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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

12
Abr20

E se...


João Silva

Gosto de pensar no "se", mas, neste caso, apenas como exercício de imaginação, sempre útil na vida de cada um.

Pergunto-me algumas vezes como teria corrido o último ano sem estas mudanças.

Desde logo, não teria sido tão feliz.

É verdade que o início foi "demorado", já que sou alguém com dificuldades em abraçar as mudanças. Não sou neofóbico, mas tenho alguma relutância em tudo encarar o imprevisto com "facilidade".

Ainda assim, sendo a notícia mais importante e mais feliz da minha vida, é fácil de perceber que o ano teria sido mais cinzento sem esta bela novidade.

Portanto, na sequência, sem a força do pequeno Mateus, que, na altura ainda não tinha nome, nunca na vida teria conseguido acreditar que chegaria a uma marca inferior a 1h30 na meia maratona e a 3h30 na maratona. Portanto, só tive a ganhar. Só a minha grávida sabe o quanto tudo isto me ajudou a tirar aqueles pozinhos extra do meu desempenho.

Depois, certamente, teria entrado em mais competições e dificilmente teria continuado a treinar todos os dias da semana com a intensidade com que o fiz. Teria feito mais vezes treinos de três horas, mas também sei que andaria mais "morto" por causa dos esforços e da falta de descanso.

E não pensaria nem valorizaria tanto o que tenho nem a realidade que me rodeia. Passei a contemplar mais e sentir-me ainda mais grato, sobretudo, por ter uma mulher fantástica que vê em mim aquilo que não vejo e por poder praticar uma modalidade que me completa a todos os níveis.

De certeza que andaria mais focado numa eventual preparação para a maratona de Aveiro que se realiza agora em abril. No entanto, a chegada do nosso Mateus enche-me de tal forma o coração que me "basta" poder treinar e correr pelo concelho. O mágico nisto, embora já o soubesse, é que não dependo das provas para manter a disciplina de treino. As provas são importantes para darem algum sentido ao treino, mas não são decisivas para fazer o bem pela nosssa própria autoestima.

Portanto, de nada serve pensar no "se". Importa perceber como utilizar a realidade a nosso favor.

 

P. S. : Este texto foi escrito muito antes da pandemia e do respetivo estado de emergência. Não que tenha de me justificar, mas desde 11 de março que treino apenas em casa. Aliás, as saídas foram reduzidas à reciclagem e às consultas. Não mais corri pelo concelho e nem sonhava que a maratona de Aveiro iria ser mudada para outubro. Aproveito para desejar publicamente boa Páscoa a todos. 

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