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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

31
Dez21

Fechamos hoje, abrimos amanhã!


João Silva

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Fecha-se mais um ano, este mais um da categoria "ora bolas!" (Com algumas asneiras à mistura)!

Começou com a sombra da pandemia, estendeu-se com problemas de vacinação e de organização, presenteou-me com a minha primeira grande lesão e termina, este sim, com um pouco mais de esperança. Por tudo, mas, sobretudo, pelos últimos dois meses, ainda que agora dê a ideia de que voltámos ao retrocesso.

A um nível mais abrangente, ter já a maioria da população vacinada é um bom augúrio, embora, aparentemente, isso não seja garantia de nada.

A nível pessoal, após um ano em que deixei de controlar por completo a minha vida, resta recuperar as forças e algum otimismo para encarar melhor as coisas.

Acima de tudo, quero poder viver, não quero voltar ao pré-bicho porque isso não existe mas quero poder construir uma nova realidade em que não tenho de evitar participar numa prova por causa da multidão. Era tão bom.

Como o tempo é de alguma esperança, espero que todos passem bem e em segurança o ano e que consigam recarregar baterias para encarar bem o futuro.

Um abraço e um beijinho a todos os que ajudaram a encher este espaço com vida, visitas e opiniões. A todos os outros também, já agora.

Feliz entradas em 2022!

 

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29
Dez21

"Ta tin ta"

O conto de Natal arrancado a ferros pela Isabel Silva...


João Silva

Abri a porta e lá estava ele...

- Já cá estás, avô? - perguntou-me com a admiração de quem não sabe que horas são e com a articulação possível numa criança de quase cinco anos.

- Hoje vim mais cedo. O corpo já não aguenta tanto tempo a correr - respondi, enquanto tirava o gorro de natal e a gravata decorativa.

- Andas sempre com isso, avô? - quis saber, enquanto se apoderava dos meus acessórios encharcados e do meu frontal. Já sabia ligar a luz... há tanto tempo.

- Queres saber a história da gravata e do gorro, Pedro?

Ainda sem saber a resposta dele, sentei-me no tapete já com uma roupa quentinha e cruzei as pernas.
Depois de fazer a dança do velhinho, como lhe chamava a avó, o Pedro saltou para o meu colo e disse "sim", sem nunca tirar os olhos da gravata e do gorro.

Já bem aconchegados, comecei:

Então olha, o "Ta tin ta" teve duas vidas: uma antes da chegada do filho dele, o Mateus, e outra depois. Foi pouco antes de o filho chegar que se apaixonou pelo Natal e foi já com os primeiros passos e sorrisos do pequenote que percebeu a magia...

Antes disso, o "Ta tin ta" não ligava muito à época nem era muito fã de decorações natalícias. Os natais da sua infância não tinham sido felizes. Não se lembrava de nenhum em que não tivesse havido confusão: ora o pai discutia com a mãe e acabava a dormir no chão de casa dos avós maternos, ora o pai metia-se em pancadaria no café da vila e ia para o hospital com a clavícula partida, ora o pai não controlava os ciúmes e acabava a discutir com o cunhado, padrinho do "Ta tin ta. Quando não era isso a arruinar aquela época, era o padrinho que discutia com a tia, eram os pais que não tinham dinheiro para lhe comprar uma prenda no Natal. Já adulto e dono e senhor da sua vida, o "Ta tin ta" não tinha motivos para gostar do Natal. Passava-os a trabalhar num hipermercado. As pessoas eram mal educadas e tratavam-no mal. Chamavam-lhe nomes feios e não lhe davam descanso. Apareciam quando a loja estava a fechar...

- Já que não querem sair daí, tomem lá... - disse a avó do Pedro que chegara ali sem que nos tivéssemos apercebido. Ela sabia que não íamos arredar pé enquanto não terminasse a história do "Ta tin ta", até porque ela própria gostava da tradição associada ao jovem rapaz.
Ainda antes de seguir viagem para o quente da lareira da sala e para a companhia do nosso filho e da nossa nora, entregou uma fatia de pão caseiro com manteiga ao Pedro e, estendendo a outra mão, ofereceu-me o meu estimado chá verde bem quentinho...

Tentei seguir o fio da história, mas a memória já me pregava muitas partidas...
- Ainda te lembras onde é que o avô ia? - perguntei ao Pedro sempre com a intenção de disfarçar o meu tom preocupado. Aquele esquecimento poderia ser bem mais do que isso

- Estavas a dizer que o "Ta tin ta" não gostava do Natal...
- Boa, era isso mesmo, agradeci, bem aliviado. O garoto estava atento.
Prossegui, procurando não me perder novamente...

Mais tarde, o "Ta tin ta" conheceu uma menina, a Diana, que gostava muito do Natal com os seus pais, as suas irmãs e sobrinhas.
Só que aquela alegria e felicidade genuínas não passavam para o "Ta tin ta". Nem mesmo nas tardes de Natal em que essa família se reunia para trocar presentes e histórias. Havia sempre algo que faltava. Sentia-se sempre sozinho, como se não tivesse direito a partilhar aquela sensação de amor e paz.

