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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

30
Abr22

Como assim dois anos??


João Silva

O meu muchachito faz hoje dois anos!

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Ainda estou a tentar perceber como é que o tempo passou tão depressa, embora tudo isto tenha sido intenso, muito intenso.

E é assim, sem saber bem como, que vejo o meu filhote fazer dois anos. 

Parabéns, muchachito da minha vida!!! 

 

Para quem se quiser dar "ao trabalho", deixo abaixo o primeiro conto (no caso de Natal, mas que eu não expus da devida maneira na altura) que escrevi inspirado no meu tesouro (e agora também papagaio). A palavra que dá origem ao título ainda hoje é utilizada pelo Mateus...

 

Abri a porta e lá estava ele...

 

- Já cá estás, avô? - perguntou-me com a admiração de quem não sabe que horas são e com a articulação possível numa criança de quase cinco anos.

 

- Hoje vim mais cedo. O corpo já não aguenta tanto tempo a correr - respondi, enquanto tirava o gorro de natal e a gravata decorativa.

 

- Andas sempre com isso, avô? - quis saber, enquanto se apoderava dos meus acessórios encharcados e do meu frontal. Já sabia ligar a luz... há tanto tempo.

 

- Queres saber a história da gravata e do gorro, Pedro?

 

Ainda sem saber a resposta dele, sentei-me no tapete já com uma roupa quentinha e cruzei as pernas.

Depois de fazer a dança do velhinho, como lhe chamava a avó, o Pedro saltou para o meu colo e disse "sim", sem nunca tirar os olhos da gravata e do gorro.

 

Já bem aconchegados, comecei:

 

Então olha, o "Ta tin ta" teve duas vidas: uma antes da chegada do filho dele, o Mateus, e outra depois. Foi pouco antes de o filho chegar que se apaixonou pelo Natal e foi já com os primeiros passos e sorrisos do pequenote que percebeu a magia...

 

Antes disso, o "Ta tin ta" não ligava muito à época nem era muito fã de decorações natalícias. Os natais da sua infância não tinham sido felizes. Não se lembrava de nenhum em que não tivesse havido confusão: ora o pai discutia com a mãe e acabava a dormir no chão de casa dos avós maternos, ora o pai metia-se em pancadaria no café da vila e ia para o hospital com a clavícula partida, ora o pai não controlava os ciúmes e acabava a discutir com o cunhado, padrinho do "Ta tin ta. Quando não era isso a arruinar aquela época, era o padrinho que discutia com a tia, eram os pais que não tinham dinheiro para lhe comprar uma prenda no Natal. Já adulto e dono e senhor da sua vida, o "Ta tin ta" não tinha motivos para gostar do Natal. Passava-os a trabalhar num hipermercado. As pessoas eram mal educadas e tratavam-no mal. Chamavam-lhe nomes feios e não lhe davam descanso. Apareciam quando a loja estava a fechar...

 

- Já que não querem sair daí, tomem lá... - disse a avó do Pedro que chegara ali sem que nos tivéssemos apercebido. Ela sabia que não íamos arredar pé enquanto não terminasse a história do "Ta tin ta", até porque ela própria gostava da tradição associada ao jovem rapaz.

Ainda antes de seguir viagem para o quente da lareira da sala e para a companhia do nosso filho e da nossa nora, entregou uma fatia de pão caseiro com manteiga ao Pedro e, estendendo a outra mão, ofereceu-me o meu estimado chá verde bem quentinho...

 

Tentei seguir o fio da história, mas a memória já me pregava muitas partidas...

- Ainda te lembras onde é que o avô ia? - perguntei ao Pedro sempre com a intenção de disfarçar o meu tom preocupado. Aquele esquecimento poderia ser bem mais do que isso

 

- Estavas a dizer que o "Ta tin ta" não gostava do Natal...

- Boa, era isso mesmo, agradeci, bem aliviado. O garoto estava atento.

Prossegui, procurando não me perder novamente...

 

Mais tarde, o "Ta tin ta" conheceu uma menina, a Diana, que gostava muito do Natal com os seus pais, as suas irmãs e sobrinhas.

Só que aquela alegria e felicidade genuínas não passavam para o "Ta tin ta". Nem mesmo nas tardes de Natal em que essa família se reunia para trocar presentes e histórias. Havia sempre algo que faltava. Sentia-se sempre sozinho, como se não tivesse direito a partilhar aquela sensação de amor e paz.

