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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

19
Nov20

A mudança de uma vida (e para a vida?!)


João Silva

Faz hoje, dia 19, precisamente 4 anos que mudei por completo a minha vida. 

Após tanto escrever e falar sobre o assunto, já não há nada de novo a acrescentar sobre o facto de me ter visto livre de um problema e de ter encontrado um rumo pessoal.

E é no fundo isso que fica no meio de todo o processo de perda de peso: ter baixado de 118 kg para 66 kg de forma gradual e sustentada com a corrida foi, ao mesmo tempo, encontrar um rumo para mim, não a nível íntimo nem profissional, mas sim a nível de imagem de mim próprio.

Embora ainda hoje lute contra imagens que me ficaram na cabeça e contra hábitos de pensamentos autodestrutivos, a minha vida mudou. Tenho e devo aceitar isso. Fazer as pazes comigo, porque não preciso de estar sempre em guerra interna. Esse é o lado negativo do processo. É preciso chegar a vias de facto com o nosso eu mais escondido, o que dói e deixa marcas.

Passado todo este tempo, ainda vivo com medo de deitar por terra tudo aquilo por que passei e de perder a minha maior vitória: ter encontrado o eu que estava lá bem no fundo e que sempre desejou ser assim. Fugi, em passo de corrida, de tudo isso e sinto-me agora mais estável e maduro do que há doze anos, quando enfrentei algo semelhante, mas não consegui que a mudança aguentasse mais de seis meses.

Agora já lá vão quatro anos. Talvez pelo que aconteceu em 2007 ou 2008, ainda sinto que posso resvalar. Porém, agora tenho duas armas fortíssimas que não tive na altura: uma esposa que me apoiou e apoia ferreamente em todo o processo e um vasto conhecimento de estratégias para lidar com ataques e fragilidades que me põem em causa. 

Dizem que uma mudança tem tendência a perder-se e a ser revertida ao fim de dois anos. Felizmente, tenho lutado para que assim não seja e já lá vão 4 anos desta nova realidade. 

E é por acreditar que este sou mesmo eu e que isto que agora sou sempre foi aquilo em que me quis tornar que alimento a esperança de não perder esta mudança, que tanto custou (a mim e à minha família mais chegada). 

Vou continuar a ter fantasmas dentro de mim, mas também vou continuar a ter a minha maior qualidade: força de vontade. Espero e desejo que esta última faça dissipar todas as dúvidas em relação áquilo que sou.

Se tenho medo? Sim, sempre me acompanhou em todo este processo de reeducação alimentar. Se pensei em recuar? Algumas vezes, sem dúvida. Porém, até agora nunca deixei que nada disso me inibisse na minha missão interior.

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15
Set20

Mais um daqueles que dão sempre jeito


João Silva

Num mês que é marcadamente dedicado ao regresso aos manuais e às questões escolares e académicas, trago-vos mais uma sugestão de um livro que adquiri na Deco Proteste e que se mostrou (e tem mostrado) muito importante para o meu reforço muscular.

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Honestamente, nunca pensei que pudesse ser tão fácil fazer exercícios em casa sem grandes recursos a acessórios.

Esta publicação mostrou-me isso, muito antes de correr a minha primeira maratona.

É bastante exaustivo, chegando mesmo a apresentar planos de treino e algumas dicas alimentares.

 

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Os exercícios estão bem delimitados por níveis e por tipologias de treino, facilitando assim a consulta.

Além disso, a explicação dos exercícios também é bastante acessível, procurando simplificar a compreensão.

Recomendo vivamente.

Como era associado da Deco na altura, só tive de pagar 1,95€ pelos portes. O livro ficou gratuito.

Seja como for, deverão conseguir encontrá-lo na biblioteca de publicações da Deco Proteste.

Regra geral, é possível adquirir publicações já lançadas há algum tempo.

 

06
Abr20

Eu ex-obeso me confesso! (REPUBLICAÇÃO EDITADA)


João Silva

Na sequência da comemoração do primeiro ano deste espaço, que também acaba por ser o vosso canto, decidi trazer-vos o primeiro texto de todos.

Foram as primeiras palavras e as primeiras linhas no blogue. Serviu de catarse e sabem que mais? Ajudou a tirar um grande peso de cima.

Há coisas que não são fáceis de partilhar e, honestamente, há muita coisa que tem de ficar para nós próprios. No entanto, após o devido tratamento e processamento de tudo o que vivi desde novembro de 2016, senti que só tinha a ganhar com o desabafo.

Olho para o texto que vos deixo abaixo com muita "ternura", pois fui eu "in meinem Element", como dizem os alemães. Ou seja: fui eu próprio, sem "filtros".

Fiquem, pois, com o primeiro texto deste blogue:

 

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É caso para dizer: quem te viu e quem te vê!

Esta foto data de 06 de novembro de 2016 e funciona como o meu atestado de obesidade, tendo atingido a "mágica" marca dos 118 kg.

Desde muito novo que sempre tive propensão para engordar, não só por tudo aquilo que comia, pela falta de regras e de consciência alimentar e nutricional (e escassez de dinheiro), como também pela disposição "genética". Nunca fui alvo de nenhum exame que provasse essa mesma disposição genética, mas posso proferir a afirmação anterior com base em tudo o que foi e é a minha família.

Posto isto, passei por várias fases. Na adolescência sofri da "síndrome da rejeição", nunca fui um alvo apetecível para o sexo oposto. Na fase final da minha adolescência e na inicial da minha vida adulta, graças à prática de futebol amador num clube da terra, o U. D. Gândara, perdi cerca de 50 kg em apenas três meses. Foi um tempo monstro. Privei-me de todo o tipo de comida, o que, agora a uma distância temporal de 12 anos, confesso que se tratou de um erro.

Dado o processo de emigração dos meus pais, vivia sozinho na altura e estava prestes a entrar na Universidade de Aveiro.

Ao mudar de distrito, voltei a mudar de hábitos, trabalhei e estudei em simultâneo durante a licenciatura e o mestrado em tradução (francês e alemão) e abandonei por completo a prática desportiva, algo que sempre fora uma paixão.

Tudo isto conciliado com o facto de ter trabalhado numa pizaria e posteriormente num hipermercado com horários loucos redundou em nova subida de peso. No fundo, deixei de lutar contra a tendência e foi como se tivesse fechado o ciclo anterior da mesma maneira que o comecei: com excesso de peso. No fim de todas estas vivências, estava com 118 kg. E ainda nem tinha chegado aos 30 anos.

