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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

De novembro de 2016 até agora, passei de 118 kg a 66 kg graças à corrida e à reeducação alimentar. Desde então, o contador vai em 40 provas: 20 x 10 km, 7 trails, 10 meias maratonas e 3 maratonas.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

07
Dez19

A corrida vista por uma fisioterapeuta


João Silva

Ao longo dos últimos anos assistimos a um verdadeiro “boom” no que à atividade física diz respeito. São cada vez mais aqueles que por questões de controlo de peso, saúde ou bem estar procuram realizar uma atividade física regular.


Se o aumento da procura de uma atividade física regular é motivo de regozijo entre os profissionais de saúde, nomeadamente na prevenção das doenças cardiovasculares, problemas de obesidade e do foro emocional, entre outros. Mas este crescimento deixa-nos também preocupados devido ao aumento de lesões musculoesqueléticas que lhe estão associadas.


De todas as atividades físicas possíveis, a corrida têm tido um crescimento de adeptos impressionante talvez por ser uma atividade altamente versátil e que permite uma liberdade enorme na escolha de horários e de locais de treino, é um desporto “barato” pois não exige muito
equipamento e adapta-se a muitas pessoas diferentes.


No caso específico dos corredores amadores são os membros inferiores os mais afetados, sendo que as lesões podem ser ligadas a fatores intrínsecos ou extrínsecos.


Por fatores intrínsecos entende-se a falta de força muscular, a flexibilidade do atleta e alterações posturais que podem facilitar o desenvolvimento de lesões. Por fatores extrínsecos podemos compreender os erros de treino e a falta de conhecimento técnico por parte dos atletas.


Existem, no entanto, outros fatores que podem aumentar o risco de lesões em atletas amadores como é o caso de um índice de massa corporal elevado, da utilização de calçado desadequado e a presença de lesão prévia.


Como fisioterapeuta, sou muitas vezes questionada por utentes e amigos sobre o tema da prevenção de lesões e o meu primeiro conselho é sempre o de respeitar a sua individualidade biológica e gerir as cargas de treino a que se impõe. É, para mim fundamental, que o atleta tenha em conta o volume de treino e a intensidade e que respeite os seus limites.
Claro que um atleta experiente conseguirá sempre gerir melhor o seu esforço e o risco de lesões que lhe está associado em relação a um atleta iniciante.

Mas mesmo assim é sempre melhor ter muita atenção.


Deixo-vos agora alguns conselhos que podem, em minha opinião, ajudar a diminuir o risco de lesões em prática desportiva amadora e que podem ser facilmente colocados em prática por todos:


- A alimentação e a hidratação são fundamentais para manter um corpo saudável e equilibrado ajudando assim a melhorar a performance do atleta e diminuindo o risco de lesões.


- Respeitar os seus períodos de recuperação é de extrema importância. Quanto menos experiente se é mais necessidade de tempo de recuperação precisamos. E sobretudo deem muita atenção aos sinais de sobrecarga como aumento da frequência cardíaca de repouso, desmotivação e fatigabilidade entre outros.


- A prevalência de lesões está intimamente ligada à fraqueza muscular por isso só lhe posso aconselhar a criação de um programa de reforço muscular que poderá alternar com o treino de
corrida propriamente dito.


Desta forma os seus músculos serão mais resistentes e as suas articulações estarão mais protegidas.


Este fator é essencial em atletas com excesso de peso.

- Não saltem as fases de aquecimento e sobretudo as fases de alongamento. Elas são de extrema importância para manter o equilíbrio do seu corpo antes e depois do esforço.


- Usem o equipamento adequado. Em caso de dúvida o melhor será mesmo pedir uma avaliação junto de um fisioterapeuta ou de um profissional de educação física de forma a que o seu programa de treinos seja otimizado e equilibrado.
Caso os pés e tornozelos sofram muito com a corrida, uma consulta com um podologista para adaptação de palmilhas pode ser necessária.


- Não queiram fazer tudo de uma vez e distribuam a carga de treino ao longo da semana (corrida, musculação, etc...). Sejam coerentes nos treinos e respeitem os seus períodos de recuperação.


- Não exijam demasiado de vós nem em treinos nem em número de provas. Progridam gradualmente: se aumentam a intensidade, diminuam o volume e vice-versa e sobretudo aprendam a ouvir o corpo.
Quanto melhor o conhecerem, mais ele será vosso aliado.


- Aproveitem ao máximo o prazer da corrida sem se preocuparem exclusivamente com os resultados que podem obter. É fundamental ter objetivos de treino que sejam realistas e não criar frustrações desnecessárias.


Espero que este post vos tenha agradado e elucidado sobre a prevenção de lesões e a que profissionais recorrer em caso de necessidade.


Por minha parte resta-me agradecer ao João esta oportunidade de escrever no seu blog assim como o desafio de escrever, pela primeira vez, sobre um tema no âmbito da minha verdadeira profissão.

 

Aqui fica uma oportunidade para conhecerem o belo espaço da Nala. Aconselho vivamente. Trata-se de conteúdo capaz de nos fazer refletir sobre coisas muito profundas e às quais não prestamos a devida atenção. Além disso, conta também com muitos outros temas dignos de  consulta. Só temos a ganhar.

 

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