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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

28
Ago20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje venho falar-vos e dar-vos a conhecer o Paulo Alves, nome de antigo jogador da bola.

Não conheço pessoalmente este rapaz, mas já pude sentir a sua simpatia e boa disposição no seio da nossa equipa.

Curioso o facto de achar que ele já fazia parte da equipa há mais tempo do que eu, quando, na verdade, sou mais "velho" na laranja. Particularidades, portanto.

Outra é o facto de a minha alcunha atual no seio da equipa ter sido dada por ele: alcatroado. Qualquer relação do nome com a minha paixão à estrada é pura coincidência.

Aprecio o jeito descontraído do Paulo, bem como a sua abordagem mais ligeira. Como sei que é algo difícil para mim, gabo-lhe os méritos dessa atitude, que, ou muito me engano, é uma marca distintiva da sua personalidade.

Deixo-vos, pois, com o Paulo Alves.

 

  • Nome:

Paulo Alves aka Alfacinha aka #treinapaulo :)

EGT2016-46kms.JPG

 

  • Idade:

42

  • Equipa:

ARCD Venda da Luísa

 

  • Praticante de atletismo desde:

Meados de 2012, pois foi quando a balança chegou aos 106 kg. Achei que já bastava e meti na cabeça que iria fazer a corrida do Sporting (10 km) nesse mesmo ano, pelo que comecei a correr do zero por períodos de 5 min. no máximo e aumentando gradualmente.

OMD2018-50kms.JPG

 

  • Modalidade de atletismo preferida:

É o trail running pela sensação de liberdade, camaradagem e aventura que cada treino/prova proporciona.

 

  • Prefere curtas ou longas distâncias:

Claramente as longas distâncias pelo desafio de ter de vencer os quilómetros, o tempo, a meteorologia, gerir o corpo, mas, sobretudo, por ter de contrariar o que a cabeça muitas vezes pede quando surgem as dificuldades.

Sicó 2020-111kms.JPG

 

  • Na atual equipa desde:

24 de Março de 2019, dia do Trail de Pereira.

 

  • Volume de treinos por semana:

É muito variável pois sou um "atleta" muito indisciplinado, por isso, tenho semanas em que treino 1 vez e outras em que chego às 6. Mas, se seguirmos a grande máxima "descanso também é treino", então é todos os dias e nisso sou fortíssimo. :)

Almourol 2014 - 1a maratona em trilhos (44 km).jpe

 

  • Importâncias dos treinos:

Considero que, de facto, treinar com regularidade e disciplina é muito importante pois conseguimos desfrutar muito mais das provas e acabá-las sem ter a sensação que fomos atropelados pelo Intercidades. (risos)

Trail Viver Pereira 2019.JPG

 

  • Se tem ou não treinador:

Não tenho treinador, mas como sou algo preguiçoso para treinar, tenho 2 treinadores informais que usam todos os métodos possíveis e imaginários para me "obrigar" a treinar.

 

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual:

Sinceramente não considero que esteja no atletismo há tanto tempo para notar as diferenças, mas acho que há cada vez mais uma "indústria" das provas de corrida, sobretudo no trail, em que o objetivo é principalmente fazer dinheiro, sendo que há ainda uns resistentes que dão prioridade à qualidade em detrimento da quantidade dos seus eventos.

TSL2017-55kms.JPG

 

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas,

O acontecimento mais insólito numa prova foi num Oh Meu Deus, na subida da Garganta de Loriga para a Torre senti-me mal com o calor, fui sempre subindo e esperando que viesse o vassoura, quando cheguei à Torre, 4 horas depois de ter saído de Loriga, descobri que nenhum dos elementos estava à minha espera porque pensavam que o último já tinha passado...Outra situação insólita foi no ano passado nos 65 km da Freita, eu estava a fazer a prova com o Rui Monteiro e o José Carlos Fernandes, entrámos juntos na mítica Besta, sendo que depois cada um seguiu o seu ritmo e, de repente, eu consegui perder-me naquele percurso para parece simples e depois só ouvia os gritos do Rui e do José a chamar por mim...  e uma curiosidade é que já acabei várias provas com pelo menos uma rapariga que não conhecia até aí. ;)

Oh Meu Deus K70 2014.jpeg

 

  • Aventura marcante

Tive algumas experiências em prova que me marcaram, como correr na neve na Serra da Estrela, a brutalidade e beleza da Serra da Freita, as noites das provas de 100 km, mas o que mais me marcou ao longo destes anos de corridas foram sobretudo as pessoas que trouxe de cada aventura.

 

  • Participação em prova mais longa

 

Foi este ano nos 111 km do Sicó, que já tinha tentado o ano passado e fiquei a 18 km da meta, sendo que desta vez terminei-a, mas a prova mais longa prevista para este ano era a Ultra Caminhos do Tejo 144 km.

UMA2016-43kms.jpg

 

  • Objetivos pessoais futuros:

Basicamente terminar os objetivos que tinha para este ano, ou seja, UCT 144 km, TPG 55kms, finisher circuito ultra endurance da ATRP. 

Projetos que não tinha para este ano, mas que quero cumprir são OMD 100k ou 100 milhas, MIUT, PGTA, também PT281+ e/ou ALUT (solo ou estafeta) isto só para referir os objetivos internos.... :p

 

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Vejo o atletismo daqui a 5 anos como já tendo feito uma seleção natural entre as provas de qualidade e provas que só procuram lucro fácil sem qualidade, mas, no geral, cada vez mais gente a correr seja na estrada ou no trilho.

 

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos:

Sinceramente acho que andarei pelos trilhos lá atrás como é meu hábito, mas a curtir cada dia e cada metro percorrido.

10
Ago20

1, 2, 3, uma entrevista diferente desta vez...


João Silva

Esta é uma entrevista diferente. Por não ter percebido a dúvida do meu convidado, induzi-o claramente em erro na forma de comunicação do conteúdo.

O mais curioso foi que gostei da forma como enquadrou e desenvolveu os temas. 

Posto isto, hoje trago-vos o Gil Santos, meu colega de equipa e um dos primeiros que conheci quando me juntei ao grupo. O Gil é uma pessoa muito simpática e sempre disposta a ajudar na integração.

Além disso, este jovem é meu vizinho, o que também tem os seus méritos.

Mais a sério, é um atleta à maneira e, apesar de não fazer estrada, noto que desenvolve bem o seu ritmo nesse palco.

Fiquem, pois, com o Gil Santos.  

1° ultra trail no VIII ULTRA TRAIL DE SICÓ 2017.

O meu nome é Gil Santos e tenho 44 anos. 

Neste momento, faço parte de uma equipa de trail do concelho de Condeixa a nova do distrito de Coimbra ( ARCD VENDA DA LUÍSA) desde 2015.

Apesar de ter iniciado a prática de atletismo na vertente estrada em 2014, (na equipa das 4 estações de Coimbra, que era e ainda é liderada pelo meu amigo Guilherme), logo me apaixonei pelo TRAIL através do meu amigo Marco Santos, que numa manhã de treino me levou a conhecer os trilhos da Serra de Sicó. Passei logo a gostar de trail running, a vertente que prefiro. Inicialmente fazia curtas distâncias nas provas em que participava, mas ao longo dos anos comecei a fazer distâncias maiores até atingir provas 'chamadas' ultras.

Trail infante-Penela 2017.jpg

Em relação ao volume de treinos semanalmente é um pouco relativo, isto é,  treino consoante a minha disponibilidade uma vez que tenho vida profissional.  Praticamente faço e quando posso dois treinos longos ou 3 curtos, compensando com natação e estática por vezes, mas tudo depende da disponibilidade que tenho. Por vezes pode haver uma semana em que não treino. Os meus treinos faço praticamente sozinho na Serra de Sicó na zona de Condeixa, e, por vezesm para elevar o ritmo, faço uns treinos de estrada. 