Passada uma fase agitada com mudança de emprego, casamento e mudança de residência, abracei novamente a missão de recuperar a minha saúde.

Foi então que "descobri" as caminhadas; primeiro com a minha cara-metade, depois com os meus cunhados (juntamente com a minha esposa, os grandes pilares e precursores da minha mudança). No dia 19 de novembro de 2016, já com duas semanas de caminhadas no corpo, decidi começar a correr.

A partir daí, mudei literalmente de vida. O gosto que sempre tive pelo desporto revelou-se o combustível certo para começar a alterar o meu padrão de alimentação e, consequentemente, a forma como via as coisas.

Agora, em abril de 2019, estou a 24 dias de fazer a minha segunda maratona oficial. Será no dia 28 deste mês em Aveiro, cidade onde vivi durante 10 anos e onde estudei, trabalhei e me casei. Será especial, sem dúvida!

Este espaço surge agora como forma de explicar ao "mundo" como a corrida mudou a minha vida e me transformou nisto:

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Haverá tempo e disposição para vos contar tudo o que fiz neste processo, para vos falar dos meus treinos diários, da minha alimentação, das minhas preferências de corrida, da minha vida desportiva, das minhas ambições pessoais e desportivas, bem como de outros assuntos que naveguem na minha cabeça, como a minha paixão louca pela Bundesliga e pelo Borussia Dortmund.

Partilharei também vídeos pessoais, relacionados com desporto ou não, artigos de entendidos, registos e informações sobre as diferentes provas. No fundo, este será um espaço que me permitirá contar-vos um pouco de mim.

Será um prazer ter-vos por aqui e contar com as vossas opiniões e/ou sugestões.

Não se "acanhem".

 

18
Fev20

Envelhecer não (nunca) é perder


João Silva

 

 

 

O convite já tinha sido feito há algum tempo e foi um daqueles que tinham mesmo de ser. Porquê? Porque reconheço na Luísa uma enorme paixão pelo desporto e isso é logo o facto digno de destaque. Partilha no seu blogue Mais boa forma conselhos muito bons. Além disso, é a prova provada de que velhos são os trapos e de que não há idades, há personalidades. A juntar a tudo isto, reúne, precisamente pelo gosto e pela idade, algumas características que reconheço em pessoas próximas de mim e que vejo como exemplo enquanto ser humano e ser desportivo. Antes de vos deixar ler o seu grande testemunho, convido-vos a visitar outro espaço dela, o blogue Uma pepita de sucesso, onde nos presenteia com histórias da sua vida e da sua bela ilha, a da Madeira.

Quando tinha 20 anos perguntavam-me porque me preocupava tanto com a saúde e com a boa forma, porque me alimentava de forma equilibrada, fazia exercício físico diariamente, estando muito bem de saúde? Respondia que era para continuar assim bem de saúde e em forma aos 40 anos.

Quando fiz 40 anos voltavam a perguntar-me o mesmo! Respondia que era para chegar aos 60 anos com saúde e energia.

Agora que estou à beira dos 60 anos, ainda me perguntam porque sou “viciada” em hábitos saudáveis, se não tenho problemas de saúde e estou em boa forma física. E mais … perguntam-me como consigo estar tão bem de saúde e em forma com quase 60 anos! Respondo que é porque sempre tive cuidado com a minha alimentação, sempre fiz exercício físico e porque quero chegar aos 80 anos assim saudável, a fazer exercício físico diariamente, a alimentar-me corretamente e ser uma velhinha muito feliz e independente!

A minha relação de amor/paixão com a saúde, atividade física e bem-estar vem de há muitos anos. Desde os 12 anos, quando decidi entrar para a única escola de ballet que havia no Funchal, percebi que o movimento é parte integrante de uma vida saudável. A partir daí o “bichinho” pelo exercício físico virou um hábito diário.

Fui também inspirada pelo meu pai, amante do desporto, jogador de futebol e massagista no Club Sport Marítimo.

Desde então, nunca deixei de introduzir no meu dia-a-dia o ballet, dança, yoga, pilates, aeróbica, treino de tonificação e todas as modalidades desportivas para as quais tenha vontade de praticar e que sinta que me motivam e fazem bem.

Sou também uma acérrima curiosa em tudo o que se relaciona com a saúde e o bem-estar, modelando e inspirando-me nos gurus de fitness, “abraçando” formações, estudos científicos e toda a informação pertinente para “suportar” esta minha paixão e adaptar aos meus treinos e ao meu dia-a-dia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2002, salientou que muitas das alterações que ocorrem durante o envelhecimento, bem como a maneira como ocorre nos indivíduos, são motivadas por fatores como a exposição solar, hábitos alimentares incorretos, inatividade física, obesidade, tabagismo e outros estilos de vidas incorretos.

Acredito que muitas das acentuadas alterações na aptidão física e na capacidade funcional do indivíduo, devem-se ao desuso e ao uso exagerado ou incorreto a que está sujeito o organismo.

Acredito, também, que o envelhecimento da população atualmente é uma tendência positiva, que caminhamos para sermos idosos mais ativos e que está intimamente ligada à maior eficácia das medidas preventivas em saúde, ao progresso da ciência no combate à doença, a uma melhor intervenção no meio ambiente e, sobretudo, à consciencialização progressiva de que somos os principais agentes da nossa própria saúde, alterando hábitos de vida sedentários e contrariar a degeneração e enfraquecimento do organismo de modo a preservar a aptidão física, psíquica e cognitiva, a independência e a saúde.

E nunca se esteve tão bem como agora no que se refere à promoção e prevenção da saúde e do bem-estar.

Existem ginásios com uma variedade de modalidades desportivas ao gosto e motivação de cada um e a preços suportáveis.

Existem livros, vídeos, jogos, todos com excelentes programas de atividade física, nutrição e estilos de vida saudáveis.

Existem canais no Youtube com vídeos gratuitos, com planos e programas de exercício físico para todas as faixas etárias, níveis de intensidade e duração.

E no envelhecimento existem muitos equipamentos orientados para a o envelhecimento ativo, tais como academias e/ou universidades seniores e centros de dia, todos como uma resposta social que visa promover e proporcionar momentos de educação, prazer, cultura, promoção da saúde, lazer e de bem-estar.

Está nas nossas mãos preparamos o nosso envelhecimento com saúde e qualidade.

Ser saudável é uma escolha!

 

*** Obrigada, João Silva, por me ter dado o privilégio de escrever no seu blog e poder dar o meu testemunho sobre envelhecimento com saúde, atividade física e qualidade de vida.

