Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

15
Set20

Mais um daqueles que dão sempre jeito


João Silva

Num mês que é marcadamente dedicado ao regresso aos manuais e às questões escolares e académicas, trago-vos mais uma sugestão de um livro que adquiri na Deco Proteste e que se mostrou (e tem mostrado) muito importante para o meu reforço muscular.

IMG_20200714_111544_BURST001_COVER.jpg

Honestamente, nunca pensei que pudesse ser tão fácil fazer exercícios em casa sem grandes recursos a acessórios.

Esta publicação mostrou-me isso, muito antes de correr a minha primeira maratona.

É bastante exaustivo, chegando mesmo a apresentar planos de treino e algumas dicas alimentares.

 

IMG_20200714_111640.jpg

Os exercícios estão bem delimitados por níveis e por tipologias de treino, facilitando assim a consulta.

Além disso, a explicação dos exercícios também é bastante acessível, procurando simplificar a compreensão.

Recomendo vivamente.

Como era associado da Deco na altura, só tive de pagar 1,95€ pelos portes. O livro ficou gratuito.

Seja como for, deverão conseguir encontrá-lo na biblioteca de publicações da Deco Proteste.

Regra geral, é possível adquirir publicações já lançadas há algum tempo.

 

13
Set20

Uma espécie de bíblia


João Silva

Sim, bíblia e não Bíblia porque não vos venho falar da religiosa. No fundo, refere-se a uma "religião", mas no caso é só para mim e para outros. "maluquinhos" da corrida.

IMG_20200714_111650.jpg

Venho apresentar-vos um livro que já tenho há algum tempo, que, honestamente, ainda não li na totalidade, mas que me encantou por ser tão completo que até dói não dar para interiorizar tudo o que lá está escrito.

O livro chama-se Corrida e maratona e foi lançado pela DK.

IMG_20200714_111710.jpg

Às minhas mãos chegou por intermédio dos meus dois cunhados (um ele e uma ela) com quem toda esta aventura começou e que, sempre que podem, tratam de alimentar o meu vício pela corrida.

Foi, na verdade, uma prenda de aniversário de há dois anos e, desde logo, entrou para o top das melhores coisas que já recebi.

No fundo, sem me querer alongar para não maçar, digo-vos que tem todos os aspetos fisionómicos da corrida. Ou seja: não se debruça muito sobre técnicas específicas para melhorar o desempenho, embora traga recomendações de exercícios de fortalecimento muscular, planos de treinos específicos para maratonas, por exemplo, e ainda artigos muito importantes sobre formas de descanso.

Todavia, o grande foco do livro está em revelar-nos a composição dos músculos, a ação entre si no processo de corrida, a importância de cada parte do corpo implicada no movimento e ainda as diferentes estruturas musculares associadas a cada zona do corpo.

IMG_20200714_111726.jpg

Além de tudo isto, ainda se foca no lado alimentar. Por exemplo: refere o tipo de nutrientes mais necessários a um corredor e em que alimentos podemos encontrá-los.

É uma espécie de anatomia da corrida e tem tanto, mas tanto mesmo, conhecimento para oferecer que me custa não ser capaz de decorar tudo o que lá está. 

IMG_20200714_111833.jpg

Encontra-se à venda nos sítios do costume, sendo um deles este: https://www.wook.pt/livro/corrida-e-maratona/16374521

 

IMG_20200714_111840.jpg

IMG_20200714_111851.jpg

 

11
Set20

Motivação vs objetivos vs corrida


João Silva

Estes três pontos estão relacionados, mas não são indissociáveis entre si.
De forma sucinta, passo a explicar:
Posso sentir-me motivado a fazer alguma coisa, a experimentar um exercício, uma modalidade sem que isso vire um objetivo de vida ou tenha qualquer influência no desenvolvimento da corrida.

2019-11-03_12_29_23_531.jpg
Este período de confinamento que foi vivido por cada um de uma forma mais ou menos intensa trouxe isso mesmo à tona: não perdi a minha motivação nos treinos. Em casa, todas as semanas apliquei uma carga jeitosa e só alguém com muita automotivação (obstinação também se pode aplicar aqui) consegue fazer exercícios físicos intensos sem saber o que virá a seguir. Não parei um dia, quis aproveitar tudo. Portanto, não deixei de estar motivado.