Louzantrail 2018.jpg

Apesar de não ter treinador (sou eu o meu treinador), sou eu que faço previamente o que irei fazer. Ultimamente tenho lido muito sobre provas e quais os métodos a utilizar nos respetivos treinos, tenho um conselheiro (João Fantástico) que me ajuda muito, especialmente a dar-me conselhos nos treinos que faço, o que lhe agradeço imenso. 

Coimbra trail 2016.jpg

Relativamente ao atletismo do passado e o atual, sinceramente não conheço muito do passado, mas no presente, em relação ao trail, tenho  reparado que muita gente anda a participar mais, uns, claro, têm os seus objetivos e outros apenas para se divertirem. Conheço muita gente que apenas participa para conhecer as paisagens e não estar num domingo, por exemplo, sentado no sofá. Claro que é muito bom ver nas provas todo o tipo de pessoas a participarem.

Em 2014, fiz a minha primeira prova oficial em estrada (Corrida Pedro e Inês), onde o mais importante para mim era terminar a prova, o que consegui com muito suor e esforço. 

Curiosamente, numa prova que participei em 2017 ( IV GRANDE TRAIL DAS LAVADEIRAS 25K), fiz praticamente o percurso todo a ajudar um adversário que não conhecia de lado nenhum (Renato Ferreira), hoje somos grandes amigos, e que participava com a sua cadela (Kyra). Essa prova foi uma enorme aventura pois ajudei-o várias vezes a subir trilhos muito técnicos com a sua cadela.

Castellum Trail 2018.jpg

Destaco também com muito gosto a minha primeira participação numa prova ultra: VIII ULTRA TRAIL DE SICÓ 2017, onde participei pela primeira vez participei e com êxito numa prova de 52km. No ano seguinte, voltei a repetir, no ano 2019, não participei infelizmente porque 2 meses antes tinha sido operado a uma hérnia umbilical mas no ano 2020 voltei e fiz os 57km de Sicó. Esta prova para mim é muito especial, pois é realizada na vila de Condeixa, onde resido, e considero-a a minha prova rainha. Em todas as provas que já realizei, seja vertente TRAIL ou Estrada, tenho sempre um objetivo que é terminar bem e sem lesões. Depois, se bater o meu recorde pessoal, é um acréscimo. Como se costuma dizer: é a cereja no topo do bolo. Quanto ao futuro dos trail em questão, vejo com muita satisfação em relação a quem as organiza,  uma vez que as mesmas ano para ano melhoram muito, a nível de qualidade, segurança e abastecimentos. A nível pessoal , ou continuar com os meus treinos, mesmo sabendo que as provas que tinha em mente para este ano foram todas canceladas devido ao novo coronavírus. Futuramente, acredito que, a partir do ano 2021, as provas vão voltar e continuarei a dar sempre o meu melhor em prol da minha equipa que me acolheu há 5 anos e onde fui excecionalmente recebido de braços abertos ou não fosse ela a minha família do desporto. Voltar às provas, serras, montes, trilhos, rever paisagens, amigos, poder ajudar quem precisa, conhecer novas pessoas, seja com sol, chuva, frio, calor, trovoada, neve e vento é tudo o que desejo para o futuro e isto sim é TRAIL. 

2°eco meia maratona 2016.png

Por fim queria agradecer a todos os meus companheiros de equipa e a todos os meus amigos de equipas "adversárias" que me apoiam antes, durante e no fim das provas, dar os parabéns a todas as organizações de provas que sei que dão tudo por tudo para que corra tudo bem. Às pessoas que mencionei aqui fica um grande abraço. À minha família em especial, que me apoia totalmente. E, por fim, um enorme abraço ao meu grande amigo, criador deste blogue, que, ao conhecer um pouco da sua história, vi que conseguiu ultrapassar todas as divergências e que hoje é um MARATONISTA. 

GIL SANTOS

 

XI ULTRA TRAIL SICÓ 2020 57KM.jpg

III grande trail das lavadeiras 2016.jpg

Equipa ARCD venda da luisa 2019.jpg

 

11
Jul20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Para aproveitar este belo mês de verão, deixo-vos mais um "episódio" desta rubrica fixa de entrevistas para vos dar a conhecer mais atletas e a sua realidade.

Como a fonte é inesgotável bem perto de mim, trago-vos mais um elemento da minha equipa, a ARCD Venda da Luísa.

No entanto, não é esse o fator determinante para vos trazer aqui a história do Rui Monteiro. Existem outros, na verdade. Desde logo, porque o Rui transpira sociabilidade. É talvez o elemento mais extrovertido, comunicativo e divertido da equipa, não desfazendo de ninguém. Procura sempre gerar bom ambiente, brincadeira e é um facilitador de integrações.

Na prática, conheci-o pessoalmente por intermédio do Zé Carlos, mas não deixa de ser curioso que foi ele a primeira pessoa a "indicar-me" boleia para a minha primeira prova como laranjinha.

No entanto, o Rui não se resume apenas a boa disposição. Vejo nele um grande poder de integração e um elemento congregador, características sempre muito importantes no seio de uma equipa com tantos elementos.

Apesar de, na minha opinião, nem sempre transparecer isso, este rapaz tem um potencial enorme. A meu ver, precisa de o aplicar, mas a paixão que revela por este desporto e por um bom convívio já são meio caminho andado.

Mais do que ser eu a descrevê-lo, devem ser vocês a ter uma noção vossa da boa pessoa que é.

Fiquem, pois, com o Rui Monteiro.

 

  • Nome

Rui Monteiro

Ultra trail dos Abutres 2020 55km.png

  • Idade

29 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Não sei precisar, mas para aí desde 2015

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida a pé no monte (o chamado trail) 

100 km Abrantes 2019 - Aqui cerca de 65 km, antes

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Gosto de tudo, mas prefiro longas/ultras.

  • Na atual equipa desde

Desde 2016.

  • Volume de treinos por semana

Treino 6/7 dias por semana, depende daquilo para que me estou a preparar.

Trail encosta do Mondego 2019 25km - Cansado no fi

  • Importância dos treinos

Os treinos são a base de tudo, sem eles não há nada, pelo menos em distâncias longas/ultras/endurance.

  • Se tem ou não treinador

Não tem treinador.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Para além de muito mais gente, acho que há coisas boas e menos boas. As boas são que há mais gente, existe espírito de entreajuda entre praticamente todos, os eventos tornam se melhores e com maior importância, muita gente quer superar-se a si própria e isso pode levar a coisas menos boas, já que "saltam" etapas sobretudo de distâncias. Ou seja, a meu ver, tem de se ir progredindo, um passo de cada vez, correndo o risco de, para além de não gostar, ainda acartar lesões que podem colocar em causa a continuação da atividade física.

Sico 2020 57km - Primeira ultra da Jéssica, na qu

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Existem algumas, mas uma que me marcou foi logo na primeira prova que fiz, no Trail de S. Martinho na Ega em 2016, em que numa descida bastante acentuada passou um atleta por mim e caiu uns metros minha frente de forma muito violenta que lhe abriu a cabeça, quando cheguei ao pé dele estava a revirar os olhos, foi algo que me marcou muito. Outra foi nos 65km da Serra da Freita em 2019, ia com um grupo de amigos, chegamos a uma aldeia, estávamos todos a falar numa "uma cerveja agora é que era" a primeira pessoa que vimos a sair de uma casa, onde eu pergunto se havia um café aberto, na qual o senhor responde "sou dono de um, e vou abri-lo agora, é ja ali em cima" chegamos na hora H hehehe. 

  • Aventura marcante

Sem dúvida, os 100 km de Abrantes. Primeira ultra de 3 dígitos, até agora foi a que mais me marcou sem dúvida. 

Oh Meu Deus 2017 40km - Primeira prova longa, não

  • Participação em prova mais longa

 100 km de Abrantes. 

