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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

01
Jul21

ARCD VENDA DA LUÍSA

O futebol correu com tudo (e todos)


João Silva

Dentro de uns dias, mais precisamente no dia 07 de julho, esta equipa de atletismo comemora mais um aniversário.

Sendo eu um atleta da equipa e tendo este espaço, não quis deixar de dar a conhecer a história de um clube em clara expansão e que é já uma referência da zona centro do país.

O mais caricato em tudo isto é que também aqui o futebol teve um dado peso.

Deixo o meu enorme agradecimento a toda a direção por me ter facultado todas as peripécias e elmentos visuais para ilustrar esta "história".

Sinto que, uma vez mais, o homem dos sete ofícios, o Carlos Canais, foi preponderante na hora de fornecer todas as informações. Um obrigado especial.

Fiquem, pois, com toda a história e todos os bastidores da equipa ARCD Venda da Luísa. 

O primeiro artigo será publicado já amanhã.

Como os créditos têm de ser dados a quem merece, importa ainda informar que os textos não são da minha autoria. Foram cedidos pela Associação, daí também estarem escritos na primeira pessoa do plural.

A edição e a montagem do "produto final" foi feita por mim

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02
Jun21

E se perguntarem aos envolvidos...


João Silva

Prometo ser breve. 

O tema é claro como água: ao que parece, vamos mesmo ter Jogos Olímpicos. 

Faz sentido? O Comité Olímpico acha que sim. Aliás, há uns meses, mas já em finais de 2020, veio a terreiro dizer algo como "não admitimos a hipótese de não se realizar em 2021".

Ouvi relatos de vários atletas e treinadores, de vários países. A insegurança é palpável. 

Perante tudo isto, face à possibilidade de limitação de contactos entre comitivas, à necessidade de restringir acessos e ao risco real de algo que nunca ninguém viveu até ao momento, pergunto: faz sentido realizar uma das provas mais apaixonantes do planeta apenas pelo dinheiro?

Faz sentido fazer aqui o que se faz no futebol e seguir viagem como se nada fosse porque o que importa é o jogo e "a vida continua"?

Não será isto uma velha máxima mas ao contrário: o palhaço está doente mas "hoje" há circo?

E cada um dos envolvidos no espetáculo não deveria ter uma posição?

Já alguém perguntou aos atletas se queriam que a prova se realizasse?

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10
Nov20

Virtualmente interessante, vagamente desinteressado e realmente espantado


João Silva

O tema que vos trago hoje refere-se às corridas virtuais que começaram a ganhar espaço como forma de compensar a ausência de provas reais. Elogio, desde já a capacidade de reinvenção do meio. É uma forma  de não deixar morrer o desporto ou as pessoas que dele precisam para alimentar as suas famílias.

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Até este ponto, parece-me algo perfeitamente justificável e que, de certo modo, pode ajudar a motivar alguns atletas. No entanto, não acho que sejam essas tipologias de provas a cativar novos amantes da modalidade. Porquê? Porque se perde o cariz coletivo, o convívio e a capacidade de conhecer novas pessoas e terras. 

Aceito o argumento de que se pode fazer em grupo e de que uma prova virtual é sempre uma prova, em alguns casos, com direito a brindes. 

Por aqui, não teria problemas em participar, até mesmo para ajudar algumas organizações. Contudo, confesso que este sistema não me motiva, sobretudo, porque os percursos são escolhidos por cada um e porque não poderá haver um verdadeiro confronto dos resultados dos participantes. Por isso mesmo, assumo, nunca participei em nenhuma e corro todos os dias e, honestamente, conseguiria participar em distâncias desde os 5 aos 42 km, mas não tem interesse para os outros saber por onde ando e, em termos competitivos, não me traria aquele impulso extra que me faria ter um melhor desempenho. 

E é neste último ponto que surge o meu espanto quando tomo conhecimento de pessoas que falseiam resultados em provas virtuais para ficarem com melhores resultados e mais bem classificadas. 

Ora, sendo alguém que corre porque gosta e precisa disso para se manter saudável em termos psíquicos, confesso que não percebo qual a vantagem de enganar os outros e, pior ainda, de se enganar a si próprio. E isso, meus caros, é mesmo algo que me ultrapassa, embora não seja isso que me retira o gosto (ou falta dele). Além disso, este texto não se insurgé contra quem participa de alguma forma nestes eventos. Não sou ninguém para julgar e nem o estou a fazer. Simplesmente, não é algo que me cative...ao ponto de nem sequer saber se há diferenças de preços em relação a provas presenciais ou se dão algo ou não. 

Fico à espera das vossas opiniões a este respeito. 

 

 

27
Set20

Uma espécie de caixa de Pandora...mas boa


João Silva

Nem de propósito, hoje é domingo, um dos meus dias preferidos para treinar...de manhã bem cedinho para despertar logo para um dia à maneira.

Ao longo deste mês, tenho-vos revelado algumas das minhas fontes de conhecimento em termos de corrida.

Pois bem, chegou a hora de vos mostrar uma publicação que se revelou um autêntico achado.

Falo-vos da revista Runner's World.

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Que eu saiba, teve apenas três edições em português, talvez pela fraca adesão dos compradores, mas posso dizer que a versão espanhola é incrível e continua de pé.

É difícil explicar detalhadamente tudo o que aprendi com estas publicações, mas posso dizer que foi aqui que comecei a aprender mais sobre a importância da passada, do ioga na corrida e de outros aspetos próprios desta modalidade.

Não ficarão defraudados, tal é o nível de exaustividade do conteúdo: provas, comidas, artigos de opinião, conselhos e dicas de treinos, tipos de calçado e muito muito mais.

Fico à espera do vosso feedback.

 

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20
Ago20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje trago-vos alguém que conheci virtualmente há muito pouco tempo e que já me parece ter um peso importante no atletismo da sua região e também a um nível mais global, isto porque tem uma plataforma denominada Aquele que gosta de correr, onde expõe o seu gosto pela corrida, mas também para onde convida outros atletas com o objetivo de os dar a conhecer um pouco por toda a rede. Portanto, tem uma atitude altruísta que também revela ao participar em ações que visam o apoio social aos bombeiros, por exemplo.

A sua envolvência e o seu gosto pela corrida são mesmo contagiantes. Perante isto, não podia ser o único a usufruir deste tipo de conhecimento e decidi convidá-lo para uma entrevista, mal terminou a conversa que lhe dei em maio e que podem ver aqui e aqui.

Acrescento, apesar de ser acessório neste caso, que o Vítor é um atleta de créditos firmados e com excelentes resultados. Basta darem uma olhadela na sua página.

Fiquemos, pois, com o Vítor Oliveira:

 

Nome: 

Vítor Oliveira

Idade: 

30 anos

Corridas das Lezirias 2016 (das provas que já fiz

 

Equipa: 

Vitória Futebol Clube

Corrida do Avante 2019 (primeira prova depois do c

 

Praticante de atletismo desde: 

2012

Modalidade de atletismo preferida: 

Corrida, claro

Prefere curtas ou longas distâncias: 

Eu prefiro longas distâncias, mas claro só até à distância oficial da Maratona. Se considerarmos que 10 km é uma curta distância, mesmo gosto bastante!

Maratona de Sevilha 2019 - Primeira e unica marato

 

Na atual equipa desde: 

Comecei esta época, portanto, desde outubro de 2019! Antes disso estava na Associação Vale Grande, clube que me acolheu durante 3 anos.

