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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

06
Ago20

O que diz o meu corpo


João Silva

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Andei tempos sem fim a remoer nesta questão. No fundo, a pensar se escrevia ou não isto, talvez porque não quisesse saber mesmo o que o meu corpo diria dos meus tratos para com ele. Talvez fosse, sem dúvida, isso mesmo.
Houve dias em que a minha má disposição é o meu feitio miserável me fizeram ver as coisas pelo lado negativo. Porém, também houve muitos dias em que prevaleceu um pouco de bom senso, porque nem tudo foi ou tem sido mau.
Se virmos numa perspetiva global, sim, tenho feito mal a mim próprio desde que nasci, quase.
Comecei cedo a comer porcarias, não tive cuidados, não conheci limites nem fronteiras para a gula e fui desleixado.
Depois vieram anos de alguma ponderação e juízo, para apanhar os cacos, na fase da adolescência.
Na primeira fase da vida adulta, voltou tudo à estaca da autodestruição, até que, há 3 anos e meio às coisas voltaram a equilibrar.
No entanto, se o meu corpo pudesse analisar melhor o que tem sido transportar esta mente, diria que substituí o vício de comer pelo de correr mas que continuo nos excessos e sem o respeitar.
Não faço mais do que os outros que treinam, mas sei que exijo demasiado do corpo, não lhe dou descanso, submeto-o a treinos intensos. Não que sejam mais duros ou melhores do que os dos outros, mas são mais desregrados, quase loucos pela acumulação selvagem de dureza e intensidade sem (querer) perceber que às vezes (sempre) a chave está num bom descanso, sem definir limites, sem procurar o equilíbrio.
O meu corpo diria que não conheço o meio-termo, embora me esforce para pensar nele, que o submeto à cargas de treino como forma de me castigar pela minha (in)disciplina, pelo meu desnorte que se confunde com falta de metodologia e incapacidade para ter calma e paciência.

Consciente de tudo o que se passa com ele, o meu corpo diria que o castigo com exercício intenso só para poder ter desculpa na hora de comer, sendo o mais estúpido aqui o facto de não comer açúcar, produtos processados nem doces ou fritos. A estrutura que suporta o meu cérebro gritaria por ajuda, se pudesse, pois sabe que, por vezes, só o castigo para ter a desculpa perfeita para comer mais do que o normal e adequado ao meu treino.
Se pudesse, entregar-me-ia a um hospício de cada vez que o obrigo a correr com dores lancinantes no joelho, daquelas de coxear, ou de cada vez que as virilhas e as coxas ficam tão duras que parecem querer rasgar a cada passada.
Paixão pelo desporto muitos têm.
Aqui não sou exceção.
No entanto, o meu corpo afirmaria em tribunal, se me pudesse levar lá, que uso o termo paixão para justificar aquilo que é uma substituição de um vício por outro, aquilo que funciona como um mecanismo de desculpa para evitar a culpa de comer ou mesmo aquilo se diz ser dedicação e, na verdade, não passa de uma obsessão e de uma obstinação.
Se pudesse fazer um julgamento da minha personalidade numa frase, o meu corpo diria que, para ele, sou uma má pessoa disfarçada de boa.

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