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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

30
Ago21

Mais um viciado


João Silva

Há dois dias falei-vos num vídeo de YouTube de Ben Parkes com dicas para abordar uma maratona.

Pois bem, hoje trago-vos a página do homem. É que este britânico é uma verdadeira mina de conhecimento.

E partilha-o, de forma gratuita ou paga, no seu site mas também no YouTube.

Uma das páginas do site que me chamaram a atenção foi esta:

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Até planos adaptados tem para os desejos de cada um, tendo por base o número de treinos que cada pessoa consegue fazer.

Acho que vão gostar. Ainda por cima, o conteúdo está em inglês.

 

28
Ago21

Como correr uma maratona aos olhos de um especialista


João Silva

Há muitas teorias, algumas balelas e muitos mitos sobre como correr uma maratona.

Depois há quem percebe da poda, porque passa pela experiência.

Sim, mais do que uma corrida, falamos de uma experiência.

É o caso do atleta Ben Parkes, britânico que vos apresentarei dentro de uns dias. 

Como criador de conteúdo, teve a fantástica ideia de dar dicas e sugestou sobre como correr uma maratona, seja para quem nunca o fez, seja para quem quer melhorar. 

A melhor marca dele nos 42 km anda nas 2h25. Nesta maratona do vídeo, fez 2h55.

Ainda assim, não "impinge" essa marca, não dá dicas com esse propósito. Procura, isso sim, tornar fácil aquilo que é duro. 

Digam de vossa justiça. 

 

26
Ago21

Vamos lá a isso?


João Silva

O ano não tem corrido bem. Não esperava um ano louco de retoma, mas confesso que não perspetivava tanta incerteza ainda nesta fase.

Já estou vacinado há algum tempo e desde então que me começou a morder o bichinho da competição. De tal forma que penso seriamente em fazer a maratona do Porto. Na verdade, já estou a trabalhar para isso desde a segunda metade de junho, sempre sem saber quando seria vacinado e se teria coragem para estar presente nessa multidão. Porque, na verdade, aqui é que está o meu problema, conseguir sentir-me bem e seguro no meio de tanta gente.

A organização ainda não informou se haverá lugar a cancelamento, pelo que, face ao atual ponto de desconfinamento, tudo se encaminha para a realização da prova. 

Sem saber se terei capacidade mental para enfrentar este receio de multidões (que, normalmente, não cumprem regras), continuo a treinar com a secreta certeza (muito duvidosa, de facto) de que lá estarei.

Se não for, será uma enorme pena e fica a frustração de um ano que podia ter nessa prova o ponto alto, mas pronto. A saúde e a segurança da minha pessoa e dos meus estão acima de tudo.

Muitos poderão achar um exagero, eu chamo-lhe precaução e algum medo, confesso.

Neste momento, a cabeça manda ter prudência quanto às expectativas, mas o coração acredita que vai lá estar.

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24
Ago21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Trago-vos uma novidade nesta rubrica: um atleta que vale por três. E por que digo isso? Porque se trata de um triatleta. Pela paixão que tem pelo desporto e pelo "currículo" desportivo, este homem é um autêntico "faz-tudo". Pela dureza e pela especificidade técnica, o triatlo fascina-me (quem sabe, um dia?!).

Sem mais demoras, apresento-vos o Fernando Martins, que ainda não conheci pessoalmente, mas por quem já nutro uma grande simpatia. 

E, uma vez mais, a idade é apenas um número. 

O significado e o peso são dados por cada um de nós.

Fiquem, pois, com a entrevista ao Fernando Martins:

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Nome

Fernando Martins

Idade

63 anos

Equipa

ARDC Venda da Luísa, Cães de Caça BTT

 

Modalidade

Pratico regularmente ciclismo nas modalidades de BTT e de estrada. Ocasionalmente faço natação para tentar fazer alguma atividade física durante a semana. 

