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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

04
Mai22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje é dia de mais um rapaz atleta ainda moçoilo nestas andanças mas que dá sinais de gostar disto a que chamamos corrida... É mais "um dos nossos". Por agora, está a apostar nas curtas distâncias (e parece-me que faz muito bem). No entanto, também ambiciona voos mais elevados. 

É prático, não está com rodeios mas nota-se que desfruta deste desporto.

Fiquem, pois, com o Ivo Carrito:

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Foto: Corrida 4 estações de inverno, em Coimbra, 2022

Nome

Ivo Manuel dos Santos Carrito 

Idade

27

Equipa

ARCD Venda da Luísa

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Foto: Corrida 4 estações de inverno, em Coimbra, 2022

Praticante de atletismo desde

2020

Modalidade de atletismo preferida

Trail

Prefere curtas ou longas distâncias

Prefiro Curtas.

Na atual equipa desde

Época 2020/2021

Volume de treinos por semana

Tenho semanas que nem treino corrida mas normalmente só descanso ao fim de semana com 3 dias de corrida, em estrada ou em trilhos, e 2 de ginásio para reforço muscular.

Importância dos treinos

Os treinos são sempre importantes para atingirmos os nossos objetivos e para evitarmos lesões.

 

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Foto: 15 km no Trail de Sicó em 2022

Se tem ou não treinador

Não tenho treinador.

Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Bastantes diferenças, como por exemplo, não havia tanta escolha de material desportivo e a tecnologia como os relógios gps foi uma evolução grande para os treinos e provas.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Para a quantidade de provas que fiz, que foram 4, não tenho assim uma história insólita que me lembre. 

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Foto: 15 km no Trail de Sicó em 2022

Participação em prova mais longa

TAUT, 18 km que no fim foram 20 km. 

Objetivos pessoais futuros

Conseguir fazer uma prova mais longa e já estou inscrito nos 27 km do Gerês.

Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Espero vê-lo mais evoluído e com mais malta jovem a participar em Trails.

 

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Foto: Trail Encostas do Mondego 2021

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Só o futuro o dirá, mas pretendo avançar para as longas distâncias.

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

Afetou muito porque estava com uma boa forma física já para participar a provas e com as restrições, fecharam os ginásios e provas canceladas o que me levou a alguma desmotivação.

O que mudou nas provas com a pandemia?

Eu antes da pandemia nunca tinha participado uma prova, mas pelo que tenho visto nas que tenho ido, implementaram novas regras tais como o certificado digital, a máscara na partida e na meta entre outras.

11
Mar22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje venho dar-vos a conhecer mais uma atleta. Desta feita, mais uma conhecida, que, curiosidade das curiosidades, começou a correr na equipa ARCD Venda da Luísa no mesmo ano que eu, em 2018.

Outra curiosidade, em jeito de brincadeira, esta atleta está sempre barrada(s) (piada explicada no nome da colega). 

Tem sempre um ar bem disposto e procura espalhar animação e dar apoio nos vários eventos da equipa. Tudo isto bons ingredientes para querermos a ficar a saber mais sobre esta atleta, que alimenta o sonho de fazer uma maratona. Algo que deixa sempre muito satisfeito.

Fiquem, pois, com a Marisa Correia:

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Foto: Participação no competição distrital de veteranos 

Nome:

Elisabete Marisa Barradas Correia

Idade:
36 Anos

Equipa:
ARCD Venda da Luísa

Praticante de atletismo desde:

2018

Modalidade de atletismo preferida:
Trail

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Foto: Trail Meda de Mouros 2019, a primeira prova pela equipa

Prefere curtas ou longas distâncias:

Curtas distâncias

Na atual equipa desde

Dezembro de 2018

Volume de treinos por semana:

2 treinos de corrida intercalados com treinos no ginásio, mas sempre dependendo da minha disponibilidade pessoal e familiar.

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Foto: "As minhas filhotas, que passam horas  sem a minha companhia para eu poder treinar ou ir a provas. São o meu orgulho!!"

A importância dos treinos:
No meu caso, os treinos são importantíssimos. Quando, por algum motivo, não vou treinar ou treino menos, noto logo diminuição no desempenho e na resistência da corrida. Sendo, também importantes os treinos de ginásio para reforço muscular, de modo a prevenir eventuais lesões.

Se tem ou não treinador:

Não tenho treinador. Os meus treinadores são os/as colegas mais experientes que me dão conselhos e que “puxam” por mim nos treinos.

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Foto: Os animados convívios da equipa

Diferenças entre o atletismo passado e o atual:

Considero-me novata nisto do atletismo, por isso não posso me pronunciar sobre o passado. No entanto relativamente ao trail noto uma adesão cada vez maior.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas:

Em outubro do ano passado fui com uma amiga fazer a meia maratona em Lisboa e a certa altura no hotel onde ficámos toca o alarme de incêndio às 2 horas da manhã, um susto tremendo e, no dia seguinte, a minha amiga acordou com uma enorme dor de costas, quasen ão se mexia. Depois do susto e da dor de costas melhorar, a prova fez-se e correu muito bem. Mas em todas as provas acontece sempre alguma coisa que seja inesquecível, ou um “esbardalhanço”, ou alguém que se perde, ou alguma dor de barriga {risos}…

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Foto: Participação na Luso meia maratona 2021

Aventura marcante:

Participação na Luso meia maratona 2021, só eu e uma amiga, sozinhas em Lisboa, sem termos experiência em corrida de estrada, conseguimos fazer os 21 km (coisa que há uns anos era impensável para mim).

Participação em prova mais longa:

Sicó 2020 25 km

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 Foto: Trail do Infante 2019 com as culpadas de ter o "bichinho das corridas"

Objetivos pessoais futuros:

Conseguir fazer uma maratona

Como vê o atletismo daqui a 5 anos:

Espero que tenha uma evolução positiva e com cada vez mais jovens interessados nesta modalidade.

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Foto: Participação no competição distrital de veteranos 
Como se vê no atletismo daqui a 5 anos?

Espero ter muita forçinha nas pernas para correr e continuar a ser uma “laranjinha”.

Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?

É um desporto onde o sexo masculino é predominante mas, na minha opinião, é notório que cada vez mais mulheres participam em provas de corrida, tanto de estrada como de serra.

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Foto:  A primeira prova de trail, Castellum trail 2018

Existem diferenças de tratamento em relação aos homens:

Nunca me apercebi de tal diferença.

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

Inicialmente, com as inúmeras restrições era difícil treinar e em grupo quase que impensável o que provocou na altura alguma desmotivação.

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Foto: Sicó 25 km

O que mudou nas provas com a pandemia?

Foram implementadas novas regras, como a apresentação de certificado digital e limitação de participantes. Mas onde se nota mais essa mudança é nos convívios que existiam depois das provas, fazendo desaparecer um pouco do espírito que tanto caracteriza o trail.

Essas mudanças são boas para a modalidade?

Penso que não. Alguns atletas não participam em provas devido a tanta exigência, assim como as constantes alterações e cancelamento de provas têm prejudicado a modalidade.

03
Fev22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Nem todos os atletas têm de andar motivados o tempo todo. Na verdade, a motivação vai e vem ao sabor dos objetivos e da realidade que nos rodeia.

No dia em que propus esta entrevista à minha convidada, encontrei-a numa fase de menor fulgor. Não admira! Esta época maluca que vivemos, de uma forma ou de outra, acaba por nos afetar. A ela retirou-lhe a vontade de treinar. E há mal nisso?

Propus-lhe então fazer deste conjunto de pontos uma espécie de trampolim para, eventualmente, encontrar a motivação. Espero que ajude todos a perceber que ninguém é imune a quebras de vontade e que não há mal nenhum nisso. No fim de contas, correr é uma terapia, mas ninguém disse que não pode ser também a causa do problema. 

Por outro lado, viajar naquilo que nos fez e faz querer correr pode ajudar a desbloquear a cabeça. E a cabeça é que manda.

A minha entrevistada dá pelo nome de Carla Freire e desde o início que a conheço como uma pessoa simpática e muito sorridente, que, claramente, corre pelo prazer que tem em sofrer nas grandes distâncias. Mas sofrer a sorrir não é para todos.

Fiquem, pois, com a Carla Freire:

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Foto: primeiro trail, MUT em 2017

Nome

Carla Freire

Idade

Índia desde 1975

Praticante de atletismo desde

 Desde 2015 mais coisa menos coisa. Sem filiação em equipas.