 

14
Fev20

Fazer exercício da forma mais básica possível


João Silva

Numa senda de (boas) sugestões, trago-vos uma imagem, que, infelizmente, não está nas melhores condições, mas que dá uma dica daquilo que pode ser uma forma básica e simplista de fazer exercício físico.

Bem sei que hoje não haverá muitos interessados em seguir este conjunto de conselhos, mas podem perfeitamente fazer alguns (ou todos) no fim de semana. Verão que não custa nada mesmo.

Não tem de ser sempre ginásio ou atividade dura. As coisas mais simples da vida dão perfeitamente para irmos “castigando” o corpo e para o tonificarmos um pouco, sem esquecer, claro, aquilo que me parece o mais importante: a nossa saúde.

Já tinha ouvido, por exemplo, que o povo tailandês passa os dias agachado como forma ded promover o exercício físico. Sobretudo os povos ocidentais têm uma tendência (demasiado) exagerada para o sedentarismo. No entanto, basta pensar um pouco.

No meu quotidiano, posso adiantar que opto sempre por escadas, que agacho com as pernas e não com as costas, que às vezes gatinho ou saltito para ir à cozinha, que opto por carregar lenha para a lareira de forma faseada e que, por exemplo, vou buscar os garrafões de água ao carro gradualmente. Ou seja, se tiver comprado dez, opto por fazer cinco viagens de ida e outras tantas de regresso. Além disso, ainda procuro ativar os abdominais quando carrego pesos.

Nem sempre fui (e foi) assim, mas agora é uma forma de ir fazendo muito mais pela minha saúde. E nunca é tarde. Parece cliché mas é uma questão de nos obrigarmos a recordar que é para o nosso bem.

Deixo-vos esta imagem com algumas explicações e sugestões publicadas na revista Mais do Lidl. É tão básico que só apetece perguntar: mas como é que não me lembrei disto antes?!

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01
Jan20

2020: um ano de surpresas e de incertezas


João Silva

FELIZ 2020, MALTA BOA.

Como forma de criar uma espécie de bolha motivacional, gosto de definir objetivos com antecedência, pois sou uma pessoa que trabalha bem com base em metas a médio e longo prazo.

Se fôssemos apenas por esse prisma, diria que o grande objetivo de 2020 já ficou traçado no dia 03 de novembro deste ano: voltar à maratona do Porto em 2020 e fazer uma prova abaixo das 03h20, com tendência a atacar a marca das 03h15.

No entanto, ao contrário do primeiro ano em que corri uma maratona, é forçado apresentar a minha terceira edição daquela prova como objetivo maior. 11 meses até ao grande dia é muito tempo.

Tinha perspetivado uns voos mais ambiciosos em termos de meias maratonas, como, por exemplo, atacar a marca de 01h25 ou tentar chegar às 03h30 na maratona de Aveiro.

No entanto, em 2020 vou enfrentar o maior desafio da minha vida, aquele para o qual sei que não estou preparado, o mais ambicioso, difícil e duradouro. Um projeto com início marcado e que, assim espero, me acompanhará até ao fim dos meus dias.

Portanto, esse projeto ambicioso (e maravilhoso) é uma incógnita e, de certo, não me permite projetar voos maiores. Os primeiros seis meses servirão de preparação e os segundos serão a fase de formação com o projeto já em andamento. Conclusão: 2020 será um ano de transição, uma espécie de segurar pontas até ver se me consigo manter em pé em 2021.

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Portanto, tive de dar voltas aos miolos e lá cheguei a um objetivo aliciante para a minha realidade: o campeonato distrital de estrada, que se realiza habitualmente em março e cuja distância a percorrer é de 15 km. [infelizmente, por questões de calendário e contigências da gravidez, ainda não será desta que irei correr a Oliveira do Hospital, fico-me pelo Trail de Sicó em março.]

Será interessante perceber como vou preparar uma prova mais curta, sobretudo, numa fase em que sinto que posso chegar a desempenhos muito interessantes. 

No segundo semestre, dependendo do meu estado de "vida", procurarei manter um registo próximo de 1h30 nas meias maratonas (perspetivo fazer as de Coimbra e Leiria).

De resto, além da maratona, tenciono ainda fazer provas mais curtas, aquelas que surgirem e forem ao lado de casa. Não deverão ser muitas e penso que em 2020 não dará para muito mais do que isso. Resta-me ter a esperança de que em 2021 ainda possa estar ligado ao atletismo...

29
Dez19

Qual a melhor altura para definir objetivos?


João Silva

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É uma dúvida que me assola muitas vezes.

Não falo só de objetivos pessoais.

Aliás, neste espaço, importa particularmente falar de objetivos desportivos.

No início do ano que agora termina tinha como propósito fazer 2 maratonas: a de Aveiro em abril e a do Porto em junho.

Percebi, com o avançar do ano, que, sem sombra de dúvidas, o principal objetivo que tive foi a maratona do Porto.

Nada me tomou mais tempo nem exigiu tanto. Além disso, os métodos, as mudanças, as adaptações, tudo isso foi feito a pensar naquele dia.

E é por isso que não posso dizer que a de Aveiro teve a mesma atenção/importância da minha parte (mas devia ter tido).

Agora, na hora de dobrar o ano, gostava de saber de que forma vocês estabelecem os vossos objetivos.

Isto é: determinam um só, daqueles bem grandes, e trabalham para ele apenas, servindo tudo o resto como preparação ou optam por definir objetivos mais "pequenos" e vão tendo vários ao longo do ano?

Além disso, no vosso entender, quais são os principais critérios a considerar na hora de definir metas? Vão pela dureza, pela duração ou por outro fator?

Terminado e alcançado um objetivo, escolhem de imediato o seguinte ou deixam acalmar as águas e depois é que definem novas metas?

28
Dez19

Os caça-batoteiros


João Silva

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O conceito é, por si só, muito estranho: batota. Praticada por amadores em provas de atletismo!

É, de facto, surpreendente.

Ouvi falar desse tipo de trafulhices (algumas que envolviam algumas organizações de provas) no seio da minha equipa.

Depois disso, ao ler este artigo, tomei uma consciência mais profunda desse tipo de atividade que não leva a lado nenhum.

Será possível acreditar-se realmente que entrar numa prova a meio pode ajudar alguém? Sobretudo, olhando para o lado amador?

No vosso entender, o que deve ser feito como medida de atuação?

