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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

31
Out22

Porto 2022: a lógica da meia maratona para preparar uma maratona


João Silva

Qual a importância de escolher uma prova exigente a um mês de uma maratona?

Diz-me essa pergunta algumas vezes antes de, em agosto, ter feito a inscrição. Na verdade, foi a Diana.

Há sempre um risco associado, sobretudo, pelas lesões. 

Ainda assim, dados os meus treinos mais incidentes numa corrida de ritmo alto, fazia todo o sentido procurar uma prova que me permitisse "testar as águas".

Inicialmente, tinha pensado ir apenas rolar, mas isso não funciona assim comigo, sobretudo, porque era a única meia maratona do ano. 

O que fiz foi ajustar o plano da maratona à meia cerca de duas a três semanas. Se a ideia fosse trabalhar mais um tempo, seria importante ter mais ciclos, mas assim dava perfeitamente.

Corri a uma média de 14,40 km/hora a 4'10" km/min, o que foi excelente, principalmente, pensando no calor que nos acompanhou em outubro.

Aguentei muito tempo naquele ritmo e isso significa que estou pronto para os diferentes ciclos de ritmos que preparei para a maratona.

A dada altura do processo de treino, percebi que não iria conseguir chegar mais longe por agora. Ainda tentei algumas vezes correr a 15 km/h, mas é um ritmo muito forte para esta fase. Está tudo bem com isso.

O "menu" que preparei para o Porto foi trabalhado em Leiria. E isso foi muito importante. Permitiu-me ver que funciona. Dá um quentinho mental.

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Foto: cortesia da Native Warriors, meia maratona de Leiria em 2022

30
Out22

Porto 2022: Quem trouxe? Foi o... - especial abastecimentos


João Silva

Treinar para uma maratona implica ter fontes certas de energia. É impossível fiar-se na sorte e não corre bem se só contarmos com os abastecimentos disponíveis, até porque é muito fácil haver um congestionamento numa paragem de abastecimento e puff, lá se vai a fonte de energia.

Desde que comecei a correr maratonas que sigo uma regra de ouro: levo sempre abstecimentos sólidos e líquidos. E depois sigo outra: levo sempre o que testo nos treinos. Não se deve brincar com a roleta-russa da comida nas provas.

No passado, já recorri a barritas de fruta da Decathlon, mas tinham muito açúcar.

Depois mudei para menor quantidade dessas barras e para fruta real, mas o efeito não é o melhor, porque a entrada da energia no metabolismo não é imediata e precisamos de algo naquele momento.

Tanto andei e depois fui ao Pingo Doce.

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Certo dia, estava a escolher saqutas de fruta para o meu filho e vi umas muito boas com 120 g e com adição de aveia. Li os rótulos para me certificar de que não tinham coisas escondidas. Não, nada, eram mesmo puros.

Pois bem, desde então que usei sempre estas saquetas. Cheguei a fazer celeiro em casa. Estimo que vá precisar de seis ou sete saquetas. Ora isso não é prático para ter nas mãos. Aqui, a minha sorte foi ter uma mochila de transporte de água. Encaixei lá as ditas saquetas e comecei a treinar a retirada das mesmas sem ter de puxar a mochila para a frente. Quanto mais rápido, melhor. Todos os segundos contam e pude verificar que há sempre abrandamentos na hora de retirar e ingerir os abastecimentos.

Em termos de sabores, o produto escolhido foi o que tem aveia, banana, lima e curcuma. Também levo um com chia para o caso de precisar de uma energia extra. Cheguei ainda a experimentar o de pera, cenoura e banana, mas o sabor não é tão bom.

São fáceis de apertar. Tentei sempre ingerir as ditas saquetas em duas vezes. E, no fim, para tirar o sabor da boca e para facilitar a absorção, uns golinhos de água. Não muita, senão lá vem a dor de burro. Importante a este nível: procurar sempre uma respiração pelo nariz para não prejudicar o processo abdominal.

Nota: nenhuma saqueta foi mandada para o chão nos treinos. Tive sempre ecopontos por perto e quando não foi o caso, levei o lixo na mala. 