  • Objetivos pessoais futuros

Existem alguns, desde um que foi cancelado (o objetivo seria fazer os 146 km da Ultra Maratona Caminhos do Tejo), a outros que ainda estão no segredo dos Deuses (sorrisos).

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Acho que muitos recordes vão ser batidos, algumas coisas vão mudar para melhor, alguns eventos vão acabar, ficando apenas os "bons".

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Vejo-me melhor do que estou hoje fisicamente (assim espero).

Mondego Ultra Trail 2019 22km - Prova onde fui de

 

Deixo-vos este extra - a descrição das fotos na "voz" do próprio:

Foto 1- Ultra trail dos Abutres 2020 55 km 

Foto 2-  100km Abrantes 2019 - Aqui cerca de 65 km, antes de levar com a marreta 

Foto 3-  Trail encosta do Mondego 2019 25 km - Cansado no final da prova, pois no dia antes tinha estado no Marão a ajudar o amigo Fantástico a fazer o everesting 

Foto 4- Sico 2020 57 km - Primeira ultra da Jéssica, que tive muito orgulho de acompanhar de inicio ao fim, fica na memória

Foto 5- Oh Meu Deus 2017 40 km - Primeira prova longa, não foi ultra, mas era dura

Foto 6- Mondego Ultra Trail 2019 22 km - Prova onde fui de vassoura

01
Jul20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Começamos o segundo semestre deste ano muito anómalo com mais uma entrevista, desta feita, a alguém por quem nutro uma grande simpatia.

Trata-se do Michael, meu colega de equipa na ARCD Venda da Luísa, a quem eu comecei por trocar o nome e por "casar" com uma colega da equipa. Na verdade, estava equivocado. Um começo em beleza, sem dúvida.
Por outro lado, foi também assim que nasceu um bom relacionamento. No início deste ano, quando palmilhava as terras circundantes da Venda da Luísa, passei a cruzar-me com ele todos os dias. Já era o meu ponto de referência.

Pessoa de trato fácil e muito sociável, do que conheço. É um apaixonado pela corrida. Já anda nisto desde 2012. Tem muito a contar, portanto.

Fiquem, pois, a conhecer o Nelson Michael. 

 

  • Nome

Nelson Michael Simões

Sico 2012.jpg

  • Idade

42 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Desde 2012

Abustres 2013.jpg

  • Modalidade de atletismo preferida

Trail

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Distâncias curtas

  • Na atual equipa desde

Desde 2013, ou seja, desde a fundação do ARCD Venda da Luísa Trail.

  • Volume de treinos por semana

 2 ou 3 treinos/semana.

  • Importância dos treinos

Com os treinos melhoro o desempenho físico, aumentando desta forma o rendimento e os resultados. Ao mesmo tempo proporciona-me bem-estar e ajuda-me a manter o equilíbrio mental depois de dias longos de trabalho. Infelizmente treino muito menos do que queria.

Prova em Condeixa_2015.jpg

  • Se tem ou não treinador

Sem treinador.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Em oito anos, a diferença é enorme em número de praticantes, número de provas e nos equipamentos/acessórios de corrida que temos ao dispor.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Primeiro treino que fiz: 19 de janeiro de 2012 com os amigos Carlos Canais e Zé Carlos Fernandes. Como era habitual, todas as quintas-feiras íamos jogar à bola e mais uma vez não apareceu pessoal suficiente. Assim, eu e o Canais fomos ter com o Zé Carlos e a ideia (pelo menos a minha) era fazer uma coisa curta. Comecei a correr sempre à frente deles ao bom tipo de lebre e o Zé dizia para o Canais: ele já se cansa. E teve razão, depois de uns quilómetros cheguei tal maneira a casa que fui para a cama que devo ter tido febre e o Canais, preocupado, ainda me mandou umas mensagens durante a noite a perguntar como eu estava. Resultado? Nunca mais parei de treinar até ao Covid....

  • Aventura marcante

Marcante? Acho que ainda está para vir.

Corrida da Amizade Coimbra - Reequilibra Team.jpg

  • Participação em prova mais longa

Só faço curtas, pois fico com dores insuportáveis. A mais longa teve pouco mais de 30 km.

  • Objetivos pessoais futuros

Não deixar de correr e fazer mais provas por ano.

Trail Pereira.jpg

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Acho que estão reunidas todas as condições para haver mais praticantes de todas as idades.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

A fazer o mesmo tipo de provas, pois é assim que me sinto bem. Apenas queria fazer mais provas.

Poiares 2020.jpg

 

 

 

04
Jun20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

O "candidato" seguinte nesta rubrica de entrevistas dá pelo nome de Artur Jorge, sendo conhecido nas corridas por Tujó.

Foi dos primeiros elementos da minha atual equipa que conheci. Na verdade, na prova Pedro e Inês em 2018 trocámos algumas ideias e fiquei logo com boa impressão dele. Trata-se de alguém que leva isto com ligeireza, mas que assume o gosto pelo desporto e que o pratica para estar bem consigo próprio. O facto de ser um bom atleta e de obter bons resultados funciona como um extra nesta escada de atributos.

É um homem de ação, deixa as palavras na gaveta, mas, em todo o caso, sabe bem o que quer desta modalidade.

Fiquem, pois, com o Artur Jorge Henriques Gândara:

  • Idade

40 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Janeiro 2014; (Night Runners Coimbra)

  • Modalidade de atletismo preferida

Estrada

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Distâncias curtas

  • Na atual equipa desde

12/2016

  • Volume de treinos por semana

 3 ou 4 treinos por semana

  • Importância dos treinos

Manter a forma, preparar as provas e gosto por correr (diversão).

  • Se tem ou não treinador

Não tenho nem nunca tive treinador.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Só consigo responder desde que comecei, e noto mais provas regionais, mais competição, mais afluência e  profissionalismo.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Lembro-me de uma que fiz hà pouco tempo já em estado de emergência: fiz uma meia maratona na garagem (em 50 m).

  • Aventura marcante

Talvez tenha sido a primeira prova (PoiaresTrail 2014), senti-me muito bem com tudo e percebi que as corridas tinham vindo para ficar na minha vida.

  • Participação em prova mais longa

A minha prova mais longa foram 30 km no PoiaresTrail em 2015, não me senti bem nessa prova, por isso talvez não ter feito mais nenhuma dessa distância. Em 2018 participei num treino noturno da equipa e fiz 54 km, sendo essa a distância mais longa que fiz a correr.

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Talvez esta “febre” passe ligeiramente e só fiquem aqueles que realmente gostam de correr (na provas amadoras, que são a minha realidade).

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Quero continuar a divertir-me, a fazer amigos, na mesma equipa (se me quiserem lá) e se o corpo deixar, continuar a superar os meus próprios objetivos, sem sofrer lesões.

 

 

 

 

11
Jan20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

1.º trail – Trail Santa Catarina 2014 – Vila

Foto: 1.º Trail - Trail Santa Catarina - 2014 - Vila Nova de Famalicão

Hoje trago-vos uma pessoa em quem vejo uma verdadeira alma guerreira.

A nível pessoal, penso que nem ela imagina o quanto contribuiu a dada altura para a minha felicidade privada, apoiando um projeto que ainda não tinha pernas e que só as viria a ter meses mais tarde.

V Trail Viver Pereira – 2016.jpg

Foto: V Trail Viver Pereira - 2016

De certa forma, gosto de pensar que é justo valorizar o seu talento aqui. Em termos desportivos, é uma autêntica guerreira. Impressiona-me pelos desafios a que se presta em trails e julgo que o facto de ter uma paixão tão grande pela corrida idêntica à minha (ela no trail, eu na estrada) me leva a admirar o seu trabalho e a sua sede de novos desafios. Como poderão aferir mais abaixo, é uma adepta inveterada de desporto, o que, desde logo, merece todo o tipo de elogios.

Penso que as respostas dela vos darão uma ideia bem precisa da valia humana e desportiva de uma pessoa como a Elza.