Como forma de envergonhar quem não tem vergonha, há um site totalmente em inglês que se dedica a dar um corpo (e uma cara, por vezes) aos "trafulhas".

Podem encontrá-lo aqui: https://www.marathoninvestigation.com/

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Em 2019, a organização da maratona do Porto foi muito mais longe e identificou os nomes dos "atletas" que se prestaram a isso.

Não sei se serão banidos, mas julgo que seria o prémio a conceder. Portanto, apesar de, em primeira linha, considerar que os batoteiros são os principais prejudicados pelas suas ações, no mínimo, é necessário expor as identidades e proibir as inscrições nesses eventos.

26
Dez19

O desporto como expressão de liberdade


João Silva

Nada melhor do que o dia seguinte ao natal para falar no desporto como forma de liberdade e para, desse modo, nos afastarmos um pouco da ideia de que serve sobretudo como uma plataforma para suportar alguns devaneios alimentares.

Para nos falar disso mais a "sério", trago até vós o texto de uma pessoa que só conheci aquando da minha entrada no mundo da blogosfera: trata-se da MJP, uma pessoa sensível e com um historial ligado à medicina. Como "bónus", acrescento o facto de ser uma apoiante de alguns desportos bem interessantes como o ciclismo ou mesmo o atletismo que este vosso caríssimo pratica.

No fim deste fantástico parecer, convido-vos a visitar os blogues dela. Terão "acesso" ao seu maravilhoso e diversificado jardim, bem como a um mundo onde a liberdade é uma forma de vida. E foi esse o meu propósito com o texto que lhe "encomendei":

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O João teve a gentileza de me convidar a escrever um texto para o seu blogue, subordinado ao
tema: de que forma o desporto pode funcionar como fator de liberdade e de que forma poderá
ajudar a lidar com acontecimentos trágicos como a morte ou com doenças como depressão. 

Começo por agradecer o generoso convite, que muito me honra e desafia!
Ora bem, eu não sou (nem de perto nem de longe) uma entendida na matéria, limitar-me-ei,
portanto, a emitir a minha opinião, tendo por base a minha experiência, pessoal e profissional, e
alguma evidência científica.


O desporto tem um efeito agregador, o que o torna numa ferramenta social muito útil e poderosa,
capaz de reunir pessoas de diferentes origens étnicas, culturais, religiosas e socioeconómicas.
Já foi demonstrado cientificamente que o desporto desempenha um papel importante na
melhoria da saúde física e mental e na promoção da cidadania ativa e da inclusão social,
constituindo um bom ponto de partida para a promoção de estilos de vida saudáveis e aquisição
de competências para a Vida, em geral, desde tenra idade.


A Unicef reconhece o desporto e a brincadeira como ferramentas que melhoram o
desenvolvimento e a aprendizagem das crianças, tanto ao nível cognitivo e social (relacional)
como no que concerne ao desempenho académico, promovendo a sua autoestima e
estimulando-as a ultrapassar obstáculos e a resolver conflitos de forma não violenta.
Alguns estudos, levados a cabo pela Universidade de Harvard, revelaram que a actividade física
melhora o estado psicológico do praticante, ou seja, o exercício dá força às pessoas que se
encontram com depressão ou com o ânimo em baixo.


Durante a prática do exercício, o organismo liberta uma substância química (neurotransmissor),
denominada endorfina, também apelidada de hormona da Felicidade, que desempenha um papel
importante na regulação da autoestima e bem-estar, reduzindo os níveis de stress, ansiedade e
humor depressivo.

Para além das melhorias ao nível psicológico são, ainda, atribuídos muitos outros benefícios à
prática regular de actividade física, tais como:

 Redução do risco de morte prematura;
 Redução do risco de morte por doenças cardíacas ou AVC, que são responsáveis por 1/3 de
todas as causas de morte;
 Redução do risco de vir a desenvolver doenças cardíacas, cancro do cólon e diabetes tipo 2;

 Ajuda na prevenção/redução da hipertensão, que afecta 1/5 da população adulta mundial;
 Ajuda no controlo do peso e na diminuição do risco de se tornar obeso;
 Ajuda na prevenção/redução da osteoporose, diminuindo o risco de fractura do colo do fémur
nas mulheres;
 Redução do risco de desenvolver dores lombares, podendo ajudar no tratamento de situações
dolorosas, nomedamente, dores lombares e dores nos joelhos;
 Ajuda no crescimento e manutenção de ossos, músculos e articulações saudáveis;
 Ajuda na prevenção e controlo de comportamentos de risco (tabagismo, alcoolismo, toxicofilias,
alimentação não saudável e violência), especialmente em crianças e adolescentes.

Em suma, a prática regular de actividade física deve constituir fonte de prazer convertendo-se,
assim, numa expressão de Liberdade.

25
Dez19

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez (2.ª parte)


João Silva

(Antes de mais, feliz natal a todos, em especial aos bravos que tiraram uns minutinhos para vir aqui. Conforme prometido, deixo-vos hoje com a conclusão da história do estimado Ricardo Veiga. Sem querer influenciar a vossa opinião, o testemunho dele é qualquer coisa de assombroso (pelo lado positivo). E é por isso que é para mim uma honra conceder-lhe esta atenção numa época tão especial de renascimento. Porque também ele renasceu das "cinzas". Deliciem-se com a segunda parte.)

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  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Para o nível que pratico? Vou dizer "nenhumas": sapatilhas, calções, tshirt e, no mínimo, um relógio de ponteiros para não perder a hora de almoço são essenciais. Hoje há mais gente na rua a correr e muito povo nas provas, antes apenas viam. Noutro nível, sim, as diferenças são abismais, principalmente no que hoje se sabe a mais sobre o corpo humano e os efeitos que a alimentação tem nele, embora me deixe muito contente, um contente rebelde, note-se, que ainda haja marcas antigas para serem batidas.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Tenho muitas. Desde a história que me levou a começar a correr, às mil e uma peripécias pelas quais passei ou que testemunhei nestes dois anos.
No entanto o que mais gravado me fica são as fotografias mentais do meu estado emocional em alguns momentos de prova, treino ou aventura. Fosse eu pintor...

  • Aventura marcante

Tenho muitas. Desde um RP (recorde pessoal) dos 10 km às 19h00 ainda de direta de uma maluqueira de copos e engate, ténis desapertados e rebolão no chão a 01 km da meta, à pequena loucura que é fazer sozinho, de noite/madrugada, Coimbra->Figueira por um caminho que não conhecia.