29
Out22

Porto 2022: sorria que dói menos


João Silva

Este foi um dos grandes ensinamentos destes sete meses dedicados a preparar a maratona do Porto: sempre que as coisas apertaram, sempre que tinha dificuldades de concentração, sempre que o corpo já ameaçava uma paragem, sorri. 

Sim, abria o rosto e sorria. Deixava que o ar fosse expelido por toda a largura da minha boca. Naquele momento, tudo era aliviado.

Não sou o único a dizê-lo: se dói, sorria, porque alivia.

Dá frescura. É por isso que o apoio do público também ajuda numa prova destas: porque nos faz sorrir e o sorriso ajuda a descontrair a mente, ajuda a "esquecer" a dureza da viagem.

Se está a doer, sorriam. 

O sorriso traz otimismo. O sorriso ajuda.

É difícil sorrir a sofrer, mas no fim vai valer a pena.

28
Out22

Porto 2022: ciclo 6


João Silva

Sexto ciclo:

 

Duração: 12 de setembro de 2022 a 02 de outubro de 2022, com meia maratona no final deste ciclo

 

Especificação

 

Segunda - Treino de fartleks watson - 2x2'/1' + 3x3'/1' +  7"4'/1' (80 minutos), mudança para sistema de 12 repetições de fartleks watson de 4'/1' a pensar na estratégia da meia maratona

 

Terça - Treino de reforço muscular de abdominais, glúteos e elasticidade (60 minutos) + alternância com períodos de descanso sem treino (ajustes de treino ou não em função do volume de trabalho)

 

Quarta - Treino de recuperação, ritmo entre 5'30'' e 6'00'' km/min (50 minutos)

 

Quinta - Treino de séries - 12x1'30'' de velocidade máxima aeróbia/1'30'' de trote muito lento (75 minutos) (à exceção da última quinta-feira antes da prova a 02/10)

 

Sexta - Treino de recuperação com ritmo entre 6'00" e 6'30" (45 minutos)

 

Sábado - Treino longo máximo de 120 minutos a 17 de setembro com adoção de ritmo e maratona (1h a 13 km/h e 40-50' a 14 km/h). Treino de abastecimentos. Véspera de meia maratona, mudança para treino ligeiro de 30'. 

Domingo - Treino de recuperação, ritmo acima de 5'39" km/min (75 minutos). A 02/10, prova: meia maratona de Leiria.

 

Objetivos

Teste do corpo em ritmos elevados, tentativa de manutenção da forma para maratona, necessidade de readquirir concentração mental a pensar na prova. Na segunda parte, treino focado nos objetivos da meia maratona em termos de ritmo. Objetivo final abaixo de 1h30' na meia maratona.

Tentativa de manter quilometragem semanal acima dos 80 km.

Dificuldades: Lidar com desgaste mental, lidar com vida profissional e pessoal. Ajuste dos ritmos face às necessidades da meia maratona. Dificuldades de hidratação e de suportar muito calor numa prova. Dificuldade para manter ritmo ajustado ao corpo. Alguma perda de foco.

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27
Out22

Porto 2022: ciclo 5


João Silva

Quinto ciclo:

 

Duração: 22 de agosto de 2022 a 04 de setembro de 2022

 

Especificação: 

 

Segunda - Treino de fartleks watson - 2x2'/1' + 3x3'/1' +  7"4'/1' (80 minutos)

 

Terça - Treino de reforço muscular de abdominais, glúteos e elasticidade (60 minutos) + alternância com períodos de descanso sem treino

 

Quarta - Treino de recuperação, ritmo entre 5'30'' e 6'00'' km/min (50 minutos)

 

Quinta - Treino de séries - 12x1'30'' de velocidade máxima aeróbia/1'30'' de trote muito lento (75 minutos)

 

Sexta - Treino de recuperação com ritmo entre 6'00" e 6'30" (45 minutos)

 

Sábado - Treino longo da semana progressivo, a começar nos 150 minutos, depois 160 minutos e, por fim, 180 minutos (ou seja, cheguei às 3h, o máximo programado para esta preparação).

