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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

05
Jul22

Imaginar e projetar


João Silva

Uma das coisas que mais encontrei quando comecei a correr foi a importância de imaginar o momento de cruzar a meta como algo prazeroso e bem-sucedido.

Confesso que nem sempre faço e, nos últimos dois anos, chego morto e cansaço à cama e apago logo.

Mas recordo-me que fiz esse exercício de imaginação na véspera da minha primeira meia maratona, em 2018, na Figueira da Foz.

É importante. Diria que é uma forma de meditação que visa a criação de energias positivas.

Como não é algo inato, deve ser bem treinado, devemos forçar o pensamento no lado bom da prova. Numa maratona, por exemplo, isso é mesmo fundamental.

Imaginar o momento de cruzar a meta é criar na nossa cabeça a ideia de que conseguimos o objetivo. E conseguimos. 

Vou lendo as entrevistas de alguns atletas e acabo sempre com a informação de que se dedicam muito à meditação como forma de lidar com a pressão.

Imaginar e projetar coisas boas ajuda à concretização do objetivo. Mesmo que a realidade de uma chegada à meta seja mais dolorosa e dura. 

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18
Mai22

O travão da felicidade (e do sucesso)


João Silva

Já falei no balão de felicidade que só enche até certo ponto.

Também a nível psicológico, há outra forma de condicionar ou de impulsionar a evolução positiva de um atleta.

Aqui falamos do desporto, mas isso aplica-se a qualquer aspeto da nossa vida.

No caso, há quem acredite que poderemos projetar cenários horrendos na nossa cabeça como forma de gerar insegurança em nós e, em primeira análise, de baixar as expectativas. Em última análise, se não houver controlo, isso pode redundar numa valente depressão. 

Percebo a importância de baixar as expectativas ao nível do que é executável e real. 

Por outro lado, há um caminho muito negro, porque podemos minar-nos por completo.

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Se, no desporto, procuro projetar cenários reais positivos, no resto da minha vida, isso nem sempre é assim. Às vezes, de forma inconsciente, dou por mim a imaginar cenários horríveis de mortes de entes muito queridos. Nesses momentos, sinto uma fragilidade sem qualquer comparação. Fico mesmo muito pequenino. Não o faço propositadamente, mas acontece-me com muita frequência.

Regressando ao lado desportivo, lembro-me que um dos primeiros que li sobre a corrida falava na importância de idealizar um momento mágico ao cruzar a linha de meta. Fiz isso na minha primeira meia maratona e na primeira maratona. Foi bom, sim.

Depois já tive o lado inverso, embora nunca tenha achado que as imagens negativas tenham contribuído especialmente para provas menos boas.

Mas que é um limbo é! 

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16
Abr22

A lei do inversamente proporcional...


João Silva

Habituei-me desde cedo à ideia de que não posso ser feliz em horas coisas ao mesmo tempo. Se estou bem num polo, outro estará nas lonas...

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Esta é a palavra certa, porque as dificuldades dos últimos largos meses tiraram-me a possibilidade de participar em mais provas por agora, até conseguirmos inverter a espiral...

E, numa espécie de comiseração, acabo por dar por mim a pensar "logo agora que os resultados apareceram finalmente e vieram dar razão aos treinos". (Spoiler: não estou a pedir dinheiro a quem quer que seja, estou apenas a falar abertamente do investimento numa modalidade desportiva onde não existe qualquer apoio externo).

Seja como for, aquilo que procuro fazer conscientemente é avaliar o que fiz até agora e procurar preservar a crença de que tudo será mudado com dedicação. 

E o exercício de automotivação sem provas é duro, mas é algo bom porque me vai fortalecer. É nisso que penso. E foi por isso que decidi começar a preparar a minha maratona de novembro já em abril/maio. É uma prova que já tinha sido adquirida, é a minha prova de eleição e este tempo todo sem provas vai permitir-me trabalhar com calma e bem para tentar fazer menos de 3h21 (marca atual)...

08
Mar22

Será que os homens aceitariam o desafio?


João Silva

Será que os homens desportistas, sobretudo profissionais, têm noção da "sorte" que têm?

