maratona aos 100!! 

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Basicamente semelhante, mas gostava que houvesse um maior controlo para evitar os batoteiros. De realçar a recente medida da RunPorto ao desclassificar e publicar a lista dos “corta-caminhos” e das “mulheres com barba” na Maratona do Porto, avisando que no futuro irá começar a impedir a participação de atletas que sejam apanhados nas mesmas condições. Espero que seja um primeiro passo a ser seguido por mais organizações   

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos 

A mudar para o escalão M65, forçosamente (ainda) mais lento, mas sempre com o mesmo prazer de corrida. Assim haja saúde!  

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Foto: Porto 2019, uma Maratona tão sofrida mas com uma enorme felicidade na meta por ter resistido

11
Jan20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

1.º trail – Trail Santa Catarina 2014 – Vila

Foto: 1.º Trail - Trail Santa Catarina - 2014 - Vila Nova de Famalicão

Hoje trago-vos uma pessoa em quem vejo uma verdadeira alma guerreira.

A nível pessoal, penso que nem ela imagina o quanto contribuiu a dada altura para a minha felicidade privada, apoiando um projeto que ainda não tinha pernas e que só as viria a ter meses mais tarde.

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Foto: V Trail Viver Pereira - 2016

De certa forma, gosto de pensar que é justo valorizar o seu talento aqui. Em termos desportivos, é uma autêntica guerreira. Impressiona-me pelos desafios a que se presta em trails e julgo que o facto de ter uma paixão tão grande pela corrida idêntica à minha (ela no trail, eu na estrada) me leva a admirar o seu trabalho e a sua sede de novos desafios. Como poderão aferir mais abaixo, é uma adepta inveterada de desporto, o que, desde logo, merece todo o tipo de elogios.

Penso que as respostas dela vos darão uma ideia bem precisa da valia humana e desportiva de uma pessoa como a Elza.

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Foto: VI Trail de Conímbriga Terras de Sicó - 2017

É, pois, chegado o tempo de conhecerem a Elza

  • Nome

Elza Cordeiro

  • Idade

46

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

2012. Fui parar ao atletismo um pouco por acaso. Sempre fiz desporto, na minha adolescência o desporto que fazia era andar de bicicleta. Mais tarde e durante algum tempo fiz aeróbica e step, até que descobri a hidroginástica e fiquei rendida. Até ser mãe, e mesmo grávida, fazia hidroginástica 3 vezes por semana. Com a maternidade, as rotinas alteraram-se completamente e os horários deixaram de ser compatíveis com os horários da hidroginástica, foi nesta altura que descobri a corrida. A corrida tinha vantagens, pois podia ir a qualquer hora, ou seja, não havia um horário de treino a cumprir.

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Foto: FK Trail - 2017

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida em montanha, vulgarmente conhecida por Trail Running. Foi através de uma prima, que também é praticante de trail running, que tive contacto com a corrida em montanha. Claro está que fiquei apaixonada. Correr na montanha não tem qualquer semelhança com as corridas de estrada. Na montanha há muitos obstáculos que temos de ultrapassar, não é “correr a direito” como em estrada. Há trilhos muito técnicos, alguns até bastante perigosos, mas com paisagens de sonho, que de outra maneira seria difícil conhecer. Há também muito mais companheirismo e entreajuda entre os atletas. Durante uma prova corremos, mas também conversamos, e muito. Corre-se muito com as pernas, mas também com a cabeça. Claro que também há competição, mas a competição por norma não é o mais importante. Não esquecer que há que ter muito respeito pela montanha. É ela quem manda.

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Foto: Coimbra Trail - 2018

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Prefiro as longas distâncias. Fiz a minha primeira prova em setembro de 2014, foram 10 km. Confesso que nos dias anteriores a esta primeira prova andei um pouco ansiosa. À época, 10 km para mim eram uma enormidade. Completei a prova com sucesso, e gostei tanto que em fevereiro de 2015 já estava a fazer a minha primeira prova acima dos 20 km, o Trail de Conimbriga Terras de Sicó. Andei pela distância de 20/30 km até 2017, onde em janeiro me aventurei a fazer os 33 km do famoso Trail dos Abutres. Até setembro de 2018 mantive-me nas provas cuja distância rondava os 25/35 km. Em setembro de 2018 ultrapassei a barreira dos 35 km e fiz a minha primeira ultra, foram 43 km no Coimbra Trail. Fiquei rendida à distância acima dos 40 km. Nestas distâncias são precisas pernas, treino, mas também é preciso muita resiliência, muita capacidade para ultrapassar as dificuldades e adversidades que vamos encontrando ao longo do percurso. É preciso muita cabeça. Entretanto na época que terminou, 2018/2019 fui finisher no Circuito de Ultra Trail da ATRP, que para quem não sabe é um circuito de provas, 4 provas, cuja distância de cada uma delas é maior que a distância da maratona. Este circuito da ATRP é um campeonato realizado a nível nacional.

