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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

08
Abr19

Saiu recorde pessoal, mas foi negativo


João Silva

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O mote para esta prova, da organização da Atletas.net, deixava antever que esta era uma meia maratona ideal para bater recordes pessoais.

Aliás, breves segundos antes da contagem decrescente para a partida, o speaker dizze algo como "boa sorte e quebrem os vossos recordes".

Normalmente, costumo ter azar com esse tipo de "epítetos". Porquê? Talvez por depositar demasiadas expetativas nisso.

Porém, ontem não depositei quaisquer expetativas. Como já fiz referência atempadamente, todo o "circo" em redor da prova foi um martírio para mim.

 

Voltando ao que interessa neste post, bati, de facto, o meu recorde pessoal, mas pelas piores razões.

À sexta meia maratona da minha ainda curta carreira, fiz um tempo muito mau: 01:44:45. E a verdade é que a prova não era tão técnica, por exemplo, como a meia maratona da Figueira da Foz (da mesma organização).

O percurso é plano praticamente ao longo dos 21, 097 km, apresentando uma ligeira inclinação ascendente entre o quilómetro 18 e o 19.

Portanto, o problema esteve mesmo em mim. Sinto que abusei do reforço muscular nas últimas duas semanas e, a dada altura, comecei a manifestar algumas queixas na zona abdominal, nas ancas, nas virilhas e nos isquiotábicos. Ou seja, já fui cansado para a prova, o que é péssimo, mas só tive noção desse estado no preciso momento em que comecei a correr. 

Não aqueci bem. Cheguei tão em cima da partida que tive de aquecer à força e, pior, com todo o frio que se sentia.

Além destes fatores, aponto ainda como causa a má gestão estratégica que fiz do meu desempenho: sem ter noção exata disso, comecei muito bem, logo nos 04:45/km. Assim que vi a placa dos 5 km, quebrei literalmente. Era ver o "rancho de gente" a passar-me sem que conseguisse responder.

Mal me deparei com esse cenário, pensei: estabiliza, deixa-te ir assim e ganha ritmo para os apanhares. Não os apanhei.

Do quilómetro 5 ao 10, fui perdendo ritmo, tendo cada vez mais dificuldades, sendo ultrapassado por muitos corredores. Não costumo ser assim nas provas, mas psicologicamente já tinha mandado a toalha ao chão há muito tempo.

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Ao 10.º km, revigorei, fiquei com a sensação de que tinha estabilizado e comecei a aumentar o ritmo. Foi sol de pouca dura. Ao quilómetro 13 quebrei outra vez e foi assim até final, excetuando entre os quilómetros 17 e 18. 

56589704_334140377454403_5893708291422289920_n.jpgApós o dilema sobre se abastecia ou não (demorei tanto tempo a decidir), lá ingeri as tâmaras que tinha levado. Mas ajudou? Nada. Foi um vazio gritante. Não tenho por hábito pensar tanto no fim da prova. Naquele casa, não fazia eu outra coisa. Curioso o facto de já nem consultar o relógio para não me agastar mais.

Tanto importante como todas estas falhas foi o facto de não ter encontrado ninguém com um ritmo semelhante ao meu para que pudessemos ir ao reboque um do outro. Nem aqui fui eficaz. Tentei analisar quem me rodeava, mas sentia que não tinha capacidade para os acompanhar ou que eles não teriam ritmo para vir comigo durante bons quilómetros. Esta "técnica" foi algo que aprendi nas últimas meias maratonas e foi sempre uma enorme ajuda, mas não ontem.

E pronto, lá cheguei ao fim, confesso que estava bastante desolado...por tudo e com tudo, sobretudo, comigo.

Mas serve de alguma coisa ficar preso nisso? De nada mesmo. Daqui a 20 dias tenho o grande desafio deste primeiro semestre de 2019 e é na maratona de Aveiro que tenho de me focar. As coisas são diferentes, especialmente, porque estou "proibido" de entrar em loucuras.

Uma prova aborda-se sempre de trás para a frente. É assim que eu próprio tento atuar. Mas ontem fiz o contrário: da frente para trás. E dei-me mal!

 

 

Hoje já foi dia de recuperar o corpo. As dores eram mais do que muitas e tudo isto me fez repensar o plano que tinha previsto até ao dia 28 de abril, dia da maratona. Não posso continuar com uma carga tão elevada, sob pena de pagar a fatura na prova. 

Fica ainda uma palavra de apreço à Lígia Casimiro por ter aguentado estoicamente o stress de só me poder entregar o dorsal a 15 minutos da partida. Além disso, os meus parabéns também pela prova. Da mesma forma, felicito dois velhos conhecidos: o Edivaldo pelo seu recorde pessoal e o Joel Santos pelo seu desempenho e pela motivação que me deu durante a prova.

 

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Quanto à Meia Maratona de Ílhavo em si, confesso que fiquei desiludido com o percurso. Esperava uma maior beleza natural, pois, em bom rigor, esta prova só acaba por ser valorizada pela partida, pela zona marginal à ria e pela passagem pela Vista Alegre. 

Como já referi, o percurso é plano (demasiado, diria), não tem grande complexidade técnica, à exceção da passagem por dentro da Vista Alegre (entre o quilómetro 18 e 19). O mau tempo também não ajudou a ver com outros olhos a prova. De ressaltar o fantástico apoio das pessoas que, algumas delas, saíram à rua para nos aplaudir. Foram, sem dúvida, um grande auxílio, pelo menos, para mim.

Deixo, por último um reparo à organização: colocar cestos de basquetebol por cima de contentores do lixo é meio caminho andado para fomentar a poluição e o desperdício que se viu. É um incentivo e é usado como desculpa para deixar as garrafas e os resíduos alimentares espalhados pelo chão. Desnecessário. Não gostei.

 

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