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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

24
Ago20

Uma oportunidade para aquecer e não para arrefecer


João Silva

Vivemos uma fase muito complicada com muitos aspetos novos, que, sem dúvida, vieram alterar os planos de muitos.
Em termos de desporto, sobretudo no atletismo, há e vai ter de haver uma abordagem diferente. É um desporto onde o nível de contágio é elevadíssimo, apesar de ter uma forte componente de ar livre.
Como não podia deixar de ser, houve muitos adiamentos e cancelamentos de provas.

Razão que me leva ao ponto de afirmar que não competirem oficialmente em 2020.
Na verdade, já achava que não seria diferente, mas relativamente aos priemrios sete meses do ano, já que o nascimento do Mateus obrigava a uma grande readaptação.


O que não contava é que essa decisão se estenderia aos últimos seis meses deste ano.
Na verdade, tendo em conta as minhas dúvidas em termos de forma e o meu receio com a disseminação da doença Covid-19, até "deu jeito" ter a decisão tomada por mim.


Por outro lado, como regressei aos treinos de estrada no final de maio, já me sentia mais capaz de preparar algumas provas a partir de setembro.
Assim sendo, nada feito.


Vendo noutra perspetiva, tudo isto gera uma enorme oportunidade: a de ter tempo para definir bons objetivos de corrida para 2021, a de escolher as provas com detalhe e a de fazer uma boa preparação em termos de treino.


Portanto, aqui reside o foco e a responsabilidade: fazer deste tempo a rampa perfeita para estar bem e em forma.


Se não deixar que a irresponsabilidade tome conta de mim nem que o ímpeto leve a melhor, será uma época perfeita para treinar e adotar novos métodos de treino.

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Se...

23
Jul20

Quando surge a velocidade num processo de retoma


João Silva

Esta questão tem muito de técnica e de controversa, isto porque cada um terá a sua forma de ver as coisas.
Ainda assim, penso que estamos de acordo, o primeiro passo é retomar, começar a sentir o chão a ficar para trás a cada passada. Lenta ou rapidamente, no início, conta é fazer, para obrigar o corpo a perceber que tem de mudar o chip.
Diria que as primeiras semanas devem incorporar um aumento gradual da distância percorrida e do tempo de atividade. Este deve também ser intercalado com caminhadas para estabilizar o corpo e para o deixar preparado.
Na fase posterior, dependendo do número de treinos de cada um, diria que as duas semanas seguintes devem ser de ganho de resistência, o que vem praticamente com o acumular de quilómetros nas pernas. Esse processo de acumulação deve ser gradual, permitindo ao corpo assimilar novas cargas.

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Ao longo deste primeiro mês, o reforço muscular também não deve ser descurado. Se não der para se fazer muito, faz-se pouco. O corpo agradece tudo.
Terminado este primeiro período de adaptação e tendo dado o devido descanso ao corpo, por exemplo, com treinos de corrida à cada dois dias, começa a ser adequado introduzir treinos de velocidade.
Ainda assim, não iria logo para treinos de séries
Optaria por pequenos sprints no final das sessões de corrida. No final da primeira semana desse segundo período, começaria com pequenos fartleks. Só na segunda semana desta fase arrancaria com jogos de ritmos, como, por exemplo, os fartleks Watson. Só à entrada na terceira semana incluiria os treinos de séries.
Naturalmente, isto não é uma coisa exata, cada um deverá conhecer o seu corpo e o nível com que retoma a atividade física.
Ainda assim, esta parece-me ser uma boa forma de voltar a introduzir a velocidade e a explosividade na forma física.

21
Jul20

Uma retoma como mandam as regras


João Silva

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Desde logo, algo que este louco não fez. Nunca na vida se retoma a prática de uma modalidade como se não tivesse acontecido nada durante dois meses. Este princípio vale ouro e pode salvar corpos de lesões. Para o meu já vem tarde.
Antes de mais, teremos sempre de avaliar em que ponto estamos, se parámos, quanto tempo estivemos parados, se apenas mudámos a modalidade mas continuámos com uma grande intensidade, quais as características dessa nova modalidade e como podem ser utilizadas na retoma à antiga.
Findo este processo, mais do que objetivos a longo prazo, é, a meu ver, necessário traçar uma linha para recuperar a forma daquela atividade. No meu caso, mantive a forma física, mas perdi a forma de corredor de fundo e a elasticidade, já que deixei de fazer alongamentos e ioga, com o objetivo de canalizar melhor o tempo de treino para exercícios efetivos e específicos.

