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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

28
Ago20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje venho falar-vos e dar-vos a conhecer o Paulo Alves, nome de antigo jogador da bola.

Não conheço pessoalmente este rapaz, mas já pude sentir a sua simpatia e boa disposição no seio da nossa equipa.

Curioso o facto de achar que ele já fazia parte da equipa há mais tempo do que eu, quando, na verdade, sou mais "velho" na laranja. Particularidades, portanto.

Outra é o facto de a minha alcunha atual no seio da equipa ter sido dada por ele: alcatroado. Qualquer relação do nome com a minha paixão à estrada é pura coincidência.

Aprecio o jeito descontraído do Paulo, bem como a sua abordagem mais ligeira. Como sei que é algo difícil para mim, gabo-lhe os méritos dessa atitude, que, ou muito me engano, é uma marca distintiva da sua personalidade.

Deixo-vos, pois, com o Paulo Alves.

 

  • Nome:

Paulo Alves aka Alfacinha aka #treinapaulo :)

EGT2016-46kms.JPG

 

  • Idade:

42

  • Equipa:

ARCD Venda da Luísa

 

  • Praticante de atletismo desde:

Meados de 2012, pois foi quando a balança chegou aos 106 kg. Achei que já bastava e meti na cabeça que iria fazer a corrida do Sporting (10 km) nesse mesmo ano, pelo que comecei a correr do zero por períodos de 5 min. no máximo e aumentando gradualmente.

OMD2018-50kms.JPG

 

  • Modalidade de atletismo preferida:

É o trail running pela sensação de liberdade, camaradagem e aventura que cada treino/prova proporciona.

 

  • Prefere curtas ou longas distâncias:

Claramente as longas distâncias pelo desafio de ter de vencer os quilómetros, o tempo, a meteorologia, gerir o corpo, mas, sobretudo, por ter de contrariar o que a cabeça muitas vezes pede quando surgem as dificuldades.

Sicó 2020-111kms.JPG

 

  • Na atual equipa desde:

24 de Março de 2019, dia do Trail de Pereira.

 

  • Volume de treinos por semana:

É muito variável pois sou um "atleta" muito indisciplinado, por isso, tenho semanas em que treino 1 vez e outras em que chego às 6. Mas, se seguirmos a grande máxima "descanso também é treino", então é todos os dias e nisso sou fortíssimo. :)

Almourol 2014 - 1a maratona em trilhos (44 km).jpe

 

  • Importâncias dos treinos:

Considero que, de facto, treinar com regularidade e disciplina é muito importante pois conseguimos desfrutar muito mais das provas e acabá-las sem ter a sensação que fomos atropelados pelo Intercidades. (risos)

Trail Viver Pereira 2019.JPG

 

  • Se tem ou não treinador:

Não tenho treinador, mas como sou algo preguiçoso para treinar, tenho 2 treinadores informais que usam todos os métodos possíveis e imaginários para me "obrigar" a treinar.

 

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual:

Sinceramente não considero que esteja no atletismo há tanto tempo para notar as diferenças, mas acho que há cada vez mais uma "indústria" das provas de corrida, sobretudo no trail, em que o objetivo é principalmente fazer dinheiro, sendo que há ainda uns resistentes que dão prioridade à qualidade em detrimento da quantidade dos seus eventos.

TSL2017-55kms.JPG

 

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas,

O acontecimento mais insólito numa prova foi num Oh Meu Deus, na subida da Garganta de Loriga para a Torre senti-me mal com o calor, fui sempre subindo e esperando que viesse o vassoura, quando cheguei à Torre, 4 horas depois de ter saído de Loriga, descobri que nenhum dos elementos estava à minha espera porque pensavam que o último já tinha passado...Outra situação insólita foi no ano passado nos 65 km da Freita, eu estava a fazer a prova com o Rui Monteiro e o José Carlos Fernandes, entrámos juntos na mítica Besta, sendo que depois cada um seguiu o seu ritmo e, de repente, eu consegui perder-me naquele percurso para parece simples e depois só ouvia os gritos do Rui e do José a chamar por mim...  e uma curiosidade é que já acabei várias provas com pelo menos uma rapariga que não conhecia até aí. ;)

Oh Meu Deus K70 2014.jpeg

 

  • Aventura marcante

Tive algumas experiências em prova que me marcaram, como correr na neve na Serra da Estrela, a brutalidade e beleza da Serra da Freita, as noites das provas de 100 km, mas o que mais me marcou ao longo destes anos de corridas foram sobretudo as pessoas que trouxe de cada aventura.

 

  • Participação em prova mais longa

 

Foi este ano nos 111 km do Sicó, que já tinha tentado o ano passado e fiquei a 18 km da meta, sendo que desta vez terminei-a, mas a prova mais longa prevista para este ano era a Ultra Caminhos do Tejo 144 km.

UMA2016-43kms.jpg

 

  • Objetivos pessoais futuros:

Basicamente terminar os objetivos que tinha para este ano, ou seja, UCT 144 km, TPG 55kms, finisher circuito ultra endurance da ATRP. 

Projetos que não tinha para este ano, mas que quero cumprir são OMD 100k ou 100 milhas, MIUT, PGTA, também PT281+ e/ou ALUT (solo ou estafeta) isto só para referir os objetivos internos.... :p

 

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Vejo o atletismo daqui a 5 anos como já tendo feito uma seleção natural entre as provas de qualidade e provas que só procuram lucro fácil sem qualidade, mas, no geral, cada vez mais gente a correr seja na estrada ou no trilho.

 

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos:

Sinceramente acho que andarei pelos trilhos lá atrás como é meu hábito, mas a curtir cada dia e cada metro percorrido.

10
Ago20

1, 2, 3, uma entrevista diferente desta vez...


João Silva

Esta é uma entrevista diferente. Por não ter percebido a dúvida do meu convidado, induzi-o claramente em erro na forma de comunicação do conteúdo.

O mais curioso foi que gostei da forma como enquadrou e desenvolveu os temas. 

Posto isto, hoje trago-vos o Gil Santos, meu colega de equipa e um dos primeiros que conheci quando me juntei ao grupo. O Gil é uma pessoa muito simpática e sempre disposta a ajudar na integração.

Além disso, este jovem é meu vizinho, o que também tem os seus méritos.

Mais a sério, é um atleta à maneira e, apesar de não fazer estrada, noto que desenvolve bem o seu ritmo nesse palco.

Fiquem, pois, com o Gil Santos.  

1° ultra trail no VIII ULTRA TRAIL DE SICÓ 2017.

O meu nome é Gil Santos e tenho 44 anos. 

Neste momento, faço parte de uma equipa de trail do concelho de Condeixa a nova do distrito de Coimbra ( ARCD VENDA DA LUÍSA) desde 2015.

Apesar de ter iniciado a prática de atletismo na vertente estrada em 2014, (na equipa das 4 estações de Coimbra, que era e ainda é liderada pelo meu amigo Guilherme), logo me apaixonei pelo TRAIL através do meu amigo Marco Santos, que numa manhã de treino me levou a conhecer os trilhos da Serra de Sicó. Passei logo a gostar de trail running, a vertente que prefiro. Inicialmente fazia curtas distâncias nas provas em que participava, mas ao longo dos anos comecei a fazer distâncias maiores até atingir provas 'chamadas' ultras.

Trail infante-Penela 2017.jpg

Em relação ao volume de treinos semanalmente é um pouco relativo, isto é,  treino consoante a minha disponibilidade uma vez que tenho vida profissional.  Praticamente faço e quando posso dois treinos longos ou 3 curtos, compensando com natação e estática por vezes, mas tudo depende da disponibilidade que tenho. Por vezes pode haver uma semana em que não treino. Os meus treinos faço praticamente sozinho na Serra de Sicó na zona de Condeixa, e, por vezesm para elevar o ritmo, faço uns treinos de estrada. 

