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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

24
Jun19

Saiu... rifa...com direito a champanhe e pouco mais


João Silva

Foi estranho, mas rapidamente percebi que não tinha definido objetivos para o que encontrei.

Tinha escrito que pensava nesta prova como uma espécie de Eco Meia Maratona de Coimbra, também da mesma organização. 

Quanto ao percurso e à organização, falarei nos próximos dias. 

Por agora, em relação à minha prestação, nem sei bem que dizer. 

Ou melhor, até sei: não estava preparado para aquilo.

Gosto de correr sem chuva, mas ter de o fazer sem óculos e não ver um "boi" à frente dos olhos é duro. Como não tenho as lentes inscritas na carta e não as sei pôr nos olhos (sim, tem de ser a minha esposa).

Portanto, uma contrariedade. 

A segunda é totalmente da minha responsabilidade: levar sapatilhas de estrada para vinhas e terrenos completamente encharcados e enlameados é peregrino. Em minha defesa, se bem que não é defesa nenhuma, não sabia ao que ia. Foi a primeira vez que fiz a prova e também julguei que não teria de suportar um dilúvio tão intenso.

Errado, errado e nada mais errado.

Choveu copiosamente o tempo todo e essa foi uma das grandes dificuldades. Gosto de correr à chuva mas não com a chuva sem tréguas. 

Havia muito pouca estrada. No total, nem deve ter chegado a 01 km. 

Portanto, pé nos estradões e enlameados e primeira patinagem. 

Perante esse cenário, pensei logo: amigo (sim, trato-me bem), esquece lá tempos, tenta desfrutar (conselho sábio da minha esposa ao telefone antes de começar a prova) e chegar bem ao fim. Um dos meus maiores medos é lesionar-me neste tipo de provas, porque os terrenos são muito irregulares, existem muitos troços perdidos, muitas poças ou covas, minha lama. Sinto-me desconfortável.

Durante muito tempo, não sei precisar quanto, andei a tentar pisar o chão com muito cuidado. Como não vejo ao longe sem óculos, estive sempre a olhar para o chão. Depois encontrei o colega de equipa Artur e socorri-me da sua experiência neste tipo de provas e fui vendo os sítios onde ele pisava para evitar escorregadelas.

Coisa rara e que só aconteceu porque ele estava a regressar de lesões, passei-o após termos atravessado umas valas de água por cima de tábuas e de pisos estreitos em cimento.

Em termos de ritmo, não dava para ir mais rápido. Tive medo de me lesionar, mas olhei para o relógio (desta vez sem problemas) e vi que estávamos a chegar aos 11 km ao fim de 1 hora. Ou seja, apesar do "estrago", estava bem.

De seguida, entramos numa adega (parte muito original e louvável) e aqui surge o contratempo seguinte: a memória do relógio encheu, esqueci-me de a apagar antes da prova e estive quase 03 km para conseguir apagar alguns registos anteriores e para meter novamente o aparelho a funcionar. Sim, a chuva minou-lhe os neurónios.

Portanto, fiquei sem referências. 

Depois perdi-me durante uns metros porque não vi a parte identificada, consegui aumentar o ritmo, porque a segunda metade só tinha uma parte com "lama movediça" e, apesar das curvas e contracurvas, era mais rápida.

A dada altura, dei por mim sozinho, depois voltei a encontrar atletas, perguntei a um quanto já tínhamos feito, respondeu-me que faltavam 02 km.

Não deve estar bem da cabeça, pensei. Tinha perdido o GPS mas não tinha perdido o juízo e sabia que ainda faltavam mais km para o fim. 

Mais à frente, questionei um grupo de voluntários. Recebi a resposta "já fez 17 km".

Pensei "ah, era mais isto que achava". Consegui manter um ritmo estável e galgar algum terreno, volto a entrar na parte final, que já era em estrada, e deparei-me com alguns colegas de equipa que se tinham enganado no caminho e fizeram mais 03 km, voltei a patinar na lama final e depois ainda deu para um sprint.

Não tenho a noção exata do tempo. O colega de equipa que chegou imediatamente à minha frente diz que fez 01h51m, portanto, na pior das hipóteses, fiz mais 01 minuto. Mais tarde, vi as classificações oficiosas e percebi que terminei com o tempo de 1h59m02. Francamente, não me pareceu mau dadas as peripécias vividas.

Francamente, não me serve de consolo. Ia à procura de uma coisa diferente e, por aí, não poderei considerar este resultado. 

Foi interessante ter feito a prova sem a minha água, mas tive de tomar essa decisão porque pressenti que ia precisar das mãos e também achei curioso ter abastecido meia banana aos 8 km. Não sei de onde veio aquele "uma banana por favor", não estava em esforço, mas o corpo falou mais alto. Ainda bem, porque senti que me ajudou.

Posto isto, foi uma forma interessante de acabar as provas do semestre. 

Pena a chuva e a lama, o desconforto e o deslocamento do habitat, mas também é muito importante ver como nos safamos num meio diferente. Nesse sentido, o treino que fiz na serra foi muito útil.

Um agradecimento especial aos colegas da minha equipa. Sinto-me sempre muito bem com aquele pessoal. Pena a chuva não ter dado para a amena cavaqueira.

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