Uma vez mais, de vez em quando, lá havia Natal com os pais do "Ta tin ta" e lá voltava a aparecer a discussão. Era uma confusão e era tudo muito triste... Mas as coisas mudam...

Sem se aperceber, o "Ta tin ta" começou a correr para perder peso, porque era muito gordo e não gostava.
E começou perto do Natal.

No sítio onde agora vivia, era tudo diferente. No Natal, havia luzes, tantas, espalhadas por toda a vila... eram tantas casas coloridas, algumas com Pais Natal, outras com presentes. Umas reluziam a verde, outras a azul e ainda havia o vermelho e o dourado.

Parecia que o "Ta tin ta" tinha chegado ao reino encantado do Natal. Na verdade, tinha começado ali a segunda vida dele.
Passou a gostar do Natal.
Mas, mesmo assim, não percebia o sentido. Não acreditava em nenhum deus e não partilhava de nenhuma fé.

A única fé do "Ta tin ta" era a corrida. Assim que punha os pés na estrada, era muito mais feliz, estava sempre a sentir-se preenchido.

Mais tarde, teve hipótese de correr numa corrida que acontecia todos os anos no Natal. As pessoas deram-lhe o nome de São Silvestre.
Era uma magia que não se explicava. Sentia-se feliz no meio daquelas pessoas, eram tantas. E tão felizes naquelas noites. E as ruas?! Eram o melhor. A cor, a vida, a felicidade que davam quando ele passava...

Aos poucos, o "Ta tin ta" sentia que havia algo de especial na corrida e nem mesmo um bicho com um nome esquisito lhe roubou isso.

Quando o seu filho, o Mateus, nasceu...

- Mateus?, quis saber o Pedro ao sentir que era o mesmo nome do seu pai...
- Sim, Mateus, muito bem - respondi, meio atrapalhado e com pressa de acabar a história para não me perder...
A custo, lá retomei...

... O "Ta tin ta" percebeu o que era a magia do Natal quando viu o seu pequeno a sorrir para as luzes e a fazer uma grande festa quando via árvores de Natal nas janelas do prédio da frente.

Nesse momento, o "Ta tin ta" soube que o seu propósito no Natal era correr por toda a vila e acenar aos meninos para lhes levar o espírito natalício.

Criou assim uma tradição. Pegou numa gravata de Natal comprada na loja dos chineses e num gorro de Natal, que sobreviveu aos tempos no hipermercado em que trabalhou, e saiu para correr. Fazia-o sempre de madrugada.

No início era só ele na rua, rodeado por casas, envolvido por árvores e torturado pelo frio. Nada de novo, portanto. Até que, com o passar dos anos, começaram a aparecer os primeiros meninos e meninas à varanda. Já sabiam que ele lá iria passar.

O "Ta tin ta" não levava prendas, levava acenos de mão e sorrisos para todos. Passava pelas vielas muito decoradas e abria os braços para mandar xi-corações. Batia palmas aos meninos e sorria. Desejava um feliz Natal a todos.

Chovia sempre nessa madrugada. E o "Ta tin ta" usava a chuva para lavar as lágrimas da felicidade que levava daquela corrida. Não era mais uma corrida. Era o momento dele.

Com o tempo, o "Ta tin ta" compreendeu o verdadeiro sentido de tudo. Percebeu que o Natal era pensar naqueles de quem gostava, era juntar a cara dessas pessoas às histórias que teve com elas, às memórias que formaram juntos.

Na corrida em que dava mimos a todos, era o "Ta tin ta" que se sentia feliz. Era aí que percebia que também sabia o que era a felicidade genuína. Percebeu finalmente que o Natal era o momento em que era mais feliz e que não precisava de forçar esse sentimento.

O "Ta tin ta" começou a ver o outro lado do Natal e, de repente, os seus natais passados já não eram só as discussões dos seus pais ou os desacatos na família, eram as filhoses rijas mas sempre saborosas da mãe, eram as fogueiras no quintal para cozer bacalhau, eram as músicas e os serões à frente da fogueira em casa do padrinho e com os primos, eram a aletria feita pela mãe, eram os debates acesos sobre política e religião com o pai, eram os doces intermináveis, era o globo oferecido pelos pais num Natal em que não havia dinheiro para prendas...

Durante muito tempo, o Natal era tristeza. Mas a corrida, a vila iluminada e o nascimento do Mateus mostraram ao "Ta tin ta" que mesmo esses natais mais conturbados tinham um toque de magia. O Natal era isso: juntar pessoas e coisas a momentos. Lembrar as vivências do passado. E lembrar novamente. E fazer perdurar a vida daqueles que já partiram no seio da nossa memória.

O pequeno Pedro já não estava a prestar a atenção ao avô. Na verdade, já tinha fugido para junto dos pais e da avó...
Mas lá longe, ainda o ouvi dizer aos pais que queria ser como o "Ta tin ta" e correr sempre para fazer os meninos felizes...

 

 

"Ta tin ta" é o nome que o meu filho dá ao Pai Natal e este conto é também uma forma de lhe mostrar que o Pai Natal existe... Cada um com o seu, nas mais diferentes formas...

