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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

29
Mar22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Alguma vez fizeram uma prova com alguém do início ao fim?

Também nunca me tinha acontecido. Na verdade, nem procuro que suceda, a não ser que encontre alguém com um ritmo semelhante e que queira uma espécie de ajuda mútua.

No entanto, no passado dia 27 de fevereiro, aconteceu uma coisa engraçada: fui fazer um trail. E fui apenas para me divertir (coisa rara). Sucede que pouco depois do início do trail, este rapaz estava mais ao menos ao meu lado.

Conversa puxa conversa e acabámos por fazer o trail juntos (foi o primeiro dele). O que me fascinou? Ter encontrado no monte mais alguém com uma enorme paixão pela corrida em estrada. E trata-se de alguém que já passou por grandes experiências em tão pouco tempo de modalidade. 

Tinha de o "trazer" para aqui. Foi algo tão óbvio para mim que nem hesitei na hora de lhe pedir uma entrevista, assim que cruzámos a meta no final desse trail...

Ficou a vontade de treinar com ele e de o reencontrar em provas.

Fiquem, pois, com o Bruno Silva:

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Nome:

Bruno Silva

Idade:

40 anos

Equipa:

ARCD Venda da Luísa 

Praticante de atletismo desde

2016

Modalidade atletismo preferida:

Prefiro claramente atletismo de estrada, sobretudo as meias maratonas.

 

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Prefere curtas ou longas distâncias:

Meias maratonas

Na atual equipa desde

2020

Volume de treinos por semana:

Costumo treinar entre 3 e 5 vezes por semana, dependendo se tenho provas ou não e se tenho algum objetivo específico para essa prova. Actualmente não tenho treinador.

A importância dos treinos:

Os treinos são importantes por uma série de fatores: para além da preparação física que te dá, fortalece-te também mentalmente, não só porque aprendes a sofrer, mas também porque quando acontece uma adversidade começas a encará-la com otimismo. O exemplo mais comum são as lesões. É difícil lidar com elas, sobretudo quando isso arrasa uma preparação de meses. Mas é com elas que evoluis e corriges erros. Aprendes também a conhecer-te, a conhecer melhor o teu corpo e a perceber onde estão os teus limites. O foco e a determinação nos treinos são fundamentais para que as provas te corram dentro do planeado.

Se tem ou não treinador:

Tive nos primeiros anos em que representei o Núcleo de atletismo de Vila Real, mas depois deixei de ter.

Diferenças entre o atletismo passado e o atual:

O atletismo na atualidade mudou para melhor. Hoje dispomos de melhores condições, melhor calçado,temos pistas onde treinar, temos caminhos marcados no monte, temos relógios que nos dão toda a informação não só do teu treino como do desempenho do teu corpo e do tempo que necessitas para recuperar, enfim, hoje dispomos de uma série de tecnologias e de profissionais ligados a está modalidade que há uns anos não existiam. Tudo isto tem a ver não só com a evolução normal da tecnologia mas também, e sobretudo, com o aumento do número de praticantes amadores. Mesmo da época em que comecei a correr para os dias de hoje se vêem cada vez mais atletas não só na estrada, mas sobretudo no monte. O trail a meu ver foi a modalidade que mais praticantes ganhou nestes anos mais próximos.

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Aventura marcante:

Várias foram as provas que me marcaram. A corrida da Hello porque foi a minha primeira prova oficial, as duas meias Maratona da Ria de Aveiro, porque numa me estreei na distância e na outra porque foi a primeira vez que baixei da marca psicológica de 1:30h na distância. Mas ficaram ainda na memória a Meia maratona de Guimarães, porque foi a prova onde passei pior e onde retirei grandes lições para o futuro, e a Meia Maratona de Viseu por ser a prova em que começando mal acabei por realizar a minha melhor marca na distância. Esta prova também me marcou por ter sido a última oficial que fiz nesta distância. Por fim, e ainda fresquinho na memória, o Trail do Sico deste ano, por ter sido o primeiro trail que realizei.

