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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

02
Set22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

O meu convidado desta entrevista já estava para o ser há muito tempo, mas, por isto ou aquilo, foi sempre adiado.

Desta feita, não o "deixei" fugir da lista.

Há algum tempo, estive com ele numa espécie de parceria da monitorização do Trail da Escarpiada. O que já pensava dele saiu reforçado.

É um tipo porreiro, bem humorado. E com uma experiência neste mundo das corridas de meter inveja. Mas é muito mais como ser humano.

Isso e agora recebeu o estatuto de inválido... para a corrida. E porquê?

O Luís Martins diz-vos já de seguida (confesso que a resposta dele me tocou mais do que esperava, porque penso que terei uma reação semelhante no dia em que/se tal me acontecer):

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Nome

Luís Martins

Idade

45 anos

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Equipa

ARCD Venda da Luísa

Praticante de atletismo desde

Acho que comecei a correr, algures por 2011 e a primeira prova foi no trail Conímbriga terras de sicó de 2012

Modalidade de atletismo preferida

A modalidade de atletismo preferida???? Não posso falar de outras modalidades de atletismo, pois só fiz corrida, mas trilho vs estrada, acho que prefiro os trilhos, por toda a envolvência, desafios variados, convívio e ver sítios fantásticos durante as provas, mas sempre gostei muito também de me testar em provas de estrada, sobretudo 10km, correr aquele bocado de 40-45 minutos com a frequência no redline e devorar o ar com a boca aberta.

Prefere curtas ou longas distâncias

Curtas ou longas, outra pergunta difícil, em termos competitivos sempre me safei melhor nas curtas e como disse anteriormente gosto da sensação do redline, mas fui ganhando o gosto pelas longas e aprendendo a digerir calmamente os km, a ter paciência para lá andar e as sensações ao longo de uma prova longa são mais variadas e imprevisíveis. As provas longas trazem muitos ensinamentos que podemos levar para todas as situações de vida, por isso tendo que escolher, seriam as longas distâncias

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Na atual equipa desde

2018

Importância dos treinos

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Atualmente não treino corrida, tive um acidente grave no joelho esquerdo com rutura do ligamento cruzado posterior, entre outros estragos, o que me dá instabilidade para correr de forma consistente, mas quando treinava corrida, fazia-o entre 4 a 5 vezes por semana. Os treinos são essenciais em qualquer desporto, mas na corrida continua-se a pensar que treinar corrida, é só correr. Mesmo sem ser numa vertente muito competitiva a corrida é um desporto muito exigente para as estruturas osteoarticulares e musculares, com muito risco de lesão, por isso o treino de corrida ou para corrida deve ser mais amplo do que apenas correr.

Se tem ou não treinador

Não tenho treinador e nunca tive, mas reconheço a importância de uma orientação profissional, para uma prática sustentada e saudável, como disse anteriormente.

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Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

História: entre muitos momentos marcantes pelo companheirismo, alegria e partilha antes, durante e após as provas ou treinos em grupo, guardo na minha memória o primeiro treino que fiz de trail com um grupo de “vedetas”, era um treino organizado pelo Fernando Fonseca, talvez em janeiro, de 2012 para ver os trilhos para o Sicó desse ano. Nesse treino estava o Fernando Fonseca e a Céu, o Jorge Justo, José Carlos Fernandes, o saudoso Vitorino Coragem, Victor “Laminha” Ferreira, os “cavalos” da equipa dos CTT na altura (Fernando Carvalho, Marcio, Rui Rodrigues e os Paulos), ou seja foi um batismo abençoado pelos dinossauros do trail.

Aventura marcante

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A aventura/ prova mais marcante foi a minha primeira participação nos 111km de Sicó, pois fiz de vassoura até sensivelmente metade do percurso (Santiago da Guarda), parte que foi feita de noite, com muito frio e muito demorada, pois os atletas que acompanhei decidiram fazer todo o percurso a andar, chegado a Santiago da Guarda passei a “vassoura” a outro colega e daí arranquei sozinho para o restante percurso, com muitas dificuldades na parte final e a sensação de superação ao chegar à meta na praça de Condeixa, já noite cerrada, é indescritível.

Participação em prova mais longa

Prova mais longa 111km de Sicó

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Objetivos pessoais futuros

No futuro gostava eventualmente de voltar a conseguir correr e participar numa ou outra prova, certamente curta e sem comprometer a saúde. A corrida teve e ainda tem um lugar muito especial, na minha vida. Quando tive que deixar de correr, senti-me perdido, pois o meu tempo livre e lúdico era quase exclusivamente centrado na corrida. Entretanto substituí a corrida pelo ginásio, não é a mesma coisa, mas fui surpreendido, nunca pensei gostar tanto e me sentir tão desafiado, dentro de 4 paredes. Tenho que agradecer a todo o staff do AdhocGym e aos colegas que frequentam o ginásio que, mesmo sem saberem, contribuíram para esta transição forçada, dolorosa, mas que hoje em dia é-me muito prazerosa. Sei que certamente no futuro farei sempre qualquer coisa que me desafie, me faça transpirar e disparar a frequência cardíaca.

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Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Acho que as provas de trail e estrada vão estabilizar e ter mais qualidade, os próprios praticantes penso que se vão iniciar de forma mais consistente e apoiada, mas acho que o boom de praticantes veio para ficar.

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Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Daqui a 5 anos provavelmente estarei no atletismo como apoiante, durante a primeira parte, dos colegas da Venda da Luísa e outros amigos que fui fazendo, na segunda parte da prova, entro forte para colaborar com os colegas e, se possível, quem sabe, a fazer uma pernita numa prova ou outra pequenita.

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Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

Quando veio a Covid, já não corria por isso como pseudoatleta não me afetou em nada, como praticante de atividade física, obrigou-me a criar alternativas para conseguir manter alguma atividade física, embora se perca a interação social que para mim é muito importante.

O que mudou nas provas com a pandemia?

Pelo que me fui apercebendo, houve numa fase inicial algumas adaptações para continuar a haver provas, hoje em dia as restrições são quase nulas e os preços das inscrições dispararam.

Essas mudanças são boas para a modalidade?

A pandemia pode ter trazido coisas positivas para toda a sociedade e também para a corrida, deu tempo para as pessoas pararem, darem valor ao que se tinha como adquirido, as mudanças nas organizações relacionadas com a Covid penso que vão cair e depois, como sempre, as provas serão alvo dos processos de seleção natural.

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Legenda das fotos pela ordem de apresentação:

  • 111k sicó 2018 vassoura
  • Primeira prova - trail de sicó 2012
  • Corrida dos moinhos de Penacova 2012
  • Chegada na minha primeira maratona de trail Almourol 2013
  • Um dos poucos pódios, na corrida 4 estações em Soure 2018
  • Chegada na primeira meia-maratona de estrada em Cortegaça 2013
  • Primeira vez que vesti a camisola da Arcd Venda da Luísa, num treino, nas férias 2018 no Algarve
  • Última prova que fiz, já após a lesão e por teimosia, 15k de sicó 2020
  • Chegada à meta nos 111k de Sicó 2019
  • Lousã trail 2019
  • Trail do Infante Penela 2018
09
Ago22

Uma boa dose de Cafeína


João Silva

Este verão tem sido sinónimo de muito trabalho.

Escrever textos tem sido uma miragem e este espaço tem vivido nos últimos meses de todas as pesquisas e de todas as publicações que agendei (antes e depois deste texto - foi fazer de formiga para "descansar" a escrita nesta fase mais intensa). Isso até é um bom sinal, apesar do cansaço (muito dele, mental).

Ainda assim, entre vida familiar, trabalho e preparação para uma maratona em novembro, consegui arranjar um pouco de tempo para dizer à "Cafeína" o que me vai na alma.

Já era leitor (dentro do possível da rubrica) e confesso que gostava de ser convidado. Ela lá me deve ter ouvido, nem sei bem como, e convidou. E eu aceitei. E respondi com muito gosto. E o que respondi?

Isso agora...

Se calhar, o melhor é ver aqui, no espaço dela:

 

https://aqueladocecafeina.blogs.sapo.pt/um-cafe-com-joao-silva-73524

 

Obrigado, Cafeína =D

31
Jul22

1, 2, 3, chegou a minha vez


João Silva

Aproveitando o repto lançado pela Diana Carreira há um ano (!!!), hoje chegou a minha vez de responder às perguntas que faço na rubrica de entrevistas. 

Afinal de contas, não é todos os dias que se fazem 34 anos.

 

Nome

João Silva

 

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Foto: Treino em julho de 2021

· Idade

34 anos (feito hoje)

· Equipa

ARCD Venda da Luísa


· Praticante de atletismo desde

Dezembro de 2016


· Modalidade de atletismo preferida

Corrida em estrada

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Foto: Corrida 4 estações com a camisola da ARCD Venda da Luísa em 2018


· Prefere curtas ou longas distâncias

Resposta que nem obriga a pensar muito: longas distâncias.


· Na atual equipa desde

Setembro de 2018

· Volume de treinos por semana

Treino todos os dias. Procuro ajustar em função dos objetivos. Nivelei o meu volume por baixo após a minha lesão no ano passado (síndrome do músculo piriforme), mas ronda 1 hora/1 hora e 30 minutos de corrida por dia e 10 a 20 minutos de reforço muscular 5 vezes por semana.


· Importância dos treinos

Para mim, os treinos são praticamente tudo. São o laboratório e a clínica de tratamento ao mesmo tempo. Ou seja: permitem experimentar e melhor as técnicas de corrida e a resistência a pensar em determinada prova e ainda são o elemento de recuperação muscular ativa. Criam resiliência e dotam-nos de ferramentas para lidarmos com as dificuldades das provas.

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Foto: Castellum trail em 2018, ainda com a camisola da Casa do Benfica de Condeixa


· Se tem ou não treinador

Não tenho. Sou eu próprio. Reconheço a importância de ter um, sobretudo, para me manter na linha, porque sofro de algo que não é comum em muita gente: tenho dificuldade em parar de treinar, o que acaba por ter um efeito diferente do pretendido. Mas também sou muito autocentrado e procuro ser eu a determinar as diferentes fases do meu treino, o que, sendo honesto, não correu muito bem no último ano e meio.


· Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

O meu passado no atletismo remonta apenas a 2016, logo, não tenho uma perceção mais abrangente. Ainda assim, é fácil de constatar o óbvio: há cada vez mais mulheres. É algo de refrescante. As próprias mulheres também trabalham melhor a corrida. Do mesmo modo, há cada vez mais atletas, porque, está na moda. E os atletas amadores estão mais bem dotados de técnicas e de exercícios de reforço muscular. 

Por último, há cada vez mais provas. Aqui, confesso que não consigo perceber se é algo muito bom, porque torna banal a modalidade e cria uma febre desnecessária para se participar numa dada prova em detrimento de outra. Além dos custos exorbitantes de todas elas, apesar da imensidão de ofertas (o que é, na verdade, um grande paradoxo do meio).

· Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Após mais de três anos de blogue, é difícil ter uma história da corrida que não tenha sido relatada aqui. Seja como for, os meus encontros com cães e alguns sustos com relâmpagos e dilúvios em plena madrugada dão um bom cardápio. As "visitas" de ambulâncias de madrugada ou a sirene dos bombeiros perto das cinco da manhã no meio de uma tempestade também entram para esta caderneta de situações insólitas (e com um belo nível de medo à mistura).