Louzantrail 2018.jpg

Apesar de não ter treinador (sou eu o meu treinador), sou eu que faço previamente o que irei fazer. Ultimamente tenho lido muito sobre provas e quais os métodos a utilizar nos respetivos treinos, tenho um conselheiro (João Fantástico) que me ajuda muito, especialmente a dar-me conselhos nos treinos que faço, o que lhe agradeço imenso. 

Coimbra trail 2016.jpg

Relativamente ao atletismo do passado e o atual, sinceramente não conheço muito do passado, mas no presente, em relação ao trail, tenho  reparado que muita gente anda a participar mais, uns, claro, têm os seus objetivos e outros apenas para se divertirem. Conheço muita gente que apenas participa para conhecer as paisagens e não estar num domingo, por exemplo, sentado no sofá. Claro que é muito bom ver nas provas todo o tipo de pessoas a participarem.

Em 2014, fiz a minha primeira prova oficial em estrada (Corrida Pedro e Inês), onde o mais importante para mim era terminar a prova, o que consegui com muito suor e esforço. 

Curiosamente, numa prova que participei em 2017 ( IV GRANDE TRAIL DAS LAVADEIRAS 25K), fiz praticamente o percurso todo a ajudar um adversário que não conhecia de lado nenhum (Renato Ferreira), hoje somos grandes amigos, e que participava com a sua cadela (Kyra). Essa prova foi uma enorme aventura pois ajudei-o várias vezes a subir trilhos muito técnicos com a sua cadela.

Castellum Trail 2018.jpg

Destaco também com muito gosto a minha primeira participação numa prova ultra: VIII ULTRA TRAIL DE SICÓ 2017, onde participei pela primeira vez participei e com êxito numa prova de 52km. No ano seguinte, voltei a repetir, no ano 2019, não participei infelizmente porque 2 meses antes tinha sido operado a uma hérnia umbilical mas no ano 2020 voltei e fiz os 57km de Sicó. Esta prova para mim é muito especial, pois é realizada na vila de Condeixa, onde resido, e considero-a a minha prova rainha. Em todas as provas que já realizei, seja vertente TRAIL ou Estrada, tenho sempre um objetivo que é terminar bem e sem lesões. Depois, se bater o meu recorde pessoal, é um acréscimo. Como se costuma dizer: é a cereja no topo do bolo. Quanto ao futuro dos trail em questão, vejo com muita satisfação em relação a quem as organiza,  uma vez que as mesmas ano para ano melhoram muito, a nível de qualidade, segurança e abastecimentos. A nível pessoal , ou continuar com os meus treinos, mesmo sabendo que as provas que tinha em mente para este ano foram todas canceladas devido ao novo coronavírus. Futuramente, acredito que, a partir do ano 2021, as provas vão voltar e continuarei a dar sempre o meu melhor em prol da minha equipa que me acolheu há 5 anos e onde fui excecionalmente recebido de braços abertos ou não fosse ela a minha família do desporto. Voltar às provas, serras, montes, trilhos, rever paisagens, amigos, poder ajudar quem precisa, conhecer novas pessoas, seja com sol, chuva, frio, calor, trovoada, neve e vento é tudo o que desejo para o futuro e isto sim é TRAIL. 

2°eco meia maratona 2016.png

Por fim queria agradecer a todos os meus companheiros de equipa e a todos os meus amigos de equipas "adversárias" que me apoiam antes, durante e no fim das provas, dar os parabéns a todas as organizações de provas que sei que dão tudo por tudo para que corra tudo bem. Às pessoas que mencionei aqui fica um grande abraço. À minha família em especial, que me apoia totalmente. E, por fim, um enorme abraço ao meu grande amigo, criador deste blogue, que, ao conhecer um pouco da sua história, vi que conseguiu ultrapassar todas as divergências e que hoje é um MARATONISTA. 

GIL SANTOS

 

XI ULTRA TRAIL SICÓ 2020 57KM.jpg

III grande trail das lavadeiras 2016.jpg

Equipa ARCD venda da luisa 2019.jpg

 

11
Jul20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Para aproveitar este belo mês de verão, deixo-vos mais um "episódio" desta rubrica fixa de entrevistas para vos dar a conhecer mais atletas e a sua realidade.

Como a fonte é inesgotável bem perto de mim, trago-vos mais um elemento da minha equipa, a ARCD Venda da Luísa.

No entanto, não é esse o fator determinante para vos trazer aqui a história do Rui Monteiro. Existem outros, na verdade. Desde logo, porque o Rui transpira sociabilidade. É talvez o elemento mais extrovertido, comunicativo e divertido da equipa, não desfazendo de ninguém. Procura sempre gerar bom ambiente, brincadeira e é um facilitador de integrações.

Na prática, conheci-o pessoalmente por intermédio do Zé Carlos, mas não deixa de ser curioso que foi ele a primeira pessoa a "indicar-me" boleia para a minha primeira prova como laranjinha.

No entanto, o Rui não se resume apenas a boa disposição. Vejo nele um grande poder de integração e um elemento congregador, características sempre muito importantes no seio de uma equipa com tantos elementos.

Apesar de, na minha opinião, nem sempre transparecer isso, este rapaz tem um potencial enorme. A meu ver, precisa de o aplicar, mas a paixão que revela por este desporto e por um bom convívio já são meio caminho andado.

Mais do que ser eu a descrevê-lo, devem ser vocês a ter uma noção vossa da boa pessoa que é.

Fiquem, pois, com o Rui Monteiro.

 

  • Nome

Rui Monteiro

Ultra trail dos Abutres 2020 55km.png

  • Idade

29 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Não sei precisar, mas para aí desde 2015

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida a pé no monte (o chamado trail) 

100 km Abrantes 2019 - Aqui cerca de 65 km, antes

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Gosto de tudo, mas prefiro longas/ultras.

  • Na atual equipa desde

Desde 2016.

  • Volume de treinos por semana

Treino 6/7 dias por semana, depende daquilo para que me estou a preparar.

Trail encosta do Mondego 2019 25km - Cansado no fi

  • Importância dos treinos

Os treinos são a base de tudo, sem eles não há nada, pelo menos em distâncias longas/ultras/endurance.

  • Se tem ou não treinador

Não tem treinador.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Para além de muito mais gente, acho que há coisas boas e menos boas. As boas são que há mais gente, existe espírito de entreajuda entre praticamente todos, os eventos tornam se melhores e com maior importância, muita gente quer superar-se a si própria e isso pode levar a coisas menos boas, já que "saltam" etapas sobretudo de distâncias. Ou seja, a meu ver, tem de se ir progredindo, um passo de cada vez, correndo o risco de, para além de não gostar, ainda acartar lesões que podem colocar em causa a continuação da atividade física.

Sico 2020 57km - Primeira ultra da Jéssica, na qu

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Existem algumas, mas uma que me marcou foi logo na primeira prova que fiz, no Trail de S. Martinho na Ega em 2016, em que numa descida bastante acentuada passou um atleta por mim e caiu uns metros minha frente de forma muito violenta que lhe abriu a cabeça, quando cheguei ao pé dele estava a revirar os olhos, foi algo que me marcou muito. Outra foi nos 65km da Serra da Freita em 2019, ia com um grupo de amigos, chegamos a uma aldeia, estávamos todos a falar numa "uma cerveja agora é que era" a primeira pessoa que vimos a sair de uma casa, onde eu pergunto se havia um café aberto, na qual o senhor responde "sou dono de um, e vou abri-lo agora, é ja ali em cima" chegamos na hora H hehehe. 

  • Aventura marcante

Sem dúvida, os 100 km de Abrantes. Primeira ultra de 3 dígitos, até agora foi a que mais me marcou sem dúvida. 

Oh Meu Deus 2017 40km - Primeira prova longa, não

  • Participação em prova mais longa

 100 km de Abrantes. 

