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Tira o rabo do sofá

Em 2016 era obeso. Hoje sou maratonista com 8 maratonas e mais de 70 provas. Partilho histórias, dicas para iniciantes e motivação diária para te ajudar a perder peso e sair do sedentarismo. Tira o rabo do sofá!

Tira o rabo do sofá

Em 2016 era obeso. Hoje sou maratonista com 8 maratonas e mais de 70 provas. Partilho histórias, dicas para iniciantes e motivação diária para te ajudar a perder peso e sair do sedentarismo. Tira o rabo do sofá!

Tira o Rabo do Sofá

O que dizem as minhas sapatilhas

09.09.21

Assim para o francamente estranho


João Silva

O ano já vai bem longo.

Como esperado, começou mal para todos e obviamente que há muitas coisas piores do que um tipo que corre e que não consegue chegar onde quer.

Ainda assim, tem sido um ano muito complicado e aquém do que esperava.

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O primeiro trimestre de 2021 trouxe-me uma dura realidade de treinos a um ritmo muito baixo. Nunca me consegui desenvencilhar verdadeiramente dos problemas musculares que fui tendo por causa do excesso atividade. 

Desde logo, foi tudo obra de cansaço e de incapacidade para parar nos momentos certos.

Nada tenho a dizer do volume. Dificilmente conseguiria meter mais quilómetros nas pernas e dificilmente isso seria produtivo, se é que assim já o é (não é). Por outro lado, a quantidade foi uma forma de ludibriar a falta de capacidade para me centrar nos aspetos técnicos.

Poderia dividir o primeiro semestre em duas grandes fases, a primeira de janeiro a abril e a segunda de maio a junho.

Na primeira parte, como disse e se vê, corri muito e sempre acima dos 600 km. 

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Porém, o final de abril marcou o alcançar dos 50 km e, com isso, algumas mazelas físicas devido à minha falta de descanso.

Já tinha previsto que o mês de maio seria de recuperação, mas, uma vez mais, entusiasmei-me e abusei. O corpo deu logo conta de si com grande estrondo. Cheguei a correr com fortes dores numa das virilhas e não conseguia correr muito. 

Mas o que é um "azar" pode virar uma grande sorte. 

O mês de maio foi um mês que serviu para aprender a mudar a postura e o pé de apoio.

Por força das dificuldades de sono do Mateus, passei a correr menos, sobretudo, ao fim de semana, daí a descida do volume de quilómetros.

Por outro lado, valha a verdade: o estado físico em que me encontrava não me permitia correr 3 h em cada dia de fim de semana do dito mês. Portanto, este "mal" também me devolveu alguma frescura física.

Essa frescura começou a surgir efeito em junho. Na segunda quinzena do mês, consegui várias vezes atingir bons níveis de treino. Houve dias em que cheguei ao fim todo rebentado mas com uma enorme sensação de prazer e felicidade.

Valha a verdade, tudo o que correu mal nos primeiros quatro meses do ano serviu de mecanismo impulsionador para despertar em mim a esperança de que voltaria a correr uma maratona oficial.

Veremos se assim é!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

07.09.21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Novo mês, nova entrevista.

Desta feita, uma mulher. A verdade é que são cada vez mais as mulheres a participar em provas de corrida.

Hoje trago uma mulher da ARCD Da Luísa. Mas não é uma mulher qualquer. Tem fibra. E garra. De fora, a sensação que dá é que semana após semana está a subir aos pódios. Mesmo tendo sido "abalroada" por uma lesão durante cinco meses.

Além da participação em muitas provas, tem outro traço marcadamente distintivo em relação a todos os outros atletas: não há corrida que faça sem a companhia da sua cadela, a sua Princesa, como lhe chama. É ainda a sua melhor amiga e tem um canal próprio de Instagram,  "Princesa do Sicó".

Fiquem, pois, com as respostas da Andreia Pita às minhas questões.