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Foto: São Silvestre da Figueira da Foz, em 2019, na companhia do Ricardo Veiga e da Lígia Casimiro (e de um senhor "externo" e cujo nome desconheço)

· Aventura marcante

A minha primeira maratona . No Porto em 2018. Com a presença da minha esposa. Foi uma aventura mágica por ter sido o momento com que sonhava desde 2017. Estar rodeado de tanta gente na prova daquelas com um apoio monstruoso do público foi algo que jamais esquecerei. Foi a confirmação de que as maratonas são o meu palco. Não há nada que me dê mais prazer a correr.


· Participação em prova mais longa

Maratona. Oficialmente, já foram três. Oficiosamente já foram seis. Em treinos, já passei uma vez essa distância: fiz 50 km.


· Objetivos pessoais futuros

Tenho alguns sonhos na corrida. Parecem-me objetivos alcançáveis. São eles: correr 75 e 100 km em estrada, fazer as três maratonas do nosso país, fazer uma maratona internacional, correr uma maratona em 3h15 e, num futuro mais longínquo, correr a mesma distância em 3h00.

Noutras distâncias, tenho o objetivo de correr novamente 10 km abaixo de 40 minutos e de fazer meias maratonas em menos de 1h30. Neste patamar, sonho igualmente fazer o circuito de meias maratonas históricas do nosso país.

Não tenho uma data traçada para estas metas. Sei apenas o que quero alcançar.


· Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Para a modalidade em si prevejo uma estilização do número de provas e de participantes. Perspetivo uma estagnação devido à pandemia e, por outro lado, auguro um aumento da transmissão dos eventos deste desporto. Acho que o marketing associado vai fazer crescer o preço de provas mais populares. Por último, acredito que as condições de "trabalho" das equipas de atletismo vão mudar para melhor. Haverá mais disciplina e organização.

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Foto: 1.ª maratona, em 2018, no Porto

 


· Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Na verdade, esse é um exercício que procuro não fazer, porque sempre acreditei que, a dada altura, ia perder a corrida da minha vida, já que era algo de extraordinariamente bem. Quando me lesionei, no ano passado, pensei muitas vezes que esta minha aventura tinha terminado. Felizmente, não foi o caso. Mas não sei como estarei em termos de forma e de treinos. Até porque a minha vida não tem sido uma história linear. Diria que a minha vida de corredor estará sempre dependente das minhas escolhas familiares e profissionais.

Diz-se sempre isto, mas vejo mesmo como o mote "enquanto dura, vida doçura". Em termos de desejos, gostava de estar num patamar de corrida capaz de acabar maratonas dentro de 3 horas (é muito ambicioso).

. O que mudou com a pandemia?

Em termos pessoais, fui afetado apenas pelo primeiro confinamento, mas, na verdade, o treino em casa já estava programado, porque a Diana estava numa fase avançada da gravidez e era necessário estar por perto. No segundo, já foi o caso e, como corri de madrugada, nunca tive problemas com multidões nem alguma coisa do género. Na verdade, tudo isto trouxe uma maior consciência dos germes que nos envolvem. E uma rotina de higiene. Em termosais abrangentes, houve uma interrupção das corridas e isso deu cabo das aspirações de muita gente. Felizmente para mim, isso não aconteceu.

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Foto: Meia maratona de Leiria, outubro de 2019

. Já participou em provas reais desde a pandemia?

Sim, mas há muito pouco tempo. Nunca me senti verdadeiramente em segurança para estar num ambiente com muita gente. Durante muito tempo, tive muitos problemas com o regresso à normalidade. Fiz duas provas virtuais, mas só recentemente é que voltei a participar em competições.

. O que vai mudar em termos de provas no futuro?

Honestamente, também acredito que haverá uma seleção natural de provas. Não me parece que vá haver pessoas e dinheiro para tantas competições. A organização também será mais clara e metódica. As partidas faseadas foram um bem maior de tudo isto. Acredito que, a dada altura, haja uma necessidade de restrição das participações apenas a pessoas vacinadas. Acredito que haja lugar para alguns não vacinados, mas julgo que serão "isolados" do grupo principal.

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Foto: Treino numa madrugada de verão em 2021

 

04
Mai22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje é dia de mais um rapaz atleta ainda moçoilo nestas andanças mas que dá sinais de gostar disto a que chamamos corrida... É mais "um dos nossos". Por agora, está a apostar nas curtas distâncias (e parece-me que faz muito bem). No entanto, também ambiciona voos mais elevados. 

É prático, não está com rodeios mas nota-se que desfruta deste desporto.

Fiquem, pois, com o Ivo Carrito:

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Foto: Corrida 4 estações de inverno, em Coimbra, 2022

Nome

Ivo Manuel dos Santos Carrito 

Idade

27

Equipa

ARCD Venda da Luísa

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Foto: Corrida 4 estações de inverno, em Coimbra, 2022

Praticante de atletismo desde

2020

Modalidade de atletismo preferida

Trail

Prefere curtas ou longas distâncias

Prefiro Curtas.

Na atual equipa desde

Época 2020/2021

Volume de treinos por semana

Tenho semanas que nem treino corrida mas normalmente só descanso ao fim de semana com 3 dias de corrida, em estrada ou em trilhos, e 2 de ginásio para reforço muscular.

Importância dos treinos

Os treinos são sempre importantes para atingirmos os nossos objetivos e para evitarmos lesões.

 

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Foto: 15 km no Trail de Sicó em 2022

Se tem ou não treinador

Não tenho treinador.

Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Bastantes diferenças, como por exemplo, não havia tanta escolha de material desportivo e a tecnologia como os relógios gps foi uma evolução grande para os treinos e provas.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Para a quantidade de provas que fiz, que foram 4, não tenho assim uma história insólita que me lembre. 

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Foto: 15 km no Trail de Sicó em 2022

Participação em prova mais longa

TAUT, 18 km que no fim foram 20 km. 

Objetivos pessoais futuros

Conseguir fazer uma prova mais longa e já estou inscrito nos 27 km do Gerês.

Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Espero vê-lo mais evoluído e com mais malta jovem a participar em Trails.

 

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Foto: Trail Encostas do Mondego 2021

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Só o futuro o dirá, mas pretendo avançar para as longas distâncias.

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

Afetou muito porque estava com uma boa forma física já para participar a provas e com as restrições, fecharam os ginásios e provas canceladas o que me levou a alguma desmotivação.

O que mudou nas provas com a pandemia?

Eu antes da pandemia nunca tinha participado uma prova, mas pelo que tenho visto nas que tenho ido, implementaram novas regras tais como o certificado digital, a máscara na partida e na meta entre outras.

08
Abr22

1, 2, 3 uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje trago-vos uma atleta com quem ainda não falei pessoalmente mas de cuja bravura fiquei fã quando o seu namorado, o Bruno Silva, me falou de uma aventura que teve na noite em que alcançou uma enorme proeza na Madeira: partiu a cabeça!!

Tinha de a entrevistar. E fiquei com as melhores impressões, pois, claramente, por detrás desta atleta está uma pessoa com ideias claras quanto à sua paixão pelo atletismo e quanto à afirmação do seu género na modalidade.

Confirmem lá se não vos digo a verdade.

Fiquem, pois, com a Rafaela:

 

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Foto: Trail vale dourado de Famalicão

Nome:

Rafaela Bento

Idade:

34 anos

Equipa:

CTM Vila Pouca de Aguiar

Praticante de atletismo desde

2016

Modalidade atletismo preferida:

Trail

Prefere curtas ou longas distâncias:

Prefiro distâncias longas (ultra trails)

Na atual equipa desde

Estou no CTM desde a época 2018/2019

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Foto: 57 km do Trail de Sicó

Volume de treinos por semana:

Treinos 4/5 por semana

A importância dos treinos:

Os treinos são extremamente importantes para conseguirmos alcançar os nossos objetivos.

Diferenças entre o atletismo passado e o atual:

Atualmente o atletismo tem sido visto como algo positivo, contudo, ainda pouco valorizado, ou nada, face a outras modalidades desportivas.

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Foto: MIUT (Madeira)

Aventura marcante:

Até ao momento tenho como atividade marcante o primeiro trail que fiz em Vila Pouca de Aguiar, apenas 10kms que para mim foram uma grande conquista. “Os montes” de Vila Pouca tem uma beleza incrível, quer seja em prova ou em treinos é fascinante. Outra prova que amei ter feito foi TPG, Transpeneda Gerês, 105kms (em 2021). O Gerês é a minha serra de eleição e é lá que faço as minhas grandes aventuras.

Há uma ilha que adoro e também me fez sonhar no mundo dos trails, a Ilha da Madeira e fui conquistar o sonho de correr entre o Pico Ruivo e Pico do Areeiro. Esta conquista foi em novembro de 2021. Participei nos 85kms do MIUT.

Objetivos pessoais futuros:

Os meus objetivos continuam a ser os ultra trails. Nestas provas consigo estar bastante tempo eu a Natureza e aqui sou muito feliz. Emoções sentidas que não há palavras para explica-las. Contudo, de vez em quando traço um objetivo maior e aventuro-me numa prova de três dígitos.

Ano após ano, há mais interessados pelo atletismo e espero que aumente nos próximos anos. Sejamos a inspiração de quem nos rodeia. Enquanto tiver possibilidade continuo no atletismo. Participo em diversas provas, dos 8 aos 80 kms (ou ainda mais) de modo a sentir-me bem e divertir-me. Algumas provas são pela estrada, algumas também gosto. Contudo, o mundo do trail é a minha prioridade.

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Foto: 85 km do MIUT

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

A pandemia veio alterar muitos hábitos a todos nós. Uns aspetos positivos, outros negativos. Se observarmos a maioria das pessoas vemos constantes lamentações porque estão demasiado isoladas devido ao vírus, mas será que é devido ao vírus ou a elas próprias? Eis a questão.

Nesta fase tive mais tempo para treinar porque tive menos trabalho. Sou grata por essa oportunidade. Contudo, senti falta das provas, de sairmos em grupo, acordar cedo e irmos para uma prova. Mantive o foco nas provas que pretendia atingir, treinei e assim foi, consegui atingir os objetivos que me tinha proposto.

O que mudou nas provas com a pandemia?

Com a pandemia foram poucas as provas que se realizaram e as que se realizaram tinham menos atletas o que acabou por afetar a motivação. Durante a prova, as regras são basicamente as que existem no dia a dia. É preciso sabermo-nos adaptar às mudanças.

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Foto: Trail de Vila Pouca de Aguiar

Essas mudanças são boas para a modalidade?

As mudanças são boas para a modalidade se houver mudar a consciência do ser humano.

Porque existem tão poucas mulheres no atletismo?

A meu ver nenhuma modalidade desportiva levada a sério (mesmo amadores temos que nos dedicar), pelo menos minimamente, requer bastante dedicação, foco, disciplina, coragem, resiliência e paciência e muitas mulheres não estão dispostas a isso.

Com dedicação conseguimos fazer o que ambicionamos sem nos deixar afetar pelos/as “parasitas” que preferem ficar no café a beber, a fumar, a comer (ou seja lá o que for que os prejudica mais que o atletismo) e chamam viciados aos atletas. Cada atleta deve fazer o que a motiva. Nós temos a capacidade de criar o nosso bem-estar, não precisamos de recorrer a nada externo. Basta movimentarmo-nos, sim, o corpo foi feito para estar em movimento, dai termos pernas e não raízes.

A dedicação ao atletismo (como tantas outras coisas) tem ganhos e perdas. Saibamos escolher o que é melhor para nós. Façamos escolhas conscientes se o que escolhemos é para nossa felicidade ou por base no dito correto ou melhor. Saibamos escutar o nosso sentir.