Objetivos pessoais futuros:

Para o futuro não há muito ainda em mente. Havia o objetivo de realizar a maratona aos 40 anos, por ser uma data emblemática, e como tal tinha idealizado uma prova emblemática, realizada num local emblemático, preferencialmente, Atenas. A pandemia e alguns problemas que vão surgindo nos joelhos adiaram ou hipotecaram essa hipótese (o futuro o dirá). Para já o futuro mais próximo passa pelas meias maratonas e quem sabe a realização de alguns trails mais longos. De uma coisa tenho a certeza, passe pelas provas que passar o objetivo será sempre o mesmo: desfrutar e divertir-me.

Como imagina o atletismo daqui a cinco anos?

Sinceramente é difícil perspetivar o atletismo a cinco anos, até porque o atletismo vive dos praticantes amadores, há poucos profissionais, não é uma modalidade que seja apoiada como outras modalidades e daí também o desaparecimento do nosso país nos lugares cimeiros do atletismo na Europa e no mundo. Sem investimento não poderemos ter atletas profissionais que se dediquem por inteiro e que representem o país dignamente. Assim sendo o atletismo vai sempre depender do número de praticantes amadores para sobreviver nos próximos anos e isso pode afetar a modalidade porque muitos atletas amadores acompanham as modas e podem deixar o atletismo. Quando comecei havia muitos atletas de estrada, hoje o trail está na moda, mas também muitos viraram para o ciclismo que é a moda mais recente. Aos poucos as pessoas podemvirar-se para outras modalidades e o atletismo cair no esquecimento. Isso será prejudicial para a modalidade porque pode colocar em causa a realização de provas que são importantes hoje em dia tambémpara a divulgação das regiões que acolhem essas provas e para a dinamização do comércio local.

Como se imagina no atletismo daqui a cinco anos?

Dentro de cinco anos espero sinceramente continuar a correr e ter mais alguns kms nas pernas (risos). Ter realizado provas mais longas quer de trail, quer de estrada. São o objetivo.

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

Inicialmente o Covid afetou a evolução de todos os atletas. Não se podia treinar, porque havia medo e depois não havia motivação, não só pela pandemia como pela inexistência de provas e se o atleta treina para descansar a mente, também gosta de ter no horizonte a sua prova (risos).

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Foto: primeira prova realizada pela ARCD Venda da Luísa

O que mudou nas provas com a pandemia?

Com a pandemia surgiram as provas virtuais. Foi uma forma de se conseguir ter algum foco nos treinos, embora nem de longe nem de perto seja a mesma coisa pois ninguém gosta de correr sozinho.

Essas mudanças são boas para a modalidade?

Com a pandemia surgiram medidas sanitárias mais apertadas e isso também é positivo para a modalidade. Sinceramente acho que esta pandemia fortaleceu ainda mais os atletas, tornou-os mais resilientes, como tal acho que a pandemia também trouxe algumas coisas boas para a modalidade.

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Foto: primeiro trail (Trail de Sicó)

 

06
Dez21

Trail da Escarpiada - fotos e vídeo


João Silva

No passado dia 04 de dezembro, a minha equipa, a ARCD Venda da Luísa, deu vida a um novo trail.

Pela primeira vez, organizou por inteiro a prova Trail da Escarpiada, com duas provas de corrida, 15 e 25 km, e uma caminhada.

Fiz parte daqueles que foram dar uma ajudinha e fiquei muito contente com o convívio e com o nível de organização. 

Fiquei de tal forma satisfeito que vim de lá com várias fotos e vídeos para vos mostrar.

Ora vejam lá:

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Quanto ao vídeo, podem vê-lo no meu canal de YouTube e aqui:

 

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24
Ago21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Trago-vos uma novidade nesta rubrica: um atleta que vale por três. E por que digo isso? Porque se trata de um triatleta. Pela paixão que tem pelo desporto e pelo "currículo" desportivo, este homem é um autêntico "faz-tudo". Pela dureza e pela especificidade técnica, o triatlo fascina-me (quem sabe, um dia?!).