 

Uma vez mais, de vez em quando, lá havia Natal com os pais do "Ta tin ta" e lá voltava a aparecer a discussão. Era uma confusão e era tudo muito triste... Mas as coisas mudam...

 

Sem se aperceber, o "Ta tin ta" começou a correr para perder peso, porque era muito gordo e não gostava.

E começou perto do Natal.

 

No sítio onde agora vivia, era tudo diferente. No Natal, havia luzes, tantas, espalhadas por toda a vila... eram tantas casas coloridas, algumas com Pais Natal, outras com presentes. Umas reluziam a verde, outras a azul e ainda havia o vermelho e o dourado.

 

Parecia que o "Ta tin ta" tinha chegado ao reino encantado do Natal. Na verdade, tinha começado ali a segunda vida dele.

Passou a gostar do Natal.

Mas, mesmo assim, não percebia o sentido. Não acreditava em nenhum deus e não partilhava de nenhuma fé.

 

A única fé do "Ta tin ta" era a corrida. Assim que punha os pés na estrada, era muito mais feliz, estava sempre a sentir-se preenchido.

 

Mais tarde, teve hipótese de correr numa corrida que acontecia todos os anos no Natal. As pessoas deram-lhe o nome de São Silvestre.

Era uma magia que não se explicava. Sentia-se feliz no meio daquelas pessoas, eram tantas. E tão felizes naquelas noites. E as ruas?! Eram o melhor. A cor, a vida, a felicidade que davam quando ele passava...

 

Aos poucos, o "Ta tin ta" sentia que havia algo de especial na corrida e nem mesmo um bicho com um nome esquisito lhe roubou isso.

 

Quando o seu filho, o Mateus, nasceu...

 

- Mateus?, quis saber o Pedro ao sentir que era o mesmo nome do seu pai...

- Sim, Mateus, muito bem - respondi, meio atrapalhado e com pressa de acabar a história para não me perder...

A custo, lá retomei...

 

... O "Ta tin ta" percebeu o que era a magia do Natal quando viu o seu pequeno a sorrir para as luzes e a fazer uma grande festa quando via árvores de Natal nas janelas do prédio da frente.

 

Nesse momento, o "Ta tin ta" soube que o seu propósito no Natal era correr por toda a vila e acenar aos meninos para lhes levar o espírito natalício.

 

Criou assim uma tradição. Pegou numa gravata de Natal comprada na loja dos chineses e num gorro de Natal, que sobreviveu aos tempos no hipermercado em que trabalhou, e saiu para correr. Fazia-o sempre de madrugada.

 

No início era só ele na rua, rodeado por casas, envolvido por árvores e torturado pelo frio. Nada de novo, portanto. Até que, com o passar dos anos, começaram a aparecer os primeiros meninos e meninas à varanda. Já sabiam que ele lá iria passar.

 

O "Ta tin ta" não levava prendas, levava acenos de mão e sorrisos para todos. Passava pelas vielas muito decoradas e abria os braços para mandar xi-corações. Batia palmas aos meninos e sorria. Desejava um feliz Natal a todos.

 

Chovia sempre nessa madrugada. E o "Ta tin ta" usava a chuva para lavar as lágrimas da felicidade que levava daquela corrida. Não era mais uma corrida. Era o momento dele.

 

Com o tempo, o "Ta tin ta" compreendeu o verdadeiro sentido de tudo. Percebeu que o Natal era pensar naqueles de quem gostava, era juntar a cara dessas pessoas às histórias que teve com elas, às memórias que formaram juntos.

 

Na corrida em que dava mimos a todos, era o "Ta tin ta" que se sentia feliz. Era aí que percebia que também sabia o que era a felicidade genuína. Percebeu finalmente que o Natal era o momento em que era mais feliz e que não precisava de forçar esse sentimento.

 

O "Ta tin ta" começou a ver o outro lado do Natal e, de repente, os seus natais passados já não eram só as discussões dos seus pais ou os desacatos na família, eram as filhoses rijas mas sempre saborosas da mãe, eram as fogueiras no quintal para cozer bacalhau, eram as músicas e os serões à frente da fogueira em casa do padrinho e com os primos, eram a aletria feita pela mãe, eram os debates acesos sobre política e religião com o pai, eram os doces intermináveis, era o globo oferecido pelos pais num Natal em que não havia dinheiro para prendas...