Porque há tão poucas a fazer grandes distâncias?

A mulher ainda tem muito trabalho a fazer na sociedade e poderia começar a dedicar-se a si em primeiro lugar para a seguir tudo vir na medida certa. As grandes distâncias requerem muita dedicação. É preciso gerir o tempo para planear o trabalho, o lar e o social.

Quando se faz uma gestão do tempo equilibrada temos a possibilidade de conquistarmos o que desejarmos.

Existe alguma diferença no tratamento das mulheres face aos homens no atletismo?

Na mentalidade medíocre, a mulher ainda é criticada, mas cabe a cada uma dar a resposta à sua altura quando temos consciência que fazemos o melhor resta-nos continuar a fazer o nosso caminho.

 

Foto: 105 km do TPGFB_IMG_1646227655301.jpg

29
Mar22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Alguma vez fizeram uma prova com alguém do início ao fim?

Também nunca me tinha acontecido. Na verdade, nem procuro que suceda, a não ser que encontre alguém com um ritmo semelhante e que queira uma espécie de ajuda mútua.

No entanto, no passado dia 27 de fevereiro, aconteceu uma coisa engraçada: fui fazer um trail. E fui apenas para me divertir (coisa rara). Sucede que pouco depois do início do trail, este rapaz estava mais ao menos ao meu lado.

Conversa puxa conversa e acabámos por fazer o trail juntos (foi o primeiro dele). O que me fascinou? Ter encontrado no monte mais alguém com uma enorme paixão pela corrida em estrada. E trata-se de alguém que já passou por grandes experiências em tão pouco tempo de modalidade. 

Tinha de o "trazer" para aqui. Foi algo tão óbvio para mim que nem hesitei na hora de lhe pedir uma entrevista, assim que cruzámos a meta no final desse trail...

Ficou a vontade de treinar com ele e de o reencontrar em provas.

Fiquem, pois, com o Bruno Silva:

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Nome:

Bruno Silva

Idade:

40 anos

Equipa:

ARCD Venda da Luísa 

Praticante de atletismo desde

2016

Modalidade atletismo preferida:

Prefiro claramente atletismo de estrada, sobretudo as meias maratonas.

 

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Prefere curtas ou longas distâncias:

Meias maratonas

Na atual equipa desde

2020

Volume de treinos por semana:

Costumo treinar entre 3 e 5 vezes por semana, dependendo se tenho provas ou não e se tenho algum objetivo específico para essa prova. Actualmente não tenho treinador.

A importância dos treinos:

Os treinos são importantes por uma série de fatores: para além da preparação física que te dá, fortalece-te também mentalmente, não só porque aprendes a sofrer, mas também porque quando acontece uma adversidade começas a encará-la com otimismo. O exemplo mais comum são as lesões. É difícil lidar com elas, sobretudo quando isso arrasa uma preparação de meses. Mas é com elas que evoluis e corriges erros. Aprendes também a conhecer-te, a conhecer melhor o teu corpo e a perceber onde estão os teus limites. O foco e a determinação nos treinos são fundamentais para que as provas te corram dentro do planeado.

Se tem ou não treinador:

Tive nos primeiros anos em que representei o Núcleo de atletismo de Vila Real, mas depois deixei de ter.

Diferenças entre o atletismo passado e o atual:

O atletismo na atualidade mudou para melhor. Hoje dispomos de melhores condições, melhor calçado,temos pistas onde treinar, temos caminhos marcados no monte, temos relógios que nos dão toda a informação não só do teu treino como do desempenho do teu corpo e do tempo que necessitas para recuperar, enfim, hoje dispomos de uma série de tecnologias e de profissionais ligados a está modalidade que há uns anos não existiam. Tudo isto tem a ver não só com a evolução normal da tecnologia mas também, e sobretudo, com o aumento do número de praticantes amadores. Mesmo da época em que comecei a correr para os dias de hoje se vêem cada vez mais atletas não só na estrada, mas sobretudo no monte. O trail a meu ver foi a modalidade que mais praticantes ganhou nestes anos mais próximos.

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Aventura marcante:

Várias foram as provas que me marcaram. A corrida da Hello porque foi a minha primeira prova oficial, as duas meias Maratona da Ria de Aveiro, porque numa me estreei na distância e na outra porque foi a primeira vez que baixei da marca psicológica de 1:30h na distância. Mas ficaram ainda na memória a Meia maratona de Guimarães, porque foi a prova onde passei pior e onde retirei grandes lições para o futuro, e a Meia Maratona de Viseu por ser a prova em que começando mal acabei por realizar a minha melhor marca na distância. Esta prova também me marcou por ter sido a última oficial que fiz nesta distância. Por fim, e ainda fresquinho na memória, o Trail do Sico deste ano, por ter sido o primeiro trail que realizei.

Objetivos pessoais futuros:

Para o futuro não há muito ainda em mente. Havia o objetivo de realizar a maratona aos 40 anos, por ser uma data emblemática, e como tal tinha idealizado uma prova emblemática, realizada num local emblemático, preferencialmente, Atenas. A pandemia e alguns problemas que vão surgindo nos joelhos adiaram ou hipotecaram essa hipótese (o futuro o dirá). Para já o futuro mais próximo passa pelas meias maratonas e quem sabe a realização de alguns trails mais longos. De uma coisa tenho a certeza, passe pelas provas que passar o objetivo será sempre o mesmo: desfrutar e divertir-me.

Como imagina o atletismo daqui a cinco anos?

Sinceramente é difícil perspetivar o atletismo a cinco anos, até porque o atletismo vive dos praticantes amadores, há poucos profissionais, não é uma modalidade que seja apoiada como outras modalidades e daí também o desaparecimento do nosso país nos lugares cimeiros do atletismo na Europa e no mundo. Sem investimento não poderemos ter atletas profissionais que se dediquem por inteiro e que representem o país dignamente. Assim sendo o atletismo vai sempre depender do número de praticantes amadores para sobreviver nos próximos anos e isso pode afetar a modalidade porque muitos atletas amadores acompanham as modas e podem deixar o atletismo. Quando comecei havia muitos atletas de estrada, hoje o trail está na moda, mas também muitos viraram para o ciclismo que é a moda mais recente. Aos poucos as pessoas podemvirar-se para outras modalidades e o atletismo cair no esquecimento. Isso será prejudicial para a modalidade porque pode colocar em causa a realização de provas que são importantes hoje em dia tambémpara a divulgação das regiões que acolhem essas provas e para a dinamização do comércio local.

Como se imagina no atletismo daqui a cinco anos?

Dentro de cinco anos espero sinceramente continuar a correr e ter mais alguns kms nas pernas (risos). Ter realizado provas mais longas quer de trail, quer de estrada. São o objetivo.

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

Inicialmente o Covid afetou a evolução de todos os atletas. Não se podia treinar, porque havia medo e depois não havia motivação, não só pela pandemia como pela inexistência de provas e se o atleta treina para descansar a mente, também gosta de ter no horizonte a sua prova (risos).

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Foto: primeira prova realizada pela ARCD Venda da Luísa

O que mudou nas provas com a pandemia?

Com a pandemia surgiram as provas virtuais. Foi uma forma de se conseguir ter algum foco nos treinos, embora nem de longe nem de perto seja a mesma coisa pois ninguém gosta de correr sozinho.

Essas mudanças são boas para a modalidade?

Com a pandemia surgiram medidas sanitárias mais apertadas e isso também é positivo para a modalidade. Sinceramente acho que esta pandemia fortaleceu ainda mais os atletas, tornou-os mais resilientes, como tal acho que a pandemia também trouxe algumas coisas boas para a modalidade.

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Foto: primeiro trail (Trail de Sicó)

 

11
Mar22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje venho dar-vos a conhecer mais uma atleta. Desta feita, mais uma conhecida, que, curiosidade das curiosidades, começou a correr na equipa ARCD Venda da Luísa no mesmo ano que eu, em 2018.

Outra curiosidade, em jeito de brincadeira, esta atleta está sempre barrada(s) (piada explicada no nome da colega). 

Tem sempre um ar bem disposto e procura espalhar animação e dar apoio nos vários eventos da equipa. Tudo isto bons ingredientes para querermos a ficar a saber mais sobre esta atleta, que alimenta o sonho de fazer uma maratona. Algo que deixa sempre muito satisfeito.

Fiquem, pois, com a Marisa Correia:

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Foto: Participação no competição distrital de veteranos 

Nome:

Elisabete Marisa Barradas Correia

Idade:
36 Anos

Equipa:
ARCD Venda da Luísa

Praticante de atletismo desde:

2018

Modalidade de atletismo preferida:
Trail

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Foto: Trail Meda de Mouros 2019, a primeira prova pela equipa

Prefere curtas ou longas distâncias:

Curtas distâncias

Na atual equipa desde

Dezembro de 2018

Volume de treinos por semana:

2 treinos de corrida intercalados com treinos no ginásio, mas sempre dependendo da minha disponibilidade pessoal e familiar.

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Foto: "As minhas filhotas, que passam horas  sem a minha companhia para eu poder treinar ou ir a provas. São o meu orgulho!!"

A importância dos treinos:
No meu caso, os treinos são importantíssimos. Quando, por algum motivo, não vou treinar ou treino menos, noto logo diminuição no desempenho e na resistência da corrida. Sendo, também importantes os treinos de ginásio para reforço muscular, de modo a prevenir eventuais lesões.

Se tem ou não treinador:

Não tenho treinador. Os meus treinadores são os/as colegas mais experientes que me dão conselhos e que “puxam” por mim nos treinos.

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Foto: Os animados convívios da equipa

Diferenças entre o atletismo passado e o atual:

Considero-me novata nisto do atletismo, por isso não posso me pronunciar sobre o passado. No entanto relativamente ao trail noto uma adesão cada vez maior.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas:

Em outubro do ano passado fui com uma amiga fazer a meia maratona em Lisboa e a certa altura no hotel onde ficámos toca o alarme de incêndio às 2 horas da manhã, um susto tremendo e, no dia seguinte, a minha amiga acordou com uma enorme dor de costas, quasen ão se mexia. Depois do susto e da dor de costas melhorar, a prova fez-se e correu muito bem. Mas em todas as provas acontece sempre alguma coisa que seja inesquecível, ou um “esbardalhanço”, ou alguém que se perde, ou alguma dor de barriga {risos}…

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Foto: Participação na Luso meia maratona 2021

Aventura marcante:

Participação na Luso meia maratona 2021, só eu e uma amiga, sozinhas em Lisboa, sem termos experiência em corrida de estrada, conseguimos fazer os 21 km (coisa que há uns anos era impensável para mim).

Participação em prova mais longa:

Sicó 2020 25 km

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 Foto: Trail do Infante 2019 com as culpadas de ter o "bichinho das corridas"

Objetivos pessoais futuros:

Conseguir fazer uma maratona

Como vê o atletismo daqui a 5 anos:

Espero que tenha uma evolução positiva e com cada vez mais jovens interessados nesta modalidade.

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Foto: Participação no competição distrital de veteranos 
Como se vê no atletismo daqui a 5 anos?

Espero ter muita forçinha nas pernas para correr e continuar a ser uma “laranjinha”.

Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?

É um desporto onde o sexo masculino é predominante mas, na minha opinião, é notório que cada vez mais mulheres participam em provas de corrida, tanto de estrada como de serra.