A partir daqui, a inclusão de corrida e de quilometragem deve ser gradual.
Não pode ser como fiz e arrancar logo com mais de 1h e a um ritmo intenso ao ponto de começar a endurecer músculos e de provocar lesões nos adutores.
O trabalho de força, sobretudo, o de estabilização não deve faltar. Diria mesmo que é obrigatório. Ainda que possa ser em quantidade reduzida, esses exercícios não devem faltar.
O fortalecimento do core também não pode ser descurado. O corpo vai sentir tudo à dobrar.
Por ter querido de mais em tão pouco tempo, não percebi que o impacto me ia apanhar como nunca. As dores chegaram ao nível das que senti quando comecei a correr, quando era obeso.
Na fase seguinte, importa perceber o tempo destinado ao exercício e os objetivos a longo prazo, porque isso vai determinar a velocidade a que é possível retomar a corrida.
Na altura em que escrevi esta publicação, não havia previsão de provas. Portanto, dava para ir com calma. Tinha no horizonte a prova já paga em novembro, mas dava perfeitamente para fazer de maneira diferente. Para ter paciência e dar descanso ao corpo nos processos.
A moral disto tudo é que o corpo não deixou de saber correr, mas precisa de tempo e "compaixão" para regenerar. Disso e de alongamentos. Percebi novamente que não funciona correr sem alongar o corpo, pelo menos, no fim. Entorpece tudo, se não houver eliminação de radicais livres.
Portanto, uma vez mais, perdi uma excelente oportunidade de mostrar que é possível levar tudo com calma. Este tem sido o meu grande problema desde o início: um ser pouco emotivo no geral mas que se deixa iludir pela sensação de controlo e se deixa levar pelo impulso, neste caso, desportivo.

05
Jul20

Análise ao 2.° período de aplicação do conceito de higiene


João Silva

Tal como o primeiro período, este foi marcado pela indisciplina, sobretudo, ao nível da duração e de alguns desvios no percurso.
Passei várias vezes a barreira das 1h30, tendo mesmo chegado às 2h00.
Além de problemas de outra índole que me pôde/pode trazer, a parte física reseentiu-se muito e neste segundo momento de regresso à estrada a perda de forma foi ainda mais notória. No arranque desta fase, já nem sequer conseguia manter um ritmo constantemente alto, quanto mais dar estico es no desempenho.
Foi, portanto, do ponto de vista de disciplina e de confiança depositada no meu conceito, um projeto falhado. Claramente um chumbo bem redondo, onde se safou apenas o facto de ter continuado a evitar contacto próximo com pessoas e de não ter parado a desinfeção sempre que regressava a casa.
Alguma coisa que se salvasse, portanto.
O outro ponto, talvez controverso, que considero positivo é a percepção de que consigo organizar melhor todo o meu dia se fizer o meu treino seguido na estrada. Esta "tarefa" fica logo despachada e depois há todo o resto para me ocupar o dia. Este lado organizativo e mental acaba por se sobrepor a tudo o resto, porque me liberta para outras coisas mais importantes.
E é com base nessa compreensão que vou avançar para mis um período de desconfinamento, desta feita, passarei a correr 4 vezes por semana em vez das atuais 3.
O percurso também vai ser alterado. Ou melhor, vou adicionar outro e passo a contar com dois para não estar sempre no mesmo sítio.
A avaliação final e eventual passagem à fase seguinte será feita dentro de duas semanas.

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03
Jul20

Análise ao 1.º período de aplicação do conceito de higiene


João Silva

Cá em casa, o conselho administrativo foi extremamente gentil e "permitiu" que começasse a desconfinar as minhas pernas na estrada.

