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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

30
Jan22

Outra vez abaixo dos 40'


João Silva

Não virou moda, mas nem me importava.

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Fiz outra vez menos de 40 minutos numa prova de 10 km. Desta feita, em Leiria, por ocasião da Corrida do Adepto.

Eram mais de 300 corredores, fiquei em 27.° e em 14.° no meu escalão.

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De certo modo, sinto-me um pouco vaidoso hoje, mas também sei o que me saiu do corpo para voltar a correr abaixo de 40'. É o que dizem todos os corredores. Não sou exceção. 

Sobretudo numa fase em que desvaneceram os motivos de felicidade por estas bandas, correr assim deixou-me muito bem. 

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Ao contrário do que aconteceu em Soure na semana passada, nesta prova senti mais dificuldades e passei um pouco mal entre os 6,5 km e os 8,00 km. Os últimos dois quilómetros foram na base da garra e da crença. E isso manda muito.

Falei-lhe também a presença do pacer (atleta que marca ritmo). Foi sempre o meu farol e fui no encalço dele até perto dos 6 km. Devia ter ido um pouco mais para não ter passado mal. Seja como for, consegui esquecer o meu estado nos últimos quilómetros.

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Apesar do imenso frio na hora de levantar o dorsal, esteve um dia muito bonito para correr numa cidade tão bonita e direcionada para o desporto ao longo de toda a "marginal" do rio Liz. Assim dá gosto.

Quanto à organização, esteve impecável, mais uma que ligou à questão dos testes e dos diplomas. Assim vale a pena. Apesar de me limitar muito nas interações que tenho nas provas, tenho-me sentido seguro. 

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Tem-me custado muito não fazer grandes distâncias nesta altura, mas tenho procurado fazer as coisas com mais cabeça. É sempre um pau de dois bicos, porque os resultados do treino específico estão a surgir agora: 2 provas de 10 km abaixo de 40'.

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Por outro lado, sinto muita falta mesmo de correr grandes distâncias. Ao que parece e se a vida não me trocar as voltas, as meias maratonas e a maratona voltam no segundo semestre...

29
Jan22

As dores desaparecem...


João Silva

Há duas grandes alturas em que me cruzo com peregrinos aqui pelos lados de Condeixa.

Como acho importante apoiar, aqui e ali, solto uns incentivos. Alguns retribuem com votos de força para os meus treinos.

Aqueles momentos de incentivos, seja de peregrinos ou de conhecidos com que me cruzo, valem ouro. Sinto uma espécie de dose extra de motivação. São segundos ou minutos sem dores, por muito duro que o treino esteja a ser.

Num episódio mais recente, mesmo a recuperar de um princípio de lesão e já com 20 km nas pernas, recebi incentivos de um grupo de peregrinos. Bem! Que ajuda. Aquilo revitaliza.

E é isto em dobro que sinto nas provas. É por isto que nos transcendemos em competições. Tenho motivação suficiente para treinar, mas nada substitui uma bela "ovação" numa prova.

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Cura tudo! Mesmo as dores!!

27
Jan22

Crocante...


João Silva

A pergunta é simples.

As vossas articulações também também "rangem" quando se levantam ou se mexem depois de um período parados?

Parece-me que tenho o corpo a precisar de óleo. É que cada vez que me levanto para ir treinar o meu corpo faz barulho. 

Já houve vezes em que acordei o Mateus por "falta de óleo nas dobradiças". Até mesmo nas sestas, quando acompanhava o seu descanso.

Naturalmente que isso se deve a algum desgaste do corpo pelos treinos contínuos, mas também por causa dos anos em que fui obeso e submeti o meu corpo a uma carga permanente excessiva. Normalmente, esse ranger também revela que o líquido sinuvial (o "óleo das articulações") ainda não está operacional no momento em que nos mexemos.

Seja como for, da próxima vez que for às compras vou ver se trago óleo.

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24
Jan22

Novo recorde pessoal


João Silva

Tinha traçado uma meta para as provas de 10 km em 2022: fazer menos de 40 minutos. Ou seja, tentar um novo recorde pessoal.

E consegui. Ontem, em Soure, na prova Soure 1111.

