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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

22
Jan22

Sabiam que...


João Silva

...o progresso é filho da intensidade?

Leram bem. A chave da evolução na corrida está na intensidade dos nossos treinos.

Quanto mais intenso melhor. Os músculos são estimulados recebem mais oxigénio e são obrigados a gerar mais. 

Mas, como tudo, há um "gato" nisto: uma enorme intensidade tem tendência a criar um maior desgaste celular e muscular.

Pois é. Pois é, menino João! (Sim, estou a falar de mim). Maior intensidade obriga a maior descanso, porque a chave do desenvolvimento é o repouso e o soninho. 

Quanto mais dormimos, mais tendemos a regenerar (dependendo dos níveis de treino). 

Este é um processo demorado e não é fácil suportar treinos intensos, mas pode começar por pequenos sprints e "abanões" no final dos treinos normais. Isso já vai aumentar a necessidade de resposta do corpo.

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04
Jan22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Ano novo, entrevista nova para deixar a malta com vontade de partilhar experiências no mundo da corrida.

Hoje trago-vos um rapaz que já conheço desde finais de 2017, quando me juntei à equipa onde ele estava, a Casa do Benfica de Condeixa. Entretanto, juntou-se à minha equipa.

Já nos conhecemos bem e já corremos muitas provas na mesma equipa. Tínhamos o ritual de tirar uma foto conjunta antes de cada prova. 

E este jovem, que me chegou a dar boleia para algumas provas, é um belo colega de equipa. Não se coíbe de chamar pelos colegas quando passa por eles ou quando estes seguem à sua frente. 

Sem me querer alongar muito, diria que ele tem uma enorme paixão pela corrida, que, entretanto, já tratou de passar para a filha.

Fiquem, pois, com o Tiago Pires.

Nome

Nuno Tiago Santos Pires

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Foto: início da história do Tiago nas corridas

Idade

37

Equipa

 ARCD Venda da Luísa Trail

Praticante de atletismo desde

Época 2015/2016     

   

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Fotos: as primeiras provas como individual                        

Modalidade de atletismo preferida

Gosto de correr mais em estrada, porque consigo mais facilmente manter o meu ritmo de corrida e fazer melhores tempos a nível pessoal. No entanto, nunca colocobprovas de Trail de parte, pois é nelas que se vive e se desfruta completamente da Mãe Natureza.

Prefere curtas ou longas distâncias

Curtas, sem dúvida nenhuma, mas gosto de grandes desafios.

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Foto: primeira prova na equipa Casa do Benfica de Condeixa

Na atual equipa desde 

Época 2020/2021

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Foto: início da época 20/21 na nova equipa, q ARCD Venda da Luísa

Volume de treinos por semana

Infelizmente não faço qualquer treino, durante a semana,  pois o tempo que existe é pouco ou nenhum devido à minha vida profissional e pessoal. No entanto, quando arranjo uma hora ou um tempinho livre, tento ir esticar um pouco as pernas.

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Foto: São Silvestre de Coimbra, com a melhor marca pessoal e com o apoio da sua maior fã.

Importância dos treinos

Sinto que me faz falta treinar, pois a importância que eles teriam para mim seria enorme, porque o meu rendimento, os meus tempos, os meus objetivos e, principalmente, a minha saúde iriam ser outros e também preveniria possíveis lesões. Resumindo: para praticar atletismo, é muito importante treinar.

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Fotos: regresso às provas no segundo pós-Covid e primeiras provas na nova equipa

Se tem ou não treinador

Não tenho, mas gostava de ter um preparador físico, que me ensinasse e me preparasse em condições.

Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Bem as diferenças são enormes do atletismo passado ao atual. No passado, as condições eram piores a todos os níveis. Por exemplo, queríamos adquirir equipamento pessoal e praticamente não havia grande escolha, queríamos ir participar na prova seguinte e não havia meios para ir, as pistas de atletismo eram de terra batida, os meios de combater lesões não eram os mesmos. Enfim, inúmeras situações que podia dar como exemplo, mas ainda bem que o atletismo tem evoluído a todos os níveis. Penso que tem tudo para evoluir ainda mais, pois os recursos para essa evolução estão mais próximos e acessíveis. Nós, como atletas que procuramos ser, temos de tentar acompanhar essa evolução, pois só vai trazer vantagens para a prática do atletismo.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Neste caso, tenho mesmo muito para dizer, ou melhor, tenho muitas histórias que posso relatar desde que me iniciei como praticante de atletismo em 2015. Histórias para rir,  para ficar de "boca aberta", enfim, de tudo mesmo.

Uma vez, ou melhor já me aconteceu várias vezes, deitei-me tarde no dia antes da prova e no dia seguinte adormeci. Quando acordei, arranjei-me à pressa e fui o mais rápido possível. Faço-o sempre que me acontece. Nessas situações, as provas correm-me bem a nível de tempos. Parece que é preciso adormecer para ir com a " Pica" toda para fazer boas provas.