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Foto:  A primeira prova de trail, Castellum trail 2018

Existem diferenças de tratamento em relação aos homens:

Nunca me apercebi de tal diferença.

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

Inicialmente, com as inúmeras restrições era difícil treinar e em grupo quase que impensável o que provocou na altura alguma desmotivação.

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Foto: Sicó 25 km

O que mudou nas provas com a pandemia?

Foram implementadas novas regras, como a apresentação de certificado digital e limitação de participantes. Mas onde se nota mais essa mudança é nos convívios que existiam depois das provas, fazendo desaparecer um pouco do espírito que tanto caracteriza o trail.

Essas mudanças são boas para a modalidade?

Penso que não. Alguns atletas não participam em provas devido a tanta exigência, assim como as constantes alterações e cancelamento de provas têm prejudicado a modalidade.

21
Fev22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje temos na berlinda um antigo colega de equipa que sempre se pautou por grandes feitos. É das tais lebres de que falo tanta vez. O que não sabia era o tamanho do seu lado humano. E isso impressionou-me. Com a idade dele, não é um dado adquirido submeter-se a desafios em prol de causas humanitárias.

Ora leiam lá o que diz o André Monteiro e vejam se não tenho razão.

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Nome:

André Miguel Lameiro Monteiro

Idade:
29 Anos

Equipa:
VIKINGS TRAIL RUNNERS / CCR ALCABIDEQUE

Praticante de atletismo desde:

Pratiquei atletismo (Velocidade – 100m/200m) durante dois anos (2008/2009) na AAC, parei e voltei novamente na vertente “TRAIL” em 2015.

EGT - 49km (VENDA DA LUÍSA) - Subida para a Torre

Modalidade de atletismo preferida:
Entre Trail e Estrada, prefiro trail sem dúvida.

Prefere curtas ou longas distâncias:

Pergunta difícil, principalmente porque sempre tive melhores resultados em provas curtas, mas sem dúvida que as provas longas deixam sempre marcas e histórias para contar… por isso, acho que no geral prefiro as provas longas.
 

Na atual equipa desde a época 2019/2020.

Picos do Açor - VIKINGS TRAIL RUNNERS em um momen

Volume de treinos por semana:
Tenho semanas que nem treino, outras que treino 2 ou três vezes (Varia sempre muito).
Não sou uma pessoa que fica muito stressada com as questões de treinar a tempo e horas. Treino um pouco por sensações. Não sou um ATLETA, sou uma pessoa que gosta simplesmente de correr e desafiar-se.

Poiares Trail  - Numa época que só fazia provas

A importância dos treinos:
Obviamente que sem treino não conseguimos obter os ditos “grandes resultados” e eu contra mim falo. Poderia obter melhores resultados se treinasse de maneira correcta e com certos métodos. Treinar tanto o físico como o “mental” é importante no que toca a provas longas.

Diferenças entre o atletismo passado e o atual:
Existe bastantes diferenças, sem dúvida.
A escolha de material desportivo era menor no passado, a tecnologia no que toca a provas e ou treinos eram menor ou até nula (relógios para marcar tempos, por exemplo), menos provas para competir. Felizmente o desporto, neste caso o atletismo tem evoluído muito e acho que alguns atletas têm aproveitado bem essa evolução.

Prova Endurance na ilha do Faial juntamente com o

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas:
Histórias tenho sempre muitas no que toca a provas longas, a mais insólita talvez tenha sido na primeira edição do TransPeneda – Gerês 165km, no alto da serra amarela ao anoitecer um cavalo (Selvagem ou não, não consegui precisar), puxou com a boca o capuz do meu impermeável e ia caindo para trás… o atleta que vinha atrás foi cerca de 2/3 km a rir-se do momento :P

Aventura marcante:

A aventura mais marcante para mim foi o TRANSMONDEGO, um evento solidário que eu criei em 2021 com o objectivo de ajudar uma criança (O SORRISODOAFONSO), tendo começado na praia do relógio da Figueira da Foz e acabado no Mondeguinho – Serra da Estrela, o que fez de mim a primeira pessoa a fazer o percurso da Foz até a Nascente (do Rio Mondego) de forma seguida (sem ser por etapas), com passagem pela Serra da Lousã e pela Torre da Serra da Estrela, num total de 170km.

PT281+ Ultramarathon - A exigência dos desafios c

Participação em prova mais longa:
PT281+ Ultramarathon foi a prova mais longa que fiz até ao momento.

PT281+ Ultramarathon - Se não Conseguir correr ..


Objetivos pessoais futuros:
O meu futuro é um pouco incerto, porque para além de motivação, preciso de resolver algumas questões relativas a lesões que tenho tido recentemente. No entanto, se continuar espero criar alguns percursos desafiantes e “eventos” solidários, deixando um pouco as “competições de trail” para outras pessoas e ajudando quem realmente precisa.

PT281+ Ultramarathon - Sozinho com os pensamentos.

Como vê o atletismo daqui a 5 anos:
Espero ver um atletismo mais evoluído (se assim for possível) e sem casos caricatos de pessoas que tentam a todo custo ganhar (Doping). No geral espero que seja uma modalidade que tenha mais participantes e com mais apoios das equipas e outras entidades externas.


Como se vê no atletismo daqui a 5 anos?
Daqui a 5 anos? Eu gostava de dizer que estaria na mesma apaixonado pelas longas distâncias e que estaria a percorrer o país por esses trilhos, mas não sou pessoa de fazer grandes previsões. Vivo um dia de cada vez, cabeça no ar mas os pés bem assentes no chão.
No entanto, daqui a 5 anos espero continuar a dizer que ainda corro.

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Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

Para ser sincero, o COVID não afetou em nada a minha vida no que toca a treinar.
Antes da Covid já tinha deixado há muito o lado competitivo do trail.
Acho que a COVID afetou mais as pessoas que gostam de competir contra outras pessoas nas diversas provas que iam surgindo.

O que mudou nas provas com a pandemia?
Ora, infelizmente acho que esta é a pior parte.
Preços inscrições aumentaram, algumas organizações também se aproveitaram por haver poucas provas. Para ser sincero, poucas foram as provas que realizei “pós-pandemia”. Penso que houve maior cuidado ao escolher as provas e maior cuidado das organizações com os atletas.

Treino na Serra da Lousã - Porque nem tudo são p

04
Jan22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Ano novo, entrevista nova para deixar a malta com vontade de partilhar experiências no mundo da corrida.

Hoje trago-vos um rapaz que já conheço desde finais de 2017, quando me juntei à equipa onde ele estava, a Casa do Benfica de Condeixa. Entretanto, juntou-se à minha equipa.

Já nos conhecemos bem e já corremos muitas provas na mesma equipa. Tínhamos o ritual de tirar uma foto conjunta antes de cada prova. 

E este jovem, que me chegou a dar boleia para algumas provas, é um belo colega de equipa. Não se coíbe de chamar pelos colegas quando passa por eles ou quando estes seguem à sua frente. 

Sem me querer alongar muito, diria que ele tem uma enorme paixão pela corrida, que, entretanto, já tratou de passar para a filha.

Fiquem, pois, com o Tiago Pires.

Nome

Nuno Tiago Santos Pires

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Foto: início da história do Tiago nas corridas

Idade

37

Equipa

 ARCD Venda da Luísa Trail

Praticante de atletismo desde

Época 2015/2016     

   

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Fotos: as primeiras provas como individual                        

Modalidade de atletismo preferida

Gosto de correr mais em estrada, porque consigo mais facilmente manter o meu ritmo de corrida e fazer melhores tempos a nível pessoal. No entanto, nunca colocobprovas de Trail de parte, pois é nelas que se vive e se desfruta completamente da Mãe Natureza.

Prefere curtas ou longas distâncias

Curtas, sem dúvida nenhuma, mas gosto de grandes desafios.

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Foto: primeira prova na equipa Casa do Benfica de Condeixa

Na atual equipa desde 

Época 2020/2021

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Foto: início da época 20/21 na nova equipa, q ARCD Venda da Luísa

Volume de treinos por semana

Infelizmente não faço qualquer treino, durante a semana,  pois o tempo que existe é pouco ou nenhum devido à minha vida profissional e pessoal. No entanto, quando arranjo uma hora ou um tempinho livre, tento ir esticar um pouco as pernas.

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Foto: São Silvestre de Coimbra, com a melhor marca pessoal e com o apoio da sua maior fã.

Importância dos treinos

Sinto que me faz falta treinar, pois a importância que eles teriam para mim seria enorme, porque o meu rendimento, os meus tempos, os meus objetivos e, principalmente, a minha saúde iriam ser outros e também preveniria possíveis lesões. Resumindo: para praticar atletismo, é muito importante treinar.

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Fotos: regresso às provas no segundo pós-Covid e primeiras provas na nova equipa

Se tem ou não treinador

Não tenho, mas gostava de ter um preparador físico, que me ensinasse e me preparasse em condições.

Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Bem as diferenças são enormes do atletismo passado ao atual. No passado, as condições eram piores a todos os níveis. Por exemplo, queríamos adquirir equipamento pessoal e praticamente não havia grande escolha, queríamos ir participar na prova seguinte e não havia meios para ir, as pistas de atletismo eram de terra batida, os meios de combater lesões não eram os mesmos. Enfim, inúmeras situações que podia dar como exemplo, mas ainda bem que o atletismo tem evoluído a todos os níveis. Penso que tem tudo para evoluir ainda mais, pois os recursos para essa evolução estão mais próximos e acessíveis. Nós, como atletas que procuramos ser, temos de tentar acompanhar essa evolução, pois só vai trazer vantagens para a prática do atletismo.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Neste caso, tenho mesmo muito para dizer, ou melhor, tenho muitas histórias que posso relatar desde que me iniciei como praticante de atletismo em 2015. Histórias para rir,  para ficar de "boca aberta", enfim, de tudo mesmo.

Uma vez, ou melhor já me aconteceu várias vezes, deitei-me tarde no dia antes da prova e no dia seguinte adormeci. Quando acordei, arranjei-me à pressa e fui o mais rápido possível. Faço-o sempre que me acontece. Nessas situações, as provas correm-me bem a nível de tempos. Parece que é preciso adormecer para ir com a " Pica" toda para fazer boas provas.

Na minha 1 º participação na prova do CASTELLUM TRAIL, aconteceu-me uma história inédita e um pouco curiosa, pois pensei várias vezes em desistir quando estava na zona da partida. Isto porque chovia tanto, trovejava tanto, enfim, estava um tempo horrível, que ninguém queria apanhar, mas chegada a hora da partida, eu lá fui e cheguei ao fim, sem que nada me acontecesse, mas posso dizer que durante toda a prova tive medo de não ficar inteiro e de não alcançar a meta. Bem posso dizer que era o atleta mais "medroso "daquela prova (risos).

Enfim, tive provas em que a lama era tanta que me fartei de cair. Era cada queda que vários atletas que vinham atrás ficavam de boca aberta e perguntavam-me "Estás bem? Aleijaste-te?". Eu respondia simplesmente "Está tudo bem, não foi nada!!!" Mas lá no fundo estava cheio de dores e seguia em frente na prova, sem que nada fosse.

Bem, podia relatar muitas histórias , que já vivi durante as provas e treinos que fiz desde que pratico atletismo, mas há uma que me diz muito e essa vou contá-la , pois é a mais importante de cada prova em que participo. Essa história tem o nome de "Meta", o ultrapassar dela.