O percurso era favorável, praticamente não tinha desníveis, e o tempo, apesar de muito frio, também estava bom.

Dei tudo o que tinha cá dentro. Tirei da cartola os treinos específicos que já andava a fazer desde 01 de janeiro.

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Resultou. Aos cinco quilómetros estava muito forte, levava cerca de 19 minutos e meio. Cerrei os dentes e procurei sempre chegar à frente. Nunca tirei a meta da minha frente. Sentia a cada passada que era o meu dia. 

E foi. Passada forte e equilibrada, respiração que foi necessário corrigir a dada altura porque originou algum desconforto, e muita garra. E positivismo. Experimentem que resulta.

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No fim nem festejei. Não tinha força, mas depois deixei cair a ficha e soube bem. À primeira tentativa saiu recorde pessoal aos 10 km. Eu sei o quanto sofri nos treinos para aquilo, mas, sem ponta de arrogância, parti com a confiança de que tinha traçado bem o meu "destino" nas semanas anteriores. Eu trabalhei para ficar em 30.° num total de 200 corredores.

No fim, ficam boas recordações de um dia que começou com muito gelo em Soure. Esta vila simpática está a 13 km da minha vila, mas parecia que tinha entrado na Sibéria.

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Deixo ainda uma excelente palavra de incentivo à organização. A prova visava ajudar um menino, o que merece sempre registo. Além disso, tinham tudo bem segmentado, não havia aglomerações. E mais, ligaram mesmo ao certificado de vacinação. O percurso também foi bem delineado, sempre com a natureza a envolver os atletas. Além disso, pasmem-se: no fim, houve direito a ofertas. Coisa rara por estes dias em provas.

Muito obrigado e espero que tenham conseguido ajudar o Francisco. Já era fã das provas deles. Fiquei mais ainda. Desta vez, com o orgulho de ter entrado numa espécie de patamar que ambicionava.

Segue a viagem das provas para Leiria, já no próximo sábado. 

22
Jan22

Gestão de expectativas e de papéis


João Silva

Antes de voltar às corridas, venho falar de algo que acaba por estar ligado ao blogue.

Refiro-me à paternidade.

Pontualmente vou falando no assunto e, na verdade, é um tema muito importante e pertinente.

Este espaço é sobre deporto, mas tudo desde o nascimento do Mateus acaba por determinar os meus treinos, a sua duração, a sua complexidade. 

Além disso, é importante que os homens falem abertamente de vários aspetos ligados à paternidade.

Num futuro próximo, vou falar muito disso e vou partilhar o meu ponto de vista. Não serão textos seguidos, porque o tema é complexo, mas gostaria de vos ter por aqui.

Até agora todos sabem o que pensa uma mulher genericamente sobre a gravidez. Porém, poucos querem saber o que nós, pais, temos a dizer.

Começo por dizer o seguinte: sou contra a ideia de que os filhos são apenas das mães, ou melhor, que são um assunto exclusivo de mulheres. (Abordarei isso noutro post). Desde o início que penso assim e, felizmente, a minha esposa também.

Penso muito, de mais, sobre os assuntos que me interessam. Quando o Mateus nasceu, dei por mim a ter de reavaliar o meu lugar na família.

Sim, de dois passamos a três e isso muda tudo. É clichê mas é verdade.

Os primeiros momentos são muito duros. Para mim foram. Eu era o centro da Diana e ela o meu. Vivemos juntos  cerca de 11 anos antes de termos o Mateus.

Portanto, quando ele veio ao mundo, foi necessário perceber que deixei de ser protagonista. A prioridade mudou e a dedicação também.

Mais para a frente, percebi que depois tudo encarreira nos trilhos, mas, para isso, é importante que os adultos da relação não se percam. E é tão fácil. 

Custa mas é necessário que o pai dê um passo atrás, que opere em segundo plano. O papel não é menor e a lista de tarefas é bem grande, mas durante muito tempo não vai importar o que sentimos. E isso traz insegurança e medo. Sem que nos transmitam isso, muito pelo contrário, achamos que somos descartáveis (comigo foi assim). 

