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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

01
Jul22

Mais técnicas rápidas


João Silva

Há muita gente a falar sobre corrida, mas, por vezes, quanto mais se acorda um tema, mas se complica o dito.

Não é necessário. Uma das chaves da melhoria em corrida é a adoção de exercícios básicos que vão funcionando como uma espécie de complemento da corrida. O objetivo é sempre acrescentar coisas boas.

A importância de coisas básicas é inegável na corrida e, talvez por isso, por exemplo, em francês se fale nestes exercícios como "éducatifs".

Este é mais um exemplo de vídeos bons e curtos que mostram exatamente o que é necessário fazer para melhorar.

Uma vez mais, o que aqui trago já foi devidamente experimentado e algumas coisas já haviam sido integradas na minha rotina de treino. É preciso ser paciente. Pode demorar mas traz resultados.

29
Jun22

Mexer os braços com critério


João Silva

Os braços são muito importantes na corrida. E podem ser a chave para se melhorar um tempo, por exemplo, quando queremos quebrar o nosso recorde e faltam milésimas.

Uma boa postura dos braços e um movimento sincronizado e "limpo" dão toda uma nova segurança ao corpo.

Trago-vos um vídeo que vos ajuda a melhorar o movimento dos braços.

Eu testei efetivamente o que diz a atleta e notam-se grandes melhorias, porque a dinâmica de movimentos é muito maior e mais estável.

No caso, a atleta em causa vai desde os sprints às corridas de longa distância. 

Que vos ajude tanto quanto a mim.

27
Jun22

Vai apressado


João Silva

Hoje trago algo diferente. 

Uma recomendação a quem gosta de desporto e a quem gosta de conhecer atletas amadores que são verdadeiros campeões.

 

A página em causa tem um nome que adorei assim que a encontrei: Caracol apressado.

Podem encontrar o blogue aqui:

http://caracolapressado.blogspot.com/2021/07/2020-2021-epoca-covid-n-2.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+CaracolApressado+(Caracol+Apressado)&m=1

Fiz questão de partilhar com a ligação de um dos textos que mais adorei do jovem atleta.

O rapaz é um vencedor. Trabalha no duro para isso, mas tem a humildade necessária para perceber que não é o senhor do mundo e que tem muito a aprender. A forma como analisa as suas prestações é muito sintética mas reveladora.

Aconselho vivamente que passem pela página dele.

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25
Jun22

Se vamos por aí, vamos ser tendenciosos!


João Silva

O binário do meu YouTube decidiu começar a mandar-me vídeos sobre como correr descalço.

Isto porque tinha procurado sobre o assunto. A verdade é que me fascina, embora reconheça que não teria coragem para fazer uma prova, mesmo que de 10 km, sem sapatilhas.

Acontece que um dos vídeos falava no facto de as sapatilhas de corrida terem aumentado o risco de lesões nos corredores.

Um dos argumentos prende-se com a altura do drop, a estrutura que afasta o calcanhar do chão.

É verdade que isso pode prejudicar a longo prazo, mas não achei correto usar isso como argumento direto para o aumento dos problemas nos pés e arredores dos atletas.

Vou deixar o vídeo embaixo para que possam ver e ouvir por vós, caso queiram.

 Acho que não é preciso polarizar nem falar em hobbies para se falar numa indústria que pretende que as pessoas não corram descalças.

Não é, de todo, um dado adquirido que o fizessem se não houvesse tantas marcas de sapatilhas. Desconfio mesmo que seriam pouquinhos os aventureiros.

Não vos parece?

 

21
Jun22

"É de caça, não faz mal"


João Silva

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O que significa isto? Não faço a mínima ideia, mas foi o que me disse um senhor que passeava um cão sem trela num caminho de terra batida na mata o de, por acaso, eu também estava a correr.

Que sorte tenho eu com cães! E gosto deles, mas é um flagelo sempre que se lançam a mim enquanto estou a correr.

Neste caso, o cão tinha porte médio e veio a "caminhar" na minha direção.

Parei. Que remédio tenho eu?

O dono aproxima-se de mim e diz "é de caça, não faz mal".