Domingo - Treino de recuperação, ritmo acima de 5'30" km/min (75 minutos)

Objetivos: 

Aperfeiçoamento da estrutura de ritmo no limiar até chegar à ideia final para a maratona: 10' com ritmo entre 10 e 11 km/hora, 10' a ritmo de 12 km/h, 40' a 13 km/h, 10' a 12 km/h, 40' a 13 km/h, 40' a 14 km/h e 20' acima de 13 km/h. Estratégia de abastecimento assente em 40' (sólidos e líquidos) + 30' + 30' + 30' + 20'/30'.

Ultrapassagem dos 100 km por semana. Lidar com desgaste mental e físico.

Dificuldades:

Capacidade de foco em ritmo tão alto de forma permanente. Gerir problemas com formação de pubalgia. Suportar o maior treino em termos mentais e preparar a mente para o sacrifício de fazer a maratona.

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26
Out22

Porto 2022: ciclo 4


João Silva

Quarto ciclo:

 

Duração: 18 de julho de 2022 a 14 de agosto de 2022

 

Especificação: 

 

Segunda - Treino de fartleks watson - 3x2'/1' + 3x3'/1' +  4x4'/1' (80 minutos)

 

Terça - Treino de reforço muscular de abdominais, glúteos e elasticidade (60 minutos)

 

Quarta - Treino de recuperação, ritmo entre 6' e 6'30'' km/min (50 minutos)

 

Quinta - Treino de séries - 12x1' de velocidade máxima aeróbia/1' de trote muito lento (60 minutos)

 

Sexta - Treino de recuperação com ritmo entre 6'30" e 7'30" (45 minutos)

 

Sábado - Treino longo da semana progressivo, a começar nos 115 minutos, depois 125 minutos e, por fim, 135 minutos (ou seja, cheguei às 2h15m).

Domingo - Treino de recuperação, ritmo acima de 5'39" km/min + 10 minutos de sprints de 10'' com recuperação de 1'30'' (última sequência de sprints) (acréscimo de 15 minutos de corrida)

 

Objetivos: 

Reforço final da velocidade, esticar períodos em ritmo elevado sem quebras. Estratégia de abastecimento assente em cada 40' (sólidos e líquidos). Estrutura de ritmo no limiar com estrutura base da maratona: 10' com ritmo entre 10 e 11 km/hora, 10' a ritmo de 12 km/h, 30' a 13 km/h, 10' a 12 km/h, 30' a 13 km/h, 10' a 12 km/h e 5'-10' a 15 km/h.

Aproximação aos 90/95 km por semana.

Dificuldades:

Gestão das dores físicas, necessidade de travar entusiasmo e de gerir ritmos altos nos treinos longos, esforço mental nos treinos de séries, esforço físico com carga de 6 treinos por semana, 3 intensos nesse período, sintomas de sobrecarga de treino, volume de km por semana. Necessidade de abrandamento e de repetição do ciclo de treinos para reforço do corpo.

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25
Out22

Porto 2022: ciclo 3


João Silva

Começo hoje uma rubrica de textos diários que têm o objetivo de criar um bom estado de espírito para a maratona do Porto, onde estarei no dia 06 de novembro.

Primeiro ciclo:

Duração: 13 de junho de 2022 a 01 de maio de 2022

Especificação: 

Segunda - Treino de fartleks watson - 4x2' de ritmo muito elevado/1' de ritmo lento + 4x3/1+ 4x4/4 (60 minutos)

Terça - Treino de reforço muscular de abdominais, glúteos e elasticidade (60 minutos)

Quarta - Treino de recuperação, ritmo entre 6' e 6'30'' km/min (50 minutos)

Quinta - Treino de séries - 10x1' de velocidade máxima aeróbia/1' de trote muito lento (60 minutos)

Sexta - Treino de recuperação muito lenta, ritmo acima de 6'30'' (45 minutos)

Sábado - Treino longo da semana (100 minutos) - aumentou progressivamente 10 minutos por semana (nas três  semanas deste ciclo) - chegou aos 120 minutos.