  • Objetivos pessoais futuros

Existem alguns, desde um que foi cancelado (o objetivo seria fazer os 146 km da Ultra Maratona Caminhos do Tejo), a outros que ainda estão no segredo dos Deuses (sorrisos).

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Acho que muitos recordes vão ser batidos, algumas coisas vão mudar para melhor, alguns eventos vão acabar, ficando apenas os "bons".

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Vejo-me melhor do que estou hoje fisicamente (assim espero).

Mondego Ultra Trail 2019 22km - Prova onde fui de

 

Deixo-vos este extra - a descrição das fotos na "voz" do próprio:

Foto 1- Ultra trail dos Abutres 2020 55 km 

Foto 2-  100km Abrantes 2019 - Aqui cerca de 65 km, antes de levar com a marreta 

Foto 3-  Trail encosta do Mondego 2019 25 km - Cansado no final da prova, pois no dia antes tinha estado no Marão a ajudar o amigo Fantástico a fazer o everesting 

Foto 4- Sico 2020 57 km - Primeira ultra da Jéssica, que tive muito orgulho de acompanhar de inicio ao fim, fica na memória

Foto 5- Oh Meu Deus 2017 40 km - Primeira prova longa, não foi ultra, mas era dura

Foto 6- Mondego Ultra Trail 2019 22 km - Prova onde fui de vassoura

04
Fev20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

1.JPG

Foto: o João no final da primeira prova (Mini da Ponte 2006)

Em mais um "episódio" de entrevistas a atletas que, de alguma forma, me marcaram neste percurso, trago-vos o João Lima, que, desde logo, podem conhecer melhor e de forma mais continuada aqui: http://joaolimanet.blogspot.com .

Conheci o João por mero acaso. Primeiro, encontrei o seu blogue quando ainda estava a dar os primeiros passos neste canto do Sapo. Fiquei surpreendido pelo trabalho exaustivo, chegando ao ponto de apresentar uma calendarização de provas a nível nacional. Só uma pessoa com um nível elevado de paixão consegue e se predispõe a fazer tal coisa.

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Foto: a comandar um grupo de atletas em Constância 2011 no percurso que mais aprecia para provas de 10 km

Depois disso, uma vez mais acidentalmente, encontrámo-nos pessoalmente na maratona de Aveiro. Numa daquelas idas nervosas ao Wc antes da prova, sinto um toque nas costas e lá tivemos o primeiro momento de troca de ideias. Como já sabia do blogue, o João é uma boa pessoa de verdade.

Assim é de facto, que não se coibiu de me incentivar quando nos cruzamos em plena cruzada de 42 km.

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Foto: no final da primeira Maratona com o extenso e incansável grupo que o apoiou durante a prova!

Meses mais tarde, na meia maratona de Leiria (outubro), outra vez de forma acidental, acabámos por conversar muito mais tempo, por trocar medos e expetativas para a maratona do Porto (em novembro) e ainda tive o privilégio de aquecer com o João. 

No dia da maratona, já com este pedido de entrevista feito, sem contar com isso, lá dei de caras com o João. Mais um motivo para umas belas fotos de recordação e para tentar, sem sucesso, que deixasse o nervoso miudinho que o "assombrava".

E, no fundo, antes de passar a palavra ao João, diria que o que mais aprecio na sua personalidade é a enorme paixão pela corrida, a sua bondade e generosidade na hora da partilha e de transmitir conhecimentos aos mais novos e, como se não bastasse, o respeito (e nervos) que tem perante cada prova. E estamos a falar de um "veterano" nas maratonas.

Fiquem, pois, com o João Lima:

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Foto: a sua fotografia preferida! Sevilha 2014 (ler “aventura marcante”). Só ele sabe o que estava a passar de felicidade nesse momento

  • Nome 

João Lima 

  • Idade

59, a menos de 4 meses de mudar para o escalão M60 e natural de Tomar 

  • Equipa 

4 ao km, uma equipa de amigos 

  • Praticante de atletismo desde

Em Junho de 2005 comecei a dar umas corridinhas no Passeio Marítimo de Oeiras. A primeira vez, fiz 1800 metros e julguei que o coração e pulmões saltavam boca fora. No dia que cheguei aos 3 km foi uma alegria. Depois andei muito tempo com 4,6 km (era na altura ida e volta no referido passeio onde corria de 3 em 3 dias). No final do ano, vi numa publicação da Câmara de Oeiras uma notícia sobre a Corrida do Tejo. Pensei que seria giro participar mas tinha uma muito longa distância de 10 km! Idealizei que se todos os meses fosse subindo uns 500 a mil metros, conseguiria chegar lá. Mas no início de 2006 um colega mostrou-me um folheto para a Mini da Ponte com 7 km. Entusiasmei-me com a hipótese de passar a ponte a correr e inscrevi-me. Quando disse que ia à Ponte, um outro colega perguntou-me se ia à Meia ou Mini. Respondi, convicto, “Mini! Meia não faço nem nunca farei!” Efetivamente, na altura os 10 pareciam-me o máximo dos máximos e já seriam uma coisa brutal. Na feira da prova, recebi um folheto para a Corrida da APAV a disputar passadas 2 semanas. Inscrevi-me e quando dei por mim, estava bem dentro das corridas, tendo neste momento participado em 463, das quais 13 Maratonas e 65 Meia-maratonas (estreei-me na Meia da Ponte, exatamente um ano após julgar que nunca faria uma distância dessas…). 

6.jpg

Foto: com a nossa bandeira a cortar a meta na Maratona que sempre sonhou um dia realizar, Paris 2015

Além da corrida, mantenho uma base de dados de resultados de provas portuguesas, bem como o (extenso) calendário anual. Esse trabalho é algo que faço há 10 anos e nasceu da necessidade de preservar os resultados, verdadeiro património das nossas corridas, pois de ano para ano a esmagadora maioria das classificações perdia-se. Assim, guardando-as no meu servidor, ficam disponíveis 24 horas por dia, 365 dias ao ano ao sabor dum simples clique. Neste momento estou quase nas 10 mil classificações, algumas bem antigas como a da primeira Maratona realizada em Portugal, a única ainda em monarquia (2 de Maio de 1910). 

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida em estrada 

  • Prefere curtas ou longas distâncias

De 10 km para cima, com especial gosto em Meia-Maratona e uma paixão arrebatadora na Maratona 

  • Na atual equipa desde

A sua criação, agosto de 2011. Fui um dos 4 fundadores e sou o seu responsável. Por sermos 4, ficou o nome de 4 ao Km, que não tem a ver com velocidade mas que gera algumas situações caricatas em provas, com pessoal que ainda não conhece a equipa dizendo “isso não é a 4 ao Km” ao que costumo responder por piada coisas como “é sim, é a 4.90 ao km (se vou por exemplo a 5.30)” ou “é mais IVA”. Aliás, na única edição da Corrida Nauticampo no Parque das Nações (2012), passei por 3 raparigas que, ao terem dito que não ia a 4 ao km e eu tendo respondido que era com IVA, uma disse “Não, não! Aqui não há IVA!”. Ora estávamos em pleno período da troika, fiquei muito sério e respondi “Estão a dizer para fugir aos impostos?!? Olhem que é por causa disso que o país está como está!”. Bom… elas ficaram espantadas a olhar para mim como quem pensa que eu estaria mesmo a falar a sério. Aí ri--me, desejei-lhes boa prova e prossegui. 

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Foto: com os bons amigos Sandra, Nuno e João Branco, Corrida do Tejo 2015. A corrida deu-lhe grandes amigos

  • Volume de treinos por semana

Treino 5 vezes por semana. Em relação à quilometragem, vai variando conforme as semanas, mas no final de cada mês dá normalmente entre 210 a 220 km, mais em período de preparação para Maratona, sendo a maior quilometragem já registada de 276 km neste Agosto. Irei terminar o corrente ano na casa dos 2500 km. 

