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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

20
Out20

De suster a respiração


João Silva

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Foto retirada do canal do YouTube do Eurosport 

Hoje abro uma exceção no agendamento das publicações aqui no blogue. O momento assim o exige.

Num ano tão estranho, não deixa de ser fantástico aquilo a que estamos a assistir no ciclismo versão 2020. 

Primeiro foi uma vitória épica de um esloveno sobre outro no Tour de France. 

Agora é um jovem, por sinal, português que eleva este desporto que tanto adoro a um novo patamar. 

Quem segue ciclismo de forma regular, já ouviu falar no jovem João Almeida. 

Quem acompanha o Giro e viu o seu desempenho no passado domingo só pode ficar grato por ter assistido à beleza mais pura do desporto.

Muitos falarão no João porque é moda, muitos ficarão tristes se (quando?) perder a camisola rosa, mas alguns verão um homem que, não sendo um favorito à vitória final, lutou até não poder mais. E mesmo quando não pôde, o João foi buscar força que não tinha para não perder a rosa.

Quando começou a descolar do grupo da frente, que fez uma prova de sonho para fazer lhe tirar rosa, o jovem das Caldas não se deixou intimidar, mesmo quando já não tinha nenhum colega de equipa para ajudar. Pior ainda, não havia ali ninguém por perto para fazer a ponte com o trio da frente.

O João mostrou a língua, deixou que o cansaço viesse ao rosto, mas foi isso que fez dele um grande. 

No fim, segurou a rosa por 15 segundos. Entra na terceira semana como líder. 

Se perder a rosa, o que é provável face à qualidade do segundo classificado e da sua equipa, poucos se lembrarão do passado dia 18 de outubro. Com o meu filho ao colo e preso ao ecrã, lembrar-me-ei que sustive a minha respiração e que senti um enorme nó no estômago ao ver um compatriota empurrar um pouco mais os limites do possível. Vi ser feita história no ciclismo do meu país e vi o Acácio da Silva, o Joaquim Agostinho, o José Azevedo, o Sérgio Paulinho e o Rui Costa da minha geração.

Vi e vibrei ao som dos apaixonados da Eurosport como o desporto é, de facto, uma obra do querer. 

26
Abr20

Sempre na roda e com a cabeça à roda


João Silva

Desta vez, no cardápio, tenho para vós uma sugestão de conteúdo de ciclismo.

Como já é conhecido, trata-se de uma paixão sem igual que tenho. Gosto genuinamente e ao longos dos últimos nos tenho vindo a absorver cada vez mais conteúdo sobre o desporto.

Nesse sentido, trago-vos duas referências dos mesmos autores:

Primeiro, falo-vos das notícias:

O site https://www.velonews.com/ é incrível. Cobre tudo e mais alguma coisa ligada ao ciclismo e, para quem gosta, é impossível não ficar deliciado com tanta informação.

Portanto, a tendência era mesmo "acabar" nos podcasts infindáveis (sugestão número 2) deles: https://www.velonews.com/tag/podcast

Não há tema que lhes escape e, sim, acreditem que têm especialistas para tudo: desde metodologia de treino à alimentação dos atletas, passando pela pressão dos pneus ou por tipologias de carretos.

É um verdadeiro deleite com o extra de nos presentearem regularmente com declarações e entrevistas dos principais protagonistas do ciclismo mundial.

Fico à espera do vosso veredito.

 

16
Fev20

O que não mata, engorda e também te pode transformar num ciclista


João Silva

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O texto que se segue não é da minha autoria. É do Rui, criador do blogue Bike Azores, que tem uma enorme paixão por ciclismo e por bicicletas.

Perante tamanha paixão, era impensável não lhe pedir, com jeitinho, um texto sobre a sua ligação a esse desporto, que também me apaixona. Foi, pois, um muitos em um.

Amavelmente, aceitou o desafio que lhe fiz, o que me deixa imensamente satisfeito e, por essa razão, agradeço-lhe pessoalmente.

Deixo-vos com a dissertação do estimado Rui. Antes disso, recomendo a vossa passagem no espaço dele.

Espero genuinamente que gostem tanto quanto eu:

“Tal como a maioria das pessoas, o meu contacto com as bicicletas surgiu em criança e alastrou-se para a adolescência. Sempre tive um gosto especial por veículos com rodas, sendo que o seu número foi variando conforme as minhas fases de desenvolvimento. A entrar na idade adulta tive um último contacto com os pedais, mas abdiquei definitivamente deles a favor das motas.