Domingo - Treino de recuperação, ritmo acima de 5'30'' km/min (75 minutos)

Objetivos: 

Aumento da quilometragem, implementação de velocidade variável por períodos fixos de 10 minutos no treino grande (sábado - exemplo: 10'- 10-12 km/h; 10'-12 km/h; 10'-13 km/h). Sistema de abastecimentos em movimento. 

Dificuldades:

Capacidade de gerir esforço físico, necessidade de encurtamento do ciclo de treinos devido a princípios de problemas na banda iliotibial esquerda. Intensidade de treinos a partir de quinta-feira, aumento do volume de treinos para seis por semana.

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24
Out22

Porto 2022: ciclo 2


João Silva

Segundo ciclo:

Duração: 09 de maio de 2022 a 05 de junho de 2022

Especificação: 

Segunda - Treino de fartleks watson - 4x2'/1' + 4x3/1 + 2x4'/1' (60 minutos)

Terça - Treino de reforço muscular de abdominais, glúteos e elasticidade (60 minutos)

Quarta - Treino de recuperação, ritmo entre 6' e 6'30'' km/min (50 minutos)

Quinta - Treino de séries - 12x30'' de velocidade máxima aeróbia/30'' de trote muito lento (60 minutos)

Sexta - Sessão de exercícios de flexibilidade, vertente fisioterapia (60-70 minutos)

Sábado - Treino longo da semana (90 minutos) - aumentou progressivamente 10 minutos por semana (nas quatro de cada ciclo)

Domingo - Treino de recuperação, ritmo acima de 6' km/min + 10 minutos de sprints de 10'' com recuperação de 1'30''

Objetivos: 

Ganho de velocidade, postura correta em treinos de velocidade, aumento gradual de quilometragem. Criar uma base de trabalho para ritmos altos. Introdução de abastecimentos sólidos nos treinos longos. Teste inicial de abastecimento a cada 40 minutos.

Dificuldades:

Sessões de treino de séries, ritmo profissional e falta de descanso.

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23
Out22

Porto 2022: ciclo 1


João Silva

Começo hoje uma rubrica de textos diários que têm o objetivo de criar um bom estado de espírito para a maratona do Porto, onde estarei no dia 06 de novembro.

Primeiro ciclo:

Duração: 04 de abril de 2022 a 01 de maio de 2022

Especificação: 

Segunda - Treino de fartleks watson - 4x2' de ritmo muito elevado/1' de ritmo lento + 4x3'/1' (60 minutos)

Terça - Treino de reforço muscular de abdominais, glúteos e elasticidade (60 minutos)

Quarta - Treino de recuperação, ritmo entre 6' e 6'30'' km/min (50 minutos)

Quinta - Treino de séries - 10x30'' de velocidade máxima aeróbia/30'' de trote muito lento (60 minutos)

Sexta - Sessão de exercícios de flexibilidade, vertente fisioterapia (60-70 minutos)

Sábado - Treino longo da semana (75-80 minutos) - aumentou progressivamente 10 minutos por semana (nas quatro de cada ciclo)

Domingo - Treino de recuperação, ritmo acima de 6' km/min + 10 minutos de sprints de 10'' com recuperação de 1'30''

Objetivos: 

Ganhar sequência base de treino, ganhar fluidez e gerar velocidade. Oscilações de ritmos nos treinos de sábado.

Dificuldades:

Gestão de oscilação entre ritmos altos e ritmos baixos, acumular de sessões do fim de semana.

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20
Out22

Não têm culpa!


João Silva

Nota prévia: a opinião que deixo abaixo é minha e baseia-se numa situação que vivi no ano passado. De forma alguma visa criticar gratuitamente quem, quase gratuitamente, nos tenta ajudar. É um lixo viver num país com SNS. E acrescento: eu é que os procurei para tratar da minha lesão.

Há um ano, relatei aqui a minha primeira grande lesão decorrente da corrida.

Como também referir fui tratado inicialmente pelo SNS.

No entanto, apesar de toda a simpatia e boa vontade para ajudar, detetei algumas falhas concetuais em quem me tratou.

Isto não é um apontar de dedos, é apenas a constatação de que, se calhar, não são o sistema certo para tratar de coisas tão específicas.

