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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

12
Dez19

Um carro no meio do milho


João Silva

Em mais uma peripécia ocorrida em provas, venho contar uma história insólita e à qual não achei muita piada no momento.

Já no regresso à linha da meta pelos milheirais que envolvem o Choupal em Coimbra, começo a ouvir um carro a aproximar-se.

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Nem queria acreditar. Com tanta gente naquela zona, fossem atletas ou caminheiros, como foi possível deixar um carro atravessar aquela via, levantando tanto pó que mal conseguíamos respirar em condições.

É tão insólito que custa a acreditar que tenha acontecido.

Quando o dito passou por mim, vi algumas pessoas dentro dele com camisola de prova. Não sei se se sentiram mal e estavam a ser "rebocados". Sei, por outro lado, que aquela poeira em simbiose com o muito calor que se fez sentir foram muito prejudiciais.

E convosco também já aconteceu algo assim tão caricato?

12
Set19

O Choupal ficou cheio de cor - momentos fotográficos


João Silva

Eu bem disse que ia à procura de bons momentos. No "saco" trouxe também um excelente resultado, mas o dia do passado domingo foi mesmo impagável pela quantidade de boas pessoas que revi.

Senti mesmo que, da outra parte, também houve muita gente a gostar de me ver. Aqueles olhares condescentes, afirmativos e sorridentes não enganam ninguém. Estamos mesmo "entre família". 

Claro que foi fantástico estar com todos os meus colegas de equipa ARCD Venda da Luísa, sendo que aqui vou destacar alguns por motivos específicos: o Artur pela sua boa disposição, o João por me parecer uma espécie de meu "camarada 'fanático' do ciclismo", o André por ter treinado comigo e por ter feito a sua primeira meia maratona, o José pela pessoa que é e pela sua história, o Nélson e a Sara tipos porreiraços e por serem camaradas com quem vou correr a maratona do Porto. Uma "menção honrosa" para o Pedro e para a Beta e também para o Nélson.

Além disso, foi muito bom trocar uns dedos de conversa com o Joel ou com o João Pereira. Incrível mesmo foi rever a Lígia e o Ricardo. Ela acabou mal fisicamente mas fez um excelente resultado no escalão e ele sentiu algumas dificuldades, mas aguentou-se que nem um bravo e ainda houve tempo para me telefonar no fim e para estarmos mais de 20 minutos à conversa, a analisar tudo e já a antever maluqueiras em treinos e um reencontro na maratona do Porto.

Posto isto, deixo-vos com imagens daquele que foi um dia memorável.

Elas aqui estão:

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11
Set19

Percurso plano com o sol como elemento castigador


João Silva

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Estas fotos são relativas à parte inicial e à final da meta. Não obtive imagens do "interior" do circuito, sendo que, na verdade, não era um circuito no sentido de repetições.

Fazendo análise ao percurso, diria que não mudou em relação ao ano passado e que é muito rolante. Ao contrário do anunciado na maratona de Aveiro, a eco maratona de Coimbra foi de facto muito rápida e plana, permitindo tanto uma boa cadência como uma perfeita manutenção de ritmo.

O calor, ao qual a organização é alheia, foi a maior dificuldade que enfrentámos. Obrigou-nos a gerir muito bem a quantidade de água a ingerir e a levar muitas proteções face ao sol. A minha bandana já virou moda nestas andanças estivais. Better safe than sorry, já diz o ditado.

De resto, ainda acerca do percurso, refiro que tinha muitas viragens, o que requer algum jogo de cintura, mas as mesmas estavam muito espaçadas entre si, permitindo perfeitamente ganhar ritmo suficiente para as domar.

O desnível foi praticamente inexistente. Para variar dos meus treinos e de algumas provas, foi muito bom.

10
Set19

A organização foi prestável mas podia ter havido consequências


João Silva

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É a organização de eventos desportivos em que mais confio. Não tenho problemas em dizer que tenho um carinho especial pelo Guilherme e pela Esmeralda. São incansáveis e inexcedíveis em tudo e nunca senti falta de apoio deles. Não faço sequer ideia das dificuldades associadas à organização de uma prova, nunca nada é perfeito e qualquer das minhas críticas deve ser vista como uma sugestão, não como "manda abaixo".

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Começando pelos aspetos positivos: percurso fantástico, policiamento impecável, assistência de emergência na meta, prestabilidade em recuperar atletas em estado deficitário, águas bem frescas à nossa espera, percurso muito bem delimitado e identificado, esforço por ter sempre elementos por perto, sobretudo, nas zonas de viragem.

Além disso, apraz-me elogiar a escolha da camisola. Adorei. As fitas da medalha são bonitas mas a medalha do ano passado tinha um aspeto maravilhoso.

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Todavia, como disse, nem tudo foi bom. Começo por duas observações que ouvi de outros atletas, sendo que, num dos casos, não posso dar a minha opinião. Inicia-se por aí: houve queixas de que os abastecimentos aos 16 e aos 17 km e qualquer coisa não era úteis por serem tão próximos. Sinceramente, nem me apercebi disso. Não serve de justificação, mas, acrescento, cada atleta também tem a responsabilidade de acautelar aquilo que vai ingerir.

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Já no caso da outra observação, posso meter o meu bedelho: as tarjas dos quilómetros estavam colocadas em zonas erradas. Além de mim, que só reparei mesmo nisso a partir dos 10 km, houve mais dois atletas a notar a falha. No fim, deu os 21,095 km. Até aí tudo bem, mas animicamente pode ter influência.