Há quantos anos pratica a modalidade? Sempre mantive uma atividade física regular. A modalidade foi-se ajustando aos meus imperativos profissionais ou geográficos. Durante a Faculdade joguei rugby na AAC e no Rugby Club de Coimbra. A corrida foi sempre uma atividade alternativa quando não podia fazer mais nada. Pratiquei Judo no ACM tendo conquistado um título nacional de veteranos. Quando estive a residir na ilha da Reunião comecei a correr pelas colinas acompanhando o desporto nacional que é o Trail. Foi lá que participei no meu primeiro Trail e participei em duas provas da Mascareignes (uma das provas da Diagonale de Fous) e na Zembrocal, provas de 67 km. Na ilha deslocava-me frequentemente para o trabalho de bicicleta, aproveitando o sol que nascia pelas 5:30 da manhã e se escondia por volta das 18 horas.

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Porquê o triatlo?

Quando regressei a Portugal (finais de 2017) a minha atividade profissional condicionou a minha disponibilidade para treinar regularmente. A alternativa foi começar a natação à hora de almoço pelo menos duas vezes por semana n(em sempre possíveis). Foi nesse momento que surgiu o desafio do Triatlo tendo conseguido fazer o meu primeiro Triatlo em 2019, na distância olímpica na Pampilhosa da Serra.

Qual a vantagem de juntar as três modalidades?

Esta modalidade ganha vantagens com o envelhecimento. Permite-nos trabalhar muito em endurance, para provas longas, fazer treinos de intensidades elevadas sem sobrecarregar as articulações, graças à natação e à bicicleta.

Como se treina na generalidade e na especialidade?

Eu treino como posso, em função do tempo disponível e das ocasiões. A gestão da atividade profissional e da vida familiar são importantes para manter o equilíbrio físico e emocional.

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Como se combina tudo para funcionar bem?

Não é fácil, com as deslocações para o trabalho, o trabalho, a família, os amigos e o cansaço.

 

Tem treinador?

Não tenho treinador porque o meu estilo de vida não me permite assumir compromissos de treino. Sem assumir compromissos, não vale a pena ter treinador. Penso nisso muita vez, mas resisto a assumir mais um compromisso.

Modalidade em que é melhor e modalidade em que não é tão bom?

A natação é para mim a parte mais difícil. Aprendi a nadar sozinho, melhorei um pouco a técnica com a ajuda de livros específicos, mas nunca tive nenhum monitor que corrigisse a minha frágil técnica. Também só comecei o ciclismo há 10 anos e fui aprendendo lentamente que a pedalagem também tem segredos e também se aprende. Do BTT à estrada foi um percurso que fiz com o prazer do esforço e da aprendizagem. Na corrida deixei de dar importância à velocidade a favor da endurance, fugi do asfalto e fui para a terra a fim de reduzir o impacto articular. Não sou muito bom em nenhuma, tenho prazer em todas, mesmo no castigo que é para mim a natação.

Existem muitas provas de triatlo em Portugal?

A federação de Triatlo tem um circuito bem organizado e intenso e há também um calendário de Triatlo Norte que organiza um circuito que se interliga com o da FPT.

E equipas?

Pouco sei sobre as equipas existentes. Pratico individualmente.

Como se escolhem as provas de treino (intermédias) para os grandes desafios?

A idade facilita-me as escolhas. A idade traz compromissos ligados à atividade profissional que condicionam o tempo livre; mas o maior condicionante à participação em provas é a necessidade de permitir ao corpo a recuperação após esforços. O tempo para recuperar é a minha maior condicionante, uma vez que com o avançar da idade o organismo necessita de mais tempo para recuperação.

Obstáculos colocados pela Covid-19

 Como estamos a falar de modalidades que podem ser treinadas individualmente, só me faltou a companhia regular para ter motivação para treinar. A ausência de objetivos competitivos levou-me a relaxar o treino. O fecho das piscinas levou-me a interromper os treinos respetivos e de melhorar a técnica. 

Objetivos - Como se vê no desporto daqui a 5 anos?

Não imagino a minha vida sem uma atividade desportiva e sem uma meta competitiva. Não sei por quanto tempo o meu físico vai aguentar a carga mecânica desta modalidade, mas espero andar por aqui mais alguns anos.