Nunca fui um pai ausente. Pode soar arrogante, mas mergulhei na vida do meu filho desde o início. Sei o tamanho da roupa, dou-lhe banho, tomo conta dele quase desde que me levanto até que me deito, preparo a sua comida. Não sou mais do que ninguém, mas faço-o. E essa era a minha expectativa, mesmo quando ainda não sabia que tomaria conta dele todos os dias meses a fio. Queria ser esse tipo de pai porque acredito claramente que o Mateus é o meu projeto de vida. Não o sabia antes de ele nascer.

Como sempre fomos um núcleo muito fechado e também devido à pandemia, os primeiros meses foram passados sem ajudas externas. Fomos só nós os três. A rir, a chorar, a celebrar, a sofrer. E aquilo que nos invade nos primeiros meses é tudo menos felicidade infinita. Lamento, mas não vendo esse tipo de sonhos. Continua a ser a melhor coisa do mundo, ser pai ou mãe, mas é o desafio supremo que enfrentamos como pessoas.

Abdicar do nosso eu não é fácil. É um processo. Demora muito tempo até aceitarmos que já não mandamos na nossa vida, que tudo muda de um momento para o outro e que temos de fazer tudo por um ser que chora dias a fio e que não nos deixa dormir.

Bem sei e reconheço isso, mais ainda depois de ter sido pai: as mulheres sofrem muito, uma pressão social absurda e têm de lutar contra muita coisa. Não se espera menos delas do que a criação de um ser humano. Mas isso não é nem têm de ser algo exclusivo delas. Deve e tem de ser partilhado pelo casal! Que lógica tem ser só um a abdicar de uma parte da sua vida quando estão os dois implicados na criação de um ser humano feito pelos dois?!

É por isso que detesto aquelas tretas de dizerem "o meu pai é um héroi" no dia do pai, por exemplo. Apesar de ser algo em mudança, são poucos os pais que se ocupam profundamente da vida dos filhos. Não há heróis. Há dedicação.

Mas, sendo justo, a fase inicial é muito dura de suportar, sobretudo, pela gestão de expectativas e porque estamos todos, os adultos da relação, a lidar com o nosso interior. Demora até conseguirmos perceber qual é mesmo o nosso papel no núcleo familiar. 

Pelas circunstâncias, nós, os pais, somos colocados um pouco à margem (da dedicação). Depois cabe a cada um escolher se fica nesse papel e se se afasta por completo ou se procura ser ativo e mostrar que está presente. Mesmo nos dias em que só lhe apetece desaparecer da face da terra...

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22
Jan22

Sabiam que...


João Silva

...o progresso é filho da intensidade?

Leram bem. A chave da evolução na corrida está na intensidade dos nossos treinos.

Quanto mais intenso melhor. Os músculos são estimulados recebem mais oxigénio e são obrigados a gerar mais. 

Mas, como tudo, há um "gato" nisto: uma enorme intensidade tem tendência a criar um maior desgaste celular e muscular.

Pois é. Pois é, menino João! (Sim, estou a falar de mim). Maior intensidade obriga a maior descanso, porque a chave do desenvolvimento é o repouso e o soninho. 

Quanto mais dormimos, mais tendemos a regenerar (dependendo dos níveis de treino). 

Este é um processo demorado e não é fácil suportar treinos intensos, mas pode começar por pequenos sprints e "abanões" no final dos treinos normais. Isso já vai aumentar a necessidade de resposta do corpo.

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20
Jan22

Paranóia ou uma espécie de manual de sobrevivência


João Silva

Hoje saímos um pouco da parte desportiva. Quer dizer, na verdade, não. Porque isto que vos trago é uma espécie de manual sobrevivência para quando se tem um bebé a dormir.

Nunca se acorda um bebé adormecido. Este é o lema cá em casa desde o dia em que o Mateus nasceu. 

Quem é pai ou mãe sabe bem o quão difícil é adormecer um recém-nascido ou um bebé.

Por isso, livre-se aquele que acordar um rebento.

Sigo isto tão à letra que chego ao ponto de ficar paranóico.