Sem mais demoras, apresento-vos o Fernando Martins, que ainda não conheci pessoalmente, mas por quem já nutro uma grande simpatia. 

E, uma vez mais, a idade é apenas um número. 

O significado e o peso são dados por cada um de nós.

Fiquem, pois, com a entrevista ao Fernando Martins:

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Nome

Fernando Martins

Idade

63 anos

Equipa

ARDC Venda da Luísa, Cães de Caça BTT

 

Modalidade

Pratico regularmente ciclismo nas modalidades de BTT e de estrada. Ocasionalmente faço natação para tentar fazer alguma atividade física durante a semana. 

Há quantos anos pratica a modalidade? Sempre mantive uma atividade física regular. A modalidade foi-se ajustando aos meus imperativos profissionais ou geográficos. Durante a Faculdade joguei rugby na AAC e no Rugby Club de Coimbra. A corrida foi sempre uma atividade alternativa quando não podia fazer mais nada. Pratiquei Judo no ACM tendo conquistado um título nacional de veteranos. Quando estive a residir na ilha da Reunião comecei a correr pelas colinas acompanhando o desporto nacional que é o Trail. Foi lá que participei no meu primeiro Trail e participei em duas provas da Mascareignes (uma das provas da Diagonale de Fous) e na Zembrocal, provas de 67 km. Na ilha deslocava-me frequentemente para o trabalho de bicicleta, aproveitando o sol que nascia pelas 5:30 da manhã e se escondia por volta das 18 horas.

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Porquê o triatlo?

Quando regressei a Portugal (finais de 2017) a minha atividade profissional condicionou a minha disponibilidade para treinar regularmente. A alternativa foi começar a natação à hora de almoço pelo menos duas vezes por semana n(em sempre possíveis). Foi nesse momento que surgiu o desafio do Triatlo tendo conseguido fazer o meu primeiro Triatlo em 2019, na distância olímpica na Pampilhosa da Serra.

Qual a vantagem de juntar as três modalidades?

Esta modalidade ganha vantagens com o envelhecimento. Permite-nos trabalhar muito em endurance, para provas longas, fazer treinos de intensidades elevadas sem sobrecarregar as articulações, graças à natação e à bicicleta.

Como se treina na generalidade e na especialidade?

Eu treino como posso, em função do tempo disponível e das ocasiões. A gestão da atividade profissional e da vida familiar são importantes para manter o equilíbrio físico e emocional.

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Como se combina tudo para funcionar bem?

Não é fácil, com as deslocações para o trabalho, o trabalho, a família, os amigos e o cansaço.

 

Tem treinador?

Não tenho treinador porque o meu estilo de vida não me permite assumir compromissos de treino. Sem assumir compromissos, não vale a pena ter treinador. Penso nisso muita vez, mas resisto a assumir mais um compromisso.

Modalidade em que é melhor e modalidade em que não é tão bom?

A natação é para mim a parte mais difícil. Aprendi a nadar sozinho, melhorei um pouco a técnica com a ajuda de livros específicos, mas nunca tive nenhum monitor que corrigisse a minha frágil técnica. Também só comecei o ciclismo há 10 anos e fui aprendendo lentamente que a pedalagem também tem segredos e também se aprende. Do BTT à estrada foi um percurso que fiz com o prazer do esforço e da aprendizagem. Na corrida deixei de dar importância à velocidade a favor da endurance, fugi do asfalto e fui para a terra a fim de reduzir o impacto articular. Não sou muito bom em nenhuma, tenho prazer em todas, mesmo no castigo que é para mim a natação.

Existem muitas provas de triatlo em Portugal?

A federação de Triatlo tem um circuito bem organizado e intenso e há também um calendário de Triatlo Norte que organiza um circuito que se interliga com o da FPT.

E equipas?

Pouco sei sobre as equipas existentes. Pratico individualmente.

Como se escolhem as provas de treino (intermédias) para os grandes desafios?

A idade facilita-me as escolhas. A idade traz compromissos ligados à atividade profissional que condicionam o tempo livre; mas o maior condicionante à participação em provas é a necessidade de permitir ao corpo a recuperação após esforços. O tempo para recuperar é a minha maior condicionante, uma vez que com o avançar da idade o organismo necessita de mais tempo para recuperação.