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22
Ago21

Destrancar mesmo devagarinho


João Silva

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Quem tem filhos e pratica desporto deverá entender este problema  (também se pode aplicar o mesmo quando é para ir trabalhar ou às compras): falo de sair de casa para treinar (neste caso) sem acordar um bebé. É uma obra digna de se ver.

Fazer isto de madrugada e silenciosamente ainda é mais desafiante.

Basicamente, tenho de sair em pés de lã, nem ligo a luz do corredor, vou com o frontal ligado e voltado pelo chão. Rodo a chave muito devagarinho e, muitas vezes, só me calço fora de casa.

Às vezes, gosto de jogar ao risco e ainda tento levar a reciclagem para fora de casa por volta das 05h00 da manhã. 

Quando regresso, a aventura é a mesma. Sempre com o máximo de cuidado para não acordar o bebé.

Tudo menos acordar um bebé.

E desse lado também têm ou ja tiveram problemas do género?

 

20
Ago21

O padeiro volta a atacar


João Silva

Prometo que não é implicância minha com o homem, mas a verdade é que ele tem umas ideias muito engraçadas... Ou talvez não. Desta feita, vê-me a alongar e diz: "vamos ser obrigados a correr de máscara".

É verdade que eu estava sem a dita, mas estava a acabar a minha atividade física e não havia ninguém por perto.

Ligeiramente irritado, retorqui: "não acredito. Isso prejudica a nossa saúde."

Atrapalhado, lá corrige: "pelo menos, foi o que ouvi dizer".

Lá se despediu e foi embora.

Quem tem telhados de vidro... É que ele também não tinha máscara...

Às vezes não sei se ele gosta de meter conversa comigo e arranja assunto ou se só lhe apetece embirrar comigo.

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16
Ago21

Crónica de uma toupeira


João Silva

Porquê toupeira? Porque veem muito muito mal.

E o que têm isso a ver comigo? Tudo. Sou pitosga, vejo pessimamente sem óculos.

Infelizmente, tenho de correr muitas vezes sem óculos, porque não é prático quando chove ou quando caio.

Assim sendo, há pouco tempo, já no fim de um treino de três horas e em plena luz do dia, avistei um vulto a cerca de 400 metros.

Confesso que não percebi o que era, via tudo distorcido. De repente, dou por mim a ver no culto uma avestruz!!!!

Mas era impossível e ainda por cima a andar tão normalmente.

A cerca de 200 metros é que percebi que era um homem.

Já a controlar pelo GPS, só a 100 metros é que o vi nitidamente.

Sou mesmo uma toupeira com pernas!!

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14
Ago21

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje trago-vos uma entrevista especial. Trata-se da Isabel e é minha colega de equipa. No passado, já treinei duas vezes com ela, mas foi a sua simpatia que foi perdurando.

Conheci a Isabel como uma atleta no início, com alguns medos normais e com dúvidas em relação à sua capacidade. 

O tempo passou e a mulher virou "bicho do mato" e não há pai para ela. Corre grandes distâncias, procura fazer trails diferentes e desafiantes e já se aventurou nas meias maratonas. 

Acho que, por vezes, nem se apercebe, mas tem uma garra. 

Ah, e muito importante: é diabética. Traz-nos aqui o lado mais duro de quem tem este problema e corre e se adapta às situações. 

Vão adorar conhecê-la.

Fiquem, pois, com a Isabel Madeira'

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EPIC Trail Run Azores em 2019

Nome

Isabel Madeira

Idade

51 anos

Equipa

ARCD Venda da Luísa

Praticante de atletismo desde

Setembro de 2018

Modalidade de atletismo preferida

 Adoro Trail

Distância preferida

Entre 20 a 35 Km 

Na atual equipa desde

Dezembro de 2018

Volume de treinos por semana:

3 (2 em estrada e 1 na serra, só corrida)

Importância dos treinos

Os treinos são de facto muito importantes na prática de qualquer atividade desportiva, e no trail running não é diferente. O treino adequado pode evitar algumas lesões e melhorar o desempenho do atleta. Como exemplo da diminuição ou quase ausência de treinos, devido à proibição de circulação entre concelhos, não foi possível treinar na serra dorante quase 5 meses, e, como resultado desta privação, deparei-me com muitas dificuldades durante a minha primeira prova deste ano, nomeadamente, com muitas cãibras e dificuldades na respiração. Acabei por desistir da prova e, mesmo assim, ganhei um grande empeno.  

