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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

31
Dez22

Volto depois da meia-noite


João Silva

Está fechada a barraca para este ano...

Nesta altura, já não há nada a fazer para o tornar melhor ou muito melhor.

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Foi o que foi e a cabeça tem de pensar no que aí vem, mas com calma, porque também temos direito a processar tudo lentamente...

Que se seja um ano melhor.

Pelo menos, que se faça por isso.

Acho que o prisma tem de ser sempre este. 

Uma feliz passagem de ano a todos e que 2023 possa ser um ano em que vão realizar todos os vossos projetos, em que terão força e saúde para lutar por isso!

Feliz passagem de ano! 

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30
Dez22

Nobody Cares...


João Silva

Há uma frase que diz "se eu não gostar de mim, ninguém gostará".

Há medida que vou envelhecendo, vou vendo o quão verdadeiro isso é, embora seja uma pessoa que se odiava e que não se sentia bem na sua pele.

Refiro-me a quê? No fundo, a tudo, mas sobretudo à questão do desporto. 

Não peço nem nunca pedi que as pessoas saíssem da sua vida para me perguntarem como estou ou como evoluiu a minha lesão, mas, sobretudo dos familiares diretos, inclusive daqueles de sangue, esperava que mostrassem algum interesse.

O que senti há mais de um ano foi que a minha incapacidade para correr (mas também para andar em condições e sem dores no primeiro mês) era completamente irrelevante. Não tinha nada partido, não tinha nada fraturado. Olhavam para mim e estava tudo igual. Por que haveriam de se preocupar?

Por nada, porque nada mais interessa e porque cada um tem de olhar por si.

Não sou exemplo de nada nem para ninguém, nunca me vi como tal, mas gostava, por vezes, que alguém me mandasse uma SMS a perguntar como estou, porque também o faço àqueles que estimo mesmo.

A lesão foi superada, a vida continuou e cada um na sua. Foi assim, é assim e será assim, mas aquele momento foi um "abre-olhos".

Na hora da verdade, nobody cares. Porque todos têm com que se preocupar e não há tempo para lançar sequer um olhar fingidamente preocupado a quem está ao nosso lado...

 

 

P. S.: fiz questão de deixar este texto que escrevi ainda em agosto. Estava a ficar com muitos problemas mentais. Sentia-me só no meio das multidões. A entristecer cada vez mais. Tudo tem uma explicação. Entretanto já a percebi e já sei que tenho quem goste de mim. Sempre tive, mas houve alturas em que não quis ver. Também isso tem explicação. Deixar este texto aqui com esta nota permite-me ver o quão voláteis são as coisas. Ganhar uma perspetiva diferente e um autoconhecimento vasto tem-me feito muito muito bem. Obrigado a quem gosta de mim, hoje sei que são muitos. Hoje sinto-o. Já não é "Nobody Cares", é "everyone matters". Um bem haja a todos.

28
Dez22

Sabiam que...


João Silva

...a cadência média de um corredor deve ser de 180 passos por minuto?

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Estima-se que esse número, que não é fácil de alcançar, permite chegar a um ritmo elevado de corrida. 

Desde logo, da consistência à corrida e depois permite ajudar a passada para uma mais ou menos espaçada.

Com a cadência vem a necessidade de ajustar a respiração, caso contrário, lá aparece a bela dor de burro.

Para quem corre: sabem quantos passos dão por cada minuto?

 

26
Dez22

O “Ta Tin Ta” ganhou vida


João Silva

Há um ano, escrevi o meu conto de Natal. Inspirado no meu filho. Graças à bravura de bons escritores, não me canso de o dizer, a minha imaginação ganhou vida. E passou para livro. Como nem todos o conseguirão adquirir, penso eu, volto a partilhar convosco a minha obra de Natal.

Espero que vos deixe tão felizes como fiquei no momento em que criei esta história.

Porque o Natal existe sempre, basta querermos encontrá-lo.

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Abri a porta e lá estava ele...

- Já cá estás, avô? - perguntou-me com a admiração de quem não sabe que horas são e com a articulação possível numa criança de quase cinco anos.

- Hoje vim mais cedo. O corpo já não aguenta tanto tempo a correr - respondi, enquanto tirava o gorro de natal e a gravata decorativa.