Primeiro, saio de casa pouco depois das 05 horas da manhã para treinar. Ora, normalmente, o bebé está a dormir. Conclusão: rodo a chave com uma minúcia que nunca tive. Demoro dois minutos a abrir a porta (dois minutos é imenso num processo que demora segundos normalmente).

Saio de casa com o frontal ligado no mínimo para não ligar a luz do corredor.

A porta do WC range um pouco em algumas alturas do ano. A prática levou-me a perceber que tenho de empurrar um pouco antes de a puxar para não ranger.

Como se não bastasse, já sei que se chegar a determinada hora tenho de entrar rápido em casa porque é a hora de saída de uma das vizinhas e ela bate a porta com muita força.

Se ouço algum camião a apitar perto da nossa rua, fico doente a pensar que me acordaram o garoto. Da mesma forma, já sei que, quando adormece entre as 21 e as 21h30, o Mateus vai ouvir o barulho todo dos estoros dos vizinhos.

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Às vezes nem se mexeu, continua a descansar, mas eu fico numa inquietação que nem sabia ser possível.

O desgaste que isto cria!!! Sou apologista de que temos de nos adaptar aos bebés e aos seus ritmos. Foi isso que fizemos desde o início. E o desgaste que isso cria em algumas circunstâncias?!

E por aí também têm ou tiveram cuidados com os pequenos dorminhocls quando saem de casa para trabalhar ou treinar?

18
Jan22

Sentimento de pertença


João Silva

Mesmo correndo sozinho, o facto de pertencer a uma equipa de corrida/atletismo/trail é visto por mim com muito orgulho. Não estou muito com eles e acabo por levar uma vida muito distante do constante contacto social de alguns elementos da equipa. Ainda assim, fazer parte de uma equipa é ter um elemento de identificação permanentemente. É saber que não estamos sozinhos mesmo quando não treinamos com mais ninguém. É usar uma camisola que estabelece uma relação que ultrapassa a estrada, a pista ou o trilho.

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E esse sentimento de pertença, apesar da minha distância, deixa-me vaidoso. Ao ponto de querer vestir as várias camisolas da equipa em qualquer circunstância.

Ninguém me pediu nada, mas fiz questão de ir para a fisioterapia com a camisola de treino da Venda da Luísa.

A clínica trata muitas equipas de várias modalidades do distrito de Coimbra e fui vendo várias camisolas. Isso fez crescer em a vontade de mostrar onde pertenço. E senti-me vaidoso. Não por ser a ARCD Venda da Luísa, mas por fazer parte da ARCD Venda da Luísa. 

Chamem-lhe vaidade. Mas chamem também orgulho. Numa equipa regional com mais de 120 atletas só na modalidade de atletismo.

16
Jan22

Tudo uma questão de dinâmica ou de estar parado


João Silva

Já sabem o que acho dos alongamentos. São vitais para qualquer desportista e para a qualidade do nosso dia-a-dia.

No entanto, os últimos anos de investigações na área do desporto vieram retirar algum peso aos alongamentos como os conhecemos.

Ou melhor, passou a fazer-se uma distinção global entre alongamentos estáticos e dinâmicos.

Os estáticos são os que já conhecemos Esticar uma perna, um joelho ou um braço e suportar o alongamento muscular durante 10 a 30 segundos. Repetir na outra perna (ou braço).

Aqui ficam outros exemplos:

O inconveniente que se encontrou neste tipo de alongamento foi o processo de esticar demasiado o músculo. A ação de puxar ou esticar pode provocar desequilíbrios num dos lados.

Com base nisso, sugere-se cada vez mais a adoção de alongamentos dinâmicos, que mais não são do queovimentos contínuos, sequências ritmadas de determinados músculos, com o intuito de preparar o corpo para o início da atividade física (aquece mais depressa os músculos, levando-lhes mais sangue mais rapidamente).

O problema maior deste tipo de alongamento está na intensidade. Fazer alguns destes exercícios, presentes no vídeo, a um ritmo elevado e intenso pode deixar o corpo demasiado alterado, fatigado antes do treino propriamente dito. 

Já no domínio das possibilidades, outra forma de alongar dinamicamente é recorrendo ao rolo de espuma.