O princípio base seria sempre com o máximo de responsabilidade e sem descurar a constante higenização.

Devo dizer que a parte da segurança foi inteiramente cumprida.

Procurei sempre manter-me fiel ao distanciamento e ao afastamento relativamente às pessoas.

Sempre que alguém se encontrava num raio demasiado próximo, procurava seguir para o lado oposto.

Ao chegar a casa, nunca entrei sem desinfetar as mãos, mesmo tendo em conta que não toquei em nada nem ninguém nos trajetos.

Mal coube em mim de feliz por ter merecido um grande voto de confiança.

Onde estive mal, mesmo muito mal, foi no facto de não me conseguir conter e de ter feito sempre mais tempo do que o previsto e, pior ainda, logo na primeira semana, mais sessões do que o estipulado. Apesar de não me ter metido em sarilhos nem de ter colocado alguém em perigo, foi irresponsável da minha parte e só revelou que não consigo seguir inteiramente o que proponho quando se trata de algo que me diz muito. 

É como se fizesse um plano e já estando a pensar na forma certa de o contornar...

Do ponto de vista técnico, arranquei com demasiada sede e comecei a sentir bem cedo que não estava preparado para correr logo mais de 1 hora.

Não parei na pandemia, mas fiz trabalho de força e bicicleta estática, o que é claramente diferente da corrida, desde logo, pelo desgaste das articulações e pelo impacto. E acabei por sofrer com isso. Esticões fortes e músculos a endurecer no final das sessões.

Uma espécie de "bem feito, eu avisei-te"!

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29
Jun20

O quarto a correr com a Covid-19


João Silva

Nesta viagem de vereditos sobre a forma como a Covi-19 afetou cada um de nós, neste caso, em termos desportivos, ouvimos o testemunho do Francisco Silva, um veterano já nestas andanças das corridas, que, nesta altura, teve também de tratar de debelar uma lesão física.

Vejamos o que tem para nos dizer:

 

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De que forma a Covid-19 afetou os seus treinos?

Aquando da declaração do Estado de Emergência, passei ao regime de teletrabalho o que me deu algum tempo livre (perdia cerca de 1h-2h/dia em deslocações) para poder treinar. Nessa altura o meu regime de treinos foi influenciado por mais duas questões: uma lesão que me limitava a capacidade para correr e o dever de recolhimento imposto. Assim, de 14 de Março até 3 de Maio, treinei todos os dias, alternando 2 dias de treino indoor, nomeadamente de alongamentos, reforço muscular do core (exercícios isométricos) e reforço muscular geral, com 1 dia de treino de corrida, mais curta e lenta que o habitual.

Como e quando passou a treinar após o desconfinamento?

Com o desconfinamento, por um lado, passei a ter de me deslocar alguns dos dias devido ao regime de teletrabalho parcial, por outro, devido à melhoria da lesão, pude correr mais vezes. Assim, deixei de poder treinar diariamente mas fiz mais treinos de corrida, mais rápidos e com maior distância. Isto resultou em menos treinos de reforço muscular. Continuo, ainda mais, a tentar evitar os locais mais frequentados por corredores e caminhantes, procurando percursos ou horários alternativos onde me cruzo com menos gente.

27
Jun20

A terceira a correr com a Covid-19


João Silva

A terceira desta senda é, nem mais nem menos, do que uma cara muito conhecida já deste blogue. Trata-se da Luísa de Sousa e podem acompanhar o blogue dela aqui.

Não sendo corredora, o enorme interesse de ter o seu veredito neste espaço é o facto de ter uma paixão interminável pelo desporto.

Além de tudo isso, no seu blogue de boa forma física partilhou diariamente planos exequíveis que visavam ajudar todos na prática desportiva.

Vejamos as respostas da Luísa:

 

De que forma a Covid-19 afetou os seus  treinos?

Como e quando passou a treinar após o desconfinamento?

 

Terei de responder as duas perguntas numa só, isto porque eu sempre fiz os meus treinos em casa.