  • Importância dos treinos

Fundamental!!! A forma é a coisa mais ingrata que existe. Batalha-se, batalha-se e basta um pequeno tempo sem treinar e ela eclipsa-se. Há quem possa estar uns dias sem correr que não nota nada de especial, no meu caso é muito penalizador para a forma. Tudo o que se consegue numa corrida, tem por trás o que se foi fazendo nos treinos e a inteligência como se treinou. 

  • Se tem ou não treinador

Nunca tive. Fui aprendendo com o que via, lia e ouvia de outros atletas e treinadores. Ao fim de um certo tempo, aprendi a ler o meu corpo e suas sensações e, baseado nisso, crio os meus próprios planos de treino. Não me tenho dado mal, antes pelo contrário. Se poderia ser melhor com treinador? Hum…provavelmente sim. Mas assim, quando alcanço um objectivo, venço por duas vezes, como atleta e como auto-treinador… 

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Foto: Sevilha 2017 e a felicidade por bater o seu recorde em Maratona (que se mantém)

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Em comparação quando comecei a participar em corridas (2006), assiste-se a um positivo crescimento de tecnologia que vem ajudar em vários aspetos, como maior rigor nas tomadas de tempo, com generalização de chips que há 13 anos não estavam assim tão espalhados como hoje, maior divulgação aproveitando a Internet e diversas plataformas digitais e uma expansão e maior profissionalização de diversas entidades organizadoras. Durante este período deu-se também uma revolução com a criação do conceito trail, na altura apenas existiam corridas de montanha com certas diferenças para este tipo de provas, algo que tem aumentado a oferta de forma impressionante. Outra grande diferença é que os portugueses perderam o medo à distância e temos cada vez mais maratonistas. Mas a que considero a maior e mais saudável diferença, tem a ver com a participação feminina. Quando me iniciei, a percentagem de atletas femininas situava-se entre os 3 e os 6%, enquanto actualmente na maioria das provas anda pelos 20%, ainda longe das médias de alguns países mas a aumentar.  

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Foto: a cortar a meta em Valência 2018, uma Maratona impressionante e cujo entusiasmante final é de colocar qualquer um louco de alegria, como se constata!

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Algumas. Desde uma senhora de idade a insultar os atletas gritando que as corridas eram uma merda, ao que gritei “desporto é saúde” e a senhora querer vir atrás de mim para me bater com a sua bengala, a estar a treinar numas férias que por acaso eram um dia de greve e um carro aproximou-se abrindo o vidro (o que sucede algumas vezes para pedir alguma indicação de rua) mas quando me aproximei, o senhor (que provavelmente estava danado por vir de alguma repartição fechada) gritou em fúria “grevista de merda!” e arrancou (esquecendo-se que além de poder efetivamente estar em greve, poderia estar de férias, desempregado, trabalhar por turnos ou horário diferenciado, etc), a engasgar-me numa corrida por engolir uma mosca ou então por falha da organização, fazer 23 km numa Meia, ao que a minha mulher apelidou “duma meia até aos joelhos”! 

  • Aventura marcante 

Sevilha 2014! Tenho muitas provas que foram especiais mas nada como esta. Tenho 13 Maratonas concluídas mas parti em 14. Na que teria sido a minha 2ª, a Cascais-Lisboa 2013, fui forçado a desistir aos 15,5 por um problema físico completamente impeditivo de continuar, o que foi uma experiência muito dura. Seguiu-se Sevilha 2014 mas 5 semanas antes apanhei uma infeção pulmonar que me obrigou a parar. E se em Maratona é necessária muita resistência, não esquecer que ela vem dos pulmões. Recomecei a treinar mas fraco. Duas semanas antes tentei 24 km mas andei mais do que consegui correr. Basicamente, não tinha força mas não estava preparado para ter um novo DNF. A semana anterior foi terrível com a inevitável sombra da desistência. Mas ia tentar. Mais valia desistir por ser impossível continuar do que nem sequer tentar. Ficou na memória de todos como estava no pequeno almoço no dia da prova, isto para já nem falar do que a minha mulher teve de aturar nessa noite. Sentia-me impotente para evitar o que seria para mim outra dura derrota. Mas…na altura de ir deixar o fato de treino no carro, e ao sentir o ar frio, algo mudou em mim. Mudei do estado de derrotado para um outro que nem sei definir. Conclusão, fiz a que considero a corrida da minha vida e ao mesmo tempo a mais feliz, divertida e emocional. Costumo dizer por brincadeira que devo ter sido tocado por alguma fada das corridas por mais pareceu magia. Mas a magia veio toda do meu desejo de completar o desafio. E nesse dia, com 2 Maratonas no currículo, sinto que ganhei carreira de maratonista pois se tivesse desistido pela 2.ª vez em 3 tentativas, não sei se teria continuado a tentar a distância, eu que era para ter feito apenas uma. E o que teria perdido!     

10.JPG

Foto: com os grandes amigos Isa e Vitor na Corrida do Bodo 2019, a brincar antes da prova com a placa que faz alusão ao nome da nossa equipa

  • Participação em prova mais longa

Por 13 vezes em Maratona. Lisboa 2012, Sevilha e Porto 2014, Paris e Cascais-Lisboa 2015, Barcelona e Porto 2016, Sevilha e Porto 2017, Valência 2018, Sevilha, Aveiro e Porto 2019   

  • Objetivos pessoais futuros

Continuar sempre a correr com o mesmo prazer que tenho desde o início. Em termos de provas, os grandes objectivos são em Maratona, tendo planeado em 2020 Madrid e Málaga, 2021 Aveiro e Loch Ness e tentar o sorteio para Berlim 2022. Isto para já. Em termos meramente utópicos, gostava de fazer uma Maratona aos 100!! 

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Basicamente semelhante, mas gostava que houvesse um maior controlo para evitar os batoteiros. De realçar a recente medida da RunPorto ao desclassificar e publicar a lista dos “corta-caminhos” e das “mulheres com barba” na Maratona do Porto, avisando que no futuro irá começar a impedir a participação de atletas que sejam apanhados nas mesmas condições. Espero que seja um primeiro passo a ser seguido por mais organizações   

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos 

A mudar para o escalão M65, forçosamente (ainda) mais lento, mas sempre com o mesmo prazer de corrida. Assim haja saúde!  

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Foto: Porto 2019, uma Maratona tão sofrida mas com uma enorme felicidade na meta por ter resistido

11
Jan20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

1.º trail – Trail Santa Catarina 2014 – Vila

Foto: 1.º Trail - Trail Santa Catarina - 2014 - Vila Nova de Famalicão

Hoje trago-vos uma pessoa em quem vejo uma verdadeira alma guerreira.

A nível pessoal, penso que nem ela imagina o quanto contribuiu a dada altura para a minha felicidade privada, apoiando um projeto que ainda não tinha pernas e que só as viria a ter meses mais tarde.

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Foto: V Trail Viver Pereira - 2016

De certa forma, gosto de pensar que é justo valorizar o seu talento aqui. Em termos desportivos, é uma autêntica guerreira. Impressiona-me pelos desafios a que se presta em trails e julgo que o facto de ter uma paixão tão grande pela corrida idêntica à minha (ela no trail, eu na estrada) me leva a admirar o seu trabalho e a sua sede de novos desafios. Como poderão aferir mais abaixo, é uma adepta inveterada de desporto, o que, desde logo, merece todo o tipo de elogios.

Penso que as respostas dela vos darão uma ideia bem precisa da valia humana e desportiva de uma pessoa como a Elza.