Segui viagem incrédulo com aquela informação. 

Não faz mal? Como assim? 

Caça vem do verbo caçar, implica perseguir animais. Ou estarei errado?

 

19
Jun22

Guarda real ou medo real?


João Silva

Esta é mais uma daquelas aventuras que um corredor tem só pelo simples facto de deambular por terras e estradas diferentes.

Sim, correr em concelhos do interior rodeados por serra, ainda que não sejam aquele interior extremo, traz situações diferentes daquelas que enfrentamos ao correr em estradas.

Eram perto de sete da manhã e eu corria feliz por uma estrada rural que separa dois campos de cultivo e onde há pastagens de ovelhas (para quem conhece, entre Venda da Luísa e Anobra).

De repente, olho para a frente e avisto 3 cães de grande porte (entre os quais, dois pastores alemães) a correr na minha direção. Estavam a cerca de 200 metros, o que me deu margem para parar.

Olho mais para lá no horizonte e vejo o pastor da zona com o seu enorme rebanho a gesticular desalmado para os cães. Não serviu de nada, mas, como diz o outro, eu é que não sou parvo.

Dei meia volta e atalhei caminho.

Estava bem guardado aquele rebanho!!!

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13
Jun22

Crónica de uma série de VMA


João Silva

Estou a queimar os 20 minutos de aquecimento e a excitação (e o entusiasmo) está nos píncaros.

É a primeira repetição de uma série que é suposto deixar-me perto do farrapo.

Olho para o relógio do pulso esquerdo e vejo as horas. O do pulso direito assinala a distância e o "meu destino".

Pé a marcar ritmo e siga. Velocidade máxima. Mais do que aquilo o corpo não tem. Braços para cima e para baixo em coordenação com as pernas. O peito recebe o ar que a boca teima em armazenar num ritmo frenético.

Sente-se rapidamente o quentinho a invadir o corpo. Esbaforido olho para o cronómetro indignado por aqueles dois minutos demorarem imenso a passar.

Chegam finalmente ao fim e vejo que corri quase 600 m naquele tempo. É bom, para uma primeira série desta intensidade, é bom.

Começo a fase de recuperação. São dois minutos num trote quase cambaleante. Sabem a ouro aqueles dois minutos se recuperação, mas também são a contagem decrescente para mais uma sequência exasperante de velocidade.

Devo ser masoquista, penso. Eu adorei aquela sensação, aquele arfar e aquele ímpeto. Decididamente sou masoquista, constato.

Seguem-se as outras sete repetições previstas e, em cada uma, vou perdendo frescura. O corpo treme mais porque já não tem tanta energia. Ainda assim, mexe-se com a desenvoltura de quem quer mais, muito mais. De quem sente que este é o caminho.

Acreditar é um pouco disto: seguir no caminho trilhado na esperança de que dê resultado.

Termino a sessão extenuado mas esperançado.

Na retina fica-me uma das últimas repetições em que senti o meu corpo a mexer-se por inteiro, em que senti que o movimento de passada me obrigou a deixar "tudo" na estrada.

Foi a primeira vez que fiz um jogo de séries tão longo. Não terá sido a última

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09
Jun22

Profissional e amador numa só cabeça


João Silva

Já lá vai algum tempo, mas um dos atletas (no caso, triatleta) que sigo, falava da diferença entre um corredor amador e um profissional.

Tirando o óbvio ligado à remuneração, há um aspeto fundamental que distingue um do outro.

No caso, o atleta referia-se à questão mental. A sua tese era que um amador normalmente contorna a dor e que um profissional abraça a dor.

Se, à primeira vista, parece uma afirmação exagerada, há um fundamento em tudo isto.

Por norma, o atleta amador que pratica uma modalidade sem objetivos de maior não procura treinos técnicos duros, por exemplo. Ou seja, no caso da corrida, não se vai meter em séries de VMA, por exemplo, se não quiser melhorar a resistência e a velocidade.

Para um amador comum, o prazer está acima de tudo.

Ora, no caso do profissional, isso não é bem assim. Está lá o prazer, claro. Tem de estar, mas também tem de estar muito presente que vai passar por fases de dor. Porquê? Porque a dor é a fase que lhe permite evoluir. De outra forma, não é possível.