Volume de treinos por semana: 

Treino corrida 5 dias por semana e reforço muscular nos dias de descanso.

Fim de uma Meia Maratona (2018)dos Descobrimentos

 

Importância dos treinos: 

Todos os treinos são importantes. Desde os treinos mais curtos, dos treinos intervalados, aos treinos longos. Todos são importantes e todos deverão ser encarados com seriedade. Sem nunca tirar o prazer de correr claro!

Se tem ou não treinador: 

Sim, tenho treinador há três anos. Já tinha tido anteriormente, mas passei por um período em que me treinei a mim próprio. No entanto acho que o melhor é ter alguém a lidar com a gestão dos nossos ciclos de treino. É importante para não fazermos as “asneiras” normais no ataque às provas.

Vitoria no GP Almargem do Bispo (zona onde moradav

 

Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual: 

Eu não vivi o atletismo do passado, mas tenho a minha opinião meio formada. A verdade é que isto se aplica a diversas áreas da atualidade. Antigamente os trabalhos não eram tão exigentes, não havia tantas distrações, não havia tanta pressão, o mundo era completamente diferente do que era agora. Eu falo por mim, eu adoro atletismo, e adorava dedicar-lhe bem mais tempo. Nem que fosse para dormir, que é essencial na recuperação muscular. Mas é-me impossível, tenho demasiado para fazer, estou envolvido em demasiadas coisas na minha vida para poder concentrar-me mais no atletismo como parte da minha vida.

Resumindo, sim, claro que o atletismo do passado era bem mais forte do que é atualmente (falo do contexto português claro). Infelizmente o atletismo como profissão não evoluiu como as outras profissões e o facto destas outras profissões terem evoluído tanto é que causou um maior impacto em tornar mais pobre o atletismo amador.

Corridas das Lezirias 2016 (das provas que já fiz

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas: 

Eu não tenho grande memória para este tipo de histórias honestamente! Uma história curta é a da Légua Noturna de Odivelas. Uma prova que já tive o prazer de ganhar. Na edição que ganhei, durante a prova havia um cruzamento que não estava bem sinalizado para onde a prova deveria seguir. Como seguia em primeiro, tinha um carro da polícia à minha frente. No dito cruzamento, o carro seguiu em frente e eu claro, segui com ele. De repente o carro acelera e dá uma volta de 180º. Eu fico “então mas???”. Está claro que o caminho não era por ali e a própria polícia se enganou! Valeu o desportivismo de quem seguia em 2.º lugar que abrandou para me deixar voltar a ganhar a posição.

Uma segunda história foi durante uma Meia-Maratona dos Descobrimentos em que o comentador que fez a cobertura televisiva disse que eu me chamava Nico e era um atleta espanhol. Esse vídeo ainda hoje está no YouTube para assistir a esse belo momento! Verdade seja dita que o equipamento da Associação Vale Grande é vermelho e amarelo, as cores de Espanha!

Aventura marcante: 

Eu sou uma pessoa de objetivos, mas acabo por não ficar a pensar em aventuras passadas. Posso pensar aqui numa Maratona de Sevilha que foi a minha primeira Maratona, numa São Silvestre da Amadora em 2018 em que bati o meu recorde aos 10km sem sequer ter isso na cabeça, ou até numa Meia-Maratona dos Descobrimentos em que consegui ir a um pódio (imagine-se, eu num pódio de uma Meia-Maratona de Lisboa). Honestamente, nunca fico mesmo ligado a qualquer prova ou aventura. Para mim todos os momentos são importantes. E bons para serem relatados no meu blog!

Participação em prova mais longa:

Maratona de Sevilha. É preciso dizer a distância?

Objetivos pessoais futuros:

Melhorar a marca aos 10 km e à meia-maratona. Depois disso, trabalho outra vez em voltar à Maratona!

Corta mato distrital Setubal 2020 (1).jpg

Como vê o atletismo daqui a 5 anos: 

Honestamente não sei. Tenho previsões algo pessimistas no setor feminino (parece estar a decair um pouco). No masculino os nossos melhores atletas estão neste momento a começar a demonstrar o seu valor. Veremos!

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos: 

Honestamente, não sei. Tenho objetivos e visão em tudo na minha vida, menos com o atletismo em termos competitivos. A única coisa que me vejo no futuro é continuar a tirar prazer da corrida e dos treinos!

Perturbações sentidas pela Covid-19
Eventuais provas canceladas ou objetivos adiados em 2020 por causa da pandemia:

Maratona da Europa. Era o objetivo desta época e foi abortado.

Que mudanças se perspetivam no contacto social em provas a partir da segunda metade do ano:

Não sei mesmo. Acredito que vamos sentir algumas diferenças, mas a corrida não funciona com muitas limitações. Não vamos correr de máscara. Não vamos correr afastados uns dos outros. No máximo poderemos desinfetar as mãos. Mas falando mais a sério, penso que o que se poderá sentir mais é a limitação no número de participantes. E isso poderá afetar a realização de provas maiores, como as meias das pontes, as maiores São Silvestres do país, ou mesmo a Maratona de Lisboa e do Porto.

 

29
Jul20

A Maratona de Berlim vista por quem já a correu


João Silva

A oportunidade surgiu e não a podia enjeitar.

Conhecedor da minha grande paixão por maratonas, o jovem de 69 anos que dá pelo nome de Manuel Sequeira e é jornalista/repórter/redator na Revista Atletismo, cedeu-me uma reportagem da sua autoria sobre a Maratona de Berlim.

Claro que não podia ficar "quieto" e sem me aguentar lá lhe pedi para republicar este texto grande que ele escrevera para a edição em papel da Revista Atletismo.

Gentil como só ele, deu-me autorização para partilhar convosco todo o seu testemunho.

Espero que, tal como eu, se deliciem com esta aventura do Manuel Sequeira, uma espécie de atletismo com pernas...

Maratona Berlim.jpeg

O que acharam deste testemunho deste homem?

27
Jul20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje temos uma estreia nesta rubrica.

Pela primeira vez, vou "dar voz" a uma pessoa que não conheço pessoalmente, mas por quem tenho uma grande estima e admiração.

Como não podia deixar de ser, é mais um "papa-maratonas" e é aí que começa o meu processo de fascínio pela sua carreira.

Além de tudo isto, Manuel Sequeira é ainda jornalista/repórter na Revista Atletismo.

Na verdade, na sequência de um e-mail para aquela publicação em 2019 onde dei a conhecer a minha história, foi ele que tomou a iniciativa de estabelecer contacto. Sempre muito cordial, rapidamente se percebeu que este homem transpira atletismo por todo o lado. 

Perante isto, era impossível não o trazer para este espaço. Vem, estou certo disso, enriquecer o blogue e oxalá possam beber dele muitas informações e histórias dignas de registo. Este homem teve a incrível gentileza de refletir muito bem sobre as diferenças do atletismo ao longo dos anos. Não desfazendo de nenhuma resposta, aquela que se refere às diferenças na modalidade vale cada linha.

Uma pessoa com tanta história tem de a poder contar. E é isso que pretendo: que nos faça perceber, uma vez mais, que velhos são os trapos.