Primeiro, a ligeireza na abordagem. Mexeram na perna, perceberam que havia um bloqueio e toma lá a primeira dose de anti-inflamatórios e relaxantes musculares. Diagnóstico: feito ao de leve com "deve ser uma ligeira contratura e deve passar em cinco dias". 

Não passou. Nova ida ao centro. Desta feita, com a médica de família, que voltou a carregar na medicação (manteve os dois tipos de medicamentos). Tocar na zona foi mentira. Ver o problema nem era preciso. E passou uma ecografia de tecidos moles para dissipar dúvidas, mas nem se aventurou a ver a mobilidade da coxa direita. Viu da esquerda.

Mais uma semana com uma nova "farmácia" em casa, manutenção das dores e, em algumas situações, agravamento da mesma.

Sabem aquela lógica de "ela é a médica mas eu sei o que sinto". A falha maior que aponto é não ter administrado qualquer sessão de fisioterapia. E porquê? Porque andar 20 dias com dores me fez adotar uma nova postura para compensar todos os problemas. E isso levou a dor para as coxas e trouxe-me belos momentos de ardor na coxa. Irradiação de dor por toda a perna. 

Se, por um lado, era necessário domar a dor, por outro, sem abordagem de um profissional em problemas musculares, não se resolvem lesões musculares.

Desta vez não fui lá, mandei e-mail a dar conta da persistência da dor e a informar que só tinha marcação para a ecografia dali a um mês!!! 

Foi desta que houve fisioterapia? Fehlanzeige (o tanas!), como se diz em alemão! Sacou de um medicamento de guerra: o tramadol. De 75 mg!!! Um opioide que atua no sistema nervoso central. Tive medo. E ponderei não levantar a receita. Eu sabia que me ia tirar a dor. Aquilo é um todo-o-terreno.

Mas tirar a dor não era resolver o problema de base. Como é que aquilo podia regenerar o músculo? Onde esteve bem foi na passagem do segundo relaxante muscular e do complexo vitamínico (à terceira tentativa). O segundo anti-inflamatório que tomei também foi uma grande ajuda. Porquê? Porque, de forma resumida, neste processo tomei metamizol magnésico e vitaminas B12, B6 e B.

Isso ajudou na regeneração e fazia-me sentir bem. 

Mas o problema ficou verdadeiramente resolvido quando deixei de ser teimoso e falei com a direção da minha equipa para receber tratamento de fisioterapia da equipa. Houve motivos para não o fazer. Histórias de outro livro. 

Ponto final nisto: as médicas tentaram ajudar. Sem dúvida. Mas fizeram-no com base na abordagem base de que tudo se resolve com medicamentos. Mas os músculos não funcionam assim. Quantas vezes não é necessário adotar eletroterapia para estimular os ditos?!! E quantas vezes não é necessário adotar exercícios posturais para retomar a mobilidade?!! A grande crítica que faço é o facto de não terem um conhecimento atualizado e adequado a estaa situações. Era necessário tocar naquela área, perceber o comportamento do músculo e comparar com a outra perna. Sem que mo tivessem dito, senti sempre resistência na receita de sessões de fisioterapia. 

A abordagem geral e predefinida retira rapidez na hora de fazer um diagnóstico certo. 

Seja como for, o problema foi resolvido. 

Obrigado, por isso, a quem tentou ajudar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

18
Out22

Os básicos da corrida


João Silva

Uma das grandes vantagens do atleta Hélio Fumo é o facto de não se limitar apenas a dar dicas para quem corre em serra, como ele.

Num vídeo curto no seu canal de YouTube, mostra-nos uns pequenos exercícios para melhorarmos a nossa forma de correr. 

São tão básicos e rápidos de fazer que não há desculpa. 

Ora vejam lá se não tenho razão.

 

14
Out22

O foco: a fazer campeões desde 1988


João Silva

Belo ano. Mas, naturalmente, não tem nada a ver comigo.

Portugal conheceu a sua primeira maratonista campeã em 1988. 

Claro, a magistral Rosa Mota.

O que poucos saberão é que esta portuguesa franzina começou esta vitória em 1984, quando foi medalha de bronze também na maratona.