Tem ou não treinador

 Não tenho treinador.

Diferenças existentes entre o atletismo passado e o atual

O que me tenho apercebido é que o atletismo está na moda e a pandemia do Covid 19 veio contribuir para o aumento de pessoas a correr pelas cidades.

Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

 A minha primeira prova em competição foi uma prova de 10 km em estrada. A partir dos 7 km comecei a sentir uma fraqueza enorme, tonturas, fadiga muscular, com a visão turva e quase sem forças para terminar a prova. Quando cheguei à meta, senti-me quase a desmaiar e deitei-me imediatamente no chão. De seguida, no abastecimento, comecei a comer e não conseguia parar de ingerir sólidos. Como sou diabética, só mais tarde é que me apercebi que os níveis de açucar no sangue desceram imenso e, provavelmente, fiz uma hipoglicémia. Com esta experiência, aprendi que a hidratação e a nutrição são fundamentais no desempenho da corrida.

Aventura Marcante

A prova que mais me marcou pela positiva foi o EPIC Trail Run Azores, em dezembro de 2019, com cenários fantásticos, belíssimas paisagens e percursos verdejantes.

Participação em prova mais longa

Em fevereiro de 2020, Trail de Conímbriga Terras de Sicó – 57 Km. Realizei a prova com um colega de equipa que me deu um grande apoio, caso contrário, julgo que não conseguiria terminar a prova.

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Penacova Trail do Centro – 2020

Objetivos pessoais futuros

O meu objetivo é continuar a correr em trilhos, zonas montanhosas durante mais alguns anos, e, para isso, decidi incluir treinos em ginásio para a realização do reforço muscular. Pretendo continuar a correr por três motivos: primeiro, quando corro na serra estou a usufruir das paisagens maravilhosas que a natureza nos proporciona, depois por questões de saúde e, por último, pelo desafio, uma vez que procuro sempre superar as minhas dificuldades, que são algumas. Em 2022, gostava de fazer uma maratona, a do Porto. 

 Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Como o atletismo está em progressão, espero que haja mais mulheres a correr, sejam elas jovens ou menos jovens.

Porque existem tão poucas mulheres a fazer atletismo e porque há tão poucas em provas de grandes distâncias.

De facto ainda se verifica uma discrepância entre géneros na prática de atletismo, mas julgo que essa diferença tem vindo a diminuir, principalmente, devido à mudança de mentalidades que está a permitir que as mulheres se expressem e se sintam mais seguras a defender os seus direitos. Pois, cada vez mais, se vê mulheres a participar em provas, sejam elas competitivas ou de caráter lúdico, social e solidário. Na minha opinião, a grande maioria das mulheres dá primazia à vertente lúdica e tende a ver o desporto como forma de se manter ativa e em forma no seu dia-a-dia, pelo que as provas de curta e média distância satisfazem os seus objetivos. 

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Piódão Trail Running – 2020

Existem diferenças de tratamento em relação aos homens.

Sim, sobretudo quando se trata de atribuição de prémios monetários, que normalmente são criados para o sexo masculino. 

O que mudou com a pandemia? 

Relativamente à minha condição física, senti alguma quebra em virtude da diminuição de treinos na serra, na sequência da proibição de circulação entre concelhos que ocorreu durante 13 fins de semana consecutivos. 

No que diz respeito às provas, mudou muita coisa, principalmente, a organização dos eventos, a implementação de todas as regras de segurança antes, durante e após a prova, as partidas que passaram a ser faseadas, por isso, o momento da partida, deixou de ser aquele momento em que sentimos um nervosismo ou “um nó no estômago”.

De uma forma geral, acho que a pandemia de Covid 19 fez com que muitas pessoas sentissem vontade de ir para a rua, quer para caminhar, correr ou andar de bicicleta. As pessoas começaram a usufruir dos parques, jardins e ciclovias da cidade, porque passaram a valorizar as pequenas coisas da vida assim como a natureza.