Fiquemos, pois, com Manuel Sequeira:

Sequeira-Corrida Dublin com minha mulher.jpg

 

 

  • Nome

Manuel Sequeira

  • Idade

69 anos

Sequeira-Grupo chegado de amigos.jpg

 

  • Equipa

Como atleta popular, vou correndo pelo Grupo Desp. e Cultural dos Trabalhadores da Repsol Polímeros e Associação Talentos Team.

  • Praticante de atletismo desde

Comecei a treinar aos sábados com um grupo de amigos na Primavera de 1980. Sou dos tempos onde correr nas ruas era uma “aventura”, ouvindo todo o tipo de comentários depreciativos, tipo “vai trabalhar malandro, para trabalhar não corres tu!”.

A minha primeira corrida (noturna) foi em 15 de Setembro desse ano, com cerca de 10 km. A Corrida do Bocage, prova integrada nas comemorações do poeta setubalense. Demorei 50 minutos. A partida e meta eram no interior do Estádio do Bonfim. A bancada central estava cheia de espetadores porque, entretanto, havia outros eventos desportivos. No dia seguinte, fartei-me de ouvir “bocas” de colegas da Setenave (onde trabalhava) que me tinham visto a correr.

Sequeira-Maratona Berlim.jpg

 

 

  • Modalidade de atletismo preferida

De há uns anos a esta parte, prefiro as provas de estrada. A razão é muito simples, são de menor desgaste comparativamente com as atuais provas de trail. Durante boa parte da minha vida desportiva, gostava mais de participar em provas de montanha, era habitual participante das provas do António Matias, pioneiro em Portugal na montanha. Mas a idade não perdoa, daí agora, uma maior opção pela estrada.

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Curiosamente e durante muitos anos, a minha distância preferida era a meia maratona. Nunca fui um corredor rápido, muito raramente fazia séries, optando quase sempre pela corrida contínua. Por isso, não apreciava muito as provas de 10 km, corria-as em 40/45 minutos mas eram muito rápidas para mim. Claro que com os anos (velhice), as preferências vão-se alterando e mais a partir dos 65 anos de idade, quando a quebra começa a ser maior, a maior parte das provas em que participo têm 10 km.

  • Na atual equipa desde

Nunca trabalhei na atual Repsol, foi um amigo de Setúbal que corria e trabalhava lá, que me convidou a fazer parte do Grupo Desportivo e a correr por eles. A empresa chamava-se então Petroquímica e sofreu várias alterações no seu nome conforme ia mudando de dono.

Durante uma boa meia dúzia de anos, fui dirigente e corredor da Associação de Atletismo Lebres do Sado e obviamente, corri então a maior parte das provas por eles. Mas quando corri a minha centésima meia maratona, (Évora-Arraiolos) em 9 de Dezembro de 2001, fiz a primeira metade da prova com uma camisola e a segunda parte com a outra do segundo clube que levava dentro de uma bolsa à cintura.

Atualmente, sou sócio da Associação Talentos Team, clube de Setúbal fundado há poucos anos com um excelente ambiente entre os atletas. Identifiquei-me com eles desde o momento que os conheci e tenho corrido várias vezes pelo clube.

  • Volume de treinos por semana

Treino pouco, em média três vezes por semana. Duas vezes na casa dos 30/40 minutos e uma vez, à volta de uma hora. É o suficiente para participar em provas de 10/15 km. Se o objetivo for participar numa meia maratona, aumento a quilometragem mas mantenho os três treinos por semana. Antigamente, treinava em média quatro vezes por semana, mesmo quando me preparava para a maratona, claro que com outra quilometragem.

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  • Importância dos treinos

Os treinos são fundamentais para estarmos preparados no desempenho de uma qualquer atividade desportiva, seja ela individual ou coletiva. É o que se passa no atletismo. Basta ver como nos sentimos quando estamos uma ou duas semanas sem treinar e vamos participar numa corrida. Ainda assim e nas pequenas entrevistas que faço após as corridas, deparo-me com alguns corredores que não treinam durante a semana mas não falham as corridas domingueiras. Não é aconselhável tal prática.

  • Se tem ou não treinador

Nunca tive um treinador. E apenas seguia um plano de treinos elaborado por mim quando me preparava para as maratonas ou distâncias superiores.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

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As diferenças são enormes, a começar pelos meios tecnológicos disponíveis. Antigamente, seria praticamente impossível realizar-se uma prova com 10 mil participantes, como já vamos tendo em Portugal. Então, as provas com 30 ou 40 mil…Não havia chips, um avanço determinante que proporciona haver tanta gente numa mesma prova.

Antigamente, quando acabávamos uma prova, ficávamos num funil que dava voltas e voltas até chegar a nossa vez de entregar o dorsal e receber a t.shirt ou diploma e alguma lembrança. E muitas vezes a chover torrencialmente, cheguei a estar mais tempo na fila do que o demorado na prova!

Os dorsais tinham os números escritos muitas vezes à mão. Quando chovia, era frequente, os dorsais ficarem destruídos, sem o número visível.

As classificações eram feitas à mão. Os prémios começavam a ser distribuídos 1h30m/2h depois dos primeiros terem chegado! Quando alguém do grupo tinha hipóteses de ser premiado, ficávamos à espera até bem depois do meio-dia. Isto para uma prova que podia ter terminado às 10.30.

Depois, as inscrições eram feitas pelo correio, envio dos dados dos inscritos e cheques.

As inscrições eram gratuitas, o que fazia com que equipas inscrevessem todos os seus corredores, sem saber se eles estavam ou não interessados em ir a essa prova. Dava-se muito trabalho e despesas desnecessárias às Organizações

As distâncias das provas não eram frequentemente rigorosas, pecando muitas vezes pela falta de centenas de metros.

Não eram raras as provas com trânsito, os carros a passarem pelo meio dos corredores. Poucas provas tinham a polícia a orientarem o trânsito.

Não havia wc’s. Ou havia cafés ao pé das partidas ou então, o recurso era “regar” as árvores. A situação era mais complicada para as corredoras do sexo feminino.

Os abastecimentos falhavam muitas vezes. Agora, isso acontece raramente. Hoje, uma prova mal organizada é que é notícia, melhorou-se imenso o nível organizativo das provas em Portugal.

Não havia muitos patrocinadores privados mas as autarquias subsidiavam geralmente as provas. Estas tinham muitas vezes prémios elevados, na casa das muitas centenas de contos, em moeda antiga.

Também havia muito pouco informação técnica. Apenas a Revista Spiridon e mais tarde, a Revista Atletismo. Hoje e com a internet, há um grande manancial de informação que nos permite preparar adequadamente, seja a nível técnico como nutricional.

Hoje ainda, as despesas com a organização de uma prova são enormes a começar com o iva. Por cada inscrição que fazemos, o Estado fica com 23%! E depois, são taxas e taxinhas para as Associações Regionais de Atletismo, para as Câmaras, taxas de ruído, de ocupação de espaço, a polícia. Quem critica o preço das inscrições, não imagina quando pagam a Organizações nas taxas e licenças.