Sim, durante quatro anos, ela não pensou em mais nada. Era aquilo e nada mais do que aquilo. 

Quatro anos é muito tempo para se viver com uma meta destas no pensamento.

Como é que ela conseguiu?

O ideal é ou ouvi-la na primeira pessoa, pois é uma mais-valia que qualquer um pode usar para se preparar para uma dada prova.

Por motivos de direitos de autor, o vídeo em causa só pode ser reproduzido no canal oficial de YouTube dos Jogos Olímpicos:

 

https://youtu.be/mrG2--oaANk

 

 

12
Out22

A "praga" dos Lève-tôt


João Silva

São cada vez mais e, aos poucos, a moda está a pegar. Na verdade, em França, por exemplo, já é uma realidade.

Falo do conceito "lève-tôt", também conhecido por madrugadores. Numa sociedade que nos asfixia cada vez mais com o passar das horas, há pessoas que optam por acordar cedo, bem cedo, de modo a conseguirem algum tempo para si ou para alguma tarefa mais exigente.

Não é fácil, porque acaba por ser um contrarritmo social, uma vez que, por norma, um madrugador se deita muito cedo, quando os outros ainda estão de pé, e acorda muito cedo também, quando todos estão a dormir. Isto numa ótica de não encurtar o sono para ter um dia maior.

Depois de muitos anos num trabalho que me fazia deitar tardíssimo e me deixava de rastos, passei por uma fase em que me deitava pouco depois da meia noite. Sempre gostei de aproveitar o início do dia.

Quando comecei a correr, a exigência dos treinos passou a obrigar-me a deitar até perto da meia noite para estar num brinquinho na manhã seguinte. Os meus objetivos levaram-me a isso.

O nascimento do Mateus acentuou ainda mais essa necessidade: passei a treinar de madrugada. Foi a minha resposta para conseguir tratar do meu filho, estar presente na vida familiar e continuar a correr. Passei a acordar às 05 h da manhã. Cá em casa, aproveitámos o nascimento do Mateus para nos deitarmos com ele. Foi um hábito um pouco doloroso no início, porque implicava ir dormir algures entre as 20 e as 21 horas. Foi uma opção mas também uma necessidade. Com as noites mal dormidas do rapaz, era imperativo aproveitar cada segundo para dormir.

Isto virou rotina e passou a forma de estar na vida. Há relativamente pouco tempo, quando o trabalho começou a apertar mais, tentei trabalhar depois de o Mateus ir dormir à noite. No entanto, continuava a acordar às 05 h para ir correr. Embora não fosse todos os dias, acreditem, é uma dor bem forte deitar às 00h e acordar às 05 h.

Como não me sentia bem com isso, porque acabava a parecer um zoombie, adaptei esta realidade profissional à minha preferência (é efetivamente uma das vantagens de ser trabalhador independente) e retomei a hora de deitar entre as 20 e as 21 h. Para conseguir trabalhar e treinar, passei a levantar-me mais cedo do que as 5 h. Aconteceu muitas vezes acordar às 03h e sair para treinar às 05 ou 05h30. Parece loucura, mas, como o meu corpo descansa seguido, consigo recuperar melhor e, mais importante, ter concentração a trabalhar, um dos aspetos que mais sofriam com o trabalho à noite.

Isto também tem um lado negativo, pois nem sempre me consigo deixar a descansar. Há muitos dias em que não preciso de acordar tão mais cedo do que o habitual, mas o corpo e, principalmente, a cabeça já estão a pensar naquele acordar e não descanso o que devo. Este aspeto tem de ser melhorado. 

Acabo a viver em contraciclo, mas, deste modo, consigo fazer algo por mim e ainda trabalhar antes do acordar do meu filho, uma vez que depois o meu dia é organizado em função dele. Durante o dia é normalmente a Diana quem assume o leme do trabalho.

08
Out22

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje trago alguém que eu próprio não conheço. Essa também é a magia das entrevistas a atletas amadores neste espaço. Gosto genuinamente de saber mais sobre os atletas, porque, em simultâneo, acabo a conhecer a pessoa que calça as sapatilhas para calcorrear os mais variados espaços.