VI Trail de Conimbriga Terras de Sicó -2017.jpg

Foto: VI Trail de Conímbriga Terras de Sicó - 2017

É, pois, chegado o tempo de conhecerem a Elza

  • Nome

Elza Cordeiro

  • Idade

46

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

2012. Fui parar ao atletismo um pouco por acaso. Sempre fiz desporto, na minha adolescência o desporto que fazia era andar de bicicleta. Mais tarde e durante algum tempo fiz aeróbica e step, até que descobri a hidroginástica e fiquei rendida. Até ser mãe, e mesmo grávida, fazia hidroginástica 3 vezes por semana. Com a maternidade, as rotinas alteraram-se completamente e os horários deixaram de ser compatíveis com os horários da hidroginástica, foi nesta altura que descobri a corrida. A corrida tinha vantagens, pois podia ir a qualquer hora, ou seja, não havia um horário de treino a cumprir.

FK Trail – 2017.jpg

Foto: FK Trail - 2017

  • Modalidade de atletismo preferida

Corrida em montanha, vulgarmente conhecida por Trail Running. Foi através de uma prima, que também é praticante de trail running, que tive contacto com a corrida em montanha. Claro está que fiquei apaixonada. Correr na montanha não tem qualquer semelhança com as corridas de estrada. Na montanha há muitos obstáculos que temos de ultrapassar, não é “correr a direito” como em estrada. Há trilhos muito técnicos, alguns até bastante perigosos, mas com paisagens de sonho, que de outra maneira seria difícil conhecer. Há também muito mais companheirismo e entreajuda entre os atletas. Durante uma prova corremos, mas também conversamos, e muito. Corre-se muito com as pernas, mas também com a cabeça. Claro que também há competição, mas a competição por norma não é o mais importante. Não esquecer que há que ter muito respeito pela montanha. É ela quem manda.

Coimbra Trail – 2018.jpg

Foto: Coimbra Trail - 2018

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Prefiro as longas distâncias. Fiz a minha primeira prova em setembro de 2014, foram 10 km. Confesso que nos dias anteriores a esta primeira prova andei um pouco ansiosa. À época, 10 km para mim eram uma enormidade. Completei a prova com sucesso, e gostei tanto que em fevereiro de 2015 já estava a fazer a minha primeira prova acima dos 20 km, o Trail de Conimbriga Terras de Sicó. Andei pela distância de 20/30 km até 2017, onde em janeiro me aventurei a fazer os 33 km do famoso Trail dos Abutres. Até setembro de 2018 mantive-me nas provas cuja distância rondava os 25/35 km. Em setembro de 2018 ultrapassei a barreira dos 35 km e fiz a minha primeira ultra, foram 43 km no Coimbra Trail. Fiquei rendida à distância acima dos 40 km. Nestas distâncias são precisas pernas, treino, mas também é preciso muita resiliência, muita capacidade para ultrapassar as dificuldades e adversidades que vamos encontrando ao longo do percurso. É preciso muita cabeça. Entretanto na época que terminou, 2018/2019 fui finisher no Circuito de Ultra Trail da ATRP, que para quem não sabe é um circuito de provas, 4 provas, cuja distância de cada uma delas é maior que a distância da maratona. Este circuito da ATRP é um campeonato realizado a nível nacional.

Mondego Ultra Trail – 2018.jpg

Foto: Mondego UltraTrail - 2018

  • Na atual equipa desde

Época 2017/2018

  • Volume de treinos por semana

3 corrida e 2 reforço em ginásio

  • Importância dos treinos

Os treinos são cruciais para atingir os objetivos, ou seja, para conseguirmos completar o percurso a que nos propomos fazer com sucesso e para evitar lesões;

Estrela Grande Trail - 2018.jpg

Foto: Estrela Grande Trail - 2018

  • Se tem ou não treinador

Para os treinos de corrida não tenho treinador, vou correndo umas vezes sozinha, outras em grupo. Na parte do reforço muscular, tenho apoio de um treinador que vai orientando os treinos tendo em conta o meu propósito que é o de conseguir fazer distâncias acima dos 42 km em boa preparação física. Nestes treino de reforço treino a força e a resistência.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Como o atletismo entrou um pouco “tarde” na minha vida, não consigo identificar diferenças entre o atletismo passado e o actual.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Além de às vezes irmos treinar para o monte e de já ter acontecido termo-nos perdido, ao longo destes 7 anos, não tenho nenhuma história engraçada para contar.

Piódão Trail Running – 2019.jpg

Foto: Piódão Trail Running - 2019

  • Aventura marcante

VII PIODÃO TRAIL RUNNING: foi sem dúvida a minha maior aventura. Foi a minha primeira prova acima dos 43 km. Foram 50 km debaixo de condições atmosféricas extremas: com trovoada, chuva intensa, granizo, nevoeiro e um forte nevão (foi o maior nevão do ano na aldeia de Piódão) que rapidamente apagava as marcas deixadas pelo atleta que ia cerca de 50 m à nossa frente e as condições meteorológicas eram de tal maneira adversas que não conseguíamos distinguir se era homem ou mulher. Foi uma prova feita em equipa e foi o ter sido feita em equipa que contribuiu para termos conseguido, tendo em conta aquelas condições, ser finishers. As condições eram tão más que a organização não permitiu que ninguém iniciasse a prova sem calças térmicas ou impermeáveis, bem como sem impermeável.

  • Participação em prova mais longa

VII PIODÃO TRAIL RUNNING, 50 km com 3000D+ (nota: desnível positivo)

 

  • Objetivos pessoais futuros

Em 2020 gostava de fazer os 57 km do TRAIL DE CONÍMBRIGA TERRAS DE SICÓ, e em 2021 os 67 km do Ultra Trail Serra da Freita.

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Foto: Trail Abrantes 100 - 2019

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Há cada vez mais pessoas a aderir ao atletismo, penso que é uma atividade que terá tendência para crescer. Em termos de trail, neste momento, há inúmeras provas todos os fins de semana, mas pela seleção natural apenas irão sobreviver aquelas a que vale mesmo a pena ir, quer pela beleza dos trilhos, quer pela organização.

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Foto: Trail dos Abutres - 2018

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Daqui a 5 anos continuo a ver-me como praticante de trail running, já estarei num novo escalão, no escalão F50. Quando mudasse de escalão, gostava de fazer uma prova de trail de 3 dígitos, o chamado Trail Endurance. Acho que é um grande teste à nossa capacidade de resistência e resiliência. Em provas longas eu costumo dizer que 20% é pernas e 80% é cabeça, e no Endurance Trail esta relação é ainda mais evidente.

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Foto: Trail do Zêzere - 2016

  • Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias? 

Acho que cada vez há mais mulheres no atletismo, é uma atividade desportiva que está em crescimento. Nas provas de grandes distâncias, há também cada vez mais atletas femininas, neste caso, os escalões com mais atletas são os acima de 40 anos. Como já referi, as provas de longas distâncias colocam à prova a nossa capacidade de resiliência, a nossa capacidade de lidar com as adversidades, e aos 40 anos, já passámos por algumas adversidades próprias da vida que nos dão capacidade de as ultrapassar e de as conseguir ultrapassar com sucesso, ou seja, sem desistir. Aquilo que é verdade para a nossa vida também se aplica numa prova de longa distância, onde muitas vezes fazemos quilómetros completamente sozinhas, em que só contamos connosco, em que temos de ir em modo de autossuficiência e em que desistir não faz parte do nosso vocabulário.

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Foto: Trail Ultra Douro e Paiva - 2018

  • Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Penso que não. Se há, ainda não dei por elas. As provas são as mesmas, únicas, tanto para homens como para mulheres, ou seja, com a mesma distância e com o mesmo grau de dificuldade.