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Foto: VI Trail de Conímbriga Terras de Sicó - 2017

É, pois, chegado o tempo de conhecerem a Elza

  • Nome

Elza Cordeiro

  • Idade

46

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

2012. Fui parar ao atletismo um pouco por acaso. Sempre fiz desporto, na minha adolescência o desporto que fazia era andar de bicicleta. Mais tarde e durante algum tempo fiz aeróbica e step, até que descobri a hidroginástica e fiquei rendida. Até ser mãe, e mesmo grávida, fazia hidroginástica 3 vezes por semana. Com a maternidade, as rotinas alteraram-se completamente e os horários deixaram de ser compatíveis com os horários da hidroginástica, foi nesta altura que descobri a corrida. A corrida tinha vantagens, pois podia ir a qualquer hora, ou seja, não havia um horário de treino a cumprir.

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Foto: FK Trail - 2017

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida em montanha, vulgarmente conhecida por Trail Running. Foi através de uma prima, que também é praticante de trail running, que tive contacto com a corrida em montanha. Claro está que fiquei apaixonada. Correr na montanha não tem qualquer semelhança com as corridas de estrada. Na montanha há muitos obstáculos que temos de ultrapassar, não é “correr a direito” como em estrada. Há trilhos muito técnicos, alguns até bastante perigosos, mas com paisagens de sonho, que de outra maneira seria difícil conhecer. Há também muito mais companheirismo e entreajuda entre os atletas. Durante uma prova corremos, mas também conversamos, e muito. Corre-se muito com as pernas, mas também com a cabeça. Claro que também há competição, mas a competição por norma não é o mais importante. Não esquecer que há que ter muito respeito pela montanha. É ela quem manda.

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Foto: Coimbra Trail - 2018

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Prefiro as longas distâncias. Fiz a minha primeira prova em setembro de 2014, foram 10 km. Confesso que nos dias anteriores a esta primeira prova andei um pouco ansiosa. À época, 10 km para mim eram uma enormidade. Completei a prova com sucesso, e gostei tanto que em fevereiro de 2015 já estava a fazer a minha primeira prova acima dos 20 km, o Trail de Conimbriga Terras de Sicó. Andei pela distância de 20/30 km até 2017, onde em janeiro me aventurei a fazer os 33 km do famoso Trail dos Abutres. Até setembro de 2018 mantive-me nas provas cuja distância rondava os 25/35 km. Em setembro de 2018 ultrapassei a barreira dos 35 km e fiz a minha primeira ultra, foram 43 km no Coimbra Trail. Fiquei rendida à distância acima dos 40 km. Nestas distâncias são precisas pernas, treino, mas também é preciso muita resiliência, muita capacidade para ultrapassar as dificuldades e adversidades que vamos encontrando ao longo do percurso. É preciso muita cabeça. Entretanto na época que terminou, 2018/2019 fui finisher no Circuito de Ultra Trail da ATRP, que para quem não sabe é um circuito de provas, 4 provas, cuja distância de cada uma delas é maior que a distância da maratona. Este circuito da ATRP é um campeonato realizado a nível nacional.

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Foto: Mondego UltraTrail - 2018

  • Na atual equipa desde

Época 2017/2018

  • Volume de treinos por semana

3 corrida e 2 reforço em ginásio

  • Importância dos treinos

Os treinos são cruciais para atingir os objetivos, ou seja, para conseguirmos completar o percurso a que nos propomos fazer com sucesso e para evitar lesões;

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Foto: Estrela Grande Trail - 2018

  • Se tem ou não treinador

Para os treinos de corrida não tenho treinador, vou correndo umas vezes sozinha, outras em grupo. Na parte do reforço muscular, tenho apoio de um treinador que vai orientando os treinos tendo em conta o meu propósito que é o de conseguir fazer distâncias acima dos 42 km em boa preparação física. Nestes treino de reforço treino a força e a resistência.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Como o atletismo entrou um pouco “tarde” na minha vida, não consigo identificar diferenças entre o atletismo passado e o actual.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Além de às vezes irmos treinar para o monte e de já ter acontecido termo-nos perdido, ao longo destes 7 anos, não tenho nenhuma história engraçada para contar.

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Foto: Piódão Trail Running - 2019

  • Aventura marcante

VII PIODÃO TRAIL RUNNING: foi sem dúvida a minha maior aventura. Foi a minha primeira prova acima dos 43 km. Foram 50 km debaixo de condições atmosféricas extremas: com trovoada, chuva intensa, granizo, nevoeiro e um forte nevão (foi o maior nevão do ano na aldeia de Piódão) que rapidamente apagava as marcas deixadas pelo atleta que ia cerca de 50 m à nossa frente e as condições meteorológicas eram de tal maneira adversas que não conseguíamos distinguir se era homem ou mulher. Foi uma prova feita em equipa e foi o ter sido feita em equipa que contribuiu para termos conseguido, tendo em conta aquelas condições, ser finishers. As condições eram tão más que a organização não permitiu que ninguém iniciasse a prova sem calças térmicas ou impermeáveis, bem como sem impermeável.

  • Participação em prova mais longa

VII PIODÃO TRAIL RUNNING, 50 km com 3000D+ (nota: desnível positivo)

 

  • Objetivos pessoais futuros

Em 2020 gostava de fazer os 57 km do TRAIL DE CONÍMBRIGA TERRAS DE SICÓ, e em 2021 os 67 km do Ultra Trail Serra da Freita.

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Foto: Trail Abrantes 100 - 2019

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Há cada vez mais pessoas a aderir ao atletismo, penso que é uma atividade que terá tendência para crescer. Em termos de trail, neste momento, há inúmeras provas todos os fins de semana, mas pela seleção natural apenas irão sobreviver aquelas a que vale mesmo a pena ir, quer pela beleza dos trilhos, quer pela organização.

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Foto: Trail dos Abutres - 2018

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Daqui a 5 anos continuo a ver-me como praticante de trail running, já estarei num novo escalão, no escalão F50. Quando mudasse de escalão, gostava de fazer uma prova de trail de 3 dígitos, o chamado Trail Endurance. Acho que é um grande teste à nossa capacidade de resistência e resiliência. Em provas longas eu costumo dizer que 20% é pernas e 80% é cabeça, e no Endurance Trail esta relação é ainda mais evidente.

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Foto: Trail do Zêzere - 2016

  • Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias? 

Acho que cada vez há mais mulheres no atletismo, é uma atividade desportiva que está em crescimento. Nas provas de grandes distâncias, há também cada vez mais atletas femininas, neste caso, os escalões com mais atletas são os acima de 40 anos. Como já referi, as provas de longas distâncias colocam à prova a nossa capacidade de resiliência, a nossa capacidade de lidar com as adversidades, e aos 40 anos, já passámos por algumas adversidades próprias da vida que nos dão capacidade de as ultrapassar e de as conseguir ultrapassar com sucesso, ou seja, sem desistir. Aquilo que é verdade para a nossa vida também se aplica numa prova de longa distância, onde muitas vezes fazemos quilómetros completamente sozinhas, em que só contamos connosco, em que temos de ir em modo de autossuficiência e em que desistir não faz parte do nosso vocabulário.

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Foto: Trail Ultra Douro e Paiva - 2018

  • Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Penso que não. Se há, ainda não dei por elas. As provas são as mesmas, únicas, tanto para homens como para mulheres, ou seja, com a mesma distância e com o mesmo grau de dificuldade.

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Foto: Mondego Ultra Trail - 2016

11
Dez19

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

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Foto: Castellum Trail em Alcabideque

É difícil saber por onde começar neste caso.

Hoje trago-vos um grande amigo, daqueles que nem as peripécias da vida levam e, por isso, não quero entrar em sentimentalismos, até porque virá aí amanhã mais um texto sobre este caríssimo.

Já o conheço há muitos anos, quase desde os primórdios, mas foi a corrida, mais concretamente os trails, que nos fez reencontrar.

Em jeito de balanço para as linhas que se seguirão abaixo, digo-vos que o Filipe Coelho, membro fundador da equipa Gatinhos Assanhados (que grande nome - uma equipa de gatos fundada por um coelho!!!), se tornou ultramaratonista em 2019. Uma brincadeira da vida que o pôs a treinar para uma prova daquela envergadura, mas que me deixou muito orgulhoso enquanto seu amigo.