- Andas sempre com isso, avô? - quis saber, enquanto se apoderava dos meus acessórios encharcados e do meu frontal. Já sabia ligar a luz... há tanto tempo.

- Queres saber a história da gravata e do gorro, Pedro?

Ainda sem saber a resposta dele, sentei-me no tapete já com uma roupa quentinha e cruzei as pernas.
Depois de fazer a dança do velhinho, como lhe chamava a avó, o Pedro saltou para o meu colo e disse "sim", sem nunca tirar os olhos da gravata e do gorro.

Já bem aconchegados, comecei:

Então olha, o "Ta tin ta" teve duas vidas: uma antes da chegada do filho dele, o Mateus, e outra depois. Foi pouco antes de o filho chegar que se apaixonou pelo Natal e foi já com os primeiros passos e sorrisos do pequenote que percebeu a magia...

Antes disso, o "Ta tin ta" não ligava muito à época nem era muito fã de decorações natalícias. Os natais da sua infância não tinham sido felizes. Não se lembrava de nenhum em que não tivesse havido confusão: ora o pai discutia com a mãe e acabava a dormir no chão de casa dos avós maternos, ora o pai metia-se em pancadaria no café da vila e ia para o hospital com a clavícula partida, ora o pai não controlava os ciúmes e acabava a discutir com o cunhado, padrinho do "Ta tin ta. Quando não era isso a arruinar aquela época, era o padrinho que discutia com a tia, eram os pais que não tinham dinheiro para lhe comprar uma prenda no Natal. Já adulto e dono e senhor da sua vida, o "Ta tin ta" não tinha motivos para gostar do Natal. Passava-os a trabalhar num hipermercado. As pessoas eram mal educadas e tratavam-no mal. Chamavam-lhe nomes feios e não lhe davam descanso. Apareciam quando a loja estava a fechar...

- Já que não querem sair daí, tomem lá... - disse a avó do Pedro que chegara ali sem que nos tivéssemos apercebido. Ela sabia que não íamos arredar pé enquanto não terminasse a história do "Ta tin ta", até porque ela própria gostava da tradição associada ao jovem rapaz.
Ainda antes de seguir viagem para o quente da lareira da sala e para a companhia do nosso filho e da nossa nora, entregou uma fatia de pão caseiro com manteiga ao Pedro e, estendendo a outra mão, ofereceu-me o meu estimado chá verde bem quentinho...

Tentei seguir o fio da história, mas a memória já me pregava muitas partidas...
- Ainda te lembras onde é que o avô ia? - perguntei ao Pedro sempre com a intenção de disfarçar o meu tom preocupado. Aquele esquecimento poderia ser bem mais do que isso

- Estavas a dizer que o "Ta tin ta" não gostava do Natal...
- Boa, era isso mesmo, agradeci, bem aliviado. O garoto estava atento.
Prossegui, procurando não me perder novamente...

Mais tarde, o "Ta tin ta" conheceu uma menina, a Diana, que gostava muito do Natal com os seus pais, as suas irmãs e sobrinhas.
Só que aquela alegria e felicidade genuínas não passavam para o "Ta tin ta". Nem mesmo nas tardes de Natal em que essa família se reunia para trocar presentes e histórias. Havia sempre algo que faltava. Sentia-se sempre sozinho, como se não tivesse direito a partilhar aquela sensação de amor e paz.

Uma vez mais, de vez em quando, lá havia Natal com os pais do "Ta tin ta" e lá voltava a aparecer a discussão. Era uma confusão e era tudo muito triste... Mas as coisas mudam...

Sem se aperceber, o "Ta tin ta" começou a correr para perder peso, porque era muito gordo e não gostava.
E começou perto do Natal.

No sítio onde agora vivia, era tudo diferente. No Natal, havia luzes, tantas, espalhadas por toda a vila... eram tantas casas coloridas, algumas com Pais Natal, outras com presentes. Umas reluziam a verde, outras a azul e ainda havia o vermelho e o dourado.

Parecia que o "Ta tin ta" tinha chegado ao reino encantado do Natal. Na verdade, tinha começado ali a segunda vida dele.
Passou a gostar do Natal.
Mas, mesmo assim, não percebia o sentido. Não acreditava em nenhum deus e não partilhava de nenhuma fé.

A única fé do "Ta tin ta" era a corrida. Assim que punha os pés na estrada, era muito mais feliz, estava sempre a sentir-se preenchido.