" Meta" para mim é uma palavra com tanto significado, palavra esta que se usa para dizer "Alcancei-a!!". É necessário batalhar muito, ter muita força, dedicação, empenho e coragem para ir em busca dela. Podemos estar mal, sem forças, sem nada, podemos pensar que já não há nada a fazer e o melhor é desistirmos, mas não... como se costuma dizer, "Há sempre uma luz ao fundo do túnel", uma força que vem de dentro de nós, uma energia que faz de nós seres-vivos bem vivos e prontos para o que nos aparecer a frente.

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Fotos: Campeonato Distrital de Atletismo em Pista em Coimbra

Aventura marcante

Bem neste ponto, não lhe vou chamar de "Aventura", mas sim o momento que me marcou mais desde que comecei a ser praticante de atletismo:                             

28-08-2021

Corrida 4 Estações Portugal - Soure

Após 15 meses sem fazer nenhuma prova de estrada devido à pandemia, finalmente chegava o desejoso dia de voltar a correr na estrada, dia este que eu ansiava há muito tempo e foi logo com um regresso muito especial que jamais vou esquecer. Foi uma prova emblemática para mim e, sem dúvida nenhuma, teve uma excelente organização, como sempre nos habituaram a ter.

Foi especial, só porque cheguei ao fim?! Não, foi especial porque, foi dia de estreia da minha Princesa, a minha Força, o meu Futuro, o meu TUDO fazer a sua primeira prova.

Não imaginam o orgulho que tive, o turbilhão de sentimentos que iam dentro de mim, o feliz que estava, não existem mesmo palavras para descrever o momento que estava a viver e a presencear.

A minha pimpolha adorou, ficou feliz e súper contente, mas nem tudo foram rosas, pois, no final da sua prova, virou-se para mim e disse "papá não me diverti muito, tu puxaste muito por mim". A mim, claro, só deu vontade de rir de felicidade e pensei: "Hoje fui eu a puxar por ti, amanhã serás tu a puxar por mim, quando o papá tiver uns aninhos valentes nestas pernas e se ainda andar nestas vidas". Resumindo: este dia para mim foi e será sempre o mais marcante nesta vida de atleta. 

Participação em prova mais longa

A prova mais longa, pelo número de quilómetros e pelo tempo que demorei desde que pratico atletismo, foi, sem dúvida alguma, a edição do "Coimbra Trail", no dia 29 de Setembro de 2019 , quando percorri 26 km em 5h14m, altura em que ainda representava a minha antiga equipa, a "Casa do Benfica de Condeixa".

Falando um pouco da minha prestação nesta prova, foi uma prova que me marcou bastante e que me fez pensar se realmente queria continuar ligado ao atletismo, isto porque tinha estado parado, sem qualquer prova durante alguns meses e já há algum tempo que queria participar no Coimbra Trail. Como tive oportunidade nesse ano, decidi participar e não pensei na minha preparação pessoal, mas, como gosto de grandes desafios, fui logo para a prova dos 26 km, não sabendo as dificuldades que iria encontrar, pensando eu que simplesmente iria desfrutar ao máximo da prova em si, mas não foi isso que aconteceu, pois nesse dia estava bastante calor. Fisicamente, estava sem ritmo nenhum, com peso a mais e sem qualquer preparação, pensei desistir por várias vezes, mas pensava sempre "se tu gostas de te superar, tens de ter forças para chegar à meta..." e continuei sempre, tendo conseguido chegar ao último abastecimento, sem forças nenhumas para concluir a prova. Pensei "é agora que vou desistir, não consigo mais continuar, não tenho condições de o fazer...". Mas não foi isso que fiz, aproveitei que estava no abastecimento e bebi bastante água, digeri alguns alimentos, descansei um pouco e decidi que não era ali o fim da minha participação, e continuei para a desejosa meta alcançar. Assim foi: passados alguns quilómetros e algum tempo, lá cheguei ao fim, com um tempo de prova bastante elevado (5h14m) para.omque tinha projetado, mas cheguei muito feliz porque tinha chegado ao fim como me tinha proposto inicialmente e mostrei a mim mesmo que, com garra e muita dedicação e uma força extra, nada é impossível de alcançar.

                                                   

Objetivos pessoais futuros

A nível de objetivos pessoais futuros, posso dizer que tenho bastantes: quero bater recordes pessoais nas provas que repetir e, a nível de competição, sem dúvida nenhuma, para mim o principal que quero alcançar este ano, ou melhor,  está época, é ficar nos três primeiros lugares do Circuito Distrital de Trail Running de Coimbra-Curto ou nos cinco primeiros, pois na época anterior obtive o 7.° lugar por ter falhado 2 provas do circuito devido à pandemia. Basicamente, quero afirmar-me no Campeonato Distrital de Trail Running.  

Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Com mais praticantes, com outras condições. Anível de competição, será mais elevada e, possivelmente, com mais apoio a nível de equipas e a nível pessoal. Resumindo: espero que não se pratique atletismo só por ser moda mas sim como exemplo a seguir e pelo bem que faz à nossa saúde.    

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Fotos: corrida 4 estações em Soure, em outubro de 2021, com a filha, que fez a sua primeira prova de corrida

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

 Muito sinceramente, não sei se estarei a praticar atletismo, daqui a 5 anos pois a saúde já não vai ser a mesma, as condições e os apoios mão poderão ser melhores. No fundo, é muito imprevisível dizer que estarei daqui a 5 anos a praticar atletismo, mas uma coisa tenho a certeza, não vou desistir assim do nada.

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta

O Covid, afetou-me bastante como atleta e a nível geral penso que afetou todos os atletas por esse mundo fora, pois deixaram de existir provas devido ao isolamento obrigatório, deixou-se de treinar, os cuidados com alimentação foram outros. A nível pessoal , eu usava certas provas como treinos e o ritmo/preparação era outro completamente diferente. Começar agora novamente foi como começar do zero.

O que mudou nas provas com a pandemia

Novas regras sanitárias, as condições foram para pior, os incentivos são poucos ou nenhuns, os preços das inscrições aumentaram bastante e as ofertas são nenhumas, enfim, acho que certas organizações vêm o atletismo como fundo de lucro e não como um bem para a prática de desporto.

Essas mudanças são boas para a modalidade?

Não, são péssimas, pois "estávamos" a ir no bom caminho e parece que tudo começou do zero.

27
Dez21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje dou-vos a conhecer mais um atleta.

Este vem do norte e é um homem que já trata as grandes distâncias da corrida por tu.

Conheço-o desde setembro de 2019, numa Eco meia maratona  de Coimbra.

Com a falta de vergonha do costume, fui pedir a alguns elementos da equipa do Boavista para tirarem uma foto comigo.

Este jovem fazia parte da mesma. Encontrei-o ao longe na maratona do ano de 2019.

Passei a admirá-lo pelo seu amor à corrida. Vejo nele a paixão do desporto que quero ter um dia, quando passar os 50 anos.

Tinha obrigatoriamente de ter o testemunho dele aqui.

Como faço com todos, pedi que me respondesse a umas questões. 

Em vez de o fazer de forma segmentada, este entrevistado criou um texto corrido onde se percebe claramente o lado humano a comandar o atleta.

Por isso mesmo, quero partilhar convosco o texto na sua versão natural, sem adaptações.

Fiquem, pois, com o estimado Baltazar Sousa.

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Pratico atletismo desde Julho de 1983. Atualmente, represento o SC Salgueiros como corredor e treinador. Não gosto de me intitular atleta para não desvirtuar a modalidade. Ser atleta é uma coisa, ser corredor é outra. Já fui atleta. 

A disciplina que desde jovem gostei mais foi o Corta Mato. Depois passei a gostar de correr maratonas. Em termos de espetáculo em campeonatos, gosto de ver a estafeta de 4 x 400 metros. 

Na minha idade (52 anos), a minha preferência é mesmo deteeminada pela força da circunstância (deixamos de ter fibras rápidas) as longas distâncias, mas adorava correr os 1500 m e os 3000 m em pista ao ar livre e pista coberta (mais até em pista coberta), também corri provas de 10.000 metros em pista e gostava. 

Sem contar com os momentos em que me encontro impossibilitado de treinar, em situação normal, ainda treino 7 dias por semana, num volume total entre os 90 a 120 km.

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Os treinos devem ser feitos regularmente, de forma planificada e supervisionada por um treinador. Só assim o praticante poderá ver a sua dedicação recompensada nos resultados nas provas, até mesmo na prevenção de lesões e da própria saúde, isto porque os dias de descanso também devem ser aplicados na planificação do treino. 

Não gosto muito de fazer comparações entre os atletas antigos ou o atletismo de antigamente e o de hoje. Entendo que nos devemos concentrar em ver o que se passa hoje, respeitar quem não viveu no passado e vive a sua própria história. As circunstâncias são diferentes, é certo. O atletismo, os atletas e treinadores de antigamente foram os pioneiros na conquista do impensável, foram os que desbravaram caminhos. 

Não devemos pensar que se ganha uma medalha olímpica ou se bate um record nacional a qualquer hora...

Uma história da minha vida um tanto ou quanto insólita, isto no conjunto de imensas histórias, foi a primeira maratona do Porto em outubro de 2004: passava eu aos 30 km, numa fase muito complicada, ia em 7.º lugar e era o primeiro português a passar, os africanos já tinham passado há uns bons minutos à minha frente (claro) a zona ribeirinha e, enquanto os pescadores pescavam de anzol e lesca,  escuto um deles a " incentivar-me". Diz ele: "olha, os africanos já passaram há meia hora, vai mas é ali à tasca comer uma posta de bacalhau e beber um copo!"

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Penso que o atletismo daqui a cinco anos estará muito melhor. Acredito que alguns jovens irão evoluir e até mesmo o pelotão irá melhorar em termos de performance, isto porque vejo muitos runners a procurarem apoio para treinarem melhor, como tem acontecido desde que o SC Salgueiros, pela mão do seu Presidente Gil Almeida, abriu portas a todos os amantes da modalidade, estando neste momento a acompanhar diariamente cerca de 60 corredores de estrada e mesmo de pista, com várias idades.

O prof. António Ascensão é o nosso diretor técnico, contando comigo e com o Manuel Azevedo no cumprimento das nossas tarefas e objetivos para o clube e, inerentemente, para a modalidade.

Já corri cerca de 160 meias maratonas e 25 maratonas, mas a minha prova mais longa foi esta última Maratona do Porto, realizada no dia 07/11. De facto, foi a mais longa, porque demorei 4:27.

Foram mais 2h07 do que a minha melhor marca. Corri de uma foma controlada, isto por estar a recuperar de uma lesão. Nunca até então corri quase a passo (em alguns momentos fui mesmo a passo, só queria sentir a alegria do que é a festa da chegada na minha Maratona de eleição - a do Porto). Aproveito desde já para felicitar a empresa organizadora do evento, a Runporto.

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Após este longo período de proibição de organização de provas, brindou os "seus" maratonistas de todo o mundo com este êxito, que já o é desde 2004. Cumpriram todas as restrições impostas pela DGS, que todos nós, os participantes, também cumprimos.

Não tive nem tenho problema algum em divulgar esta entidade, até porque fez de mim alguém mais resistente ou persistente.   

 

17
Dez21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Como em tudo, é preciso matéria-prima para criar conteúdo. É com enorme gosto que trago mais uma entrevista de uma atleta. 

Sim, hoje temos uma entrevista a uma mulher que dá cartas nisto a que chamamos de corrida. 

