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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

27
Set21

Bloqueios


João Silva

Uma enorme percentagem de um bom desempenho recai sobre o lado mental.

Se pensarmos no futebol ou no ciclismo, é o bloqueio mental e a falta de confiança que levam muitas equipas ou atletas a cair em desgraça.

Ora isto não é diferente entre atletas amadores e profissionais. Só que os profissionais conseguem ter mais mecanismos de apoio.

No entanto, um belo par de bloqueios é bem capaz de nos travar.

Não sou exceção e até consigo identificar alguns fatores que me impedem de ir mais além (não só em termos desportivos).

Reconhecê-los é importante, mas tem sido difícil ultrapassá-los.

Desde logo, tenho o bloqueio do medo. Por exemplo, medo de dar o descanso necessário ao corpo para que consiga assimilar os treinos. Medo de que parar um dia seja sinónimo de deixar de correr (este ponto carece de mais umas semanas para dar uma resposta válida). Medo de mudar alguns hábitos de treino, porque isso me "mandaria para fora de pé".

Depois do medo, a insegurança, que se reflete, por exemplo, no permanente levantar de obstáculos às minhas escolhas. Incapacidade (voluntária) para reconhecer o que foi feito e para usar isso "como cartão de visita".

A rotina da metodologia: jogar ao gato e ao rato com os mesmos métodos, impede-nos de evoluir.

Há inúmeros pontos de bloqueio, mas há um que é uma espécie de parafuso que se solta sempre na minha cabeça: a comparação. É importante relativizar o que fazemos e reconhecer que há quem faça melhor do que nós, mas isso nunca nos pode melindrar nem tirar a capacidade de agir.

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25
Set21

Autodestruição


João Silva

Há uns dias falei na autoestima e na sua existência na minha vida pela via do desporto e agora trago a outra companheira de vida: a autodestruição.

Pois bem, sempre tive de sobra e, infelizmente, nem a corrida me ajudou a resolver isso, embora ainda me permita acalmar.

Este fenómeno consiste em mecanismos mentais que visam o autoinsulto permanente e o julgamento permanente de todas as minhas ações.

Transferindo isto para a corrida, reflete-se na não valorização das conquistas, na elevação de expectativas, na incompreensão face a alguns aspetos de treino e na comparação frequente com outros elementos.

A consequência imediata de tudo isto é minar a minha confiança, o meu desenvolvimento.

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Porém, este fenómeno pessoal já me assombra desde a minha infância. Não é novo.

A minha insegurança e o meu sentimento de inferioridade tratam de fazer o resto.

Agora que voltei a uma fase mais débil da minha personalidade, consigo criticar-me com maior facilidade, o que me faz pior.

No caso da corrida, este ano está a ser uma maravilha para o "manda-abaixo", porque os resultados não foram bons no primeiro semestre e isso é mais uma forma de minar o meu próprio progresso.

Dou por mim a questionar constantemente as minhas opções. Não é mau fazer o papel de polícia mau de nós próprios. O problema é fazê-lo de forma desmedida e destrutiva, que não leva a lado nenhum.

A rever.

19
Set21

Autoestima


João Silva

Foi coisa que nunca abundou por esses lados. 

Histórico familiar difícil, falta de meios de financeiros em toda a infância e idade adolescente e insegurança são alguns dos fatores que contribuíram para isso.

Em termos desportivos, que é o ponto em análise aqui, havia excesso de peso a retirar confiança.

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Portanto, nunca tive propriamente grande noção daquilo que valia (falo de qualidades) e isso impediu-me de evoluir quando jogava futebol. Ao ponto de nunca acreditar que me poderia destacar. 

Estes níveis de crença em mim ficaram nas lonas. Em 2016, na sequência de mais complicações familiares, "acabei" num psicólogo, que, entre outras coisas, teve o toque de Midas, quando me faz ver que precisava de uma paixão pessoal para conquistar confiança e autoestima.

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No alto dos meus 118 kg da altura, achei que seria a corrida que me ia dar isso.

A verdade é que comecei aos poucos e, mesmo com aquele peso todo, percebi que era o veículo para alterar a imagem que tinha de mim.

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Todo o processo faseado de reeducação alimentar e de perda de peso deu-me uma imagem diferente de mim, mais forte. Fez-me acreditar que era possível e dava para reverter o que estava mal. O físico não é tudo, dizem. E eu concordo. Porém, também devo reconhecer que essa mudança física me ajudou a ganhar uma maior valorização pessoal. Foi muito importante.