 

Durante muito tempo, o Natal era tristeza. Mas a corrida, a vila iluminada e o nascimento do Mateus mostraram ao "Ta tin ta" que mesmo esses natais mais conturbados tinham um toque de magia. O Natal era isso: juntar pessoas e coisas a momentos. Lembrar as vivências do passado. E lembrar novamente. E fazer perdurar a vida daqueles que já partiram no seio da nossa memória.

 

O pequeno Pedro já não estava a prestar a atenção ao avô. Na verdade, já tinha fugido para junto dos pais e da avó...

Mas lá longe, ainda o ouvi dizer aos pais que queria ser como o "Ta tin ta" e correr sempre para fazer os meninos felizes...

 

"Ta tin ta" é o nome que o meu filho dá ao Pai Natal e este conto é também uma forma de lhe mostrar que o Pai Natal existe... Cada um com o seu, nas mais diferentes formas...

 

27
Abr22

Muitos parabéns, amor!


João Silva

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Muitos parabéns, meu amor!

Que este dia faça jus a toda a felicidade que trazes à nossa família!

És uma pessoa incrível e és absolutamente fundamental para nós!! A nossa vida!

(tudo o resto que fica por dizer aqui, dizemos, eu e o Mateus, pessoalmente)

Wir lieben dich =D

26
Abr22

Exemplos práticos de fartleks


João Silva

Falo muitas vezes neste treino técnico no meu blogue. É uma forma simples (na sua versão mais básica) de evoluir porque traz alguma intensidade ao ritmo. 

Basicamente, é um jogo de ritmos que alterna períodos de ritmos mais altos com momentos de ritmos mais baixos.

É quase um aspeto fundamental para uma evolução a partir do primeiro dia em que se sai para correr.

De forma a ilustrar bem melhor tudo isto que vos digo, trago um conjunto de vídeos curtos que vos vai guiar por este mundo de fartleks, que, não, não envolvem farts.

 

24
Abr22

Estagnar é (muito) mau, andar para trás é doloroso


João Silva

Olhando para trás, ao fim de quase cinco anos e meio, vejo que foram muitas as vezes em que não consegui fazer o que queria em termos de treinos. 

Percebo que estagnei muitas vezes. Se o primeiro ano foi de grandes mudanças, como era suposto, depois passei muito tempo atrás daquilo que já tinha acontecido no passado.

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Se, por um lado, é bom saber que chegamos a determinado ponto e que, se estamos mal, é apenas uma fase, por outro, não adianta perseguir aquilo que, a dada altura, se torna muito distante.

O que mais me desilude é ter esta noção de que o excesso de treinos me minou a evolução e que, à exceção de alguns períodos de provas, nunca consegui estar em plena forma durante muitos meses. Até me ter lesionado a sério. Foi o episódio de que precisava para abrir os olhos. Sobretudo, em termos de qualidade de treino e ao nível dos resultados.

A chave para subir a forma é combinar os treinos de elevada intensidade com períodos de descanso. Sei que falhei nesse capítulo. Durante muito tempo, como não "sabia" o conceito de abrandar, o corpo não deixou fazer mais sessões de treinos de velocidade pura. Outra das causas estúpidas para isso foi acreditar que, para poder comer (coisas "normais" no meu estilo de vida atual), tinha de treinar sempre e sem olhar para trás. Tudo isso me levou a um ponto em que não consegui evoluir. 

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Agora tornei-me constante, tenho sido paciente e os resultados dos treinos estão a materializar-se em boas sensações do corpo e em resultados práticos, mas dói perceber que fui muito burro (por culpa própria) durante tanto tempo. Sobretudo, custa saber que se tem as ferramentas certas e que bastava ter calma e método.

Não gosto de ser conhecido como o tolinho que corre muito. Porque sim, corro muitos quilómetros, mas gostava que esta quantidade se transformasse em algo palpável. Não falo de pódios, embora pense neles, ainda assim, sinto que sei qual o caminho teórico a percorrer para chegar lá e que acabo a andar para trás por "cegueira". 

No entanto, os últimos cinco meses, no balanço do meu regresso da lesão, provaram que afinal aprendemos com os erros.

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Pior do que estagnar é ficar pior do que se estava. Isso aconteceu-me no ano passado depois de ter corrido os 50 km pela primeira vez. 

