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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

19
Set21

Autoestima


João Silva

Foi coisa que nunca abundou por esses lados. 

Histórico familiar difícil, falta de meios de financeiros em toda a infância e idade adolescente e insegurança são alguns dos fatores que contribuíram para isso.

Em termos desportivos, que é o ponto em análise aqui, havia excesso de peso a retirar confiança.

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Portanto, nunca tive propriamente grande noção daquilo que valia (falo de qualidades) e isso impediu-me de evoluir quando jogava futebol. Ao ponto de nunca acreditar que me poderia destacar. 

Estes níveis de crença em mim ficaram nas lonas. Em 2016, na sequência de mais complicações familiares, "acabei" num psicólogo, que, entre outras coisas, teve o toque de Midas, quando me faz ver que precisava de uma paixão pessoal para conquistar confiança e autoestima.

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No alto dos meus 118 kg da altura, achei que seria a corrida que me ia dar isso.

A verdade é que comecei aos poucos e, mesmo com aquele peso todo, percebi que era o veículo para alterar a imagem que tinha de mim.

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Todo o processo faseado de reeducação alimentar e de perda de peso deu-me uma imagem diferente de mim, mais forte. Fez-me acreditar que era possível e dava para reverter o que estava mal. O físico não é tudo, dizem. E eu concordo. Porém, também devo reconhecer que essa mudança física me ajudou a ganhar uma maior valorização pessoal. Foi muito importante.

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A partir desse momento, criei uma espécie de balão de confiança, que me ajudou a enfrentar alguns problemas pessoais e que deu pensamentos positivos.

É por toda esta transformação que não vos sei explicar o quão relevante a corrida é na minha vida.

Os bons resultados que fui tendo (para a minha realidade) trataram de fazer aumentar a minha noção de valor próprio.

Por mais paradoxal que possa parecer, ser pai escancarou-me outra vez a porta da autodestruição, não pelo Mateus, que foi a melhor coisa que me aconteceu, mas porque me confrontou com fantasmas, perspetivas e diabruras.

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A vantagem agora é que tenho mecanismos que me ajudam a lutar pelo amor próprio. Um deles é a corrida. Daí a necessidade diária de correr. Porque correr também é a minha terapia. 

17
Set21

O ano mais difícil


João Silva

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De facto, este está a ser um ano mais duro em termos de forma. Obviamente que há toda uma situação externa muito complicada para todos, mas, honestamente, não me refugio nisso, porque sei que a minha descida permanente de forma teve outras origens.

O facto de praticamente nunca ter parado retirou-me capacidade de regeneração e de assimilação de processos.

O volume médio de 550 km por mês nesta fase foi muito mais contraprodutivo do que útil em muitas situações. Mas também teve pontos muito bons, não é necessário pintar tudo a tons de preto.

A proximidade de treinos duros não ajudou na recuperação. E essa foi uma grande falha que, mais recentemente, acabou por ter consequências desagradáveis para a minha evolução: o aparecimento de uma lesão, que, ainda assim, não teve uma origem relacionada com o cansaço mas sim com "velocidade a mais". 

A ausência de treinos mais suaves, por exemplo, de sessões de rolo nos músculos retira frescura. Essa foi outra grande verdade que aprendi às custas do meu corpo.

O facto de ter sido pai e de descansar menos tempo seguido também bloqueou o progresso a dada altura. Ossos do ofício.

A incapacidade para implantar planos de treino mais equilibrados e consistentes também foi contraprodutiva. (isso mudou em junho deste ano e só foi interrompido agora por causa de uma contratura).

O ritmo e a cadência diminuíram e só melhoraram a espaços. (uma vez mais, algo que mudou muito a partir de junho.)

E foi aqui que entrou o ponto mais importante de tudo.

Passei meses a mentalizar-me de que corria mais do que aquilo que estava a acontecer e de que o meu ritmo normal não era aquele.

Um exemplo: em fases boas, consigo encaixar 18 km em 90 minutos de corrida (ritmo médio de 05 minutos/km).

Com todos estes problemas, passei a fazer habitualmente 16,50 km ou mesmo 15,50 km em momentos de maior desgaste.

Qual a importância de pensar sempre que corro mais do que no momento de baixa forma?

É que assim não me deixo cair no "é normal" ou "agora corro assim".

Da mesma maneira que passei a correr "pior" até abril, também consigo voltar ao "normal" e também provei que é possível atingir outro nível (num ponto avançado da preparação, cheguei a fazer quilómetros a 4'11 ou mesmo treinos de 2 horas ou mais a 4'42"/km). Isso ajuda a manter o foco num dado patamar.