Essa submissão à dor é tão regular quanto necessária. E é também incontornável.

Onde discordo é no facto de isto ser apenas inerente a um profissional. Há muitos amadores com uma dedicação ao nível de um profissional e que pretendem evoluir, que também procuram a dor.

E sim, falo de mim. Tenho consciência dessa dor e da necessidade de a "encontrar". E a verdade é que a procuro e que sei que não consigo evoluir sem passar "pelo cabo das tormentas".

Onde posso ser considerado amador à luz da tese deste atleta é no facto de não procurar sempre essa dor. Ou melhor, não tenho obrigatoriedade de me submeter a esse esforço em determinadas fases para um torneio ou uma prova específica. Sou eu que determino quando estou em condições de entrar num ciclo mais intenso de treino.

Perde-se numas coisas e ganha-se noutras. Mas, no geral, concordo com a teoria avançada no início.

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07
Jun22

O homem revela os seus segredos


João Silva

Lembram-se do Dr. Mark?

Sim, falo daquele senhor que já vos trouxe aqui e que tem uma "tara" pela corrida naturalista, ou seja, sem sapatilhas.

Pois bem, ao pesquisar mais, encontrei um vídeo de exercícios específicos de corrida.

Têm como objetivo melhorar a postura e o desempenho.

Mas calma, lá porque ele adora fazer tudo descalço, não quer dizer que não dê para reproduzir os exercícios calçado.

Posso garantir que dá.

E também posso assegurar que são exercícios muito úteis, por exemplo, para levantar mais os joelhos e, consequentemente, aumentar a amplitude da passada.

Não acham?

05
Jun22

Vejam como se faz e os arrepios que dá!


João Silva

Já vos trouxe várias referências a uma das novas modas da corrida: o ato de correr descalço!

Sou fã de andar descalço em casa, na relva ou na areia. Mas correr?

O Dr. Mark não teve qualquer pejo e decidiu partilhar técnicas e movimentos corretos para correr bem descalço.

Além disso, o vídeo que vos trago mostra um atleta a correr (a grande velocidade) descalço no asfalto.

Dói só de imaginar.

Também sentem o mesmo?

 

06
Mai22

Sabe bem


João Silva

Sem qualquer ponta de hipocrisia nem de altruismo barato, sabe muito bem quando alguém da minha estima me envia uma mensagem a dizer que correu pela primeira vez em estrada ou que correu pela primeira vez uma dada distância.

Fico genuinamente contente e, apesar de algumas pessoas se "defenderem" dizendo que não fizeram grande tempo, isso não me interessa. Importa-me mesmo é que tenham feito, que tenham tentado.

Rápido ou lento é ao gosto de cada um. Eu podia fazer a mesma distância e ficar triste porque fui lento, mas isso é a minha fasquia, não tem nada a ver com os outros. Não lhes tira mérito algum. Tentar é meio caminho andado. Digo sempre isto a mim próprio.

Para correr rápido, todos temos de começar lentamente. E começar é mesmo o passo decisivo. E é isso que me faz sentir alegria quando algum conhecido consegue fazer algo assim. Isso e o facto de se ter lembrado de me contar. De alguma forna, sinto que a minha paixão pela corrida passa para essa pessoa.

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04
Mai22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje é dia de mais um rapaz atleta ainda moçoilo nestas andanças mas que dá sinais de gostar disto a que chamamos corrida... É mais "um dos nossos". Por agora, está a apostar nas curtas distâncias (e parece-me que faz muito bem). No entanto, também ambiciona voos mais elevados. 

É prático, não está com rodeios mas nota-se que desfruta deste desporto.

Fiquem, pois, com o Ivo Carrito:

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Foto: Corrida 4 estações de inverno, em Coimbra, 2022

Nome

Ivo Manuel dos Santos Carrito 

Idade

27

Equipa

ARCD Venda da Luísa

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Foto: Corrida 4 estações de inverno, em Coimbra, 2022

Praticante de atletismo desde

2020

Modalidade de atletismo preferida

Trail

Prefere curtas ou longas distâncias

Prefiro Curtas.