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Foto: Mondego Ultra Trail - 2016

30
Nov19

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

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Foto: Trail MIUT (Madeira), 42 km em 2018

A pessoa que vos apresento hoje neste espaço chama-se Carla e é minha colega de equipa. Só a conheço há um ano, mas posso dizer, sem quaisquer problemas, que é das pessoas por quem mais sinto empatia. É daquelas coisas que não se explicam, mas o facto de ela ser muito simpática e comunicativa é, sem dúvida, um elemento que me cativa.

Além disso, embora não conhecesse o seu desempenho anteriormente, tem "ar" de guerreira. Dá-me a sensação que, do ponto de vista desportivo, atravessou uma fase menor crença nas suas capacidades. Depois de ter "renascido das cinzas", a Carla é hoje uma atleta que transpira confiança e é isso que mais me surpreende. Quer tenha sido com ajuda de familiares, amigos ou treinadores, quer tenha sido por "vontade própria", é agora alguém que "voa" em provas duríssimas e que, por isso, posso afirmar, me enche e à equipa ARCD Venda da Luísa de enorme orgulho.

A juntar à festa, reúne algumas características parecidas às minhas e também sofre com ansiedade antes de provas duras, grandes e importantes. 

Vamos, pois, conhecer a Carla na primeira pessoa:

Primeira Prova Ultra - Ultra Trail de Conimbriga S

Foto: Primeiro Ultra trail no Ultra Trail de Sicó (Conímbriga)

  • Nome

Carla Patrícia Romeiro

  • Idade

45

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Sempre gostei de praticar desporto, apesar de não ser numa vertente “séria”, no fundo, sempre gostei de movimento. Quando era miúda/adolescente tinha apenas a rua para brincar com as minhas amigas, algumas bonecas, uma bicicleta e pouco mais. Na escola inscrevia-me sempre nos corta--matos. Agora, assim atletismo, dito desta forma séria e a praticar com alguma regularidade, só mesmo desde 2015.

  • Modalidade preferida

Não desfazendo de todas as modalidades existentes, a minha predileta, de eleição, sem dúvida, é o Trail Running. Desconhecia por completo esta vertente do atletismo, até que, através do meu primo Sérgio Lúcio, que era um adepto e praticante desta modalidade, descobri a sua existência. Foi ao ler as publicações que ele fazia que me despertou a curiosidade e vontade de experimentar, receosa claro, pois, para mim correr 10 km era quase um limite intransponível.

  • Prefere curtas ou longas distâncias

No início, quando comecei esta aventura, jamais me passaria pela cabeça realizar uma prova de Ultra Trail. Era quase surreal, algo extremo. No entanto, fui aumentando gradualmente as distâncias das provas até que experimentei os 54 km do Sicó, distância mais longa feita até agora. Fiquei fã e hoje prefiro, sem dúvida, alguma as longas distâncias. Fazer uma longa distância em Trail funciona para mim como uma terapia e as provas longas dão-nos esse privilégio, raramente vou com o tempo contado. Tenho tempo para pensar em tudo e em nada, chegando ao final com a mente limpa, ou quase limpa. Tenho tempo de “panicar”, de acalmar, de morrer e ressuscitar. Tenho tempo de fazer novas amizades, de conversar e de conhecer os meus limites.

  • Na actual equipa desde

2017

  • Volume de treinos por semana

5/6 treinos (dependendo da vontade)

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Foto: Trail UTAX, 25 km em 2016

  • Importância dos treinos

Os treinos são importantes para que mantenhamos o corpo activo. Os nossos músculos funcionam como se tivessem cérebro e para tal precisam de ser estimulados e treinados para que o nosso organismo não sinta um choque demasiado grande ao ter de enfrentar distâncias e dificuldades maiores ao que se está habituado.

Quando se pensa em realizar provas mais exigentes, ou tentar atingir um patamar mais elevado, considero que deve existir um plano de orientado e trabalhado especificamente para tal, de acordo com o objectivo de cada um, para se poder evoluir, melhorar e evitar lesões.

No meu caso, a existência de um plano de treino ajuda-me a ser disciplinada, a sentir-me “responsabilizada” a ter de treinar, porque às vezes nem apetece, está frio, está calor, etc . E também porque me permite ter outra dinâmica, outra performance quando participo em provas, evitando que as termine com a sensação de frustração, exaustão e desgaste superior ao necessário.

  • Treinador

Acho que treinador não é bem o termo, porque para mim treinador é aquela pessoa que acompanha pessoal e presencialmente os nossos treinos. Mas tenho um “orientador”, o Miguel Baptista da WRT Running coach, excelente profissional, amante do Trail, que me organiza os planos de treino, me “puxa as orelhas” sempre que necessário e que, principalmente, me ajuda a melhorar todos os dias, treino após treino.

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Foto: 42 km no MIUT

  • Diferenças existentes entre atletismo passado e actual

Nunca pratiquei outro tipo de atletismo anteriormente. Não faço ideia de como era no passado, mas, pelo que via, o atletismo tinha muito poucos adeptos praticantes, principalmente de trail. Hoje em dia, e há cerca de dois anos a esta parte, há uma emancipação da modalidade, principalmente, devido à organização de pequenos grupos que se juntam para correr pelas ruas e também a um grande aumento de realização de provas. Apesar de a modalidade de trail não ser recente, só há pouco tempo é que começou a ganhar adeptos, e na minha opinião funciona um pouco por modas.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Acho que não tenho… não me lembro...só se forem as vezes em que me perco durante um prova porque vou sempre no mundo da lua.

  • Aventura marcante

A maior parte das provas que realizei marcou-me de uma forma ou de outra. Na sua maioria, pela positiva. Pelos locais por onde passei, pelas experiências durante a sua realização, pela capacidade de superação e de evolução. A minha primeira prova de 25 Km, o UTAX, foi uma realização, foi o atingir de algo que pensava ser intransponível, mas, sem dúvida, houve uma que me marcou mais: foi o Trail do Piodão em 2019, distância de 52 Km, com condições climatéricas adversas, muito frio, neve, granizo e trovoada.

Quando tenho uma prova assim, um pouco mais longa, por norma, costumo ficar com “borboletas na barriga”, ouço os comentários de outros atletas acerca da prova e começo a pensar nas dificuldades e tudo me parece medonho. No Piodão, este ano, devido às condições climatéricas que se faziam sentir nesse dia, entrei em pânico interiormente. Morria de medo de entrar em hipotermia e de ter de desistir. Durante toda a prova apanhámos mau tempo, trovoada, queda de granizo, vento muito forte, nevoeiro cerrado e neve. Os últimos 10 km foram feitos com muita queda de neve e não se conseguia ver mais de 1 metro à nossa frente. Deixei mesmo de sentir as mãos. Foi de facto uma prova desafiante. Um desafio ao medo e à superação.

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Foto: Trail de 25 km em São Miguel, Açores

  • Participação em prova mais longa 

Ultra trail de Conimbriga 54 Km

  • Objetivos pessoais futuros:

Inscrevi-me novamente na ATRP e pretendo fazer o campeonato Ultra, não com qualquer tipo de objectivo competitivo, mas simplesmente para concluir. Quero desfrutar das provas, de preferência, diferentes das anteriores. Quero superar-me a cada prova, a cada participação. Quero tentar ultrapassar limites que para mim possam ser intransponíveis. Gostava muito de fazer uma prova de 3 dígitos, acho que a maioria de nós mais tarde ou mais cedo quer realizar, mas a longo prazo . Para já, talvez fazer uma prova no país vizinho, uma daquelas que nos faz “panicar” a sério.

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Daqui a 5 anos espero ver muito mais gente a praticar esta modalidade, mesmo que seja só por hobbie. É sinal que as mentalidades estão em plena mudança para uma vida saudável e ativa.