Na minha 1 º participação na prova do CASTELLUM TRAIL, aconteceu-me uma história inédita e um pouco curiosa, pois pensei várias vezes em desistir quando estava na zona da partida. Isto porque chovia tanto, trovejava tanto, enfim, estava um tempo horrível, que ninguém queria apanhar, mas chegada a hora da partida, eu lá fui e cheguei ao fim, sem que nada me acontecesse, mas posso dizer que durante toda a prova tive medo de não ficar inteiro e de não alcançar a meta. Bem posso dizer que era o atleta mais "medroso "daquela prova (risos).

Enfim, tive provas em que a lama era tanta que me fartei de cair. Era cada queda que vários atletas que vinham atrás ficavam de boca aberta e perguntavam-me "Estás bem? Aleijaste-te?". Eu respondia simplesmente "Está tudo bem, não foi nada!!!" Mas lá no fundo estava cheio de dores e seguia em frente na prova, sem que nada fosse.

Bem, podia relatar muitas histórias , que já vivi durante as provas e treinos que fiz desde que pratico atletismo, mas há uma que me diz muito e essa vou contá-la , pois é a mais importante de cada prova em que participo. Essa história tem o nome de "Meta", o ultrapassar dela.

" Meta" para mim é uma palavra com tanto significado, palavra esta que se usa para dizer "Alcancei-a!!". É necessário batalhar muito, ter muita força, dedicação, empenho e coragem para ir em busca dela. Podemos estar mal, sem forças, sem nada, podemos pensar que já não há nada a fazer e o melhor é desistirmos, mas não... como se costuma dizer, "Há sempre uma luz ao fundo do túnel", uma força que vem de dentro de nós, uma energia que faz de nós seres-vivos bem vivos e prontos para o que nos aparecer a frente.

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Fotos: Campeonato Distrital de Atletismo em Pista em Coimbra

Aventura marcante

Bem neste ponto, não lhe vou chamar de "Aventura", mas sim o momento que me marcou mais desde que comecei a ser praticante de atletismo:                             

28-08-2021

Corrida 4 Estações Portugal - Soure

Após 15 meses sem fazer nenhuma prova de estrada devido à pandemia, finalmente chegava o desejoso dia de voltar a correr na estrada, dia este que eu ansiava há muito tempo e foi logo com um regresso muito especial que jamais vou esquecer. Foi uma prova emblemática para mim e, sem dúvida nenhuma, teve uma excelente organização, como sempre nos habituaram a ter.

Foi especial, só porque cheguei ao fim?! Não, foi especial porque, foi dia de estreia da minha Princesa, a minha Força, o meu Futuro, o meu TUDO fazer a sua primeira prova.

Não imaginam o orgulho que tive, o turbilhão de sentimentos que iam dentro de mim, o feliz que estava, não existem mesmo palavras para descrever o momento que estava a viver e a presencear.

A minha pimpolha adorou, ficou feliz e súper contente, mas nem tudo foram rosas, pois, no final da sua prova, virou-se para mim e disse "papá não me diverti muito, tu puxaste muito por mim". A mim, claro, só deu vontade de rir de felicidade e pensei: "Hoje fui eu a puxar por ti, amanhã serás tu a puxar por mim, quando o papá tiver uns aninhos valentes nestas pernas e se ainda andar nestas vidas". Resumindo: este dia para mim foi e será sempre o mais marcante nesta vida de atleta. 

Participação em prova mais longa

A prova mais longa, pelo número de quilómetros e pelo tempo que demorei desde que pratico atletismo, foi, sem dúvida alguma, a edição do "Coimbra Trail", no dia 29 de Setembro de 2019 , quando percorri 26 km em 5h14m, altura em que ainda representava a minha antiga equipa, a "Casa do Benfica de Condeixa".

Falando um pouco da minha prestação nesta prova, foi uma prova que me marcou bastante e que me fez pensar se realmente queria continuar ligado ao atletismo, isto porque tinha estado parado, sem qualquer prova durante alguns meses e já há algum tempo que queria participar no Coimbra Trail. Como tive oportunidade nesse ano, decidi participar e não pensei na minha preparação pessoal, mas, como gosto de grandes desafios, fui logo para a prova dos 26 km, não sabendo as dificuldades que iria encontrar, pensando eu que simplesmente iria desfrutar ao máximo da prova em si, mas não foi isso que aconteceu, pois nesse dia estava bastante calor. Fisicamente, estava sem ritmo nenhum, com peso a mais e sem qualquer preparação, pensei desistir por várias vezes, mas pensava sempre "se tu gostas de te superar, tens de ter forças para chegar à meta..." e continuei sempre, tendo conseguido chegar ao último abastecimento, sem forças nenhumas para concluir a prova. Pensei "é agora que vou desistir, não consigo mais continuar, não tenho condições de o fazer...". Mas não foi isso que fiz, aproveitei que estava no abastecimento e bebi bastante água, digeri alguns alimentos, descansei um pouco e decidi que não era ali o fim da minha participação, e continuei para a desejosa meta alcançar. Assim foi: passados alguns quilómetros e algum tempo, lá cheguei ao fim, com um tempo de prova bastante elevado (5h14m) para.omque tinha projetado, mas cheguei muito feliz porque tinha chegado ao fim como me tinha proposto inicialmente e mostrei a mim mesmo que, com garra e muita dedicação e uma força extra, nada é impossível de alcançar.