Modalidade de atletismo preferida

 Trail running

Prefere curtas ou longas distâncias

 Longas e devagarinho para desfrutar bem dos trilhos e no fim só mexer os olhinhos.

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Foto: primeira ultramaratona, Trail dos Abutres, 44 km em 2019

Na atual equipa desde

2017

Volume treinos por semana

Atualmente nenhuns. Mas quando corria qualquer coisita fazia 3 treinos por semana.

Importância dos treinos

Os treinos são importantes para ajudar a atingir os objetivos a que nos propomos e sem dúvida para nos fortalecer e evitar lesões.

Se tem ou não treinador

Não

Diferenças existentes entre o atletismo passado e o atual

Não faço ideia. Sou apenas uma corredora amadora. Corro pelo meu bem-estar físico e psicológico. Mas acho que se tem ganho mais adeptos ao longo destes anos.

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Foto: primeiro pódio, Fktrail 2019.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Uma história inédita. Eu a chegar à meta de noite na Ultra de Sicó em 2020, fartinha de andar por lá e a primeira coisa que disse quando cheguei foi uma grande asneira. Mas grande mesmo! E logo por azar o speaker Hugo Águas coloca o microfone perto da minha boca para me fazer uma pergunta e ouve-se o palavrão alto e em bom som por Condeixa e arredores. Foi o timing perfeito. Morri!

Aventura marcante

Tenho várias. A minha primeira experiência com o trail na prova do Mut 10 km em 2017 na companhia da minha sobrinha, ex-laranjinha (alcunha de quem representa a ARCD Venda da Luísa). A minha primeira Ultra nos Abutres, 44 km, em 2019 com um entorse feito a 8 km da meta. O meu primeiro pódio no FKTrail em 2019 na companhia da minha amiga e companheira de treinos Carla Patrícia. Prova em Portalegre, Trail dos Reis, 46 km, em 2020 onde fiz mais um entorse logo aos 5 km, ainda consegui chegar ao último abastecimento e já levava 40 km. Aí fui barrada por 7 minutos. Caiu-me tudo. Tanto esforço, dor, determinação para nada. Completamente frustrada. Ainda hoje culpo o Zé das fotos! (Risos

MUT, 24 km, em 2021, onde me perdi e fui desclassificada. Descabelada e cheia de silvas no cabelo, mas cortei a meta! #atéuivas

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Foto: trail dos Reis, 46 km, 2020

Participação em prova mais longa

Sicó 57 km

Objetivos pessoais futuros

Ultra Transpeneda (Gerês).

Participar num Mediofondo. 

Fazer a Rota das Carmelitas de bicicleta.

Como vê o atletismo daqui a 5 anos

A evoluir cada vez mais, assim espero.

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Espero voltar a encontrar a minha motivação que perdi entretanto pela corrida.

Voltar a correr feliz. Sem medos. Sem lesões. Sem pandemia.

#Alwayswithasmile

Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque existem tão poucas pessoas em provas de grandes distâncias?

Existem poucas mas boas! Atualmente veem-se bastante mais e até a dar aquela malha nos atletas masculinos.

Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Nunca senti isso.

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Foto: trail de Sicó, 57 km, em 2020

Como a Covid afetou a evolução como atleta?

Para além das lesões que me fizeram desmotivar e perder a confiança, a falta de tempo para treinar, o caos em que o país se encontra por causa deste maldito vírus deixou-me pessoalmente afetada. Deixei de ter vontade.

O que mudou nas provas com a pandemia?

Tudo! Para além da implementação de medidas de prevenção, testes, distanciamento, uso obrigatório de máscara, postos de abastecimentos reduzidos. Deixou de haver aquele convívio, aquela força energética dos apoiantes pelos trilhos fora. Perdeu-se um pouco a magia.

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Foto: MUT, 24 km, em 2021

Essas mudanças são boas para a modalidade?

Não. Acho que as pessoas sentem-se mais salvaguardadas ao não participar nas provas. Deixamos de ter aquela liberdade e perde-se um pouco o espírito do verdadeiro trail. Até aquele momento da partida fica diferente. É a minha opinião.

 

 

 

04
Jan22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Ano novo, entrevista nova para deixar a malta com vontade de partilhar experiências no mundo da corrida.

Hoje trago-vos um rapaz que já conheço desde finais de 2017, quando me juntei à equipa onde ele estava, a Casa do Benfica de Condeixa. Entretanto, juntou-se à minha equipa.

Já nos conhecemos bem e já corremos muitas provas na mesma equipa. Tínhamos o ritual de tirar uma foto conjunta antes de cada prova. 

E este jovem, que me chegou a dar boleia para algumas provas, é um belo colega de equipa. Não se coíbe de chamar pelos colegas quando passa por eles ou quando estes seguem à sua frente. 

Sem me querer alongar muito, diria que ele tem uma enorme paixão pela corrida, que, entretanto, já tratou de passar para a filha.

Fiquem, pois, com o Tiago Pires.

Nome

Nuno Tiago Santos Pires

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Foto: início da história do Tiago nas corridas

Idade

37

Equipa

 ARCD Venda da Luísa Trail

Praticante de atletismo desde

Época 2015/2016     

   

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Fotos: as primeiras provas como individual                        

Modalidade de atletismo preferida

Gosto de correr mais em estrada, porque consigo mais facilmente manter o meu ritmo de corrida e fazer melhores tempos a nível pessoal. No entanto, nunca colocobprovas de Trail de parte, pois é nelas que se vive e se desfruta completamente da Mãe Natureza.

Prefere curtas ou longas distâncias

Curtas, sem dúvida nenhuma, mas gosto de grandes desafios.

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Foto: primeira prova na equipa Casa do Benfica de Condeixa

Na atual equipa desde 

Época 2020/2021

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Foto: início da época 20/21 na nova equipa, q ARCD Venda da Luísa

Volume de treinos por semana

Infelizmente não faço qualquer treino, durante a semana,  pois o tempo que existe é pouco ou nenhum devido à minha vida profissional e pessoal. No entanto, quando arranjo uma hora ou um tempinho livre, tento ir esticar um pouco as pernas.

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Foto: São Silvestre de Coimbra, com a melhor marca pessoal e com o apoio da sua maior fã.

Importância dos treinos

Sinto que me faz falta treinar, pois a importância que eles teriam para mim seria enorme, porque o meu rendimento, os meus tempos, os meus objetivos e, principalmente, a minha saúde iriam ser outros e também preveniria possíveis lesões. Resumindo: para praticar atletismo, é muito importante treinar.

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Fotos: regresso às provas no segundo pós-Covid e primeiras provas na nova equipa

Se tem ou não treinador

Não tenho, mas gostava de ter um preparador físico, que me ensinasse e me preparasse em condições.

Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Bem as diferenças são enormes do atletismo passado ao atual. No passado, as condições eram piores a todos os níveis. Por exemplo, queríamos adquirir equipamento pessoal e praticamente não havia grande escolha, queríamos ir participar na prova seguinte e não havia meios para ir, as pistas de atletismo eram de terra batida, os meios de combater lesões não eram os mesmos. Enfim, inúmeras situações que podia dar como exemplo, mas ainda bem que o atletismo tem evoluído a todos os níveis. Penso que tem tudo para evoluir ainda mais, pois os recursos para essa evolução estão mais próximos e acessíveis. Nós, como atletas que procuramos ser, temos de tentar acompanhar essa evolução, pois só vai trazer vantagens para a prática do atletismo.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Neste caso, tenho mesmo muito para dizer, ou melhor, tenho muitas histórias que posso relatar desde que me iniciei como praticante de atletismo em 2015. Histórias para rir,  para ficar de "boca aberta", enfim, de tudo mesmo.

Uma vez, ou melhor já me aconteceu várias vezes, deitei-me tarde no dia antes da prova e no dia seguinte adormeci. Quando acordei, arranjei-me à pressa e fui o mais rápido possível. Faço-o sempre que me acontece. Nessas situações, as provas correm-me bem a nível de tempos. Parece que é preciso adormecer para ir com a " Pica" toda para fazer boas provas.