Não foi a distância a provocar isso, foi a falta de descanso e a incapacidade para mudar métodos.

Aceitei o que me aconteceu e todas as dores reais que tive e, na verdade, nem posso dizer que tenha sido tudo mau, porque consegui mudar a minha passada para o pé direito (passei a conseguir marcar ritmo com os dois) e consegui mudar um pouco as cargas do fim de semana e apostar no reforço muscular. Só que já foi muito tarde naquela altura. O corpo já estava muito massacrado e nunca mais consegui ter regularidade num ritmo que me permitisse fazer 18 km em 1h30 (era o normal em períodos bons) sem me deixar quase k.o. nos dias seguintes.

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Isso doeu tanto. Representou um enorme fracasso e foi provocado por mim. Diria que é um pouco o resumo da minha vida.

Digerir tudo isto não foi fácil... mas o que não nos mata, torna-nos mais fortes... foi o caso. Pelo menos, por agora.

 

22
Abr22

Afinal, afinal...


João Silva

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Nunca tive treinador de corrida. Sempre assumi que gostava de tomar as rédeas da minha própria evolução, o que denota alguma audácia mas também excesso de confiança em alguém sem créditos firmados como é o meu caso.

Nunca critiquei o facto de alguém ter treinador. Crítico o facto de ser necessário ter um treinador para se criar motivação numa pessoa, porque considero que isso deve vir do interior de cada um.

No entanto, há que reconhecer que há um limite. 

Quando queremos passar para um patamar diferente, é necessário aumentar a exigência e isso implica métodos mais duros e testes mais desafiantes.

Por muito autodidata que uma pessoa seja, não domina toda a terminologia técnica na perfeição. 

Por exemplo, quando se fala em Vma, o valor máximo aeróbico, fala-se num dos pontos mais importantes dos treinos. No entanto, a literatura é confusa na hora de apresentar formas de treino, porque fala em sessões com diferentes ritmos. Há muitos textos que falam em fazer uma sessão de Vma a um ritmo de maratona. Isso é muito vago.

Um treinador saberia interpretar isso melhor e ajudaria a passar logo essa barreira para o atleta. Não vos parece?

20
Abr22

Como se avalia a forma sem competição?


João Silva

Há muitos corredores que usam as provas como forma de perceber o ponto em que se encontram.

É, na verdade, o mais comum, até porque é mais imediato e mais exato. Há tempos, há números de ritmos, há números de cadência e há energia desperdiçada contabilizada.

Mas também há quem corra sem competir. E também é justo que queiram poder avaliar a sua evolução. 

Além da disposição com que correm, essas pessoas também podem medir os seus ritmos e as cadências. Essa é uma forma. Depois podem repetir percursos e registar a velocidade global. 

Antes de tudo isso, dá para perceber se o corpo responde bem a diferentes cargas, se é possível aumentar a carga gradualmente e se o corpo reage bem nos diferentes dias.

Não são propriamente métricas, são, ao invés, perceções, mas são igualmente válidas. Ninguém melhor do que os próprio para poder perceber os próprios estados.

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18
Abr22

O coice do burro


João Silva

Não é preciso correr para se sentir uma bela sensação de "facada" num dosados do abdómen.

Não é preciso mas é muito provável, porque se trata de um problema que afeta sobretudo corredores e praticantes de equitação.

Já se percebeu, mas estou a falar da dor de burro, termo popular. Esta dor é conhecida no mundo médico como ETAP (Exercise Related Transient Abdominal Pain ou dor abdominal transitória relacionada com o exercício físico).

Como o nome indica, é uma dor que desaparece. Normalmente, não persite quando adotamos determinados comportamentos.

É uma dor muito incómoda e que se assemelha a uma pontada intensa e repentina durante a atividade.

Durante algum tempo, pensou-se poderia estar associada a uma má digestão ou à ingestão genérica de alimentos. Também se avançou um descontrolo da respiração como motivo claro.

Na verdade, todos esses aspetos podem estar associados, se tivermos em conta que uma má irrigação sanguínea ou uma má contração de alguns órgãos como o diafragma vão sofrer particularmente com atividades como a corrida.

Uma lista de eventuais causas (vou expô-la abaixo) avançadas pelo hospital Lusíadas mostra a relação de falta de irrigação e de disfunções respiratórias com a dor de burro.