Baixou muito o nível competitivo

Costumamos dizer e com razão, que baixou muito o nível do meio fundo e fundo em Portugal nos atletas de elite. Para além de Carlos Lopes e Fernando Mamede, Rosa Mota e Aurora Cunha, tivemos mais de uma dezena de atletas que foram dos/as melhores do mundo. Agora, o nível é extremamente baixo. Mas o mesmo se passa nos atletas populares. Sempre fui um “Zé Ninguém” no pelotão, um dos muitos anónimos do pelotão. Dou apenas quatro exemplos:

  • O meu recorde pessoal da meia maratona foi fixado na Ponte 25 de Abril, em 1993, com 1h24m14s. Fiquei então em 1.160º entre 4.261 classificados. Com o mesmo tempo na edição do ano passado, teria sido o 311º entre 10.607 classificados.
  • Na minha primeira maratona em 1983, fiz 3h37m13s. Fiquei nos últimos, em 161º entre 176 classificados. Na maratona de Lisboa do ano passado, com o mesmo tempo teria ficado em 920º entre 4.442 classificados.
  • Na Corrida do 1º de Maio em Lisboa, em 1993, terminei em 301º entre 895 classificados com 58m51s. Na edição de 2019, teria sido o 28º em 1.043 classificados.
  • Na Corrida dos Sinos em Mafra, em 1991, fui o 712º com 1h04m14s em 1.566 classificados. No ano passado, teria sido o 161º entre 1.575 classificados.

Na minha opinião, a razão está em hoje correr-se com outro espírito. Há menos competitividade no pelotão, interessa mais acabar bem do que lutar por um grande tempo. Prefiro o espírito de hoje.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Quando se corre há 41 anos, tem de haver sempre estórias curiosas. Aqui vão três delas:

  • - Fui uma vez correr o GP do Museu Ferroviário no Entroncamento. Saí de Setúbal de boleia com um amigo que também ia correr e com as nossas mulheres. Perdemo-nos no caminho e quando vi que íamos chegar atrasados à partida uns minutos, telefonei a um companheiro do clube. Pedi-lhe que entregasse os nossos dois dorsais a alguém da Organização que ficasse na meta. Assim aconteceu e lá partimos uns 5/10 minutos depois da partida oficial. Tinha dito ao meu companheiro de infortúnio: “Não te preocupes que daqui a pouco, apanhamos os mais atrasados e depois, é só seguir o percurso”. O problema é que não encontrávamos os mais atrasados. No início, fomos perguntando aos transeuntes que nos iam dizendo “eles passaram por aqui ou por ali”. Mas chegámos a um momento que estávamos completamente perdidos e ninguém sabia por onde era a prova. Quando demos por nós, estávamos à porta do cemitério do Entroncamento! Aí, disse ao meu companheiro: “Eh pá, vamos voltar já a caminho da meta, já estamos com mais de 40 minutos, quando chegarmos à meta, já se terá passado quase uma hora”. Na altura, corria os 10 km em menos de 50 minutos. Perguntámos como ir para a meta, lá nos disseram. Quando íamos a entrar na meta, reparámos que estávamos a entrar nela no sentido inverso ao da corrida. Lá demos uma voltinha para entrarmos pelo sentido correto. Um membro da Organização reconheceu-nos e saudou termos feito a prova. Nunca sonhou como tinha sido.
  • Esta estória passou-se em 2017, numa corrida comemorativa do Comércio e Indústria, clube de Setúbal. Combinei com um amigo que faríamos a prova sempre juntos. O número de concorrentes era diminuto, ao fim de pouco tempo já o pelotão estava bem estendido. Como o percurso estava muito mal marcado, perdemo-nos. A certa altura, perguntámos a um polícia que nos mandou seguir em frente. Era um percurso parcialmente de ida e volta, não víamos ninguém a cruzar-se connosco. Percebemos que tínhamos cortado caminho. A solução foi esperar que chegasse boa parte do pelotão e continuarmos então a correr. Já a uns 2 km da meta, apanhámos o que seria o último que ia com a “atleta-vassoura”. Ele depois contou-nos que ela também se tinha perdido! Lá cortámos a meta e contei à Organização o que se tinha passado. Como não influenciámos em nada as classificações, não houve problemas. Valeu a prova ser na minha cidade e saber bem como chegar à meta.
  • Estava na Organização da Maratona dos Descobrimentos, num dos anos com a partida e meta localizadas no Estádio 1º de Maio. A poucos minutos da partida, um atleta holandês (cerca de 60 anos) pediu-me muito aflito se eu não lhe arranjava uns sapatos de corrida e uns calções emprestados. O seu saco com o equipamento tinha ficado no porão do avião e não apareceu a tempo da prova. Por sorte dele, eu estava calçado com os sapatos de treino. Ele experimentou-os e como lhe serviam, trocámos de sapatos. Ainda fui à procura de alguém que tivesse uns calções a mais mas não consegui. Voltei à partida para avisá-lo que não tinha arranjado os calções mas já não o vi.

Contei depois a situação a alguns companheiros que me disseram que se fossem eles não tinham emprestado os sapatos. “E se ele não aparece? Ficas sem os sapatos”. Pois, os dele que eu tinha calçado até eram bem velhotes. Bom. Lá fui para a meta fazer umas entrevistas a quem acabava a prova e o bom do holandês nunca mais chegava. Já depois das 4 horas de prova, lá chegou ele, muito feliz e muito agradecido a mim. Tinha resolvido o problema dos calções, correu de boxers!

  • Aventura marcante

 

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Escolho a minha participação na Maratona do Sahará, em 25 de Fevereiro de 2002. Aqui, a “culpa” maior foi da Revista Spiridon. O seu diretor Mário Machado tinha ido em tempos correr no deserto e fez uma reportagem. Fiquei admirado pela forma entusiástica como ele descrevia a sua experiência no deserto, correr quilómetros e quilómetros, só a ver areia. Uma vez, perguntei-lhe qual era o prazer e ele respondeu-me: “só indo lá”. Mais tare, tive a oportunidade de ir com um grupo de dezenas de portugueses correr a maratona e não a desperdicei. Foi uma experiência fascinante, o contato com aquele povo oprimido e a viver em condições muito difíceis (racionamento de água, de comida, etc) mas extremamente simples e simpático. E gostei muito de correr na areia, o Mário Machado tinha razão. Foi muito difícil, apanhámos muita areia solta mas acabei em 4h52m30s. Fiquei em 66º lugar entre 130 classificados.

  • Participação em prova mais longa

Foi em 12 de Julho de 2003, na Noturna da Malcata, com 51 km. Fiquei em 35º entre 46 classificados. Então, eram muito raras as provas acima da maratona. E o número de participantes também era naturalmente muito baixo. Hoje, temos muitas dezenas de trails com distâncias superiores a 50 km.

A outro nível, consegui completar a antiga Volta ao Minho disputada entre 1 e 9 de Agosto. Foram 347 km em 16 etapas, corridas a uma média de 5m/km. Havia um carro da organização à frente dos participantes que regulava a velocidade. Inicialmente, correr a 5m/km era muito lento mas a partir do 4º/5º dia, começavam a aparecer as lesões que obrigavam muitos que corriam habitualmente bem mais rápido, a desistirem. Era uma Volta duríssima, em pleno Verão, com duas etapas diárias à exceção de dois dias. Chegámos a fazer 52 km num só dia, em constante sobe e desce. Com um enorme sacrifício nos dois últimos dias, consegui chegar à meta em Braga como um d os sobreviventes. Durante uma semana, mal conseguia andar, tinha ficado com um “andar novo”.