Obstáculos colocados pela Covid-19

 Como estamos a falar de modalidades que podem ser treinadas individualmente, só me faltou a companhia regular para ter motivação para treinar. A ausência de objetivos competitivos levou-me a relaxar o treino. O fecho das piscinas levou-me a interromper os treinos respetivos e de melhorar a técnica. 

Objetivos - Como se vê no desporto daqui a 5 anos?

Não imagino a minha vida sem uma atividade desportiva e sem uma meta competitiva. Não sei por quanto tempo o meu físico vai aguentar a carga mecânica desta modalidade, mas espero andar por aqui mais alguns anos.

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14
Abr21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Após um grande interregno da rubrica, em parte, pela minha falta de tempo, e, por outro lado, também por falta de respostas dos meus potenciais entrevistados, estamos de volta.

Desta feita, com uma jovem que não conheço muito bem pessoalmente, mas a quem atesto um enorme poder de companheirismo e uma fantástica vontade de correr em plena natureza. Pertence à ARCD Venda da Luísa, mas, quando entrei para a equipa, ela já estava noutra equipa. Regressou agora à casa que ajudou a fundar e que hoje já tem uma extensão invejável. Só por isso, já diria que "a boa filha à casa torna". 

A sua simpatia e espontaneidade são armas para integrar qualquer tímido. 

Fiquem, pois, com a Liliane Vaz

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Nome
Liliane Vaz 
 
· Idade
Daquela bela colheita de 1984 (36 anos) 
 
· Equipa
ARCD Venda da Luísa
 
· Praticante de atletismo desde
Desde 2015, com passagens em corta-mato e provas escolares (nada de muito sério e sem filiação a equipa).

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· Modalidade de atletismo preferida Trail running
 
· Prefere curtas ou longas distâncias Longas, não consigo correr muito rápido (risos). Gosto de andar lá, desfrutar e empenar.
 
· Na atual equipa desde
Pertenço à formação da equipa, em 2015. Como vivi no Algarve quase 11anos, estive uma época (2017/2018) na ATR- Associação Trail Running do Algarve e outra (2018/2019) na CDC Nave Trailrruning
 
· Volume de treinos por semana
Por norma, se tudo estiver a favor, seis dias por semana com descanso ao domingo. Os treinos, por norma, não ultrapassam os 60' exceto ao sábado, onde podem ir até 3h.
 
· Importância dos treinos
Os treinos são para nos tornarmos mais fortes! É essa a linha que pretendo seguir sempre. Ficar forte para quando vou para as empreitadas (40/100km) poder desfrutar mais e melhor sem grandes estouros ou rebentamento (risos)
 
· Se tem ou não treinador
Não tenho treinador, tenho um orientador que é chato e exigente como o raio.

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· Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual
Não posso opinar acerca deste tema. Pratico trail há quase seis anos e posso dizer que a modalidade tem vindo a crescer, cada vez com mais atletas e curiosos, uns mais e outros menos amantes da natureza. Na juventude andei mais pelos desportos coletivos.
 
· Histórias insólitas, curiosas ou inéditas
Já fiz um "parto" durante o percurso dos 52 km dos Abutres em 2020 (risos). Ao Rui Monteiro da ARCD Venda da Luísa. Estávamos os dois na mesma distância, quando a determinada altura o encontro. Estava todo "parido" o rapaz, cheio de cãibras. Fomos juntos muito tempo, mas houve uma altura em que o gémeo desceu e pimba um parto no meio do trilho (risos). Foi do caraças pois ele estava mesmo com dores. Eu tentei ajudar e brincar com a situação para ele relaxar um pouco. Já rimos muito com esse episódio. Nas empreitadas, há sempre situações caricatas. Como ando lá muito tempo, dá para tudo.