Hoje, Dia da Mulher, trago uma proposta: algum homem seria capaz de se submeter às limitações que as mulheres têm no desporto?

Principalmente no último ano, tenho tomado conhecimento de atletas femininas de elite que viram a sua vida passar a ser um inferno por terem sido mães. Perderam os patrocínios, deixaram de ter apoios e ainda tiveram de gerir toda a sua vida familiar e desportiva.

Num dos casos, assim que souberam que a atleta (alemã) estava grávida, informaram-na logo que estava na hora de fazerem uma restruturação e foram à sua vida.

Quando um homem decide ser pai, não se lhe pede que abdique da família, nem sequer se espera que escolha. É óbvio que pode ser um súper atleta.

Então e por que razão faz sentido exigir isso a uma mulher? Já o disse e reafirmo até morrer: filhos não são coisas de mulheres. São do casal, homo ou heterossexual. As responsabilidades e as expectativas têm de ser iguais. Por isso, não faz o mínimo sentido impedir as mulheres de terem as mesmas condições.

Como seria se um homem se queixasse de discriminação dos patrocinadores?

Deixo duas notas finais: sabiam que, a dada altura, se defendia que as mulheres não conseguiriam correr mais do que 1 km? Um absurdo completo!

Por último, um beijinho muito especial às mulheres da minha vida, em particular, à minha esposa, que respeito e a quem reconheço uma enorme inteligência e capacidade de luta pelos seus direitos.

 

07
Mar22

Treino interrompido....


João Silva

Esta foi uma sensação que comecei a ter muito desde o nascimento do Mateus. (E que agora regressou mesmo em grande, quase ao nível do nascimento. Ele está a atravessar uma fase muito complicada que terá começado há um mês, quando decidimos abandonar a chupeta para dormir. Falarei nisso lá muito para a frente. Naturalmente, ainda está a tentar encontrar a melhor forma de regular o seu novo sono.)

O nascimento de um filhote marca o fim do controlo que temos da nossa vida. Arriscaria a dizer que, se os dois pais fizerem as coisas de forma equitativa, é mesmo isso. Já não mandamos. Fazemos as nossas coisas e os nossos hobbies quando e se os filhos deixarem.

Uma das piores sensações que tenho é quando o telefone toca a meio de um treino (quando este está a correr bem) e tenho de regressar logo a casa.

Até há bem pouco tempo, o Mateus adormecia ao meu colo. Agora isso mudou um pouco, mas quando tem noites complicadas e não dorme depois das 05 horas da manhã, recebo as chamadas da Diana.

Para que tudo fique bem claro, não me estou a queixar por isso. Faz-se o que é necessário e a prioridade da minha vida é o filho. Mas também mentiria se dissesse que gosto da sensação de treino interrompido.

No início, ficava com o dia estragado. Remoía naquilo, porque ficava com a sensação de ter falhado! O tempo ajuda a curar tudo e lá aceitei. É o que é. E não posso fazer nada.

Se tinha marcado um treino de uma hora e meia e só fiz trinta ou quarenta minutos, pelo menos ainda corri um pouco. Tento tirar o lado bom da situação.

E quando tenho de regressar a casa, se o corpo deixar, procuro tirar o máximo daqueles quilómetros.

E já tive grandes treinos assim!!!

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E também aprendi que o pouco representa muitas vezes muito, em termos de treino (e não só). Depende sempre do que fazemos com esse pouco.

21
Fev22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje temos na berlinda um antigo colega de equipa que sempre se pautou por grandes feitos. É das tais lebres de que falo tanta vez. O que não sabia era o tamanho do seu lado humano. E isso impressionou-me. Com a idade dele, não é um dado adquirido submeter-se a desafios em prol de causas humanitárias.

Ora leiam lá o que diz o André Monteiro e vejam se não tenho razão.

Mondego Ultra Trail 50km.jpg

Nome:

André Miguel Lameiro Monteiro

Idade:
29 Anos

Equipa:
VIKINGS TRAIL RUNNERS / CCR ALCABIDEQUE

Praticante de atletismo desde:

Pratiquei atletismo (Velocidade – 100m/200m) durante dois anos (2008/2009) na AAC, parei e voltei novamente na vertente “TRAIL” em 2015.