Na atual equipa desde

Época 2020/2021

Volume de treinos por semana

Tenho semanas que nem treino corrida mas normalmente só descanso ao fim de semana com 3 dias de corrida, em estrada ou em trilhos, e 2 de ginásio para reforço muscular.

Importância dos treinos

Os treinos são sempre importantes para atingirmos os nossos objetivos e para evitarmos lesões.

 

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Foto: 15 km no Trail de Sicó em 2022

Se tem ou não treinador

Não tenho treinador.

Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Bastantes diferenças, como por exemplo, não havia tanta escolha de material desportivo e a tecnologia como os relógios gps foi uma evolução grande para os treinos e provas.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Para a quantidade de provas que fiz, que foram 4, não tenho assim uma história insólita que me lembre. 

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Foto: 15 km no Trail de Sicó em 2022

Participação em prova mais longa

TAUT, 18 km que no fim foram 20 km. 

Objetivos pessoais futuros

Conseguir fazer uma prova mais longa e já estou inscrito nos 27 km do Gerês.

Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Espero vê-lo mais evoluído e com mais malta jovem a participar em Trails.

 

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Foto: Trail Encostas do Mondego 2021

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Só o futuro o dirá, mas pretendo avançar para as longas distâncias.

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

Afetou muito porque estava com uma boa forma física já para participar a provas e com as restrições, fecharam os ginásios e provas canceladas o que me levou a alguma desmotivação.

O que mudou nas provas com a pandemia?

Eu antes da pandemia nunca tinha participado uma prova, mas pelo que tenho visto nas que tenho ido, implementaram novas regras tais como o certificado digital, a máscara na partida e na meta entre outras.

24
Abr22

Estagnar é (muito) mau, andar para trás é doloroso


João Silva

Olhando para trás, ao fim de quase cinco anos e meio, vejo que foram muitas as vezes em que não consegui fazer o que queria em termos de treinos. 

Percebo que estagnei muitas vezes. Se o primeiro ano foi de grandes mudanças, como era suposto, depois passei muito tempo atrás daquilo que já tinha acontecido no passado.

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Se, por um lado, é bom saber que chegamos a determinado ponto e que, se estamos mal, é apenas uma fase, por outro, não adianta perseguir aquilo que, a dada altura, se torna muito distante.

O que mais me desilude é ter esta noção de que o excesso de treinos me minou a evolução e que, à exceção de alguns períodos de provas, nunca consegui estar em plena forma durante muitos meses. Até me ter lesionado a sério. Foi o episódio de que precisava para abrir os olhos. Sobretudo, em termos de qualidade de treino e ao nível dos resultados.

A chave para subir a forma é combinar os treinos de elevada intensidade com períodos de descanso. Sei que falhei nesse capítulo. Durante muito tempo, como não "sabia" o conceito de abrandar, o corpo não deixou fazer mais sessões de treinos de velocidade pura. Outra das causas estúpidas para isso foi acreditar que, para poder comer (coisas "normais" no meu estilo de vida atual), tinha de treinar sempre e sem olhar para trás. Tudo isso me levou a um ponto em que não consegui evoluir. 

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Agora tornei-me constante, tenho sido paciente e os resultados dos treinos estão a materializar-se em boas sensações do corpo e em resultados práticos, mas dói perceber que fui muito burro (por culpa própria) durante tanto tempo. Sobretudo, custa saber que se tem as ferramentas certas e que bastava ter calma e método.

Não gosto de ser conhecido como o tolinho que corre muito. Porque sim, corro muitos quilómetros, mas gostava que esta quantidade se transformasse em algo palpável. Não falo de pódios, embora pense neles, ainda assim, sinto que sei qual o caminho teórico a percorrer para chegar lá e que acabo a andar para trás por "cegueira". 

No entanto, os últimos cinco meses, no balanço do meu regresso da lesão, provaram que afinal aprendemos com os erros.

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Pior do que estagnar é ficar pior do que se estava. Isso aconteceu-me no ano passado depois de ter corrido os 50 km pela primeira vez. 