Por outro lado, esta motivação não tinha um objetivo desportivo concreto, à exceção da minha saúde. Sabia que estava a treinar mas não sabia para quê em termos competitivos, já que não havia provas marcadas.
Honestamente, dei-me bem com essa metodologia e não senti quebras anormais de vontade.

Claro que houve dias mais "fáceis" do que outros.
Como não corri nesta fase, nem a motivação nem os objetivos serviam a evolução na corrida.

Resumindo: é possível trabalhar com motivação sem ter objetivos claramente traçados e sem ser pensar apenas na corrida.
Já na primeira fase de retoma, como ainda não havia provas marcadas, este princípio manteve-se.

A motivação liderou o processo, sendo que aí passou a haver um objetivo: recuperar a forma de corredor de fundo.

Nos meses de verão, os treinos já passaram a incidir nesse propósito.

Apesar da imensa carga de treinos, a verdade é que essa tal motivação ajudou a superar fases mais duras ao longo dos últimos meses.

Como veem a questão: para vocês não há corrida sem motivação nem objetivos?

 

28
Ago20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje venho falar-vos e dar-vos a conhecer o Paulo Alves, nome de antigo jogador da bola.

Não conheço pessoalmente este rapaz, mas já pude sentir a sua simpatia e boa disposição no seio da nossa equipa.

Curioso o facto de achar que ele já fazia parte da equipa há mais tempo do que eu, quando, na verdade, sou mais "velho" na laranja. Particularidades, portanto.

Outra é o facto de a minha alcunha atual no seio da equipa ter sido dada por ele: alcatroado. Qualquer relação do nome com a minha paixão à estrada é pura coincidência.

Aprecio o jeito descontraído do Paulo, bem como a sua abordagem mais ligeira. Como sei que é algo difícil para mim, gabo-lhe os méritos dessa atitude, que, ou muito me engano, é uma marca distintiva da sua personalidade.

Deixo-vos, pois, com o Paulo Alves.

 

  • Nome:

Paulo Alves aka Alfacinha aka #treinapaulo :)

EGT2016-46kms.JPG

 

  • Idade:

42

  • Equipa:

ARCD Venda da Luísa

 

  • Praticante de atletismo desde:

Meados de 2012, pois foi quando a balança chegou aos 106 kg. Achei que já bastava e meti na cabeça que iria fazer a corrida do Sporting (10 km) nesse mesmo ano, pelo que comecei a correr do zero por períodos de 5 min. no máximo e aumentando gradualmente.

OMD2018-50kms.JPG

 

  • Modalidade de atletismo preferida:

É o trail running pela sensação de liberdade, camaradagem e aventura que cada treino/prova proporciona.

 

  • Prefere curtas ou longas distâncias:

Claramente as longas distâncias pelo desafio de ter de vencer os quilómetros, o tempo, a meteorologia, gerir o corpo, mas, sobretudo, por ter de contrariar o que a cabeça muitas vezes pede quando surgem as dificuldades.

Sicó 2020-111kms.JPG

 

  • Na atual equipa desde:

24 de Março de 2019, dia do Trail de Pereira.

 

  • Volume de treinos por semana:

É muito variável pois sou um "atleta" muito indisciplinado, por isso, tenho semanas em que treino 1 vez e outras em que chego às 6. Mas, se seguirmos a grande máxima "descanso também é treino", então é todos os dias e nisso sou fortíssimo. :)

Almourol 2014 - 1a maratona em trilhos (44 km).jpe

 

  • Importâncias dos treinos:

Considero que, de facto, treinar com regularidade e disciplina é muito importante pois conseguimos desfrutar muito mais das provas e acabá-las sem ter a sensação que fomos atropelados pelo Intercidades. (risos)

Trail Viver Pereira 2019.JPG

 

  • Se tem ou não treinador:

Não tenho treinador, mas como sou algo preguiçoso para treinar, tenho 2 treinadores informais que usam todos os métodos possíveis e imaginários para me "obrigar" a treinar.

 

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual:

Sinceramente não considero que esteja no atletismo há tanto tempo para notar as diferenças, mas acho que há cada vez mais uma "indústria" das provas de corrida, sobretudo no trail, em que o objetivo é principalmente fazer dinheiro, sendo que há ainda uns resistentes que dão prioridade à qualidade em detrimento da quantidade dos seus eventos.