                                                   

Objetivos pessoais futuros

A nível de objetivos pessoais futuros, posso dizer que tenho bastantes: quero bater recordes pessoais nas provas que repetir e, a nível de competição, sem dúvida nenhuma, para mim o principal que quero alcançar este ano, ou melhor,  está época, é ficar nos três primeiros lugares do Circuito Distrital de Trail Running de Coimbra-Curto ou nos cinco primeiros, pois na época anterior obtive o 7.° lugar por ter falhado 2 provas do circuito devido à pandemia. Basicamente, quero afirmar-me no Campeonato Distrital de Trail Running.  

Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Com mais praticantes, com outras condições. Anível de competição, será mais elevada e, possivelmente, com mais apoio a nível de equipas e a nível pessoal. Resumindo: espero que não se pratique atletismo só por ser moda mas sim como exemplo a seguir e pelo bem que faz à nossa saúde.    

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Fotos: corrida 4 estações em Soure, em outubro de 2021, com a filha, que fez a sua primeira prova de corrida

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

 Muito sinceramente, não sei se estarei a praticar atletismo, daqui a 5 anos pois a saúde já não vai ser a mesma, as condições e os apoios mão poderão ser melhores. No fundo, é muito imprevisível dizer que estarei daqui a 5 anos a praticar atletismo, mas uma coisa tenho a certeza, não vou desistir assim do nada.

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta

O Covid, afetou-me bastante como atleta e a nível geral penso que afetou todos os atletas por esse mundo fora, pois deixaram de existir provas devido ao isolamento obrigatório, deixou-se de treinar, os cuidados com alimentação foram outros. A nível pessoal , eu usava certas provas como treinos e o ritmo/preparação era outro completamente diferente. Começar agora novamente foi como começar do zero.

O que mudou nas provas com a pandemia

Novas regras sanitárias, as condições foram para pior, os incentivos são poucos ou nenhuns, os preços das inscrições aumentaram bastante e as ofertas são nenhumas, enfim, acho que certas organizações vêm o atletismo como fundo de lucro e não como um bem para a prática de desporto.

Essas mudanças são boas para a modalidade?

Não, são péssimas, pois "estávamos" a ir no bom caminho e parece que tudo começou do zero.

03
Jan22

Um balanço de 2021 com números à mistura


João Silva

Mudança de ano é também sinónimo de análise a tudo o que se passou.

Costumo analisar evolução, desempenho, atitude, aspetos pessoais e de treino.

Faço-o de forma qualitativa. Não pontuo nada. No entanto, dá um certo gosto materializar treinos e quilómetros em números.

Neste caso, trago-vos a evolução quantificada e separada por meses. 

Não interessa fazer muito, importa que se faça bem. No meu caso fiz muito mas pouco foi, de facto, produtivo. Em termos de treino, isso foi ainda mais evidente. 

Corri muito. Sofri por causa disso e tive uma quebra de rendimento em maio. Demorei muito a restabelecer a normalidade e mantive a questão do volume.

Procurei mudar o que estava mal, as coisas melhoraram entre a segunda metade de junho e o início de setembro. Até que me lesionei a sério, tive direito a dores, fisioterapia, uma paragem de dois meses que me roubou a participação na maratona do Porto e a um regresso faseado mas azarado entre novembro e dezembro.

Acabei o ano a ter de baixar tudo: forma, expectativas, objetivos.

Ainda assim, consegui voltar ao convívio com alguns colegas de equipa e pude voltar a correr em provas (e que bela surpresa tive em termos de resultados). 

Voltou-se ao sururu do corona e, com isso, o medo cresceu e lá tive de ceder e abdicar outra vez de uma das minhas provas preferidas, a São Silvestre de Coimbra.

Foi necessário baixar tudo outra vez (expectativas, etc.) em termos desportivos e pessoais. Este início de ano traz uma certa dose de incerteza e isso faz-me tremer ainda mais.

No fim do ano de 2021, ficaram estes registos:

Registo de todas as atividades físicas (corrida, bicicleta estática e caminhada)

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Registo de corrida:

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27
Dez21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje dou-vos a conhecer mais um atleta.

Este vem do norte e é um homem que já trata as grandes distâncias da corrida por tu.

Conheço-o desde setembro de 2019, numa Eco meia maratona  de Coimbra.

Com a falta de vergonha do costume, fui pedir a alguns elementos da equipa do Boavista para tirarem uma foto comigo.

Este jovem fazia parte da mesma. Encontrei-o ao longe na maratona do ano de 2019.

Passei a admirá-lo pelo seu amor à corrida. Vejo nele a paixão do desporto que quero ter um dia, quando passar os 50 anos.

Tinha obrigatoriamente de ter o testemunho dele aqui.

Como faço com todos, pedi que me respondesse a umas questões. 