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A partir desse momento, criei uma espécie de balão de confiança, que me ajudou a enfrentar alguns problemas pessoais e que deu pensamentos positivos.

É por toda esta transformação que não vos sei explicar o quão relevante a corrida é na minha vida.

Os bons resultados que fui tendo (para a minha realidade) trataram de fazer aumentar a minha noção de valor próprio.

Por mais paradoxal que possa parecer, ser pai escancarou-me outra vez a porta da autodestruição, não pelo Mateus, que foi a melhor coisa que me aconteceu, mas porque me confrontou com fantasmas, perspetivas e diabruras.

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A vantagem agora é que tenho mecanismos que me ajudam a lutar pelo amor próprio. Um deles é a corrida. Daí a necessidade diária de correr. Porque correr também é a minha terapia. 

26
Jun21

Há lugar para isso ou não?


João Silva

De quando em vez lá aparece a "inquisição" pública para destruir um ou outro atleta pelas suas ações e palavras, sobretudo, no campo político e social.

Há quem defenda que um desportista não se deve meter nessas coisas.

Não sei o que acham disso. No meu entender, se estamos a falar de pessoas, estamos, à partida, a reconhecer que são seres sociais com deveres e direitos cívicos e, como tal, têm direito a enviar mensagens sociais e políticas.

O desporto tem um estatuto de exemplo, portanto, muitos crescem a olhar para aquelas pessoas como ídolos. Se o desporto se coaduna com futilidade, comércio desenfreado e corrupção, por que motivo só se questiona a conduta de um desportista quando este faz um gesto que reprime uma dada ação social e política?

Sempre vi no desporto uma função social. Mexe com muita coisa. Basta ver a estupidez que grassa por aí à conta de comentadores desportivos. Então isso é permitido mas ter um festejo que simboliza uma causa social ou que é contrária a um regime político não é tolerado? Faz algum sentido?

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02
Jun21

E se perguntarem aos envolvidos...


João Silva

Prometo ser breve. 

O tema é claro como água: ao que parece, vamos mesmo ter Jogos Olímpicos. 

Faz sentido? O Comité Olímpico acha que sim. Aliás, há uns meses, mas já em finais de 2020, veio a terreiro dizer algo como "não admitimos a hipótese de não se realizar em 2021".

Ouvi relatos de vários atletas e treinadores, de vários países. A insegurança é palpável. 

Perante tudo isto, face à possibilidade de limitação de contactos entre comitivas, à necessidade de restringir acessos e ao risco real de algo que nunca ninguém viveu até ao momento, pergunto: faz sentido realizar uma das provas mais apaixonantes do planeta apenas pelo dinheiro?

Faz sentido fazer aqui o que se faz no futebol e seguir viagem como se nada fosse porque o que importa é o jogo e "a vida continua"?

Não será isto uma velha máxima mas ao contrário: o palhaço está doente mas "hoje" há circo?

E cada um dos envolvidos no espetáculo não deveria ter uma posição?

Já alguém perguntou aos atletas se queriam que a prova se realizasse?

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22
Jan21

Com cetose ou sem cetose?


João Silva

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Em parte, lancei o "isco" para este tema com o artigo passado, o dos FODMAP.

Ora bem, o tema é muito com3e polémico. 

Em termos pessoais, revelo já que não sou praticante nem apologista de algo assim, embora seja cada vez mais utilizado, por exemplo, no ciclismo. 

O meu propósito com o tema passa pela reflexão tendo em conta a corrida. 

Desde logo, como referi há dois dias, a fonte de energia primária do corpo é a glicose, que provém maioritariamente dos hidratos de carbono simples. É a chamada energia rápida. Como sabem, depois de uma prova, por exemplo, de uma maratona, são os hidratos, na forma barras energéticas, os primeiros a ingerir para dotar o corpo de capacidade. 

Ora bem, a glicose em excesso na corrente sanguínea é transformada em gordura pela insulina. Portanto, se não houver cuidado, há o risco de ganhar massa gorda. 

Embora isso não interesse muito para este texto, revela por que razão as pessoas fogem (erradamente) dos hidratos de carbono. 

Antes de mais, não se esqueçam de que o cérebro é um músculo e que, por isso, precisa mesmo de glicose para funcionar devidamente. 

Ora bem, sempre à procura de soluções (algumas são depois canonizadas por alguns lobbies) para otimizar a nossa produção de energia, o ciclismo começou a seguir a moda de muitas pessoas famosas dos EUA e hoje a dieta cetogénica ganhou um lugar de destaque. 

