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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

19
Mai21

O dia dos 50 km


João Silva

IMG_20210424_040153.jpg

 

O dia de me lançar à estrada para quebrar o meu recorde de distância até então (era de 42,500 km) chegou. Foi no dia 24 de abril.

Uma espécie de antecipação da liberdade que a corrida me faz ter.

E, se não houvesse pandemia, provavelmente, estaria a correr a maratona em Aveiro.

De forma a ser bem claro, vou estruturar o relato em diferentes pontos:

Início

 O despertador soou às 3 horas e 30 minutos da manhã. Ou melhor: ele estava agendado para essa hora, mas alguma agitação noturna do Mateus e alguma ansiedade minha fizeram-me sair da cama uns 10 minutos mais cedo. 

Tempo de me aprontar, vestir o manto sagrado e de comer o pequeno almoço que antecede todos os meus treinos (iogurte natural magro com aveia, banana e café solúvel misturado). 

O percurso

Já tinha falado anteriormente no percurso que ia fazer. Na verdade, até já o tinha percorrido de forma faseada no fim de semana anterior. 

No entanto, a dureza excessiva que estava prevista para uma fase próxima dos 30 km ia rebentar por completo comigo. Após muito remoer e muito lutar, dei ouvidos à razão (à esposa, claro) e alterei o trajeto, contemplando mais subidas nas duas primeiras horas. 

Portanto, o percurso real teve estes contornos: Condeixa-a-Nova, GNR de Condeixa, pavilhão e piscinas municipais, Centro de Saúde de Condeixa, Alcabideque, Triplo Jota, Valada, Atadoa, Avessada, Rivolta, Orelhudo, Eira Pedrinha, Entrada de Condeixa, Arrifana, Ega, Campizes, Casével, Sebal, Venda da Luísa, Gorgulhão, IC2 entre Intermarché e Condeixa, casa. Foram estes os nomes das terras que me viram passar. 

Os abastecimentos

Como disse, tudo tinha de estar pensado ao pormenor. Fruto do que a corrida deu, tive de ir adaptando. Não serve de muito ser rígido neste aspeto. 

Sólidos: 2 bananas, 1 ao fim de 1h30 e outra já com 2h40. Porquê estes tempos? Não sendo uma bomba de açúcar com maltodextrinas ou dextroses, a banana demora a ser assimilada pelo corpo. Como durante a semana corro sempre 1h30, o corpo está "programado" para aguentar bem esse tempo. A segunda banana foi antes das 03h de corrida, precisamente para fazer efeito quando chegasse a essa fase, que é também o limite máximo habitual dos treinos de sábado e domingo. Devo dizer que foi perfeito. Não senti quebras significativas de rendimento. Muito pelo contrário. Uma dica importante: mastigar bem enquanto se corre para se absorver a banana mais rapidamente. 

Líquidos: água no depósito específico da mochila (tem mangueira para facilitar o processo durante a corrida). Do início até às 2h40 de corrida, ingeri pequenos goles de água a cada 30 minutos (aproximadamente). É importante manter o corpo hidratado sem o sobrecarregar (por causa das pontadas). Entre as 2h40 e as 3h40 de corrida, pequenos goles de água de 20 em 20 minutos. Como o corpo está mais cansado, precisa de água mais vezes. As perdas também são maiores, daí ser necessário ingerir mais. Das 3h40 às 04h00,  pequenos goles de 10 em 10 minutos pelas mesmas razões. A partir das 4h00, ingeri pequenos goles de 05 em 05 minutos. Foi fundamental. 

Evolução e sensações da corrida

Hora 1

Ritmo baixo, de adaptação, com sensações mistas. A cabeça dizia que talvez fosse noutro dia, mas o corpo dava ares de quem estava bem (dentro das condicionantes). Fase do percurso com mais subidas, mas tudo dentro de um ritmo baixo, para não me criar problemas logo desde início.

Hora 2

O tempo de tirar algumas fotos (tremidas). O ritmo já estava mais interessante, mas ainda sem exageros. Foi também a fase de fazer contas à evolução da corrida e de apanhar um susto valente, quando, junto ao sopé da serra, fui "encadeado" pelo frontal de outro corredor (maluco?) que por ali andava àquelas horas da madrugada.

Esta fase marcou também a passagem de transição por Condeixa e o acesso a Arrifana. A partir de aqui, entrei num percurso mais estável.

Hora 3

Hora de olhar para o relógio e de perceber os sinais do corpo. Tinha a sensação de que ia fazer menos do que as 5 horas previstas. Por outro lado, o corpo já dava sinais de fadiga e já havia dificuldade em oscilar rapidamente entre ritmos. Procurei uma passada confortável que me permitisse resolver uma pontada forte no lado direito (provavelmente, um ou outro gole de água mais "cheio"). Entrei numa zona do percurso que já metia terra batida, o que até ajudou na estabilização do ritmo. Foi aqui que passei a barreira dos 42 km.

Hora 4

Já com um novo recorde pessoal no corpo, contava quilómetro a quilómetro para chegar aos 50 finais. Não foi tanto por dores ou problermas físicos, foi pela emoção de estar a chegar onde queria. Sabia que já era difícil escapar. Ainda enfrentei uma pequena inclinação nos últimos três quilómetros, mas fi-lo a bom ritmo.

Veredito final

Como se pode perceber pelo discurso, consegui mesmo correr os 50 km. A missão foi cumprida e comprida, mas foi, uma vez mais, uma enorme prova de que é possível. De que dá, quando se quer muito (às vezes não é assim, bem sei). Já depois de ter terminado, enquanto estabilizava, caminhei e deixei que as dores viessem ter comigo. É sempre a pior parte. Ainda assim, foi algo que se superou com muitos e bons alongamentos (e rolo). 

Missão cumprida!

 

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