Em vez de o fazer de forma segmentada, este entrevistado criou um texto corrido onde se percebe claramente o lado humano a comandar o atleta.

Por isso mesmo, quero partilhar convosco o texto na sua versão natural, sem adaptações.

Fiquem, pois, com o estimado Baltazar Sousa.

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Pratico atletismo desde Julho de 1983. Atualmente, represento o SC Salgueiros como corredor e treinador. Não gosto de me intitular atleta para não desvirtuar a modalidade. Ser atleta é uma coisa, ser corredor é outra. Já fui atleta. 

A disciplina que desde jovem gostei mais foi o Corta Mato. Depois passei a gostar de correr maratonas. Em termos de espetáculo em campeonatos, gosto de ver a estafeta de 4 x 400 metros. 

Na minha idade (52 anos), a minha preferência é mesmo deteeminada pela força da circunstância (deixamos de ter fibras rápidas) as longas distâncias, mas adorava correr os 1500 m e os 3000 m em pista ao ar livre e pista coberta (mais até em pista coberta), também corri provas de 10.000 metros em pista e gostava. 

Sem contar com os momentos em que me encontro impossibilitado de treinar, em situação normal, ainda treino 7 dias por semana, num volume total entre os 90 a 120 km.

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Os treinos devem ser feitos regularmente, de forma planificada e supervisionada por um treinador. Só assim o praticante poderá ver a sua dedicação recompensada nos resultados nas provas, até mesmo na prevenção de lesões e da própria saúde, isto porque os dias de descanso também devem ser aplicados na planificação do treino. 

Não gosto muito de fazer comparações entre os atletas antigos ou o atletismo de antigamente e o de hoje. Entendo que nos devemos concentrar em ver o que se passa hoje, respeitar quem não viveu no passado e vive a sua própria história. As circunstâncias são diferentes, é certo. O atletismo, os atletas e treinadores de antigamente foram os pioneiros na conquista do impensável, foram os que desbravaram caminhos. 

Não devemos pensar que se ganha uma medalha olímpica ou se bate um record nacional a qualquer hora...

Uma história da minha vida um tanto ou quanto insólita, isto no conjunto de imensas histórias, foi a primeira maratona do Porto em outubro de 2004: passava eu aos 30 km, numa fase muito complicada, ia em 7.º lugar e era o primeiro português a passar, os africanos já tinham passado há uns bons minutos à minha frente (claro) a zona ribeirinha e, enquanto os pescadores pescavam de anzol e lesca,  escuto um deles a " incentivar-me". Diz ele: "olha, os africanos já passaram há meia hora, vai mas é ali à tasca comer uma posta de bacalhau e beber um copo!"

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Penso que o atletismo daqui a cinco anos estará muito melhor. Acredito que alguns jovens irão evoluir e até mesmo o pelotão irá melhorar em termos de performance, isto porque vejo muitos runners a procurarem apoio para treinarem melhor, como tem acontecido desde que o SC Salgueiros, pela mão do seu Presidente Gil Almeida, abriu portas a todos os amantes da modalidade, estando neste momento a acompanhar diariamente cerca de 60 corredores de estrada e mesmo de pista, com várias idades.

O prof. António Ascensão é o nosso diretor técnico, contando comigo e com o Manuel Azevedo no cumprimento das nossas tarefas e objetivos para o clube e, inerentemente, para a modalidade.

Já corri cerca de 160 meias maratonas e 25 maratonas, mas a minha prova mais longa foi esta última Maratona do Porto, realizada no dia 07/11. De facto, foi a mais longa, porque demorei 4:27.

Foram mais 2h07 do que a minha melhor marca. Corri de uma foma controlada, isto por estar a recuperar de uma lesão. Nunca até então corri quase a passo (em alguns momentos fui mesmo a passo, só queria sentir a alegria do que é a festa da chegada na minha Maratona de eleição - a do Porto). Aproveito desde já para felicitar a empresa organizadora do evento, a Runporto.

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Após este longo período de proibição de organização de provas, brindou os "seus" maratonistas de todo o mundo com este êxito, que já o é desde 2004. Cumpriram todas as restrições impostas pela DGS, que todos nós, os participantes, também cumprimos.

Não tive nem tenho problema algum em divulgar esta entidade, até porque fez de mim alguém mais resistente ou persistente.   

 

22
Dez21

São Silvestre em Barbalimpa?

Ou a São Silvestre imaginada pelo Milorde


João Silva

 

A vila de Barbalimpa já está toda enfeitada para a época natalícia. Iluminações nas árvores, estrelas brilhantes nas rotundas e vários arcos suspensos de luzes e letras a desejas um Feliz Natal e um próspero Ano Novo fazem parte da maior decoração de Natal que Barbalimpa jamais viu em toda a sua existência. Nisso o nosso presidente da junta está de parabéns.

No entanto, pensei eu cá com os meus botões, Barbalimpa precisa de algo mais grandioso não só para comemorar esta época, mas também para que a nossa vila fique mais conhecida. Então decidi organizar, juntamente com o meu amigo João, uma corrida São Silvestre em Barbalimpa. Por norma, as São Silvestre acontecem entre o Natal e o Ano Novo por isso tenho tempo mais que suficiente.