EGT - 49km (VENDA DA LUÍSA) - Subida para a Torre

Modalidade de atletismo preferida:
Entre Trail e Estrada, prefiro trail sem dúvida.

Prefere curtas ou longas distâncias:

Pergunta difícil, principalmente porque sempre tive melhores resultados em provas curtas, mas sem dúvida que as provas longas deixam sempre marcas e histórias para contar… por isso, acho que no geral prefiro as provas longas.
 

Na atual equipa desde a época 2019/2020.

Picos do Açor - VIKINGS TRAIL RUNNERS em um momen

Volume de treinos por semana:
Tenho semanas que nem treino, outras que treino 2 ou três vezes (Varia sempre muito).
Não sou uma pessoa que fica muito stressada com as questões de treinar a tempo e horas. Treino um pouco por sensações. Não sou um ATLETA, sou uma pessoa que gosta simplesmente de correr e desafiar-se.

Poiares Trail  - Numa época que só fazia provas

A importância dos treinos:
Obviamente que sem treino não conseguimos obter os ditos “grandes resultados” e eu contra mim falo. Poderia obter melhores resultados se treinasse de maneira correcta e com certos métodos. Treinar tanto o físico como o “mental” é importante no que toca a provas longas.

Diferenças entre o atletismo passado e o atual:
Existe bastantes diferenças, sem dúvida.
A escolha de material desportivo era menor no passado, a tecnologia no que toca a provas e ou treinos eram menor ou até nula (relógios para marcar tempos, por exemplo), menos provas para competir. Felizmente o desporto, neste caso o atletismo tem evoluído muito e acho que alguns atletas têm aproveitado bem essa evolução.

Prova Endurance na ilha do Faial juntamente com o

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas:
Histórias tenho sempre muitas no que toca a provas longas, a mais insólita talvez tenha sido na primeira edição do TransPeneda – Gerês 165km, no alto da serra amarela ao anoitecer um cavalo (Selvagem ou não, não consegui precisar), puxou com a boca o capuz do meu impermeável e ia caindo para trás… o atleta que vinha atrás foi cerca de 2/3 km a rir-se do momento :P

Aventura marcante:

A aventura mais marcante para mim foi o TRANSMONDEGO, um evento solidário que eu criei em 2021 com o objectivo de ajudar uma criança (O SORRISODOAFONSO), tendo começado na praia do relógio da Figueira da Foz e acabado no Mondeguinho – Serra da Estrela, o que fez de mim a primeira pessoa a fazer o percurso da Foz até a Nascente (do Rio Mondego) de forma seguida (sem ser por etapas), com passagem pela Serra da Lousã e pela Torre da Serra da Estrela, num total de 170km.

PT281+ Ultramarathon - A exigência dos desafios c

Participação em prova mais longa:
PT281+ Ultramarathon foi a prova mais longa que fiz até ao momento.

PT281+ Ultramarathon - Se não Conseguir correr ..


Objetivos pessoais futuros:
O meu futuro é um pouco incerto, porque para além de motivação, preciso de resolver algumas questões relativas a lesões que tenho tido recentemente. No entanto, se continuar espero criar alguns percursos desafiantes e “eventos” solidários, deixando um pouco as “competições de trail” para outras pessoas e ajudando quem realmente precisa.

PT281+ Ultramarathon - Sozinho com os pensamentos.

Como vê o atletismo daqui a 5 anos:
Espero ver um atletismo mais evoluído (se assim for possível) e sem casos caricatos de pessoas que tentam a todo custo ganhar (Doping). No geral espero que seja uma modalidade que tenha mais participantes e com mais apoios das equipas e outras entidades externas.


Como se vê no atletismo daqui a 5 anos?
Daqui a 5 anos? Eu gostava de dizer que estaria na mesma apaixonado pelas longas distâncias e que estaria a percorrer o país por esses trilhos, mas não sou pessoa de fazer grandes previsões. Vivo um dia de cada vez, cabeça no ar mas os pés bem assentes no chão.
No entanto, daqui a 5 anos espero continuar a dizer que ainda corro.