No fundo, apesar de estar a ser o ano com mais períodos de baixa forma, tive a possibilidade de ser persistente. De me manter concentrado no ponto que queria atingir. E esse é o meu maior trunfo. Ajuda a relativizar tudo e mantém a crença na melhoria.

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Se sei tudo isto e tudo o que deu errado, por que razão não corrigi?

Nas próximas semanas falarei sobre isso, porque as tentativas de corrigir foram muitas, mas isto, tal como a vida, não é "chapa cinco".

13
Set21

Quem corre por gosto não cansa


João Silva

Cansa, pois, mas cansa com vontade de repetir.

Gosto do provérbio, mas sempre senti que não é bem assim.

Há alturas em que também não apetece ir correr (ainda assim, vou, porque estou como novo por dentro ao fim de cinco minutos).

Há alturas em que olho "milhões" de vezes para o relógio até terminar o treino.

Há alturas em que fico com os nervos em franja porque não soube ouvir o meu corpo e dar descanso.

Correr por gosto é sofrer e voltar a sair para treinar no dia seguinte porque se quer mais "sofrimento".

Mas correr por gosto também cansa. Só que o cansaço é visto como uma coisa passageira, como um "faz parte".

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11
Set21

Reformulação


João Silva

Há uns dias falei na acentuada queda do meu rendimento em 2021.

Tal não se verificou no volume mas sim na qualidade dos meus treinos.

Foram largos os meses em que corri acima de cinco minutos por quilómetro. Não sendo uma "catástrofe" (sempre relativizando e sem meter em causa outras coisas verdadeiramente importantes na vida), é muito acima do que quero e, pior, do que já consegui fazer.

Além disso, não iniciei o plano de Vma na altura que tinha previsto e provas nem vê-las. Talvez tenha sido ingénuo por ter querido acreditar que participaria em provas neste ano de 2021 e, pior, que esses eventos teriam lugar durante a pandemia.

Assim, numa ótica de me ajustar, porque sei o impacto que as elevadas (e desfasadas) expectativas têm em mim, estou a redefinir os meus objetivos até ao final deste ano.

Desde o início do segundo semestre que tracei um plano mais regrado e assente em treinos de velocidade/resistência em longas distâncias. De acordo com as projeções, este plano teria o seu ponto alto no final de outubro, mesmo a tempo de participar na maratona do Porto (será isso possível de concretizar?)

Acima de tudo, o foco passou a ser um plano de treinos de Vma e de treino fracionado para conseguir aumentar a minha velocidade em ritmo e a minha cadência.

Além disso, tenho a ambição de fazer duas maratonas (oficiosas) até ao dia 31 de dezembro deste ano. Como ainda não sei se irei participar em competições, é uma forma de manter o foco e de dar uma meta aos meus treinos. Se possível, desejo ainda iniciar uma nova tentativa para correr todos os dias durante um ano. Veremos se é possível.

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07
Set21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Novo mês, nova entrevista.

Desta feita, uma mulher. A verdade é que são cada vez mais as mulheres a participar em provas de corrida.

Hoje trago uma mulher da ARCD Da Luísa. Mas não é uma mulher qualquer. Tem fibra. E garra. De fora, a sensação que dá é que semana após semana está a subir aos pódios. Mesmo tendo sido "abalroada" por uma lesão durante cinco meses.

Além da participação em muitas provas, tem outro traço marcadamente distintivo em relação a todos os outros atletas: não há corrida que faça sem a companhia da sua cadela, a sua Princesa, como lhe chama. É ainda a sua melhor amiga e tem um canal próprio de Instagram,  "Princesa do Sicó".

Fiquem, pois, com as respostas da Andreia Pita às minhas questões.

Nome
 
Andreia Pita
 
· Idade
 
41
 

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Foto: UTG Gardunha, os primeiros 25 km

· Equipa
 
ARCD VENDA DA LUÍSA
 
· Praticante de atletismo desde
 
Outubro 2019.
Sempre gostei de praticar desporto, em miúda, saltava ao elástico, jogava à apanhada, polícias e ladrões, eixo, "pónei catrapónei", gostava imenso de andar "uma volta" de bicicleta, mas o meu passatempo preferido era subir e descer o rio dos Mouros, pedra sobre pedra! 
 
Na adolescência, praticava karaté, fui federada em futebol 5 e adorava ginástica acrobática, pinos e pontes, salto mortal e cambalhotas!
Gostava de todos os desportos mas correr é que não!
Lembro-me que quando, em Educação Física, o professor mandava correr 15 ou 20 minutos para aquecimento, eu passava o tempo todo a apertar os ténis!
 
Em adulta comecei a frequentar o ginásio, nunca corri! 
 