Vamos, pois, conhecer o Filipe na primeira pessoa:

  • Nome

 Filipe Coelho

  • Idade

 30

  • Equipa

 Gatinhos Assanhados Trail Running

  • Praticante de atletismo desde

 2014

  • Modalidade de atletismo preferida

 Trail

  • Prefere curtas ou longas distâncias

 Distâncias Curtas até 25 km até porque tenho pouca experiência em distâncias maiores

  • Na atual equipa desde

2015

  • Volume de treinos por semana

2 Treinos

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Foto: Trail Ares do pinhal em Mação

  • Importância dos treinos

Os treinos são importantes sobretudo para quem procura evoluir, mas ainda mais importantes para evitar lesões.

São uma oportunidade para experimentar e testar o corpo e antecipar a adversidades que poderão surgir em prova.

  • Se tem ou não treinador

Sem treinador

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Penso que as principais diferenças estão nas distâncias percorridas, se antigamente apenas uma minoria seria capaz de fazer por exemplo uma meia maratona, hoje em dia parece algo super acessível a quem se prepare minimamente.

Uma grande diferença está também na participação de atletas femininas em provas, cada vez são mais as praticantes de um desporto que antigamente era apenas masculino.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Lembro-me de uma bastante engraçada no trail de Cernache, ía jurar que tinha visto que a prova iniciava às 9h30 e, como sempre, chegámos em cima do acontecimento. Fomos diretos para a linha de partida para junto dos restantes atletas. Quando me apercebo que, além de haver imenso espaço junto à linha de partida, ninguém tinha dorsais…Conclusão estávamos na caminhada, pois a corrida ja tinha partido há coisa de meia hora! Chateado, já estava a vir embora, mas por insistência do meu colega de equipa arrancámos na mesma e fizemos o trail. Foi bastante engraçado pois o objectivo deixou de ser fazer a prova em X tempo e passou a ser ultrapassar X atletas. Acho que me vou atrasar mais vezes de propósito.

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Foto: Trail do Infante em Penela

  • Aventura marcante

Sem dúvida ter entrado este ano no Ultra Trail dos Abutres, até porque nunca tinha feito uma distância superior a 30 km. Inscrevi-me na brincadeira juntamente com alguns membros da minha equipa (nunca pensei que fosse selecionado) e não sabia sequer se iria conseguir terminar a prova dentro do tempo regulamentar. Felizmente correu tudo bem… o corpo respondeu bem para aquilo que foram os treinos, o que me permitiu acabar a prova que era o grande objectivo.

  • Participação em prova mais longa

Este ano no Ultra trail dos Abutres 44,5 km.

  • Objetivos pessoais futuros

Ser finalista da prova de 52 km do Ultra Trail terras de Sicó do ano que vem.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Gostaria daqui a 5 anos de estar a fazer mais provas de ultra trail...talvez duas ou três por ano, e sempre na melhor equipa de mundo! Gatinhos Assanhados Trail Running!

 

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Foto: Chegada à meta no Trail dos Abutres em 2019

 

30
Nov19

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

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Foto: Trail MIUT (Madeira), 42 km em 2018

A pessoa que vos apresento hoje neste espaço chama-se Carla e é minha colega de equipa. Só a conheço há um ano, mas posso dizer, sem quaisquer problemas, que é das pessoas por quem mais sinto empatia. É daquelas coisas que não se explicam, mas o facto de ela ser muito simpática e comunicativa é, sem dúvida, um elemento que me cativa.

Além disso, embora não conhecesse o seu desempenho anteriormente, tem "ar" de guerreira. Dá-me a sensação que, do ponto de vista desportivo, atravessou uma fase menor crença nas suas capacidades. Depois de ter "renascido das cinzas", a Carla é hoje uma atleta que transpira confiança e é isso que mais me surpreende. Quer tenha sido com ajuda de familiares, amigos ou treinadores, quer tenha sido por "vontade própria", é agora alguém que "voa" em provas duríssimas e que, por isso, posso afirmar, me enche e à equipa ARCD Venda da Luísa de enorme orgulho.

A juntar à festa, reúne algumas características parecidas às minhas e também sofre com ansiedade antes de provas duras, grandes e importantes. 

Vamos, pois, conhecer a Carla na primeira pessoa:

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Foto: Primeiro Ultra trail no Ultra Trail de Sicó (Conímbriga)

  • Nome

Carla Patrícia Romeiro

  • Idade

45

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Sempre gostei de praticar desporto, apesar de não ser numa vertente “séria”, no fundo, sempre gostei de movimento. Quando era miúda/adolescente tinha apenas a rua para brincar com as minhas amigas, algumas bonecas, uma bicicleta e pouco mais. Na escola inscrevia-me sempre nos corta--matos. Agora, assim atletismo, dito desta forma séria e a praticar com alguma regularidade, só mesmo desde 2015.

  • Modalidade preferida

Não desfazendo de todas as modalidades existentes, a minha predileta, de eleição, sem dúvida, é o Trail Running. Desconhecia por completo esta vertente do atletismo, até que, através do meu primo Sérgio Lúcio, que era um adepto e praticante desta modalidade, descobri a sua existência. Foi ao ler as publicações que ele fazia que me despertou a curiosidade e vontade de experimentar, receosa claro, pois, para mim correr 10 km era quase um limite intransponível.

  • Prefere curtas ou longas distâncias

No início, quando comecei esta aventura, jamais me passaria pela cabeça realizar uma prova de Ultra Trail. Era quase surreal, algo extremo. No entanto, fui aumentando gradualmente as distâncias das provas até que experimentei os 54 km do Sicó, distância mais longa feita até agora. Fiquei fã e hoje prefiro, sem dúvida, alguma as longas distâncias. Fazer uma longa distância em Trail funciona para mim como uma terapia e as provas longas dão-nos esse privilégio, raramente vou com o tempo contado. Tenho tempo para pensar em tudo e em nada, chegando ao final com a mente limpa, ou quase limpa. Tenho tempo de “panicar”, de acalmar, de morrer e ressuscitar. Tenho tempo de fazer novas amizades, de conversar e de conhecer os meus limites.

  • Na actual equipa desde

2017

  • Volume de treinos por semana

5/6 treinos (dependendo da vontade)

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Foto: Trail UTAX, 25 km em 2016

  • Importância dos treinos

Os treinos são importantes para que mantenhamos o corpo activo. Os nossos músculos funcionam como se tivessem cérebro e para tal precisam de ser estimulados e treinados para que o nosso organismo não sinta um choque demasiado grande ao ter de enfrentar distâncias e dificuldades maiores ao que se está habituado.

Quando se pensa em realizar provas mais exigentes, ou tentar atingir um patamar mais elevado, considero que deve existir um plano de orientado e trabalhado especificamente para tal, de acordo com o objectivo de cada um, para se poder evoluir, melhorar e evitar lesões.

No meu caso, a existência de um plano de treino ajuda-me a ser disciplinada, a sentir-me “responsabilizada” a ter de treinar, porque às vezes nem apetece, está frio, está calor, etc . E também porque me permite ter outra dinâmica, outra performance quando participo em provas, evitando que as termine com a sensação de frustração, exaustão e desgaste superior ao necessário.

  • Treinador

Acho que treinador não é bem o termo, porque para mim treinador é aquela pessoa que acompanha pessoal e presencialmente os nossos treinos. Mas tenho um “orientador”, o Miguel Baptista da WRT Running coach, excelente profissional, amante do Trail, que me organiza os planos de treino, me “puxa as orelhas” sempre que necessário e que, principalmente, me ajuda a melhorar todos os dias, treino após treino.