Causas possíveis 

  • Isquemia do diafragma, ou seja, má irrigação sanguínea do músculo que divide a cavidade torácica da região abdominal;
  • Stresse sobre os ligamentos viscerais de suporte que prendem os órgãos abdominais ao diafragma;
  • Isquemia gastrointestinal;
  • Cólicas da musculatura abdominal;
  • Dor isquémica resultante da compressão da artéria celíaca - da qual saem as artérias responsáveis pela vascularização dos grandes órgãos abdominais, estômago, fígado, duodeno, baço e pâncreas - pelo ligamento arqueado mediano do diafragma.
  • Irritação dos nervos espinhais, que ligam a medula espinhal aos músculos esqueléticos do tronco;
  • Irritação do peritoneu parietal, membrana serosa que cobre as paredes anteriores e laterais do abdómen e que, em conjunto com peritoneu visceral, protege toda a cavidade abdominal.

Uma das formas de resolver esta dor transitória é parar o exercício, massajar a zona e inclinar o corpo para a frente como forma de alongar o diafragma.

De acordo com o especialista do hospital Lusíadas no Porto, é possível (tentar) prevenir o aparecimento dessa dor da seguinte forma:

Evitar ingerir grandes volumes de alimentos e de bebidas durante pelo menos duas horas antes do exercício, especialmente compostos hipertónicos;

Melhorar a postura, especialmente na região torácica;

Aumentar o apoio dos órgãos abdominais, melhorando a força do “core” ou usando uma cinta larga de suporte.

Mesmo havendo formas de prevenir, não há garantias de que a dor se afaste. Infelizmente há até alguns casos em que a dor de burro é apenas o primeiro passo para descobrir uma apendicite.

Sofrem muito deste tipo de dor no desporto?

Eu sofro sobretudo se comer muito antes do treino e se não regular a minha respiração.

Fonte genérica do post e fonte direta da lista de possíveis causas: https://www.lusiadas.pt/blog/prevencao-estilo-vida/exercicio/que-dor-burro

16
Abr22

A lei do inversamente proporcional...


João Silva

Habituei-me desde cedo à ideia de que não posso ser feliz em horas coisas ao mesmo tempo. Se estou bem num polo, outro estará nas lonas...

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Esta é a palavra certa, porque as dificuldades dos últimos largos meses tiraram-me a possibilidade de participar em mais provas por agora, até conseguirmos inverter a espiral...

E, numa espécie de comiseração, acabo por dar por mim a pensar "logo agora que os resultados apareceram finalmente e vieram dar razão aos treinos". (Spoiler: não estou a pedir dinheiro a quem quer que seja, estou apenas a falar abertamente do investimento numa modalidade desportiva onde não existe qualquer apoio externo).

Seja como for, aquilo que procuro fazer conscientemente é avaliar o que fiz até agora e procurar preservar a crença de que tudo será mudado com dedicação. 

E o exercício de automotivação sem provas é duro, mas é algo bom porque me vai fortalecer. É nisso que penso. E foi por isso que decidi começar a preparar a minha maratona de novembro já em abril/maio. É uma prova que já tinha sido adquirida, é a minha prova de eleição e este tempo todo sem provas vai permitir-me trabalhar com calma e bem para tentar fazer menos de 3h21 (marca atual)...

14
Abr22

Os certificados e os testes: utilidade?


João Silva

O assunto é conhecido de todos: certificados e testes. Sim, tudo isso faz parte da nossa vida. Há que saber viver com essas coisas.

De forma a garantirem níveis de segurança, as organizações exigem certificados de vacinação ou testes antígenio/PCR ou autotestes (de acordo com a DGS) para deixarem os atletas participarem.

Estou inteiramente de acordo. Assino por baixo. 

O que me irritou no meio disto foi perceber que a primeira prova em que participei depois da chegada do coronavírus se borrifou completamente para o certificado só porque assumiram que a malta daquela equipa tinha cumprido.

Percebo a boa-fé, mas como é que assim se pode garantir segurança máxima ou perto disso? Estamos a falar de saúde pública.

Em abono da verdade, nas provas que fiz em janeiro, debaixo daquela chuva de infetados, houve sempre rigor na confirmação dos certificados e dos testes apresentados. 