· Modalidade de atletismo preferida
 
Trail Running
 

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Foto: trail Estrela Açor

· Prefere curtas ou longas distâncias
 
Médias (risos)
 
· Na atual equipa desde
 
Acho que meados de  2019, mas, como me inscrevi a meio da época, não fiquei atleta federada.
 
· Volume de treinos por semana
 
5, 6 ou 7...depende, se tenho provas, da vontade e da disponibilidade horária, se bem que mesmo com pouca disponibilidade horária acabo sempre por arranjar tempo para treinar. O importante é ter foco e vontade de evoluir. 
Os treinos além de nos fazerem evoluir, também nos proporcionam momentos de socialização, sim, porque, tento sempre correr em grupo! 
Não gosto de treinar sozinha! 
 
· Importância dos treinos
 
Sem dúvida que são muito importantes, nada se consegue sem empenho, dedicação e objetivos. 
Aprendi que o treino orientado nos faz evoluir e, sem dúvida, evita lesões.

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Foto: trail de Sicó 2019

 
· Se tem ou não treinador
 
Sim tenho, Raquel Carmo, a minha "Princesa" e o Tito! 
Como havia referido, comecei a correr muito recentemente, talvez em setembro ou outubro de 2018.
Fiz o meu primeiro trail em fevereiro de 2019, "Poiares 19 km".
Depois desse nunca mais parei:
Sicó 15 km
Piódão 12 km - primeiro pódio 2.a na geral feminina
Milagres 15 km
Pereira 15 km
Infante 17 km
Requeijão 15 km  no dia dos meus anos (13 de abril) - andei à procura de um trail para este dia e fiz o 2.° pódio
Azenhas 21 km
UTG (Gardunha) - foi o meu primeiro com a distância de 25 km, adorei! 
Castellum trail 25 km
Estrela Grande Trail 15 km (pódio)
Estrela Açor 22 km
4 estações venda da Luísa 13 km
Chicharro 12 km
Ladeia 28 km, que na verdade foram 30,800 km  (ficou perplexa) - foi a distância mais longa que fiz, estava fartinha de subir tanto monte: Germanelo, Jurumelo, credo! Foi uma prova muito difícil para mim e marcante, porque foi a última antes de me lesionar (revelou desalento) mas fiz pódio.
Em novembro de 2019, lesionei-me no trail "Caminhos do Diabo". Fiz uma contusão óssea no fémur. Estive parada 5 meses.
Esta lesão foi o caos para mim!
Depois de ter descoberto uma modalidade fantástica, o "Trail", depois de finalmente perceber que gostava de correr, tive de parar.
Não foi nada fácil, andei um mês de muletas, quatro meses a mancar. Após cinco meses de convalescença, entre médicos e fisioterapeutas, ressonâncias, medicamentos, infiltração, recuperei.
Em abril, comecei a pouco e pouco a treinar em casa, acompanhada online pela minha PT Raquel Carmo.
Fazia treino funcional, caminhadas, bicicleta e aos poucos comecei a correr.
Percebi que o treino deve ser acompanhado e orientado! Não pode ser só correr, temos de fazer Reforço muscular, Mobilidade, Core, Isometria par evitar lesões.
Desde essa altura que tenho PT e sem dúvida que evoluí. 
 

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Foto: trail de Ladeia, o mais longo até ao momento

 
· Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual
 
Não sei bem. Nunca tinha praticado esta modalidade, no entanto, acho que evoluiu bastante!  Ultimamente só se veem pessoas a correr, acho que está na moda! Também pode ser pela sensação de liberdade, sair para a rua e correr é uma sensação fantástica que só quem pratica percebe! Tantos meses em confinamento deu ainda mais vontade de ir para a rua correr!
 
· Histórias insólitas, curiosas ou inéditas
 
Quando fiz o meu primeiro pódio (risos)'
estava a chegar à meta e o speaker Hugo Águas começou a gritar "e aí vem a segunda mulher, aí vem ela" eu comecei a olhar para trás a tentar ver a mulher e não vi ninguém! Quando cheguei à meta, a mulher era eu. (risos)
 

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Foto: trail Oh Meu Deus 2021
 
· Aventura marcante
 
Sem dúvida o UTG Gardunha. Foram os meus primeiros 25 km, rodeada de uma paisagem fantástica, entre montes e cascatas, trepámos tanto (risos), andámos praticamente sempre de gatas! Nunca vou esquecer que encontrei um atleta sentado numa grande pedra a comer massa. (risos)
 
· Participação em prova mais longa
 
Ladeia 30,800 km 
 
· Objetivos pessoais futuros
 
Continuar a evoluir, em segurança, sem lesões e principalmente divertir-me, usufruir das paisagens maravilhosas que só o Trail proporciona! 
 