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Foto: 35 km no Trail de Santa Justa

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

(Gargalhada) Daqui a 5 anos, entro no F50 (feminino, 50 anos). Espero continuar a correr, fazer provas marcantes, épicas, não com grande velocidade…mas também desejo muito continuar ativa e ser exemplo para muitas pessoas. Há uns anos conheci (não pessoalmente) uma senhora, que entretanto já faleceu, e que aos 70 anos ainda praticava trail endurance. Ela tinha uma disposição fantástica, via o trail com uma simplicidade e adorava fazer longas distâncias. A Analice foi uma mulher que me inspirou e me despertou este desejo de superar a inércia. Portanto daqui a 5 anos, ainda sou uma menina (gargalhada) e gostava muito de ser como a Analice.

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  • Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?

Eu acho que o número de mulheres a fazer atletismo está a aumentar cada vez mais. No que se refere a provas de longa distância ou de endurance, de facto, o número é muito reduzido. Uma prova de longa distância/endurance não é feita por qualquer atleta, requer bastante treino, dedicação, e, como diz o Canais (elemento "veterano" da nossa equipa), uma grande percentagem de força psicológica (atributo que, valha a verdade, nós até temos bastante). Todos estes fatores são muitas vezes constrangidos pela indisponibilidade pessoal e familiar das atletas. Um facto é que o número tem tendência a aumentar e há muitas probabilidades de o sexo feminino vencer o masculino (sorrisos).

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  • Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Se existem, nunca me dei conta de tratamento diferenciado. Pode sempre existir, mas isso não é só no atletismo. Agora quando uma mulher participa numa prova, faz o mesmo percurso, a mesma distância e o mesmo grau de dificuldade que um atleta do sexo masculino. Não somos mais beneficiadas nem temos a vida facilitada por sermos do sexo feminino. E também nunca senti desprezo ou um tratamento inferiorizado por essa razão.

24
Nov19

Um ano depois, mais fã da laranja


João Silva

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Entrei para esta família na segunda metade de outubro de 2018. A minha primeira prova já como membro "oficial" da ARCD Venda da Luísa foi precisamente a minha primeira maratona, a 03 de novembro de 2018.

Já passou bem mais de um ano...e continuo nesta equipa. Sabem aquela sensação de estarmos felizes e bem num espaço, de nos sentirmos acolhidos? É assim que me sinto e, portanto, não há muito que inventar. Se estamos num sítio e num grupo que nos faz feliz e onde se valorizam as relações humanas, deixamo-nos estar. Pelo menos, eu vejo as coisas assim.

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Já falei tanta vez da equipa que este texto serve como mera formalidade do momento.

Por respeito, não me parece pertinente destacar uns elementos a outros. 

Como já disse, há sempre uma afinidade maior com uns do que com outros, pelo que é perfeitamente normal.

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Em tão pouco tempo, foram muitos os bons momentos e as "sessões" de aprendizagem. As histórias e as vivências pessoais são incomensuráveis. É suposto que assim seja, mas nem sempre é assim, claro.

No início, da minha parte, senti necessidade de mostrar o meu valor, que não era "mais um", também porque não participo no mesmo tipo de provas da maioria dos atletas. Quando se chega a um "público" tão grande, é normal que demoremos a conquistar o nosso espaço. Para mim, em tudo na vida, não se trata apenas de estar ali a fazer número.

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E no seio desta "turma" nunca senti isso, mas, ainda assim, cometi alguns abusos em termos de treino porque queria que vissem o quão empenhado era no desporto.

Acredito que todos desempenhamos um papel e julgo ter vindo a descobrir o meu no seio grupo. Sem falsas modéstias.

É impagável a sensação quando alguém nos pede a opinião sobre treinos ou aspetos gerais de corrida.

Já nem falo no imenso prazer que sinto em treinar com alguns colegas da ARCD.  Espero que o sintam na mesma proporção do que eu.

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Da minha parte, sinto-me grato por todo o convívio e pela simpatia que tenho merecido por parte dos atletas e dos diretores.

Só posso desejar que estes momentos se repitam por muitos e bons anos.

Resta-me fazer pelos novos elementos aquilo que os outros fizeram por mim aquando da entrada na equipa.

A terminar, aproveito para desejar um excelente final de temporada/ano civil a todos os meus colegas e, já agora, a todos os outros atletas e conhecidos das mais variadas equipas e mesmo àqueles que não têm qualquer equipa. 

A terminar, mais algumas fotos da convivência laranjinha.

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22
Nov19

A última 4 estações do ano em imagens


João Silva

Já é um habitué, depois de uma prova, nada melhor do que recordar os bons momentos, aquelas imagens que valem sempre a pena e que nos fazem querer voltar a uma prova.

No fundo, é uma espécie de "alerta" para o que perderemos no ano seguinte, se não formos àquela prova.

Gostei muito de alguns reencontros, em especial, com a mui caríssima Lígia, que belos dedos de conversa sobre as suas gloriosas aventuras na maratona de Chicago. 

Além disso, claro, belas sessões de palheta intermináveis com muitos colegas da Venda, destacando aqui o André Santos, o João Nobre e o Sandro. Já merece uma tardada na conversa com este pessoal.

No fim, não deu para ficar no almoço, há outros valores que se levantam nesta fase, mas posso garantir que a "coisa" vale mesmo muito pelas belas conversas.

Por agora, sejamos parcos nas palavras e passemos tempo de qualidade a ver as belas imagens do passado domingo.

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21
Nov19

O melhor percurso 4 estações de sempre


João Silva

Que belo percurso e que bela forma de provar que é possível transformar um percurso "limitado" em algo mais abrangente, mais exigente e desafiante. 

Surpreendeu-me muito mais do que estaria à espera, até porque, sendo honesto, achava que o conhecia e não. Ou melhor: conhecia as estradas porque treino por lá, mas não o percurso naquela forma.

Extensível ao Sebal Pequeno mas também a Anobra e ao Casal da Légua, este percurso ganhou dureza por causa das subidas, que foram muito intensas: a primeira, na zona industrial da Venda, foi logo uma espécie de sneek peek para a última, já na ligação de Anobra a Palhagões. Foram durinhas, mas adorei. Deu-me novas ideias para treinos e ganhou um fã incondicional deste percurso.

Na verdade, toda a estruturação do percurso, desde logo, pelo aumento de 2 km face a 2018, fez da prova uma "mais-valia" para a promover junto de outras entidades. Sem dúvida, um chamariz. Pois recria em estrada uma espécie de trail urbano, um aspeto cada vez mais em voga para os amantes de corridas com maior grau de aventura.

Seja como for, o percurso de 2019 mereceu a minha total aprovação. Sua-se a sério e, mais uma vez, somos obrigados a uma bela superação. Muitos parabéns à organização e oxalá não mudem a configuração para 2020.

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20
Nov19

Bem organizados com uma ou outra observação


João Silva

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Como já conheço muito bem esta organização e, na verdade como já a analisei noutras provas, não há muito mais a dizer, porque, em abono da verdade, o padrão foi o mesmo, tirando um ou outro aspeto em que só agora reparei.

A continuidade, neste caso, foi uma boa conselheira. O percurso era novo e essa alteração foi previamente informada, bem como horas e locais de estacionamento, pelo que ninguém se deve poder queixar de falta de informação a esse nível. A propósito dessa mudança, os meus parabéns. Foi a melhor prova de sempre.

Assistência e abastecimentos devidamente identificados e também previamente comunicados na newsletter enviada, embora, sobretudo no final, estivesse à espera de uma oferta maior, até mesmo pelo padrão. No pavilhão, estavam laranjas cortadas em quartos, pequenas barras da Prozis às metades, garrafas de água e o que me pareceu ser isotónico.

Adorei a camisola escolhida, um tom azul escuro com uns traços laranjas mesmo a lembrar o outono e as cores da Venda da Luísa. Confesso que não gostei tanto do padrão estampado na camisola por ser demasiado simplista, mas até aqui não houve quaisquer alterações em relação às etapas anteriores.