Se demora mais? Sem dúvida, mas não se pode usar o argumento da celeridade para estas coisas, porque basta um deslize para um infetado mal-intencionado infetar centenas ou milhares de pessoas.

Não pode valer tudo para poupar tempo...

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12
Abr22

Dicas do mestre


João Silva

Não falo de mim. Não tenho assim tanta mestria no cérebro. E, no caso, não tenho mesmo grande propriedade para falar de trails.

Corri alguns, essencialmente, nos arredores de casa. Caminhei noutros. Mas nunca me dediquei tanto aos trilhos quanto às estrada. É uma questão de preferência e de gosto.

Ainda assim, gostei de correr alguns trails e apreciei imenso os que fiz a caminhar. A perceção da natureza no meio dela é fabulosa! 

Apesar de ter muitas entrevistas a atletas de trail, em termos técnicos, não dou tanta atenção a esta modalidade, sobretudo, porque não é algo que investigue muito.

A pensar um pouco em todos aqueles que gostam de trails, e são cada vez mais, deixo um vídeo com dicas básicas de um dos melhores atletas de trail do nosso país, o jovem Hélio Fumo.

Espero que haja muita gente a seguir as dicas do mestre:

 

10
Abr22

Uma questão de identidade


João Silva

Este é mais um tema ligado à paternidade.

Um bebê nasce e os pais morrem como seres individuais!

Vá lá, apesar de haver veracidade nisso, não é inteiramente assim. Porém, é óbvio que temos de sair de cena para dar prioridade a quem depende muito de nós.

Essa dependência mantém-se durante muito tempo, portanto, os primeiros anos de vida não dão grande margem para que os dois adultos do casal (apenas com um filho) tenham muito tempo para si.

Ainda assim, as coisas bem faladas e partilhadas pelo casal permitem que cada pessoa possa ter os seus bocadinhos. Possa perceber que ainda existe sem ser como pai ou mãe.

Isso é muito importante. É preciso comunicar muito em casal e transmitir a sua vontade.

É um pouco ao abrigo disso que acabo por conseguir treinar. Abdico de algumas horas de sono e procuro ainda que a Diana tenha tempo para si, às vezes, simplesmente para estar, para descansar.

Apesar de me custar abdicar da minha identidade, ser pai também me trouxe uma realidade que desconhecia: adoro ajudar um bebé a ganhar vida a cada dia que passa.

Adoro cuidar dele, mesmo nos dias em que me apetece gritar de desespero, em que quero "fugir" da dura realidade. Embora adore, não significa que não precise de saber quem é o João. Mas esse é um processo demorado. Lá está, mais uma maratona!

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08
Abr22

1, 2, 3 uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje trago-vos uma atleta com quem ainda não falei pessoalmente mas de cuja bravura fiquei fã quando o seu namorado, o Bruno Silva, me falou de uma aventura que teve na noite em que alcançou uma enorme proeza na Madeira: partiu a cabeça!!

Tinha de a entrevistar. E fiquei com as melhores impressões, pois, claramente, por detrás desta atleta está uma pessoa com ideias claras quanto à sua paixão pelo atletismo e quanto à afirmação do seu género na modalidade.

Confirmem lá se não vos digo a verdade.

Fiquem, pois, com a Rafaela:

 

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Foto: Trail vale dourado de Famalicão

Nome:

Rafaela Bento

Idade:

34 anos

Equipa:

CTM Vila Pouca de Aguiar

Praticante de atletismo desde

2016

Modalidade atletismo preferida:

Trail

Prefere curtas ou longas distâncias:

Prefiro distâncias longas (ultra trails)

Na atual equipa desde

Estou no CTM desde a época 2018/2019

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Foto: 57 km do Trail de Sicó

Volume de treinos por semana:

Treinos 4/5 por semana

A importância dos treinos:

Os treinos são extremamente importantes para conseguirmos alcançar os nossos objetivos.

Diferenças entre o atletismo passado e o atual:

Atualmente o atletismo tem sido visto como algo positivo, contudo, ainda pouco valorizado, ou nada, face a outras modalidades desportivas.

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Foto: MIUT (Madeira)

Aventura marcante:

Até ao momento tenho como atividade marcante o primeiro trail que fiz em Vila Pouca de Aguiar, apenas 10kms que para mim foram uma grande conquista. “Os montes” de Vila Pouca tem uma beleza incrível, quer seja em prova ou em treinos é fascinante. Outra prova que amei ter feito foi TPG, Transpeneda Gerês, 105kms (em 2021). O Gerês é a minha serra de eleição e é lá que faço as minhas grandes aventuras.