No primeiro vídeo que aparece nwste texto, podem ver o testemunho de alguém que já corre há muito tempo e podem ficar a conhecer o método dele.

No fundo, tal como ele, também tenho um lado que tende para os alongamentos estáticos. No final de cada treino, procuro não falhar mesmo. Vou alternando os exercícios para não danificar os músculos. Contudo, não me fico por aqui. Procuro fazer muito rolo de espuma para desanuviar os nós musculares. 

A parte mais dinâmica dos alongamentos só começou a ser adotada por mim há pouco tempo, mas nota-se logo que o corpo fica mais preparado e com menos dores depois de um treino bem duro.

14
Jan22

Serei maluco?


João Silva

Sem querer tropecei nisto:

Para quem não vir o vídeo, trata-se de um desafio de 24 horas a correr. No caso concreto, falamos de um jovem que procurou bater o recorde que já existia e que não era mais do que 300 e alguns km em 24 horas e a um ritmo monstruoso.

Uma pessoa normal veria isto e diria algo como "ele há com cada maluco!".

Ora eu vi o dito vídeo e pensei: "este ritmo é de loucos. O treino para enfrentar este desafio é uma coisa monstruosa."

Mas ficou um bichinho atrás da orelha...não me vejo a fazer isto nesta fase da minha vida. 

Nesta fase, sublinho, até porque tenho tido tudo menos treinos em condições. O futuro não o sei, mas...aquilo ficou ali a pairar na telha...é que a transcendência para derrubar um obstáculo destes é incrível. 

Não fecho portas. Muito pelo contrário, neste caso.

Mais alguém desse lado tem vontade de descobrir como reage o corpo a 24 horas seguidas de corrida?

O meu máximo vai em quatro horas e meia... sem parar... mas nunca digo nunca...

De génio e de louco todos temos um pouco, já dizia a minha avó.

 

12
Jan22

O maestro é exigente!


João Silva

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Quando me tornei pai, também virei cantor. Faz parte. São as letras pequeninas no "contrato".

Ele não tem culpa que tenha voz de cana rachada (nem a mãe).

Ainda assim, também sabe que precisa de baladas depois do almoço para fazer uma sestinha sossegado.

Eu canto tudo. Aliás, aprendi muitas cantilenas infantis com a Diana desde abril de 2020.

Há uma espécie de playlist.

E assim é de facto ao ponto de ele resmungar comigo quando decido alterar a ordem das músicas. 

Por vezes, resmunga até conseguir que chegue à música que ele quer. Aquela que lhe traz os melhores sonhos.

Numa família materna de ligação à música, não me admirava nada que enveredasse pela atividade de maestro.

Também vos acontecem/aconteceram coisas assim?

 

10
Jan22

De esquerda, direita para direita, esquerda!


João Silva

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No último artigo falei do pé forte e do pé de apoio.

Para quem "estudou a lição", pergunto: sabiam que é possível mudar o pé forte da cadeia de movimento?

Para acelerar processos, respondo já: sim, é. Demora algum tempo porque é um processo de base do corpo.

Em maio do ano passado, o meu corpo apresentou-me a fatura por não ter parado ou abrandado algum tempo depois de ter corrido os 50 km. 

O presente foi incapacidade para correr bem, foram dores fortes no adutor esquerdo, pernas pesadas, dores na virilha esquerda. Tudo isto passava mais depressa se depois tivesse parado uns dias ou mesmo umas semanas. Houve treinos em que mal conseguia começar a corrida (por causa do lado do pé forte estar afetado). E percebi isto tudo alguns meses mais tarde e da pior forma possível.

Para quem não está muito dentro do assunto, além de correr com dores, numa hora e meia de corrida só consegui encaixar 13 km em vez dos normais 16/17 para aquela fase e em vez dos 18 km que costumo meter numa fase boa do meu corpo. Nada disto foi fácil de gerir.

Como fui o culpado por aquilo, tive de encontrar uma solução (se não tivesse sido, também teria de arranjar uma).

Comecei a arrancar com o pé direito. Os treinos passaram a ter o pé direito como pé forte. Naturalmente, ainda sentia dores, mas eram menores. Não melhorei significativamente a velocidade, mas dos 13 km em 1h30 passei para 14 ou 15 km no espaço de uma semana. Reduzi a carga nas sessões e trabalhei a parte do reforço.