É curioso que a primeira impressão que tive dela era que se tratava de uma mulher dedicada, no caso, à corrida. À distância, vejo hoje que também é uma enorme apreciadora de desporto de um modo geral. Aliás, é talvez a primeira pessoa a vincar bem o peso do reforço muscular no processo evolutivo de um corredor. Revejo-me inteiramente nisso.

É de pessoas assim que vive este espaço. 

Olhemos, pois, para a entrevista da Célia Santos.

Nome

Célia Maria Figueiredo dos Santos

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Foto: trail dos Abutres, 50 km  

· Idade

46 anos

· Equipa

ARCD Venda da Luísa

· Praticante de atletismo desde

2015

· Modalidade de atletismo preferida

Trail

· Prefere curtas ou longas distâncias

Longas distâncias

· Na atual equipa desde

2016

· Volume de treinos por semana e importância dos treinos

A gestão dos treinos é de extrema importância. Não se trata apenas do volume de treino, mas também do tipo de treino e do respeito pelos períodos de descanso. Passando ainda pela alimentação. O treino tem que ser adaptado a cada individuo, às suas característica e objetivos. Não existem receitas milagrosas.

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Foto: 111 km no Trail de Sicó

· Se tem ou não treinador

Sem treinador oficial. Treinava com colegas, alguns deles com muitos anos de experiência na modalidade.

· Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Não me considero uma atleta no verdadeiro sentido da palavra e tão-pouco sou conhecedora profunda da modalidade. Mas, na minha opinião, houve uma grande evolução no mundo do trail. Desde a oferta e escolha do equipamento aos programas de treino consoante os objetivos de cada um e exigências de cada prova, isto em relação à parte técnica. Ainda há atletas sem planos de treino ou algum tipo de acompanhamento, mas a maioria já demonstra essa preocupação. 

Relativamente à parte relacional, acho que se tornou numa modalidade mais competitiva em geral. Obviamente cada atleta parte para a prova com os seus objetivos, sejam eles competitivos, lúdicos ou ambos, mas, nas ultimas provas que fiz, notei uma maior preocupação com os “tempos” e as classificações. A camaradagem é menos “calorosa”.

Por último, relativamente às organizações, acho que há uma maior preocupação quer com a satisfação quer com a segurança dos atletas. Como em tudo, há exceções…

· Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Casos insólitos, lembro-me de um, em que fui para uma prova e deixei o camelbak com todo o material obrigatório em casa. Só me apercebi quando lá cheguei. A solução foi passar no check-in com material de outro colega de equipa e depois fazer a prova sem nada e rezar para que tudo corresse bem. E correu!

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Foto: Louzantrail

· Aventura marcante

Aventura mais marcante foi sem dúvida a minha primeira ultra – 50km no Abutres. Foi épico! Foi a preparação para a minha primeira prova de 3 dígitos. Fiz a prova em grupo, o que foi uma mais-valia, pois era a primeira vez numa distância tão longa, num terreno difícil e no inverno. Posso dizer que foi um desafio superado e que ainda hoje tenho um especial orgulho e guardo com carinho a T-shirt daquela prova.   

· Participação em prova mais longa

A prova mais longa que fiz foi os 111km de Sicó. Fiz por 3 anos consecutivos, também esta em grupo e conseguimos todos os anos melhorar o tempo de prova.

Tudo começou com uma brincadeira, um desafio lançado entre colegas. No início, nem eu acreditava ser capaz. A verdade é que os treinos foram acontecendo, a vontade de conseguir foi aumentando e, no final, era um compromisso assumido e, pelo menos teria que tentar. 

No segundo e terceiro anos, a confiança já era outra, a preparação também, foi só rolar… um km de cada vez. Se tenho vontade de repetir? Nem por isso… já não há o efeito surpresa.

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Foto: Trail do Piódão

· Objetivos pessoais futuros

Estou há dois anos sem participar em provas. De momento, os meus objetivos não passam pelo atletismo. Passam, sim, por manter níveis de atividade física que me permitam ter um estilo de vida saudável.

Como complemento aos treinos de corrida, inscrevi-me num ginásio. Recomendo a todos os atletas que o façam, não só porque irão conseguir melhores resultados, mas também para prevenir lesões que possam advir de um treino excessivo e muitas vezes não acompanhado por profissionais. A meu ver, o reforço muscular, a correção postural, a gestão do esforço e o descanso são tão importantes como os treinos de corrida propriamente ditos.

Todos conhecemos alguém que, do nada, se lembrou de começar a correr. Muitas vezes, pessoas que nunca praticaram nenhum desporto até à data e, de um dia para o outro, compram umas sapatilhas e vão correr. Nada contra! É de louvar tal atitude e, como sempre ouvi dizer, mais vale tarde do que nunca.

O problema é quando este processo é feito de forma desregrada e sem consciência dos problemas que podem surgir.

Quem já passou por este processo, sabe o bom que é conseguirmos superar-nos treino após treino e cada vez temos mais sede de kms e de os fazer rápido. Mas para evitar dissabores, o corpo tem de estar preparado. Ossos, músculos, articulações, sistema cardiorrespiratório têm de estar preparados para dar uma resposta eficaz, sob pena de sofrerem lesões se assim não for. Daí a importância de complementar os treinos de corrida.

No fundo é esta a mensagem que eu gostaria de passar. Atletas, treinem bem, com consistência e consciência. Treinar não é só sair por aí a fazer kms. 

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Foto: Picos do Açor

· Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Não sei como vai estar o atletismo daqui a 5 anos, mas faço votos que seja praticado por atletas bem preparados, com boa perceção corporal e muito foco.

· Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?

Acho que já não há assim tão poucas mulheres no atletismo. Temos vindo a verificar um aumento no número de mulheres em provas, inclusivamente, nas longas distâncias.

Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Pessoalmente nunca senti diferença de tratamento por ser mulher.

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Foto: Estrela Grande Trail

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

A Covid veio alterar muitas das nossas rotinas, uma delas era treinar em grupo. Onde mais me senti afetada foi com o encerramento dos ginásios. Tive de me adaptar, comprei material e treinei em casa, através das aulas virtuais que o ginásio nos proporcionava e também com programas de treino que procurei na Internet. Não era a mesma coisa, mas foi o possível. Parar não era opção.

O que mudou nas provas com a pandemia? Essas mudanças são boas para a modalidade?

Não sei responder às últimas questões pois não participei em nenhuma prova pós-pandemia.

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Foto: Complemento aos treinos de corrida 

Em jeito de conclusão, gostaria de passar a seguinte mensagem:

“É importante fazer algo que se gosta, mas é importante fazê-lo bem. “

07
Set21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Novo mês, nova entrevista.

Desta feita, uma mulher. A verdade é que são cada vez mais as mulheres a participar em provas de corrida.

Hoje trago uma mulher da ARCD Da Luísa. Mas não é uma mulher qualquer. Tem fibra. E garra. De fora, a sensação que dá é que semana após semana está a subir aos pódios. Mesmo tendo sido "abalroada" por uma lesão durante cinco meses.

Além da participação em muitas provas, tem outro traço marcadamente distintivo em relação a todos os outros atletas: não há corrida que faça sem a companhia da sua cadela, a sua Princesa, como lhe chama. É ainda a sua melhor amiga e tem um canal próprio de Instagram,  "Princesa do Sicó".

Fiquem, pois, com as respostas da Andreia Pita às minhas questões.

Nome
 
Andreia Pita
 
· Idade
 
41
 

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Foto: UTG Gardunha, os primeiros 25 km

· Equipa
 
ARCD VENDA DA LUÍSA
 
· Praticante de atletismo desde
 
Outubro 2019.
Sempre gostei de praticar desporto, em miúda, saltava ao elástico, jogava à apanhada, polícias e ladrões, eixo, "pónei catrapónei", gostava imenso de andar "uma volta" de bicicleta, mas o meu passatempo preferido era subir e descer o rio dos Mouros, pedra sobre pedra! 
 
Na adolescência, praticava karaté, fui federada em futebol 5 e adorava ginástica acrobática, pinos e pontes, salto mortal e cambalhotas!
Gostava de todos os desportos mas correr é que não!
Lembro-me que quando, em Educação Física, o professor mandava correr 15 ou 20 minutos para aquecimento, eu passava o tempo todo a apertar os ténis!
 
Em adulta comecei a frequentar o ginásio, nunca corri! 
 
· Modalidade de atletismo preferida
 
Trail Running
 

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Foto: trail Estrela Açor

· Prefere curtas ou longas distâncias
 
Médias (risos)
 
· Na atual equipa desde
 
Acho que meados de  2019, mas, como me inscrevi a meio da época, não fiquei atleta federada.
 
· Volume de treinos por semana
 
5, 6 ou 7...depende, se tenho provas, da vontade e da disponibilidade horária, se bem que mesmo com pouca disponibilidade horária acabo sempre por arranjar tempo para treinar. O importante é ter foco e vontade de evoluir. 
Os treinos além de nos fazerem evoluir, também nos proporcionam momentos de socialização, sim, porque, tento sempre correr em grupo! 
Não gosto de treinar sozinha! 
 
· Importância dos treinos
 
Sem dúvida que são muito importantes, nada se consegue sem empenho, dedicação e objetivos. 
Aprendi que o treino orientado nos faz evoluir e, sem dúvida, evita lesões.

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Foto: trail de Sicó 2019

 
· Se tem ou não treinador
 
Sim tenho, Raquel Carmo, a minha "Princesa" e o Tito! 
Como havia referido, comecei a correr muito recentemente, talvez em setembro ou outubro de 2018.
Fiz o meu primeiro trail em fevereiro de 2019, "Poiares 19 km".
Depois desse nunca mais parei:
Sicó 15 km
Piódão 12 km - primeiro pódio 2.a na geral feminina
Milagres 15 km
Pereira 15 km
Infante 17 km
Requeijão 15 km  no dia dos meus anos (13 de abril) - andei à procura de um trail para este dia e fiz o 2.° pódio
Azenhas 21 km
UTG (Gardunha) - foi o meu primeiro com a distância de 25 km, adorei! 
Castellum trail 25 km
Estrela Grande Trail 15 km (pódio)
Estrela Açor 22 km
4 estações venda da Luísa 13 km
Chicharro 12 km
Ladeia 28 km, que na verdade foram 30,800 km  (ficou perplexa) - foi a distância mais longa que fiz, estava fartinha de subir tanto monte: Germanelo, Jurumelo, credo! Foi uma prova muito difícil para mim e marcante, porque foi a última antes de me lesionar (revelou desalento) mas fiz pódio.
Em novembro de 2019, lesionei-me no trail "Caminhos do Diabo". Fiz uma contusão óssea no fémur. Estive parada 5 meses.
Esta lesão foi o caos para mim!
Depois de ter descoberto uma modalidade fantástica, o "Trail", depois de finalmente perceber que gostava de correr, tive de parar.
Não foi nada fácil, andei um mês de muletas, quatro meses a mancar. Após cinco meses de convalescença, entre médicos e fisioterapeutas, ressonâncias, medicamentos, infiltração, recuperei.
Em abril, comecei a pouco e pouco a treinar em casa, acompanhada online pela minha PT Raquel Carmo.
Fazia treino funcional, caminhadas, bicicleta e aos poucos comecei a correr.
Percebi que o treino deve ser acompanhado e orientado! Não pode ser só correr, temos de fazer Reforço muscular, Mobilidade, Core, Isometria par evitar lesões.
Desde essa altura que tenho PT e sem dúvida que evoluí. 
 