Foi muito bom ficar a conhecer melhor o... Tiago Santos... Spoiler alert: há uma revelação algures no texto que faz deste blogue o espaço certo para o Tiago. Vejam lá se descobrem.

Sigam-me nesta entrevista:

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Nome

Tiago Lopes dos Santos

Idade

42 anos

Equipa

ARCD Venda da Luísa

Praticante de atletismo desde

2007

Modalidade de atletismo preferida:

Trail

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Prefere curtas ou longas distâncias:

Longas, até 80 km.

Na atual equipa desde...

Há 3 anos

Volume de treinos por semana:

Variável, no fundo conforme o tempo livre que sobra da profissão e da família. 2 miúdos pequenos em idade escolar sempre consomem algum tempo.

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Importância dos treinos:

Fundamentais. Sobretudo quando se traça objetivos de tempo/ritmo nas provas. No entanto, mesmo sem estes objetivos, os treinos são a parte "saudável" do desporto - não se fica saudável a correr uma maratona ou uma ultra de 80 km... são pequenas agressões para o organismo. Servem no entanto de motivação para os treinos, e estes sim, devem ser em quantidade e qualidade que permitam melhorias na saúde.

Se tem ou não treinador:

Treinador propriamente não, no entanto, sempre tive "mestres" com quem fiz corridas e treinos e com quem muito aprendi: o saudoso Vitorino Coragem e o José Carlos Fernandes, que aliás foi quem me trouxe para a ARCD Venda da Luísa.

Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual:

Para falar com conhecimento de causa apenas me posso referir ao trail e aqui as diferenças são óbvias. Em 15 anos passou de uma modalidade para curiosos (1-2 provas por mês, realçando as AXTrail series, onde se viam quase sempre os mesmos corredores a participar), até uma massificação da prática, com 4-5 provas todos os fins-de-semana.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas:

Cada prova é em si uma aventura, sobretudo as longas, daí também a minha apetência por estas últimas. Uma das situações mais engraçadas foi uma paragem no Ti Patamar num dos UTAX em que já participei. A meio da prova, que fazia como sempre na companhia do José Carlos Fernandes e também do João Lamas (que viria mais tarde a organizar esta mesma prova), decidimos parar no Ti Patamar para uma hidratação "especial", com direito inclusivamente a tremoços. Nesta altura fomos ultrapassados por algumas dezenas de corredores incrédulos... mas valeu a pena, as forças recuperadas foram determinantes para chegar ao fim da dura prova!

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Aventura marcante:

Todas as provas são aventuras marcantes desde que se tenha a companhia certa.

Participação em prova mais longa:

UTAX 2014, 106 km.

Objetivos pessoais futuros:

Manter minimamente a forma dos últimos anos nos seguintes... um ou outro pódio no escalão seria bem-vindo, mas o mais importante é não ter nenhuma lesão que me impeça um dia de acompanhar os meus filhos em treinos, e quiçá em provas... e não engordar! Também eu fui obeso no passado e o trail foi e continua a ser um incentivo para manter a forma.

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Como vê o atletismo daqui a 5 anos: 

Mais uma vez referindo-me apenas ao trail, acredito que o número de provas e atletas diminua qualquer coisa após o crescimento exponencial recente e que se atinja um patamar de equilíbrio.

Como se vê no atletismo daqui a 5 anos:

A participar em cerca de 6 provas por ano, ocasionalmente, a tentar chegar ao pódio do escalão...

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta:

No geral prejudicou, pois tendo filhos pequenos em algumas fases da pandemia não tive possibilidades de sair tanto de casa para treinar. E obrigou-me a recorrer a casas de banho "alternativas" nos treinos longos, pois as que costumava usar encontravam-se encerradas... ainda assim com vontade tudo se consegue!

O que mudou nas provas com a pandemia:

Alguma preocupação acrescida com medidas de higiene, incluindo a questão de não usar copos descartáveis nos abastecimentos, esta última também relacionada com questões ambientais.

Essas mudanças são boas para a modalidade:

Acredito que sim. Sobretudo as que também versam a ecologia. Sem planeta não há trilhos...

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