E o que é e em que consiste? É um regime alimentar que abdica, quase por completo, dos hidratos de carbono como fonte de energia e que, ao invés, se inclina para uma ingestão considerável de gordura (deverá ser sobretudo de gorduras saudáveis como o óleo de coco, o azeite, o abacate, os frutos secos, os peixes gordos, entre outros) e de alguma quantidade de proteínas. 

Ora bem, vendo-se sem glicose, logo sem fonte energética, o corpo é obrigado a criar energia. Como? Pedindo ao fígado que divida os lípidos em ácidos gordos e em corpos cetónicos. A este processo dá-se o nome de cetose. 

As reservas de gordura passam a ser eliminadas para gerar forma de nos alimentar. Como afirma uma nutricionista (podem ver aqui), o corpo faz isso porque entra num estado de SOS, já que lhe faltam hidratos de carbono. 

O benefício que muitos procuram neste regime é que se perde volume e gordura efetiva muito rapidamente. (Este é o argumento usado por influencers e marcas). 

Por outro lado, sem glicose, os músculos não funcionam muito bem e as tonturas, a fraqueza ou a irritabilidade são uma constante. 

Pensem agora nisto no corpo de um desportista: numa maratona, precisamos de energia imediata. Se optarmos por ingerir gorduras no meio de um exercício físico intenso, não vamos receber energia imediata, já que o processo de cetose é muito mais lento que o da transformação da glicose em energia. Além disso, dada a sobrecarga que se pede ao fígado, as doenças hepáticas podem estar já ao virar da esquina. 

Embora ainda não se saiba muito sobre benefícios ou prejuízod para o corpo a longo prazo, sabe-se que a dieta cetogénica tem a vantagem de reduzir o nível de açúcar no sangue, de baixar o colesterol mau e de estimular o metabolismo. 

Escusado será dizer que não deve ser adotado de ânimo leve e que é necessário acompanhamento médico. 

Como forma de produção energética para otimizar o rendimento desportivo, não aprovo. No entanto, pode ser benéfica apenas com forma de estimular pontualmente o metabolismo dos corredores. 

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19
Nov20

A mudança de uma vida (e para a vida?!)


João Silva

Faz hoje, dia 19, precisamente 4 anos que mudei por completo a minha vida. 

Após tanto escrever e falar sobre o assunto, já não há nada de novo a acrescentar sobre o facto de me ter visto livre de um problema e de ter encontrado um rumo pessoal.

E é no fundo isso que fica no meio de todo o processo de perda de peso: ter baixado de 118 kg para 66 kg de forma gradual e sustentada com a corrida foi, ao mesmo tempo, encontrar um rumo para mim, não a nível íntimo nem profissional, mas sim a nível de imagem de mim próprio.

Embora ainda hoje lute contra imagens que me ficaram na cabeça e contra hábitos de pensamentos autodestrutivos, a minha vida mudou. Tenho e devo aceitar isso. Fazer as pazes comigo, porque não preciso de estar sempre em guerra interna. Esse é o lado negativo do processo. É preciso chegar a vias de facto com o nosso eu mais escondido, o que dói e deixa marcas.

Passado todo este tempo, ainda vivo com medo de deitar por terra tudo aquilo por que passei e de perder a minha maior vitória: ter encontrado o eu que estava lá bem no fundo e que sempre desejou ser assim. Fugi, em passo de corrida, de tudo isso e sinto-me agora mais estável e maduro do que há doze anos, quando enfrentei algo semelhante, mas não consegui que a mudança aguentasse mais de seis meses.

Agora já lá vão quatro anos. Talvez pelo que aconteceu em 2007 ou 2008, ainda sinto que posso resvalar. Porém, agora tenho duas armas fortíssimas que não tive na altura: uma esposa que me apoiou e apoia ferreamente em todo o processo e um vasto conhecimento de estratégias para lidar com ataques e fragilidades que me põem em causa. 

Dizem que uma mudança tem tendência a perder-se e a ser revertida ao fim de dois anos. Felizmente, tenho lutado para que assim não seja e já lá vão 4 anos desta nova realidade. 

E é por acreditar que este sou mesmo eu e que isto que agora sou sempre foi aquilo em que me quis tornar que alimento a esperança de não perder esta mudança, que tanto custou (a mim e à minha família mais chegada). 