Mais tarde, teve hipótese de correr numa corrida que acontecia todos os anos no Natal. As pessoas deram-lhe o nome de São Silvestre.
Era uma magia que não se explicava. Sentia-se feliz no meio daquelas pessoas, eram tantas. E tão felizes naquelas noites. E as ruas?! Eram o melhor. A cor, a vida, a felicidade que davam quando ele passava...

Aos poucos, o "Ta tin ta" sentia que havia algo de especial na corrida e nem mesmo um bicho com um nome esquisito lhe roubou isso.

Quando o seu filho, o Mateus, nasceu...

- Mateus?, quis saber o Pedro ao sentir que era o mesmo nome do seu pai...
- Sim, Mateus, muito bem - respondi, meio atrapalhado e com pressa de acabar a história para não me perder...
A custo, lá retomei...

... O "Ta tin ta" percebeu o que era a magia do Natal quando viu o seu pequeno a sorrir para as luzes e a fazer uma grande festa quando via árvores de Natal nas janelas do prédio da frente.

Nesse momento, o "Ta tin ta" soube que o seu propósito no Natal era correr por toda a vila e acenar aos meninos para lhes levar o espírito natalício.

Criou assim uma tradição. Pegou numa gravata de Natal comprada na loja dos chineses e num gorro de Natal, que sobreviveu aos tempos no hipermercado em que trabalhou, e saiu para correr. Fazia-o sempre de madrugada.

No início era só ele na rua, rodeado por casas, envolvido por árvores e torturado pelo frio. Nada de novo, portanto. Até que, com o passar dos anos, começaram a aparecer os primeiros meninos e meninas à varanda. Já sabiam que ele lá iria passar.

O "Ta tin ta" não levava prendas, levava acenos de mão e sorrisos para todos. Passava pelas vielas muito decoradas e abria os braços para mandar xi-corações. Batia palmas aos meninos e sorria. Desejava um feliz Natal a todos.

Chovia sempre nessa madrugada. E o "Ta tin ta" usava a chuva para lavar as lágrimas da felicidade que levava daquela corrida. Não era mais uma corrida. Era o momento dele.

Com o tempo, o "Ta tin ta" compreendeu o verdadeiro sentido de tudo. Percebeu que o Natal era pensar naqueles de quem gostava, era juntar a cara dessas pessoas às histórias que teve com elas, às memórias que formaram juntos.

Na corrida em que dava mimos a todos, era o "Ta tin ta" que se sentia feliz. Era aí que percebia que também sabia o que era a felicidade genuína. Percebeu finalmente que o Natal era o momento em que era mais feliz e que não precisava de forçar esse sentimento.

O "Ta tin ta" começou a ver o outro lado do Natal e, de repente, os seus natais passados já não eram só as discussões dos seus pais ou os desacatos na família, eram as filhoses rijas mas sempre saborosas da mãe, eram as fogueiras no quintal para cozer bacalhau, eram as músicas e os serões à frente da fogueira em casa do padrinho e com os primos, eram a aletria feita pela mãe, eram os debates acesos sobre política e religião com o pai, eram os doces intermináveis, era o globo oferecido pelos pais num Natal em que não havia dinheiro para prendas...

Durante muito tempo, o Natal era tristeza. Mas a corrida, a vila iluminada e o nascimento do Mateus mostraram ao "Ta tin ta" que mesmo esses natais mais conturbados tinham um toque de magia. O Natal era isso: juntar pessoas e coisas a momentos. Lembrar as vivências do passado. E lembrar novamente. E fazer perdurar a vida daqueles que já partiram no seio da nossa memória.

O pequeno Pedro já não estava a prestar a atenção ao avô. Na verdade, já tinha fugido para junto dos pais e da avó...
Mas lá longe, ainda o ouvi dizer aos pais que queria ser como o "Ta tin ta" e correr sempre para fazer os meninos felizes...

24
Dez22

Um feliz Natal a todos


João Silva

Isto dos anos passa muito depressa.

E, de repente, já é Natal outra vez.

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Sabem que mais?

Aproveitem. Agarrem em tudo o que tiverem e desfrutem, usufruam. Usem e abusem dos vossos, no bom sentido, claro.

Que a vossa rede de apoio esteja lá, que não seja esquecida, que faça todos os dias serem Natal.

Feliz Natal a todos!!!