A primeira vez que se muda de pé forte parece que se está num corpo estranho. Requer habituação e é preciso dar tempo para que o corpo se adapte. 

Mas é possível mudar a mecânica de movimentos, o que pode ser muito útil em provas longas para não massacrar muito um determinado lado.

Este processo arrastou-se até setembro e, curiosamente ou não, foi no lado direito que tive um bloqueio na banda iliotibial que me roubou o direito a participar na maratona do Porto. Isso revela que a ideia de mudar o pé de apoio até foi boa. Ao fim de uns dois meses os meus apoios iam alternando bem. Onde tudo ruiu foi na ausência de descanso e no "suplemento" de ter havido muito colo (ossos do ofício).

Seja como for, continuo a acreditar que é possível mudar algo tão estrutural. É preciso é ter calma e dar descanso ao corpo.

08
Jan22

Esquerda, direita ou direita, esquerda?


João Silva

Talvez alguém possa pensar que o assunto versa sobre política. Não versa!

É sobre o chamado pé forte na corrida.

Já se aperceberam (os que correm ou os que caminham) que há um pé que marca o ritmo da passada?

Pois é, a cadeia de movimentos, designada cadeia cinética em corrida, tem sempre um pé mais forte na hora de fazer mexer o corpo.

O meu é o esquerdo. É uma mera coincidência com o facto de ser canhoto. É este lado que marca também a intensidade. O direito serve de apoio.

Da próxima vez que saírem para correr, reparem no pé que marca o ritmo. Será o vosso pé forte. E vejam se não é nesse que a sequência de respiração tem início. Reparem nesses detalhes e digam lá se não é assim.

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07
Jan22

Perdeu-se a dinâmica...


João Silva

Quando participei na prova das 4 estações na Vendas da Luísa, a 08 de dezembro, dei por mim a sentir um certo vazio durante largos minutos.

Parei, olhei à volta e percebi que, por um lado, isso é um problema meu, porque sou uma pessoa que se isola apesar de ser muito extrovertida (mais uma bela contradição da minha personalidade).

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No entanto, olhando melhor, vê-se que o mal também está em muitos outros. Passo a explicar: a ausência de muita gente em provas desde o início da pandemia retirou proximidade, aqueles toques normais e simpáticos entre atletas, aquelas conversas cheias de gargalhadas.

Há pessoas que, aparentemente, já conseguem estar muito bem em sociedade, mas há muitos que se isolam, que procuram não tirar a máscara. Ambas as coisas podem ser certas. Depende sempre de cada um, mas sinto mesmo que se perdeu a dinâmica social com este bicho.

Esta incerteza atual também não ajuda a recuperar o nosso lado social...

06
Jan22

Os medos


João Silva

Por muito que haja força de vontade em retomar a corrida, uma lesão com paragem é sempre um ponto de viragem.

Tem de suscitar sempre alterações no nosso interior. 

Nada pode ser como era, pelo menos, no início. E o início pode demorar tanto...

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Algo que senti com o aproximar do regresso foi uma certa retração na hora de conceber determinados tipos de treino.

Olhando para o que fazia antes, o volume excessivo de treinos, as grandes distâncias seguidas e os vários treinos de velocidade seguidos eram algo impossível de replicar como tal logo nos primeiros tempos. Mesmo agora, tem de ser com calma e ponderação. Ainda não passei os treinos de 80 minutos e sinto-me k.o. quando faço dois treinos intensos seguidos acima de 60 minutos. Sinto mais necessidade de dar descanso ao corpo. Não me posso precipitar...

Um dos maiores medos foi, precisamente, a paciência necessária para não saltar etapas. Conheço-me e sei que resvalo com facilidade.

Mas de todos os medos e pensamentos na hora do regresso, houve um que me acompanhou durante a segunda metade da fisioterapia: medo do aparecimento da dor com o impacto.

Isto só se combate com a prática, com a vontade de correr e com o treino. 

Mas faz hesitar, oh se faz!

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