Vou continuar a ter fantasmas dentro de mim, mas também vou continuar a ter a minha maior qualidade: força de vontade. Espero e desejo que esta última faça dissipar todas as dúvidas em relação áquilo que sou.

Se tenho medo? Sim, sempre me acompanhou em todo este processo de reeducação alimentar. Se pensei em recuar? Algumas vezes, sem dúvida. Porém, até agora nunca deixei que nada disso me inibisse na minha missão interior.

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15
Set20

Mais um daqueles que dão sempre jeito


João Silva

Num mês que é marcadamente dedicado ao regresso aos manuais e às questões escolares e académicas, trago-vos mais uma sugestão de um livro que adquiri na Deco Proteste e que se mostrou (e tem mostrado) muito importante para o meu reforço muscular.

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Honestamente, nunca pensei que pudesse ser tão fácil fazer exercícios em casa sem grandes recursos a acessórios.

Esta publicação mostrou-me isso, muito antes de correr a minha primeira maratona.

É bastante exaustivo, chegando mesmo a apresentar planos de treino e algumas dicas alimentares.

 

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Os exercícios estão bem delimitados por níveis e por tipologias de treino, facilitando assim a consulta.

Além disso, a explicação dos exercícios também é bastante acessível, procurando simplificar a compreensão.

Recomendo vivamente.

Como era associado da Deco na altura, só tive de pagar 1,95€ pelos portes. O livro ficou gratuito.

Seja como for, deverão conseguir encontrá-lo na biblioteca de publicações da Deco Proteste.

Regra geral, é possível adquirir publicações já lançadas há algum tempo.

 

06
Abr20

Eu ex-obeso me confesso! (REPUBLICAÇÃO EDITADA)


João Silva

Na sequência da comemoração do primeiro ano deste espaço, que também acaba por ser o vosso canto, decidi trazer-vos o primeiro texto de todos.

Foram as primeiras palavras e as primeiras linhas no blogue. Serviu de catarse e sabem que mais? Ajudou a tirar um grande peso de cima.

Há coisas que não são fáceis de partilhar e, honestamente, há muita coisa que tem de ficar para nós próprios. No entanto, após o devido tratamento e processamento de tudo o que vivi desde novembro de 2016, senti que só tinha a ganhar com o desabafo.

Olho para o texto que vos deixo abaixo com muita "ternura", pois fui eu "in meinem Element", como dizem os alemães. Ou seja: fui eu próprio, sem "filtros".

Fiquem, pois, com o primeiro texto deste blogue:

 

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É caso para dizer: quem te viu e quem te vê!

Esta foto data de 06 de novembro de 2016 e funciona como o meu atestado de obesidade, tendo atingido a "mágica" marca dos 118 kg.

Desde muito novo que sempre tive propensão para engordar, não só por tudo aquilo que comia, pela falta de regras e de consciência alimentar e nutricional (e escassez de dinheiro), como também pela disposição "genética". Nunca fui alvo de nenhum exame que provasse essa mesma disposição genética, mas posso proferir a afirmação anterior com base em tudo o que foi e é a minha família.

Posto isto, passei por várias fases. Na adolescência sofri da "síndrome da rejeição", nunca fui um alvo apetecível para o sexo oposto. Na fase final da minha adolescência e na inicial da minha vida adulta, graças à prática de futebol amador num clube da terra, o U. D. Gândara, perdi cerca de 50 kg em apenas três meses. Foi um tempo monstro. Privei-me de todo o tipo de comida, o que, agora a uma distância temporal de 12 anos, confesso que se tratou de um erro.

Dado o processo de emigração dos meus pais, vivia sozinho na altura e estava prestes a entrar na Universidade de Aveiro.

Ao mudar de distrito, voltei a mudar de hábitos, trabalhei e estudei em simultâneo durante a licenciatura e o mestrado em tradução (francês e alemão) e abandonei por completo a prática desportiva, algo que sempre fora uma paixão.

Tudo isto conciliado com o facto de ter trabalhado numa pizaria e posteriormente num hipermercado com horários loucos redundou em nova subida de peso. No fundo, deixei de lutar contra a tendência e foi como se tivesse fechado o ciclo anterior da mesma maneira que o comecei: com excesso de peso. No fim de todas estas vivências, estava com 118 kg. E ainda nem tinha chegado aos 30 anos.

Passada uma fase agitada com mudança de emprego, casamento e mudança de residência, abracei novamente a missão de recuperar a minha saúde.