A primeira coisa que fiz foi falar com o presidente da junta que aceitou de bom grado tal evento e assim obtive também o segundo participante, não fosse ele adepto de corridas. “Mas quem é o primeiro participante?” – perguntam vocês. O João, claro! “E tu, Milorde?” – voltam a perguntar vocês, pessoas insistentes e curiosas. Vocês acham que eu tenho idade para participar nessas coisas?! Nem pensar, eu sou uma pessoa doente!

A segunda coisa que fiz foi aplicar os meus conhecimentos informáticos e criar um sítio na internet para obter mais inscrições seguido de uma página no Facebook onde paguei uma publicidade para todas aquelas pessoas que colocaram nos seus interesses “corrida” para assim a minha página aparecer no feed de notícias dessas pessoas e angariar ainda mais participantes.

“Então, mas Milorde, tu não tens dinheiro nem para tocar um cego, como é que vais pagar uma publicidade no Facebook para uma corrida?” – voltam a perguntar vocês. Já paravam com essas perguntas, não? Já me estão a irritar, mas eu respondo sem problema nenhum. Eu estou a investir para depois ganhar o dobro! Ou acham que eu não vou ganhar uma comissão com o dinheiro de todas estas inscrições? Aprendam comigo que eu não duro para sempre.

Passados uns dias já tenho para cima de mil inscritos! Não só de habitantes locais, mas pessoas de outras vilas e cidades. Agora só falta uma coisa, os prémios para os três primeiros classificados. Então dirigi-me à fábrica de colchões daqui da vila que me ofereceram um colchão ortopédico em troca de um grande cartaz para publicitar os seus produtos. Pronto, o primeiro prémio está encontrado. Há lá coisa melhor que um colchão para o corredor descansar depois!

A Flama ofereceu um micro-ondas também em troca da publicidade que tal evento lhes irá proporcionar. Segundo prémio. A D. Emília ofereceu dois galos vivos e uma garrafa do vinho que produz, também para publicitar. Terceiro prémio.

O evento irá decorrer no dia 28 de dezembro pelas 15 horas e o percurso será de 10km. Irá iniciar-se na Rua da Junta de Freguesia, onde a vice-presidente dará o “tiro” da partida (já que o presidente também vai participar), depois os participantes descerão por ali abaixo até ao caminho do Calvário, entram pelo mato adentro, saem na Capela da senhora dos Remédios, passam pela casa do Ti Zé das Couves e pelo café do Jorge (sem parar porque senão serão desclassificados), sobem pela Rua das Desgraças, dão duas voltas à igreja de São Pedro e chegam à meta ali perto da rotunda das estrelas.

Cada atleta receberá um diploma de participação que no fundo não irá servir para nada, mas é sempre um agrado.

Por fim, e não menos importante, este evento é patrocinado por:

 

  • Fábrica de colchões Pinheiro Manso - há 50 anos a trabalhar para o seu descanso;
  • Flama - marca portuguesa de eletrodomésticos;
  • D. Emília – quem quiser bom vinho, venha ter ao meu caminho;
  • Jorge Bar – café de qualidade, sandes variadas e cerveja para acompanhar;
  • Banco Recebê – deposite aqui o seu dinheiro e depois logo se vê;
  • Barbalimpa Jornal Oxum – o jornal mais lido da vila pois não há mais nenhum.




 

Esta história é da criação do Milorde, que acedeu ao meu pedido para inventar literalmente uma narrativa em torno das provas São Silvestre. O meu muito obrigado por esta primeira parte deliciosa. Falta a segunda...

19
Dez21

O manto sagrado


João Silva

Embora seja um "assunto de primeiro mundo", houve algo de que senti falta ao longo do último ano. Na verdade, como estive sem correr em provas reais de novembro de 2019 a dezembro de 2021, já não sabia o que isto era.

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Senti falta de vestir o "manto sagrado", a camisola da ARCD VENDA DA LUÍSA.

Nunca pensei que seria assim, mas a verdade é que a camisola é um elemento identificativo de uma comunidade, de um grupo. E é disso que sinto tanta falta. E foi por isso que fiz questão de só usar a camisola oficial em treinos muitos especiais ou em provas virtuais. Porque esta camisola é especial. 

Foi uma senhora espera pela primeira prova oficial com ela vestida!

Lamechices de primeiro mundo. Ainda assim, faltas que nos tiram pedaços da realização pessoal!

17
Dez21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Como em tudo, é preciso matéria-prima para criar conteúdo. É com enorme gosto que trago mais uma entrevista de uma atleta. 

Sim, hoje temos uma entrevista a uma mulher que dá cartas nisto a que chamamos de corrida. 

É curioso que a primeira impressão que tive dela era que se tratava de uma mulher dedicada, no caso, à corrida. À distância, vejo hoje que também é uma enorme apreciadora de desporto de um modo geral. Aliás, é talvez a primeira pessoa a vincar bem o peso do reforço muscular no processo evolutivo de um corredor. Revejo-me inteiramente nisso.