Nome
 
Andreia Pita
 
· Idade
 
41
 

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Foto: UTG Gardunha, os primeiros 25 km

· Equipa
 
ARCD VENDA DA LUÍSA
 
· Praticante de atletismo desde
 
Outubro 2019.
Sempre gostei de praticar desporto, em miúda, saltava ao elástico, jogava à apanhada, polícias e ladrões, eixo, "pónei catrapónei", gostava imenso de andar "uma volta" de bicicleta, mas o meu passatempo preferido era subir e descer o rio dos Mouros, pedra sobre pedra! 
 
Na adolescência, praticava karaté, fui federada em futebol 5 e adorava ginástica acrobática, pinos e pontes, salto mortal e cambalhotas!
Gostava de todos os desportos mas correr é que não!
Lembro-me que quando, em Educação Física, o professor mandava correr 15 ou 20 minutos para aquecimento, eu passava o tempo todo a apertar os ténis!
 
Em adulta comecei a frequentar o ginásio, nunca corri! 
 
· Modalidade de atletismo preferida
 
Trail Running
 

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Foto: trail Estrela Açor

· Prefere curtas ou longas distâncias
 
Médias (risos)
 
· Na atual equipa desde
 
Acho que meados de  2019, mas, como me inscrevi a meio da época, não fiquei atleta federada.
 
· Volume de treinos por semana
 
5, 6 ou 7...depende, se tenho provas, da vontade e da disponibilidade horária, se bem que mesmo com pouca disponibilidade horária acabo sempre por arranjar tempo para treinar. O importante é ter foco e vontade de evoluir. 
Os treinos além de nos fazerem evoluir, também nos proporcionam momentos de socialização, sim, porque, tento sempre correr em grupo! 
Não gosto de treinar sozinha! 
 
· Importância dos treinos
 
Sem dúvida que são muito importantes, nada se consegue sem empenho, dedicação e objetivos. 
Aprendi que o treino orientado nos faz evoluir e, sem dúvida, evita lesões.

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Foto: trail de Sicó 2019

 
· Se tem ou não treinador
 
Sim tenho, Raquel Carmo, a minha "Princesa" e o Tito! 
Como havia referido, comecei a correr muito recentemente, talvez em setembro ou outubro de 2018.
Fiz o meu primeiro trail em fevereiro de 2019, "Poiares 19 km".
Depois desse nunca mais parei:
Sicó 15 km
Piódão 12 km - primeiro pódio 2.a na geral feminina
Milagres 15 km
Pereira 15 km
Infante 17 km
Requeijão 15 km  no dia dos meus anos (13 de abril) - andei à procura de um trail para este dia e fiz o 2.° pódio
Azenhas 21 km
UTG (Gardunha) - foi o meu primeiro com a distância de 25 km, adorei! 
Castellum trail 25 km
Estrela Grande Trail 15 km (pódio)
Estrela Açor 22 km
4 estações venda da Luísa 13 km
Chicharro 12 km
Ladeia 28 km, que na verdade foram 30,800 km  (ficou perplexa) - foi a distância mais longa que fiz, estava fartinha de subir tanto monte: Germanelo, Jurumelo, credo! Foi uma prova muito difícil para mim e marcante, porque foi a última antes de me lesionar (revelou desalento) mas fiz pódio.
Em novembro de 2019, lesionei-me no trail "Caminhos do Diabo". Fiz uma contusão óssea no fémur. Estive parada 5 meses.
Esta lesão foi o caos para mim!
Depois de ter descoberto uma modalidade fantástica, o "Trail", depois de finalmente perceber que gostava de correr, tive de parar.
Não foi nada fácil, andei um mês de muletas, quatro meses a mancar. Após cinco meses de convalescença, entre médicos e fisioterapeutas, ressonâncias, medicamentos, infiltração, recuperei.
Em abril, comecei a pouco e pouco a treinar em casa, acompanhada online pela minha PT Raquel Carmo.
Fazia treino funcional, caminhadas, bicicleta e aos poucos comecei a correr.
Percebi que o treino deve ser acompanhado e orientado! Não pode ser só correr, temos de fazer Reforço muscular, Mobilidade, Core, Isometria par evitar lesões.
Desde essa altura que tenho PT e sem dúvida que evoluí. 
 