Como tenho formação na área do envelhecimento, saúde e exercício físico, não foi nada difícil compor um plano de treinos a partir de casa, onde inclui cardio, exercícios de tonificação e flexibilidade, yoga e pilates.

Tenho um mini ginásio onde tenho os equipamentos essenciais para estar sempre em forma, tais como halteres de 1,5 a 3 Kilos, caneleiras, máquina de musculação multifunções, bandas elásticas e fil ball.

Fazer exercício físico ou uma modalidade desportiva é tão prazeroso e tão “obrigatório” que não concebo a minha vida sem me exercitar. Faz parte do meu dia que sigo religiosamente.

É graças a este meu “vício saudável” que, com 59 anos, sou muito saudável, cheia de energia, disposição e com o mesmo peso e medidas de quando era muito jovem.

Que este meu testemunho seja um incentivo para todos os que desejam envelhecer com saúde e de forma saudável.

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25
Jun20

O segundo a correr com a Covid-19


João Silva

Segue-se um velho conhecido destas andanças nos blogues, o estimado Último.

Perante o meu desafio, vejamos o que nos revelou este corredor, de quem aprecio a prudência. É bom ver que, apesar de pertencer a uma faixa etária jovem (a minha), tem boas ideias e adota medidas preventivas.

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De que forma a Covid-19 afetou os teus  treinos?

A Covid-19 obrigou a uma nova rotina e sobretudo a muita força de vontade.  Foi uma mudança radical quer na cadência, local e tipo de exercícios.
Procurei assimilar para mim próprio que a continuação do exercício físico seria essencial para um corpo são em mente sã. Arranjei um espaço na garagem, improvisei um tapete de uma espreguiçadeira, segui o plano que o ginásio que frequento disponibilizou, tentando fazer alguma coisa duas vezes por semana.
Assim, fiz apenas exercícios possíveis em casa e sem equipamento, algo que nunca tinha experimentado.

Como e quando passaste a treinar após o desconfinamento?

Apenas em maio, quando foi permitido. Comecei outdoor logo na primeira semana com muito cuidado na higienização e com 5 km, que fui aumentando progressivamente. Além de ser algo de que goste, precisa da sensação de estar ao ar livre. Tive também o cuidado de fazer bons aquecimentos e relaxamentos, pois foi um mês e meio sem esticar as pernas. 

23
Jun20

O primeiro a correr com a Covid-19


João Silva

Arrancamos esta nova rubrica com um testemunho do André Santos.

Tal como queria, as respostas foram sinceras e frontais. Ainda assim, para efeitos de "legibilidade", não poderei reproduzir na íntegra o termos usados por ele.

Foi o próprio que me deu "autorização" para suavizar o golpe. Ou seja, o texto:

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De que forma a Covid-19 afetou os teus treinos?

A Covid veio dar cabo de tudo. Nunca corri muito, nunca fui rápido nem nunca liguei muito.

Nos primeiros tempos evitei correr de todo, não havia grandes certezas. Houve receio, medo de sair. Experimentei correr no pátio cá de casa. Aguentei 60 minutos. Fui intervalando com a bicicleta elítica. Ainda durante o confinamento, madruguei e fiz alguns quilómetros. Uns 8, coisa pouca. E também o fiz poucas vezes, o que levou o meu peso a aumentar aumentou 3 kg...ou mais.

 

Como e quando passaste a treinar após o desconfinamento?

Agora após desconfinamento...Espera isso já aconteceu...?

Aqui ainda estou/estamos em modo. O trabalho é muito e a criança está em teleescola/aulas assistida. A minha "Maria" também está a trabalhar em casa, umas 10 horas por dia...ou mais. Juntamos a isso, compras e muitas outras coisas...e eu não me queixo, certamente, há gente com casos bem piores, mas correr tem sido difícil. Resume-se a 3 vezes por semana, normalmente de madrugada.

Ainda há dias acordei às 5 e qualquer coisa da manhã e eram 6 horas estava na rua a correr. 12 km...não foi mau...O tempo e os quiómetros são o que menos me importa. Para mim o importante é ir. Tenho saudades da serra, do convívio, de tentar não ficar em último. 