TSL2017-55kms.JPG

 

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas,

O acontecimento mais insólito numa prova foi num Oh Meu Deus, na subida da Garganta de Loriga para a Torre senti-me mal com o calor, fui sempre subindo e esperando que viesse o vassoura, quando cheguei à Torre, 4 horas depois de ter saído de Loriga, descobri que nenhum dos elementos estava à minha espera porque pensavam que o último já tinha passado...Outra situação insólita foi no ano passado nos 65 km da Freita, eu estava a fazer a prova com o Rui Monteiro e o José Carlos Fernandes, entrámos juntos na mítica Besta, sendo que depois cada um seguiu o seu ritmo e, de repente, eu consegui perder-me naquele percurso para parece simples e depois só ouvia os gritos do Rui e do José a chamar por mim...  e uma curiosidade é que já acabei várias provas com pelo menos uma rapariga que não conhecia até aí. ;)

Oh Meu Deus K70 2014.jpeg

 

  • Aventura marcante

Tive algumas experiências em prova que me marcaram, como correr na neve na Serra da Estrela, a brutalidade e beleza da Serra da Freita, as noites das provas de 100 km, mas o que mais me marcou ao longo destes anos de corridas foram sobretudo as pessoas que trouxe de cada aventura.

 

  • Participação em prova mais longa

 

Foi este ano nos 111 km do Sicó, que já tinha tentado o ano passado e fiquei a 18 km da meta, sendo que desta vez terminei-a, mas a prova mais longa prevista para este ano era a Ultra Caminhos do Tejo 144 km.

UMA2016-43kms.jpg

 

  • Objetivos pessoais futuros:

Basicamente terminar os objetivos que tinha para este ano, ou seja, UCT 144 km, TPG 55kms, finisher circuito ultra endurance da ATRP. 

Projetos que não tinha para este ano, mas que quero cumprir são OMD 100k ou 100 milhas, MIUT, PGTA, também PT281+ e/ou ALUT (solo ou estafeta) isto só para referir os objetivos internos.... :p

 

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Vejo o atletismo daqui a 5 anos como já tendo feito uma seleção natural entre as provas de qualidade e provas que só procuram lucro fácil sem qualidade, mas, no geral, cada vez mais gente a correr seja na estrada ou no trilho.

 

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos:

Sinceramente acho que andarei pelos trilhos lá atrás como é meu hábito, mas a curtir cada dia e cada metro percorrido.

25
Jul20

A Maratona de Médoc na escrita do Manuel Sequeira


João Silva

Dentro de dois dias, perceberão melhor quem é o "jovem" Manuel Sequeira, residente na zona sul do país.

Posso adiantar que foi um dos melhores conhecimentos que o atletismo me ofereceu nestes "pequenos" e "curtos" três anos e meio.

É um monstro das maratonas e tem a "sorte" de colaborar com a Revista Atletismo. O resto saberão depois.

Detentor de uma gentileza extrema, mostrou-me uma reportagem sua sobre a Maratona de Médoc, prova realizada em França e com característias muito específicas.

Não tinha como deixar escapar esta oportunidade, perdi a vergonha e perguntei-lhe se vos podia mostrar esta relíquia que ele escreveu para a Revista Atletismo.

Até aposto que haverá alguns de vós a querer correr uma maratona, isto depois de perceberem que se trata de uma aventura sem qualquer tipo de comparação.

Leiam e depois contem-me se já tiveram uma experiência assim (mesmo em trails).

Maratona de Médoc-1.jpeg

Maratona de Médoc-2.jpeg

 

23
Jul20

Quando surge a velocidade num processo de retoma


João Silva

Esta questão tem muito de técnica e de controversa, isto porque cada um terá a sua forma de ver as coisas.
Ainda assim, penso que estamos de acordo, o primeiro passo é retomar, começar a sentir o chão a ficar para trás a cada passada. Lenta ou rapidamente, no início, conta é fazer, para obrigar o corpo a perceber que tem de mudar o chip.
Diria que as primeiras semanas devem incorporar um aumento gradual da distância percorrida e do tempo de atividade. Este deve também ser intercalado com caminhadas para estabilizar o corpo e para o deixar preparado.
Na fase posterior, dependendo do número de treinos de cada um, diria que as duas semanas seguintes devem ser de ganho de resistência, o que vem praticamente com o acumular de quilómetros nas pernas. Esse processo de acumulação deve ser gradual, permitindo ao corpo assimilar novas cargas.