É de pessoas assim que vive este espaço. 

Olhemos, pois, para a entrevista da Célia Santos.

Nome

Célia Maria Figueiredo dos Santos

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Foto: trail dos Abutres, 50 km  

· Idade

46 anos

· Equipa

ARCD Venda da Luísa

· Praticante de atletismo desde

2015

· Modalidade de atletismo preferida

Trail

· Prefere curtas ou longas distâncias

Longas distâncias

· Na atual equipa desde

2016

· Volume de treinos por semana e importância dos treinos

A gestão dos treinos é de extrema importância. Não se trata apenas do volume de treino, mas também do tipo de treino e do respeito pelos períodos de descanso. Passando ainda pela alimentação. O treino tem que ser adaptado a cada individuo, às suas característica e objetivos. Não existem receitas milagrosas.

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Foto: 111 km no Trail de Sicó

· Se tem ou não treinador

Sem treinador oficial. Treinava com colegas, alguns deles com muitos anos de experiência na modalidade.

· Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Não me considero uma atleta no verdadeiro sentido da palavra e tão-pouco sou conhecedora profunda da modalidade. Mas, na minha opinião, houve uma grande evolução no mundo do trail. Desde a oferta e escolha do equipamento aos programas de treino consoante os objetivos de cada um e exigências de cada prova, isto em relação à parte técnica. Ainda há atletas sem planos de treino ou algum tipo de acompanhamento, mas a maioria já demonstra essa preocupação. 

Relativamente à parte relacional, acho que se tornou numa modalidade mais competitiva em geral. Obviamente cada atleta parte para a prova com os seus objetivos, sejam eles competitivos, lúdicos ou ambos, mas, nas ultimas provas que fiz, notei uma maior preocupação com os “tempos” e as classificações. A camaradagem é menos “calorosa”.

Por último, relativamente às organizações, acho que há uma maior preocupação quer com a satisfação quer com a segurança dos atletas. Como em tudo, há exceções…

· Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Casos insólitos, lembro-me de um, em que fui para uma prova e deixei o camelbak com todo o material obrigatório em casa. Só me apercebi quando lá cheguei. A solução foi passar no check-in com material de outro colega de equipa e depois fazer a prova sem nada e rezar para que tudo corresse bem. E correu!

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Foto: Louzantrail

· Aventura marcante

Aventura mais marcante foi sem dúvida a minha primeira ultra – 50km no Abutres. Foi épico! Foi a preparação para a minha primeira prova de 3 dígitos. Fiz a prova em grupo, o que foi uma mais-valia, pois era a primeira vez numa distância tão longa, num terreno difícil e no inverno. Posso dizer que foi um desafio superado e que ainda hoje tenho um especial orgulho e guardo com carinho a T-shirt daquela prova.   

· Participação em prova mais longa

A prova mais longa que fiz foi os 111km de Sicó. Fiz por 3 anos consecutivos, também esta em grupo e conseguimos todos os anos melhorar o tempo de prova.

Tudo começou com uma brincadeira, um desafio lançado entre colegas. No início, nem eu acreditava ser capaz. A verdade é que os treinos foram acontecendo, a vontade de conseguir foi aumentando e, no final, era um compromisso assumido e, pelo menos teria que tentar. 

No segundo e terceiro anos, a confiança já era outra, a preparação também, foi só rolar… um km de cada vez. Se tenho vontade de repetir? Nem por isso… já não há o efeito surpresa.

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Foto: Trail do Piódão

· Objetivos pessoais futuros

Estou há dois anos sem participar em provas. De momento, os meus objetivos não passam pelo atletismo. Passam, sim, por manter níveis de atividade física que me permitam ter um estilo de vida saudável.

Como complemento aos treinos de corrida, inscrevi-me num ginásio. Recomendo a todos os atletas que o façam, não só porque irão conseguir melhores resultados, mas também para prevenir lesões que possam advir de um treino excessivo e muitas vezes não acompanhado por profissionais. A meu ver, o reforço muscular, a correção postural, a gestão do esforço e o descanso são tão importantes como os treinos de corrida propriamente ditos.

Todos conhecemos alguém que, do nada, se lembrou de começar a correr. Muitas vezes, pessoas que nunca praticaram nenhum desporto até à data e, de um dia para o outro, compram umas sapatilhas e vão correr. Nada contra! É de louvar tal atitude e, como sempre ouvi dizer, mais vale tarde do que nunca.

O problema é quando este processo é feito de forma desregrada e sem consciência dos problemas que podem surgir.

Quem já passou por este processo, sabe o bom que é conseguirmos superar-nos treino após treino e cada vez temos mais sede de kms e de os fazer rápido. Mas para evitar dissabores, o corpo tem de estar preparado. Ossos, músculos, articulações, sistema cardiorrespiratório têm de estar preparados para dar uma resposta eficaz, sob pena de sofrerem lesões se assim não for. Daí a importância de complementar os treinos de corrida.