· Como vê o atletismo daqui a 5 anos
 
Se até aqui tem evoluído, acho que, a avaliar pela quantidade de atletas,  daqui a 5 anos irá ser reconhecido e quiçá até passará a estar nas olimpíadas!
 
· Como se vê no atletismo daqui a 5 anos
 
Vejo-me com 46 anos (perplexidade e incredulidade), mais experiente e quem sabe a fazer ultramaratonas.
Um ano de cada vez! 
Este ano estou a fazer o Campeonato Longo da ADAC e ATRP! 
 

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Foto: trail Encostas do Mondego 2021
 
· Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?
 
Na verdade, existem mais homens que mulheres a fazer Trail, no entanto, cada vez há mais adeptas femininas! Este ano, tenho visto muitas mulheres em provas e tende a aumentar! 
Quanto às longas distâncias, o homem sempre foi mais aventureiro, no entanto, há cada vez mais mulheres a superarem-se e a praticarem longas distâncias! Na equipa, temos várias guerreiras de longas distâncias.
 
· Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?
 
Não vejo qualquer diferença! Não temos vantagens, nem privilégios!
Somos todos iguais e tratados como tal! 
 
. O que mudou com a pandemia?
 
Começaram mais atletas a correr, já que era a única hipótese de saírem de casa sem ser multados! 
Quanto às provas, temos de assinar um termo de responsabilidade em como não temos Covid e não começamos todos ao mesmo tempo!  Somos distribuídos em boxes de 10 pessoas e de 2 em 2 minutos! 
 
. Já participou em provas reais desde a pandemia?
 
Se já! 
Estava ansiosa por voltar aos trilhos! 
Depois da lesão, veio o confinamento e o cancelamento das provas.
Participei logo na primeira!
No VII Trilho de S. Tomé! 
 
03
Set21

O João tem duas vidas, porque se recusou a ter pena!

Uma crónica de João Lima


João Silva

18.57 de 31 de Dezembro de 2019, momento em que corto a meta na sempre excitante São Silvestre da Amadora, uma vez mais repleta de entusiástico público que nos faz sentir, do primeiro ao último, especiais. A melhor maneira de terminar um ano!

Encerrava assim a minha 14ª época de corridas. 14 anos onde participei em 466 provas, entre as quais 65 Meias-Maratonas e, a coroa de glória, 13 Maratonas concluídas. Mas se posso colocar estes números, outros há impossíveis de quantificar, com especial realce para o sempre presente prazer de corrida.

Nunca em 14 anos tive a mínima falha de motivação, sempre focado ao máximo em correr e retirar todo o prazer daí inerente, tornando-o em algo de fundamental na minha vida.

Mas às 18.57 desse dia, e a rodear-me de amigos para as habituais trocas de impressões, nenhum destes números em jeito de balanço estavam presentes. O olhar estava inteiramente direcionado para o ano que iria começar dentro em pouco e nos objectivos que idealizava, entre os quais, e aguardadas com muita expectativa, as Maratonas de Madrid e Málaga e nos dois anos seguintes a de Berlim e a que mais desejava fazer, após ter cumprido o sonho de correr em Paris, a Maratona de Loch Ness.

Impossível era de prever o que o ano que estava prestes a iniciar iria trazer para todo o planeta. E em termos pessoais, a notícia que nunca pensaria. Sempre me via a correr pelo resto da vida fora. Até gracejava dizendo que ainda iria fazer uma Maratona aos 100. O que não sabia é que nessas 18.57 do último dia do ano de 2019 as corridas tinham acabado para mim!

No início de 2020, no joelho esquerdo e vinda do nada, uma dor persistente e incapacitante de correr. 

Tentei várias abordagens e entendidos na matéria, tendo acabado por ir parar a um ortopedista especialista em joelho. Com um movimento na perna, desde logo apercebeu que havia uma rotura horizontal no menisco interno. Algo que uma ressonância magnética confirmou. E pelo que se via, uma avançada condropatia, o maior problema. 

Inevitável a intervenção cirúrgica, com a esperança bem presente de que estava a passar apenas por um interregno na corrida e que cerca dum mês depois recomeçaria.

Conheço quem tivesse o mesmo, antes da operação ter sido avisado que as corridas tinham acabado mas durante a mesma o médico constatar que afinal o estrago não era tão extenso como o exame tinha dado a entender, o que permitia a continuação do desporto que nos apaixonou. Infelizmente, comigo sucedeu o inverso. Durante a intervenção, na qual estive acordado e a ver as imagens no ecrã, o médico avisou-me que as cartilagens tinham acabado e que não poderia ter mais impactos. Mas como para mim era tão inverosímil o ter que deixar a corrida, fiquei na firma esperança que tudo iria passar e voltaria ao mesmo.