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Foto: trail de Ladeia, o mais longo até ao momento

 
· Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual
 
Não sei bem. Nunca tinha praticado esta modalidade, no entanto, acho que evoluiu bastante!  Ultimamente só se veem pessoas a correr, acho que está na moda! Também pode ser pela sensação de liberdade, sair para a rua e correr é uma sensação fantástica que só quem pratica percebe! Tantos meses em confinamento deu ainda mais vontade de ir para a rua correr!
 
· Histórias insólitas, curiosas ou inéditas
 
Quando fiz o meu primeiro pódio (risos)'
estava a chegar à meta e o speaker Hugo Águas começou a gritar "e aí vem a segunda mulher, aí vem ela" eu comecei a olhar para trás a tentar ver a mulher e não vi ninguém! Quando cheguei à meta, a mulher era eu. (risos)
 

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Foto: trail Oh Meu Deus 2021
 
· Aventura marcante
 
Sem dúvida o UTG Gardunha. Foram os meus primeiros 25 km, rodeada de uma paisagem fantástica, entre montes e cascatas, trepámos tanto (risos), andámos praticamente sempre de gatas! Nunca vou esquecer que encontrei um atleta sentado numa grande pedra a comer massa. (risos)
 
· Participação em prova mais longa
 
Ladeia 30,800 km 
 
· Objetivos pessoais futuros
 
Continuar a evoluir, em segurança, sem lesões e principalmente divertir-me, usufruir das paisagens maravilhosas que só o Trail proporciona! 
 
· Como vê o atletismo daqui a 5 anos
 
Se até aqui tem evoluído, acho que, a avaliar pela quantidade de atletas,  daqui a 5 anos irá ser reconhecido e quiçá até passará a estar nas olimpíadas!
 
· Como se vê no atletismo daqui a 5 anos
 
Vejo-me com 46 anos (perplexidade e incredulidade), mais experiente e quem sabe a fazer ultramaratonas.
Um ano de cada vez! 
Este ano estou a fazer o Campeonato Longo da ADAC e ATRP! 
 

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Foto: trail Encostas do Mondego 2021
 
· Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?
 
Na verdade, existem mais homens que mulheres a fazer Trail, no entanto, cada vez há mais adeptas femininas! Este ano, tenho visto muitas mulheres em provas e tende a aumentar! 
Quanto às longas distâncias, o homem sempre foi mais aventureiro, no entanto, há cada vez mais mulheres a superarem-se e a praticarem longas distâncias! Na equipa, temos várias guerreiras de longas distâncias.
 
· Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?
 
Não vejo qualquer diferença! Não temos vantagens, nem privilégios!
Somos todos iguais e tratados como tal! 
 
. O que mudou com a pandemia?
 
Começaram mais atletas a correr, já que era a única hipótese de saírem de casa sem ser multados! 
Quanto às provas, temos de assinar um termo de responsabilidade em como não temos Covid e não começamos todos ao mesmo tempo!  Somos distribuídos em boxes de 10 pessoas e de 2 em 2 minutos! 
 
. Já participou em provas reais desde a pandemia?
 
Se já! 
Estava ansiosa por voltar aos trilhos! 
Depois da lesão, veio o confinamento e o cancelamento das provas.
Participei logo na primeira!
No VII Trilho de S. Tomé! 
 
24
Ago21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Trago-vos uma novidade nesta rubrica: um atleta que vale por três. E por que digo isso? Porque se trata de um triatleta. Pela paixão que tem pelo desporto e pelo "currículo" desportivo, este homem é um autêntico "faz-tudo". Pela dureza e pela especificidade técnica, o triatlo fascina-me (quem sabe, um dia?!).

Sem mais demoras, apresento-vos o Fernando Martins, que ainda não conheci pessoalmente, mas por quem já nutro uma grande simpatia. 

E, uma vez mais, a idade é apenas um número. 

O significado e o peso são dados por cada um de nós.

Fiquem, pois, com a entrevista ao Fernando Martins:

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Nome

Fernando Martins

Idade

63 anos

Equipa

ARDC Venda da Luísa, Cães de Caça BTT

 

Modalidade

Pratico regularmente ciclismo nas modalidades de BTT e de estrada. Ocasionalmente faço natação para tentar fazer alguma atividade física durante a semana. 

Há quantos anos pratica a modalidade? Sempre mantive uma atividade física regular. A modalidade foi-se ajustando aos meus imperativos profissionais ou geográficos. Durante a Faculdade joguei rugby na AAC e no Rugby Club de Coimbra. A corrida foi sempre uma atividade alternativa quando não podia fazer mais nada. Pratiquei Judo no ACM tendo conquistado um título nacional de veteranos. Quando estive a residir na ilha da Reunião comecei a correr pelas colinas acompanhando o desporto nacional que é o Trail. Foi lá que participei no meu primeiro Trail e participei em duas provas da Mascareignes (uma das provas da Diagonale de Fous) e na Zembrocal, provas de 67 km. Na ilha deslocava-me frequentemente para o trabalho de bicicleta, aproveitando o sol que nascia pelas 5:30 da manhã e se escondia por volta das 18 horas.

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Porquê o triatlo?

Quando regressei a Portugal (finais de 2017) a minha atividade profissional condicionou a minha disponibilidade para treinar regularmente. A alternativa foi começar a natação à hora de almoço pelo menos duas vezes por semana n(em sempre possíveis). Foi nesse momento que surgiu o desafio do Triatlo tendo conseguido fazer o meu primeiro Triatlo em 2019, na distância olímpica na Pampilhosa da Serra.

Qual a vantagem de juntar as três modalidades?

Esta modalidade ganha vantagens com o envelhecimento. Permite-nos trabalhar muito em endurance, para provas longas, fazer treinos de intensidades elevadas sem sobrecarregar as articulações, graças à natação e à bicicleta.

Como se treina na generalidade e na especialidade?

Eu treino como posso, em função do tempo disponível e das ocasiões. A gestão da atividade profissional e da vida familiar são importantes para manter o equilíbrio físico e emocional.

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Como se combina tudo para funcionar bem?

Não é fácil, com as deslocações para o trabalho, o trabalho, a família, os amigos e o cansaço.

 

Tem treinador?

Não tenho treinador porque o meu estilo de vida não me permite assumir compromissos de treino. Sem assumir compromissos, não vale a pena ter treinador. Penso nisso muita vez, mas resisto a assumir mais um compromisso.

Modalidade em que é melhor e modalidade em que não é tão bom?

A natação é para mim a parte mais difícil. Aprendi a nadar sozinho, melhorei um pouco a técnica com a ajuda de livros específicos, mas nunca tive nenhum monitor que corrigisse a minha frágil técnica. Também só comecei o ciclismo há 10 anos e fui aprendendo lentamente que a pedalagem também tem segredos e também se aprende. Do BTT à estrada foi um percurso que fiz com o prazer do esforço e da aprendizagem. Na corrida deixei de dar importância à velocidade a favor da endurance, fugi do asfalto e fui para a terra a fim de reduzir o impacto articular. Não sou muito bom em nenhuma, tenho prazer em todas, mesmo no castigo que é para mim a natação.

Existem muitas provas de triatlo em Portugal?

A federação de Triatlo tem um circuito bem organizado e intenso e há também um calendário de Triatlo Norte que organiza um circuito que se interliga com o da FPT.

E equipas?

Pouco sei sobre as equipas existentes. Pratico individualmente.

Como se escolhem as provas de treino (intermédias) para os grandes desafios?

A idade facilita-me as escolhas. A idade traz compromissos ligados à atividade profissional que condicionam o tempo livre; mas o maior condicionante à participação em provas é a necessidade de permitir ao corpo a recuperação após esforços. O tempo para recuperar é a minha maior condicionante, uma vez que com o avançar da idade o organismo necessita de mais tempo para recuperação.

Obstáculos colocados pela Covid-19

 Como estamos a falar de modalidades que podem ser treinadas individualmente, só me faltou a companhia regular para ter motivação para treinar. A ausência de objetivos competitivos levou-me a relaxar o treino. O fecho das piscinas levou-me a interromper os treinos respetivos e de melhorar a técnica. 

Objetivos - Como se vê no desporto daqui a 5 anos?

Não imagino a minha vida sem uma atividade desportiva e sem uma meta competitiva. Não sei por quanto tempo o meu físico vai aguentar a carga mecânica desta modalidade, mas espero andar por aqui mais alguns anos.

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14
Ago21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje trago-vos uma entrevista especial. Trata-se da Isabel e é minha colega de equipa. No passado, já treinei duas vezes com ela, mas foi a sua simpatia que foi perdurando.

Conheci a Isabel como uma atleta no início, com alguns medos normais e com dúvidas em relação à sua capacidade. 

O tempo passou e a mulher virou "bicho do mato" e não há pai para ela. Corre grandes distâncias, procura fazer trails diferentes e desafiantes e já se aventurou nas meias maratonas. 

Acho que, por vezes, nem se apercebe, mas tem uma garra. 

Ah, e muito importante: é diabética. Traz-nos aqui o lado mais duro de quem tem este problema e corre e se adapta às situações. 

Vão adorar conhecê-la.

Fiquem, pois, com a Isabel Madeira'

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EPIC Trail Run Azores em 2019

Nome

Isabel Madeira

Idade

51 anos

Equipa

ARCD Venda da Luísa

Praticante de atletismo desde

Setembro de 2018

Modalidade de atletismo preferida

 Adoro Trail

Distância preferida

Entre 20 a 35 Km 

Na atual equipa desde

Dezembro de 2018

Volume de treinos por semana:

3 (2 em estrada e 1 na serra, só corrida)

Importância dos treinos

Os treinos são de facto muito importantes na prática de qualquer atividade desportiva, e no trail running não é diferente. O treino adequado pode evitar algumas lesões e melhorar o desempenho do atleta. Como exemplo da diminuição ou quase ausência de treinos, devido à proibição de circulação entre concelhos, não foi possível treinar na serra dorante quase 5 meses, e, como resultado desta privação, deparei-me com muitas dificuldades durante a minha primeira prova deste ano, nomeadamente, com muitas cãibras e dificuldades na respiração. Acabei por desistir da prova e, mesmo assim, ganhei um grande empeno.  

Tem ou não treinador

 Não tenho treinador.

Diferenças existentes entre o atletismo passado e o atual

O que me tenho apercebido é que o atletismo está na moda e a pandemia do Covid 19 veio contribuir para o aumento de pessoas a correr pelas cidades.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

 A minha primeira prova em competição foi uma prova de 10 km em estrada. A partir dos 7 km comecei a sentir uma fraqueza enorme, tonturas, fadiga muscular, com a visão turva e quase sem forças para terminar a prova. Quando cheguei à meta, senti-me quase a desmaiar e deitei-me imediatamente no chão. De seguida, no abastecimento, comecei a comer e não conseguia parar de ingerir sólidos. Como sou diabética, só mais tarde é que me apercebi que os níveis de açucar no sangue desceram imenso e, provavelmente, fiz uma hipoglicémia. Com esta experiência, aprendi que a hidratação e a nutrição são fundamentais no desempenho da corrida.

Aventura Marcante

A prova que mais me marcou pela positiva foi o EPIC Trail Run Azores, em dezembro de 2019, com cenários fantásticos, belíssimas paisagens e percursos verdejantes.

Participação em prova mais longa

Em fevereiro de 2020, Trail de Conímbriga Terras de Sicó – 57 Km. Realizei a prova com um colega de equipa que me deu um grande apoio, caso contrário, julgo que não conseguiria terminar a prova.