Foi então que "descobri" as caminhadas; primeiro com a minha cara-metade, depois com os meus cunhados (juntamente com a minha esposa, os grandes pilares e precursores da minha mudança). No dia 19 de novembro de 2016, já com duas semanas de caminhadas no corpo, decidi começar a correr.

A partir daí, mudei literalmente de vida. O gosto que sempre tive pelo desporto revelou-se o combustível certo para começar a alterar o meu padrão de alimentação e, consequentemente, a forma como via as coisas.

Agora, em abril de 2019, estou a 24 dias de fazer a minha segunda maratona oficial. Será no dia 28 deste mês em Aveiro, cidade onde vivi durante 10 anos e onde estudei, trabalhei e me casei. Será especial, sem dúvida!

Este espaço surge agora como forma de explicar ao "mundo" como a corrida mudou a minha vida e me transformou nisto:

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Haverá tempo e disposição para vos contar tudo o que fiz neste processo, para vos falar dos meus treinos diários, da minha alimentação, das minhas preferências de corrida, da minha vida desportiva, das minhas ambições pessoais e desportivas, bem como de outros assuntos que naveguem na minha cabeça, como a minha paixão louca pela Bundesliga e pelo Borussia Dortmund.

Partilharei também vídeos pessoais, relacionados com desporto ou não, artigos de entendidos, registos e informações sobre as diferentes provas. No fundo, este será um espaço que me permitirá contar-vos um pouco de mim.

Será um prazer ter-vos por aqui e contar com as vossas opiniões e/ou sugestões.

Não se "acanhem".

 

18
Fev20

Envelhecer não (nunca) é perder


João Silva

 

 

 

O convite já tinha sido feito há algum tempo e foi um daqueles que tinham mesmo de ser. Porquê? Porque reconheço na Luísa uma enorme paixão pelo desporto e isso é logo o facto digno de destaque. Partilha no seu blogue Mais boa forma conselhos muito bons. Além disso, é a prova provada de que velhos são os trapos e de que não há idades, há personalidades. A juntar a tudo isto, reúne, precisamente pelo gosto e pela idade, algumas características que reconheço em pessoas próximas de mim e que vejo como exemplo enquanto ser humano e ser desportivo. Antes de vos deixar ler o seu grande testemunho, convido-vos a visitar outro espaço dela, o blogue Uma pepita de sucesso, onde nos presenteia com histórias da sua vida e da sua bela ilha, a da Madeira.

Quando tinha 20 anos perguntavam-me porque me preocupava tanto com a saúde e com a boa forma, porque me alimentava de forma equilibrada, fazia exercício físico diariamente, estando muito bem de saúde? Respondia que era para continuar assim bem de saúde e em forma aos 40 anos.

Quando fiz 40 anos voltavam a perguntar-me o mesmo! Respondia que era para chegar aos 60 anos com saúde e energia.

Agora que estou à beira dos 60 anos, ainda me perguntam porque sou “viciada” em hábitos saudáveis, se não tenho problemas de saúde e estou em boa forma física. E mais … perguntam-me como consigo estar tão bem de saúde e em forma com quase 60 anos! Respondo que é porque sempre tive cuidado com a minha alimentação, sempre fiz exercício físico e porque quero chegar aos 80 anos assim saudável, a fazer exercício físico diariamente, a alimentar-me corretamente e ser uma velhinha muito feliz e independente!

A minha relação de amor/paixão com a saúde, atividade física e bem-estar vem de há muitos anos. Desde os 12 anos, quando decidi entrar para a única escola de ballet que havia no Funchal, percebi que o movimento é parte integrante de uma vida saudável. A partir daí o “bichinho” pelo exercício físico virou um hábito diário.

Fui também inspirada pelo meu pai, amante do desporto, jogador de futebol e massagista no Club Sport Marítimo.

Desde então, nunca deixei de introduzir no meu dia-a-dia o ballet, dança, yoga, pilates, aeróbica, treino de tonificação e todas as modalidades desportivas para as quais tenha vontade de praticar e que sinta que me motivam e fazem bem.

Sou também uma acérrima curiosa em tudo o que se relaciona com a saúde e o bem-estar, modelando e inspirando-me nos gurus de fitness, “abraçando” formações, estudos científicos e toda a informação pertinente para “suportar” esta minha paixão e adaptar aos meus treinos e ao meu dia-a-dia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2002, salientou que muitas das alterações que ocorrem durante o envelhecimento, bem como a maneira como ocorre nos indivíduos, são motivadas por fatores como a exposição solar, hábitos alimentares incorretos, inatividade física, obesidade, tabagismo e outros estilos de vidas incorretos.