Na minha 1 º participação na prova do CASTELLUM TRAIL, aconteceu-me uma história inédita e um pouco curiosa, pois pensei várias vezes em desistir quando estava na zona da partida. Isto porque chovia tanto, trovejava tanto, enfim, estava um tempo horrível, que ninguém queria apanhar, mas chegada a hora da partida, eu lá fui e cheguei ao fim, sem que nada me acontecesse, mas posso dizer que durante toda a prova tive medo de não ficar inteiro e de não alcançar a meta. Bem posso dizer que era o atleta mais "medroso "daquela prova (risos).

Enfim, tive provas em que a lama era tanta que me fartei de cair. Era cada queda que vários atletas que vinham atrás ficavam de boca aberta e perguntavam-me "Estás bem? Aleijaste-te?". Eu respondia simplesmente "Está tudo bem, não foi nada!!!" Mas lá no fundo estava cheio de dores e seguia em frente na prova, sem que nada fosse.

Bem, podia relatar muitas histórias , que já vivi durante as provas e treinos que fiz desde que pratico atletismo, mas há uma que me diz muito e essa vou contá-la , pois é a mais importante de cada prova em que participo. Essa história tem o nome de "Meta", o ultrapassar dela.

" Meta" para mim é uma palavra com tanto significado, palavra esta que se usa para dizer "Alcancei-a!!". É necessário batalhar muito, ter muita força, dedicação, empenho e coragem para ir em busca dela. Podemos estar mal, sem forças, sem nada, podemos pensar que já não há nada a fazer e o melhor é desistirmos, mas não... como se costuma dizer, "Há sempre uma luz ao fundo do túnel", uma força que vem de dentro de nós, uma energia que faz de nós seres-vivos bem vivos e prontos para o que nos aparecer a frente.

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Fotos: Campeonato Distrital de Atletismo em Pista em Coimbra

Aventura marcante

Bem neste ponto, não lhe vou chamar de "Aventura", mas sim o momento que me marcou mais desde que comecei a ser praticante de atletismo:                             

28-08-2021

Corrida 4 Estações Portugal - Soure

Após 15 meses sem fazer nenhuma prova de estrada devido à pandemia, finalmente chegava o desejoso dia de voltar a correr na estrada, dia este que eu ansiava há muito tempo e foi logo com um regresso muito especial que jamais vou esquecer. Foi uma prova emblemática para mim e, sem dúvida nenhuma, teve uma excelente organização, como sempre nos habituaram a ter.

Foi especial, só porque cheguei ao fim?! Não, foi especial porque, foi dia de estreia da minha Princesa, a minha Força, o meu Futuro, o meu TUDO fazer a sua primeira prova.

Não imaginam o orgulho que tive, o turbilhão de sentimentos que iam dentro de mim, o feliz que estava, não existem mesmo palavras para descrever o momento que estava a viver e a presencear.

A minha pimpolha adorou, ficou feliz e súper contente, mas nem tudo foram rosas, pois, no final da sua prova, virou-se para mim e disse "papá não me diverti muito, tu puxaste muito por mim". A mim, claro, só deu vontade de rir de felicidade e pensei: "Hoje fui eu a puxar por ti, amanhã serás tu a puxar por mim, quando o papá tiver uns aninhos valentes nestas pernas e se ainda andar nestas vidas". Resumindo: este dia para mim foi e será sempre o mais marcante nesta vida de atleta. 

Participação em prova mais longa

A prova mais longa, pelo número de quilómetros e pelo tempo que demorei desde que pratico atletismo, foi, sem dúvida alguma, a edição do "Coimbra Trail", no dia 29 de Setembro de 2019 , quando percorri 26 km em 5h14m, altura em que ainda representava a minha antiga equipa, a "Casa do Benfica de Condeixa".

Falando um pouco da minha prestação nesta prova, foi uma prova que me marcou bastante e que me fez pensar se realmente queria continuar ligado ao atletismo, isto porque tinha estado parado, sem qualquer prova durante alguns meses e já há algum tempo que queria participar no Coimbra Trail. Como tive oportunidade nesse ano, decidi participar e não pensei na minha preparação pessoal, mas, como gosto de grandes desafios, fui logo para a prova dos 26 km, não sabendo as dificuldades que iria encontrar, pensando eu que simplesmente iria desfrutar ao máximo da prova em si, mas não foi isso que aconteceu, pois nesse dia estava bastante calor. Fisicamente, estava sem ritmo nenhum, com peso a mais e sem qualquer preparação, pensei desistir por várias vezes, mas pensava sempre "se tu gostas de te superar, tens de ter forças para chegar à meta..." e continuei sempre, tendo conseguido chegar ao último abastecimento, sem forças nenhumas para concluir a prova. Pensei "é agora que vou desistir, não consigo mais continuar, não tenho condições de o fazer...". Mas não foi isso que fiz, aproveitei que estava no abastecimento e bebi bastante água, digeri alguns alimentos, descansei um pouco e decidi que não era ali o fim da minha participação, e continuei para a desejosa meta alcançar. Assim foi: passados alguns quilómetros e algum tempo, lá cheguei ao fim, com um tempo de prova bastante elevado (5h14m) para.omque tinha projetado, mas cheguei muito feliz porque tinha chegado ao fim como me tinha proposto inicialmente e mostrei a mim mesmo que, com garra e muita dedicação e uma força extra, nada é impossível de alcançar.

                                                   

Objetivos pessoais futuros

A nível de objetivos pessoais futuros, posso dizer que tenho bastantes: quero bater recordes pessoais nas provas que repetir e, a nível de competição, sem dúvida nenhuma, para mim o principal que quero alcançar este ano, ou melhor,  está época, é ficar nos três primeiros lugares do Circuito Distrital de Trail Running de Coimbra-Curto ou nos cinco primeiros, pois na época anterior obtive o 7.° lugar por ter falhado 2 provas do circuito devido à pandemia. Basicamente, quero afirmar-me no Campeonato Distrital de Trail Running.  

Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Com mais praticantes, com outras condições. Anível de competição, será mais elevada e, possivelmente, com mais apoio a nível de equipas e a nível pessoal. Resumindo: espero que não se pratique atletismo só por ser moda mas sim como exemplo a seguir e pelo bem que faz à nossa saúde.    

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Fotos: corrida 4 estações em Soure, em outubro de 2021, com a filha, que fez a sua primeira prova de corrida

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

 Muito sinceramente, não sei se estarei a praticar atletismo, daqui a 5 anos pois a saúde já não vai ser a mesma, as condições e os apoios mão poderão ser melhores. No fundo, é muito imprevisível dizer que estarei daqui a 5 anos a praticar atletismo, mas uma coisa tenho a certeza, não vou desistir assim do nada.

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta

O Covid, afetou-me bastante como atleta e a nível geral penso que afetou todos os atletas por esse mundo fora, pois deixaram de existir provas devido ao isolamento obrigatório, deixou-se de treinar, os cuidados com alimentação foram outros. A nível pessoal , eu usava certas provas como treinos e o ritmo/preparação era outro completamente diferente. Começar agora novamente foi como começar do zero.

O que mudou nas provas com a pandemia

Novas regras sanitárias, as condições foram para pior, os incentivos são poucos ou nenhuns, os preços das inscrições aumentaram bastante e as ofertas são nenhumas, enfim, acho que certas organizações vêm o atletismo como fundo de lucro e não como um bem para a prática de desporto.

Essas mudanças são boas para a modalidade?

Não, são péssimas, pois "estávamos" a ir no bom caminho e parece que tudo começou do zero.

19
Dez21

O manto sagrado


João Silva

Embora seja um "assunto de primeiro mundo", houve algo de que senti falta ao longo do último ano. Na verdade, como estive sem correr em provas reais de novembro de 2019 a dezembro de 2021, já não sabia o que isto era.

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Senti falta de vestir o "manto sagrado", a camisola da ARCD VENDA DA LUÍSA.

Nunca pensei que seria assim, mas a verdade é que a camisola é um elemento identificativo de uma comunidade, de um grupo. E é disso que sinto tanta falta. E foi por isso que fiz questão de só usar a camisola oficial em treinos muitos especiais ou em provas virtuais. Porque esta camisola é especial. 

Foi uma senhora espera pela primeira prova oficial com ela vestida!

Lamechices de primeiro mundo. Ainda assim, faltas que nos tiram pedaços da realização pessoal!

17
Dez21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Como em tudo, é preciso matéria-prima para criar conteúdo. É com enorme gosto que trago mais uma entrevista de uma atleta. 

Sim, hoje temos uma entrevista a uma mulher que dá cartas nisto a que chamamos de corrida. 