Obrigado, Isabel, pela insistência. Não teria tido o enorme prazer de criar esta história, se não me tivesse incentivado a fazê-lo...

27
Dez21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje dou-vos a conhecer mais um atleta.

Este vem do norte e é um homem que já trata as grandes distâncias da corrida por tu.

Conheço-o desde setembro de 2019, numa Eco meia maratona  de Coimbra.

Com a falta de vergonha do costume, fui pedir a alguns elementos da equipa do Boavista para tirarem uma foto comigo.

Este jovem fazia parte da mesma. Encontrei-o ao longe na maratona do ano de 2019.

Passei a admirá-lo pelo seu amor à corrida. Vejo nele a paixão do desporto que quero ter um dia, quando passar os 50 anos.

Tinha obrigatoriamente de ter o testemunho dele aqui.

Como faço com todos, pedi que me respondesse a umas questões. 

Em vez de o fazer de forma segmentada, este entrevistado criou um texto corrido onde se percebe claramente o lado humano a comandar o atleta.

Por isso mesmo, quero partilhar convosco o texto na sua versão natural, sem adaptações.

Fiquem, pois, com o estimado Baltazar Sousa.

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Pratico atletismo desde Julho de 1983. Atualmente, represento o SC Salgueiros como corredor e treinador. Não gosto de me intitular atleta para não desvirtuar a modalidade. Ser atleta é uma coisa, ser corredor é outra. Já fui atleta. 

A disciplina que desde jovem gostei mais foi o Corta Mato. Depois passei a gostar de correr maratonas. Em termos de espetáculo em campeonatos, gosto de ver a estafeta de 4 x 400 metros. 

Na minha idade (52 anos), a minha preferência é mesmo deteeminada pela força da circunstância (deixamos de ter fibras rápidas) as longas distâncias, mas adorava correr os 1500 m e os 3000 m em pista ao ar livre e pista coberta (mais até em pista coberta), também corri provas de 10.000 metros em pista e gostava. 

Sem contar com os momentos em que me encontro impossibilitado de treinar, em situação normal, ainda treino 7 dias por semana, num volume total entre os 90 a 120 km.

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Os treinos devem ser feitos regularmente, de forma planificada e supervisionada por um treinador. Só assim o praticante poderá ver a sua dedicação recompensada nos resultados nas provas, até mesmo na prevenção de lesões e da própria saúde, isto porque os dias de descanso também devem ser aplicados na planificação do treino. 

Não gosto muito de fazer comparações entre os atletas antigos ou o atletismo de antigamente e o de hoje. Entendo que nos devemos concentrar em ver o que se passa hoje, respeitar quem não viveu no passado e vive a sua própria história. As circunstâncias são diferentes, é certo. O atletismo, os atletas e treinadores de antigamente foram os pioneiros na conquista do impensável, foram os que desbravaram caminhos. 

Não devemos pensar que se ganha uma medalha olímpica ou se bate um record nacional a qualquer hora...

Uma história da minha vida um tanto ou quanto insólita, isto no conjunto de imensas histórias, foi a primeira maratona do Porto em outubro de 2004: passava eu aos 30 km, numa fase muito complicada, ia em 7.º lugar e era o primeiro português a passar, os africanos já tinham passado há uns bons minutos à minha frente (claro) a zona ribeirinha e, enquanto os pescadores pescavam de anzol e lesca,  escuto um deles a " incentivar-me". Diz ele: "olha, os africanos já passaram há meia hora, vai mas é ali à tasca comer uma posta de bacalhau e beber um copo!"

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Penso que o atletismo daqui a cinco anos estará muito melhor. Acredito que alguns jovens irão evoluir e até mesmo o pelotão irá melhorar em termos de performance, isto porque vejo muitos runners a procurarem apoio para treinarem melhor, como tem acontecido desde que o SC Salgueiros, pela mão do seu Presidente Gil Almeida, abriu portas a todos os amantes da modalidade, estando neste momento a acompanhar diariamente cerca de 60 corredores de estrada e mesmo de pista, com várias idades.

O prof. António Ascensão é o nosso diretor técnico, contando comigo e com o Manuel Azevedo no cumprimento das nossas tarefas e objetivos para o clube e, inerentemente, para a modalidade.

Já corri cerca de 160 meias maratonas e 25 maratonas, mas a minha prova mais longa foi esta última Maratona do Porto, realizada no dia 07/11. De facto, foi a mais longa, porque demorei 4:27.

Foram mais 2h07 do que a minha melhor marca. Corri de uma foma controlada, isto por estar a recuperar de uma lesão. Nunca até então corri quase a passo (em alguns momentos fui mesmo a passo, só queria sentir a alegria do que é a festa da chegada na minha Maratona de eleição - a do Porto). Aproveito desde já para felicitar a empresa organizadora do evento, a Runporto.

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Após este longo período de proibição de organização de provas, brindou os "seus" maratonistas de todo o mundo com este êxito, que já o é desde 2004. Cumpriram todas as restrições impostas pela DGS, que todos nós, os participantes, também cumprimos.