Não foi a distância a provocar isso, foi a falta de descanso e a incapacidade para mudar métodos.

Aceitei o que me aconteceu e todas as dores reais que tive e, na verdade, nem posso dizer que tenha sido tudo mau, porque consegui mudar a minha passada para o pé direito (passei a conseguir marcar ritmo com os dois) e consegui mudar um pouco as cargas do fim de semana e apostar no reforço muscular. Só que já foi muito tarde naquela altura. O corpo já estava muito massacrado e nunca mais consegui ter regularidade num ritmo que me permitisse fazer 18 km em 1h30 (era o normal em períodos bons) sem me deixar quase k.o. nos dias seguintes.

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Isso doeu tanto. Representou um enorme fracasso e foi provocado por mim. Diria que é um pouco o resumo da minha vida.

Digerir tudo isto não foi fácil... mas o que não nos mata, torna-nos mais fortes... foi o caso. Pelo menos, por agora.

 

16
Abr22

A lei do inversamente proporcional...


João Silva

Habituei-me desde cedo à ideia de que não posso ser feliz em horas coisas ao mesmo tempo. Se estou bem num polo, outro estará nas lonas...

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Esta é a palavra certa, porque as dificuldades dos últimos largos meses tiraram-me a possibilidade de participar em mais provas por agora, até conseguirmos inverter a espiral...

E, numa espécie de comiseração, acabo por dar por mim a pensar "logo agora que os resultados apareceram finalmente e vieram dar razão aos treinos". (Spoiler: não estou a pedir dinheiro a quem quer que seja, estou apenas a falar abertamente do investimento numa modalidade desportiva onde não existe qualquer apoio externo).

Seja como for, aquilo que procuro fazer conscientemente é avaliar o que fiz até agora e procurar preservar a crença de que tudo será mudado com dedicação. 

E o exercício de automotivação sem provas é duro, mas é algo bom porque me vai fortalecer. É nisso que penso. E foi por isso que decidi começar a preparar a minha maratona de novembro já em abril/maio. É uma prova que já tinha sido adquirida, é a minha prova de eleição e este tempo todo sem provas vai permitir-me trabalhar com calma e bem para tentar fazer menos de 3h21 (marca atual)...

08
Abr22

1, 2, 3 uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje trago-vos uma atleta com quem ainda não falei pessoalmente mas de cuja bravura fiquei fã quando o seu namorado, o Bruno Silva, me falou de uma aventura que teve na noite em que alcançou uma enorme proeza na Madeira: partiu a cabeça!!

Tinha de a entrevistar. E fiquei com as melhores impressões, pois, claramente, por detrás desta atleta está uma pessoa com ideias claras quanto à sua paixão pelo atletismo e quanto à afirmação do seu género na modalidade.

Confirmem lá se não vos digo a verdade.

Fiquem, pois, com a Rafaela:

 

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Foto: Trail vale dourado de Famalicão

Nome:

Rafaela Bento

Idade:

34 anos

Equipa:

CTM Vila Pouca de Aguiar

Praticante de atletismo desde

2016

Modalidade atletismo preferida:

Trail

Prefere curtas ou longas distâncias:

Prefiro distâncias longas (ultra trails)

Na atual equipa desde

Estou no CTM desde a época 2018/2019

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Foto: 57 km do Trail de Sicó

Volume de treinos por semana:

Treinos 4/5 por semana

A importância dos treinos:

Os treinos são extremamente importantes para conseguirmos alcançar os nossos objetivos.

Diferenças entre o atletismo passado e o atual:

Atualmente o atletismo tem sido visto como algo positivo, contudo, ainda pouco valorizado, ou nada, face a outras modalidades desportivas.

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Foto: MIUT (Madeira)

Aventura marcante:

Até ao momento tenho como atividade marcante o primeiro trail que fiz em Vila Pouca de Aguiar, apenas 10kms que para mim foram uma grande conquista. “Os montes” de Vila Pouca tem uma beleza incrível, quer seja em prova ou em treinos é fascinante. Outra prova que amei ter feito foi TPG, Transpeneda Gerês, 105kms (em 2021). O Gerês é a minha serra de eleição e é lá que faço as minhas grandes aventuras.