É curioso que a primeira impressão que tive dela era que se tratava de uma mulher dedicada, no caso, à corrida. À distância, vejo hoje que também é uma enorme apreciadora de desporto de um modo geral. Aliás, é talvez a primeira pessoa a vincar bem o peso do reforço muscular no processo evolutivo de um corredor. Revejo-me inteiramente nisso.

É de pessoas assim que vive este espaço. 

Olhemos, pois, para a entrevista da Célia Santos.

Nome

Célia Maria Figueiredo dos Santos

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Foto: trail dos Abutres, 50 km  

· Idade

46 anos

· Equipa

ARCD Venda da Luísa

· Praticante de atletismo desde

2015

· Modalidade de atletismo preferida

Trail

· Prefere curtas ou longas distâncias

Longas distâncias

· Na atual equipa desde

2016

· Volume de treinos por semana e importância dos treinos

A gestão dos treinos é de extrema importância. Não se trata apenas do volume de treino, mas também do tipo de treino e do respeito pelos períodos de descanso. Passando ainda pela alimentação. O treino tem que ser adaptado a cada individuo, às suas característica e objetivos. Não existem receitas milagrosas.

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Foto: 111 km no Trail de Sicó

· Se tem ou não treinador

Sem treinador oficial. Treinava com colegas, alguns deles com muitos anos de experiência na modalidade.

· Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Não me considero uma atleta no verdadeiro sentido da palavra e tão-pouco sou conhecedora profunda da modalidade. Mas, na minha opinião, houve uma grande evolução no mundo do trail. Desde a oferta e escolha do equipamento aos programas de treino consoante os objetivos de cada um e exigências de cada prova, isto em relação à parte técnica. Ainda há atletas sem planos de treino ou algum tipo de acompanhamento, mas a maioria já demonstra essa preocupação. 

Relativamente à parte relacional, acho que se tornou numa modalidade mais competitiva em geral. Obviamente cada atleta parte para a prova com os seus objetivos, sejam eles competitivos, lúdicos ou ambos, mas, nas ultimas provas que fiz, notei uma maior preocupação com os “tempos” e as classificações. A camaradagem é menos “calorosa”.

Por último, relativamente às organizações, acho que há uma maior preocupação quer com a satisfação quer com a segurança dos atletas. Como em tudo, há exceções…

· Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Casos insólitos, lembro-me de um, em que fui para uma prova e deixei o camelbak com todo o material obrigatório em casa. Só me apercebi quando lá cheguei. A solução foi passar no check-in com material de outro colega de equipa e depois fazer a prova sem nada e rezar para que tudo corresse bem. E correu!

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Foto: Louzantrail

· Aventura marcante

Aventura mais marcante foi sem dúvida a minha primeira ultra – 50km no Abutres. Foi épico! Foi a preparação para a minha primeira prova de 3 dígitos. Fiz a prova em grupo, o que foi uma mais-valia, pois era a primeira vez numa distância tão longa, num terreno difícil e no inverno. Posso dizer que foi um desafio superado e que ainda hoje tenho um especial orgulho e guardo com carinho a T-shirt daquela prova.   

· Participação em prova mais longa

A prova mais longa que fiz foi os 111km de Sicó. Fiz por 3 anos consecutivos, também esta em grupo e conseguimos todos os anos melhorar o tempo de prova.

Tudo começou com uma brincadeira, um desafio lançado entre colegas. No início, nem eu acreditava ser capaz. A verdade é que os treinos foram acontecendo, a vontade de conseguir foi aumentando e, no final, era um compromisso assumido e, pelo menos teria que tentar. 

No segundo e terceiro anos, a confiança já era outra, a preparação também, foi só rolar… um km de cada vez. Se tenho vontade de repetir? Nem por isso… já não há o efeito surpresa.

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Foto: Trail do Piódão

· Objetivos pessoais futuros

Estou há dois anos sem participar em provas. De momento, os meus objetivos não passam pelo atletismo. Passam, sim, por manter níveis de atividade física que me permitam ter um estilo de vida saudável.

Como complemento aos treinos de corrida, inscrevi-me num ginásio. Recomendo a todos os atletas que o façam, não só porque irão conseguir melhores resultados, mas também para prevenir lesões que possam advir de um treino excessivo e muitas vezes não acompanhado por profissionais. A meu ver, o reforço muscular, a correção postural, a gestão do esforço e o descanso são tão importantes como os treinos de corrida propriamente ditos.

Todos conhecemos alguém que, do nada, se lembrou de começar a correr. Muitas vezes, pessoas que nunca praticaram nenhum desporto até à data e, de um dia para o outro, compram umas sapatilhas e vão correr. Nada contra! É de louvar tal atitude e, como sempre ouvi dizer, mais vale tarde do que nunca.

O problema é quando este processo é feito de forma desregrada e sem consciência dos problemas que podem surgir.

Quem já passou por este processo, sabe o bom que é conseguirmos superar-nos treino após treino e cada vez temos mais sede de kms e de os fazer rápido. Mas para evitar dissabores, o corpo tem de estar preparado. Ossos, músculos, articulações, sistema cardiorrespiratório têm de estar preparados para dar uma resposta eficaz, sob pena de sofrerem lesões se assim não for. Daí a importância de complementar os treinos de corrida.

No fundo é esta a mensagem que eu gostaria de passar. Atletas, treinem bem, com consistência e consciência. Treinar não é só sair por aí a fazer kms. 

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Foto: Picos do Açor

· Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Não sei como vai estar o atletismo daqui a 5 anos, mas faço votos que seja praticado por atletas bem preparados, com boa perceção corporal e muito foco.

· Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?

Acho que já não há assim tão poucas mulheres no atletismo. Temos vindo a verificar um aumento no número de mulheres em provas, inclusivamente, nas longas distâncias.

Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Pessoalmente nunca senti diferença de tratamento por ser mulher.

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Foto: Estrela Grande Trail

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

A Covid veio alterar muitas das nossas rotinas, uma delas era treinar em grupo. Onde mais me senti afetada foi com o encerramento dos ginásios. Tive de me adaptar, comprei material e treinei em casa, através das aulas virtuais que o ginásio nos proporcionava e também com programas de treino que procurei na Internet. Não era a mesma coisa, mas foi o possível. Parar não era opção.

O que mudou nas provas com a pandemia? Essas mudanças são boas para a modalidade?

Não sei responder às últimas questões pois não participei em nenhuma prova pós-pandemia.

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Foto: Complemento aos treinos de corrida 

Em jeito de conclusão, gostaria de passar a seguinte mensagem:

“É importante fazer algo que se gosta, mas é importante fazê-lo bem. “

07
Set21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Novo mês, nova entrevista.

Desta feita, uma mulher. A verdade é que são cada vez mais as mulheres a participar em provas de corrida.

Hoje trago uma mulher da ARCD Da Luísa. Mas não é uma mulher qualquer. Tem fibra. E garra. De fora, a sensação que dá é que semana após semana está a subir aos pódios. Mesmo tendo sido "abalroada" por uma lesão durante cinco meses.

Além da participação em muitas provas, tem outro traço marcadamente distintivo em relação a todos os outros atletas: não há corrida que faça sem a companhia da sua cadela, a sua Princesa, como lhe chama. É ainda a sua melhor amiga e tem um canal próprio de Instagram,  "Princesa do Sicó".

Fiquem, pois, com as respostas da Andreia Pita às minhas questões.

Nome
 
Andreia Pita
 
· Idade
 
41
 

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Foto: UTG Gardunha, os primeiros 25 km

· Equipa
 
ARCD VENDA DA LUÍSA
 
· Praticante de atletismo desde
 
Outubro 2019.
Sempre gostei de praticar desporto, em miúda, saltava ao elástico, jogava à apanhada, polícias e ladrões, eixo, "pónei catrapónei", gostava imenso de andar "uma volta" de bicicleta, mas o meu passatempo preferido era subir e descer o rio dos Mouros, pedra sobre pedra! 
 
Na adolescência, praticava karaté, fui federada em futebol 5 e adorava ginástica acrobática, pinos e pontes, salto mortal e cambalhotas!
Gostava de todos os desportos mas correr é que não!
Lembro-me que quando, em Educação Física, o professor mandava correr 15 ou 20 minutos para aquecimento, eu passava o tempo todo a apertar os ténis!
 
Em adulta comecei a frequentar o ginásio, nunca corri! 
 