Não tive nem tenho problema algum em divulgar esta entidade, até porque fez de mim alguém mais resistente ou persistente.   

 

26
Dez21

A pensar no amanhã


João Silva

Terminado o natal, é hora de começar a pensar no que aí vem e no que queremos fazer acontecer.

A minha avó dizia que não devemos ser parcos a pedir.

Ainda assim, depois dos "furos" nas minhas projeções para 2021, prefiro ser mais comedido para o futuro.

Na verdade, aquilo que tinha em mente também previa a hipótese de a pandemia não deixar fazer metade. Pois nem a metade chegou. Menos ainda se tiver em conta que fui "arrumado" por uma lesão que fui "ajudando" a construir nos últimos dois anos.

Assim, no próximo ano, quero correr. Sempre que me apetecer. Tenho apenas uma prova específica em mente, na segunda metade do ano, mas quero poder participar em provas, poder competir sem medo. Não me interessa onde.

No meio de todas estas coisas abstratas, sei que pretendo duas coisas muito concretas: cimentar os meus treinos de VMA para melhorar a minha explosividade e para conseguir manter ritmos elevados durante mais tempo (foi algo que tive de parar por causa da lesão mas que me deu um enorme prazer ao longo de 9 semanas) e quero fazer um treino de 75 km em estrada (talvez ainda não dê em 2022).

Não sei quando, como nem onde, mas sei que o quero fazer. 

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25
Dez21

Um feliz Natal


João Silva

Chegámos à verdadeira festa de paz de espírito do ano.

É hora de refletir e de absorver o melhor dos outros, sobretudo depois de mais um ano muito complicado.

 Ainda assim, a nível social, esta época já foi diferente e teve mais proximidade.

Com um desejo enorme de paz, gostaria que todos tivessem algum tempo de qualidade com os seus familiares.

Por isso, um feliz natal a todos!

Que tenham a vossa família por perto e que esqueçam durante algum tempo o que aí vem.

Feliz natal!

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E não se esqueçam de fazer uma bela corrida para "desmoer" a comida...

 

 

22
Dez21

São Silvestre em Barbalimpa?

Ou a São Silvestre imaginada pelo Milorde


João Silva

 

A vila de Barbalimpa já está toda enfeitada para a época natalícia. Iluminações nas árvores, estrelas brilhantes nas rotundas e vários arcos suspensos de luzes e letras a desejas um Feliz Natal e um próspero Ano Novo fazem parte da maior decoração de Natal que Barbalimpa jamais viu em toda a sua existência. Nisso o nosso presidente da junta está de parabéns.

No entanto, pensei eu cá com os meus botões, Barbalimpa precisa de algo mais grandioso não só para comemorar esta época, mas também para que a nossa vila fique mais conhecida. Então decidi organizar, juntamente com o meu amigo João, uma corrida São Silvestre em Barbalimpa. Por norma, as São Silvestre acontecem entre o Natal e o Ano Novo por isso tenho tempo mais que suficiente.

A primeira coisa que fiz foi falar com o presidente da junta que aceitou de bom grado tal evento e assim obtive também o segundo participante, não fosse ele adepto de corridas. “Mas quem é o primeiro participante?” – perguntam vocês. O João, claro! “E tu, Milorde?” – voltam a perguntar vocês, pessoas insistentes e curiosas. Vocês acham que eu tenho idade para participar nessas coisas?! Nem pensar, eu sou uma pessoa doente!

A segunda coisa que fiz foi aplicar os meus conhecimentos informáticos e criar um sítio na internet para obter mais inscrições seguido de uma página no Facebook onde paguei uma publicidade para todas aquelas pessoas que colocaram nos seus interesses “corrida” para assim a minha página aparecer no feed de notícias dessas pessoas e angariar ainda mais participantes.

“Então, mas Milorde, tu não tens dinheiro nem para tocar um cego, como é que vais pagar uma publicidade no Facebook para uma corrida?” – voltam a perguntar vocês. Já paravam com essas perguntas, não? Já me estão a irritar, mas eu respondo sem problema nenhum. Eu estou a investir para depois ganhar o dobro! Ou acham que eu não vou ganhar uma comissão com o dinheiro de todas estas inscrições? Aprendam comigo que eu não duro para sempre.

Passados uns dias já tenho para cima de mil inscritos! Não só de habitantes locais, mas pessoas de outras vilas e cidades. Agora só falta uma coisa, os prémios para os três primeiros classificados. Então dirigi-me à fábrica de colchões daqui da vila que me ofereceram um colchão ortopédico em troca de um grande cartaz para publicitar os seus produtos. Pronto, o primeiro prémio está encontrado. Há lá coisa melhor que um colchão para o corredor descansar depois!

A Flama ofereceu um micro-ondas também em troca da publicidade que tal evento lhes irá proporcionar. Segundo prémio. A D. Emília ofereceu dois galos vivos e uma garrafa do vinho que produz, também para publicitar. Terceiro prémio.