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· Aventura marcante
Estrelaçor 2019 - 100km
 
· Participação em prova mais longa Trail Conímbriga Terras de Sicó 111km (115km) 2019
 
· Objetivos pessoais futuros Continuar na mesma linha... Treinar, participar em provas, fazer umas empreitadas. Aproveitar o que a Natureza nos dá.
 
· Como vê o atletismo daqui a 5 anos Com esta pandemia, é uma incerteza, portanto prefiro não criar expectativas.

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· Como se vê no atletismo daqui a 5 anos
A cair de podre, mas a continuar a andar pelos montes com o mesmo gosto e admiração. Bastante mais lenta, certamente (risos)
 
· Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?
Poucas mas boas! Raçudas!
 
· Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?
Não gosto muito de tocar nesse assunto, mas ainda há por aí muitos seres do sexo masculino que se sentem incomodados com o facto de os ultrapassarmos durante uma prova. São poucos, felizmente, mas existem.

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Legenda das imagens fornecida pela entrevistada:

Imagem 1
5.° Trail Urbano Entre Muralhas - Castro Marim (17 Dezembro 2017) com a camisola da ATR.

Imagem 2
Eu e o Rui Monteiro no Trilho dos Abutres 2020
Fotografia de Fotos do Zé

Imagem 3
No dia que me foi apresentado o km vertical da Serra da Estrela
Fotografia João Veríssimo

Imagem 4
Estrelaçor 2019 a chegada à Torre
Este dia vai ficar para sempre guardado na minha memória, aprendi muito!
Fotografia Fotos do Zé (Sequeira)

Imagem 5
Com a camisola da CDC NAVE no Monchique Open Trail 2019

Imagem 6
Ultra Trail Douro Paiva 2018 em Cinfães
Fotografia de Matias Novo

21
Nov20

Uma laranja longe de estar espremida


João Silva

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Sempre gostei da máxima "não se sai de onde se está bem".

Assim sendo, a lógica mandava mesmo que me deixasse estar.

E assim será : em 2021 continuarei a vestir a laranjinha e a fazer parte de uma equipa onde sinto bem. Além disso, o facto de não ter vestido às cores da Venda da Luísa em 2020 foi algo que me ficou atravessado. 

É verdade que, face à pandemia e às incertezas que lhe estão associadas, tenho medo de voltar a estar em locais de prova. No entanto, alimento a esperança de que já me sinta confortável para competir aquando da maratona de Aveiro, em abril. 

Agradeço o facto de também me querem no seio desta equipa.

E como tenho algumas ambições para as meias e as maratonas, pode ser que 2021 me ofereça mais fotos com as cores laranjinhas. Saudades não faltam. 

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07
Set20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Segue-se hoje uma entrevista a uma pessoa que se destaca pelo seu lado mais discreto, mas também por já saber muito da "poda". É simpático e parece andar nisto pela diversão e pela vitalidade que recebe em troca. No entanto, ao ouvi-lo falar, dá logo para perceber que o homem tem muito conhecimento...nestas andanças. 

Pois bem, é essa experiência andante que dá um prazer enorme absorver. 

O meu contacto direto com o Francisco é muito reduzido, mas sempre foi muito cordial e deixou-me satisfeito, confesso, o facto de ter manifestado interesse em saber a forma como treino no último jantar da equipa. 

Curioso o facto de termos entrado os dois na equipa ARCD Venda da Luísa no mesmo ano...e de termos começado a levar a corrida a sério em 2016.

Sem mais demoras, deixo-vos mais um testemunho interessante de um verdadeiro jovem muito experiente

 

  • Nome

Francisco António Coelho e Silva

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  •  Idade

58 anos

  • Equipa

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

2016

  • Modalidade de atletismo preferida

Trail running

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Os trails que mais aprecio são na casa dos 20 km mas esta época tenho corrido só trails curtos

  •  Na atual equipa desde

2018

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  •  Volume de treinos por semana

Em condições normais 5 treinos por semana, mas varia um pouco em função da disponibilidade pessoal

  •  Importância dos treinos

Sem se treinar de forma adequada não se obtêm resultados. É óbvio que nos podemos divertir correndo alguns quilómetros ao longo da semana e participando em algumas provas mais fáceis mas se pretendermos superar-nos e atingir os melhores resultados possíveis temos de treinar de forma planeada e com total dedicação. E não esquecer que treinar não é apenas correr. É necessário não descurar os alongamentos, treinos de força. 