Há uma ilha que adoro e também me fez sonhar no mundo dos trails, a Ilha da Madeira e fui conquistar o sonho de correr entre o Pico Ruivo e Pico do Areeiro. Esta conquista foi em novembro de 2021. Participei nos 85kms do MIUT.

Objetivos pessoais futuros:

Os meus objetivos continuam a ser os ultra trails. Nestas provas consigo estar bastante tempo eu a Natureza e aqui sou muito feliz. Emoções sentidas que não há palavras para explica-las. Contudo, de vez em quando traço um objetivo maior e aventuro-me numa prova de três dígitos.

Ano após ano, há mais interessados pelo atletismo e espero que aumente nos próximos anos. Sejamos a inspiração de quem nos rodeia. Enquanto tiver possibilidade continuo no atletismo. Participo em diversas provas, dos 8 aos 80 kms (ou ainda mais) de modo a sentir-me bem e divertir-me. Algumas provas são pela estrada, algumas também gosto. Contudo, o mundo do trail é a minha prioridade.

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Foto: 85 km do MIUT

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

A pandemia veio alterar muitos hábitos a todos nós. Uns aspetos positivos, outros negativos. Se observarmos a maioria das pessoas vemos constantes lamentações porque estão demasiado isoladas devido ao vírus, mas será que é devido ao vírus ou a elas próprias? Eis a questão.

Nesta fase tive mais tempo para treinar porque tive menos trabalho. Sou grata por essa oportunidade. Contudo, senti falta das provas, de sairmos em grupo, acordar cedo e irmos para uma prova. Mantive o foco nas provas que pretendia atingir, treinei e assim foi, consegui atingir os objetivos que me tinha proposto.

O que mudou nas provas com a pandemia?

Com a pandemia foram poucas as provas que se realizaram e as que se realizaram tinham menos atletas o que acabou por afetar a motivação. Durante a prova, as regras são basicamente as que existem no dia a dia. É preciso sabermo-nos adaptar às mudanças.

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Foto: Trail de Vila Pouca de Aguiar

Essas mudanças são boas para a modalidade?

As mudanças são boas para a modalidade se houver mudar a consciência do ser humano.

Porque existem tão poucas mulheres no atletismo?

A meu ver nenhuma modalidade desportiva levada a sério (mesmo amadores temos que nos dedicar), pelo menos minimamente, requer bastante dedicação, foco, disciplina, coragem, resiliência e paciência e muitas mulheres não estão dispostas a isso.

Com dedicação conseguimos fazer o que ambicionamos sem nos deixar afetar pelos/as “parasitas” que preferem ficar no café a beber, a fumar, a comer (ou seja lá o que for que os prejudica mais que o atletismo) e chamam viciados aos atletas. Cada atleta deve fazer o que a motiva. Nós temos a capacidade de criar o nosso bem-estar, não precisamos de recorrer a nada externo. Basta movimentarmo-nos, sim, o corpo foi feito para estar em movimento, dai termos pernas e não raízes.

A dedicação ao atletismo (como tantas outras coisas) tem ganhos e perdas. Saibamos escolher o que é melhor para nós. Façamos escolhas conscientes se o que escolhemos é para nossa felicidade ou por base no dito correto ou melhor. Saibamos escutar o nosso sentir.

Porque há tão poucas a fazer grandes distâncias?

A mulher ainda tem muito trabalho a fazer na sociedade e poderia começar a dedicar-se a si em primeiro lugar para a seguir tudo vir na medida certa. As grandes distâncias requerem muita dedicação. É preciso gerir o tempo para planear o trabalho, o lar e o social.

Quando se faz uma gestão do tempo equilibrada temos a possibilidade de conquistarmos o que desejarmos.

Existe alguma diferença no tratamento das mulheres face aos homens no atletismo?

Na mentalidade medíocre, a mulher ainda é criticada, mas cabe a cada uma dar a resposta à sua altura quando temos consciência que fazemos o melhor resta-nos continuar a fazer o nosso caminho.

 

Foto: 105 km do TPGFB_IMG_1646227655301.jpg

06
Abr22

Guia de marcha para casa...