 

Já participou em provas reais desde a pandemia?

Sim, em outubro de 2020, participei em três provas: Piódão Trail Running, Penacova Trail do Centro (prova para o campeonato nacional de trail que só foi possível participar porque estava apurada no ranking do escalão F50 na ATRP) e Trail de Fátima. 

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Trail de Fátima – 2020

Durante o corrente ano já participei em 4 provas. A minha primeira prova foi em abril, na Batalha, designada por “Os Trilhos do Pastor”, prova também para o campeonato nacional de trail, a qual não terminei devido a ter tido demasiadas cãibras. Participei ainda nas seguintes provas: Trilhos Luso Bussaco, na qual fiz um entorse no tornozelo, que me obrigou a uma paragem de 3 semanas; Trail de Conímbriga Terras de Sicó e no trail Oh! Meu Deus Ultra Trail Serra da Estrela.

O que vai mudar em termos de provas no futuro

Na minha opinião, o que poderá mudar tem sobretudo a ver com a organização dos eventos, com a manutenção das regras de segurança resultantes da pandemia. Pois, acho que existem regras que vieram para ficar. 

12
Ago21

Teoria de padeiro


João Silva

Já vos falei no padeiro que, de forma sorrateira, me chamou velho.

Pois bem, a rotina tem destas coisas: vejo o homem todos os dias quando estou a alongar.

Logo, o padeiro voltou a meter conversa.

Numa madrugada de gelo, diz-me ele ao sair da carrinha: "hoje está bom para correr".

Depois de um treino que me deixou com os músculos todos doridos do frio, respondi: "por acaso nem é dos melhores".

Ele ripostou: "para mim, é. Quando corro com frio, os músculos estão tão duros que nem os sinto".

Fiquei com um sorriso amarelo e a pensar naquela teoria. Mal imagina que isso é a porta para belas lesões.

Teorias!!

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10
Ago21

Alongar para melhorar


João Silva

Postura, sempre ela, uma bela companheira de qualquer corredor.

Uma boa postura é a diferença entre correr sem problemas e andar de rastos com dores nas costas e nos quadris.

Por isso mesmo, hoje trago-vos uns exercícios de alongamentos muito simples e rápidos que vos vão deixar em forma e sem lesões.

 

Por aí, alguém já faz estes alongamentos? 

08
Ago21

Ninguém escapa


João Silva

Já se falou várias vezes no lado bom de se praticar uma modalidade desportiva.

Assino por baixo.

Por outro lado, o foco normalmente associado a quem pratica uma modalidade desportiva redunda em excessos que se pagam caro. 

Esse caro assume a forma de sobrecarga psicológica e física e tem o condão de desanimar até os mais motivados.

O vídeo que vos trago fala precisamente do que é cair em desgraça em plena preparação para um Ironman.

O rapaz é uma máquina de dedicação à corrida. Em paralelo, tem mesmo todo um projeto online de corrida chamado Running Addict. Partilha imenso conhecimento.

Desta feita, veio partilhar connosco o lado sombrio da dedicação excessiva a algo, mesmo que se trate de uma paixão, como é o caso.

Vale cada segundo, principalmente, na ótica de ajudar a detetar sinais de que a paixão virou vício. 

06
Ago21

(Muito) distorcido


João Silva

Quando pensei em escrever sobre este assunto, sabia que ia ser um caminho duro. Desde logo, sei que procurei empatar e atrasar a redação do texto porque se trata de um tema duro de falar e que, de certo modo, ainda hoje me acompanha. 

Falo da dismorfia ou a ideia distorcida como vemos prolongadamente o nosso corpo. 

E é por isso que vos trago esta coleção de fotos minhas desde o meu passado mais recente até agora. Não é exibicionismo, é uma forma de expor um problema que afeta muita gente e pode servir como escape e como mecanismo de ajuda para quem sofre deste problema. 

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Tendo sido obeso uma parte da minha vida, habituei-me a ver o meu corpo assim. Havia muito espaço de corpo e havia um enorme desequilíbrio. 