  • Objetivos pessoais futuros

Quando se está prestes a completar 70 anos de idade e se corre há 41, os objetivos futuros só podem passar por poder continuar a correr, sem quaisquer preocupações quanto a tempos. Quero continuar a correr muitas provas de 10 km e duas ou três de 15 km. Sou totalista de corridas na Ponte 25 de Abril, para o ano ainda penso correr a Meia Maratona mas deve ser a minha última. Depois, farei lá apenas os 10 km. Já demoro mais de duas horas a correr a meia maratona, é muito tempo para poucos quilómetros, os últimos já são penosos.

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  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Fazendo votos que o atual constrangimento provocado pela pandemia do coronavírus seja ultrapassado a curto prazo (4/5 meses), prevejo um grande aumento de participantes nas provas populares. Em 2019, tivemos 60 provas de estrada com mais de 1.000 participantes. É previsível que daqui a cinco anos, tenhamos não 60 mas 150/200. Embora ainda longe da média europeia, temos cada vez mais gente a aderir ao mundo da corrida.

Seria desejável que o Governo, autarquias e Federação através das suas Associações Regionais, baixassem as taxas que atualmente se paga, a começar pelos 23% das inscrições. Particularmente o Governo e as autarquias, promovem pouco o atletismo e ainda ganham bom dinheiro com quem corre e organiza.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

 

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Como disse na pergunta referente aos objetivos pessoais futuros, quero continuar a participar em provas de 10 km. E quando tal não for possível, há as caminhadas incluídas nas provas para continuar a viver o ambiente caraterístico das corridas onde o convívio com os amigos é maravilhoso. O problema é que já hoje, quando estou nas partidas e olho em volta, já vejo poucos corredores conhecidos. Houve uma grande renovação no pelotão, restam poucos veteranos do antigamente.

 

 

 

 

30
Mar20

Fonte de conhecimento II


João Silva

Não conheço pessoalmente o autor da página que vos apresento, mas posso garantir que foi importantíssimo na minha evolução como atleta.

Quando percebi verdadeiramente que queria correr e melhorar o meu desempenho, foram as informações exaustivas do Carlos que me serviram de suporte.

Vale cada segundo de consulta. Tem textos e esquemas de treinos riquíssimos e abrange todo o tipo de temáticas. Lembro-me, por exemplo, que foi naquele espaço que descobri as técnicas de fartleks watson e que tirei referência dos tempos de treinos intercalados.

Se ou quando tiverem oportunidade e interesse, deem lá um salto. 

 

O espaço do Carlos encontra-se aqui:

http://www.atletismo.carlos-fonseca.com/

16
Fev20

O que não mata, engorda e também te pode transformar num ciclista


João Silva

rp_bike_azores (1).jpg

O texto que se segue não é da minha autoria. É do Rui, criador do blogue Bike Azores, que tem uma enorme paixão por ciclismo e por bicicletas.

Perante tamanha paixão, era impensável não lhe pedir, com jeitinho, um texto sobre a sua ligação a esse desporto, que também me apaixona. Foi, pois, um muitos em um.

Amavelmente, aceitou o desafio que lhe fiz, o que me deixa imensamente satisfeito e, por essa razão, agradeço-lhe pessoalmente.

Deixo-vos com a dissertação do estimado Rui. Antes disso, recomendo a vossa passagem no espaço dele.

Espero genuinamente que gostem tanto quanto eu:

“Tal como a maioria das pessoas, o meu contacto com as bicicletas surgiu em criança e alastrou-se para a adolescência. Sempre tive um gosto especial por veículos com rodas, sendo que o seu número foi variando conforme as minhas fases de desenvolvimento. A entrar na idade adulta tive um último contacto com os pedais, mas abdiquei definitivamente deles a favor das motas.

Só 15 anos depois voltei às bicicletas. Estava longe de pensar que a BTT de entrada de gama que acabava de comprar, para efeitos de exercício físico, ia dar início a toda uma nova fase da minha vida onde as bicicletas ganhariam grande relevância.

Comecei com alguma apreensão, mas que depressa deu lugar a um grande entusiasmo. Queria fazer parte deste meio, queria munir-me de mais e mais meios. Fiz algumas provas. Troquei de bicicleta um ano depois, aquela que ficou marcada como a bicicleta mais cara que já comprei. Ainda a tenho, fez recentemente 10 anos.

Passados 3 anos, compro uma bicicleta de estrada. Diferente, no conceito, na atitude. Foi aqui que inverti o trilho que seguia. Passei a ter outros objetivos, outras prioridades. Afastei-me da competição, da qual nunca estive especialmente próximo, tirei o foco dos meios, da eficácia e da eficiência. Apaixonei-me pelo conceito mais básico da bicicleta, pela função, pela manufatura, pela tradição, pela mais pura relação homem/máquina!

Não fazia sentido continuar a ver a bicicleta apenas como meio de desporto e lazer. Comprei uma citadina, dobrável, onde comecei timidamente a fazer dela a minha companheira de deslocação e transporte. Comprei outra, mais capaz, e então nunca mais parei.

Uma nova fase ficou marcada pela amadurecida compra de uma bicicleta de carreto fixo. Devo ter passado um par de anos ou mais, a ponderar esta compra. São bicicletas exigentes e com algumas limitações, mas que prazer me dão. Adoro-as!

Mesmo assim e mais recentemente, acabei por adquirir uma bicicleta de estrada, que não sendo o último grito, é assumidamente uma bicicleta moderna. Talvez seja mesmo aquela com que menos me identifico, mas que me permitiu dizer sim a certos desafios, que de outra forma seria difícil.

Os grupos extinguiram-se e atualmente ando quase sempre sozinho, e na estrada. De quando em vez faço uma perninha na competição, apenas por diversão, quando sei que esta está assegurada.

O meu regresso às bicicletas conta com quase uma dúzia de anos, várias bicicletas, alguns quilómetros sobre elas e muito prazer e paixão associados. É uma relação total, onde o gosto passa por andar, intervencionar e apreciar estaticamente. As bicicletas alcançaram uma dimensão inesperada na minha vida, mas perfeitamente legítima e compreensível, tal é o nível das mais-valias que agora lhes reconheço.

O ciclismo é uma modalidade desafiante que nos coloca constantemente à prova, mesmo quando encarada da forma mais descontraída, como o faço. Se calhar é por isso que é tão cativante e apelativa. A prática permite-nos progredir e ir mais além. Dá-nos mais segurança e confiança. Dá-nos uma incrível sensação de prazer e liberdade. Aumenta-nos a autoestima. Que não se queira falar em ciclismo, por estar demasiado conotado como competição, mas que se fale em andar de bicicleta. Tudo faz sentido, tudo é relevante. Seja uma jornada em que se ultrapassa os 3 dígitos de quilometragem, seja uma pequena e tranquila volta a usufruir calmamente da bicicleta e da ambiência que nos rodeia.

 

Para além de me propor a escrita deste texto, o João desafiou-me para “escrever também sobre a medida em que o ciclismo pode "aprender" ou dar ao atletismo.”

Já recorri à corrida como forma alternativa de manter a forma, mas infelizmente fui obrigado a abdicar devido a uma lesão grave num joelho. Uma das coisas em que a prática do ciclismo, na vertente BTT, me era útil nas minhas corridas era o conhecimento de certos percursos fora de estrada, como forma de introduzir alguma inovação e variedade às mesmas. Outra coisa importante que se aprende, reciprocamente, é a gestão do esforço e o controlo da ansiedade, que podem fazer toda a diferença em qualquer uma das modalidades.

 

Obrigado, João!”

