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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

15
Mai20

Frustração sem destinatário "visível"


João Silva

O episódio aconteceu no final de março, mas, por querer digeri-lo primeiro melhor comigo e com os meus, entendi que era melhor esperar para escrever sobre isso.

Falo-vos de um dos momentos mais duros da minha vida em que me tiraram a hipótese de cumprir um sonho e de ajudar a minha esposa num momento mágico e importantíssmo para nós: as maternidades, por alegada recomendação da DGS, entenderam proibir a presença dos pais no momento do parto.

O mais curioso de toda esta história é que a OMS recomendou que tal não fosse feito mesmo em caso de Covid-19, o que não constituía o nosso quadro.

Tiraram-nos tudo, caiu-nos o telhado em cima, ficámos sem chão. Não consigo sequer transmitir a dor: a minha não a sei explicar e a da minha esposa não a sei medir. Era tão mas tão importante estar ali e tudo o que pude fazer foi transmitir as minhas forças, foi torcer para que tudo se alinhasse em condições. Nem os pude visitar na maternidade após o parto. Sem medos de o confessar, chorei tanto como nunca. No dia em que deixei a esposa nas urgências, sofri muito. Com tudo, por tudo, porque uma pessoa no sabe o que se passa e está horas a fio à imaginar o sofrimento da cara-metade. Chorei tanto, ri tanto e depois chorei e ri ao mesmo tempo, como se o corpo não soubesse o que fazer. E não sabia. E comi tanto como já não o fazia há anos. Mas tudo isto passou para segundo plano quando os vi. Que trabalho mágico daqueles dois!! 

Durante os dias em que nos foi transmitida a decisão da DGS, a injustiça e o desânimo que nos invadiram foram tão grandes que precisávamos de um "destinatário", de um alvo para injuriar, porque não se faz, dói e é só uma monstruosidade. Mais ainda, quando havia profissionais do setor a defender precisamente que essa diretiva não avançasse, precisamente por ser mais prejudicial para a família do que um eventual contágio.

Além de tudo isto, doía ver tantos irresponsáveis a brincar com a vida e a liberdade dos outros e nós, desde o início, cumprimos tudo o que nos foi pedido socialmente.

O tempo tudo ajudou a passar, como sempre, claro, e pude finalmente encontrar-me com a "obra de arte" que eu e a minha esposa construímos.

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