· Modalidade de atletismo preferida
 
Trail Running
 

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Foto: trail Estrela Açor

· Prefere curtas ou longas distâncias
 
Médias (risos)
 
· Na atual equipa desde
 
Acho que meados de  2019, mas, como me inscrevi a meio da época, não fiquei atleta federada.
 
· Volume de treinos por semana
 
5, 6 ou 7...depende, se tenho provas, da vontade e da disponibilidade horária, se bem que mesmo com pouca disponibilidade horária acabo sempre por arranjar tempo para treinar. O importante é ter foco e vontade de evoluir. 
Os treinos além de nos fazerem evoluir, também nos proporcionam momentos de socialização, sim, porque, tento sempre correr em grupo! 
Não gosto de treinar sozinha! 
 
· Importância dos treinos
 
Sem dúvida que são muito importantes, nada se consegue sem empenho, dedicação e objetivos. 
Aprendi que o treino orientado nos faz evoluir e, sem dúvida, evita lesões.

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Foto: trail de Sicó 2019

 
· Se tem ou não treinador
 
Sim tenho, Raquel Carmo, a minha "Princesa" e o Tito! 
Como havia referido, comecei a correr muito recentemente, talvez em setembro ou outubro de 2018.
Fiz o meu primeiro trail em fevereiro de 2019, "Poiares 19 km".
Depois desse nunca mais parei:
Sicó 15 km
Piódão 12 km - primeiro pódio 2.a na geral feminina
Milagres 15 km
Pereira 15 km
Infante 17 km
Requeijão 15 km  no dia dos meus anos (13 de abril) - andei à procura de um trail para este dia e fiz o 2.° pódio
Azenhas 21 km
UTG (Gardunha) - foi o meu primeiro com a distância de 25 km, adorei! 
Castellum trail 25 km
Estrela Grande Trail 15 km (pódio)
Estrela Açor 22 km
4 estações venda da Luísa 13 km
Chicharro 12 km
Ladeia 28 km, que na verdade foram 30,800 km  (ficou perplexa) - foi a distância mais longa que fiz, estava fartinha de subir tanto monte: Germanelo, Jurumelo, credo! Foi uma prova muito difícil para mim e marcante, porque foi a última antes de me lesionar (revelou desalento) mas fiz pódio.
Em novembro de 2019, lesionei-me no trail "Caminhos do Diabo". Fiz uma contusão óssea no fémur. Estive parada 5 meses.
Esta lesão foi o caos para mim!
Depois de ter descoberto uma modalidade fantástica, o "Trail", depois de finalmente perceber que gostava de correr, tive de parar.
Não foi nada fácil, andei um mês de muletas, quatro meses a mancar. Após cinco meses de convalescença, entre médicos e fisioterapeutas, ressonâncias, medicamentos, infiltração, recuperei.
Em abril, comecei a pouco e pouco a treinar em casa, acompanhada online pela minha PT Raquel Carmo.
Fazia treino funcional, caminhadas, bicicleta e aos poucos comecei a correr.
Percebi que o treino deve ser acompanhado e orientado! Não pode ser só correr, temos de fazer Reforço muscular, Mobilidade, Core, Isometria par evitar lesões.
Desde essa altura que tenho PT e sem dúvida que evoluí. 
 

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Foto: trail de Ladeia, o mais longo até ao momento

 
· Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual
 
Não sei bem. Nunca tinha praticado esta modalidade, no entanto, acho que evoluiu bastante!  Ultimamente só se veem pessoas a correr, acho que está na moda! Também pode ser pela sensação de liberdade, sair para a rua e correr é uma sensação fantástica que só quem pratica percebe! Tantos meses em confinamento deu ainda mais vontade de ir para a rua correr!
 
· Histórias insólitas, curiosas ou inéditas
 
Quando fiz o meu primeiro pódio (risos)'
estava a chegar à meta e o speaker Hugo Águas começou a gritar "e aí vem a segunda mulher, aí vem ela" eu comecei a olhar para trás a tentar ver a mulher e não vi ninguém! Quando cheguei à meta, a mulher era eu. (risos)
 

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Foto: trail Oh Meu Deus 2021
 
· Aventura marcante
 
Sem dúvida o UTG Gardunha. Foram os meus primeiros 25 km, rodeada de uma paisagem fantástica, entre montes e cascatas, trepámos tanto (risos), andámos praticamente sempre de gatas! Nunca vou esquecer que encontrei um atleta sentado numa grande pedra a comer massa. (risos)
 
· Participação em prova mais longa
 
Ladeia 30,800 km 
 
· Objetivos pessoais futuros
 
Continuar a evoluir, em segurança, sem lesões e principalmente divertir-me, usufruir das paisagens maravilhosas que só o Trail proporciona! 
 
· Como vê o atletismo daqui a 5 anos
 
Se até aqui tem evoluído, acho que, a avaliar pela quantidade de atletas,  daqui a 5 anos irá ser reconhecido e quiçá até passará a estar nas olimpíadas!
 
· Como se vê no atletismo daqui a 5 anos
 
Vejo-me com 46 anos (perplexidade e incredulidade), mais experiente e quem sabe a fazer ultramaratonas.
Um ano de cada vez! 
Este ano estou a fazer o Campeonato Longo da ADAC e ATRP! 
 

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Foto: trail Encostas do Mondego 2021
 
· Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?
 
Na verdade, existem mais homens que mulheres a fazer Trail, no entanto, cada vez há mais adeptas femininas! Este ano, tenho visto muitas mulheres em provas e tende a aumentar! 
Quanto às longas distâncias, o homem sempre foi mais aventureiro, no entanto, há cada vez mais mulheres a superarem-se e a praticarem longas distâncias! Na equipa, temos várias guerreiras de longas distâncias.
 
· Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?
 
Não vejo qualquer diferença! Não temos vantagens, nem privilégios!
Somos todos iguais e tratados como tal! 
 
. O que mudou com a pandemia?
 
Começaram mais atletas a correr, já que era a única hipótese de saírem de casa sem ser multados! 
Quanto às provas, temos de assinar um termo de responsabilidade em como não temos Covid e não começamos todos ao mesmo tempo!  Somos distribuídos em boxes de 10 pessoas e de 2 em 2 minutos! 
 
. Já participou em provas reais desde a pandemia?
 
Se já! 
Estava ansiosa por voltar aos trilhos! 
Depois da lesão, veio o confinamento e o cancelamento das provas.
Participei logo na primeira!
No VII Trilho de S. Tomé! 
 
14
Ago21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje trago-vos uma entrevista especial. Trata-se da Isabel e é minha colega de equipa. No passado, já treinei duas vezes com ela, mas foi a sua simpatia que foi perdurando.

Conheci a Isabel como uma atleta no início, com alguns medos normais e com dúvidas em relação à sua capacidade. 

O tempo passou e a mulher virou "bicho do mato" e não há pai para ela. Corre grandes distâncias, procura fazer trails diferentes e desafiantes e já se aventurou nas meias maratonas. 

Acho que, por vezes, nem se apercebe, mas tem uma garra. 

Ah, e muito importante: é diabética. Traz-nos aqui o lado mais duro de quem tem este problema e corre e se adapta às situações. 

Vão adorar conhecê-la.

Fiquem, pois, com a Isabel Madeira'

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EPIC Trail Run Azores em 2019

Nome

Isabel Madeira

Idade

51 anos

Equipa

ARCD Venda da Luísa

Praticante de atletismo desde

Setembro de 2018

Modalidade de atletismo preferida

 Adoro Trail

Distância preferida

Entre 20 a 35 Km 

Na atual equipa desde

Dezembro de 2018

Volume de treinos por semana:

3 (2 em estrada e 1 na serra, só corrida)

Importância dos treinos

Os treinos são de facto muito importantes na prática de qualquer atividade desportiva, e no trail running não é diferente. O treino adequado pode evitar algumas lesões e melhorar o desempenho do atleta. Como exemplo da diminuição ou quase ausência de treinos, devido à proibição de circulação entre concelhos, não foi possível treinar na serra dorante quase 5 meses, e, como resultado desta privação, deparei-me com muitas dificuldades durante a minha primeira prova deste ano, nomeadamente, com muitas cãibras e dificuldades na respiração. Acabei por desistir da prova e, mesmo assim, ganhei um grande empeno.  

Tem ou não treinador

 Não tenho treinador.