O evento irá decorrer no dia 28 de dezembro pelas 15 horas e o percurso será de 10km. Irá iniciar-se na Rua da Junta de Freguesia, onde a vice-presidente dará o “tiro” da partida (já que o presidente também vai participar), depois os participantes descerão por ali abaixo até ao caminho do Calvário, entram pelo mato adentro, saem na Capela da senhora dos Remédios, passam pela casa do Ti Zé das Couves e pelo café do Jorge (sem parar porque senão serão desclassificados), sobem pela Rua das Desgraças, dão duas voltas à igreja de São Pedro e chegam à meta ali perto da rotunda das estrelas.

Cada atleta receberá um diploma de participação que no fundo não irá servir para nada, mas é sempre um agrado.

Por fim, e não menos importante, este evento é patrocinado por:

 

  • Fábrica de colchões Pinheiro Manso - há 50 anos a trabalhar para o seu descanso;
  • Flama - marca portuguesa de eletrodomésticos;
  • D. Emília – quem quiser bom vinho, venha ter ao meu caminho;
  • Jorge Bar – café de qualidade, sandes variadas e cerveja para acompanhar;
  • Banco Recebê – deposite aqui o seu dinheiro e depois logo se vê;
  • Barbalimpa Jornal Oxum – o jornal mais lido da vila pois não há mais nenhum.




 

Esta história é da criação do Milorde, que acedeu ao meu pedido para inventar literalmente uma narrativa em torno das provas São Silvestre. O meu muito obrigado por esta primeira parte deliciosa. Falta a segunda...

20
Dez21

Uma vitória do corona


João Silva

Não podemos ficar reféns do bicho. Identifico-me totalmente com isso e, sempre dentro da manutenção das medidas de segurança, tenho procurado fazer algumas coisas que me davam prazer. 

Foi por isso que fiz uma prova no dia 08 deste mês. E senti-me seguro. 

O que mudou desde esse dia até ao dia 18, em que tomei a decisão de não correr na São Silvestre de Coimbra?

Era uma prova tão especial para mim, mas, a dada altura, comecei a ter medo de sair de lá infetado.

Esse medo apareceu quando soube que seriam mais de 2000 pessoas.

Esse medo cresceu depois de saber que um bom amigo tinha apanhado COVID dois dias antes.

Esse medo tornou-se insuportável quando me caiu a ficha a dois dias da prova e percebi que, se ficasse infetado, perderia o Natal com os meus e um evento familiar muito especial que vai ter lugar dentro de 20 dias.

Mas foi o medo que me fez desistir. Não tenho problemas em admitir isso, tenho dificuldades em aceitar que isso não é uma contradição com o que defendia antes deste episódio: uma criação de uma nova normalidade em que não ia deixando de viver, mesmo com medidas de segurança.

Andei às voltas na minha cabeça até ter tomado a decisão de não ir. Perdi o dinheiro da inscrição e abdiquei de lá ir levantar a camisola no dia anterior. 

E, por estúpido que pareça, admito que pensei no que pensariam algumas pessoas de mim. Sei que me acharam fraco. É um erro fazer isso, mas foi inevitável para mim. 

E pronto, lá fiquei por casa, junto dos meus. Não fui para o meio da multidão. Para alguns é uma coisa óbvia, para mim, foi muito custoso por se tratar de uma das provas que mais queria fazer. É a segunda vez em três anos que desisto de participar numa São Silvestre. Caramba!

Mas como podia viver comigo se ficasse infetado e tivesse de faltar ao batizado do meu próprio filho que acontece dentro de duas semanas?!

A corrida é muito importante para mim, mas nem preciso de dizer que o meu filho é mais.

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Não fui, é certo. Mas treinei. Sozinho como sempre. Na minha vila, toda ela decorada nesta altura do ano. 

Fiz o meu primeiro treino técnico de velocidade após a lesão.

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Soube-me tão bem!

E ainda tive direito à minha São Silvestre na minha vila:

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Esta é a vantagem de se ter crescido numa família com dificuldades: como não se pode fazer tudo, aprendemos a divertir-nos com pouco. 

E tudo isto de resistir é muito bonito quando não se tem nada a perder... Não era o caso...

19
Dez21

O manto sagrado


João Silva

Embora seja um "assunto de primeiro mundo", houve algo de que senti falta ao longo do último ano. Na verdade, como estive sem correr em provas reais de novembro de 2019 a dezembro de 2021, já não sabia o que isto era.

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Senti falta de vestir o "manto sagrado", a camisola da ARCD VENDA DA LUÍSA.

Nunca pensei que seria assim, mas a verdade é que a camisola é um elemento identificativo de uma comunidade, de um grupo. E é disso que sinto tanta falta. E foi por isso que fiz questão de só usar a camisola oficial em treinos muitos especiais ou em provas virtuais. Porque esta camisola é especial. 

Foi uma senhora espera pela primeira prova oficial com ela vestida!

Lamechices de primeiro mundo. Ainda assim, faltas que nos tiram pedaços da realização pessoal!

18
Dez21

Um plano diferente


João Silva

Sentir que se estagnou e que não se sai da cepa torta é algo muito desconfortável, porque o fracasso e o falhanço estão ali mesmo ao virar da esquina.