Marcante? Caramba, a primeira vez que corri mais de 05 km, ou quando me estreei depois dos 10 e só parei aos 19 km porque me sentia bem e então a ideia de continuar passou do "posso continuar" para o "tem que ser, tem que ser".
 
A maratona do Porto de 2018, com uma gigantesca entorse fresquinha de três dias. Treino na quinta-feira, 01 km de trail completamente inofensivo e pimba: tornozelo torcido, cheio de dores e imediatamente inchado para fora da sapatilha. Muito chorei em casa nessa tarde enquanto esperava pela Ema Sofia para fazer magia no pé. Chorava de desilusão, queria tanto correr a minha primeira maratona, e chorava de dor, tinha feito o que o médico tinha mandado e não o que a Ema tinha ordenado: "não pares o pé!" mas como tinha adormecido no sofá com o tornozelo levantado, já não o consegui poisar no chão sem berrar que nem um bebé...
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A sobrehumana Ema Sofia conseguiu-me então pôr "fight ready" com um "queres ser feliz? vais correr a maratona e vais ser feliz" e lá fui eu com o pé impecável, depois de muita "mezinha" nas duas noites anteriores, ligado e com a promessa de que teria que o soltar assim que passasse a meta. Correu bem, fui feliz e acabei a prova em menos de 4 horas, ria e chorava a subir para aquela meta. 
Também Barcelona 2019 foi uma linda aventura, foi a prova mais fantástica que poderia fazer.
 
A muito recente meia maratona de Coimbra onde, após falarmos na partida, resolvi não olhar para o relógio e dar tudo, desse o que desse. E, Deus meu, como deu...06 minutos melhor que o meu melhor. Bati os meus melhores 05 e 10 km numa prova de 21. Que tal?

Claro que a mesma estratégia não resulta sempre: vide a maratona do Porto, 15 dias depois, em que perdi completamente o respeito à distância e fui merecidamente trucidado pela mesma.
Sou um tipo de momentos e corro também para coleccionar aventuras. Ficam comigo para sempre. A corrida faz-me entrar numa realidade paralela sem igual, tudo lá faz sentido, é tudo meu.

Tenho algo como verdade absoluta: há sempre mais corridas. Sempre.

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  • Participação em prova mais longa

As maratonas que fiz, a par do Coimbra-Figueira que hei de repetir em breve por um caminho mais longo mas mais simples.

  • Objetivos pessoais futuros

Para já necessito urgentemente de ter registado menos de 03h45 numa maratona, como vimos há semanas. Necessitava tanto que apontei para as 03h30 com o estrondo que ambos vimos (para todos os outros: estouro e consequente desistência).
Está marcado para fevereiro. Prometo ter calma...

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

O atletismo irá continuar a evoluir como a sociedade faz evoluir determinado grupo de indivíduos que cedo se especializam em alguma atividade desportiva. Se alguém novito hoje, predisposto para um foco, resiliencia e ética de trabalho acima da média tiver aliado uma boa componente genética, terá tudo para evoluir como outros não conseguiram noutras épocas. O avanço científico é grande de mais para que isto não seja verdade.

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  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

De preferência a fazer parte dele, tal como hoje. Também no sofá a chorar baba e ranho quando assisto a provas ou simplesmente chegadas, tal como hoje também já acontece sempre.
Agora a sério: quero muito experimentar triatlo, penso que terei condições de o fazer convenientemente daqui a um ano, ano e meio. Falta a bicicleta e meter-me na natação mas, o que são 2/3? Nada.

Continuar a emagrecer devagar e com cabeça (comecei com 100, vou nos 91), a ganhar força e a cuidar dos meus fracos e asmáticos pulmões que obriguei a papar fumo por mais de 25 anos. Chegarei lá mas a ideia é que seja sempre um "work in progress", não há lugar para esse tipo de conforto na minha vida.

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24
Dez19

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Mesmo mesmo a chegar ao natal, quero trazer-vos a história de alguém muito especial que já conhecia antes de começar a correr mas com quem só travei amizade nessa altura.

Hoje falo-vos do meu muito estimado Ricardo Veiga, "camarada" de corridas e que, na verdade, já tinha sido meu chefe num anterior emprego. As voltas que a vida dá.

Para este caso, não interessa o cruzamento prévio dos nossos caminhos. Além de uma pessoa que muito estimo, o Ricardo tem uma história que merece ser contada, que vai quebrar muitos tabus relacionados com doenças psicológicas e com o sexo masculino.

Também pela importância desta mensagem, decidi presenteá-lo e presentear-vos com esta verdadeira inspiração para quem quer que se encontre à beira do abismo como ele esteve. A corrida ajudou-o e fez com que ele se ajudasse a si próprio.

Por isso, parti esta exposição em dois dias e quero divulgá-la nesta época natalícia, precisamente para mostrar que nunca é tarde para renascer e que, além disso, o desporto, e em especial a corrida, são o motor certo para desencadear e reforçar essa mudança.

Espero que vos toque tanto quanto me tocou a mim.

Aqui vos deixo a primeira parte da vida do Ricardo.

 

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  • Nome

Ricardo Veiga

  • Idade

 42

  • Equipa

Sempre

  • Praticante de atletismo desde

Desde 2.º semestre de 2017, início de 2018. Coisa curta mas longa história...
Abreviar não será fácil mas cá vai disto, se conseguir alcançar alguém com o mesmo tipo de percurso, valerá a confissão, sei que muitos dos actuais corredores começaram a correr para fugir a algo e nem sempre à polícia:
Comecei a correr quando me vi num estado crítico de depressão. Tão crítico que, embora não planeasse ainda medidas mais severas de autodestruição, a ideia já nem me parecia tão absurda. Estava realmente doente e, um dia, ao assistir online a uma palestra onde alguém falava exactamente o que sentia, eu percebi como estava.
Não procurei ajuda mas tentei lentamente levantar-me. Demasiado teimoso mas, ao mesmo tempo, capaz de perceber que iria dar trabalho mas que iria conseguir.
O contexto, contudo, não era o mais favorável: desempregado, quase sem dinheiro, sem perspectivas, furioso com tudo, revoltado com o mundo, numa relação em que já nada funcionava e emocionalmente longe da família mais próxima. Na minha cabeça sobravam alguns amigos com quem (quase) tinha coragem para partilhar qualquer coisa. Passava os dias no escuro, ora insensível a tudo ora a chorar cheio de pena de mim próprio, o pior dos sentimentos.