Acho que na próxima prova quero ficar em último, primeiro a chegar, último a sair...:-)

 

09
Jun20

Conceito de higiene


João Silva

Aqui está um termo que surgiu durante a pandemia e que parece ter vindo para ficar.

No caso concreto deste post, serve para dizer que me inspirei no que a Liga alemã de futebol (DFL) fez, de forma a garantir o regresso da competição.

Não está aqui em causa o lobby do futebol, porque só assim se percebe que possa ter sido retomado antes dos outros desportos e, na verdade, sou contra esse benefício. No entanto, também é necessário admitir: os responsáveis fizer um excelente trabalho para garantir que os contágios eram reduzidos e para poderem prosseguir atividade (mais financeira do que desportiva).

Posto isto, pus-me a pensar numa forma de poder calçar as sapatilhas e sair para correr, isto porque as saudes apertam. Desde 11 de março que tudo tem sido tão fugaz em termos de corrida. Continuei a treinar, mas quantas mais semanas passei sem correr mais percebi o quanto preciso de o fazer.

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Por outro lado, também não quero meter a minha família em perigo.

Assim sendo, lá engendrei um plano que tratei de apresentar ao conselho administrativo e executivo desta família, agora enriquecida com mais um elemento.

O plano tinha a seguinte forma:

  • 3 corridas de 1h a 1h15 por semana: segunda, quarta e sexta
  • Período experimental de 2 semanas
  • Hora de saída: 6h30, ou seja, levantar às 6h, para não haver cruzamento com pessoas
  • Mesmo percurso nesta fase experimental (zonas rurais e sem grande contacto com pessoas): Rua Elsa Sotto, estádio, zona da Rivolta, Castellum de Alcabideque, regresso pelo Triplo Jota, desvio para Conímbriga, passagem pelo café de Condeixa-a-Velha, descida à estrada paralela ao IC3, corte de terra para escola, urbanização circundante da minha casa
  • Vestuário: camisola de manga comprida e calções
  • Sempre as mesmas sapatilhas, que, no fim, ficariam em quarentena
  • Máscara descartável e frasco desinfetante numa mala de corrida para qualquer eventualidade
  • Não entrar em casa sem estar desinfetado nas mãos

O conselho deliberou e decretou...

 

 

27
Mai20

Corridas da e na quarentena


João Silva

Foram três as sessões de corrida nesse período de confinamento e nenhuma foi propositada. 

Ocorreram sempre na sequência de consultas com a esposa.

Foi curioso porque só no dia é no momento em causa tive a hipótese de fazer mesmo aquilo de que mais gosto: correr.

 O objetivo foi sempre proteger a esposa e o bebé na gravidez (tal como o é agora que ele nasceu) e, por isso, não tive sequer a coragem de esboçar algum percurso longe da vista humana.

No entanto, naqueles três dias, apesar do medo de ser contagiado, consegui ser tão feliz como em poucos casos. E nem sequer foram sessões longas. Como não podia entrar no centro de saúde ou na maternidade, aproveitava e ia correr. Em Condeixa, do lado oposto à passagem de peões, mas em Coimbra, na zona do Cidral, o que fiz foi agastar-me sempre do raio de passagem de pessoas.

Não me arrependo, apesar de ser uma situação melindrosa, pois parecia que estava a fugir de tudo e todos. 

Nessa vez em Coimbra, ainda antes de o Mateus nascer treinei mesmo com sapatilhas casuais, sem amortecimento, com a mala dos documentos na mão, sem óculos e com máscara. Apesar do desconforto na respiração, senti-me seguro.

Se as duas primeiras sessões foram em março e abril, a outra, mais prolongada, já foi em maio e aí estive nas minhas sete quintas, numa estrada escondida, sem movimento, lá fiz 40 minutinhos de sonho.

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15
Mai20

Frustração sem destinatário "visível"


João Silva

O episódio aconteceu no final de março, mas, por querer digeri-lo primeiro melhor comigo e com os meus, entendi que era melhor esperar para escrever sobre isso.