No fundo é esta a mensagem que eu gostaria de passar. Atletas, treinem bem, com consistência e consciência. Treinar não é só sair por aí a fazer kms. 

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Foto: Picos do Açor

· Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Não sei como vai estar o atletismo daqui a 5 anos, mas faço votos que seja praticado por atletas bem preparados, com boa perceção corporal e muito foco.

· Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?

Acho que já não há assim tão poucas mulheres no atletismo. Temos vindo a verificar um aumento no número de mulheres em provas, inclusivamente, nas longas distâncias.

Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Pessoalmente nunca senti diferença de tratamento por ser mulher.

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Foto: Estrela Grande Trail

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

A Covid veio alterar muitas das nossas rotinas, uma delas era treinar em grupo. Onde mais me senti afetada foi com o encerramento dos ginásios. Tive de me adaptar, comprei material e treinei em casa, através das aulas virtuais que o ginásio nos proporcionava e também com programas de treino que procurei na Internet. Não era a mesma coisa, mas foi o possível. Parar não era opção.

O que mudou nas provas com a pandemia? Essas mudanças são boas para a modalidade?

Não sei responder às últimas questões pois não participei em nenhuma prova pós-pandemia.

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Foto: Complemento aos treinos de corrida 

Em jeito de conclusão, gostaria de passar a seguinte mensagem:

“É importante fazer algo que se gosta, mas é importante fazê-lo bem. “

15
Dez21

A distância de sonho


João Silva

Um dos bons aspetos de se adorar correr grandes distâncias está na necessidade de ir aumentando a fasquia.

Não sei quando será, sei que não acontecerá em 2022, mas alimento um sonho que vai exigir muito de mim: correr 100 km em estrada.

Ainda não pensei em locais nem em percursos. Terá de ser algo bem programado e muito bem trabalhado. Uma missão que vai exigir um grande acompanhamento, provavelmente, de familiares. 

Sei que antes dos 100 km, terá de vir uma corrida de 75 km.

Ainda não sei muito nem tudo o que precisarei de fazer (e sofrer), mas sei que vai ter de acontecer. 

Dê por onde der.

Correr 100 km em estrada é um sonho à espera de concretização!!

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14
Dez21

A prova de eleição


João Silva

Terminada a exposição das diferentes formas de correr em cada distância em estrada, venho revelar-vos aquela que é a prova de eleição.

Antes disso, digo o seguinte: para mim, não há melhor prova do que uma maratona. Realiza-me genuinamente. É a resistência humana na sua condição mais pura (sem ir para outros palcos ou contextos). Esse desafio e a disciplina por detrás da preparação de uma maratona são algo que não se encontra nas outras distâncias mais típicas da estrada.

No entanto, em termos de resultado final e de "trabalho para obter tempos", sou obrigado a reconhecer que a meia maratona é a prova perfeita: tem uma grande distância, conta com muitos participantes, requer resistência e gestão de aspetos como abastecimentos e quebras de ritmo. O seu maior trunfo é não ser excessivamente longa. Por exemplo, numa maratona, o corpo fica imensamente desgastado a partir dos 30 km. A produção de lactato leva à perda de capacidade.

Ora, numa meia maratona é possível antecipar e impedir tudo e recuperar rapidamente o ritmo. Além disso, oferece a possibilidade de fazer mais oscilações de velocidade, o que ajuda a um melhor desempenho global.

Como não há o sofrimento extremo, o corpo fica mais livre para gerar nova energia na cadeia de movimentos.

Adoro esta distância precisamente por me parecer equilibrada. Fazer um bom tempo é uma realidade mais próxima.

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12
Dez21

Como correr 42 km


João Silva

Falar sobre a distância da maratona é algo que me agrada imenso. Este é o tipo de prova onde me enquadro mais.

Antes de falar na melhor forma de a correr, aponto o tipo de corredores para esta distância.

Desde logo, profissionais já bem habituados a estas andanças, depois, amadores com muita experiência no atletismo e conheçam bem o seu corpo, de seguida, atletas que já tenham experimentado pelo menos uma vez o meio fundo (21 km). Os curiosos também podem experimentar, mas diria que devem ter um acompanhamento por parte de alguém que já sabe o que é correr 42 km. Deixo para o fim as pessoas que se querem transcender e que pretendem fazer da maratona uma prova de vida.

Em termos de abordagem, a meu ver, o primeiro passo é respeitar a distância e encará-la como uma barreira, porque o será, embora também seja transponível.

O passo seguinte é adotar um plano de treinos com uma base mínima de 12 semanas para levar o corpo num brinquinho.

Ajuda perceber o tipo de abastecimento que se quer fazer e em que altura da prova.

Em relação às corridas em si, entendo sempre que a maratona é para começar devagar e acabar "depressa" (= bem animicamente).

Uma enorme parte da prova é o lado psicológico. É decisivo acreditar que é possível, mas também é fundamental saber aceitar os sinais do corpo. Este jogo de respeito ajuda imenso. A partir dos 30 km, é só a cabeça que corre.