Então tracei um pequeno plano: "necessito de estar vivo todos os dias, nem que seja por umas poucas horas, vou acordar de madrugada em todos eles e vou sair à rua para andar ou correr, necessito de me mexer, necessito de algo onde não tenha amarras, onde ninguém me diga que não, onde possa ganhar todos os dias nem que seja uma ilusão que me dure um par de horas. Depois sim, volto ao escuro, deito-me e durmo. Amanhã repito."
E assim foi. Deixei de fumar de um dia para o outro, vício de 25 anos, e cortei a bebida mas continuei asmático.

Ora toda esta nova rotina foi meio caminho andado para me livrar da namorada que já não me aturava como eu não a aturava a ela, deixámos praticamente de nos ver: eu a viver de madrugada e a desligar à uma da tarde depois de sair e correr, comprar e fazer pequeno almoço, depois caminhar, comprar e fazer almoço e demasiado cansado depois para fazer algo mais que não dormir. Entretanto ela acordava. Top, o mundo lá sabia que afinal o Ricardo até era feliz entre as 6h00 e o meio dia. Foi quando resolvi criar a personagem de Instagram Ricardo Veiga, o atleta pesadinho que deixava a pele toda na estrada enquanto filosofava sobre coisas básicas como.... escolhas. Não era eu mas era um pouco, chegou a viver por mim durante largos meses, cada vez que necessitava esconder-me da luz, a preto e branco é muito mais fácil.
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Percebi que o curto plano resultava. Foi a faísca de que necessitei para tomar opções e para ganhar confiança para voltar a sair à procura de trabalho. E, na verdade, a correr cada vez mais. Foi pouco depois que fiz a primeira meia maratona, já empregado. Figueira da Foz, Junho de 2018.
Cheio de valentes dores todos os dias, claro. Era tudo à bruta, o que me interessava era exorcizar-me diariamente nem que me caísse uma perna. A fúria lá foi passando, mesmo com algumas recaídas da tal depressão, umas mais leves que outras, mas cada vez mais consciente de que a corrida tinha vindo para ficar mas, para que a tal perna não me caísse, necessitava de ter alguma cabeça. Lá a fui ganhando, o mínimo, talvez. O mínimo de cabeça para não me lesionar a sério e já a pensar seriamente em planos de melhoria. Assim tem sido, tem corrido muito bem, com altos e baixos, claro, mas muito orgulhoso.

 Nestas coisas é sempre cedo para cantar ao mundo os resultados mas já consigo tirar algumas conclusões: a corrida é a minha actividade favorita hoje em dia, só não tenho é tempo para me dedicar tanto a ela. Hoje, num contexto pessoal já 100x melhor, estável e em franca evolução, é curioso como já não a uso para acalmar a tal fúria, antes para me alinhar novamente com o Ricardo que sabe porque começou a correr. Agradecer, agradecer e agradecer. Calçar os ténis e ir, sempre que dê. Para quem lê e se possa, de certa maneira, rever no que escrevo, fica a sincera mensagem: vale mesmo a pena aguentar, por muitas dúvidas que o contexto possa trazer. É urgente trazer actividades para a nossa rotina que nos reforcem positivamente, só essa luta interessa, tudo o resto vem com o tempo, acreditar e ter a pachorra possível. Repetir depois, ter fé e repetir.

  •  Modalidade de atletismo preferida

Corrida de médio e longo curso, preferencialmente em estrada mas convidem-me que eu estou por tudo.

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  • Prefere curtas ou longas distâncias

Sinceramente eu gosto de todas as distâncias, vejo um charme diferente mas igualmente irresistível em todas elas.
Não posso, no entanto, negar que sou um apaixonado pelas provas longas.
Sou louco pela ideia da superação pelo esforço e pela fé, pela raiva e pelo amor, no acreditar que vale a pena o sacrifício que é correr mais que duas horas, o morrer e o renascer, a ideia da redenção por via do dar cabo do corpo desta maneira...porque metemos na cabeça que temos que ir do ponto A ao ponto B de sapatilhas, sejam 10, 20, 30, 40. Está muito lá ao fundo, para lá da vista, o nosso destino, o ponto de chegada onde o mundo e a vida voltam a fazer sentido. Tenho que acreditar que ali vou ser feliz, nem que o seja apenas no sprint para a meta, confesso que já chorei muito a sprintar para uma meta, como acontecia chorar sempre antes de arrancar para uma corrida, bastava motivar-me com um "sabes como chegaste aqui".
A sensação de glória e heroísmo por saber que corri na corda bamba do meu limite, por nada palpável na verdade. Não sou nenhum Gebresselasie ou Kipchoge e nunca hei de subir a um pódio, isso torna tudo demasiado quixotesco para a ideia não me emocionar de imediato.
A minha cabeça é racionalmente refém da lógica para muito do que faço e para o modo como estruturo o meu pensamento mas, para loucuras destas, deixo toda a lógica na almofada e deixo as minhas entranhas conduzirem. Por isso não me considero, hoje nem nunca, um atleta; sou um tipo que, como muitas outras pessoas, necessita de experiências que o tragam uma ilusão da realidade. Um conto, uma história, um romance de faca e alguidar de cada madrugada de folga que saia à rua, é isso que procuro.

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  • Na atual equipa desde

Sempre corri sozinho, mas isso faz parte da minha maneira de estar. Necessito muito de explorar a minha solidão para depois apreciar a companhia dos outros.
No entanto dá-me um gozo descomunal quando, pontualmente, tenho a hipótese de correr com algum dos meus caríssimos amigos que também partilham desta paixão.
Encontrar a Lígia Casimiro em metade das provas que faço é muito reconfortante, correr com ela é como sentar-me a uma mesa com família próxima e não ter que dizer nada, está tudo ok. Ter-te reencontrado a ti é altamente motivador, especialmente pelos conselhos sábios e valentes tareias que me dás, afasto-me de ti sempre mais sábio, os trails faço-os por norma com o meu querido Pedro Marques, dos tipos mais singulares que conheci até hoje, um verdadeiro camarada cheio de paz, inteligência e solidariedade. Guardo também com muita saudade a oportunidade de ter corrido um par de madrugadas com o meu "irmão de armas" Ricardo Mota, ex-companheiro de outras aventuras e alguém que tb admiro muito a nível pessoal.
É claro que quero também muito correr com outros. O meu querido Mário Dias, tenho que ir fazer uma loucura com ele assim que alinharmos agendas. Ele é a maior máquina que conheço, assim como o João Nunes que, infelizmente, viu há poucos meses uma lesão interromper-lhe uma evolução segura e que eu muito invejo.
E.... Last but definitely not least, a minha mui querida Noemi Cruz, das pessoas mais próximas que tenho, que me puxou pra correr da primeira vez e que está a necessitar de um empurrão fraterno para levantar o rabo do sofá e voltar a correr. Tarefa minha, claro...