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Foto: trail de Ladeia, o mais longo até ao momento

 
· Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual
 
Não sei bem. Nunca tinha praticado esta modalidade, no entanto, acho que evoluiu bastante!  Ultimamente só se veem pessoas a correr, acho que está na moda! Também pode ser pela sensação de liberdade, sair para a rua e correr é uma sensação fantástica que só quem pratica percebe! Tantos meses em confinamento deu ainda mais vontade de ir para a rua correr!
 
· Histórias insólitas, curiosas ou inéditas
 
Quando fiz o meu primeiro pódio (risos)'
estava a chegar à meta e o speaker Hugo Águas começou a gritar "e aí vem a segunda mulher, aí vem ela" eu comecei a olhar para trás a tentar ver a mulher e não vi ninguém! Quando cheguei à meta, a mulher era eu. (risos)
 

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Foto: trail Oh Meu Deus 2021
 
· Aventura marcante
 
Sem dúvida o UTG Gardunha. Foram os meus primeiros 25 km, rodeada de uma paisagem fantástica, entre montes e cascatas, trepámos tanto (risos), andámos praticamente sempre de gatas! Nunca vou esquecer que encontrei um atleta sentado numa grande pedra a comer massa. (risos)
 
· Participação em prova mais longa
 
Ladeia 30,800 km 
 
· Objetivos pessoais futuros
 
Continuar a evoluir, em segurança, sem lesões e principalmente divertir-me, usufruir das paisagens maravilhosas que só o Trail proporciona! 
 
· Como vê o atletismo daqui a 5 anos
 
Se até aqui tem evoluído, acho que, a avaliar pela quantidade de atletas,  daqui a 5 anos irá ser reconhecido e quiçá até passará a estar nas olimpíadas!
 
· Como se vê no atletismo daqui a 5 anos
 
Vejo-me com 46 anos (perplexidade e incredulidade), mais experiente e quem sabe a fazer ultramaratonas.
Um ano de cada vez! 
Este ano estou a fazer o Campeonato Longo da ADAC e ATRP! 
 

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Foto: trail Encostas do Mondego 2021
 
· Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias?
 
Na verdade, existem mais homens que mulheres a fazer Trail, no entanto, cada vez há mais adeptas femininas! Este ano, tenho visto muitas mulheres em provas e tende a aumentar! 
Quanto às longas distâncias, o homem sempre foi mais aventureiro, no entanto, há cada vez mais mulheres a superarem-se e a praticarem longas distâncias! Na equipa, temos várias guerreiras de longas distâncias.
 
· Existem diferenças de tratamento em relação aos homens?
 
Não vejo qualquer diferença! Não temos vantagens, nem privilégios!
Somos todos iguais e tratados como tal! 
 
. O que mudou com a pandemia?
 
Começaram mais atletas a correr, já que era a única hipótese de saírem de casa sem ser multados! 
Quanto às provas, temos de assinar um termo de responsabilidade em como não temos Covid e não começamos todos ao mesmo tempo!  Somos distribuídos em boxes de 10 pessoas e de 2 em 2 minutos! 
 
. Já participou em provas reais desde a pandemia?
 
Se já! 
Estava ansiosa por voltar aos trilhos! 
Depois da lesão, veio o confinamento e o cancelamento das provas.
Participei logo na primeira!
No VII Trilho de S. Tomé! 
 
03.09.21

O João tem duas vidas, porque se recusou a ter pena!


João Silva

18.57 de 31 de Dezembro de 2019, momento em que corto a meta na sempre excitante São Silvestre da Amadora, uma vez mais repleta de entusiástico público que nos faz sentir, do primeiro ao último, especiais. A melhor maneira de terminar um ano!

Encerrava assim a minha 14ª época de corridas. 14 anos onde participei em 466 provas, entre as quais 65 Meias-Maratonas e, a coroa de glória, 13 Maratonas concluídas. Mas se posso colocar estes números, outros há impossíveis de quantificar, com especial realce para o sempre presente prazer de corrida.