João Silva

Não que seja forçado por alguém. Neste caso, é uma espécie de sentimento que impele a ir para casa mal acabo uma prova.

O Mateus não tem um feitio fácil - o que não admira, dados os genes 😅 - e não é "pera doce" ficar sozinho com ele, sobretudo, depois de noites mal dormidas (e foram muito poucas as bem dormidas em mais de três anos).

Assim sendo, quando vou para uma prova, faço-o "com o coração pesado" porque sei que o ambiente será (in)tenso para a Diana. No início, procurei escolher provas nas proximidades para não estar muito tempo fora e para conseguir chegar a horas de o adormecer sem prejudicar a sua rotina de sono.

Tudo isso se torna desgastantes devo confessar. No entanto, aquilo que mais me impressionava era acabar a prova e não ficar feliz pelos tempos ou pelas participações. Eu só pensava em como o ambiente estaria bem carregado quando chegasse a casa e só queria era ir embora...

Se isto é bom? Não, não é. Chegava a sentir culpa. E o mais estúpido é pensar que não tenho motivos para isso: encurtou o meu sono para poder treinar antes do filhote acordar, passo os meus dias em casa, entre trabalho, tarefas domésticas e cuidados do Mateus, e nos dias de prova procuro deixar tudo pronto antes de sair, incluindo refeições quando é possível. Nunca senti que essa culpa viesse da Diana, até porque ela era a primeira a sugerir a minha participação em provas. Porém, sempre senti que lhe estava a passar uma tarefa bem dura e sempre achei que estaria em falta com ele por não estar (embora esteja presente todo o dia na vida dele). Daqueles sentimentos de culpa que não se explicam...

04
Abr22

Não há dois sem três...vamos ao quarto?


João Silva

Decidi mudar o provérbio original.

Hoje é o dia em que comemoro três anos deste blogue.

Desde 2019 que não deixo que este projeto fique a meio e que procuro continuar a trazer assuntos e histórias interessantes, pelo menos, do meu ponto de vista.

Este segundo ano ficou marcado por mais conteúdo e por conteúdo ligado à paternidade, algo que me parece muito importante.

Foi também a altura em que consegui trazer mais informações externas, o que me deixa igualmente satisfeito.

Daqui para a frente, quero trazer algumas coisas novas em termos de criação de conteúdo e pretendo igualmente continuar a contar com a vossa presença e com os vossos comentários, porque são vocês, desde o início, que têm ajudado a dar mais cor a este pedaço de escrita e de partilha.

Não quero revelar o que tenho em mente, porque preciso de trabalhar algumas coisas sem "pressão". Para que tudo corra bem. Porque assim o quero e porque assim é que deve ser!

Obrigado!

Espero que continuem a passar por aqui.

IMG_20200919_081408.jpg

Prometo esfalfar-me =D

 

03
Abr22

O que trouxe de diferente 2022?


João Silva

Nem sempre percebemos se aprendemos mesmo alguma lição com algo que nos aconteceu. 

Era uma expectativa que eu também tinha em relação a mim.

Depois da lesão, houve algumas mudanças no meu interior. Fiquei mais consciente dos problemas que posso ter se abusar. Claro, desde logo, isso tem-me custado os treinos de longa distância. É algo que me faz mesmo muita falta. 

Como forma de substituição, passei a integrar mais provas na minha agenda e isso ajudou-me a criar um foco diferente.

Se antes de me lesionar chegava aos 600 km/mês, depois desse episódio procuro treinar bem e dar a dose certa de descanso ao corpo. O aparecimento dos resultados dessas mudanças também acaba por as alimentar. 

Em princípio, o segundo semestre será mais rasgado por causa da maratona. É também uma altura em que faço algumas meias maratonas. Tudo isso requer uma preparação mais exigente.

Ainda assim, até aqui, tenho adotado treinos intensos mas com uma duração que não seja superior a 60 minutos e por treinos longos que não passem dos 90.

Não corro todos os dias. É algo que me custa, mas também tenho de reconhecer que os dias em que não corro são de treino, primeiro porque potenciam o descanso ativo e depois porque trabalho o reforço muscular. 

No futuro pretendo chegar aos seis dias de corrida, mas por agora vai funcionando bem assim.

Esse foi e é o dilema: como tem funcionado bem, posso acabar por estragar. Também por isso é bom preparar provas diferentes, obrigam-me a sair de zonas de conforto.

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