  • Volume de treinos por semana

Depende muito de como anda a minha vida, tem levado algumas voltas, felizmente que, por boas razões, não consigo sair para a estrada mais que 2/3x por semana no máximo.
No entanto, tenho aproveitado essa menor disponibilidade para correr tantas vezes para fazer muitos mais quilómetros sempre que possível. Esse facto, aliado a mais dias de descanso e a uma regularidade aceitável de treinos funcionais tem-se revelado essencial a uma melhoria nítida de performance.

 

(fim da primeira parte, continua amanhã)
Importância dos treinos

Importantissima. Sou da opinião que a consistência é a chave para maior rapidez, resistência e, acima de tudo, maior conforto na adversidade típica das provas longas.
Os treinos devem ser o mais diversos que conseguirem, desde rolar mais tempo, tirar 45 minutos para fazer umas séries, treinar rampas, corrida progressiva, fartleks, tudo ajuda a cimentar cadencias mais elevadas associadas a maior resistência e disponibilidade física quando a prova o exige.

Reconheço mas nem sempre consigo essa consistência. Se tiver que aconselhar alguém, é por aí mesmo: consistencia e diversificação de treinos.

  • Se tem  ou não treinador

Não e sim. Eu próprio, os meus amigos corredores mais próximos, e dezenas de ideias de gente confiável nas internetes.
Resumindo: sei o que hei de fazer mas tudo depende do meu tempo e da minha vontade em fazer treinos específicos uma vez que em 90% das vezes eu quero é sair à rua e rolar.
Ou seja: não tenho, sou muito teimoso e, nove em cada dez vezes eu faço o que quero, ninguém me aturaria. :)

14
Dez19

Aconselho vivamente


João Silva

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Porque correr também é partilhar, acho que os amantes deste desporto e os falantes de línguas vão apreciar esta sugestão.

Porquê? Porque se trata de um excelente podcast que ouça há algum tempo e que me faz sentir em casa.

É falado em francês já que os intervenientes são gauleses e basicamente presta-se a expor todos os assuntos, mesmo os mais problemáticos ligados a coisas como alimentação e preparação mental, associados à corrida de uma forma despretensiosa e sem lobbys.

Ambos praticam a modalidade, um deles é agora treinador e não têm limites: falam de trail, falam de estrada, de equipamentos, de conteúdo interessante de corrida, de nutrição, vão a eventos das modalidades e, aquilo que mais me fascina, expõem as histórias marcantes e fantásticas de pessoas que se agarraram e agarram ao desporto para sobreviver, para combater casos de violência doméstica ou psicológica, para dominar fenómenos como anorexia. 

Genuinamente, vale cada minuto. Dão espaço às histórias e às pessoas e fazem algo digno de registo e verdadeiramente diferente: contam as histórias e apresentam os atletas (mesmo amadores) fora das provas, não em contexto de competição, o que traz um ar muito mais relaxado ao podcast.

Por fim, digo-vos o nome do podcast: Dans la tête d'un coureur.

E podem visitar a página aqui e ouvir o podcast aqui.

Espero que gostem tanto quanto eu.

10
Dez19

A corrida deu-me o amigo que a vida me "tirou"


João Silva

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O desporto é maravilhoso e tem histórias fantásticas para oferecer.

O jovem que veem na imagem é o Filipe Coelho. Não querendo avançar muito sobre quem é este gigantone, até porque merecerá honras neste blogue amanhã, digo-vos que foi um "reachado".

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Passo a explicar: o Filipe foi meu colega de escola em Quiaios desde o 5.º ao 9.º. Foi um grande amigo na altura, sempre tivemos uma grande empatia e foi daquelas boas pessoas que a vida tem por hábito "levar" das nossas vidas. 

Porquê? Porque a entrada no ensino secundário nos levou para escolas e vidas distintas.

No tempo em que estivemos na Figueira da Foz, cerca de 3 anos, só nos cruzámos uma vez.

Depois disso, universidade e anos a fio sem sabermos do paradeiro um do outro.

Até que...no dia 04 de novembro de 2016, este vosso amigo foi participar como caminheiro no seu primeiro trail em Ega. Na altura, fui com os meus cunhados, também eles muito especiais.

Os momentos foram de tal forma maravilhosos que não resisti a colocar algumas fotos no Facebook.

O Filipe viu as ditas e contactou-me porque também ele lá havia estado naquele dia.

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Valha a verdade que não nos vimos no dia 04. Contudo, o meu (reativado) encantamento pelo desporto fez com que partilhássemos aquela paixão pela corrida.

A vida faz mais uma vez das suas e o jovem veio viver com a namorada Tânia precisamente para onde? Exatamente, para a minha vila, Condeixa-a-Nova.

Reatámos contacto e voltámos a trocar histórias e episódios fantásticos.

É verdade que, mesmo assim, não estivemos sempre juntos, mas ficámos muito mais próximos.

Foi a primeira pessoa com quem treinei, ainda bem roliço.

Agora, já pai de um filhote, o Filipe e a namorada vivem em Coimbra, mas, ainda assim, o contacto manteve-se. Na verdade, o "Fifi" e a Tânia são um casal nosso amigo.

A última foto que podem ver diz respeito ao trail de Alcabideque em que, mesmo não participando, fiz questão de estar presente para lhe dar um abraço.

Ao longo destes anos todos e mesmo não estando ou falando sempre, continuo a considerar o Fifi como um amigo, um dos verdadeiros, um dos poucos. E fiquei muito orgulhoso dele quando se tornou ultramaratonista em junho deste ano, em Miranda do Corvo.

07
Dez19

A corrida vista por uma fisioterapeuta


João Silva

Ao longo dos últimos anos assistimos a um verdadeiro “boom” no que à atividade física diz respeito. São cada vez mais aqueles que por questões de controlo de peso, saúde ou bem estar procuram realizar uma atividade física regular.


Se o aumento da procura de uma atividade física regular é motivo de regozijo entre os profissionais de saúde, nomeadamente na prevenção das doenças cardiovasculares, problemas de obesidade e do foro emocional, entre outros. Mas este crescimento deixa-nos também preocupados devido ao aumento de lesões musculoesqueléticas que lhe estão associadas.