Resumo de 2021 - 3 Momentos.jpg

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

Para ser sincero, o COVID não afetou em nada a minha vida no que toca a treinar.
Antes da Covid já tinha deixado há muito o lado competitivo do trail.
Acho que a COVID afetou mais as pessoas que gostam de competir contra outras pessoas nas diversas provas que iam surgindo.

O que mudou nas provas com a pandemia?
Ora, infelizmente acho que esta é a pior parte.
Preços inscrições aumentaram, algumas organizações também se aproveitaram por haver poucas provas. Para ser sincero, poucas foram as provas que realizei “pós-pandemia”. Penso que houve maior cuidado ao escolher as provas e maior cuidado das organizações com os atletas.

Treino na Serra da Lousã - Porque nem tudo são p

05
Fev22

Dia de prova é dia de não mudar a rotina


João Silva

Regra geral, levanto-me por volta das 05 da manhã. 

De há uns meses para cá, a minha ansiedade para conseguir treinar, trabalhar e prestar cuidados ao Mateus juntamente com a Diana, tem-me feito acordar algures entre as 04h e as 04h30. (Sim, isso deixa-me de rastos mas ainda não consegui mudar isso.)

 

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Mas nem me atrevo a mudar estas rotinas em dias de provas, onde normalmente só se começa a correr entre as 10 e as 11 horas. Sabem porquê? Porque o corpo ia reagir mal. Não está habituado e eu começaria a prova muito mais cansado do que se acordar à hora normal. 

Assim sendo, faço o que já é hábito em todos os outros dias: um treino (ligeiro) de flexibilidade e mobilidade e alguns abdominais menos agressivos. Desse modo, preparo o corpo para o que virá a seguir. Tem resultado e não tenho começado as provas cansado...

 

18
Jan22

Sentimento de pertença


João Silva

Mesmo correndo sozinho, o facto de pertencer a uma equipa de corrida/atletismo/trail é visto por mim com muito orgulho. Não estou muito com eles e acabo por levar uma vida muito distante do constante contacto social de alguns elementos da equipa. Ainda assim, fazer parte de uma equipa é ter um elemento de identificação permanentemente. É saber que não estamos sozinhos mesmo quando não treinamos com mais ninguém. É usar uma camisola que estabelece uma relação que ultrapassa a estrada, a pista ou o trilho.

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E esse sentimento de pertença, apesar da minha distância, deixa-me vaidoso. Ao ponto de querer vestir as várias camisolas da equipa em qualquer circunstância.

Ninguém me pediu nada, mas fiz questão de ir para a fisioterapia com a camisola de treino da Venda da Luísa.

A clínica trata muitas equipas de várias modalidades do distrito de Coimbra e fui vendo várias camisolas. Isso fez crescer em a vontade de mostrar onde pertenço. E senti-me vaidoso. Não por ser a ARCD Venda da Luísa, mas por fazer parte da ARCD Venda da Luísa. 

Chamem-lhe vaidade. Mas chamem também orgulho. Numa equipa regional com mais de 120 atletas só na modalidade de atletismo.

27
Set21

Bloqueios


João Silva

Uma enorme percentagem de um bom desempenho recai sobre o lado mental.

Se pensarmos no futebol ou no ciclismo, é o bloqueio mental e a falta de confiança que levam muitas equipas ou atletas a cair em desgraça.

Ora isto não é diferente entre atletas amadores e profissionais. Só que os profissionais conseguem ter mais mecanismos de apoio.

No entanto, um belo par de bloqueios é bem capaz de nos travar.

Não sou exceção e até consigo identificar alguns fatores que me impedem de ir mais além (não só em termos desportivos).

Reconhecê-los é importante, mas tem sido difícil ultrapassá-los.

Desde logo, tenho o bloqueio do medo. Por exemplo, medo de dar o descanso necessário ao corpo para que consiga assimilar os treinos. Medo de que parar um dia seja sinónimo de deixar de correr (este ponto carece de mais umas semanas para dar uma resposta válida). Medo de mudar alguns hábitos de treino, porque isso me "mandaria para fora de pé".

Depois do medo, a insegurança, que se reflete, por exemplo, no permanente levantar de obstáculos às minhas escolhas. Incapacidade (voluntária) para reconhecer o que foi feito e para usar isso "como cartão de visita".

