Autodestruição
João Silva
Há uns dias falei na autoestima e na sua existência na minha vida pela via do desporto e agora trago a outra companheira de vida: a autodestruição.
Pois bem, sempre tive de sobra e, infelizmente, nem a corrida me ajudou a resolver isso, embora ainda me permita acalmar.
Este fenómeno consiste em mecanismos mentais que visam o autoinsulto permanente e o julgamento permanente de todas as minhas ações.
Transferindo isto para a corrida, reflete-se na não valorização das conquistas, na elevação de expectativas, na incompreensão face a alguns aspetos de treino e na comparação frequente com outros elementos.
A consequência imediata de tudo isto é minar a minha confiança, o meu desenvolvimento.

Porém, este fenómeno pessoal já me assombra desde a minha infância. Não é novo.
A minha insegurança e o meu sentimento de inferioridade tratam de fazer o resto.
Agora que voltei a uma fase mais débil da minha personalidade, consigo criticar-me com maior facilidade, o que me faz pior.
No caso da corrida, este ano está a ser uma maravilha para o "manda-abaixo", porque os resultados não foram bons no primeiro semestre e isso é mais uma forma de minar o meu próprio progresso.
Dou por mim a questionar constantemente as minhas opções. Não é mau fazer o papel de polícia mau de nós próprios. O problema é fazê-lo de forma desmedida e destrutiva, que não leva a lado nenhum.
A rever.