04
Fev20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

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Foto: o João no final da primeira prova (Mini da Ponte 2006)

Em mais um "episódio" de entrevistas a atletas que, de alguma forma, me marcaram neste percurso, trago-vos o João Lima, que, desde logo, podem conhecer melhor e de forma mais continuada aqui: http://joaolimanet.blogspot.com .

Conheci o João por mero acaso. Primeiro, encontrei o seu blogue quando ainda estava a dar os primeiros passos neste canto do Sapo. Fiquei surpreendido pelo trabalho exaustivo, chegando ao ponto de apresentar uma calendarização de provas a nível nacional. Só uma pessoa com um nível elevado de paixão consegue e se predispõe a fazer tal coisa.

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Foto: a comandar um grupo de atletas em Constância 2011 no percurso que mais aprecia para provas de 10 km

Depois disso, uma vez mais acidentalmente, encontrámo-nos pessoalmente na maratona de Aveiro. Numa daquelas idas nervosas ao Wc antes da prova, sinto um toque nas costas e lá tivemos o primeiro momento de troca de ideias. Como já sabia do blogue, o João é uma boa pessoa de verdade.

Assim é de facto, que não se coibiu de me incentivar quando nos cruzamos em plena cruzada de 42 km.

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Foto: no final da primeira Maratona com o extenso e incansável grupo que o apoiou durante a prova!

Meses mais tarde, na meia maratona de Leiria (outubro), outra vez de forma acidental, acabámos por conversar muito mais tempo, por trocar medos e expetativas para a maratona do Porto (em novembro) e ainda tive o privilégio de aquecer com o João. 

No dia da maratona, já com este pedido de entrevista feito, sem contar com isso, lá dei de caras com o João. Mais um motivo para umas belas fotos de recordação e para tentar, sem sucesso, que deixasse o nervoso miudinho que o "assombrava".

E, no fundo, antes de passar a palavra ao João, diria que o que mais aprecio na sua personalidade é a enorme paixão pela corrida, a sua bondade e generosidade na hora da partilha e de transmitir conhecimentos aos mais novos e, como se não bastasse, o respeito (e nervos) que tem perante cada prova. E estamos a falar de um "veterano" nas maratonas.

Fiquem, pois, com o João Lima:

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Foto: a sua fotografia preferida! Sevilha 2014 (ler “aventura marcante”). Só ele sabe o que estava a passar de felicidade nesse momento

  • Nome 

João Lima 

  • Idade

59, a menos de 4 meses de mudar para o escalão M60 e natural de Tomar 

  • Equipa 

4 ao km, uma equipa de amigos 

  • Praticante de atletismo desde

Em Junho de 2005 comecei a dar umas corridinhas no Passeio Marítimo de Oeiras. A primeira vez, fiz 1800 metros e julguei que o coração e pulmões saltavam boca fora. No dia que cheguei aos 3 km foi uma alegria. Depois andei muito tempo com 4,6 km (era na altura ida e volta no referido passeio onde corria de 3 em 3 dias). No final do ano, vi numa publicação da Câmara de Oeiras uma notícia sobre a Corrida do Tejo. Pensei que seria giro participar mas tinha uma muito longa distância de 10 km! Idealizei que se todos os meses fosse subindo uns 500 a mil metros, conseguiria chegar lá. Mas no início de 2006 um colega mostrou-me um folheto para a Mini da Ponte com 7 km. Entusiasmei-me com a hipótese de passar a ponte a correr e inscrevi-me. Quando disse que ia à Ponte, um outro colega perguntou-me se ia à Meia ou Mini. Respondi, convicto, “Mini! Meia não faço nem nunca farei!” Efetivamente, na altura os 10 pareciam-me o máximo dos máximos e já seriam uma coisa brutal. Na feira da prova, recebi um folheto para a Corrida da APAV a disputar passadas 2 semanas. Inscrevi-me e quando dei por mim, estava bem dentro das corridas, tendo neste momento participado em 463, das quais 13 Maratonas e 65 Meia-maratonas (estreei-me na Meia da Ponte, exatamente um ano após julgar que nunca faria uma distância dessas…). 

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Foto: com a nossa bandeira a cortar a meta na Maratona que sempre sonhou um dia realizar, Paris 2015

Além da corrida, mantenho uma base de dados de resultados de provas portuguesas, bem como o (extenso) calendário anual. Esse trabalho é algo que faço há 10 anos e nasceu da necessidade de preservar os resultados, verdadeiro património das nossas corridas, pois de ano para ano a esmagadora maioria das classificações perdia-se. Assim, guardando-as no meu servidor, ficam disponíveis 24 horas por dia, 365 dias ao ano ao sabor dum simples clique. Neste momento estou quase nas 10 mil classificações, algumas bem antigas como a da primeira Maratona realizada em Portugal, a única ainda em monarquia (2 de Maio de 1910). 

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida em estrada 

  • Prefere curtas ou longas distâncias

De 10 km para cima, com especial gosto em Meia-Maratona e uma paixão arrebatadora na Maratona 

  • Na atual equipa desde

A sua criação, agosto de 2011. Fui um dos 4 fundadores e sou o seu responsável. Por sermos 4, ficou o nome de 4 ao Km, que não tem a ver com velocidade mas que gera algumas situações caricatas em provas, com pessoal que ainda não conhece a equipa dizendo “isso não é a 4 ao Km” ao que costumo responder por piada coisas como “é sim, é a 4.90 ao km (se vou por exemplo a 5.30)” ou “é mais IVA”. Aliás, na única edição da Corrida Nauticampo no Parque das Nações (2012), passei por 3 raparigas que, ao terem dito que não ia a 4 ao km e eu tendo respondido que era com IVA, uma disse “Não, não! Aqui não há IVA!”. Ora estávamos em pleno período da troika, fiquei muito sério e respondi “Estão a dizer para fugir aos impostos?!? Olhem que é por causa disso que o país está como está!”. Bom… elas ficaram espantadas a olhar para mim como quem pensa que eu estaria mesmo a falar a sério. Aí ri--me, desejei-lhes boa prova e prossegui. 

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Foto: com os bons amigos Sandra, Nuno e João Branco, Corrida do Tejo 2015. A corrida deu-lhe grandes amigos

  • Volume de treinos por semana

Treino 5 vezes por semana. Em relação à quilometragem, vai variando conforme as semanas, mas no final de cada mês dá normalmente entre 210 a 220 km, mais em período de preparação para Maratona, sendo a maior quilometragem já registada de 276 km neste Agosto. Irei terminar o corrente ano na casa dos 2500 km. 

  • Importância dos treinos

Fundamental!!! A forma é a coisa mais ingrata que existe. Batalha-se, batalha-se e basta um pequeno tempo sem treinar e ela eclipsa-se. Há quem possa estar uns dias sem correr que não nota nada de especial, no meu caso é muito penalizador para a forma. Tudo o que se consegue numa corrida, tem por trás o que se foi fazendo nos treinos e a inteligência como se treinou. 