FB_IMG_1574463806014.jpg

Ao longo deste primeiro mês, o reforço muscular também não deve ser descurado. Se não der para se fazer muito, faz-se pouco. O corpo agradece tudo.
Terminado este primeiro período de adaptação e tendo dado o devido descanso ao corpo, por exemplo, com treinos de corrida à cada dois dias, começa a ser adequado introduzir treinos de velocidade.
Ainda assim, não iria logo para treinos de séries
Optaria por pequenos sprints no final das sessões de corrida. No final da primeira semana desse segundo período, começaria com pequenos fartleks. Só na segunda semana desta fase arrancaria com jogos de ritmos, como, por exemplo, os fartleks Watson. Só à entrada na terceira semana incluiria os treinos de séries.
Naturalmente, isto não é uma coisa exata, cada um deverá conhecer o seu corpo e o nível com que retoma a atividade física.
Ainda assim, esta parece-me ser uma boa forma de voltar a introduzir a velocidade e a explosividade na forma física.

21
Jul20

Uma retoma como mandam as regras


João Silva

2020-06-01_16_03_47_316.jpg

Desde logo, algo que este louco não fez. Nunca na vida se retoma a prática de uma modalidade como se não tivesse acontecido nada durante dois meses. Este princípio vale ouro e pode salvar corpos de lesões. Para o meu já vem tarde.
Antes de mais, teremos sempre de avaliar em que ponto estamos, se parámos, quanto tempo estivemos parados, se apenas mudámos a modalidade mas continuámos com uma grande intensidade, quais as características dessa nova modalidade e como podem ser utilizadas na retoma à antiga.
Findo este processo, mais do que objetivos a longo prazo, é, a meu ver, necessário traçar uma linha para recuperar a forma daquela atividade. No meu caso, mantive a forma física, mas perdi a forma de corredor de fundo e a elasticidade, já que deixei de fazer alongamentos e ioga, com o objetivo de canalizar melhor o tempo de treino para exercícios efetivos e específicos.

A partir daqui, a inclusão de corrida e de quilometragem deve ser gradual.
Não pode ser como fiz e arrancar logo com mais de 1h e a um ritmo intenso ao ponto de começar a endurecer músculos e de provocar lesões nos adutores.
O trabalho de força, sobretudo, o de estabilização não deve faltar. Diria mesmo que é obrigatório. Ainda que possa ser em quantidade reduzida, esses exercícios não devem faltar.
O fortalecimento do core também não pode ser descurado. O corpo vai sentir tudo à dobrar.
Por ter querido de mais em tão pouco tempo, não percebi que o impacto me ia apanhar como nunca. As dores chegaram ao nível das que senti quando comecei a correr, quando era obeso.
Na fase seguinte, importa perceber o tempo destinado ao exercício e os objetivos a longo prazo, porque isso vai determinar a velocidade a que é possível retomar a corrida.
Na altura em que escrevi esta publicação, não havia previsão de provas. Portanto, dava para ir com calma. Tinha no horizonte a prova já paga em novembro, mas dava perfeitamente para fazer de maneira diferente. Para ter paciência e dar descanso ao corpo nos processos.
A moral disto tudo é que o corpo não deixou de saber correr, mas precisa de tempo e "compaixão" para regenerar. Disso e de alongamentos. Percebi novamente que não funciona correr sem alongar o corpo, pelo menos, no fim. Entorpece tudo, se não houver eliminação de radicais livres.
Portanto, uma vez mais, perdi uma excelente oportunidade de mostrar que é possível levar tudo com calma. Este tem sido o meu grande problema desde o início: um ser pouco emotivo no geral mas que se deixa iludir pela sensação de controlo e se deixa levar pelo impulso, neste caso, desportivo.

19
Jul20

Onde para o descanso quando é mais requisitado?


João Silva

 

2019-12-22_10_13_57_101.jpg

Descanso é treino. É uma forma de recuperar do esforço e de permitir que o corpo assimile os tratos dados na sessão de treino ou em competição.

Que um pai recente é uma pessoa cansada, disso não há dúvidas. Nem sequer me estou a lamentar. Não fui o primeiro e não hei de ser o último a passar por isso. Portanto, faz parte do processo.