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Foto: 42 km no MIUT

  • Diferenças existentes entre atletismo passado e actual

Nunca pratiquei outro tipo de atletismo anteriormente. Não faço ideia de como era no passado, mas, pelo que via, o atletismo tinha muito poucos adeptos praticantes, principalmente de trail. Hoje em dia, e há cerca de dois anos a esta parte, há uma emancipação da modalidade, principalmente, devido à organização de pequenos grupos que se juntam para correr pelas ruas e também a um grande aumento de realização de provas. Apesar de a modalidade de trail não ser recente, só há pouco tempo é que começou a ganhar adeptos, e na minha opinião funciona um pouco por modas.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Acho que não tenho… não me lembro...só se forem as vezes em que me perco durante um prova porque vou sempre no mundo da lua.

  • Aventura marcante

A maior parte das provas que realizei marcou-me de uma forma ou de outra. Na sua maioria, pela positiva. Pelos locais por onde passei, pelas experiências durante a sua realização, pela capacidade de superação e de evolução. A minha primeira prova de 25 Km, o UTAX, foi uma realização, foi o atingir de algo que pensava ser intransponível, mas, sem dúvida, houve uma que me marcou mais: foi o Trail do Piodão em 2019, distância de 52 Km, com condições climatéricas adversas, muito frio, neve, granizo e trovoada.

Quando tenho uma prova assim, um pouco mais longa, por norma, costumo ficar com “borboletas na barriga”, ouço os comentários de outros atletas acerca da prova e começo a pensar nas dificuldades e tudo me parece medonho. No Piodão, este ano, devido às condições climatéricas que se faziam sentir nesse dia, entrei em pânico interiormente. Morria de medo de entrar em hipotermia e de ter de desistir. Durante toda a prova apanhámos mau tempo, trovoada, queda de granizo, vento muito forte, nevoeiro cerrado e neve. Os últimos 10 km foram feitos com muita queda de neve e não se conseguia ver mais de 1 metro à nossa frente. Deixei mesmo de sentir as mãos. Foi de facto uma prova desafiante. Um desafio ao medo e à superação.

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Foto: Trail de 25 km em São Miguel, Açores

  • Participação em prova mais longa 

Ultra trail de Conimbriga 54 Km

  • Objetivos pessoais futuros:

Inscrevi-me novamente na ATRP e pretendo fazer o campeonato Ultra, não com qualquer tipo de objectivo competitivo, mas simplesmente para concluir. Quero desfrutar das provas, de preferência, diferentes das anteriores. Quero superar-me a cada prova, a cada participação. Quero tentar ultrapassar limites que para mim possam ser intransponíveis. Gostava muito de fazer uma prova de 3 dígitos, acho que a maioria de nós mais tarde ou mais cedo quer realizar, mas a longo prazo . Para já, talvez fazer uma prova no país vizinho, uma daquelas que nos faz “panicar” a sério.

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Daqui a 5 anos espero ver muito mais gente a praticar esta modalidade, mesmo que seja só por hobbie. É sinal que as mentalidades estão em plena mudança para uma vida saudável e ativa.

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Foto: 35 km no Trail de Santa Justa

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

(Gargalhada) Daqui a 5 anos, entro no F50 (feminino, 50 anos). Espero continuar a correr, fazer provas marcantes, épicas, não com grande velocidade…mas também desejo muito continuar ativa e ser exemplo para muitas pessoas. Há uns anos conheci (não pessoalmente) uma senhora, que entretanto já faleceu, e que aos 70 anos ainda praticava trail endurance. Ela tinha uma disposição fantástica, via o trail com uma simplicidade e adorava fazer longas distâncias. A Analice foi uma mulher que me inspirou e me despertou este desejo de superar a inércia. Portanto daqui a 5 anos, ainda sou uma menina (gargalhada) e gostava muito de ser como a Analice.

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  • Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?

Eu acho que o número de mulheres a fazer atletismo está a aumentar cada vez mais. No que se refere a provas de longa distância ou de endurance, de facto, o número é muito reduzido. Uma prova de longa distância/endurance não é feita por qualquer atleta, requer bastante treino, dedicação, e, como diz o Canais (elemento "veterano" da nossa equipa), uma grande percentagem de força psicológica (atributo que, valha a verdade, nós até temos bastante). Todos estes fatores são muitas vezes constrangidos pela indisponibilidade pessoal e familiar das atletas. Um facto é que o número tem tendência a aumentar e há muitas probabilidades de o sexo feminino vencer o masculino (sorrisos).

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  • Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Se existem, nunca me dei conta de tratamento diferenciado. Pode sempre existir, mas isso não é só no atletismo. Agora quando uma mulher participa numa prova, faz o mesmo percurso, a mesma distância e o mesmo grau de dificuldade que um atleta do sexo masculino. Não somos mais beneficiadas nem temos a vida facilitada por sermos do sexo feminino. E também nunca senti desprezo ou um tratamento inferiorizado por essa razão.

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Nov19

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

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Foto: Chegada à meta na Corrida 4 estações Venda da Luísa em novembro de 2018

Não desfazendo de ninguém, porque não é, de todo, o caso, a pessoa que vos apresento hoje é um verdadeiro exemplo, um "monstro" incansável de correr que, tal como eu, adora correr muito e sem destino. Conheci-o pouco tempo antes de fazer a minha primeira maratona, mas due para perceber que o ia venerar, não pelos títulos, isso pouco ou nada lhe interessa, mas pela pessoa que é e pelos conhecimentos que guarda dentro de si.

Ter feito aquela primeira prova mágica na sua companhia, aliás, desfrutando da sua boleia também, foi uma espécie de "benção". Não vos consigo transmitir com fiabilidade aquilo que sinto de cada vez que o ouço dizer que tenho "garra". Foi a pessoa que mais boleias me deu em tão curto espaço de tempo, nunca treinei com ele, o que é uma pena, mas tenho muito respeito por tudo o que correu e por tudo o que suportou em termos de saúde para ser admirado por todos. Na nossa equipa, ARCD Venda da Luísa, é conhecido por "The Special One". Porque acham que é?

A humildade não se finge. Ou se tem ou não. Ele tem na dose suficiente para perceber também que é um bravo.

O meu objetivo era dar a conhecer a sua história a poucos dias de mais uma maratona no Porto. Infelizmente, não estará presente, o que, sendo sincero, me deixou muito triste no momento em que me explicou por que razão afinal não poderia ir. Sinto que temos uma espécie de "clã", porque tanto ele como eu estamos sempre a tentar puxar mais colegas para correrem aquela distância mítica. O José já conseguiu "prender" o sobrinho Fernando, um porreiraço sempre bem disposto, e o Fábio, seu afilhado e um tipo bem às direitas. Já nem vale a pena dizer que o seu filho mais novo, que é andebolista, também já foi "pescado" para estas andanças.

Portanto, peço-vos que leiam abaixo quem é este homem que já leva 86 provas de fundo no currículo, entre maratonas e ultramaratonas. Apesar de não poder contar com a sua presença no Porto, é uma forma de o homenagear. Estão a ver aquele avô que se senta junto aos netos para lhes contar histórias do tipo "no meu tempo"? Nunca me canso de o ouvir. São tantas as aventuras que não há repetição possível.

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Foto: Final da EDP meia maratona de Coimbra em outubro de 2018

  • Nome

José Carlos Fernandes

  • Idade

55 anos

  • Equipa

Até 2009 - Clube de Veteranos de Viseu
Até 2017 - Abutres Running Team
Atual - ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Não tenho ideia mas sei que é desde muito cedo, talvez desde o secundário. Lembro-me de ir para o Fontelo em Viseu e correr com miúdos que treinavam com treinador para as Paraolimpíadas. Fazíamos perto de meia hora no sobe e desce do Fontelo e corríamos que nos fartávamos. O treinador deles deixava-me ir com eles para fora do estádio, pois queria que desfrutassem da sensação de correr à vontade sem circuito e cronómetro. Antes de ir para a tropa, fui Oficial Paraquedista e aí já gostava de sair de casa aos domingos de manhã e fazer umas voltas com cerca de 25 km.