A rotina da metodologia: jogar ao gato e ao rato com os mesmos métodos, impede-nos de evoluir.

Há inúmeros pontos de bloqueio, mas há um que é uma espécie de parafuso que se solta sempre na minha cabeça: a comparação. É importante relativizar o que fazemos e reconhecer que há quem faça melhor do que nós, mas isso nunca nos pode melindrar nem tirar a capacidade de agir.

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25
Set21

Autodestruição


João Silva

Há uns dias falei na autoestima e na sua existência na minha vida pela via do desporto e agora trago a outra companheira de vida: a autodestruição.

Pois bem, sempre tive de sobra e, infelizmente, nem a corrida me ajudou a resolver isso, embora ainda me permita acalmar.

Este fenómeno consiste em mecanismos mentais que visam o autoinsulto permanente e o julgamento permanente de todas as minhas ações.

Transferindo isto para a corrida, reflete-se na não valorização das conquistas, na elevação de expectativas, na incompreensão face a alguns aspetos de treino e na comparação frequente com outros elementos.

A consequência imediata de tudo isto é minar a minha confiança, o meu desenvolvimento.

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Porém, este fenómeno pessoal já me assombra desde a minha infância. Não é novo.

A minha insegurança e o meu sentimento de inferioridade tratam de fazer o resto.

Agora que voltei a uma fase mais débil da minha personalidade, consigo criticar-me com maior facilidade, o que me faz pior.

No caso da corrida, este ano está a ser uma maravilha para o "manda-abaixo", porque os resultados não foram bons no primeiro semestre e isso é mais uma forma de minar o meu próprio progresso.

Dou por mim a questionar constantemente as minhas opções. Não é mau fazer o papel de polícia mau de nós próprios. O problema é fazê-lo de forma desmedida e destrutiva, que não leva a lado nenhum.

A rever.

19
Set21

Autoestima


João Silva

Foi coisa que nunca abundou por esses lados. 

Histórico familiar difícil, falta de meios de financeiros em toda a infância e idade adolescente e insegurança são alguns dos fatores que contribuíram para isso.

Em termos desportivos, que é o ponto em análise aqui, havia excesso de peso a retirar confiança.

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Portanto, nunca tive propriamente grande noção daquilo que valia (falo de qualidades) e isso impediu-me de evoluir quando jogava futebol. Ao ponto de nunca acreditar que me poderia destacar. 

Estes níveis de crença em mim ficaram nas lonas. Em 2016, na sequência de mais complicações familiares, "acabei" num psicólogo, que, entre outras coisas, teve o toque de Midas, quando me faz ver que precisava de uma paixão pessoal para conquistar confiança e autoestima.

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No alto dos meus 118 kg da altura, achei que seria a corrida que me ia dar isso.

A verdade é que comecei aos poucos e, mesmo com aquele peso todo, percebi que era o veículo para alterar a imagem que tinha de mim.

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Todo o processo faseado de reeducação alimentar e de perda de peso deu-me uma imagem diferente de mim, mais forte. Fez-me acreditar que era possível e dava para reverter o que estava mal. O físico não é tudo, dizem. E eu concordo. Porém, também devo reconhecer que essa mudança física me ajudou a ganhar uma maior valorização pessoal. Foi muito importante.

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A partir desse momento, criei uma espécie de balão de confiança, que me ajudou a enfrentar alguns problemas pessoais e que deu pensamentos positivos.

É por toda esta transformação que não vos sei explicar o quão relevante a corrida é na minha vida.

Os bons resultados que fui tendo (para a minha realidade) trataram de fazer aumentar a minha noção de valor próprio.

Por mais paradoxal que possa parecer, ser pai escancarou-me outra vez a porta da autodestruição, não pelo Mateus, que foi a melhor coisa que me aconteceu, mas porque me confrontou com fantasmas, perspetivas e diabruras.

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A vantagem agora é que tenho mecanismos que me ajudam a lutar pelo amor próprio. Um deles é a corrida. Daí a necessidade diária de correr. Porque correr também é a minha terapia. 

26
Jun21

Há lugar para isso ou não?


João Silva

De quando em vez lá aparece a "inquisição" pública para destruir um ou outro atleta pelas suas ações e palavras, sobretudo, no campo político e social.