No fim, a medalha que faltava para completar o circuito de 2019 e já lá vão três ciclos destas provas desde 2017, embora, a este propósito, reconheça sem problemas que não gosto dos efeitos das medalhas deste ano. As de 2018 eram muito mais bonitas.

Ficam apenas dois desabafos: percebo perfeitamente a estratégia comercial de se colocar o levantamento dos dorsais dentro da zona de vendas do Intermarché, mas confesso que um ambiente mais sossegado seria mais agradável.

Além disso, fiz questão de o referir no final da prova: o meu dorsal tinha o número 455 e o meu chip era o 454. Com outra organização, teria ficado desconfiado. Como ali me garantiram que estava tudo em conformidade, confiei plenamente, porque são boa gente.

18
Nov19

Sem vontade para participar mas com final muito feliz


João Silva

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Como tinha dito antes, esta era a última etapa do circuito 4 estações em 2019.
Uma prova remodelada com um percurso novo e uma distância também ela diferente.
A juntar a tudo isto, a possibilidade de rever bons velhos conhecidos destas andanças, como a minha cara Lígia, que teve um fantástico desempenho na maratona de Chicago em outubro passado, e os colegas de equipa.

Todos estes eram fatores que, seguramente, tinham tudo para motivar. Contudo, talvez por estar agora numa fase de maior introspeção fruto de todas as mudanças que vão ocorrer na minha vida em 2020 e de algumas considerações que prefiro guardar para mim, não estava mesmo nada motivado para fazer a prova. Para correr, sim, estou sempre, mas, não querendo ser rude, precisava daquele tempo para um treino a sós com a minha cabeça. Aliás, tanto assim foi que nem no próprio dia acordei com aquele bom feeling.

Além disso, uma constipação chata, fruto de treinos debaixo de belas cargas de água, também não ajudou mesmo nada a "set the mood".

É o que é e há dias assim.

Quanto à prova, estando a reiniciar um novo ciclo de treinos após a maratona, não tinha a mesma capacidade pré-maratona. Anyway, o meu corpo tinha-me reservado mais umas surpresas agradáveis.

Seja como for, os últimos treinos da semana já tinham dados boas indicações e sabia que não estava mal, mas que precisava de abanar o corpo em algumas fases para acabar bem.

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Na prova, não foi preciso dar estímulos adicionais para render.

Por causa das conversas paralelas após a foto de "família", não arranquei colocado onde queria ou gosto. Portanto, com as estradas estreitas, tive de tentar passar pelos pingos da chuva para me chegar a uma zona mais confortável.

Valha a verdade, o percurso foi bem mais duro do que esperava, mas adorei genuinamente. Comecei muito forte.

Durante meses, tive medo de arrancar forte e "morrer" rápido, mas os meus treinos ajudaram a dar-me confiança, mas também capacidade muscular e respiratória para ter um arranque sustentável.

Olhando para trás, estive "coerente" comigo nas três grandes subidas, sendo que foi mesmo aí que consegui ganhar mais vantagem e progressão.

A última subida foi a mais durinha, claro que custou um pouco, mas foi feita com a anca bem levantada e direita, com recurso a ziguezagues para aumentar a progressão e com uma boa cadência que depois utilizei a meu favor para descer rápido e forte: joelhos bem levantados e passada bem larga como nos treinos. Só faltou ter uma aterragem mais suave da planta do pé e isso custou-me um pouco, porque senti mais o alcatrão no corpo.

Seja como for e é isto que me deixa mais contente e feliz (muito mais do que o tempo): as minhas provas (qual reflexo dos meus treinos) têm sido muito consistentes, não tenho notado quebras e chego à meta com o corpo em forma, sem dar mostras de cansaço. Sinal de que estou a trabalhar bem e que as dores dos treinos depois se transformam em coisas boas nas provas. Modéstia à parte, sinto-me muito mais consciente da energia e da força do meu corpo.

Quanto a tempos, fiquei feliz: o meu relógio marcou 00:50:32, o que foi perfeitamente dentro das minhas projeções. Abre-me boas perspetivas para o campeonato distrital de Coimbra em março. Até lá, sofrer...e desfrutar.

Custou chegar aqui, mas custa mais não estragar o que foi feito.

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10
Nov19

Gala laranja


João Silva

Na passada sexta, foi dia de encerrar a época 18/19 e de começar a nova temporada.
Como dizia a minha avó: rei morto, rei posto.
E como fizemos isso na ARCD? Com uma bela jantarada entre todos os membros da equipa, como forma de receber os novos e de saudar quem vai para outras andanças. Naturalmente que esse é sempre o lado mais triste, porque o ciclo não continua com os mesmos, mas ficam as boas memórias e os conhecimentos.
Quanto aos novos, é bom poder criar já bons alicerces para o futuro.

Para terminar, deixo algumas imagens para vos darem uma bela ideia do que foi aquele momento de convívio.

Venham mais momentos destes:

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01
Nov19

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

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Foto: Chegada à meta na Corrida 4 estações Venda da Luísa em novembro de 2018

Não desfazendo de ninguém, porque não é, de todo, o caso, a pessoa que vos apresento hoje é um verdadeiro exemplo, um "monstro" incansável de correr que, tal como eu, adora correr muito e sem destino. Conheci-o pouco tempo antes de fazer a minha primeira maratona, mas due para perceber que o ia venerar, não pelos títulos, isso pouco ou nada lhe interessa, mas pela pessoa que é e pelos conhecimentos que guarda dentro de si.

Ter feito aquela primeira prova mágica na sua companhia, aliás, desfrutando da sua boleia também, foi uma espécie de "benção". Não vos consigo transmitir com fiabilidade aquilo que sinto de cada vez que o ouço dizer que tenho "garra". Foi a pessoa que mais boleias me deu em tão curto espaço de tempo, nunca treinei com ele, o que é uma pena, mas tenho muito respeito por tudo o que correu e por tudo o que suportou em termos de saúde para ser admirado por todos. Na nossa equipa, ARCD Venda da Luísa, é conhecido por "The Special One". Porque acham que é?

A humildade não se finge. Ou se tem ou não. Ele tem na dose suficiente para perceber também que é um bravo.

O meu objetivo era dar a conhecer a sua história a poucos dias de mais uma maratona no Porto. Infelizmente, não estará presente, o que, sendo sincero, me deixou muito triste no momento em que me explicou por que razão afinal não poderia ir. Sinto que temos uma espécie de "clã", porque tanto ele como eu estamos sempre a tentar puxar mais colegas para correrem aquela distância mítica. O José já conseguiu "prender" o sobrinho Fernando, um porreiraço sempre bem disposto, e o Fábio, seu afilhado e um tipo bem às direitas. Já nem vale a pena dizer que o seu filho mais novo, que é andebolista, também já foi "pescado" para estas andanças.

Portanto, peço-vos que leiam abaixo quem é este homem que já leva 86 provas de fundo no currículo, entre maratonas e ultramaratonas. Apesar de não poder contar com a sua presença no Porto, é uma forma de o homenagear. Estão a ver aquele avô que se senta junto aos netos para lhes contar histórias do tipo "no meu tempo"? Nunca me canso de o ouvir. São tantas as aventuras que não há repetição possível.

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Foto: Final da EDP meia maratona de Coimbra em outubro de 2018

  • Nome

José Carlos Fernandes

  • Idade

55 anos

  • Equipa

Até 2009 - Clube de Veteranos de Viseu
Até 2017 - Abutres Running Team
Atual - ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Não tenho ideia mas sei que é desde muito cedo, talvez desde o secundário. Lembro-me de ir para o Fontelo em Viseu e correr com miúdos que treinavam com treinador para as Paraolimpíadas. Fazíamos perto de meia hora no sobe e desce do Fontelo e corríamos que nos fartávamos. O treinador deles deixava-me ir com eles para fora do estádio, pois queria que desfrutassem da sensação de correr à vontade sem circuito e cronómetro. Antes de ir para a tropa, fui Oficial Paraquedista e aí já gostava de sair de casa aos domingos de manhã e fazer umas voltas com cerca de 25 km.