Acredito que muitas das acentuadas alterações na aptidão física e na capacidade funcional do indivíduo, devem-se ao desuso e ao uso exagerado ou incorreto a que está sujeito o organismo.

Acredito, também, que o envelhecimento da população atualmente é uma tendência positiva, que caminhamos para sermos idosos mais ativos e que está intimamente ligada à maior eficácia das medidas preventivas em saúde, ao progresso da ciência no combate à doença, a uma melhor intervenção no meio ambiente e, sobretudo, à consciencialização progressiva de que somos os principais agentes da nossa própria saúde, alterando hábitos de vida sedentários e contrariar a degeneração e enfraquecimento do organismo de modo a preservar a aptidão física, psíquica e cognitiva, a independência e a saúde.

E nunca se esteve tão bem como agora no que se refere à promoção e prevenção da saúde e do bem-estar.

Existem ginásios com uma variedade de modalidades desportivas ao gosto e motivação de cada um e a preços suportáveis.

Existem livros, vídeos, jogos, todos com excelentes programas de atividade física, nutrição e estilos de vida saudáveis.

Existem canais no Youtube com vídeos gratuitos, com planos e programas de exercício físico para todas as faixas etárias, níveis de intensidade e duração.

E no envelhecimento existem muitos equipamentos orientados para a o envelhecimento ativo, tais como academias e/ou universidades seniores e centros de dia, todos como uma resposta social que visa promover e proporcionar momentos de educação, prazer, cultura, promoção da saúde, lazer e de bem-estar.

Está nas nossas mãos preparamos o nosso envelhecimento com saúde e qualidade.

Ser saudável é uma escolha!

 

*** Obrigada, João Silva, por me ter dado o privilégio de escrever no seu blog e poder dar o meu testemunho sobre envelhecimento com saúde, atividade física e qualidade de vida.

 

14
Fev20

Fazer exercício da forma mais básica possível


João Silva

Numa senda de (boas) sugestões, trago-vos uma imagem, que, infelizmente, não está nas melhores condições, mas que dá uma dica daquilo que pode ser uma forma básica e simplista de fazer exercício físico.

Bem sei que hoje não haverá muitos interessados em seguir este conjunto de conselhos, mas podem perfeitamente fazer alguns (ou todos) no fim de semana. Verão que não custa nada mesmo.

Não tem de ser sempre ginásio ou atividade dura. As coisas mais simples da vida dão perfeitamente para irmos “castigando” o corpo e para o tonificarmos um pouco, sem esquecer, claro, aquilo que me parece o mais importante: a nossa saúde.

Já tinha ouvido, por exemplo, que o povo tailandês passa os dias agachado como forma ded promover o exercício físico. Sobretudo os povos ocidentais têm uma tendência (demasiado) exagerada para o sedentarismo. No entanto, basta pensar um pouco.

No meu quotidiano, posso adiantar que opto sempre por escadas, que agacho com as pernas e não com as costas, que às vezes gatinho ou saltito para ir à cozinha, que opto por carregar lenha para a lareira de forma faseada e que, por exemplo, vou buscar os garrafões de água ao carro gradualmente. Ou seja, se tiver comprado dez, opto por fazer cinco viagens de ida e outras tantas de regresso. Além disso, ainda procuro ativar os abdominais quando carrego pesos.

Nem sempre fui (e foi) assim, mas agora é uma forma de ir fazendo muito mais pela minha saúde. E nunca é tarde. Parece cliché mas é uma questão de nos obrigarmos a recordar que é para o nosso bem.

Deixo-vos esta imagem com algumas explicações e sugestões publicadas na revista Mais do Lidl. É tão básico que só apetece perguntar: mas como é que não me lembrei disto antes?!

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01
Jan20

2020: um ano de surpresas e de incertezas


João Silva

FELIZ 2020, MALTA BOA.

Como forma de criar uma espécie de bolha motivacional, gosto de definir objetivos com antecedência, pois sou uma pessoa que trabalha bem com base em metas a médio e longo prazo.

Se fôssemos apenas por esse prisma, diria que o grande objetivo de 2020 já ficou traçado no dia 03 de novembro deste ano: voltar à maratona do Porto em 2020 e fazer uma prova abaixo das 03h20, com tendência a atacar a marca das 03h15.