No fundo, qual o problema? Segundo se viu, esta rotura já teria talvez um par de anos mas sendo interna e horizontal, não se manifesta em qualquer tipo de dor. Terá sido provocada por alguma batida forte, talvez nalgum bico de mesa ou similar. Nunca senti qualquer dor, por isso corri como sempre pois não poderia imaginar o que se passava. E o que provocou a rotura? Serviu como espécie de lixa nas cartilagens. Cartilagens que não têm terminais nervosos, daí também não sentir nada. Foi desgastando, desgastando, desgastando, até que ao dar completamente cabo delas, surgiu a dor. Por outras palavras, nada poderia ter evitado pois nada sentia de errado.

Passados dois meses após a cirurgia, fui infiltrado e sempre me agarrei à firme esperança que esta acção resolvesse tudo e recomeçasse a correr. Não queria acreditar no desfecho! (abro aqui um parêntesis para explicar que a intervenção poderia ter sido efectuada um mês após a cirurgia mas a operação foi realizada no último dia possível antes de entrarmos no primeiro e completo confinamento, onde praticamente tudo fechou e só foi possível no mês seguinte).

Por mais avisos que o médico fizesse para esquecer a corrida e eu recusar aceitar, dois dias após a infiltração, e com o resultado da mesma, caí em mim. Não conseguia mais correr! Não havia mais a mínima hipótese, tudo por culpa do impacto. Não consigo ter qualquer impacto com esta perna. 

Foi dura, muito dura esta constatação! Quem conhece-me sabe a dor que foi o ter que abandonar algo que tanto amava! E a 27 de Maio escrevi no blogue o artigo que mais me doeu, o anúncio do abandono forçado. 

Entrei num necessário luto mas rapidamente percebi ser obrigatório arranjar alternativas. Parar é que não! Mas sem possibilidade de impactos, o leque fica muito reduzido. 

Lembrei-me de caminhadas e inquiri o médico. Respondeu que o melhor para o joelho é não parar, mexer o máximo que se puder e caminhadas eram uma boa opção, desde que cumprisse três regras: 1ª Calçado com o melhor amortecimento 2ª Usar uma joelheira própria para estes casos 3ª Não andar em pisos irregulares.

Como os sapatos de corrida tinham o melhor amortecimento, apenas faltava a dita joelheira que logo adquiri. E a 31 de Maio, apenas 4 dias após o doloroso luto, comecei a caminhar. Sem olhar para trás.

É muito curioso como mudamos consoante as circunstâncias. Bastas vezes ouvia “um dia que não possa correr, caminho” e pensava que para mim isso não fazia sentido. Correr era tudo, caminhar não. Mas isto era a pensar de barriga cheia. Quando me apanhei sem poder correr e apenas a restar-me a caminhada, passei a encará-la de forma diametralmente oposta.

E comecei então a dedicar-me à caminhada com o mesmo empenho que à corrida. Sem faltar e a colocar objectivos e planos. E se de início estava muito perro, fui-me soltando e a melhorar cada vez mais a distância e a velocidade, alcançando ritmos que não imaginava ser possível, como fazer um quilómetro a caminhar em 7.27 ou dez à média de 7.57, ou aguentar quase 4 horas e meia a uma média de 8.36

Como é evidente, cedo apareceu um objectivo maior. A Maratona sempre foi uma paixão muito especial, aquela a que dedicava tudo. Impossibilitado de tornar a entrar nessa prova tão marcante e que proporciona sensações únicas, logo idealizei fazer os 42.195 a caminhar, o que sucedeu no início do ano, com a surpreendente marca de 6.27.55 E em Outubro repetirei a dose.

Para quem corre, estes objectivos e esta dedicação a simples caminhadas, podem parecer filhos dum deus menor, mas para mim é tudo pois é o que posso praticar. O que não posso de modo algum fazer é olhar para trás e ver tudo o que perdi com este problema. Existem apenas duas hipóteses, ou passar a vida a lamentar o que deixei de poder fazer ou agarrar-me ao que está ao meu alcance.

Assim, continuo a ser e fazer o mesmo, com a diferença de não correr mas caminhar, além de não entrar em provas.

O estar sempre a desafiar-me para ir mais além no que posso fazer? Deixem-me ser feliz assim!