Deixo nota de dois problemas que me afetaram, sendo que não sei até que ponto a organização tem responsabilidades no primeiro: a dada altura, por volta dos 16-17 km, vi atletas a barafustarem porque havia um carro a passar no estradão e a levantar pó, dificultando ainda mais a oxigenação. Desconheço se haveria outra forma de passar ali e se se tratava de algum problema de saúde, mas foi muito complicado para nós.

Para último deixo algo que me pareceu muito grave e que podia ter consequências terríveis. E sei que não fui o único a ver isso desse prisma: houve pelo menos seis atletas à minha volta a criticar o mesmo: com tanto calor e sem grande vento ou "proteção" das árvores, das duas uma: ou a prova não se realizava ou era antecipada em, pelo menos, duas horas. Dois dias antes,  organização alertou para temperaturas elevadíssimas e até antecipou a partida dos 10 km. Aliás, toda a semana passada foi um sufoco. Portanto, já se sabia o que iria acontecer e acho que ninguém levaria a mal se não houvesse prova. Não sei por que razão não houve adiamento ou antecipação, sou empático nesse sentido, mas garanto que é horrível correr com um nível de desidratação tão elevado e levei quase um litro de água na mochila.

No meu entender, a melhorar.

09
Set19

Resultado muito bom e o dia em que me senti um corredor a sério


João Silva

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Não há corredores a brincar e nem pretendo rebaixar ninguém, mas, caramba, ontem fui um verdadeiro atleta. Cheguei ao fim e fiquei orgulhoso de mim, não por ter feito um tempo excelente que valeu um 31.º lugar na prova (podem ver nas imagens abaixo), mas porque consegui gerir o meu desempenho e porque, a dada altura, percebi que já não tinha mais para dar e, mais do que tentar forçar, tentei limitar os estragos. Foi precisamente na altura em que compreendi que já não daria para fazer menos de 1h30. Ainda não foi desta, mas há de ser este ano, tenho essa sensação, sobretudo, porque este foi o meu melhor resultado em provas em 2019.

1-3 km.jpg

Analisando em maior detalhe, como se pode ver pela quilometragem, arranquei muito bem, ao contrário do que é meu costume. Na verdade, já tinha previsto uma prova em modo de contrarrelógio e, por ser em prova, "sabia" que o ritmo seria mais alto do que em treinos. Ainda assim, foi muito melhor do que esperava.

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Como estava mesmo muito calor, optei por ingerir pequenas quantidades de água de 08 em 08 minutos. Foi muito importante e sem isso teria acabado numa valeta. As condições climatéricas não estiveram a nossa favor.

Ainda assim, foi dando para manter um ritmo alto, embora na parte final dos 06 km já começasse a sentir alguma necessidade de um sólido.

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Levei uma gelatina em barra comigo, mas sou demasiado teimoso e tenho uma enorme aversão a ingerir açúcares adicionados. É uma loucura e nem sei bem o que poderia fazer em termos de resultados, se comesse o raio da barra.

Nesta fase, já achei que ia muito rápido e que poderia haver quebra mais cedo do que o costume.

Os tempos parciais acima refletem isso mesmo. 

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No entanto, talvez por me encontrar próximo de vários atletas com um ritmo muito bom e semelhante ao meu, mantive a cadência e fui muito constante. Foram cerca de 06 km ao mesmo ritmo. Isto só foi possível por causa dos treinos de fartleks.

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A partir dos 12 km, comecei de facto a sentir quebra. Mais do que água, precisava de sólido, mas recusei-me. Claro que o corpo não quis saber e "castigou-me", ainda que de forma consciente, porque a ordem foi dada por mim. Percebi que precisava de estabilizar para chegar a uma ponta final mais forte.

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Aqui foi muito bom, primeiro, ter perguntado a um atleta de outra equipa se queria fazer uma espécie de aliança. Passo a explicar: no ciclismo é muito comum unir forças para aumentar ritmo. É difícil de perceber, mas as cadências dos corredores ficam muito próximas e ora uns ora outros endurecem o ritmo. É como se um trabalhasse mais para "puxar" os outros, mas, na verdade, todos beneficiam. Chama-se ir na roda no ciclismo e também se usa no atletismo.

Foi um enrome sinal de maturidade porque havia momentos em que sentia que podia esticar mas depois ia acabar por ficar sozinho e perderia ritmo. Ou seja, ora abrandava para se juntarem a mim, ora eram eles a fazer o mesmo, isto porque houve elemento da equipa Nascidos para correr a juntar-se a nós os dois.

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E assim fomos até ao quilómetro 18, mas cheguei a esse ponto e percebi que já não tinha força para aumentar a carga, tendo "deixado" um dos corredores seguir bem lançado. Foi nesse momento que voltei a ser atacado por um fenómeno de vazio, algo que explicarei nas próximas semanas, mas que não é mais do que uma perda súbita de energia. O corpo continua, mas o "motor partiu", para usar mais uma expressão do atletismo.

E foi aqui que percebi que amadureci como atleta. Porquê? Porque há um ano ficaria muito triste a exigir mais e mais de mim mesmo já não dando para mais e chegaria ao fim irritado, sem usufruir e a pensar que tinha sido um fracasso.

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Ontem foi tudo menos isso. Senti orgulho e dever cumprido, vi que não deu para fazer menos de 1h30, objetivo que tinha proposto, mas dei tudo o que tinha, logo, não podia inventar. E, modéstia À parte, o tempo é bom. E é o meu melhor no ano em curso, portanto, fui e fiquei feliz e foi isso que me fui dizendo entre os 19 e os 21 km. 

Acabei em sprint, esgotado, sem qualquer energia, mas feliz.

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Já em casa, ao consultar os resultados, vi que fiz a minha melhor classificação numa prova do género, portanto, missão cumprida.

 

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