Mas isto tem um lado bom: obriga-nos a fazer algo. Pelo menos a mim.

No segundo semestre de 2021 procurei começar de novo, reinventar-me. Sem tecer comentários à aplicação efetiva dos novos métodos, passo a explicar detalhadamente o que fiz:

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A prova a preparar foi a maratona do Porto em novembro.

O plano assentou numa evolução gradual de 12 semanas com 3 semanas intervaladas de recuperação e com o mês de outubro a funcionar apenas como "trampolim macio" para novembro.

Na primeira fase: 4 semanas com 7 treinos por semana. Treinos técnicos de fartleks à terça, de VMA à quinta, saídas médias/longas ao sábado e longas/muito longas ao domingo. As segundas, as quartas e as sextas funcionaram como treinos de recuperação a uma velocidade muito baixa.

No fim de cada sessão, 10 minutos de reforço muscular de diferentes grupos.

No caso dos fartleks, 8 sessões de 4 minutos a um ritmo mais elevado e 1 minuto de repouso. Um dos fartleks feito em subidas/rampas longas.

Já para a VMA, comecei por 10 repetições de 2 minutos de velocidade máxima e 2 minutos de recuperação em trote.

Os fartleks e as VMA foram antecedidos de um aquecimento de 20 minutos.

Já para as saídas longas, a de sábado, de 02 a 02h15. As de domingo, de 02h30 a 2h45.

Depois destas 4 semanas, o primeiro período de recuperação ativa para assimilar tudo. Com um ritmo muito mais baixo e os treinos de fim de semana a não poderem exceder as 2 horas máximas. Dadas estas especificidades, privilegiar a técnica de respiração e de passada (joelhos altos, passada aérea).

No segundo bloco de 4 semanas, dias específicos mantidos, mas aumento da dureza: fartleks com 10 sessões de 5 minutos em ritmo alto e 1 minuto de ritmo mais baixo. Tentar fazer 2 sessões em plano inclinado. A VMA também muda e passa a 12 sessões de 2'30'' em velocidade máxima e 2'30" a trote.

Quanto aos treinos longos, 2h15 a 2h30 aos sábados e 2h45 a 3h00 aos domingos.

Nova semana de recuperação e nova semana de correção da respiração e da passada.

Chegamos ao último bloco de quatro semanas: mantemos as tipologias específicas mas mudamos a intensidade.

Os fartleks passam a 8 sessões de 6 minutos a um ritmo elevado e 1 minuto a um ritmo mais baixo. 2 sessões continuam a ser efetuadas em terrenos inclinados.

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As sessões de VMA mantém-se nas 10 repetições, mas passam à relação de 3 minutos no limiar máximo e outros tantos a trote.

Nas saídas longas, a dos sábados continua a não passar as 02h30. A dos domingos sobe para 03h00 e no último domingo deste bloco de 4 semanas há treino completo da distância da maratona.

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Terminado este bloco, surge mais uma semana de recuperação ativa com incidência na passada e na respiração.

O restante tempo até ao dia da maratona é passado apenas em modo de gestão, com treinos simples, sem oscilações de ritmo e com uma sessão de 2 minutos de velocidade máxima até faltar uma semana para o grande dia.

 

 

17
Dez21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Como em tudo, é preciso matéria-prima para criar conteúdo. É com enorme gosto que trago mais uma entrevista de uma atleta. 

Sim, hoje temos uma entrevista a uma mulher que dá cartas nisto a que chamamos de corrida. 

É curioso que a primeira impressão que tive dela era que se tratava de uma mulher dedicada, no caso, à corrida. À distância, vejo hoje que também é uma enorme apreciadora de desporto de um modo geral. Aliás, é talvez a primeira pessoa a vincar bem o peso do reforço muscular no processo evolutivo de um corredor. Revejo-me inteiramente nisso.

É de pessoas assim que vive este espaço. 

Olhemos, pois, para a entrevista da Célia Santos.

Nome

Célia Maria Figueiredo dos Santos

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Foto: trail dos Abutres, 50 km  

· Idade

46 anos

· Equipa

ARCD Venda da Luísa

· Praticante de atletismo desde

2015

· Modalidade de atletismo preferida

Trail

· Prefere curtas ou longas distâncias

Longas distâncias

· Na atual equipa desde

2016

· Volume de treinos por semana e importância dos treinos

A gestão dos treinos é de extrema importância. Não se trata apenas do volume de treino, mas também do tipo de treino e do respeito pelos períodos de descanso. Passando ainda pela alimentação. O treino tem que ser adaptado a cada individuo, às suas característica e objetivos. Não existem receitas milagrosas.

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Foto: 111 km no Trail de Sicó

· Se tem ou não treinador

Sem treinador oficial. Treinava com colegas, alguns deles com muitos anos de experiência na modalidade.

· Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Não me considero uma atleta no verdadeiro sentido da palavra e tão-pouco sou conhecedora profunda da modalidade. Mas, na minha opinião, houve uma grande evolução no mundo do trail. Desde a oferta e escolha do equipamento aos programas de treino consoante os objetivos de cada um e exigências de cada prova, isto em relação à parte técnica. Ainda há atletas sem planos de treino ou algum tipo de acompanhamento, mas a maioria já demonstra essa preocupação. 

Relativamente à parte relacional, acho que se tornou numa modalidade mais competitiva em geral. Obviamente cada atleta parte para a prova com os seus objetivos, sejam eles competitivos, lúdicos ou ambos, mas, nas ultimas provas que fiz, notei uma maior preocupação com os “tempos” e as classificações. A camaradagem é menos “calorosa”.

Por último, relativamente às organizações, acho que há uma maior preocupação quer com a satisfação quer com a segurança dos atletas. Como em tudo, há exceções…

· Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Casos insólitos, lembro-me de um, em que fui para uma prova e deixei o camelbak com todo o material obrigatório em casa. Só me apercebi quando lá cheguei. A solução foi passar no check-in com material de outro colega de equipa e depois fazer a prova sem nada e rezar para que tudo corresse bem. E correu!

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Foto: Louzantrail

· Aventura marcante

Aventura mais marcante foi sem dúvida a minha primeira ultra – 50km no Abutres. Foi épico! Foi a preparação para a minha primeira prova de 3 dígitos. Fiz a prova em grupo, o que foi uma mais-valia, pois era a primeira vez numa distância tão longa, num terreno difícil e no inverno. Posso dizer que foi um desafio superado e que ainda hoje tenho um especial orgulho e guardo com carinho a T-shirt daquela prova.   

· Participação em prova mais longa

A prova mais longa que fiz foi os 111km de Sicó. Fiz por 3 anos consecutivos, também esta em grupo e conseguimos todos os anos melhorar o tempo de prova.

Tudo começou com uma brincadeira, um desafio lançado entre colegas. No início, nem eu acreditava ser capaz. A verdade é que os treinos foram acontecendo, a vontade de conseguir foi aumentando e, no final, era um compromisso assumido e, pelo menos teria que tentar. 

No segundo e terceiro anos, a confiança já era outra, a preparação também, foi só rolar… um km de cada vez. Se tenho vontade de repetir? Nem por isso… já não há o efeito surpresa.

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Foto: Trail do Piódão

· Objetivos pessoais futuros

Estou há dois anos sem participar em provas. De momento, os meus objetivos não passam pelo atletismo. Passam, sim, por manter níveis de atividade física que me permitam ter um estilo de vida saudável.

Como complemento aos treinos de corrida, inscrevi-me num ginásio. Recomendo a todos os atletas que o façam, não só porque irão conseguir melhores resultados, mas também para prevenir lesões que possam advir de um treino excessivo e muitas vezes não acompanhado por profissionais. A meu ver, o reforço muscular, a correção postural, a gestão do esforço e o descanso são tão importantes como os treinos de corrida propriamente ditos.

Todos conhecemos alguém que, do nada, se lembrou de começar a correr. Muitas vezes, pessoas que nunca praticaram nenhum desporto até à data e, de um dia para o outro, compram umas sapatilhas e vão correr. Nada contra! É de louvar tal atitude e, como sempre ouvi dizer, mais vale tarde do que nunca.

O problema é quando este processo é feito de forma desregrada e sem consciência dos problemas que podem surgir.

Quem já passou por este processo, sabe o bom que é conseguirmos superar-nos treino após treino e cada vez temos mais sede de kms e de os fazer rápido. Mas para evitar dissabores, o corpo tem de estar preparado. Ossos, músculos, articulações, sistema cardiorrespiratório têm de estar preparados para dar uma resposta eficaz, sob pena de sofrerem lesões se assim não for. Daí a importância de complementar os treinos de corrida.

No fundo é esta a mensagem que eu gostaria de passar. Atletas, treinem bem, com consistência e consciência. Treinar não é só sair por aí a fazer kms. 

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Foto: Picos do Açor

· Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Não sei como vai estar o atletismo daqui a 5 anos, mas faço votos que seja praticado por atletas bem preparados, com boa perceção corporal e muito foco.

· Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?

Acho que já não há assim tão poucas mulheres no atletismo. Temos vindo a verificar um aumento no número de mulheres em provas, inclusivamente, nas longas distâncias.

Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?

Pessoalmente nunca senti diferença de tratamento por ser mulher.

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Foto: Estrela Grande Trail

Como é que a COVID afetou a evolução como atleta?

A Covid veio alterar muitas das nossas rotinas, uma delas era treinar em grupo. Onde mais me senti afetada foi com o encerramento dos ginásios. Tive de me adaptar, comprei material e treinei em casa, através das aulas virtuais que o ginásio nos proporcionava e também com programas de treino que procurei na Internet. Não era a mesma coisa, mas foi o possível. Parar não era opção.

O que mudou nas provas com a pandemia? Essas mudanças são boas para a modalidade?

Não sei responder às últimas questões pois não participei em nenhuma prova pós-pandemia.