No entanto, ao contrário do primeiro ano em que corri uma maratona, é forçado apresentar a minha terceira edição daquela prova como objetivo maior. 11 meses até ao grande dia é muito tempo.

Tinha perspetivado uns voos mais ambiciosos em termos de meias maratonas, como, por exemplo, atacar a marca de 01h25 ou tentar chegar às 03h30 na maratona de Aveiro.

No entanto, em 2020 vou enfrentar o maior desafio da minha vida, aquele para o qual sei que não estou preparado, o mais ambicioso, difícil e duradouro. Um projeto com início marcado e que, assim espero, me acompanhará até ao fim dos meus dias.

Portanto, esse projeto ambicioso (e maravilhoso) é uma incógnita e, de certo, não me permite projetar voos maiores. Os primeiros seis meses servirão de preparação e os segundos serão a fase de formação com o projeto já em andamento. Conclusão: 2020 será um ano de transição, uma espécie de segurar pontas até ver se me consigo manter em pé em 2021.

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Portanto, tive de dar voltas aos miolos e lá cheguei a um objetivo aliciante para a minha realidade: o campeonato distrital de estrada, que se realiza habitualmente em março e cuja distância a percorrer é de 15 km. [infelizmente, por questões de calendário e contigências da gravidez, ainda não será desta que irei correr a Oliveira do Hospital, fico-me pelo Trail de Sicó em março.]

Será interessante perceber como vou preparar uma prova mais curta, sobretudo, numa fase em que sinto que posso chegar a desempenhos muito interessantes. 

No segundo semestre, dependendo do meu estado de "vida", procurarei manter um registo próximo de 1h30 nas meias maratonas (perspetivo fazer as de Coimbra e Leiria).

De resto, além da maratona, tenciono ainda fazer provas mais curtas, aquelas que surgirem e forem ao lado de casa. Não deverão ser muitas e penso que em 2020 não dará para muito mais do que isso. Resta-me ter a esperança de que em 2021 ainda possa estar ligado ao atletismo...

29
Dez19

Qual a melhor altura para definir objetivos?


João Silva

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É uma dúvida que me assola muitas vezes.

Não falo só de objetivos pessoais.

Aliás, neste espaço, importa particularmente falar de objetivos desportivos.

No início do ano que agora termina tinha como propósito fazer 2 maratonas: a de Aveiro em abril e a do Porto em junho.

Percebi, com o avançar do ano, que, sem sombra de dúvidas, o principal objetivo que tive foi a maratona do Porto.

Nada me tomou mais tempo nem exigiu tanto. Além disso, os métodos, as mudanças, as adaptações, tudo isso foi feito a pensar naquele dia.

E é por isso que não posso dizer que a de Aveiro teve a mesma atenção/importância da minha parte (mas devia ter tido).

Agora, na hora de dobrar o ano, gostava de saber de que forma vocês estabelecem os vossos objetivos.

Isto é: determinam um só, daqueles bem grandes, e trabalham para ele apenas, servindo tudo o resto como preparação ou optam por definir objetivos mais "pequenos" e vão tendo vários ao longo do ano?

Além disso, no vosso entender, quais são os principais critérios a considerar na hora de definir metas? Vão pela dureza, pela duração ou por outro fator?

Terminado e alcançado um objetivo, escolhem de imediato o seguinte ou deixam acalmar as águas e depois é que definem novas metas?

28
Dez19

Os caça-batoteiros


João Silva

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O conceito é, por si só, muito estranho: batota. Praticada por amadores em provas de atletismo!

É, de facto, surpreendente.

Ouvi falar desse tipo de trafulhices (algumas que envolviam algumas organizações de provas) no seio da minha equipa.

Depois disso, ao ler este artigo, tomei uma consciência mais profunda desse tipo de atividade que não leva a lado nenhum.

Será possível acreditar-se realmente que entrar numa prova a meio pode ajudar alguém? Sobretudo, olhando para o lado amador?

No vosso entender, o que deve ser feito como medida de atuação?

Como forma de envergonhar quem não tem vergonha, há um site totalmente em inglês que se dedica a dar um corpo (e uma cara, por vezes) aos "trafulhas".

Podem encontrá-lo aqui: https://www.marathoninvestigation.com/

IMG_20191103_083409.jpg

Em 2019, a organização da maratona do Porto foi muito mais longe e identificou os nomes dos "atletas" que se prestaram a isso.