 

  • Modalidade de atletismo preferida

 

Corrida em estrada, montanha ou serra. Para mim, a corrida de fundo e meio fundo é a modalidade que melhor permite relaxar e refletir sobre tudo e mais alguma coisa sem qualquer stress.

 

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Longas. Sem dúvida, porque prolonga o prazer da corrida e permite descansar o espírito. As longas permitem-nos também "desfrutar da viagem", "andar por lá", como dizia uma amiga minha também corredora por prazer. Sejam provas ou treinos longos, gosto de "andar por lá" e o tempo que por lá andamos permite-nos conhecer, ajudar, transmitir as nossas vivências e conhecimentos e absorver também conhecimentos de outros. Todos os dias aprendemos, seja connosco próprios, seja com os outros amigos.

  • Na atual equipa desde fevereiro 2017

Precisamente na prova dos 111 km do trail de Sicó com 4 grandes atletas da ARCD Venda da Luísa (o Marco Oliveira, a Célia Santos, o Carlos Canais e o Rui Mateus), que, com um enorme espírito de sacrifício e força de vontade, em quase 5 meses resolveram dar o salto de provas com cerca de 30 km para os 111 km na Serra do Sicó.

  • Volume de treinos por semana

3 a 4 por semana

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Foto: Trail do Infante em Penela

  • Importância dos treinos

A importância depende dos objetivos e do atleta. Não tenho como objetivo o pódio e corro por prazer, por esse motivo, para mim os treinos são importantes porque posso desfrutar mais quando corro.
É mais do que óbvio que são importantes para chegar aos resultados pretendidos, mas também é verdade que conheço pessoas que correm e não vão às provas, por isso os treinos são importantes, no meu entender, para nos manter ativos e apaixonados pelo prazer da corrida e para continuarmos a conhecer e a desafiar de forma sustentável, claro, o nosso corpo.

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Foto: Trail de Alcabideque, Castellum trail 2019

  • Se tem ou não treinador

Não tenho treinador. A conjugação dos objetivos pessoais com disponibilidade pessoal e familiar não é compatível com a existência de um treinador, seja ele presencial, seja sob forma de "treinador por correspondência" como está muito em voga hoje em dia.
Considero, no entanto, que tanto um tipo de treinador como outro trazem uma grande mais-valia a médio e longo prazo quando o atleta tem ambições que sem ajuda (do seu ponto de vista) possam ser mais difíceis de alcançar.
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Foto: Momentos que antecederam a maratona do Porto em novembro de 2018

  • Aventura marcante

Há muitas aventuras marcantes. Mencionar apenas uma seria de uma ingratidão enorme.
Os Caminhos do Tejo em 2010 foram espetaculares pela convivência durante a prova e pela organização única até ao momento.
Os 101 km de Ronda em 2012: desde o levantar de madrugada para não falhar a inscrição da equipa de 5, onde se incluíram os meus amigos Fernando Fonseca e Ico Bossa, passando pela sopa de ovo organizada pelo Ico, até aos "motoristas particulares" que durante a prova nos brindaram com uma caneca de cevada líquida super fresca.
Os 100 km de Mérida em 2010 como primeira prova de 3 dígitos, onde devido à desistência de última hora do Fernando Pinto, tive de fazer sozinho a viagem de 5 horas, fazer a prova durante a noite e voltar sozinho, não sem antes, depois de sair de Mérida, parar para dormir 25 minutos.
O UTAX (Ultra Trail Aldeias do Xisto), como atleta, com o meu amigo e futuro coorganizador João Lamas e mais tarde, como vassoura, com o meu afilhado Fábio Fernandes, pelo companheirismo vivido durante tantas horas na Serra da Lousã.

A que realmente definiu um marco na minha vida no mundo da corrida, foi sem dúvida a Estafeta Porto-Lisboa em 2006 (se a memória não me falha, sem consultar os meus registos) e onde, pela primeira vez fiz perto de 70 km. Na altura o Clube do Stress, organização responsável pela prova, tinha bons atletas com muita experiência em grandes distâncias a marcar o ritmo da Estafeta, o que me permitiu perceber que estava mais do que pronto para dar o salto da Maratona para as Ultras.
No ano seguinte inscrevi-me na segunda edição da Serra da Freita e fiquei fã incondicional do Ultra trail.
Já conhecia o Trail praticado no Cross da Laminha e quadruplicar a distância do Vítor Ferreira era, no mínimo, quadruplicar o prazer de desfrutar da corrida, ainda mais numa Serra com a beleza da da Freita.
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Foto: Com o amigo Rui Monteiro no final das 4 estações na Venda da Luísa em novembro de 2018

  • Participação em prova mais longa

Caminhos do Tejo em 2008 com partida em Ponte de Lima e 2009 com partida em Vila Praia de Âncora com perto de 160 km, no entanto, foi em 5 etapas.
De 2010 a 2015, fiz os Caminhos do Tejo, de Lisboa Oriente a Fátima. A primeira vez penso que tinha cerca 146 km, mais km menos km.

  • Objetivos pessoais futuros


Não tenho objetivos. Pretendo sim continuar a correr como, quando e onde poder e, se possível, ajudando outros atletas a adquirir o prazer de correr de forma sustentável e apoiá-los, seja treinando com eles, seja a acompanhá-los no salto para as distâncias que possam ter como seus objetivos futuros.
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Foto: Comigo no final das 4 estações em Condeixa em maio de 2019

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

É complicado prever o atletismo daqui a 5 anos. Houve uma fase em que apenas quem estava por dentro é que sabia das provas. O público em geral tinha alguma dificuldade, por não saber antecipadamente em se inscrever. Predominavam as meias maratonas míticas com a Meia Maratona de Ovar, Marinha Grande, Viseu, Nazaré. Nas provas locais predominavam as do Inatel e das coletividades locais. O custo  com policiamento e o cada vez menor apoio dos municípios e entidades particulares fez a primeira filtragem e desapareceram, na altura, algumas meias maratonas e muitas provas abaixo dos 15.
O BTT estava em alta e nas grandes superfícies comerciais de material de desporto só se via material de BTT e pouco de corrida. Nessa altura, corria-se maioritariamente com equipamento de estrada.
O aumento de provas fora de estrada trouxe maior sustentabilidade financeira á modalidade, e a partir de certa altura começou a notar-se um êxodo do BTT para o Trail. Muitos até acumulam estas duas modalidades.

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Foto: MUT em 2018


De há cerca de 10 anos pra cá, a divulgação das provas começa a chegar cada mais e melhor ao grande público. O incremento de percursos alternativos mais curtos e de caminhadas faz com que quem caminhou num ano volte lá no ano seguinte para correr.
Estamos numa fase caracterizada por uma grande proliferação de provas de atletismo. Algumas organizações com qualidade outras nem tanto. Algumas com intenção de continuidade, outras com intenção de ato isolado. Umas com um calendário já adotado pelos aficionados outras que não conseguiram ainda definir a sua própria identidade e dessa forma marcar posição.
Cada vez mais o atletismo amador está dependente da iniciativa de amantes da corrida, do trabalho no terreno, das horas que dão em prol dos outros.
A participação das autarquias locais, municípios, juntas de freguesia, associações locais é um fator determinante na sustentabilidade e continuidade do atletismo como o conhecemos atualmente.
Com tanta prova pelo país já não há muita desculpa para aquele pessoal mais sedentário não sair do sofá, isto porque a corrida vai até eles.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Espero ver-me com os mesmos objetivos que tenho atualmente. Sem tirar nem pôr, aliás, para daqui a 20 são os mesmos.

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Foto: Momentos antes da partida da maratona de Aveiro em abril de 2019 com o afilhado Fábio Fernandes, com o sobrinho Fernando Morgado e comigo

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