 

  • Modalidade de atletismo preferida

 

Corrida em estrada, montanha ou serra. Para mim, a corrida de fundo e meio fundo é a modalidade que melhor permite relaxar e refletir sobre tudo e mais alguma coisa sem qualquer stress.

 

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Longas. Sem dúvida, porque prolonga o prazer da corrida e permite descansar o espírito. As longas permitem-nos também "desfrutar da viagem", "andar por lá", como dizia uma amiga minha também corredora por prazer. Sejam provas ou treinos longos, gosto de "andar por lá" e o tempo que por lá andamos permite-nos conhecer, ajudar, transmitir as nossas vivências e conhecimentos e absorver também conhecimentos de outros. Todos os dias aprendemos, seja connosco próprios, seja com os outros amigos.

  • Na atual equipa desde fevereiro 2017

Precisamente na prova dos 111 km do trail de Sicó com 4 grandes atletas da ARCD Venda da Luísa (o Marco Oliveira, a Célia Santos, o Carlos Canais e o Rui Mateus), que, com um enorme espírito de sacrifício e força de vontade, em quase 5 meses resolveram dar o salto de provas com cerca de 30 km para os 111 km na Serra do Sicó.

  • Volume de treinos por semana

3 a 4 por semana

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Foto: Trail do Infante em Penela

  • Importância dos treinos

A importância depende dos objetivos e do atleta. Não tenho como objetivo o pódio e corro por prazer, por esse motivo, para mim os treinos são importantes porque posso desfrutar mais quando corro.
É mais do que óbvio que são importantes para chegar aos resultados pretendidos, mas também é verdade que conheço pessoas que correm e não vão às provas, por isso os treinos são importantes, no meu entender, para nos manter ativos e apaixonados pelo prazer da corrida e para continuarmos a conhecer e a desafiar de forma sustentável, claro, o nosso corpo.

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Foto: Trail de Alcabideque, Castellum trail 2019

  • Se tem ou não treinador

Não tenho treinador. A conjugação dos objetivos pessoais com disponibilidade pessoal e familiar não é compatível com a existência de um treinador, seja ele presencial, seja sob forma de "treinador por correspondência" como está muito em voga hoje em dia.
Considero, no entanto, que tanto um tipo de treinador como outro trazem uma grande mais-valia a médio e longo prazo quando o atleta tem ambições que sem ajuda (do seu ponto de vista) possam ser mais difíceis de alcançar.
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Foto: Momentos que antecederam a maratona do Porto em novembro de 2018

  • Aventura marcante

Há muitas aventuras marcantes. Mencionar apenas uma seria de uma ingratidão enorme.
Os Caminhos do Tejo em 2010 foram espetaculares pela convivência durante a prova e pela organização única até ao momento.
Os 101 km de Ronda em 2012: desde o levantar de madrugada para não falhar a inscrição da equipa de 5, onde se incluíram os meus amigos Fernando Fonseca e Ico Bossa, passando pela sopa de ovo organizada pelo Ico, até aos "motoristas particulares" que durante a prova nos brindaram com uma caneca de cevada líquida super fresca.
Os 100 km de Mérida em 2010 como primeira prova de 3 dígitos, onde devido à desistência de última hora do Fernando Pinto, tive de fazer sozinho a viagem de 5 horas, fazer a prova durante a noite e voltar sozinho, não sem antes, depois de sair de Mérida, parar para dormir 25 minutos.
O UTAX (Ultra Trail Aldeias do Xisto), como atleta, com o meu amigo e futuro coorganizador João Lamas e mais tarde, como vassoura, com o meu afilhado Fábio Fernandes, pelo companheirismo vivido durante tantas horas na Serra da Lousã.

A que realmente definiu um marco na minha vida no mundo da corrida, foi sem dúvida a Estafeta Porto-Lisboa em 2006 (se a memória não me falha, sem consultar os meus registos) e onde, pela primeira vez fiz perto de 70 km. Na altura o Clube do Stress, organização responsável pela prova, tinha bons atletas com muita experiência em grandes distâncias a marcar o ritmo da Estafeta, o que me permitiu perceber que estava mais do que pronto para dar o salto da Maratona para as Ultras.
No ano seguinte inscrevi-me na segunda edição da Serra da Freita e fiquei fã incondicional do Ultra trail.
Já conhecia o Trail praticado no Cross da Laminha e quadruplicar a distância do Vítor Ferreira era, no mínimo, quadruplicar o prazer de desfrutar da corrida, ainda mais numa Serra com a beleza da da Freita.
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Foto: Com o amigo Rui Monteiro no final das 4 estações na Venda da Luísa em novembro de 2018

  • Participação em prova mais longa

Caminhos do Tejo em 2008 com partida em Ponte de Lima e 2009 com partida em Vila Praia de Âncora com perto de 160 km, no entanto, foi em 5 etapas.
De 2010 a 2015, fiz os Caminhos do Tejo, de Lisboa Oriente a Fátima. A primeira vez penso que tinha cerca 146 km, mais km menos km.

  • Objetivos pessoais futuros


Não tenho objetivos. Pretendo sim continuar a correr como, quando e onde poder e, se possível, ajudando outros atletas a adquirir o prazer de correr de forma sustentável e apoiá-los, seja treinando com eles, seja a acompanhá-los no salto para as distâncias que possam ter como seus objetivos futuros.
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Foto: Comigo no final das 4 estações em Condeixa em maio de 2019

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

É complicado prever o atletismo daqui a 5 anos. Houve uma fase em que apenas quem estava por dentro é que sabia das provas. O público em geral tinha alguma dificuldade, por não saber antecipadamente em se inscrever. Predominavam as meias maratonas míticas com a Meia Maratona de Ovar, Marinha Grande, Viseu, Nazaré. Nas provas locais predominavam as do Inatel e das coletividades locais. O custo  com policiamento e o cada vez menor apoio dos municípios e entidades particulares fez a primeira filtragem e desapareceram, na altura, algumas meias maratonas e muitas provas abaixo dos 15.
O BTT estava em alta e nas grandes superfícies comerciais de material de desporto só se via material de BTT e pouco de corrida. Nessa altura, corria-se maioritariamente com equipamento de estrada.
O aumento de provas fora de estrada trouxe maior sustentabilidade financeira á modalidade, e a partir de certa altura começou a notar-se um êxodo do BTT para o Trail. Muitos até acumulam estas duas modalidades.

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Foto: MUT em 2018


De há cerca de 10 anos pra cá, a divulgação das provas começa a chegar cada mais e melhor ao grande público. O incremento de percursos alternativos mais curtos e de caminhadas faz com que quem caminhou num ano volte lá no ano seguinte para correr.
Estamos numa fase caracterizada por uma grande proliferação de provas de atletismo. Algumas organizações com qualidade outras nem tanto. Algumas com intenção de continuidade, outras com intenção de ato isolado. Umas com um calendário já adotado pelos aficionados outras que não conseguiram ainda definir a sua própria identidade e dessa forma marcar posição.
Cada vez mais o atletismo amador está dependente da iniciativa de amantes da corrida, do trabalho no terreno, das horas que dão em prol dos outros.
A participação das autarquias locais, municípios, juntas de freguesia, associações locais é um fator determinante na sustentabilidade e continuidade do atletismo como o conhecemos atualmente.
Com tanta prova pelo país já não há muita desculpa para aquele pessoal mais sedentário não sair do sofá, isto porque a corrida vai até eles.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Espero ver-me com os mesmos objetivos que tenho atualmente. Sem tirar nem pôr, aliás, para daqui a 20 são os mesmos.

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Foto: Momentos antes da partida da maratona de Aveiro em abril de 2019 com o afilhado Fábio Fernandes, com o sobrinho Fernando Morgado e comigo

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