Aqui o foco do cansaço vai depois para a (in)capacidade para o meu corpo dar uma resposta funcional. Nos últimos meses, regra geral, os treinos parecem sessões de tortura, não pela falta de vontade, porque isso não entra neste dicionário, mas pela falta de frescura física para responder à altura do que quero.

A capacidade mental diminuiu muito desde o dia 30 de abril. Na verdade, embora estivesse longe de saber qual a dimensão da pancada, estava certo de que a levaria. Só não sabia que iria passara alguns treinos como zombie. A sensação que tenho, e sei que é apenas fruto do desaste do momento, é que o descanso não existe. E sem ele fica mais difícil fazer alguma coisa de jeito em termos físicos.

Estou naquela fase de tentar encaixar o trabalho com a paternidade e com os treinos. Nada de novo, nada de especial, nada digno de palavras de ânimo. Apenas a constatação de um facto e sei que sou um "afortunado" por poder trabalhar a partir de casa . Ainda assim, tal significa que são muitas as vezes em que acordo às 4 ou 5 da manhã, no fundo, aproveitando o embalo dos despertares do senhor Mateus, e vou treinar...Quer dizer, vou mexer o corpo e tentar fazer algo pela minha saúde, o que acaba por ser um contrassenso, tendo em conta que isso deveria implicar descanso. Só que eu roço a estupidez e a mediocridade a esse nível e aí fica mais díficil. 

Sou um pouco a personificação daquele ditado: "os cães ladram e a caravana passa". Conclusão: cansaço e saturação nos píncaros, descanso nas lonas, sanidade mental e física inexistentes.

13
Jul20

Alongamentos: "cá deles"?


João Silva

Começo este texto por algo que nada tem a ver com o desporto e por congratular a minha mãe, que hoje faz mais um ano.

Não é pelo facto de ser minha mãe que assim tem de ser, mas, de facto, temos uma história de grande cumplicidade até aos meus 16 anos. Depois disso, o amor manteve-se mas muitos outros fatores foram criando um certo distanciamento. Ainda assim, não é motivo (nem nunca foi) para não lhe dar os parabéns. Gosto muito dela e agradeço muito o facto de ter ficado com os (alguns dos) seus genes. Saí claramente a ganhar com isso.

Terminada esta divação, falo-vos do tema desportivo de hoje: alongamentos.

Quais alongamentos?

IMG_20190112_074919.jpg

Pois, pela boca morre o peixe. Sempre defendi e fiz alongamentos que davam para mim e para uma equipa inteira. A verdade é que isso nos faz chegar a outro patamar, sobretudo, quando o corpo precisa de "matar" o desgaste e de eliminar eventuais formações de radicais livres.

Trata-se da forma proativa mais eficaz contra lesões. 

Exato. Tudo isto é muito lindo, mas desde o início de 2020, sempre na ótica de aproveitar todo o tempo disponível para fazer exercício/treinar, comecei a cortar nas sessões de alongamentos. 

Consigo perceber claramente o enferrujamento do corpo, agora que estou em fase de retoma de treinos de corrida.

Desde o início da quarentena que não fiz alongamentos. Aliás, foram muito raros. Só no dia 30 de maio, após 20 km corridos, é que voltei a alongar a sério e foi triste ver um corpo que outrora foi funcional estar tão perro. 

A sensação que deu foi que parei de fazer exercício, a realidade é que descurei por completo este tipo de treino tão ou mais importante do que o "ativo". E fartinho que eu estou de saber isso...Quer dizer, aparentemente, faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

 

09
Jul20

O sofrimento nos treinos


João Silva

IMG_20190831_101742.jpg

Continuando na senda das estupidezes do ser humano, no caso, eu mesmo, isto vem sobre a forma de desabafo e ainda de lançamento para o post de dia 13 de julho. Porquê?

A resposta é simples: de há uns meses, para ser mais exato, desde novembro de 2019, deixei de respeitar o meu corpo. Sem saber bem por que motivo, ou melhor, sabendo mas não me querendo adiantar muito para me proteger, comecei a puxar mais por mim, a afastar a linha que traçava os meus limites. Só que tudo tem um preço e tudo o que achava que tinha aprendido com o primeiro semestre de 2019 foi absolutamente por água abaixo. Resultado: burrice sob a forma de exigência elevada sobre o corpo.