Falo-vos de um dos momentos mais duros da minha vida em que me tiraram a hipótese de cumprir um sonho e de ajudar a minha esposa num momento mágico e importantíssmo para nós: as maternidades, por alegada recomendação da DGS, entenderam proibir a presença dos pais no momento do parto.

O mais curioso de toda esta história é que a OMS recomendou que tal não fosse feito mesmo em caso de Covid-19, o que não constituía o nosso quadro.

Tiraram-nos tudo, caiu-nos o telhado em cima, ficámos sem chão. Não consigo sequer transmitir a dor: a minha não a sei explicar e a da minha esposa não a sei medir. Era tão mas tão importante estar ali e tudo o que pude fazer foi transmitir as minhas forças, foi torcer para que tudo se alinhasse em condições. Nem os pude visitar na maternidade após o parto. Sem medos de o confessar, chorei tanto como nunca. No dia em que deixei a esposa nas urgências, sofri muito. Com tudo, por tudo, porque uma pessoa no sabe o que se passa e está horas a fio à imaginar o sofrimento da cara-metade. Chorei tanto, ri tanto e depois chorei e ri ao mesmo tempo, como se o corpo não soubesse o que fazer. E não sabia. E comi tanto como já não o fazia há anos. Mas tudo isto passou para segundo plano quando os vi. Que trabalho mágico daqueles dois!! 

Durante os dias em que nos foi transmitida a decisão da DGS, a injustiça e o desânimo que nos invadiram foram tão grandes que precisávamos de um "destinatário", de um alvo para injuriar, porque não se faz, dói e é só uma monstruosidade. Mais ainda, quando havia profissionais do setor a defender precisamente que essa diretiva não avançasse, precisamente por ser mais prejudicial para a família do que um eventual contágio.

Além de tudo isto, doía ver tantos irresponsáveis a brincar com a vida e a liberdade dos outros e nós, desde o início, cumprimos tudo o que nos foi pedido socialmente.

O tempo tudo ajudou a passar, como sempre, claro, e pude finalmente encontrar-me com a "obra de arte" que eu e a minha esposa construímos.

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13
Mai20

Foi tão curto mas soube tão bem


João Silva

No passado dia 27 de março, acompanhei a esposa a mais uma consulta de maternidade.

Perante o impedimento de entrar no Centro de Saúde devido ao Covid-19, acabei por ficar "à porta".

Ora, apesar da pandemia, decidi que ia aproveitar aquele tempo de espera para treinar um pouco ao ar livre.

Não sou mais do que os outros e estava de perfeita consciência comigo. Já não saía de casa desde o dia 12 de março e, sempre com cuidado para não me aproximar de pessoas e para não tocar em nada, lá consegui fazer 25 minutos de corrida e de exercícios. O espaço é recatado e bem "abastado". Ou seja, não precisava de ocupar a área de quem lá passasse. Em bom rigor, dada a necessidade de ter atenção, sempre que via alguém no passeio, mantinha-me alerta.

Posso revelar-vos que me senti uma criança novamente, de tão feliz por poder fazer uma das coisas que amo na vida.

Desinfetei-me como era suposto. Aliás, o exterior do meu corpo deve ter uma acumulação inédita de "resíduos" de lixívia.

Quando finalmente a grávida apareceu, tinha um sorriso de orelha a orelha.

A verdade é uma: com estas situações, aprendemos a valorizar melhor aquilo que antes demos por adquirido e isso não tem nada de filosófico.

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18
Mar20

Os dois lados do desporto na hora do aperto


João Silva

Adoro desporto. 

Não é novidade. 

No entanto, há momentos em que importa ter juízo e seguir as regras. A doença não escolhe nada. Ataca e pronto. 

Por outro lado, nós podemos escolher ajudar, prejudicar ou não fazer nada, sendo que, neste caso, este último já seria uma grande ajuda. 

Na semana passada, em Mönchengladbach, Alemanha, e em Paris, França, houve manifestações de afeto em massa perante resultados de equipas de futebol.

Como um romântico do futebol, reconheço que aquele jogo sem adeptos não tem sal, não tem paixão. 