Há uma ilha que adoro e também me fez sonhar no mundo dos trails, a Ilha da Madeira e fui conquistar o sonho de correr entre o Pico Ruivo e Pico do Areeiro. Esta conquista foi em novembro de 2021. Participei nos 85kms do MIUT.

Objetivos pessoais futuros:

Os meus objetivos continuam a ser os ultra trails. Nestas provas consigo estar bastante tempo eu a Natureza e aqui sou muito feliz. Emoções sentidas que não há palavras para explica-las. Contudo, de vez em quando traço um objetivo maior e aventuro-me numa prova de três dígitos.

Ano após ano, há mais interessados pelo atletismo e espero que aumente nos próximos anos. Sejamos a inspiração de quem nos rodeia. Enquanto tiver possibilidade continuo no atletismo. Participo em diversas provas, dos 8 aos 80 kms (ou ainda mais) de modo a sentir-me bem e divertir-me. Algumas provas são pela estrada, algumas também gosto. Contudo, o mundo do trail é a minha prioridade.

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Foto: 85 km do MIUT

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

A pandemia veio alterar muitos hábitos a todos nós. Uns aspetos positivos, outros negativos. Se observarmos a maioria das pessoas vemos constantes lamentações porque estão demasiado isoladas devido ao vírus, mas será que é devido ao vírus ou a elas próprias? Eis a questão.

Nesta fase tive mais tempo para treinar porque tive menos trabalho. Sou grata por essa oportunidade. Contudo, senti falta das provas, de sairmos em grupo, acordar cedo e irmos para uma prova. Mantive o foco nas provas que pretendia atingir, treinei e assim foi, consegui atingir os objetivos que me tinha proposto.

O que mudou nas provas com a pandemia?

Com a pandemia foram poucas as provas que se realizaram e as que se realizaram tinham menos atletas o que acabou por afetar a motivação. Durante a prova, as regras são basicamente as que existem no dia a dia. É preciso sabermo-nos adaptar às mudanças.

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Foto: Trail de Vila Pouca de Aguiar

Essas mudanças são boas para a modalidade?

As mudanças são boas para a modalidade se houver mudar a consciência do ser humano.

Porque existem tão poucas mulheres no atletismo?

A meu ver nenhuma modalidade desportiva levada a sério (mesmo amadores temos que nos dedicar), pelo menos minimamente, requer bastante dedicação, foco, disciplina, coragem, resiliência e paciência e muitas mulheres não estão dispostas a isso.

Com dedicação conseguimos fazer o que ambicionamos sem nos deixar afetar pelos/as “parasitas” que preferem ficar no café a beber, a fumar, a comer (ou seja lá o que for que os prejudica mais que o atletismo) e chamam viciados aos atletas. Cada atleta deve fazer o que a motiva. Nós temos a capacidade de criar o nosso bem-estar, não precisamos de recorrer a nada externo. Basta movimentarmo-nos, sim, o corpo foi feito para estar em movimento, dai termos pernas e não raízes.

A dedicação ao atletismo (como tantas outras coisas) tem ganhos e perdas. Saibamos escolher o que é melhor para nós. Façamos escolhas conscientes se o que escolhemos é para nossa felicidade ou por base no dito correto ou melhor. Saibamos escutar o nosso sentir.

Porque há tão poucas a fazer grandes distâncias?

A mulher ainda tem muito trabalho a fazer na sociedade e poderia começar a dedicar-se a si em primeiro lugar para a seguir tudo vir na medida certa. As grandes distâncias requerem muita dedicação. É preciso gerir o tempo para planear o trabalho, o lar e o social.

Quando se faz uma gestão do tempo equilibrada temos a possibilidade de conquistarmos o que desejarmos.

Existe alguma diferença no tratamento das mulheres face aos homens no atletismo?

Na mentalidade medíocre, a mulher ainda é criticada, mas cabe a cada uma dar a resposta à sua altura quando temos consciência que fazemos o melhor resta-nos continuar a fazer o nosso caminho.

 

Foto: 105 km do TPGFB_IMG_1646227655301.jpg

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