Diferenças existentes entre o atletismo passado e o atual

O que me tenho apercebido é que o atletismo está na moda e a pandemia do Covid 19 veio contribuir para o aumento de pessoas a correr pelas cidades.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

 A minha primeira prova em competição foi uma prova de 10 km em estrada. A partir dos 7 km comecei a sentir uma fraqueza enorme, tonturas, fadiga muscular, com a visão turva e quase sem forças para terminar a prova. Quando cheguei à meta, senti-me quase a desmaiar e deitei-me imediatamente no chão. De seguida, no abastecimento, comecei a comer e não conseguia parar de ingerir sólidos. Como sou diabética, só mais tarde é que me apercebi que os níveis de açucar no sangue desceram imenso e, provavelmente, fiz uma hipoglicémia. Com esta experiência, aprendi que a hidratação e a nutrição são fundamentais no desempenho da corrida.

Aventura Marcante

A prova que mais me marcou pela positiva foi o EPIC Trail Run Azores, em dezembro de 2019, com cenários fantásticos, belíssimas paisagens e percursos verdejantes.

Participação em prova mais longa

Em fevereiro de 2020, Trail de Conímbriga Terras de Sicó – 57 Km. Realizei a prova com um colega de equipa que me deu um grande apoio, caso contrário, julgo que não conseguiria terminar a prova.

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Penacova Trail do Centro – 2020

Objetivos pessoais futuros

O meu objetivo é continuar a correr em trilhos, zonas montanhosas durante mais alguns anos, e, para isso, decidi incluir treinos em ginásio para a realização do reforço muscular. Pretendo continuar a correr por três motivos: primeiro, quando corro na serra estou a usufruir das paisagens maravilhosas que a natureza nos proporciona, depois por questões de saúde e, por último, pelo desafio, uma vez que procuro sempre superar as minhas dificuldades, que são algumas. Em 2022, gostava de fazer uma maratona, a do Porto. 

 Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Como o atletismo está em progressão, espero que haja mais mulheres a correr, sejam elas jovens ou menos jovens.

Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias.

De facto ainda se verifica uma discrepância entre géneros na prática de atletismo, mas julgo que essa diferença tem vindo a diminuir, principalmente, devido à mudança de mentalidades que está a permitir que as mulheres se expressem e se sintam mais seguras a defender os seus direitos. Pois, cada vez mais, se vê mulheres a participar em provas, sejam elas competitivas ou de caráter lúdico, social e solidário. Na minha opinião, a grande maioria das mulheres dá primazia à vertente lúdica e tende a ver o desporto como forma de se manter ativa e em forma no seu dia-a-dia, pelo que as provas de curta e média distância satisfazem os seus objetivos. 

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Piódão Trail Running – 2020

Existem diferenças de tratamento em relação aos homens.

Sim, sobretudo quando se trata de atribuição de prémios monetários, que normalmente são criados para o sexo masculino. 

O que mudou com a pandemia? 

Relativamente à minha condição física, senti alguma quebra em virtude da diminuição de treinos na serra, na sequência da proibição de circulação entre concelhos que ocorreu durante 13 fins de semana consecutivos. 

No que diz respeito às provas, mudou muita coisa, principalmente, a organização dos eventos, a implementação de todas as regras de segurança antes, durante e após a prova, as partidas que passaram a ser faseadas, por isso, o momento da partida, deixou de ser aquele momento em que sentimos um nervosismo ou “um nó no estômago”.

De uma forma geral, acho que a pandemia de Covid 19 fez com que muitas pessoas sentissem vontade de ir para a rua, quer para caminhar, correr ou andar de bicicleta. As pessoas começaram a usufruir dos parques, jardins e ciclovias da cidade, porque passaram a valorizar as pequenas coisas da vida assim como a natureza.

 

Já participou em provas reais desde a pandemia?

Sim, em outubro de 2020, participei em três provas: Piódão Trail Running, Penacova Trail do Centro (prova para o campeonato nacional de trail que só foi possível participar porque estava apurada no ranking do escalão F50 na ATRP) e Trail de Fátima. 

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Trail de Fátima – 2020

Durante o corrente ano já participei em 4 provas. A minha primeira prova foi em abril, na Batalha, designada por “Os Trilhos do Pastor”, prova também para o campeonato nacional de trail, a qual não terminei devido a ter tido demasiadas cãibras. Participei ainda nas seguintes provas: Trilhos Luso Bussaco, na qual fiz um entorse no tornozelo, que me obrigou a uma paragem de 3 semanas; Trail de Conímbriga Terras de Sicó e no trail Oh! Meu Deus Ultra Trail Serra da Estrela.

O que vai mudar em termos de provas no futuro

Na minha opinião, o que poderá mudar tem sobretudo a ver com a organização dos eventos, com a manutenção das regras de segurança resultantes da pandemia. Pois, acho que existem regras que vieram para ficar. 

24
Jul21

1, 2, 3, uma entrevista diferente desta vez


João Silva

Como disse na última entrevista, o Carlos Canais está em toda a parte. O homem não pára: ele corre, ele trabalha, ele tem família. Ele tem uma função importantíssima para unir a equipa. Ele é o mestre por detrás de toda a burocracia associada à gestão da equipa.

Pelo fascínio que isso desperta em mim, tinha mesmo de ir para o lado administrativo da corrida para perceber os meandros do ramo. Cansa só de saber o que é preciso fazer para tratar de inscrições, de papelada, de participações, de treinos gerais e para ainda ter força para correr. 

Bem, o melhor é mesmo verem o que o Carlos Canais tem para nos dizer a esse respeito:

· Ligação ao atletismo desde

1986 até 1988, no Clube de Condeixa, mas com um grande interregno que terminou em 2012 quando foi retomada a ligação à modalidade na ARCD Venda da Luísa… até hoje!

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Foto: pódio 110 m barreiras no Campeonato Nacional INATEL, Porto, 1987

· Funções atuais principais na equipa

Neste momento, aquilo a que se pode chamar um colaborador da Direção.

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Foto: pódio 400 m barreiras no Campeonato Nacional INATEL, Porto, 1987

· Abrangência e implicação das funções

Como em todas as coisas em que me meto, faço-o por gosto, mas exigindo bastante de mim próprio. Sou o responsável pela ligação da Direção aos restantes elementos da equipa, e sou o responsável pela inscrição dos elementos da equipa nas provas, fazendo a ponte entre a equipa e as organizações.

· Porquê esta equipa 

Porque sou sócio (n.º 4) desde a fundação da Associação e sou dos elementos fundadores da equipa de atletismo, para além do facto de ter residido na Venda da Luísa durante muitos anos.

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Foto: com a esposa no Trail de S. Martinho (Ega), 2018

· Maior dificuldade na gestão das atividades/provas

 Atualmente está a ser a pandemia. Neste contexto de COVID que todos vivemos está a ser demasiado difícil gerir expectativas e manter o interesse dos elementos da equipa na competição. Mesmo que para se fazer parte da equipa esta época ninguém tenha tido a obrigação de se comprometer com nada, tem havido um número muito grande de atletas que não competiram desde o início da pandemia. Como é lógico, compreendemos, e nunca houve qualquer pressão para o fazerem. Antes da pandemia, a maior dificuldade era obter dos atletas (mais de 100) respostas atempadas às perguntas que se fazem: se pretendem participar em determinada prova, se querem estar presentes num jantar ou convívio, se querem adquirir determinada peça do equipamento, etc… as respostas surgem sempre lentamente e tiradas a ferros. Obviamente que depois dos prazos terminarem há sempre alguém que afinal queria ter-se inscrito ou queria ter adquirido aquela peça de equipamento. Às vezes é possível remediar a situação, outras nem por isso.

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Foto: 111 km do Trail de Sicó - Maio de 2021

· Motivos de orgulho a nível diretivo

 Pertencer a uma organização que tem as contas em dia e que, mesmo não procurando por novos atletas, eles venham à nossa procura, por indicação de amigos ou familiares que já estão na equipa. Esse é o maior orgulho. Também o cuidado que temos na comunicação com os atletas. É fundamental que os atletas saibam que alguém está atento por eles a pormenores competitivos, a prazos e a preços mais baixos. Apesar de nos orgulharmos de ter todos os atletas que temos, sentimos um orgulho especial por aqueles que podiam obter melhores condições económicas noutras equipas, e preferem estar connosco porque se sentem bem tratados, bem acolhidos e porque sabem que nos preocupamos com o seu bem-estar. O simples facto de gastarmos grande parte dos apoios que temos no pagamento de clínica de fisioterapia para tratamento gratuito de lesões que eventualmente possam vir a sofrer, é algo diferenciador que nos orgulhamos de fazer. 