Nunca em 14 anos tive a mínima falha de motivação, sempre focado ao máximo em correr e retirar todo o prazer daí inerente, tornando-o em algo de fundamental na minha vida.

Mas às 18.57 desse dia, e a rodear-me de amigos para as habituais trocas de impressões, nenhum destes números em jeito de balanço estavam presentes. O olhar estava inteiramente direcionado para o ano que iria começar dentro em pouco e nos objectivos que idealizava, entre os quais, e aguardadas com muita expectativa, as Maratonas de Madrid e Málaga e nos dois anos seguintes a de Berlim e a que mais desejava fazer, após ter cumprido o sonho de correr em Paris, a Maratona de Loch Ness.

Impossível era de prever o que o ano que estava prestes a iniciar iria trazer para todo o planeta. E em termos pessoais, a notícia que nunca pensaria. Sempre me via a correr pelo resto da vida fora. Até gracejava dizendo que ainda iria fazer uma Maratona aos 100. O que não sabia é que nessas 18.57 do último dia do ano de 2019 as corridas tinham acabado para mim!

No início de 2020, no joelho esquerdo e vinda do nada, uma dor persistente e incapacitante de correr. 

Tentei várias abordagens e entendidos na matéria, tendo acabado por ir parar a um ortopedista especialista em joelho. Com um movimento na perna, desde logo apercebeu que havia uma rotura horizontal no menisco interno. Algo que uma ressonância magnética confirmou. E pelo que se via, uma avançada condropatia, o maior problema. 

Inevitável a intervenção cirúrgica, com a esperança bem presente de que estava a passar apenas por um interregno na corrida e que cerca dum mês depois recomeçaria.

Conheço quem tivesse o mesmo, antes da operação ter sido avisado que as corridas tinham acabado mas durante a mesma o médico constatar que afinal o estrago não era tão extenso como o exame tinha dado a entender, o que permitia a continuação do desporto que nos apaixonou. Infelizmente, comigo sucedeu o inverso. Durante a intervenção, na qual estive acordado e a ver as imagens no ecrã, o médico avisou-me que as cartilagens tinham acabado e que não poderia ter mais impactos. Mas como para mim era tão inverosímil o ter que deixar a corrida, fiquei na firma esperança que tudo iria passar e voltaria ao mesmo.

No fundo, qual o problema? Segundo se viu, esta rotura já teria talvez um par de anos mas sendo interna e horizontal, não se manifesta em qualquer tipo de dor. Terá sido provocada por alguma batida forte, talvez nalgum bico de mesa ou similar. Nunca senti qualquer dor, por isso corri como sempre pois não poderia imaginar o que se passava. E o que provocou a rotura? Serviu como espécie de lixa nas cartilagens. Cartilagens que não têm terminais nervosos, daí também não sentir nada. Foi desgastando, desgastando, desgastando, até que ao dar completamente cabo delas, surgiu a dor. Por outras palavras, nada poderia ter evitado pois nada sentia de errado.

Passados dois meses após a cirurgia, fui infiltrado e sempre me agarrei à firme esperança que esta acção resolvesse tudo e recomeçasse a correr. Não queria acreditar no desfecho! (abro aqui um parêntesis para explicar que a intervenção poderia ter sido efectuada um mês após a cirurgia mas a operação foi realizada no último dia possível antes de entrarmos no primeiro e completo confinamento, onde praticamente tudo fechou e só foi possível no mês seguinte).

Por mais avisos que o médico fizesse para esquecer a corrida e eu recusar aceitar, dois dias após a infiltração, e com o resultado da mesma, caí em mim. Não conseguia mais correr! Não havia mais a mínima hipótese, tudo por culpa do impacto. Não consigo ter qualquer impacto com esta perna. 

Foi dura, muito dura esta constatação! Quem conhece-me sabe a dor que foi o ter que abandonar algo que tanto amava! E a 27 de Maio escrevi no blogue o artigo que mais me doeu, o anúncio do abandono forçado. 

Entrei num necessário luto mas rapidamente percebi ser obrigatório arranjar alternativas. Parar é que não! Mas sem possibilidade de impactos, o leque fica muito reduzido. 