De todas as atividades físicas possíveis, a corrida têm tido um crescimento de adeptos impressionante talvez por ser uma atividade altamente versátil e que permite uma liberdade enorme na escolha de horários e de locais de treino, é um desporto “barato” pois não exige muito
equipamento e adapta-se a muitas pessoas diferentes.


No caso específico dos corredores amadores são os membros inferiores os mais afetados, sendo que as lesões podem ser ligadas a fatores intrínsecos ou extrínsecos.


Por fatores intrínsecos entende-se a falta de força muscular, a flexibilidade do atleta e alterações posturais que podem facilitar o desenvolvimento de lesões. Por fatores extrínsecos podemos compreender os erros de treino e a falta de conhecimento técnico por parte dos atletas.


Existem, no entanto, outros fatores que podem aumentar o risco de lesões em atletas amadores como é o caso de um índice de massa corporal elevado, da utilização de calçado desadequado e a presença de lesão prévia.


Como fisioterapeuta, sou muitas vezes questionada por utentes e amigos sobre o tema da prevenção de lesões e o meu primeiro conselho é sempre o de respeitar a sua individualidade biológica e gerir as cargas de treino a que se impõe. É, para mim fundamental, que o atleta tenha em conta o volume de treino e a intensidade e que respeite os seus limites.
Claro que um atleta experiente conseguirá sempre gerir melhor o seu esforço e o risco de lesões que lhe está associado em relação a um atleta iniciante.

Mas mesmo assim é sempre melhor ter muita atenção.


Deixo-vos agora alguns conselhos que podem, em minha opinião, ajudar a diminuir o risco de lesões em prática desportiva amadora e que podem ser facilmente colocados em prática por todos:


- A alimentação e a hidratação são fundamentais para manter um corpo saudável e equilibrado ajudando assim a melhorar a performance do atleta e diminuindo o risco de lesões.


- Respeitar os seus períodos de recuperação é de extrema importância. Quanto menos experiente se é mais necessidade de tempo de recuperação precisamos. E sobretudo deem muita atenção aos sinais de sobrecarga como aumento da frequência cardíaca de repouso, desmotivação e fatigabilidade entre outros.


- A prevalência de lesões está intimamente ligada à fraqueza muscular por isso só lhe posso aconselhar a criação de um programa de reforço muscular que poderá alternar com o treino de
corrida propriamente dito.


Desta forma os seus músculos serão mais resistentes e as suas articulações estarão mais protegidas.


Este fator é essencial em atletas com excesso de peso.

- Não saltem as fases de aquecimento e sobretudo as fases de alongamento. Elas são de extrema importância para manter o equilíbrio do seu corpo antes e depois do esforço.


- Usem o equipamento adequado. Em caso de dúvida o melhor será mesmo pedir uma avaliação junto de um fisioterapeuta ou de um profissional de educação física de forma a que o seu programa de treinos seja otimizado e equilibrado.
Caso os pés e tornozelos sofram muito com a corrida, uma consulta com um podologista para adaptação de palmilhas pode ser necessária.


- Não queiram fazer tudo de uma vez e distribuam a carga de treino ao longo da semana (corrida, musculação, etc...). Sejam coerentes nos treinos e respeitem os seus períodos de recuperação.


- Não exijam demasiado de vós nem em treinos nem em número de provas. Progridam gradualmente: se aumentam a intensidade, diminuam o volume e vice-versa e sobretudo aprendam a ouvir o corpo.
Quanto melhor o conhecerem, mais ele será vosso aliado.


- Aproveitem ao máximo o prazer da corrida sem se preocuparem exclusivamente com os resultados que podem obter. É fundamental ter objetivos de treino que sejam realistas e não criar frustrações desnecessárias.


Espero que este post vos tenha agradado e elucidado sobre a prevenção de lesões e a que profissionais recorrer em caso de necessidade.


Por minha parte resta-me agradecer ao João esta oportunidade de escrever no seu blog assim como o desafio de escrever, pela primeira vez, sobre um tema no âmbito da minha verdadeira profissão.

 

Aqui fica uma oportunidade para conhecerem o belo espaço da Nala. Aconselho vivamente. Trata-se de conteúdo capaz de nos fazer refletir sobre coisas muito profundas e às quais não prestamos a devida atenção. Além disso, conta também com muitos outros temas dignos de  consulta. Só temos a ganhar.

 

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03
Dez19

Perder e falhar são dois direitos que tenho...


João Silva

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Para ser honesto, esses direitos também se estendem a todos vós.

Penso muitas vezes nessa ideia e à medida que vou envelhecendo dou por mim a aceitar melhor o facto de que o erro e o falhanço são tão importantes como o sucesso e a glória, não só porque os primeiros são os impulsionadores dos segundos, mas porque é uma relação fechada. Não existem de forma individual, tal como a tristeza e alegria.

Claro que aqui trago o assunto associado ao desporto, mas ele "estica-se" a tudo na nossa vida. Não se trata da ideia do "errar é humano". Prefiro seguir na linha de "errar permite evoluir".

De uma forma geral e sem contemplar as exceções, o erro é o elemento responsável por desencadear uma reflexão, logo, é o primeiro grande contributo não só para impedir a repetição das falhas como também favorece o crescimento, a evolução.

Cada vez mais, dou por mim a procurar casos de atletas que falharam de alguma forma e que canalizaram esse fracasso para transformarem a sua carreira num verdadeiro sucesso.

Não faço isso por sadismo mas para meter na cabeça que é legítimo errar e que isso deve ser visto como algo de positivo, mesmo que no momento não seja apreciado dessa forma.

Claro que não estou a defender ou a dizer que um insucesso deve ser celebrado no momento como uma vitória. Porém, após deixarmos o tempo atuar e a nossa consciência analisar o que se passou, devemos aproveitar essa oportunidade "perdida" para estabelecer a ponte para o lado positivo.

Aceito o argumento de que não me devia preocupar com isso porque não sou profissional, mas, como sempre defendo, não sou profissional na carteira nem nos patrocínios, mas sou-o na minha cabeça. Afirmo-o sem qualquer presunção, com a consciência de que exijo muito de mim, não porque acredite que vá ganhar alguma prova algum dia, mas porque essa é uma característica forte da minha personalidade.

Não me vejo de outra maneira, nem quero, mas preciso de compreender que a derrota e o erro podem ser uma "bênção".

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