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Penacova Trail do Centro – 2020

Objetivos pessoais futuros

O meu objetivo é continuar a correr em trilhos, zonas montanhosas durante mais alguns anos, e, para isso, decidi incluir treinos em ginásio para a realização do reforço muscular. Pretendo continuar a correr por três motivos: primeiro, quando corro na serra estou a usufruir das paisagens maravilhosas que a natureza nos proporciona, depois por questões de saúde e, por último, pelo desafio, uma vez que procuro sempre superar as minhas dificuldades, que são algumas. Em 2022, gostava de fazer uma maratona, a do Porto. 

 Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Como o atletismo está em progressão, espero que haja mais mulheres a correr, sejam elas jovens ou menos jovens.

Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias.

De facto ainda se verifica uma discrepância entre géneros na prática de atletismo, mas julgo que essa diferença tem vindo a diminuir, principalmente, devido à mudança de mentalidades que está a permitir que as mulheres se expressem e se sintam mais seguras a defender os seus direitos. Pois, cada vez mais, se vê mulheres a participar em provas, sejam elas competitivas ou de caráter lúdico, social e solidário. Na minha opinião, a grande maioria das mulheres dá primazia à vertente lúdica e tende a ver o desporto como forma de se manter ativa e em forma no seu dia-a-dia, pelo que as provas de curta e média distância satisfazem os seus objetivos. 

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Piódão Trail Running – 2020

Existem diferenças de tratamento em relação aos homens.

Sim, sobretudo quando se trata de atribuição de prémios monetários, que normalmente são criados para o sexo masculino. 

O que mudou com a pandemia? 

Relativamente à minha condição física, senti alguma quebra em virtude da diminuição de treinos na serra, na sequência da proibição de circulação entre concelhos que ocorreu durante 13 fins de semana consecutivos. 

No que diz respeito às provas, mudou muita coisa, principalmente, a organização dos eventos, a implementação de todas as regras de segurança antes, durante e após a prova, as partidas que passaram a ser faseadas, por isso, o momento da partida, deixou de ser aquele momento em que sentimos um nervosismo ou “um nó no estômago”.

De uma forma geral, acho que a pandemia de Covid 19 fez com que muitas pessoas sentissem vontade de ir para a rua, quer para caminhar, correr ou andar de bicicleta. As pessoas começaram a usufruir dos parques, jardins e ciclovias da cidade, porque passaram a valorizar as pequenas coisas da vida assim como a natureza.

 

Já participou em provas reais desde a pandemia?

Sim, em outubro de 2020, participei em três provas: Piódão Trail Running, Penacova Trail do Centro (prova para o campeonato nacional de trail que só foi possível participar porque estava apurada no ranking do escalão F50 na ATRP) e Trail de Fátima. 

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Trail de Fátima – 2020

Durante o corrente ano já participei em 4 provas. A minha primeira prova foi em abril, na Batalha, designada por “Os Trilhos do Pastor”, prova também para o campeonato nacional de trail, a qual não terminei devido a ter tido demasiadas cãibras. Participei ainda nas seguintes provas: Trilhos Luso Bussaco, na qual fiz um entorse no tornozelo, que me obrigou a uma paragem de 3 semanas; Trail de Conímbriga Terras de Sicó e no trail Oh! Meu Deus Ultra Trail Serra da Estrela.

O que vai mudar em termos de provas no futuro

Na minha opinião, o que poderá mudar tem sobretudo a ver com a organização dos eventos, com a manutenção das regras de segurança resultantes da pandemia. Pois, acho que existem regras que vieram para ficar. 

24
Jul21

1, 2, 3, uma entrevista diferente desta vez


João Silva

Como disse na última entrevista, o Carlos Canais está em toda a parte. O homem não pára: ele corre, ele trabalha, ele tem família. Ele tem uma função importantíssima para unir a equipa. Ele é o mestre por detrás de toda a burocracia associada à gestão da equipa.

Pelo fascínio que isso desperta em mim, tinha mesmo de ir para o lado administrativo da corrida para perceber os meandros do ramo. Cansa só de saber o que é preciso fazer para tratar de inscrições, de papelada, de participações, de treinos gerais e para ainda ter força para correr. 

Bem, o melhor é mesmo verem o que o Carlos Canais tem para nos dizer a esse respeito:

· Ligação ao atletismo desde

1986 até 1988, no Clube de Condeixa, mas com um grande interregno que terminou em 2012 quando foi retomada a ligação à modalidade na ARCD Venda da Luísa… até hoje!

Pódio 110m barr. Campeonato Nacional INATEL, Port

Foto: pódio 110 m barreiras no Campeonato Nacional INATEL, Porto, 1987

· Funções atuais principais na equipa

Neste momento, aquilo a que se pode chamar um colaborador da Direção.

Pódio 400m barr. Campeonato Nacional INATEL, Port

Foto: pódio 400 m barreiras no Campeonato Nacional INATEL, Porto, 1987

· Abrangência e implicação das funções

Como em todas as coisas em que me meto, faço-o por gosto, mas exigindo bastante de mim próprio. Sou o responsável pela ligação da Direção aos restantes elementos da equipa, e sou o responsável pela inscrição dos elementos da equipa nas provas, fazendo a ponte entre a equipa e as organizações.

· Porquê esta equipa 

Porque sou sócio (n.º 4) desde a fundação da Associação e sou dos elementos fundadores da equipa de atletismo, para além do facto de ter residido na Venda da Luísa durante muitos anos.

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Foto: com a esposa no Trail de S. Martinho (Ega), 2018

· Maior dificuldade na gestão das atividades/provas

 Atualmente está a ser a pandemia. Neste contexto de COVID que todos vivemos está a ser demasiado difícil gerir expectativas e manter o interesse dos elementos da equipa na competição. Mesmo que para se fazer parte da equipa esta época ninguém tenha tido a obrigação de se comprometer com nada, tem havido um número muito grande de atletas que não competiram desde o início da pandemia. Como é lógico, compreendemos, e nunca houve qualquer pressão para o fazerem. Antes da pandemia, a maior dificuldade era obter dos atletas (mais de 100) respostas atempadas às perguntas que se fazem: se pretendem participar em determinada prova, se querem estar presentes num jantar ou convívio, se querem adquirir determinada peça do equipamento, etc… as respostas surgem sempre lentamente e tiradas a ferros. Obviamente que depois dos prazos terminarem há sempre alguém que afinal queria ter-se inscrito ou queria ter adquirido aquela peça de equipamento. Às vezes é possível remediar a situação, outras nem por isso.

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Foto: 111 km do Trail de Sicó - Maio de 2021

· Motivos de orgulho a nível diretivo

 Pertencer a uma organização que tem as contas em dia e que, mesmo não procurando por novos atletas, eles venham à nossa procura, por indicação de amigos ou familiares que já estão na equipa. Esse é o maior orgulho. Também o cuidado que temos na comunicação com os atletas. É fundamental que os atletas saibam que alguém está atento por eles a pormenores competitivos, a prazos e a preços mais baixos. Apesar de nos orgulharmos de ter todos os atletas que temos, sentimos um orgulho especial por aqueles que podiam obter melhores condições económicas noutras equipas, e preferem estar connosco porque se sentem bem tratados, bem acolhidos e porque sabem que nos preocupamos com o seu bem-estar. O simples facto de gastarmos grande parte dos apoios que temos no pagamento de clínica de fisioterapia para tratamento gratuito de lesões que eventualmente possam vir a sofrer, é algo diferenciador que nos orgulhamos de fazer. 

Trail Conimbriga Terras de Sicó - Fevereiro 2012.

Foto: Trail Conimbriga Terras de Sicó - Fevereiro 2012

· Maior envolvência e empenho em ter mais mulheres ou isso é irrelevante?

 Dá-nos um orgulho muito grande em ter no seio da equipa um tão grande número de mulheres, mais de um terço da totalidade dos membros atuais, mas não nos temos empenhado particularmente nesse aspeto. Mais do que isso, orgulha-nos ter mais de 70% da equipa no escalão de veteranos. Ao contrário dos jovens que têm muitas alternativas para praticarem desporto, provavelmente sem a existência da equipa, grande parte destes veteranos (maiores de 35 anos de idade) fariam parte do grande número de sedentários do nosso país.

· Momentos difíceis como gerente

Esta pandemia tem sido muito difícil de gerir. De resto, apenas um momento ou outro de maior aperto de tesouraria que, felizmente, têm sido raros. Apesar de não ser dirigente, partilho com eles essas dificuldades…

· Momentos positivos marcantes

 A fundação da equipa com 5 atletas da terra, a que se juntaram num abrir e fechar de olhos outros tantos ainda no primeiro ano de vida foi um momento marcante. Também foram marcantes os primeiros pódios, os primeiros títulos e os primeiros prémios. O atingir do centésimo atleta também foi marcante, bem como o baixo número de saídas de ex-elementos para outras equipas: dois! Julgamos que atesta o quanto os atletas aqui se sentem bem.

Treino de equipa janeiro de 2020.jpg

Foto: Treino de equipa - Janeiro de 2020

· Realidade de apoios/subsistência de clubes mais pequenos 

Os apoios que temos não são muitos, mas são bons. O apoio da Câmara Municipal é fundamental para a nossa equipa, bem como para a grande maioria das equipas do nosso concelho. Sem ele não poderíamos oferecer o pouco que oferecemos. Depois o apoio de outro grande amigo do Desporto na nossa região, o Intermarché de Condeixa. São estes os dois únicos patrocinadores que temos nas nossas camisolas. Apesar dos atletas poderem obter patrocínios para si, não tem sido habitual fazerem-no. Temos ainda o apoio das duas freguesias a que a Venda da Luísa pertence. Temos essa sorte (de pertencer a duas freguesias, Sebal e Anobra) uma vez que a divisão das freguesias passa a meio da aldeia e a sua ajuda, apesar de modesta, também é bem-vinda. Julgamos que tal como nós, a grande maioria dos pequenos clubes subsiste desta forma: apoios das Câmaras e das Juntas e de um ou outro patrocinador que oferece pequenas quantias. Nós optámos por ter, para além da Câmara, apenas um patrocinador, e termos a camisola de prova sem os inúmeros pequenos patrocínios que outras equipas têm. Felizmente fazemo-lo porque conseguimos, mas a realidade mais frequente é aquela referida antes. São poucas as equipas que podem suportar as filiações, pagamentos de seguros, inscrições nas provas e equipamentos para todos os atletas. E às vezes ainda pagam prémios. A maioria penso ser como nós: pagam as filiações e os seguros, parte dos equipamentos (no nosso caso para criar um compromisso com a equipa não oferecemos a totalidade do valor do equipamento) e uma inscrição ou outra para provas. Raras são as equipas que oferecem os tratamentos médicos aos seus atletas, como nós fazemos. Mas apesar deste cenário, há alguns anos atrás os apoios ainda eram menos, principalmente autárquicos.

 Projetos futuros

Eventualmente poderá surgir uma equipa de BTT, uma vez que muitos dos nossos atletas praticam também esta modalidade. Mas ainda nada está decidido.

Trilhos dos Abutres - Janeiro de 2017 - 1ª Ultra.

Foto: Trilhos dos Abutres - Janeiro de 2017 - 1.ª Ultra

· Objetivos da equipa

Manter a equipa com este espirito e tentar manter as condições que oferecemos aos nossos atletas. Tudo o que vier por acréscimo será bem-vindo!

Tail Piódão - abril de 2019.JPG

Foto: Trail de Piódão - Abril de 2019

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