Se o desgaste era grande e o cansaço ainda maior, pior ficou na altura da quarentena, pois passei a exigir mais do corpo para garantir que ganhava massa muscular e não massa gorda. Isto é tudo muito lindo, mas de boas intenções está o inferno cheio e lá acabei por ficar refém destes meus distúrbios mentais com a comida.

O busílis nem se encontra aí. Na verdade, o problema está no facto de o cansaço ter genuinamente aumentado com a chegada do Mateus, como seria previsível. E parei de treinar? Não parei de ser estúpido, é melhor pôr as coisas assim, pois reduzi ainda mais as horas dormidas para continuar a treinar. Assusta-me a ideia de ter de ficar sem treinos/exercício físico. Moral desta fantochada toda: os mues treinos passaram a ser absolutamente subprodutivos e ridículos. Parecia quase uma lontra a arrastar-me, sem parar perante músculos a endurecer, tonturas e fraqueza devido à falta de descanso. 

Como diz o outro, descanso também é treino, só que eu achei por bem faltar a essas sessões.

Os alongamentos também podem ser metidos nesse saco, mas disso falarei dia 13 de julho.

07
Jul20

Maiores erros na retoma à estrada


João Silva

Screenshot_20200529_170435_com.geonaute.geonaute.j

Quis começar como se não tivesse estado sem correr praticamente dois meses, mesmo tendo continuado com trabalho de força inteso e com bicicleta estática.

Não é a mesma coisa e só um louco e obstinado como eu podia achar que o corpo ia responder como estava a fazer antes da paragem. Pior, só alguém com enormes problemas mentais podia achar que era normal retomar tão intensamente sem fazer uma gestão mais faseada.

Teria sido tão mais simples se tivesse começado a correr gradualmente. Não, pelo contrário: na primeira semana de retoma, foram só sessões acima de 01h10m.

O corpo doeu-me como nunca tinha feito e a razão estava do lado dele.

Apesar de adorar o desporto e a corrida em particular, não se percebe (eu próprio não percebo) por que motivo arranquei logo em grande força, quando nem sequer havia provas no horizonte.

O esticão que senti no adutor no dia 30 de maio após 1h30 de corrida foi uma grande lição. Só que, já diz o ditado: "burro velho não aprende línguas". Eu até aprendo, sei falar quatro, mas faço-me de desentendido quando a conversa não me agrada.

Portanto, os maiores erros foram querer retomar como se nunca tivesse parado e ainda ter desrespeitado o meu corpo. 

05
Jul20

Análise ao 2.° período de aplicação do conceito de higiene


João Silva

Tal como o primeiro período, este foi marcado pela indisciplina, sobretudo, ao nível da duração e de alguns desvios no percurso.
Passei várias vezes a barreira das 1h30, tendo mesmo chegado às 2h00.
Além de problemas de outra índole que me pôde/pode trazer, a parte física reseentiu-se muito e neste segundo momento de regresso à estrada a perda de forma foi ainda mais notória. No arranque desta fase, já nem sequer conseguia manter um ritmo constantemente alto, quanto mais dar estico es no desempenho.
Foi, portanto, do ponto de vista de disciplina e de confiança depositada no meu conceito, um projeto falhado. Claramente um chumbo bem redondo, onde se safou apenas o facto de ter continuado a evitar contacto próximo com pessoas e de não ter parado a desinfeção sempre que regressava a casa.
Alguma coisa que se salvasse, portanto.
O outro ponto, talvez controverso, que considero positivo é a percepção de que consigo organizar melhor todo o meu dia se fizer o meu treino seguido na estrada. Esta "tarefa" fica logo despachada e depois há todo o resto para me ocupar o dia. Este lado organizativo e mental acaba por se sobrepor a tudo o resto, porque me liberta para outras coisas mais importantes.
E é com base nessa compreensão que vou avançar para mis um período de desconfinamento, desta feita, passarei a correr 4 vezes por semana em vez das atuais 3.
O percurso também vai ser alterado. Ou melhor, vou adicionar outro e passo a contar com dois para não estar sempre no mesmo sítio.
A avaliação final e eventual passagem à fase seguinte será feita dentro de duas semanas.

