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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

22
Abr20

O cancelamento pode significar perda de forma?


João Silva

Uma vez mais, este tema surgiu-me como apropriado para este espaço na sequência do podcast "magistral" Dans la tête d'un correur.

Durante um treino, lá veio este assunto e foi aí que me dei conta da sua pertinência. Claro que é extensível a qualquer modalidade e a qualquer atleta, sendo que aqui o foco foi dado aos profissionais.

Será que o adiamento (como aconteceu, por exemplo, com a Meia Maratona de Paris ou a Maratona de Paris) pode ditar a perda de forma de um atleta?

Fala-se nestes dois eventos por exigirem uma preparação de semanas.

Tal como o treinador que aparece no podcast, também acho que, em primeira linha, nunca se trata de perda do que quer que seja. Sendo desporto e sendo praticado com moderação e inteligência, é sempre vantajoso para o corpo.

Claro que há um grande constrangimento, porque chegar ao pico de forma requer disciplina, foco, sofrimento e concentração. Ou seja: implica restrições e "abstinências". Implica escolhas e metodologias.

Nesse sentido, é normal e saudável que haja manifestação de desabafos e de queixas. No caso em análise, os motivos residiam na proliferação do novo vírus, o que, claro está, era nefasto para todos os participantes. Portanto, como forma de deixar a panela de pressão libertar algum vapor, no dia da prova ir fazer uma corrida longa. Em todo o caso, já era isso que iriam fazer.

Voltando à questão do pico de forma, estima-se que aguentará assim durante 4 semanas, pelo que, havendo outras competições, é possível canalizá-lo até ao próximo grande evento.

Por outro lado, parte-se de um princípio de que só se tem "aquela prova". É por isso que falo sobretudo nos profissionais. Nesse sentido, importa também transportar esta ideia para eventos muito distanciados, como o caso das maratonas, em que não é aconselhável realizar várias de enfiada ou em datas muito próximas. 

Posto isto, acrescento ainda que é necessário canalizar o foco para o que vem a seguir. Se pensar que não valeu a pena ter passado por todo aquele esforço, então vou perder rapidamente a motivação.

A prova deve ser o auge da preparação, mas, no meu entender, não deve ditar a exclusiva motivação do atleta.

"Nada se perde, tudo se transforma."

Concordam?

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