 

23
Dez22

Qual o papel da medicina alternativa no desporto?


João Silva

Apesar de nunca ter tido uma experiência direta com medicina alternativa (de que me recorde), tenho casos na família que comprovam a eficácia deste tipo de tratamentos. A Diana quase não andava por causa de uma condromalácia na rótula que a medicina tradicional não curou. Foi a naturopata dos pais dela que lhe resolveu mesmo o problema em três sessões. Ao ponto de ter conseguido correr ao fim de 14 anos. Portanto, não houve tanga no processo.

Na verdade, acho mesmo que este tipo de medicina complementar e ajuda a tradicional, portanto, não entro numa ótica de trincheira.

Quando a minha zona sacro-ilíaca me fez encurtar uma das coxas e a minha banda iliotibial bloqueou, um familiar disse-me que deveria ir à tal naturopata. Como já estava na fisioterapia e o tratamento começava a fazer efeito, recusei (até porque não é nada barato).

Semanas mais tarde, percebi por que razão aquelas duas disciplinas poderiam funcionar a meu favor: a naturopatia poderia desfazer todos os nós na minha perna. Deixar-me-ia num brinco. Mas depois seria necessário reforçar os músculos da zona afetada porque só isso vai permitir que o problema não apareça (tão cedo, pelo menos). E é aqui que entra a fisioterapia. 

Mais de um ano depois, continuo a achar que são duas metodologias de tratamento inteiramente compatíveis. Para ser sincero, até acho que têm a ganhar muito, se trabalharem em conjunto.

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21
Dez22

As subidas que a noite não permite


João Silva

A chegada do inverno marca o fim oficial de alguns percursos.

Uma coisa é ir para zonas com menos iluminação quando o dia está a nascer, como é o caso no verão, altura em que se veem os primeiros raios de luz logo às 05h30.

Com isto, o meu "portfólio" de trajetos fica mais restrito. Procuro sempre alternar rotas, mas entre meados de novembro e de fevereiro, os locais não mudam muito.

Nesta fase do ano, há algumas localidades que não visito tanto. Duas delas são Alcouce e "Tanques de Alcabideque" (a terra só tem o segundo nome, o primeiro foi invenção minha para efeitos de referência.

Quem conhece, sabe que tem ora subidas mais longas pelo meio da serra ora subidas mais inclinadas e explosivas. São bem tramadas de fazer, devo admitir, embora nos ofereçam uma enorme evolução em termos respiratórios e musculares (na zona das coxas fica um empeno bem jeitoso).

Talvez sejam ainda mais especiais por não as poder fazer nas madrugadas de inverno. Além da fraca luminosidade, tenho mesmo de atravessar os espaços, o que me deixa muito medo, confesso. 

Resta esperar que passe. Como se sabe, o tempo passa a correr.

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18
Dez22

São Silvestre de Coimbra (e da amizade)


João Silva

Hoje tinha motivos para começar por isto:

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Esta foi a prestação mágica de ontem na São Silvestre de Coimbra. 

Podia ainda fazer referência ao orgulho que foi terminar em 84.° num universo de 1433 corredores:

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Comecei no lugar 480 e terminei no 84.°.

Podia voltar a falar na magia que é correr uma prova São Silvestre em Coimbra. Na multidão:

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Podia até fazer referência ao facto de ter estado com um símbolo do atletismo nacional:

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Ou de ter estado com excelentes pessoas:

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E o texto podia ainda ser sobre a felicidade de andar de gorro e de gravata de Natal por Coimbra ou sobre a passagem no túnel humano que se formou na Praça da República ou mesmo na mítica subida à Avenida da Liberdade.

Podia. Mas não é. 

É sobre isto:

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Ou melhor, sobre o momento que deu origem a esta publicação do Ricardo Veiga:

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O abraço, o sorriso, a amizade. 

Conheci este gigante há muitos anos na Auchan em Aveiro. Foi meu chefe. Muitos anos passaram e encontrámo-nos nas corridas. Penso que a primeira foi numa meia maratona na Figueira da Foz. Em 2018. A memória pode conter erros. Na altura, cumprimentei-o mas porque o confundi com um antigo professor do ensino básico.

Nada disso. Percebi mais tarde. 