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  •  Se tem ou não treinador

Tenho treinador desde finais de 2017, antes da minha primeira participação nos Abutres. Após algumas experiências anteriores em trails mais longos, decidi que necessitava de orientação para conseguir completar trails mais longos ou para fazer provas mais curtas em tempos competitivos para a minha idade e condições físicas.

  •  Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Não tenho grande experiência no atletismo no passado (fiz uma meia maratona nos anos 80) mas tenho a ideia que a grande diferença se relaciona com a popularidade do trail running que atraiu muitas pessoas para a prática do atletismo e que se reflete também numa participação mais alargada nas provas de estrada.

  •  Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Na minha primeira participação no Trail da Serra da Freita, ia ali pelo meio do pelotão e ao chegar às eólicas, no abastecimento onde havia um controlo de tempo, vejo um grupo de corredores a aproximar-se fora do percurso. Eram os primeiros classificados que tinham sido enganados por uma voluntária e fizeram uma volta maior. Assim, durante alguns quilómetros fui correndo no meio dos atletas mais rápidos que me foram ultrapassando, praguejando contra a organização. Uns quilómetros mais à frente, já a andar mais que correr, integrei-me num grupo e comecei a conversar com uma pessoa que reconheci, não sabia de onde. Só quando vi o nome no dorsal o identifiquei. Era o Rui Quinta, que durante algum tempo foi treinador de futebol do FC Porto.

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Nos Trilhos do Luso-Bussaco de 2018, para não ter de me preocupar com a recolha do dorsal antes da partida fui na 6ª feira recolhê-lo à Mealhada, depois do trabalho, no regresso de Coimbra para Aveiro. No Domingo de manhã lá saio de casa, sossegado, com tempo mais do que suficiente para chegar o Luso, aquecer e fazer a prova. A meio caminho lembrei-me do dorsal. Tinha-o deixado em casa. Tinha tempo, voltei para trás, fui a casa e retornei ao caminho para o Luso. Chegar, estacionar o carro, ir para a zona da partida, acabei por sair 10 min depois da partida, no meio do pessoal da caminhada. Mesmo assim, fiquei em 176.º em cerca de 500 atletas que concluíram a prova dos 15 km e em 5.º no escalão.

  • Aventura marcante

A situação mais marcante foi num treino: ia isolado numa zona de pinhal quando me apareceu pela frente uma matilha de cães vadios. Tentei evitá-los e passar ao lado mas 2 cães começaram a correr atrás de mim. Parei e enfrentei-os. Não sei o que apanhei do chão para me defender mas, de imediato, eles pararam e voltaram para o grupo. Pude, então, afastar-me em segurança. Mais tarde avistei-os ao longe a vaguearem na zona onde treinava. Não voltei mais para essa zona de treino.

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  • Participação em prova mais longa

A prova mais longa foi o Trilho dos Abutres em 2019, no traçado do Campeonato do Mundo. Foi a minha única experiência num ultratrail (44 km). Aguentei-me bem nos primeiros 23 km mas depois tive de gerir o esforço até ao final.

  • Objetivos pessoais futuros

Se voltar o campeonato de trail da ADAC, vou tentar o pódio no escalão M55. Mas, neste momento o meu objetivo principal é poder voltar a correr com total liberdade e conseguir manter-me mais alguns anos em competição. Esta época tem sido marcada por lesões sucessivas e só muita perseverança me tem permitido manter a treinar e a competir.

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  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos 

Penso que ultrapassada esta fase da pandemia, iremos ter um crescimento moderado nas provas populares de estrada e trail. Se os clubes e entidades do atletismo aproveitarem a popularidade do atletismo, poderemos vir a ter um aumento também no número de praticantes nas provas de pista.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

Se as minhas condições físicas o permitirem, irei tentar estar a competir no circuito ATRP e participar em algumas provas internacionais. 