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Foto: Mondego UltraTrail - 2018

  • Na atual equipa desde

Época 2017/2018

  • Volume de treinos por semana

3 corrida e 2 reforço em ginásio

  • Importância dos treinos

Os treinos são cruciais para atingir os objetivos, ou seja, para conseguirmos completar o percurso a que nos propomos fazer com sucesso e para evitar lesões;

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Foto: Estrela Grande Trail - 2018

  • Se tem ou não treinador

Para os treinos de corrida não tenho treinador, vou correndo umas vezes sozinha, outras em grupo. Na parte do reforço muscular, tenho apoio de um treinador que vai orientando os treinos tendo em conta o meu propósito que é o de conseguir fazer distâncias acima dos 42 km em boa preparação física. Nestes treino de reforço treino a força e a resistência.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Como o atletismo entrou um pouco “tarde” na minha vida, não consigo identificar diferenças entre o atletismo passado e o actual.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Além de às vezes irmos treinar para o monte e de já ter acontecido termo-nos perdido, ao longo destes 7 anos, não tenho nenhuma história engraçada para contar.

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Foto: Piódão Trail Running - 2019

  • Aventura marcante

VII PIODÃO TRAIL RUNNING: foi sem dúvida a minha maior aventura. Foi a minha primeira prova acima dos 43 km. Foram 50 km debaixo de condições atmosféricas extremas: com trovoada, chuva intensa, granizo, nevoeiro e um forte nevão (foi o maior nevão do ano na aldeia de Piódão) que rapidamente apagava as marcas deixadas pelo atleta que ia cerca de 50 m à nossa frente e as condições meteorológicas eram de tal maneira adversas que não conseguíamos distinguir se era homem ou mulher. Foi uma prova feita em equipa e foi o ter sido feita em equipa que contribuiu para termos conseguido, tendo em conta aquelas condições, ser finishers. As condições eram tão más que a organização não permitiu que ninguém iniciasse a prova sem calças térmicas ou impermeáveis, bem como sem impermeável.

  • Participação em prova mais longa

VII PIODÃO TRAIL RUNNING, 50 km com 3000D+ (nota: desnível positivo)

 

  • Objetivos pessoais futuros

Em 2020 gostava de fazer os 57 km do TRAIL DE CONÍMBRIGA TERRAS DE SICÓ, e em 2021 os 67 km do Ultra Trail Serra da Freita.

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Foto: Trail Abrantes 100 - 2019

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Há cada vez mais pessoas a aderir ao atletismo, penso que é uma atividade que terá tendência para crescer. Em termos de trail, neste momento, há inúmeras provas todos os fins de semana, mas pela seleção natural apenas irão sobreviver aquelas a que vale mesmo a pena ir, quer pela beleza dos trilhos, quer pela organização.

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Foto: Trail dos Abutres - 2018

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Daqui a 5 anos continuo a ver-me como praticante de trail running, já estarei num novo escalão, no escalão F50. Quando mudasse de escalão, gostava de fazer uma prova de trail de 3 dígitos, o chamado Trail Endurance. Acho que é um grande teste à nossa capacidade de resistência e resiliência. Em provas longas eu costumo dizer que 20% é pernas e 80% é cabeça, e no Endurance Trail esta relação é ainda mais evidente.

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Foto: Trail do Zêzere - 2016

  • Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias? 

Acho que cada vez há mais mulheres no atletismo, é uma atividade desportiva que está em crescimento. Nas provas de grandes distâncias, há também cada vez mais atletas femininas, neste caso, os escalões com mais atletas são os acima de 40 anos. Como já referi, as provas de longas distâncias colocam à prova a nossa capacidade de resiliência, a nossa capacidade de lidar com as adversidades, e aos 40 anos, já passámos por algumas adversidades próprias da vida que nos dão capacidade de as ultrapassar e de as conseguir ultrapassar com sucesso, ou seja, sem desistir. Aquilo que é verdade para a nossa vida também se aplica numa prova de longa distância, onde muitas vezes fazemos quilómetros completamente sozinhas, em que só contamos connosco, em que temos de ir em modo de autossuficiência e em que desistir não faz parte do nosso vocabulário.

Trail Ultra Douro e Paiva – 2018.jpg

Foto: Trail Ultra Douro e Paiva - 2018

  • Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Penso que não. Se há, ainda não dei por elas. As provas são as mesmas, únicas, tanto para homens como para mulheres, ou seja, com a mesma distância e com o mesmo grau de dificuldade.

Mondego Ultra Trail - 2016.jpg

Foto: Mondego Ultra Trail - 2016

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