Nunca combinamos, mas acabamos por nos encontrar muitas vezes em provas. E é sempre um prazer. É sempre um carinho especial por alguém que está numa viagem um pouco semelhante à minha, por alguém mais velho do que eu mas que jamais se verga à idade. É um jovem. Percebemos isso no exato momento em que o ouvimos, em que escutamos os seus planos, as suas corridas. 

Sinto uma grande simpatia por ele, que, na verdade, vira amizade. Fico feliz quando o vejo, fico contente quando o vejo a correr e puxo por ele. E fico extremamente feliz pela sua evolução como corredor. Está mais disciplinado, mas mantém aquela irreverência de um pré-adulto. 

É um prazer ver o Ricardo. (Curiosidade: é o quarto Ricardo importante no meu círculo). Um dos meus votos para o próximo ano é que possa treinar com ele. 

Abnegação. É essa a palavra que melhor o define.

 

17
Dez22

Correr num corpo estranho


João Silva

Podia ser o título de um filme. 

Na verdade, foi uma experiência que tive em outubro de 2021, quando retomei a corrida após a lesão que me obrigou a parar dois meses.

As duas primeiras corridas foram muito pequenas, mas foram o suficiente para me fazer crescer água na boca, para me  deixarem de rastos e com uma sensação que nunca tinha experimentado: correr num corpo estranho.

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Passo a explicar: nesses dois primeiros treinos, parecia que estava num corpo que não era meu. Estava a dar as ordens do costume, mas os membros tinham vida própria, os músculos tinham dores (normais) a que já não estava habituado, parecia muito enferrujado. 

Sim, estive sem correr quase dois meses, mas nunca parei o exercício físico. E fiz muitas vezes bicicleta estática. Só que não era a mesma coisa. Nem sequer teve comparação com a ausência de corrida no período do primeiro confinamento.

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A lesão mudou-se o corpo. Não há mal em reconhecer isso. Até porque não significa que tenha sido para pior. (Hoje reconheço que foi claramente para melhor). Eu é que não estava habituado a correr neste corpo. 

Isto é como os carros: conduzimos um anos a fio. Quando entramos num "novo", tudo parece estranho. E depois habituamo-nos. É o que faz o ser humano.

Precisamente por reconhecer a minha necessidade em fazer do meu corpo um "instrumento novo", este ano decidi fazer um desmame da corrida em novembro, após a maratona. De 06 a 30 de novembro, corri 3 vezes. O objetivo era deixar que o corpo não chegasse ao nível de problemas que teve em 2021. Apesar de me ter custado muito por nunca o ter feito, era muito importante. E essa consciência fez com me obrigasse a respeitar mais este corpo, porque, apesar de tudo, só tenho este. Ele renova-se, é certo, mas não é inesgotável.

16
Dez22

Quero repetir


João Silva

São das melhores provas. Não tanto pelo percurso nem pela dificuldade. São-no pela beleza e pelo ambiente.

Falo das corridas São Silvestre que acontecem habitualmente em dezembro.

Gosto das cores, do aroma a natal espalhado pela chuva e pelo vento. Gosto do quente do interior do meu corpo como contraste relativamente ao imenso gelo.

Fiz duas corridas São Silvestre, a última em 2021. Tenho saudades.

Oxalá tudo melhore nos próximos tempos a nível pessoal para que possa estar em pleno nestas provas, que são, na verdade, autênticas celebrações de felicidade.

Até lá, ficam algumas imagens do "arquivo".

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15
Dez22

Um GPS físico


João Silva

Para correr, uso o GPS do meu relógio e o do telemóvel. Não sendo este último Apple, haverá alguma dificuldade para me localizarem se me perder num treino. Ou pior, caso me aconteça alguma coisa durante a sessão.

É algo em que nunca se pensa, mas pode acontecer. É bastante normal, diria.

Na verdade, tenho a sorte de viver com uma pessoa que pensa muito nessas possibilidades.

Assim, lá descobriu uma forma de me manter "localizável": encontrou uma marca que faz fitas personalizáveis para o pulso.

Chama-se Stickets. Escolhemos o modelo e colocámos os dados que queríamos, nomeadamente, o nome e o número do meu contacto de emergência.

Se não me engano, três fitss custam perto de 10 euros. A primeira durou-me quase ano e meio. Ou seja, rende bem, não se sente no pulso e não provoca lesões.

Não me resolve todos os problemas de um eventual ataque cardíaco, por exemplo, mas permite que alguém dê o meu paradeiro, se me encontrar mal.