Noutro prisma, furar o protocolo público previamente estabelecido e pôr em perigo a sociedade, desde logo, a própria equipa, é só estúpido. Não se faz. É de uma irresponsabilidade extrema, o que me deixa honestamente preocupado.

Posto isto, deixo-vos imagens dos dois casos para que saibam bem do que falo.

 

 

 

 

16
Mar20

Porque não importo apenas eu quando importamos todos


João Silva

Passaram alguns dias desde as novas mudanças que vieram afetar as nossas vidas.

Não venho dar uma de entendido, pois não o sou nem pretendo ser.

Venho, isso sim, manifestar a minha compreensão para com quem tomou todas estas decisões. Independentemente da cor política de cada um, acredito que um governo não pára um país de ânimo leve. Portanto, toca a colaborar para um bem comum. É disso que se trata.

Apesar de tudo, cá em casa temos uma vida mais recolhida. Saímos muito pouco, tirando o necessário. 

No meu caso concreto, saía todos os dias para ir correr. Nem sequer escolhia aglomerados e procurava sempre estradas mais recatadas, junto à natureza. 

Com o avançar de tudo isto, comecei a sentir muito medo. Não sou mais do que os outros. Todos os pensamentos aterradores ganham forma, mesmo tendo em conta que cá em casa não seguimos notícias e que só nos guiamos pelo que diz a DGS e a OMS. 

No entanto, chegou-se a um ponto em que tudo isto é maior do que nós.

Por nada deste mundo, pensava eu, ia ficar sem as minhas corridas ao ar livre, sem o meu momento de equilíbrio mental e de comunhão com o ar livre e a natureza. 

Não que antes não pensasse em nós, mas agora com um filho a caminho, já em fase de preparação para o receber, senti-me frágil. Arrepia-me a ideia de que uma simples sida para correr o pode matar.

Faz-me chorar e, mesmo procurando o equilíbrio, a sanidade, fica difícil não me assustar, sobretudo, pelo comportamento displicente de muitos. 

Ainda que tenha saído pouco na semana passada, numa ida normal ao supermercado, ia dando em maluco, não pelas compras, mas pelo risco de contágio. A juntar a tudo isto, tivemos uma consulta normal de gravidez. 

E sabem que mais? Como está tudo a correr bem, desejámos, quase que pedimos encarecidamente, não ter a consulta. Mas tivemos mesmo de ir. E fomos. E sofremos os dois com medo de tocar no que quer que fosse.

Perante este sentimento de terror, decidi que não iria correr enquanto isto não passasse. Não sei se imaginam o quanto isto me custou. Até ao dia 13 de Março, já levava mais de 1100 km (per)corridos em 2020. Tenho medo pela manutenção do peso, pela eventualidade de ter de deixar de correr. Destrói-me por dentro pensar nisso. Digo-o sem pruridos nem pudores. Porque me destrói muito mais saber que a minha irresponsabilidade pode matar o meu filho ou a minha mulher.

O Mateus ainda não está cá fora e já me dói tanto tudo o que lhe possa acontecer. 

Posto isto, parei a corrida na rua. Mas não parei o desporto. Continuo a pedalar na minha estática e amealhei conhecimento ao longo destes anos que me permite fazer trabalho intenso de força em casa.

Não sou mais do que ninguém é este texto não teve o intuito de mostrar superioridade. Tem, pelo contrário, o intuito de apelar a quem me lê para que se cuide e possa pensar um pouco em si e nos seus. Além disso, pensemos em todos aqueles que estarão no campo de batalha para nos ajudar. A troco de nada. Porque de nada serve o dinheiro se morrermos todos. 

Não me interessa discutir para já se é um exagero, se é tarde, se há dinheiro. Como disse Macron, présidente francês, na semana passada: “quoi qu'il en coûte".

 

 

Ninguém pára uma sociedade de ânimo leve. Posto isto, a maior força a todos e que nada vos afete. Que façam por isso e que olhem também pelo próprio. 

Quanto ao desporto, não deixem de o fazer, mesmo que limitado e em casa, porque vai acabar por vos ajudar. 

Um forte abraço. 

 

 

 

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