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17
Jun20

1, 2, 3, uma entrevista que deveria ter acontecido


João Silva

Esta era daquelas que queria mesmo fazer, sobretudo, por ter uma estima muito especial por este rapaz, que, em abono da verdade, treinou comigo duas vezes em 2019, numa das fases em que preparava a maratona do Porto.

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Ele é relativamente novo nestas andanças. Na verdade, penso que começou a correr há pouco mais de um ano, altura em que também se juntou à equipa ARCD Venda da Luísa. Após ter convidado elementos para um treino conjunto, ele foi o único a "voluntariar-se" e a aparecer.

Queria perceber qual o terreno mais apropriado ao seu gosto pela corrida. 

Em retrospetiva, pelo contexto de amigos, já dava para ver que iria apostar mais em Trail. Ainda assim, é de tal forma eclético que também faz estrada. Diria também que tira imenso prazer das corridas e do convívio inerente, sendo isso o que mais conta para ele.

Gostei genuinamente daqueles treinos e depois do convívio no jantar de equipa. Na verdade, pelo menos da minha parte, criou-se uma grande empatia.

Em termos práticos, não tenho dados para sustentar o que vou dizer, mas do ponto de vista técnico, ele tornou-se num atleta muito resistente e com espírito de sacrifício.

Tanto assim é que fez a sua primeira ultramaratona em 2020. 

Não é comigo, mas fico genuinamente contente por ver como tem evoluído e por saber que não se nega a desafios. É muito consciente na medição da sua frequência cardíaca máxima e esse é um enorme trunfo no seu desenvolvimento.

Não sei quando nem como acontecerá, mas de certo que gostaria de voltar a treinar com o André Santos.

Quis fazer-lhe a habitual entrevista deste blogue, mas o André disse, simpaticamente, que não é um homem de escritas. Apreciei a honestidade e fiquei mesmo grato pela resposta.

Mas lá diz o ditado, se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé.

Foi um gosto escrever sobre um atleta que me parece ter muito para dar e que é, acima de tudo, uma boa pessoa.

Nada disto me foi encomendado e foi também por isso que decidi não lhe dizer nada sobre este texto.

Ainda assim, ficaria feliz se o visse. 

09
Mai20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje trago-vos uma pessoa por quem desenvolvi empatia com muita rapidez. Na verdade, fui "interpelado" por ele na sua primeira prova pela nossa equipa, ainda sem o equipamento.

Mais tarde, começamos a conversar sobre duas paixões em comum: desporto em geral e ciclismo. Foram algumas horas, enquanto esperávamos pela nossa vez nos exames médicos. 

Fiquei fascinado com o seu percurso no ciclismo e por ter percebido que tinha encontrado alguém com quem podia falar sobre a modalidade.

Com base nisso, cada encontro (sempre ocasional) era motivo para uma "amena cavaqueira".

E é com base neste percurso maravilhoso que começou no ciclismo e que agora "resvalou" para o atletismo que vos trago hoje o jovem João Nobre.

Fiquem, pois, com o João na primeira pessoa:

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  • Nome

João Nobre

  • Idade: 

29

  • Equipa: 

ARCD Venda da Luísa

  • Praticante de atletismo desde

Comecei no desporto muito cedo e já pratiquei de tudo um pouco: natação, karate, futsal, ciclismo nas vertentes de btt e estrada, onde fiz por duas vezes o calendário nacional completo, incluindo duas voltas a Portugal em juniores e algumas competições fora de Portugal. Em 2009, tive um problema de saúde que me obrigou a parar e acabei por dar outro rumo à vida: estudos, trabalho, família... até que em 2017, através do Cesar Ramalho e do Artur Gândara, comecei no atletismo com umas corridas de 4 a 6 km. Em 2018, comecei a fazer provas curtas e em 2019 cheguei aos 25 km, distância na qual me quero manter para já.

com alves.jpg

  • Modalidade de atletismo preferida: 

Trail running. Fora do atletismo: MotoGP e, claro, ciclismo de estrada.