Só 15 anos depois voltei às bicicletas. Estava longe de pensar que a BTT de entrada de gama que acabava de comprar, para efeitos de exercício físico, ia dar início a toda uma nova fase da minha vida onde as bicicletas ganhariam grande relevância.

Comecei com alguma apreensão, mas que depressa deu lugar a um grande entusiasmo. Queria fazer parte deste meio, queria munir-me de mais e mais meios. Fiz algumas provas. Troquei de bicicleta um ano depois, aquela que ficou marcada como a bicicleta mais cara que já comprei. Ainda a tenho, fez recentemente 10 anos.

Passados 3 anos, compro uma bicicleta de estrada. Diferente, no conceito, na atitude. Foi aqui que inverti o trilho que seguia. Passei a ter outros objetivos, outras prioridades. Afastei-me da competição, da qual nunca estive especialmente próximo, tirei o foco dos meios, da eficácia e da eficiência. Apaixonei-me pelo conceito mais básico da bicicleta, pela função, pela manufatura, pela tradição, pela mais pura relação homem/máquina!

Não fazia sentido continuar a ver a bicicleta apenas como meio de desporto e lazer. Comprei uma citadina, dobrável, onde comecei timidamente a fazer dela a minha companheira de deslocação e transporte. Comprei outra, mais capaz, e então nunca mais parei.

Uma nova fase ficou marcada pela amadurecida compra de uma bicicleta de carreto fixo. Devo ter passado um par de anos ou mais, a ponderar esta compra. São bicicletas exigentes e com algumas limitações, mas que prazer me dão. Adoro-as!

Mesmo assim e mais recentemente, acabei por adquirir uma bicicleta de estrada, que não sendo o último grito, é assumidamente uma bicicleta moderna. Talvez seja mesmo aquela com que menos me identifico, mas que me permitiu dizer sim a certos desafios, que de outra forma seria difícil.

Os grupos extinguiram-se e atualmente ando quase sempre sozinho, e na estrada. De quando em vez faço uma perninha na competição, apenas por diversão, quando sei que esta está assegurada.

O meu regresso às bicicletas conta com quase uma dúzia de anos, várias bicicletas, alguns quilómetros sobre elas e muito prazer e paixão associados. É uma relação total, onde o gosto passa por andar, intervencionar e apreciar estaticamente. As bicicletas alcançaram uma dimensão inesperada na minha vida, mas perfeitamente legítima e compreensível, tal é o nível das mais-valias que agora lhes reconheço.

O ciclismo é uma modalidade desafiante que nos coloca constantemente à prova, mesmo quando encarada da forma mais descontraída, como o faço. Se calhar é por isso que é tão cativante e apelativa. A prática permite-nos progredir e ir mais além. Dá-nos mais segurança e confiança. Dá-nos uma incrível sensação de prazer e liberdade. Aumenta-nos a autoestima. Que não se queira falar em ciclismo, por estar demasiado conotado como competição, mas que se fale em andar de bicicleta. Tudo faz sentido, tudo é relevante. Seja uma jornada em que se ultrapassa os 3 dígitos de quilometragem, seja uma pequena e tranquila volta a usufruir calmamente da bicicleta e da ambiência que nos rodeia.

 

Para além de me propor a escrita deste texto, o João desafiou-me para “escrever também sobre a medida em que o ciclismo pode "aprender" ou dar ao atletismo.”

Já recorri à corrida como forma alternativa de manter a forma, mas infelizmente fui obrigado a abdicar devido a uma lesão grave num joelho. Uma das coisas em que a prática do ciclismo, na vertente BTT, me era útil nas minhas corridas era o conhecimento de certos percursos fora de estrada, como forma de introduzir alguma inovação e variedade às mesmas. Outra coisa importante que se aprende, reciprocamente, é a gestão do esforço e o controlo da ansiedade, que podem fazer toda a diferença em qualquer uma das modalidades.

 

Obrigado, João!”

16
Nov19

Finalmente percebi o vazio


João Silva

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Na altura em causa, optei por não falar nisso, muito sinceramente, para me proteger de eventuais comentários desagradáveis. Sei porque fiquei assim naquele momento e a coisa foi devidamente resolvida.

Já ouviram falar em vazio no desporto? Principalmente no ciclismo é comum. Passo a explicar: é o momento em que um corredor, aparentemente bem e em boa forma, não consegue responder a um ataque do adversário e não sai daquele marasmo. É como se estivesse a pedalar sempre no mesmo sítio.