  • Se tem ou não treinador

Nunca tive. Fui aprendendo com o que via, lia e ouvia de outros atletas e treinadores. Ao fim de um certo tempo, aprendi a ler o meu corpo e suas sensações e, baseado nisso, crio os meus próprios planos de treino. Não me tenho dado mal, antes pelo contrário. Se poderia ser melhor com treinador? Hum…provavelmente sim. Mas assim, quando alcanço um objectivo, venço por duas vezes, como atleta e como auto-treinador… 

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Foto: Sevilha 2017 e a felicidade por bater o seu recorde em Maratona (que se mantém)

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Em comparação quando comecei a participar em corridas (2006), assiste-se a um positivo crescimento de tecnologia que vem ajudar em vários aspetos, como maior rigor nas tomadas de tempo, com generalização de chips que há 13 anos não estavam assim tão espalhados como hoje, maior divulgação aproveitando a Internet e diversas plataformas digitais e uma expansão e maior profissionalização de diversas entidades organizadoras. Durante este período deu-se também uma revolução com a criação do conceito trail, na altura apenas existiam corridas de montanha com certas diferenças para este tipo de provas, algo que tem aumentado a oferta de forma impressionante. Outra grande diferença é que os portugueses perderam o medo à distância e temos cada vez mais maratonistas. Mas a que considero a maior e mais saudável diferença, tem a ver com a participação feminina. Quando me iniciei, a percentagem de atletas femininas situava-se entre os 3 e os 6%, enquanto actualmente na maioria das provas anda pelos 20%, ainda longe das médias de alguns países mas a aumentar.  

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Foto: a cortar a meta em Valência 2018, uma Maratona impressionante e cujo entusiasmante final é de colocar qualquer um louco de alegria, como se constata!

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Algumas. Desde uma senhora de idade a insultar os atletas gritando que as corridas eram uma merda, ao que gritei “desporto é saúde” e a senhora querer vir atrás de mim para me bater com a sua bengala, a estar a treinar numas férias que por acaso eram um dia de greve e um carro aproximou-se abrindo o vidro (o que sucede algumas vezes para pedir alguma indicação de rua) mas quando me aproximei, o senhor (que provavelmente estava danado por vir de alguma repartição fechada) gritou em fúria “grevista de merda!” e arrancou (esquecendo-se que além de poder efetivamente estar em greve, poderia estar de férias, desempregado, trabalhar por turnos ou horário diferenciado, etc), a engasgar-me numa corrida por engolir uma mosca ou então por falha da organização, fazer 23 km numa Meia, ao que a minha mulher apelidou “duma meia até aos joelhos”! 

  • Aventura marcante 

Sevilha 2014! Tenho muitas provas que foram especiais mas nada como esta. Tenho 13 Maratonas concluídas mas parti em 14. Na que teria sido a minha 2ª, a Cascais-Lisboa 2013, fui forçado a desistir aos 15,5 por um problema físico completamente impeditivo de continuar, o que foi uma experiência muito dura. Seguiu-se Sevilha 2014 mas 5 semanas antes apanhei uma infeção pulmonar que me obrigou a parar. E se em Maratona é necessária muita resistência, não esquecer que ela vem dos pulmões. Recomecei a treinar mas fraco. Duas semanas antes tentei 24 km mas andei mais do que consegui correr. Basicamente, não tinha força mas não estava preparado para ter um novo DNF. A semana anterior foi terrível com a inevitável sombra da desistência. Mas ia tentar. Mais valia desistir por ser impossível continuar do que nem sequer tentar. Ficou na memória de todos como estava no pequeno almoço no dia da prova, isto para já nem falar do que a minha mulher teve de aturar nessa noite. Sentia-me impotente para evitar o que seria para mim outra dura derrota. Mas…na altura de ir deixar o fato de treino no carro, e ao sentir o ar frio, algo mudou em mim. Mudei do estado de derrotado para um outro que nem sei definir. Conclusão, fiz a que considero a corrida da minha vida e ao mesmo tempo a mais feliz, divertida e emocional. Costumo dizer por brincadeira que devo ter sido tocado por alguma fada das corridas por mais pareceu magia. Mas a magia veio toda do meu desejo de completar o desafio. E nesse dia, com 2 Maratonas no currículo, sinto que ganhei carreira de maratonista pois se tivesse desistido pela 2.ª vez em 3 tentativas, não sei se teria continuado a tentar a distância, eu que era para ter feito apenas uma. E o que teria perdido!     

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Foto: com os grandes amigos Isa e Vitor na Corrida do Bodo 2019, a brincar antes da prova com a placa que faz alusão ao nome da nossa equipa

  • Participação em prova mais longa

Por 13 vezes em Maratona. Lisboa 2012, Sevilha e Porto 2014, Paris e Cascais-Lisboa 2015, Barcelona e Porto 2016, Sevilha e Porto 2017, Valência 2018, Sevilha, Aveiro e Porto 2019   

  • Objetivos pessoais futuros

Continuar sempre a correr com o mesmo prazer que tenho desde o início. Em termos de provas, os grandes objectivos são em Maratona, tendo planeado em 2020 Madrid e Málaga, 2021 Aveiro e Loch Ness e tentar o sorteio para Berlim 2022. Isto para já. Em termos meramente utópicos, gostava de fazer uma Maratona aos 100!! 

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Basicamente semelhante, mas gostava que houvesse um maior controlo para evitar os batoteiros. De realçar a recente medida da RunPorto ao desclassificar e publicar a lista dos “corta-caminhos” e das “mulheres com barba” na Maratona do Porto, avisando que no futuro irá começar a impedir a participação de atletas que sejam apanhados nas mesmas condições. Espero que seja um primeiro passo a ser seguido por mais organizações   

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos 

A mudar para o escalão M65, forçosamente (ainda) mais lento, mas sempre com o mesmo prazer de corrida. Assim haja saúde!  

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Foto: Porto 2019, uma Maratona tão sofrida mas com uma enorme felicidade na meta por ter resistido

03
Out19

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

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Foto: Ao quilómetro 35 da maratona do Porto em 2018

 

Estamos precisamente a um mês da minha grande prova deste semestre, a maratona do Porto.

Não há, pois, melhor data para vos dar a conhecer a história de uma mulher de armas, uma verdadeira guerreira que conheci no mundo das corridas. Na verdade, foi por interposta pessoa, nomeadamente, pelo meu muito estimado Ricardo Veiga.

Trata-se da Lígia Casimiro, atleta do SC Espinho e que, tal como eu, fez a sua primeira maratona em 2018 na bela cidade do Porto. É difícil não admirar a Lígia pela garra com que corre. Apesar de ser craque e de já contar com várias consagrações e distinções, o que mais me fascina nesta atleta é a forma como se dedica a provas de estrada e como se prepara e trabalha sempre com o intuito de evoluir. Além disso, ao conversar com ela, percebe-se rapidamente que é humilde, sabe o que já conquistou mas também tem noção do que sofreu para lá chegar e do que precisa de fazer para continuar na crista da onda.

Dentro de 10 dias, estará a fazer a maratona de Chicago, fruto do resultado que obteve na maratona do Porto em 2018. Vamos, portanto, dar-lhe um impulso e desejar muita força.

Apresentações feitas, é tempo de lhe dar a palavra e de vos deixar com ela e com as suas visões e histórias do mundo do atletismo. Sabem aquelas pessoas que considero sempre "família" quando vou fazer uma prova? A Lígia é uma delas.

 

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Foto: Chegada à meta na maratona do Porto

  • Nome:

Lígia Casimiro

  • Idade:

43

  • Equipa:

Sporting Clube de Espinho / António Leitão

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Foto: Com a "irmã mais nova" do SCE (na chegada à meta da São Silvestre de Espinho)

  • Praticante de atletismo desde:

Julho de 2015

  • Modalidade de atletismo preferida:

Adoro tudo (Já experimentei pista, corta- mato, trail, estrada, corrida de obstáculos).