Não sei se serão banidos, mas julgo que seria o prémio a conceder. Portanto, apesar de, em primeira linha, considerar que os batoteiros são os principais prejudicados pelas suas ações, no mínimo, é necessário expor as identidades e proibir as inscrições nesses eventos.

26
Dez19

O desporto como expressão de liberdade


João Silva

Nada melhor do que o dia seguinte ao natal para falar no desporto como forma de liberdade e para, desse modo, nos afastarmos um pouco da ideia de que serve sobretudo como uma plataforma para suportar alguns devaneios alimentares.

Para nos falar disso mais a "sério", trago até vós o texto de uma pessoa que só conheci aquando da minha entrada no mundo da blogosfera: trata-se da MJP, uma pessoa sensível e com um historial ligado à medicina. Como "bónus", acrescento o facto de ser uma apoiante de alguns desportos bem interessantes como o ciclismo ou mesmo o atletismo que este vosso caríssimo pratica.

No fim deste fantástico parecer, convido-vos a visitar os blogues dela. Terão "acesso" ao seu maravilhoso e diversificado jardim, bem como a um mundo onde a liberdade é uma forma de vida. E foi esse o meu propósito com o texto que lhe "encomendei":

IMG_20190716_084049.jpg

O João teve a gentileza de me convidar a escrever um texto para o seu blogue, subordinado ao
tema: de que forma o desporto pode funcionar como fator de liberdade e de que forma poderá
ajudar a lidar com acontecimentos trágicos como a morte ou com doenças como depressão. 

Começo por agradecer o generoso convite, que muito me honra e desafia!
Ora bem, eu não sou (nem de perto nem de longe) uma entendida na matéria, limitar-me-ei,
portanto, a emitir a minha opinião, tendo por base a minha experiência, pessoal e profissional, e
alguma evidência científica.


O desporto tem um efeito agregador, o que o torna numa ferramenta social muito útil e poderosa,
capaz de reunir pessoas de diferentes origens étnicas, culturais, religiosas e socioeconómicas.
Já foi demonstrado cientificamente que o desporto desempenha um papel importante na
melhoria da saúde física e mental e na promoção da cidadania ativa e da inclusão social,
constituindo um bom ponto de partida para a promoção de estilos de vida saudáveis e aquisição
de competências para a Vida, em geral, desde tenra idade.


A Unicef reconhece o desporto e a brincadeira como ferramentas que melhoram o
desenvolvimento e a aprendizagem das crianças, tanto ao nível cognitivo e social (relacional)
como no que concerne ao desempenho académico, promovendo a sua autoestima e
estimulando-as a ultrapassar obstáculos e a resolver conflitos de forma não violenta.
Alguns estudos, levados a cabo pela Universidade de Harvard, revelaram que a actividade física
melhora o estado psicológico do praticante, ou seja, o exercício dá força às pessoas que se
encontram com depressão ou com o ânimo em baixo.


Durante a prática do exercício, o organismo liberta uma substância química (neurotransmissor),
denominada endorfina, também apelidada de hormona da Felicidade, que desempenha um papel
importante na regulação da autoestima e bem-estar, reduzindo os níveis de stress, ansiedade e
humor depressivo.

Para além das melhorias ao nível psicológico são, ainda, atribuídos muitos outros benefícios à
prática regular de actividade física, tais como:

 Redução do risco de morte prematura;
 Redução do risco de morte por doenças cardíacas ou AVC, que são responsáveis por 1/3 de
todas as causas de morte;
 Redução do risco de vir a desenvolver doenças cardíacas, cancro do cólon e diabetes tipo 2;

 Ajuda na prevenção/redução da hipertensão, que afecta 1/5 da população adulta mundial;
 Ajuda no controlo do peso e na diminuição do risco de se tornar obeso;
 Ajuda na prevenção/redução da osteoporose, diminuindo o risco de fractura do colo do fémur
nas mulheres;
 Redução do risco de desenvolver dores lombares, podendo ajudar no tratamento de situações
dolorosas, nomedamente, dores lombares e dores nos joelhos;
 Ajuda no crescimento e manutenção de ossos, músculos e articulações saudáveis;
 Ajuda na prevenção e controlo de comportamentos de risco (tabagismo, alcoolismo, toxicofilias,
alimentação não saudável e violência), especialmente em crianças e adolescentes.

Em suma, a prática regular de actividade física deve constituir fonte de prazer convertendo-se,
assim, numa expressão de Liberdade.

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