Não é que agora esteja tudo resolvido, mas o condicionamento que isso trazia à minha imagem na hora de me relacionar com os outros já não se manifesta tanto desde que comecei a correr. 

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Aí deu-se o grande ponto de viragem na minha relação com os outros, pois deixei de me sentir sempre inferior, mesmo quando o que mais interessava era a essência da pessoa, o que ela sabe e como atua. Isso não mudou de lá para cá, mas ter um corpo menos disforme ajudou a dar mais autoestima, a encarar melhor as coisas. 

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No entanto, começar esta aventura com 118 kg (em novembro de 2016) fez-me perder a noção do razoável e do equilíbrio. Então, fiz aquilo em que sou mesmo bom: dar cabo de mim e deixar que a situação tome conta da minha cabeça. 

Eu estava magérrimo, cheguei aos 60 kg nos dois primeiros meses de 2018 e comecei a perder faculdades cognitivas.

Pior do que isso foi continuar a achar que ainda tinha peso para perder. Passei por momentos em que comia e tratava de expulsar o que tinha acabado de ingerir. Sim, foram momentos muito duros. 

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A sorte foi ter alguém ao meu lado que insistia em não me ver como eu via. Aos poucos, e é aqui que quero chegar, é possível comer mais, ganhar um peso aceitável e continuar saudável e de bem com o nosso corpo. 

É um processo e também é preciso querer sair dessas situações, mas é reversível. 

Não sou muito paciente, é um facto. Tal como também é um facto que ainda hoje passo por momentos em que duvido do que vejo ao espelho, em que desconfio do meu corpo, em que vou com os dedos medir o meu perímetro abdominal. 

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O lado bom deste processo retorcido do nosso cérebro é que, dentro de um limite aceitável, nos permite lidar com a situação e relativizar.

Quando o meu filho nasceu, uma das coisas que eu me disse, isto porque pensei logo em ajustes para cortar na alimentação (sem razão para tal), foi que não podia cair em parvoíces. Não podia deixar que isso afetasse a minha relação com ele. É que um dos problemas da dismorfia é cair no racionamento da comida e isso retira discernimento.

Assim, acima de tudo, diria, em jeito de conselho, que é preciso acreditar em quem temos connosco, que não nos podemos iludir e que temos de relativizar. Aceitar é sempre a melhor via. Mesmo que também seja a mais dolorosa. 

04
Ago21

Finalmente, a explicação


João Silva

Já se impunha!

Sempre foi um tipo de treino quee fascinou pela importância que pode ter na evolução de um corredor: falo no treino fracionado.

Nunca tinha tido a verdadeira oportunidade de perceber efetivamente em que consiste e como pode ser aplicado. Aqui foi algum desmazelo, porque há imensa informação sobre o assunto.

Como podem ver no vídeo, não é um bicho de sete cabeças.

Alguém ficou com vontade de pôr isto em prática? 

02
Ago21

Crónica de uma queda


João Silva

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Cair é das piores coisas que me podem acontecer como corredor.

Mágoa-me fisicamente, mas o pior são as mazelas psicológicas.

Há muitas razões para cair durante um treino: falta de luz, má postura, tropeções.

Sei que muitas das minhas quedas se devem a momentos de má postura.

Correr com óculos era uma condição fundamental para mim, que não vejo bem sem eles, mas agora tive de aprender a correr sem, pois uma queda com eles era sempre motivo de aflição para mim. Não tanto por os poder partir, o que também me incomoda, mas porque tenho medo de furar uma vista. Talvez por isso tenha procurado aprender a cair de lado.

Infelizmente, já levo algum treino disso.

Passei também a levar o telemóvel na mala em vez de no braço ou na mão para evitar "chatices".

Porém, apesar de o impacto doer imenso e de poder causar feridas, correr logo depois de uma queda é lutar contra uma ideia e contra o medo de voltar a cair. Por um lado, isso obriga-nos a ter mais atenção, mas, por outro, tolhe-nos os movimentos, deixa-nos perros e com receio. Isto é o que dói mais.

Ter espetadores também pode ser doloroso, mas não é o mais importante. 

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