Na corrida isso também acontece. Na semana de 26 a 31 de agosto, passei por isso três vezes, a última no treino mais longo de 38 km. E o que senti? Primeiro, um dos fatores causadores, não dormi bem nessa semana, muitas preocupações na cabeça. Já acordei meio zonzo. No entanto, aquilo de que falo é haver uma altura no treino em que o corpo continua a correr mas sem desenvolver, parece que não dá sinais de vida durante alguns minutos. Depois passa, mas é muito importante estar consciente e não deixar o cérebro desligar. Como se pode fazer isso? Tentando fazer um sprint ou uma mudança brusca de direção para o corpo acordar.

Aquilo assustou e foi claramente falta de glicose no corpo, senti a marca dos treinos todos daquele mês e daquela semana em particular. E não repus devidamente a energia. Como o corpo não é de ferro, ressentiu-se e, confesso, deixou-me um pouco preocupado para a maratona, mas correu tudo bem. Felizmente.

Já vos aconteceu o mesmo? Como resolveram a situação?

22
Set19

De certeza que sim


João Silva

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Se não fosse corredor, de certeza que seria ciclista. Adoro ciclismo, acho mesmo que é o meu desporto preferido na ótica de espetador, muito à frente do futebol, paixão de infância.

Quanto ao atletismo, confesso que adoro os Jogos Olímpicos e vejo sempre que posso, mas não consigo assistir na TV a provas de meio fundo ou fundo (ou mesmo trails). Prefiro praticar a modalidade e não trocava por nada. No entanto, desde pequeno que me lembro de assistir a provas de ciclismo. Conforme seria expectável enquanto português, comecei a seguir a Volta a Portugal. Só na altura da universidade me tornei fã incondicional do Tour e agora já sou espetador regular e assíduo do Eurosport. Sempre que posso, vejo tudo o que há para ver de ciclismo.

Pela dureza e pela complexidade, as provas que mais me fascinam são as que metem muita montanha (média e alta) ao barulho. Com o tempo e graças aos comentadores do Eurosport Portugal, passei a gostar também de chegadas em linha e de contrarrelógio, que, ainda assim, é a categoria que me deixa mais desconsolado.

Tal como muita gente, andei de bicicleta quando era mais novo, mas foi já trintão que experimentei pela primeira vez ciclismo de estrada numa bicicleta profissional que me foi emprestada por uma pessoa com um excelente coração.

Até tremi quando peguei no "raio" da bicicleta, não só por saber que tinha custado os olhos, mas por estar a realizar um sonho. O "raio" do brinquedo tremia que nem varas verdes. Sente-se tudo, a colocação de mudanças é, por si só, merecedora de um curso e a nossa posição no assento e face ao guiador são muito importantes para não irmos dar um bejinho ao chão.

O ciclismo profissional é, talvez, o desporto mais duro, sobretudo, pelas condições climatéricas a que se está sujeito, pela horas intermináveis na estrada, pelo esforço físico e mental, pela dureza dos trajetos, mas também pelas altitudes quase inumanas.

Bem sei que o ciclismo ganhou muito má fama devido a alguns episódios infelizes, mas é muito mais do que isso. Além do mais, devido ao baixo impacto na estrutura óssea (em comparação com a corrida), serve como importante complemento. É incrível. Garanto que foi um dos motivos para ter conseguido "dobrar" a má forma em que estava. Confere-nos uma resistência absolutamente invejável.

Não menos importante, apresenta alguns conceitos muito úteis e que podem ser usados como auxílios de corrida. Foi, por exemplo, a ver ciclismo que percebi a importância do "ir na roda", ou seja, de encontrar alguém com o mesmo ritmo de passada e de, dessa forma, melhorar o desempenho em prova. 

Também graças a este desporto comecei a usar "ziguezagues" para subir em inclinações complicadas. Simplificando, trata-se de mudar constantemente de lado da estrada, em ziguezague, de forma progressiva. Desse modo, sobe-se mais rapidamente e o esforço é menor. Já pude comprovar a teoria.

Por tudo, o ciclismo de estrada é mesmo uma paixão que tenho e pareço um miúdo cada vez que saio para umas pedaladas. O último treino que fiz levou-me de Condeixa a Miranda do Corvo. Perante o entusiasmo, não resisti e tive de ir até à Lousã, regressando depois à casa de partida. Nesse dia foram quase 70 km de um sonho.

O lado negativo? Não havendo calções próprios, o rabo ressente-se e, a dada altura, fica dormente. A prática continuada sem o dito par de calções transforma-nos num verdadeiro babuíno.

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