Lembrei-me de caminhadas e inquiri o médico. Respondeu que o melhor para o joelho é não parar, mexer o máximo que se puder e caminhadas eram uma boa opção, desde que cumprisse três regras: 1ª Calçado com o melhor amortecimento 2ª Usar uma joelheira própria para estes casos 3ª Não andar em pisos irregulares.

Como os sapatos de corrida tinham o melhor amortecimento, apenas faltava a dita joelheira que logo adquiri. E a 31 de Maio, apenas 4 dias após o doloroso luto, comecei a caminhar. Sem olhar para trás.

É muito curioso como mudamos consoante as circunstâncias. Bastas vezes ouvia “um dia que não possa correr, caminho” e pensava que para mim isso não fazia sentido. Correr era tudo, caminhar não. Mas isto era a pensar de barriga cheia. Quando me apanhei sem poder correr e apenas a restar-me a caminhada, passei a encará-la de forma diametralmente oposta.

E comecei então a dedicar-me à caminhada com o mesmo empenho que à corrida. Sem faltar e a colocar objectivos e planos. E se de início estava muito perro, fui-me soltando e a melhorar cada vez mais a distância e a velocidade, alcançando ritmos que não imaginava ser possível, como fazer um quilómetro a caminhar em 7.27 ou dez à média de 7.57, ou aguentar quase 4 horas e meia a uma média de 8.36

Como é evidente, cedo apareceu um objectivo maior. A Maratona sempre foi uma paixão muito especial, aquela a que dedicava tudo. Impossibilitado de tornar a entrar nessa prova tão marcante e que proporciona sensações únicas, logo idealizei fazer os 42.195 a caminhar, o que sucedeu no início do ano, com a surpreendente marca de 6.27.55 E em Outubro repetirei a dose.

Para quem corre, estes objectivos e esta dedicação a simples caminhadas, podem parecer filhos dum deus menor, mas para mim é tudo pois é o que posso praticar. O que não posso de modo algum fazer é olhar para trás e ver tudo o que perdi com este problema. Existem apenas duas hipóteses, ou passar a vida a lamentar o que deixei de poder fazer ou agarrar-me ao que está ao meu alcance.

Assim, continuo a ser e fazer o mesmo, com a diferença de não correr mas caminhar, além de não entrar em provas.

O estar sempre a desafiar-me para ir mais além no que posso fazer? Deixem-me ser feliz assim!

E exorto a todos que deixaram de poder fazer fosse o que fosse, a tentar sempre mitigar essa ausência com algo a que se possam agarrar. A vida é muito curta para a desperdiçarmos com lamentos e pena de nós próprios. Temos em nós a força de virar a bússola a qualquer momento. Haja vontade e capacidade de mudança!

  

Este texto foi escrito pelo João Lima, um homem que muito admiro pela paixão que nutre por maratonas e por me mostrar que a vida não acaba com obstáculos. Foi uma honra poder ter aqui este testemunho. Concedendo ao texto a importância que ele tem, voltarei ao ritmo habitual de publicação do blogue no dia 07 de setembro. Entretanto, passem também no blogue deste homem mais duro que o aço: 

http://joaolimanet.blogspot.com/?m=1

01.09.21

Desliga o frontal!


João Silva

Do nada, vejo um vulto castanho a correr em direção a mim e paro!

Faltavam cinco minutos para as seis da manhã e o cão veio disparado da casa que dista a uns 300 metros da minha pessoa.

Na casa, o dono gritava a chamar o cão, que se lançava a mim de cada vez que tentava dar meia volta e sair dali a correr.

O dono pedia-me para parar e parado já eu estava, sempre a tentar perceber como me podia defender em caso de ataque. Nem a dona, que saíra entretanto da casa, demovia o cão.

Até que o dono grita que o cão tem medo da luz e me pede para desligar o frontal. Fiz o indicado e o cão voltou para trás. Que alívio. 

Nisto dou meia volta e ouço o dono: "podes passar por aqui". 

"Vou à volta"... 

E fui, com um susto dos diabos... 

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