  • Prefere curtas ou longas distâncias: 

Prefiro distâncias curtas, gosto de treinar em estrada mas prefiro competir em terra.

  • Na atual equipa desde

2019

poiares trail 2020.jpg

  • Volume de treinos por semana

O meu volume de treinos depende muito do horário do trabalho, das atividades do meu pequenote e de outros hobbies que tenho, como a música e as motos. Mas ronda sempre 2 treinos e 1 prova por semana, quando não há prova, faço 1 treino mais longo ou mais intenso.

  • Importância dos treinos: 

O treino é 1/3 da preparação de um atleta, tão ou mais importante que a alimentação e o descanso. No meu caso, neste momento da minha vida, a importância do treino passa por afastar as lesões e para me sentir bem comigo mesmo tanto em prova como no meu dia a dia.

  • Se tem ou não treinador: 

Não tenho treinador, a minha vida não me permite ter rotinas para isso, no entanto, aconselho-me com colegas nossos que estão nisto há mais tempo e daí tento seguir o meu rumo.

trail 2019.jpg

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

As diferenças são as mesmas que noto no ciclismo: antigamente, os treinos eram feitos a sós, hoje existem muitos praticantes. Há mais senhoras, houve o alargamento da idade de desportistas. Penso que vem tudo do trabalho das organizações. Antigamente, a corrida era até à morte, hoje, quem quer ir à morte, vai, mas quem quer apenas tirar prazer da corrida, ganhou o direito de o poder fazer. Basicamente, a diferença é que criaram condições para que todos possamos participar.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas: 

Existem muitas, pincipalmente no ciclismo. Por exemplo, uma vez na Volta a Pontevedra de juniores, uma prova conceituada em Espanha, na 2.ª etapa, enquanto trepador, foi-me pedido para eu puxar à morte numa subida de 20 km com o objetivo de partir o pelotão. Assim fiz, mas, quando chegámos ao Prémio montanha, só vinham 6 ciclistas (nunca me tinha sentido tão bem numa prova e ainda por cima eu era júnior de 1.º ano), mas furei a roda de trás na descida e para não perdermos muito tempo trocaram-me logo de bicicleta e arrancaram, mas a bicicleta, que era a do Pedro! A diferença? Eu tenho 1,65 m e ele tem 1,95 m. Fiz 15 km em pé e com o banco a bater-me nas costas.... No trail, a coisa mais estranha que já me aconteceu foi cair 2 vezes em 5 ou 6 metros no Trail de Pereira, mal me levantei, dei duas ou três passadas e pimba outra vez.

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  • Aventura marcante: 

Uma das aventuras que mais me marcaram foi em 2008 na Volta a Alcobaça (prova de 1 dia apenas e em circuito), não aguentei o ritmo dos da frente e fiquei para trás. Os profissionais corriam a seguir e já andavam a aquecer, ouvi uma voz “anda para a roda e descansa um bocado que eu levo-te até à frente”. Quando olho bem, era o SR. Cândido Barbosa, que corria nesse ano no Benfica. Tinha um ritmo no aquecimento igual ao nosso a sprintar. Embora o meu ídolo sempre tivesse sido o Nuno Ribeiro, o Cândido é o Cândido.

Participação em prova mais longa

Fiz duas provas a rondar os 23 e os 25 km. O MUT e uma outra em Cantanhede já em 2020.

  • Objetivos pessoais futuros:

Os meus objetivos desportivos passam por me divertir e manter a saúde. Começo e acabo as corridas sempre com os mesmos objetivos: 1- Acabar sem me lesionar 2- divertir me imenso 3- se possivel, não ficar em último.

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos: 

A ganhar cada vez mais adeptos e mais praticantes. Há que continuar a dar condições para que todos possam praticar!

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos: 

Tal como estou hoje, que me sirva de escape do dia a dia, me ajude a ter a cabeça no lugar e que, uma vez ou outra, vá quebrando um recorde pessoal aqui e ali. Já agora que continue a dar-me a oportunidade de conhecer pessoas incríveis como tem feito até aqui.

volta a pontevedra 2007 - apresentação de equipa

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