Há quem defenda que um desportista não se deve meter nessas coisas.

Não sei o que acham disso. No meu entender, se estamos a falar de pessoas, estamos, à partida, a reconhecer que são seres sociais com deveres e direitos cívicos e, como tal, têm direito a enviar mensagens sociais e políticas.

O desporto tem um estatuto de exemplo, portanto, muitos crescem a olhar para aquelas pessoas como ídolos. Se o desporto se coaduna com futilidade, comércio desenfreado e corrupção, por que motivo só se questiona a conduta de um desportista quando este faz um gesto que reprime uma dada ação social e política?

Sempre vi no desporto uma função social. Mexe com muita coisa. Basta ver a estupidez que grassa por aí à conta de comentadores desportivos. Então isso é permitido mas ter um festejo que simboliza uma causa social ou que é contrária a um regime político não é tolerado? Faz algum sentido?

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02
Jun21

E se perguntarem aos envolvidos...


João Silva

Prometo ser breve. 

O tema é claro como água: ao que parece, vamos mesmo ter Jogos Olímpicos. 

Faz sentido? O Comité Olímpico acha que sim. Aliás, há uns meses, mas já em finais de 2020, veio a terreiro dizer algo como "não admitimos a hipótese de não se realizar em 2021".

Ouvi relatos de vários atletas e treinadores, de vários países. A insegurança é palpável. 

Perante tudo isto, face à possibilidade de limitação de contactos entre comitivas, à necessidade de restringir acessos e ao risco real de algo que nunca ninguém viveu até ao momento, pergunto: faz sentido realizar uma das provas mais apaixonantes do planeta apenas pelo dinheiro?

Faz sentido fazer aqui o que se faz no futebol e seguir viagem como se nada fosse porque o que importa é o jogo e "a vida continua"?

Não será isto uma velha máxima mas ao contrário: o palhaço está doente mas "hoje" há circo?

E cada um dos envolvidos no espetáculo não deveria ter uma posição?

Já alguém perguntou aos atletas se queriam que a prova se realizasse?

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22
Jan21

Com cetose ou sem cetose?


João Silva

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Em parte, lancei o "isco" para este tema com o artigo passado, o dos FODMAP.

Ora bem, o tema é muito com3e polémico. 

Em termos pessoais, revelo já que não sou praticante nem apologista de algo assim, embora seja cada vez mais utilizado, por exemplo, no ciclismo. 

O meu propósito com o tema passa pela reflexão tendo em conta a corrida. 

Desde logo, como referi há dois dias, a fonte de energia primária do corpo é a glicose, que provém maioritariamente dos hidratos de carbono simples. É a chamada energia rápida. Como sabem, depois de uma prova, por exemplo, de uma maratona, são os hidratos, na forma barras energéticas, os primeiros a ingerir para dotar o corpo de capacidade. 

Ora bem, a glicose em excesso na corrente sanguínea é transformada em gordura pela insulina. Portanto, se não houver cuidado, há o risco de ganhar massa gorda. 

Embora isso não interesse muito para este texto, revela por que razão as pessoas fogem (erradamente) dos hidratos de carbono. 

Antes de mais, não se esqueçam de que o cérebro é um músculo e que, por isso, precisa mesmo de glicose para funcionar devidamente. 

Ora bem, sempre à procura de soluções (algumas são depois canonizadas por alguns lobbies) para otimizar a nossa produção de energia, o ciclismo começou a seguir a moda de muitas pessoas famosas dos EUA e hoje a dieta cetogénica ganhou um lugar de destaque. 

E o que é e em que consiste? É um regime alimentar que abdica, quase por completo, dos hidratos de carbono como fonte de energia e que, ao invés, se inclina para uma ingestão considerável de gordura (deverá ser sobretudo de gorduras saudáveis como o óleo de coco, o azeite, o abacate, os frutos secos, os peixes gordos, entre outros) e de alguma quantidade de proteínas. 

Ora bem, vendo-se sem glicose, logo sem fonte energética, o corpo é obrigado a criar energia. Como? Pedindo ao fígado que divida os lípidos em ácidos gordos e em corpos cetónicos. A este processo dá-se o nome de cetose. 