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13
Dez22

Tudo tem um tempo, até a definição da personalidade


João Silva

Não sei se trouxe este assunto para aqui, mas há muito que me revejo numa teoria que não é da minha autoria e que ouvi há imenso tempo, nem sei bem onde: aos 20 anos, andamos a brincar às experiências; aos 30, encontramos quem queremos ser e, a partir dos 40, tentamos implementar esses traços. 

Não querendo entrar num prisma demasiado íntimo, centro-me no âmbito desportivo.

Aqui é fácil de perceber que só nos finais dos meus vintes encontrei o que me realiza efetivamente: a corrida. 

Passei por um período de adaptação universitária e profissional que me fez afastar da prática desportiva. Nos sete anos que passei na Auchan, não havia qualquer forma de organizar a minha vida. Talvez também não tivesse a força de vontade necessária. 

Foi preciso bater no fundo em termos familiares, profissionais e alimentares para encontrar na corrida a forma de mudar a minha vida.

E foi assim que entrei nos trintas, com uma nova filosofia de vida e já ciente do que queria definitivamente para a minha vida. 

Ainda estou longe dos quarentas, não sei se conseguirei efetivamente dar continuidade e consistência às minhas ideias, mas, para já, tenho um caminho sólido de seis anos com uma filosofia desportiva bem clara, que passa essencialmente pela corrida. Já sei o que quero e esse foi o maior ganho dos últimos anos.

O ano de 2022 mostrou-me também que consegui atingir um nível disciplina mais adequado ao que considero ideal para atingir os resultados que procuro. Os planos de treino que adotei deram frutos, mas porque segui bem, com flexibilidade e espírito críto.

Também têm bem ciente da altura em que assumiram a personalidade que têm hoje?

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12
Dez22

Proprioceção ou o modo cego do corpo


João Silva

O nome é pomposo e não significa mais do que a capacidade de o corpo se conhecer e se corrigir.

Com o passar do tempo e das repetições de treino, o corpo adquire conhecimento da forma como se posiciona e da postura que adota no exercício. No meu caso, vejo muito isso quando corro no escuro. Já o faço há muitos anos e o corpo habituou-se, já sabe onde deve meter o pé e como me deve manter em equilíbrio. Esta rotina evita que me estrampalhe em alguns trajetos (com algumas exceções, claro). 

Neste momento, o meu corpo já levanta os joelhos a uma determinada altura. Em condições normais, tudo isso é mecânico. Se eu quiser mudar isso, tenho de obrigar o corpo, de lhe mudar e moldar os movimentos, o que demora tempo. Regra geral, é por essa razão que demoramos cerca de seis meses a mudar uma postura de corrida.

Em estrada, este processo é mais comum, porque o percurso também é mais linear e repetitivo.

Um trail tem o lado bom de nos obrigar a estar mais atentos, de não nos deixar cair em hábitos, porque não há serras iguais. Ainda assim, por outro lado, são precisos muitos meses (ou mesmo anos) de treino para que o organismo se movimente sozinho e de forma mecânica pelos trilhos.

09
Dez22

Sabiam que...


João Silva

... são precisos 3 g de água para transformar 1 g de glícidos em energia muscular?

No processo de armazenar energia para uma prova, por exemplo, uma maratona, é importante perceber por que motivo é necessário ter uma excelente hidratação nos dias que antecedem a prova.

A conta que vos apresentei acima é importante para calcularmos o valor de hidratos de carbono necessário para uma boa reserva. Vai fazer falta no dia da prova. Estima-se que precisamos de cerca de 10 g/kg. No meu caso, por exemplo, teria de consumir aprox. 700 g de hidratos (de preferência, complexos, como batatas doces) até à véspera da prova para ter uma boa reserva energética na hora de fazer os 42 km. Isto porque a maratona exige energia permanentemente dos músculos. Como todas as provas de endurance.

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Nunca adorei este método de acumulação de energia nos dias anteriores à prova. Por medo. Por causa do meu histórico de obesidade. Porque isso pode dar a mensagem errada ao organismo.

Mas dado ser tão comum no meio para sobreviver bem a uma prova desta envergadura, perguntou-me muitas vezes se não valeria a pena tentar. Se isso não me iria ajudar a melhorar o meu desempenho...

 

 

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