E exorto a todos que deixaram de poder fazer fosse o que fosse, a tentar sempre mitigar essa ausência com algo a que se possam agarrar. A vida é muito curta para a desperdiçarmos com lamentos e pena de nós próprios. Temos em nós a força de virar a bússola a qualquer momento. Haja vontade e capacidade de mudança!

  

Este texto foi escrito pelo João Lima, um homem que muito admiro pela paixão que nutre por maratonas e por me mostrar que a vida não acaba com obstáculos. Foi uma honra poder ter aqui este testemunho. Concedendo ao texto a importância que ele tem, voltarei ao ritmo habitual de publicação do blogue no dia 07 de setembro. Entretanto, passem também no blogue deste homem mais duro que o aço: 

http://joaolimanet.blogspot.com/?m=1

30
Ago21

Mais um viciado


João Silva

Há dois dias falei-vos num vídeo de YouTube de Ben Parkes com dicas para abordar uma maratona.

Pois bem, hoje trago-vos a página do homem. É que este britânico é uma verdadeira mina de conhecimento.

E partilha-o, de forma gratuita ou paga, no seu site mas também no YouTube.

Uma das páginas do site que me chamaram a atenção foi esta:

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Até planos adaptados tem para os desejos de cada um, tendo por base o número de treinos que cada pessoa consegue fazer.

Acho que vão gostar. Ainda por cima, o conteúdo está em inglês.

 

24
Ago21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Trago-vos uma novidade nesta rubrica: um atleta que vale por três. E por que digo isso? Porque se trata de um triatleta. Pela paixão que tem pelo desporto e pelo "currículo" desportivo, este homem é um autêntico "faz-tudo". Pela dureza e pela especificidade técnica, o triatlo fascina-me (quem sabe, um dia?!).

Sem mais demoras, apresento-vos o Fernando Martins, que ainda não conheci pessoalmente, mas por quem já nutro uma grande simpatia. 

E, uma vez mais, a idade é apenas um número. 

O significado e o peso são dados por cada um de nós.

Fiquem, pois, com a entrevista ao Fernando Martins:

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Nome

Fernando Martins

Idade

63 anos

Equipa

ARDC Venda da Luísa, Cães de Caça BTT

 

Modalidade

Pratico regularmente ciclismo nas modalidades de BTT e de estrada. Ocasionalmente faço natação para tentar fazer alguma atividade física durante a semana. 

Há quantos anos pratica a modalidade? Sempre mantive uma atividade física regular. A modalidade foi-se ajustando aos meus imperativos profissionais ou geográficos. Durante a Faculdade joguei rugby na AAC e no Rugby Club de Coimbra. A corrida foi sempre uma atividade alternativa quando não podia fazer mais nada. Pratiquei Judo no ACM tendo conquistado um título nacional de veteranos. Quando estive a residir na ilha da Reunião comecei a correr pelas colinas acompanhando o desporto nacional que é o Trail. Foi lá que participei no meu primeiro Trail e participei em duas provas da Mascareignes (uma das provas da Diagonale de Fous) e na Zembrocal, provas de 67 km. Na ilha deslocava-me frequentemente para o trabalho de bicicleta, aproveitando o sol que nascia pelas 5:30 da manhã e se escondia por volta das 18 horas.

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Porquê o triatlo?

Quando regressei a Portugal (finais de 2017) a minha atividade profissional condicionou a minha disponibilidade para treinar regularmente. A alternativa foi começar a natação à hora de almoço pelo menos duas vezes por semana n(em sempre possíveis). Foi nesse momento que surgiu o desafio do Triatlo tendo conseguido fazer o meu primeiro Triatlo em 2019, na distância olímpica na Pampilhosa da Serra.

Qual a vantagem de juntar as três modalidades?

Esta modalidade ganha vantagens com o envelhecimento. Permite-nos trabalhar muito em endurance, para provas longas, fazer treinos de intensidades elevadas sem sobrecarregar as articulações, graças à natação e à bicicleta.

Como se treina na generalidade e na especialidade?

Eu treino como posso, em função do tempo disponível e das ocasiões. A gestão da atividade profissional e da vida familiar são importantes para manter o equilíbrio físico e emocional.

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Como se combina tudo para funcionar bem?

Não é fácil, com as deslocações para o trabalho, o trabalho, a família, os amigos e o cansaço.

 

Tem treinador?

Não tenho treinador porque o meu estilo de vida não me permite assumir compromissos de treino. Sem assumir compromissos, não vale a pena ter treinador. Penso nisso muita vez, mas resisto a assumir mais um compromisso.

Modalidade em que é melhor e modalidade em que não é tão bom?