Não pensar no número de quilómetros em falta também ajuda imenso, pelo menos, a mim. De vez em quando, lá penso que "só" faltam x km. A mim ajuda, mas não o posso fazer sempre.

Por último, ter uma boa resistência é fundamental. O corpo vai precisar dela. E também vai precisar de alegria no que se está a fazer para se chegar à meta.

Seja como for, a chave é a crença de que se vai conseguir

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10
Dez21

O regresso às provas (vídeo e fotos)

Corrida 4 estações - Venda da Luísa


João Silva

Dois anos e um mês depois, voltei a correr numa prova. De um modo geral, nota-se entre as pessoas que houve uma rotura com a dinâmica do passado, mas falarei nisso noutra altura. 

Em termos pessoais, depois de dois meses sem correr devido a lesão e com apenas.um mês de regresso a um ritmo lento, a divisa era levar tudo com calma. Não consegui, porque estes ambientes pedem transcendência.

Falarei disso mais tarde, mas posso dizer que o corpo me surpreendeu imenso. Esteve sempre muito estável e aguentou todos os esticões, como se pode ver aqui:

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Mas estas análises ficarão mais para adiante.

Por agora, deixo algumas memórias boas da prova.

Em imagens:

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Esta última foto foi uma cortesia do fotógrafo Ivo Carrito

E em vídeo (no canal do YouTube)

 

 

09
Dez21

Como correr 21 km


João Silva

Disse anteriormente que os 15 km eram um intermédio para algo mais duro. E são um belo teste, de facto.

Ainda assim, o que se encontra nos 21 km, a meia maratona, já é bem diferente, mete um componente mental forte. 

Por isso é que nem todos querem experimentar. Mas vale cada metro.

É transcendente e pode abrir portas para voos mais longos.

Este tipo de prova requer gestão de corrida, pelo que a desaconselho a quem corre há muito pouco tempo. Saltar dos 5 ou dos 10 km para aqui é muito complicado.

A parte mental também é muito requisitada para gerir os abastecimentos e as quebras que poderão aparecer a dada altura. 

É a prova ideal para quem quer manter o foco e testar as longas distâncias.

A meu ver, a melhor forma de correr está prova é atacá-la desde o início, não ir ao ritmo máximo, mas a um ritmo alto que permita esticar mais quando for hora e que permita gerir quebras físicas por antecipação com abastecimentos de qualidade. Esta estratégia requer uma boa condição física porque não permite grandes "abrandamentos".

É uma boa amostra de uma parte da maratona .

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07
Dez21

Como correr 15 km


João Silva

Se os 10 km são uma corrida muito rápida, uma prova que acaba depressa, os 15 permitem aplicar melhor uma gestão mais demorada de tempos e, eventualmente, de abastecimentos.

Embora nunca tenha competido nessa distância, os 15 km são a prova ideal para quem gosta de correr mas pretende que não acabe tudo muito depressa. Além disso, são a distância perfeita para preparar um salto para a meia maratona.

Aqui já vai ser necessário fazer alguns abastecimentos para potenciar o corpo.

Há uma prova nesta distância que ainda não fiz e quero: o campeonato distrital de estrada da ADAC (federação de Coimbra). Não sei quando irá acontecer, mas sei que quero muito e sinto que, apesar de não ser candidato a nada porque há milhões de corredores melhores, pode mesmo vir a ser a minha corrida.

Perspetivo nesta distância um arranque forte. Para fazer um excelente tempo é ideal prolongar a "explosividade" e o ritmo de uma prova de 10 km.

Já alguém correu numa prova de estrada de 15 km?

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06
Dez21

Trail da Escarpiada - fotos e vídeo


João Silva

No passado dia 04 de dezembro, a minha equipa, a ARCD Venda da Luísa, deu vida a um novo trail.

Pela primeira vez, organizou por inteiro a prova Trail da Escarpiada, com duas provas de corrida, 15 e 25 km, e uma caminhada.

Fiz parte daqueles que foram dar uma ajudinha e fiquei muito contente com o convívio e com o nível de organização. 

Fiquei de tal forma satisfeito que vim de lá com várias fotos e vídeos para vos mostrar.

Ora vejam lá:

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Quanto ao vídeo, podem vê-lo no meu canal de YouTube e aqui:

 

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29
Nov21

O susto!


João Silva

Já la vai algum tempo, ainda estava longe de me lesionar, mas não é que numa madrugada apanhei um valente susto num dos treinos?

Já tive cães a ladrar, já tive porcos (penso eu), já vi coelhos e esquilos, já caí e até já fui (bem) abordado por jovens na noite.

Nunca tinha era levado com a luz de um frontal de corrida na minha direção em pleno sopé da serra (em Alcabideque, no corte para Condeixa, para quem conhece) às 4 e tal da madrugada.

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Num primeiro momento, fiquei sem saber o que fazer.

Depois continuei em direção à luz. Até que vejo um corredor (não reconheci). 

Ele disse boa noite e eu retorqui com um bom dia (dois belos pontos de vista).

Afinal não sou o único maluco a correr àquelas horas.

Mas assustei-me!! 

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