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Foto: Complemento aos treinos de corrida 

Em jeito de conclusão, gostaria de passar a seguinte mensagem:

“É importante fazer algo que se gosta, mas é importante fazê-lo bem. “

15
Dez21

A distância de sonho


João Silva

Um dos bons aspetos de se adorar correr grandes distâncias está na necessidade de ir aumentando a fasquia.

Não sei quando será, sei que não acontecerá em 2022, mas alimento um sonho que vai exigir muito de mim: correr 100 km em estrada.

Ainda não pensei em locais nem em percursos. Terá de ser algo bem programado e muito bem trabalhado. Uma missão que vai exigir um grande acompanhamento, provavelmente, de familiares. 

Sei que antes dos 100 km, terá de vir uma corrida de 75 km.

Ainda não sei muito nem tudo o que precisarei de fazer (e sofrer), mas sei que vai ter de acontecer. 

Dê por onde der.

Correr 100 km em estrada é um sonho à espera de concretização!!

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14
Dez21

A prova de eleição


João Silva

Terminada a exposição das diferentes formas de correr em cada distância em estrada, venho revelar-vos aquela que é a prova de eleição.

Antes disso, digo o seguinte: para mim, não há melhor prova do que uma maratona. Realiza-me genuinamente. É a resistência humana na sua condição mais pura (sem ir para outros palcos ou contextos). Esse desafio e a disciplina por detrás da preparação de uma maratona são algo que não se encontra nas outras distâncias mais típicas da estrada.

No entanto, em termos de resultado final e de "trabalho para obter tempos", sou obrigado a reconhecer que a meia maratona é a prova perfeita: tem uma grande distância, conta com muitos participantes, requer resistência e gestão de aspetos como abastecimentos e quebras de ritmo. O seu maior trunfo é não ser excessivamente longa. Por exemplo, numa maratona, o corpo fica imensamente desgastado a partir dos 30 km. A produção de lactato leva à perda de capacidade.

Ora, numa meia maratona é possível antecipar e impedir tudo e recuperar rapidamente o ritmo. Além disso, oferece a possibilidade de fazer mais oscilações de velocidade, o que ajuda a um melhor desempenho global.

Como não há o sofrimento extremo, o corpo fica mais livre para gerar nova energia na cadeia de movimentos.

Adoro esta distância precisamente por me parecer equilibrada. Fazer um bom tempo é uma realidade mais próxima.

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12
Dez21

Como correr 42 km


João Silva

Falar sobre a distância da maratona é algo que me agrada imenso. Este é o tipo de prova onde me enquadro mais.

Antes de falar na melhor forma de a correr, aponto o tipo de corredores para esta distância.

Desde logo, profissionais já bem habituados a estas andanças, depois, amadores com muita experiência no atletismo e conheçam bem o seu corpo, de seguida, atletas que já tenham experimentado pelo menos uma vez o meio fundo (21 km). Os curiosos também podem experimentar, mas diria que devem ter um acompanhamento por parte de alguém que já sabe o que é correr 42 km. Deixo para o fim as pessoas que se querem transcender e que pretendem fazer da maratona uma prova de vida.

Em termos de abordagem, a meu ver, o primeiro passo é respeitar a distância e encará-la como uma barreira, porque o será, embora também seja transponível.

O passo seguinte é adotar um plano de treinos com uma base mínima de 12 semanas para levar o corpo num brinquinho.

Ajuda perceber o tipo de abastecimento que se quer fazer e em que altura da prova.

Em relação às corridas em si, entendo sempre que a maratona é para começar devagar e acabar "depressa" (= bem animicamente).

Uma enorme parte da prova é o lado psicológico. É decisivo acreditar que é possível, mas também é fundamental saber aceitar os sinais do corpo. Este jogo de respeito ajuda imenso. A partir dos 30 km, é só a cabeça que corre.

Não pensar no número de quilómetros em falta também ajuda imenso, pelo menos, a mim. De vez em quando, lá penso que "só" faltam x km. A mim ajuda, mas não o posso fazer sempre.

Por último, ter uma boa resistência é fundamental. O corpo vai precisar dela. E também vai precisar de alegria no que se está a fazer para se chegar à meta.

Seja como for, a chave é a crença de que se vai conseguir

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10
Dez21

O regresso às provas (vídeo e fotos)

Corrida 4 estações - Venda da Luísa


João Silva

Dois anos e um mês depois, voltei a correr numa prova. De um modo geral, nota-se entre as pessoas que houve uma rotura com a dinâmica do passado, mas falarei nisso noutra altura. 

Em termos pessoais, depois de dois meses sem correr devido a lesão e com apenas.um mês de regresso a um ritmo lento, a divisa era levar tudo com calma. Não consegui, porque estes ambientes pedem transcendência.

Falarei disso mais tarde, mas posso dizer que o corpo me surpreendeu imenso. Esteve sempre muito estável e aguentou todos os esticões, como se pode ver aqui:

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Mas estas análises ficarão mais para adiante.

Por agora, deixo algumas memórias boas da prova.

Em imagens:

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Esta última foto foi uma cortesia do fotógrafo Ivo Carrito

E em vídeo (no canal do YouTube)

 

 

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