A natação é para mim a parte mais difícil. Aprendi a nadar sozinho, melhorei um pouco a técnica com a ajuda de livros específicos, mas nunca tive nenhum monitor que corrigisse a minha frágil técnica. Também só comecei o ciclismo há 10 anos e fui aprendendo lentamente que a pedalagem também tem segredos e também se aprende. Do BTT à estrada foi um percurso que fiz com o prazer do esforço e da aprendizagem. Na corrida deixei de dar importância à velocidade a favor da endurance, fugi do asfalto e fui para a terra a fim de reduzir o impacto articular. Não sou muito bom em nenhuma, tenho prazer em todas, mesmo no castigo que é para mim a natação.

Existem muitas provas de triatlo em Portugal?

A federação de Triatlo tem um circuito bem organizado e intenso e há também um calendário de Triatlo Norte que organiza um circuito que se interliga com o da FPT.

E equipas?

Pouco sei sobre as equipas existentes. Pratico individualmente.

Como se escolhem as provas de treino (intermédias) para os grandes desafios?

A idade facilita-me as escolhas. A idade traz compromissos ligados à atividade profissional que condicionam o tempo livre; mas o maior condicionante à participação em provas é a necessidade de permitir ao corpo a recuperação após esforços. O tempo para recuperar é a minha maior condicionante, uma vez que com o avançar da idade o organismo necessita de mais tempo para recuperação.

Obstáculos colocados pela Covid-19

 Como estamos a falar de modalidades que podem ser treinadas individualmente, só me faltou a companhia regular para ter motivação para treinar. A ausência de objetivos competitivos levou-me a relaxar o treino. O fecho das piscinas levou-me a interromper os treinos respetivos e de melhorar a técnica. 

Objetivos - Como se vê no desporto daqui a 5 anos?

Não imagino a minha vida sem uma atividade desportiva e sem uma meta competitiva. Não sei por quanto tempo o meu físico vai aguentar a carga mecânica desta modalidade, mas espero andar por aqui mais alguns anos.

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08
Ago21

Ninguém escapa


João Silva

Já se falou várias vezes no lado bom de se praticar uma modalidade desportiva.

Assino por baixo.

Por outro lado, o foco normalmente associado a quem pratica uma modalidade desportiva redunda em excessos que se pagam caro. 

Esse caro assume a forma de sobrecarga psicológica e física e tem o condão de desanimar até os mais motivados.

O vídeo que vos trago fala precisamente do que é cair em desgraça em plena preparação para um Ironman.

O rapaz é uma máquina de dedicação à corrida. Em paralelo, tem mesmo todo um projeto online de corrida chamado Running Addict. Partilha imenso conhecimento.

Desta feita, veio partilhar connosco o lado sombrio da dedicação excessiva a algo, mesmo que se trate de uma paixão, como é o caso.

Vale cada segundo, principalmente, na ótica de ajudar a detetar sinais de que a paixão virou vício. 

04
Ago21

Finalmente, a explicação


João Silva

Já se impunha!

Sempre foi um tipo de treino quee fascinou pela importância que pode ter na evolução de um corredor: falo no treino fracionado.

Nunca tinha tido a verdadeira oportunidade de perceber efetivamente em que consiste e como pode ser aplicado. Aqui foi algum desmazelo, porque há imensa informação sobre o assunto.

Como podem ver no vídeo, não é um bicho de sete cabeças.

Alguém ficou com vontade de pôr isto em prática? 

28
Jul21

Precisa-se de reforço


João Silva

Ali pelos finais de janeiro, andava de rastos.

Senti muito a falta de descanso no meu corpo. O Mateus teve uma fase muito complicada com um pico de crescimento, o trabalho foi imenso, as lides da casa também retiraram lucidez e, como se não bastasse, não só não parei de correr como mantive a carga média de 1h30  de corrida durante a semana e de 3h00 ao fim de semana. Isto sem alongar, pois tinha de cortar em alguma coisa.

Com isto, acumule muita tensão nos quadris e na zona da púbis e o meu corpo começou a enfraquecer. Continuei a treinar, mas a qualidade baixou e senti o meu corpo sem capacidade de arranque, mudar de ritmo e de cadência era impensável.

Aos poucos, consegui retomar os exercícios de reforço como abdominais e pranchas e também reduzi a duração e a dureza de alguns treinos.

O corpo mudou logo para melhor e senti mais força na zona púbica. Parecendo que não, é das zonas mais importantes em treinos de resistência, o chamado endurance.

Por saber que é algo tão importante e tão esquecido pelos corredores, trago aqui hoje alguns exercícios muito simples e que vos vão ajudar em muito pouco tempo.

 

18
Jun21

Reféns dos patrocínios


João Silva

Isto do desporto é mesmo giro. 