Trail Conimbriga Terras de Sicó - Fevereiro 2012.

Foto: Trail Conimbriga Terras de Sicó - Fevereiro 2012

· Maior envolvência e empenho em ter mais mulheres ou isso é irrelevante?

 Dá-nos um orgulho muito grande em ter no seio da equipa um tão grande número de mulheres, mais de um terço da totalidade dos membros atuais, mas não nos temos empenhado particularmente nesse aspeto. Mais do que isso, orgulha-nos ter mais de 70% da equipa no escalão de veteranos. Ao contrário dos jovens que têm muitas alternativas para praticarem desporto, provavelmente sem a existência da equipa, grande parte destes veteranos (maiores de 35 anos de idade) fariam parte do grande número de sedentários do nosso país.

· Momentos difíceis como gerente

Esta pandemia tem sido muito difícil de gerir. De resto, apenas um momento ou outro de maior aperto de tesouraria que, felizmente, têm sido raros. Apesar de não ser dirigente, partilho com eles essas dificuldades…

· Momentos positivos marcantes

 A fundação da equipa com 5 atletas da terra, a que se juntaram num abrir e fechar de olhos outros tantos ainda no primeiro ano de vida foi um momento marcante. Também foram marcantes os primeiros pódios, os primeiros títulos e os primeiros prémios. O atingir do centésimo atleta também foi marcante, bem como o baixo número de saídas de ex-elementos para outras equipas: dois! Julgamos que atesta o quanto os atletas aqui se sentem bem.

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Foto: Treino de equipa - Janeiro de 2020

· Realidade de apoios/subsistência de clubes mais pequenos 

Os apoios que temos não são muitos, mas são bons. O apoio da Câmara Municipal é fundamental para a nossa equipa, bem como para a grande maioria das equipas do nosso concelho. Sem ele não poderíamos oferecer o pouco que oferecemos. Depois o apoio de outro grande amigo do Desporto na nossa região, o Intermarché de Condeixa. São estes os dois únicos patrocinadores que temos nas nossas camisolas. Apesar dos atletas poderem obter patrocínios para si, não tem sido habitual fazerem-no. Temos ainda o apoio das duas freguesias a que a Venda da Luísa pertence. Temos essa sorte (de pertencer a duas freguesias, Sebal e Anobra) uma vez que a divisão das freguesias passa a meio da aldeia e a sua ajuda, apesar de modesta, também é bem-vinda. Julgamos que tal como nós, a grande maioria dos pequenos clubes subsiste desta forma: apoios das Câmaras e das Juntas e de um ou outro patrocinador que oferece pequenas quantias. Nós optámos por ter, para além da Câmara, apenas um patrocinador, e termos a camisola de prova sem os inúmeros pequenos patrocínios que outras equipas têm. Felizmente fazemo-lo porque conseguimos, mas a realidade mais frequente é aquela referida antes. São poucas as equipas que podem suportar as filiações, pagamentos de seguros, inscrições nas provas e equipamentos para todos os atletas. E às vezes ainda pagam prémios. A maioria penso ser como nós: pagam as filiações e os seguros, parte dos equipamentos (no nosso caso para criar um compromisso com a equipa não oferecemos a totalidade do valor do equipamento) e uma inscrição ou outra para provas. Raras são as equipas que oferecem os tratamentos médicos aos seus atletas, como nós fazemos. Mas apesar deste cenário, há alguns anos atrás os apoios ainda eram menos, principalmente autárquicos.

 Projetos futuros

Eventualmente poderá surgir uma equipa de BTT, uma vez que muitos dos nossos atletas praticam também esta modalidade. Mas ainda nada está decidido.

Trilhos dos Abutres - Janeiro de 2017 - 1ª Ultra.

Foto: Trilhos dos Abutres - Janeiro de 2017 - 1.ª Ultra

· Objetivos da equipa

Manter a equipa com este espirito e tentar manter as condições que oferecemos aos nossos atletas. Tudo o que vier por acréscimo será bem-vindo!

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Foto: Trail de Piódão - Abril de 2019

22
Jul21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Finalmente tenho a possibilidade de dar a conhecer este atleta já bem experimentado no atletismo.

Falo-vos de uma pessoa que não pára quieta, que tem mil e uma funções e que procura garantir o bem-estar de todos no seio da equipa. 

Sim, é da minha equipa e todos os elementos lhe farão uma vénia por tudo o que nos tira do caminho.

Como se não bastassem os afazeres administrativos, ainda corre por diversão, como o próprio defende, e acumula grandes distâncias como quem acorda, tal é o gosto que tem pela corrida em serra/montanha.

Deixo-vos com as respostas do Carlos Canais. Já lhe tinha pedido esta entrevista há imenso tempo. Demorou, mas aconteceu agora finalmente. Mais vale tarde do que nunca. E valeu bem a pena.

25-07-2011 - Dia em que comecei a correr com 95Kg.

Foto: 25-07-2011 - Dia em que começou a correr com 95 Kg

Nome

 Carlos Canais

Idade

 51 anos

Equipa

ARCD Venda da Luísa

Praticante de atletismo desde

2012

Modalidade de atletismo preferida

 Trail

Prefere curtas ou longas distâncias

Longas

Na atual equipa desde

2012, ou seja, desde a sua fundação.

Campeonato Distrital Pista Veteranos 2019 - 100m.J

Foto: Campeonato Distrital Pista Veteranos 2019 - 100 m

Volume de treinos por semana

Conforme disponibilidade e objetivos (às vezes temos de arranjar disponibilidade mesmo que a horas pouco convencionais), mas normalmente 2 treinos durante a semana e um mais longo ao fim de semana.

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Foto: Poiares Trail 2019

Importância dos treinos

Grande. Para promover a atividade física em primeiro lugar e para se atingir alguns objetivos, o que no meu caso passa por conseguir terminar as provas, usufruindo das mesmas, sem qualquer sofrimento. E também para promover a união dos atletas da nossa equipa. É algo que muito me agrada: estar numa equipa que treina junta sem grandes compromissos, apesar dos objetivos desportivos distintos de cada elemento. Isso não impede que treinemos juntos, apesar de cada um ao seu ritmo.

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Foto: Campeonato Distrital Pista Veteranos 2021 - 110 m barreiras

Se tem ou não treinador

Não

Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Pratiquei atletismo entre os 17 e 18 anos de idade (1986 e 1987) e depois deixei de o fazer. Veio o ensino superior, o início da vida profissional e, depois quando comecei a ter disponibilidade, o futebol até aos trinta anos. As diferenças que noto passam essencialmente pelo número de praticantes (que agora são muito mais do que naquela altura), pelo grande número de mulheres, pelo número de pessoas mais maduras com quarenta, cinquenta e sessenta anos, pela informação e preparação que os atletas têm, pelo maior apoio que existe das entidades públicas e, principalmente, pela forma como é vista pela sociedade a prática do atletismo. Hoje é tudo normal. Naquele tempo se te viam a treinar perguntavam se não tinhas trabalho para fazer. O que também mudou foi o surgimento da vertente do Trail e da corrida em natureza, grande responsável pelo aumento de praticantes da modalidade.

Campeonato Distrital Pista Veteranos 2019 - salto

Foto: Campeonato Distrital Pista Veteranos 2019 - salto em altura

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Curiosamente, quando pratiquei atletismo na minha juventude eu gostava principalmente de provas de pista. As minhas preferidas eram as de velocidade como os 200 e 400 metros, as de barreiras, tanto de 110 como de 400 metros e o salto em altura. Na altura, o INATEL era o grande promotor do atletismo e cheguei a ser vice-campeão nacional de 110 e 400 metros barreiras. O que detestava mesmo eram as provas longas, quer fossem de estrada ou de corta mato. Mal sabia que anos mais tarde seriam as provas longas que me dariam maior gozo. Outra história que posso contar, esta mais recente, surgiu no início da pandemia e no primeiro confinamento. Para não parar totalmente, e com a ajuda do meu pai, abrimos trilhos com uma roçadeira e fizemos um circuito de corrida no pinhal atrás da minha casa com mais de 500 metros. Na altura fiz questão de não andar a correr na rua (mesmo que não implicasse cruzar-me com quem quer que fosse), até para dar o exemplo, e foi uma ótima forma de poder continuar a praticar. Finalmente, sempre que vou para uma prova (normalmente longa), lembro-me sempre de algo que aprendi com o Zé Carlos Fernandes, um dos portugueses com mais maratonas e ultramaratonas no currículo pessoal, e que nos dá a honra de ser nosso colega de equipa: "antes mal preparado que cansado". Apesar de saber que o preferível é estar preparado, a verdade é que se chegarmos a uma prova com treinos a mais e cansados não a conseguimos acabar. Pelo contrário, mesmo que a preparação não seja a ideal, nem que seja devagar e parando de vez em quando, conseguimos acabar a prova.