Screenshot_20200604_163708_com.geonaute.geonaute.j

 

03
Jul20

Análise ao 1.º período de aplicação do conceito de higiene


João Silva

Cá em casa, o conselho administrativo foi extremamente gentil e "permitiu" que começasse a desconfinar as minhas pernas na estrada.

O princípio base seria sempre com o máximo de responsabilidade e sem descurar a constante higenização.

Devo dizer que a parte da segurança foi inteiramente cumprida.

Procurei sempre manter-me fiel ao distanciamento e ao afastamento relativamente às pessoas.

Sempre que alguém se encontrava num raio demasiado próximo, procurava seguir para o lado oposto.

Ao chegar a casa, nunca entrei sem desinfetar as mãos, mesmo tendo em conta que não toquei em nada nem ninguém nos trajetos.

Mal coube em mim de feliz por ter merecido um grande voto de confiança.

Onde estive mal, mesmo muito mal, foi no facto de não me conseguir conter e de ter feito sempre mais tempo do que o previsto e, pior ainda, logo na primeira semana, mais sessões do que o estipulado. Apesar de não me ter metido em sarilhos nem de ter colocado alguém em perigo, foi irresponsável da minha parte e só revelou que não consigo seguir inteiramente o que proponho quando se trata de algo que me diz muito. 

É como se fizesse um plano e já estando a pensar na forma certa de o contornar...

Do ponto de vista técnico, arranquei com demasiada sede e comecei a sentir bem cedo que não estava preparado para correr logo mais de 1 hora.

Não parei na pandemia, mas fiz trabalho de força e bicicleta estática, o que é claramente diferente da corrida, desde logo, pelo desgaste das articulações e pelo impacto. E acabei por sofrer com isso. Esticões fortes e músculos a endurecer no final das sessões.

Uma espécie de "bem feito, eu avisei-te"!

Screenshot_20200529_170241_com.geonaute.geonaute.j

Screenshot_20200529_170435_com.geonaute.geonaute.j

Screenshot_20200529_170628_com.geonaute.geonaute.j

 

 

07
Jun20

À conversa com Aquele que gosta de correr


João Silva

O convite surgiu de forma inesperada, confesso. Não fazia ideia de que iria estar à conversa com alguém ligado ao atletismo.

A verdade é que o Vítor Oliveira teve a gentileza de me convidar para uma pequena conversa/entrevista no seu espaço: aquelequegostadecorrer.com.

Como o primeiro contacto surgiu na reta final da gravidez, a entrevista foi adiada algumas semanas.

E foi assim que no passado dia 30 de maio, por entre "receios" de choros do pequeno Mateus, que tive o prazer de responder a algumas perguntas do Vítor.

Podem assistir à entrevista no canal do YouTube do Vítor, que ainda teve a amabilidade de aceitar responder as umas questões para o meu espaço (essa entrevista será divulgada mais para a frente).

Aqui podem ver a primeira parte:

https://youtu.be/WR4j1oIE5SQ

E aqui podem assistir à segunda:

https://youtu.be/Yj33febA_PY

 

Fico à espera dos vossos comentários e o Vítor das vossas visualizações.

 

29
Mai20

Valorizar o pouco que se pode fazer


João Silva

Uma ida ao oftalmologista e um atraso de meia hora resultam em algo bom. 

No meu caso, nada melhor do que aproveitar e fazer tempo a correr. 

Ja não corria há imenso tempo e com a quarentena que passou, acabei por me render a mim próprio e palmilhei uma parte pacata e sossegada da vila, garantindo sempre que não me cruzava com ninguém.

Foi uma parte de um percurso comum nos meus treinos e soube-me pela vida. Tive o bónus de poder sentir a chuva no corpo e de perceber que, com todas estas mudanças na minha vida, ainda houve hipótese de sentir o ar puro entrar-me no peito.

Honestamente, pensei que só seria novamente o caso daqui a uns dez anos. 

Consegui esticar bem a máquina, até porque, de novembro ao dia 3 de maio, não deixei de treinar uma única vez. Portanto, em forma, estava. Foi o saber que "tinha permissão" para aquela sessão que me deixou particularmente realizado.

Tudo serve para treinar, uso tudo o que conheço e posso, mas ali foi uma espécie de voltar às origens.

Screenshot_20200510_072312_com.geonaute.geonaute.j

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

Redes sociais

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D