Todos dizem que fazer é uma espécie de milagre para a nossa saúde, o que não me atrevo a desmentir. 

Além disso, o desporto é tido como um prazer. O que também é verdade. 

Mas se tudo isto é uma realidade, onde é que têm lugar as histórias de atletas profissionais que deixam de poder treinar e competir porque perderam os patrocínios?

Alguns perdem as bolsas ou mesmo os patrocínios, porque deixaram de apresentar resultados. Outros ficam sem nada porque se lesionaram e as marcas foram à sua vida. E, como se não bastasse, ainda temos o caso de atletas mulheres que deixam de ter quem aposte nelas porque, veja-se, foram mães.

Cada vez mais recorrentemente, tenho ouvido relatos de profissionais que viram a sua vida cair em desgraça porque as marcas perderam o interesse.

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Apesar de saber há muito que a nossa sociedade só valoriza números, e se for dinheiro melhor ainda, não deixo de ficar triste quando percebo que o crédito das pessoas se esgota no dia em que deixam de render. Então e onde fica o legado da pessoa? E onde se esgotam os seus valores morais e o exemo que dá aos mais novos e o caminho desportivo que mostra?

Só vale se ganhar? Recuso-me a aceitar essa ideia. 

10
Jun21

No meu tempo...


João Silva

Apesar de fazer muitas referências ao passado em muitos assuntos, ainda não recorro muito à expressão que usei no título. Talvez porque ainda não me sinta velho e, de certeza, porque não o sou. Curioso, em forma de antítese, a ideia do meu pai, que se acha velho e tem apenas 55 anos. 

A propósito disso, há uns tempos, a falar de corrida, porque ele também foi atleta, disse-me "no meu tempo, não queríamos saber disso, era pôr os pés na estrada e correr". O tema incidia sobre a importância da técnica de corrida. Chutei para canto.

Mais recentemente, quando lhe expliquei por que usava sapatilhas de corrida, disse-me que não havia melhores do que as dele. Diga-se que as dele eram sapatilhas casuais normais, com uma sola rígida e ideais para deslocar uma rótula ao primeiro impacto.

Aquela conversa fez-me pensar nas muitas diferenças entre o corredor típico da época do meu pai e o da minha.

Tendo em conta que o investimento não era uma prioridade na altura, já que o dinheiro tinha para onde ir, não deixa de ser interessante que um corredor de há 35 anos so precisava de uma t-shirt e de uns calções. Quanto a meias e a sapatilhas, era o que houvesse.

Quando penso em mim e no que considero essencial, vejo que não é nada assim. Por outro lado, há que admitir, também se cai muito no excesso. 

Voltando a mim: sapatilhas de corrida (mesmo que a um preço muito acessível), meias próprias, perneiras, collants no inverno, joelheiras por causa do impacto em alguns treinos, calções, luvas no inverno, t-shirt respirável, bolsa para telemóvel, gorro no inverno. Como corro de madrugada, ainda acrescento frontal, dínamos e fita refletora. Ah, e relógio GPS. Pouca coisa, portanto. É preciso uma sessão só para me vestir.

Mais a sério, há aqui algumas coisas dispensáveis, mas os tempos são outros. Mais do que de estilo, falamos de tornar uma atividade desportiva dura em algo confortável.

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Tal como noutras áreas da vida, houve evolução e já nem me atrevo a ir para a mentalidade, porque aí as diferenças são mais gritantes. Alongamentos, exercícios complementares de reforço muscular e treino cruzado são coisas que ainda não existem para muitos corredores mais velhos. 

E por aí, como se vê a evolução geracional naquilo que gostam de fazer. 

29
Mai21

A explicação do silêncio


João Silva

Já pertinho do final do mês, é hora de fechar finalmente o capítulo 50 km, até porque o corpo já trabalha a pensar numa próxima "brincadeira".

Como referi há dois dias, à exceção da Diana e do Mateus, masi ninguém sabia que ia correr 50 km no dia 24 de abril. Havia uma ou outra pessoa que tinha conhecimento dessas intenções mas que desconhecia se isso ia ou não para a frente.

Como sempre, fechei-me em copas e trabalhar para chegar onde cria.

Missão cumprida.

A explicação para este silêncio é muito fácil de dar: não gosto de dizer que vou fazer, gosto de dizer que fiz.

Eu não controlo o que vou fazer (ainda para mais, depois de ter sido pai), mas controlo o que já fiz.

E pronto, no fundo, trata-se de mostrar a minha presença mas com factos, com "obra", não com palavras. Sou um homem de línguas, adoro comunicar, mas, como já dizia o outro, "palavras leva-as o vento".

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