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Foto: II Trilhos dos Abutres - Janeiro 2012

Aventura marcante

 A aventura da minha vida aconteceu no Trail do Piódão de 2019 disputado sob condições meteorológicas adversas. Foi chuva, granizo e neve, muita neve, ao longo dos cerca de 50 km de prova, o que a tornou inesquecível. Nos últimos 10 km a neve era tanta que não conseguia ver as pegadas da pessoa que ia cerca de 50 metros à minha frente. Foi uma aventura e tanto, passada na maioria dos Km com duas colegas de equipa, a Carla e a Elza que, com toda a certeza, também terão tido a aventura das suas vidas. Outra aventura que não esquecerei foi a primeira vez que terminei os 111 km do Sicó. Foi uma prova que fiz juntamente com 4 colegas de equipa (o Zé Carlos, o Marco, a Célia e o Rui) do início ao fim, sempre todos juntos. 

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Foto: 111 km no Trail de Sicó 2019

Participação em prova mais longa

 111 km do Sicó.

Objetivos pessoais futuros

 Continuar a ter força e vontade de correr pela diversão e partilha de momentos. Não tenho objetivos competitivos…até porque, recomecei a correr para perder peso (já me pareço com alguém que conheço [risos]) – em julho de 2011 pesava 95kg e em setembro, menos de dois meses depois estava com 84kg e fiz a Meia Maratona do Porto!

Fim de treino às 4 da madrugada a preparar os pri

Foto: Fim de treino às 4 da madrugada a preparar os primeiros 111 km de Sicó - Outubro de 2016

Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Com mais praticantes e com melhores condições. Penso que haverá uma seleção natural do exagerado número de provas que existem atualmente e que visam principalmente o lucro sem se preocuparem com as condições que oferecem aos atletas. A seleção será feita pelos percursos e sua qualidade, inovação, condições de segurança, conforto e boa organização. Pelo menos é o que espero!

Fim de treino em Sicó - Fevereiro 2020.jpg

Foto: Fim de treino em Sicó - Fevereiro 2020

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos Como disse antes, apenas quero continuar a divertir-me e a poder usufruir da companhia dos meus colegas de equipa e dos restantes atletas.

Meia Maratona do Porto, setembro 2011 - 1ª prova

Foto: Meia Maratona do Porto, setembro 2011 - 1.ª prova após décadas sem correr, já tinha baixado para 84 Kg

08
Jul21

ARCD VENDA DA LUÍSA - POSIÇÕES ORGANIZATIVAS


João Silva

Passado o dia de aniversário desta associação do concelho de Condeixa-a-Nova, distrito de Coimbra, terminamos toda esta série de apresentações com a posição da própria face à Federação Portuguesa de Atletismo e ao estado das competições da modalidade em Portugal.

Uma vez mais, muito obrigado pela gentileza na cedência de todas estas informações transmitidas ao longo dos últimos dias.

Posição da associação:

Apesar de não estarmos alinhados em todos os aspetos com as decisões e orientações da FPA ou da ADAC, julgamos que deve ser no seu seio que as mesmas devem ser tratadas. Por isso, é nossa intenção continuarmos filiados e ajudarmos a mudar algumas coisas que julgamos que poderiam ajudar a aumentar a competitividade do trail e das provas de estrada. Os circuitos de trail distritais deveriam ser reformulados quanto à pontuação, seleção de provas e modelo competitivo para que os melhores atletas do distrito se sentissem motivados a participar neles, o que não acontece atualmente, com um grande número de provas, e nem todas com o mínimo de qualidade desejável. Algumas delas nem sequer deveriam pertencer a estes circuitos mas sim, e porque não, a um circuito de corta-mato. Para a estrada somos também defensores de um circuito que permitisse aos atletas disputarem provas com regularidade, tornando-as competitivas e que motivassem os nossos melhores atletas do distrito a participar nelas.
Ainda relativamente ao trail, principal vocação da maioria dos nossos atletas, continuaremos filiados na ATRP (Associação Trail Running Portugal) onde temos também algumas divergências de opinião quanto à orientação que está a ser seguida, mas aí, dado o universo de clubes, para já, é difícil alterar o que quer que seja.

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07
Jul21

ARCD VENDA DA LUÍSA - O ANIVERSÁRIO


João Silva

São muitos. São imensos. Fazem barulho e dão apoio aos seus. Bebem cerveja e riem. Comem juntos e são felizes.

São muitos. Cada vez mais. São imensos. Uma espécie de família. Que não pára de crescer.

MUITOS PARABÉNS, ARCD VENDA DA LUÍSA, pelo teu 34.º aniversário, celebrado hoje.

Em forma de comemoração, deixo o vídeo de apresentação da secção de trail desta associação e um vídeo relativo à Gala do Desporto do Município de Condeixa.

Gala do Desporto

Os vídeos são da autoria da equipa, que, amavelmente, mos cedeu para que procedesse à sua publicação neste espaço.

 

06
Jul21

ARCD VENDA DA LUÍSA - METAS


João Silva

Para o futuro não estabelecemos objetivos desportivos. Pretendemos poder proporcionar aos nossos atletas o acompanhamento médico habitual, os tratamentos em clínica de fisioterapia gratuita para todos e a poder dar alguns mimos aos atletas que participem num determinado número de provas ou que obtenham determinados resultados. A nossa maior ambição é os atletas que pertencem à equipa continuarem a querer trazer para cá os seus familiares e os seus amigos...sinal de que se sentem em família e gostam de pertencer à equipa. Esse gosto que nos faz usufruir do trail em grupo, seja durante as provas, seja nas chegadas à meta!

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05
Jul21

ARCD VENDA DA LUÍSA - FEITOS


João Silva

Os Feitos

Felizmente, desde a primeira época que nos filiámos na Associação Trail Running Portugal e na Federação Portuguesa de Atletismo, via Associação Distrital de Atletismo de Coimbra, sempre conquistámos títulos individuais e coletivos, e outros lugares de mérito (segundos e terceiros) na vertente do trail. Nos últimos anos descobrimos as provas em pista e também aí temos vindo a conquistar títulos e lugares de mérito.

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Esta época chegámos também ao corta-mato, tendo vencido o primeiro título nesta vertente.

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Para além destes resultados, já conquistámos também alguns prémios individuais na Gala de Deporto do Município de Condeixa (Fotos 28 a 34).

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Porém, e independentemente de todos estes méritos, o nosso maior feito é a amizade que une o grupo e que nos faz ter jantares e convívios marcados ou espontâneos espetaculares.

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04
Jul21

ARCD VENDA DA LUÍSA - OBJETIVOS


João Silva

Objetivos

Quando começámos com a equipa, essencialmente com atletas da terra, nunca tivemos qualquer objetivo que não fosse correr por diversão e para que tivéssemos uma forma organizada de praticar desporto, nomeadamente com seguros. A equipa foi crescendo de ano para ano, sempre porque os elementos que lá estavam traziam os seus amigos próximos e familiares para a equipa. Quando demos por ela, a equipa já tinha mais de 100 elementos. Felizmente que com a chegada de tão grande número de atletas vieram alguns que, para além de terem o objetivo da diversão, partilha de momentos e companheirismo, vieram trazer alguma competitividade à equipa. Apesar de isso nos agradar, continuou a não ser critério para a entrada na equipa. Neste momento, gostamos muito de treinar juntos, fazer as provas de que gostamos, sem qualquer compromisso, e obter da corrida o maior prazer possível. Se ganharmos, melhor; se não ganharmos, felizes na mesma desde que nos divirtamos. Ainda relativamente aos treinos em conjunto, tornou-se famoso o nosso treino noturno conjunto de fim de ano, onde chegámos a juntar mais de 50 participantes, acabando apenas no dia seguinte após 70 km. 

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