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Foto: com as colegas do SCE em junho quando foram campeãs distritais

  • Prefere curtas ou longas distâncias:

Prefiro longas distâncias, talvez porque não preciso sair da minha zona de conforto tão cedo.

  • Na atual equipa desde

Junho de 2018.

  • Volume de treinos por semana:

Neste momento, como me estou a preparar para uma maratona, faço 2 vezes por semana reforço muscular e 5 vezes por semana corrida, tenho um dia de descanso. Mas anteriormente fazia 1 vez por semana reforço (o que era muito pouco) e 3/4 vezes corrida.

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Foto: com a irmã do coração do SCE

  • Importância dos treinos:

Todos os treinos são importantes para a nossa saúde, quer seja musculação, natação, ciclismo, atletismo, qualquer desporto é importante para o nosso bem-estar físico e psíquico. O fundamental é praticarmos aquele que nos dá mais prazer. Eu acredito que, mesmo para aquelas pessoas que detestam/odeiam desporto, existe um que lhes irá dar prazer, têm é de procurar.

  • Tem treinador?

Até Agosto de 2017 não tive treinador, atualmente tenho uma treinadora (formada em educação física e fisioterapia), que faz o meu plano semanal de treinos (reforço e corrida), já que não me sinto capaz de o fazer sozinha.

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  • Diferenças existentes entre o atletismo no passado e atualmente:

Neste momento o atletismo está muito na moda, existem muitos grupos de corrida (o que é muito bom, porque incentivam as pessoas a praticar desporto) e todos os fins de semana durante todo o ano existem provas para todos os gostos, onde tanto homens como mulheres podem participar. Ainda assim, muitos iniciam esta e outras práticas desportivas sem consultarem primeiro um médico, o que é um grande erro. No passado, embora tivéssemos grandes atletas, que nos deram grandes alegrias a nível mundial, não existiam tantos praticantes, pelo que penso que a formação destes pequenos grupos de corrida veio ajudar/incentivar esta prática desportiva.

Contudo, tal como no passado, no nosso país, dá-se mais importância ao futebol, esquecendo-se outros desportos onde somos muitos bons. Em algumas modalidades, os nossos atletas têm muitas dificuldades em representar o nosso país, porque, para o futebol, há sempre patrocínios e para outros desportos os atletas que se desenrasquem.

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Foto: Corrida 4 estações em Coimbra

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas:

Tirando as amigas que vou fazendo nos treinos e provas de atletismo, só me recordo de uma: em julho de 2018, ao atravessar a meta numa prova, uma atleta desconhecida deu-me os parabéns (a Júlia S., agora já não é desconhecida e é uma simpatia). Até àquela data em todas as provas, quando chegava ao mesmo tempo que outra mulher, se tentava cumprimentar e dar os parabéns, viravam-me as costas e ou desapareciam. Em setembro do ano passado, numa meia maratona, no último abastecimento, disseram-me que era a quinta mulher. A cerca de 10 metros da meta, como o piso era em areão e cascalho, a quarta atleta apercebeu-se da minha aproximação e deu corda às sapatilhas. Eu fiquei em quinto lugar com uma diferença que nem chegou a 1 segundo. Tentei aproximar-me da quarta classificada para a felicitar, e quando esta se apercebeu, virou costas e acelerou o passo, foi preciso ir atrás dela e agarrar-lhe a mão, para lhe dar os parabéns e lhe dizer que tinha merecido. Primeiro, a reação dela primeiro foi de espanto e depois lá agradeceu, com um sorriso “amarelo”. Não entendo. Com os homens, nunca tal me acontece. Quando cruzo a meta, sou felicitada quer chegue primeiro ou depois deles e trato-os de igual forma. Esta falta de desportivismo entre mulheres entristece-me e mostra que muitas delas ainda têm muito a aprender.

Felizmente, nas provas de pistas não se vê esta falta de desportivismo e até há algum companheirismo entre atletas de equipas diferentes.

Em dezembro de 2018, participei no Grande Prémio de Atletismo Vila da Palhaça com os meus colegas do SCE. O percurso tinha 3 voltas. Iniciei a prova com dois colegas do SCE (a Carla e o Jorge). No fim da primeira volta, sem querer, deixei passar o primeiro abastecimento. Só quando vi outros atletas com a garrafa na mão é que me apercebi (sim, ainda não tinha feito 5 km e estava com uma sede que parecia que tinha atravessado o deserto, com um calor tórrido; na verdade, estava constipada e só conseguia respirar pela boca) e manifestei este percalço aos meus colegas em voz baixa. Num tom mais forte, para saber se tinha entendido o que tinha dito, o meu colega Jorge pergunta-me se estava com sede e eu respondi-lhe que sim. Qual não é o meu espanto ao ouvir um atleta desconhecido oferecer-me a garrafa dele e foi assim que uma garrafa de 33 cl deu para 5 ou 6 pessoas. Dei dois golos e passei a garrafa ao Jorge, que depois a foi passando a mais atletas (se alguém se constipou com os micróbios da minha constipação, estou isenta de culpas, porque dei conta do meu estado de saúde). Achei esta partilha da garrafa de água simplesmente sensacional, foi de um grande companheirismo. No fim, não agradeci novamente à alma caridosa por este gesto simplesmente porque não fixei quem ele era. Porém, se algum dia ele “passar” aqui no blogue e ler esta publicação, o meu muito obrigada.   

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Foto: Juntos no final da corrida 4 estações em Coimbra em março deste ano

  • Aventura marcante:

Para mim a aventura/prova mais marcante foi o ano passado na minha primeira maratona. Foi simplesmente um dia maravilhoso. A melhor prova de sempre. Foi a prova em que mais nervosa estava antes de a iniciar e, quando deram o “tiro” de partida, toda a ansiedade passou. O meu corpo descontraiu e desfrutei até ao fim. Das experiências mais marcantes que tive na minha vida.   

  • Participação em prova mais longa:

Foi o ano passado no dia 4 de novembro, no Porto na minha primeira maratona.

  • Objetivos pessoais futuros:

O meu objetivo/aventura deste ano é em outubro na maratona de Chicago. Com o resultado da maratona do Porto, consegui o índice para entrar nesta prova (uma das 6 majors).

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos:

Espero que com mais mulheres e crianças a praticar, e com mais desportivismo entre atletas.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos?

Ora bem, não sei muito bem o que dizer, mas espero que continue a ter saúde para correr, mesmo que não seja a competir, que o seja por lazer, porque me faz muito bem.

  • Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?

Sinceramente não sei o que responder a esta pergunta, porque atualmente estamos presentes em tudo o que é desporto e em todas as modalidades temos excelentes atletas, mas o porquê de sermos tão poucas é uma incógnita para mim.

·         Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Temos claramente diferenças de tratamento, principalmente em provas mais antigas e tradicionais, em que os prémios monetários não são distribuídos de forma idêntica à dos homens. Muitas vezes, somos todas incluídas no mesmo escalão, enquanto os homens são distribuídos por escalões com direito a prémios separados. E, por vezes, os prémios monetários são de valor mais baixo para as mulheres. Nas provas mais recentes, já é raro ver-se essa desigualdade.

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Foto: Na São Silvestre de Aveiro com os colegas/amigos da empresa onde trabalha

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