As reservas de gordura passam a ser eliminadas para gerar forma de nos alimentar. Como afirma uma nutricionista (podem ver aqui), o corpo faz isso porque entra num estado de SOS, já que lhe faltam hidratos de carbono. 

O benefício que muitos procuram neste regime é que se perde volume e gordura efetiva muito rapidamente. (Este é o argumento usado por influencers e marcas). 

Por outro lado, sem glicose, os músculos não funcionam muito bem e as tonturas, a fraqueza ou a irritabilidade são uma constante. 

Pensem agora nisto no corpo de um desportista: numa maratona, precisamos de energia imediata. Se optarmos por ingerir gorduras no meio de um exercício físico intenso, não vamos receber energia imediata, já que o processo de cetose é muito mais lento que o da transformação da glicose em energia. Além disso, dada a sobrecarga que se pede ao fígado, as doenças hepáticas podem estar já ao virar da esquina. 

Embora ainda não se saiba muito sobre benefícios ou prejuízod para o corpo a longo prazo, sabe-se que a dieta cetogénica tem a vantagem de reduzir o nível de açúcar no sangue, de baixar o colesterol mau e de estimular o metabolismo. 

Escusado será dizer que não deve ser adotado de ânimo leve e que é necessário acompanhamento médico. 

Como forma de produção energética para otimizar o rendimento desportivo, não aprovo. No entanto, pode ser benéfica apenas com forma de estimular pontualmente o metabolismo dos corredores. 

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19
Nov20

A mudança de uma vida (e para a vida?!)


João Silva

Faz hoje, dia 19, precisamente 4 anos que mudei por completo a minha vida. 

Após tanto escrever e falar sobre o assunto, já não há nada de novo a acrescentar sobre o facto de me ter visto livre de um problema e de ter encontrado um rumo pessoal.

E é no fundo isso que fica no meio de todo o processo de perda de peso: ter baixado de 118 kg para 66 kg de forma gradual e sustentada com a corrida foi, ao mesmo tempo, encontrar um rumo para mim, não a nível íntimo nem profissional, mas sim a nível de imagem de mim próprio.

Embora ainda hoje lute contra imagens que me ficaram na cabeça e contra hábitos de pensamentos autodestrutivos, a minha vida mudou. Tenho e devo aceitar isso. Fazer as pazes comigo, porque não preciso de estar sempre em guerra interna. Esse é o lado negativo do processo. É preciso chegar a vias de facto com o nosso eu mais escondido, o que dói e deixa marcas.

Passado todo este tempo, ainda vivo com medo de deitar por terra tudo aquilo por que passei e de perder a minha maior vitória: ter encontrado o eu que estava lá bem no fundo e que sempre desejou ser assim. Fugi, em passo de corrida, de tudo isso e sinto-me agora mais estável e maduro do que há doze anos, quando enfrentei algo semelhante, mas não consegui que a mudança aguentasse mais de seis meses.

Agora já lá vão quatro anos. Talvez pelo que aconteceu em 2007 ou 2008, ainda sinto que posso resvalar. Porém, agora tenho duas armas fortíssimas que não tive na altura: uma esposa que me apoiou e apoia ferreamente em todo o processo e um vasto conhecimento de estratégias para lidar com ataques e fragilidades que me põem em causa. 

Dizem que uma mudança tem tendência a perder-se e a ser revertida ao fim de dois anos. Felizmente, tenho lutado para que assim não seja e já lá vão 4 anos desta nova realidade. 

E é por acreditar que este sou mesmo eu e que isto que agora sou sempre foi aquilo em que me quis tornar que alimento a esperança de não perder esta mudança, que tanto custou (a mim e à minha família mais chegada). 

Vou continuar a ter fantasmas dentro de mim, mas também vou continuar a ter a minha maior qualidade: força de vontade. Espero e desejo que esta última faça dissipar todas as dúvidas em relação áquilo que sou.

Se tenho medo? Sim, sempre me acompanhou em todo este processo de reeducação alimentar. Se pensei em recuar? Algumas vezes, sem dúvida. Porém, até agora nunca deixei que nada disso me inibisse na minha missão interior.

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