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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

Em novembro de 2016 era obeso. Depois comecei a correr, eduquei a minha alimentação e tornei-me maratonista. Mais tarde, tornei-me pai. Correr é uma das minhas paixões. Ser pai é outra. Corro todos os dias.

O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

30
Jun21

Ressaca


João Silva

Não vos "trago" álcool.

Falo-vos da ressaca do corpo de cada vez que tem de recuperar de um treino duro.

No último ano senti várias dificuldades com o processo de recuperação. Desde logo, o erro de fazer treinos longos de corrida todos os dias e o de não parar um único dia desde meados de setembro. Isto cria um grande desgaste no corpo (e na cabeça).

Depois desta parte que já dificulta muito a recuperação de uns dias para os outros, vem a maior pedrada: o nascimento do Mateus trouxe algumas noites mais duras, alguns momentos de colo... em movimento. 

Passo a explicar: como forma de o embalar, acalmar e adormecer quando ele precisa (e quando eu preciso), caminho pela casa (normalmente, na divisão onde estamos) com o meu filhote nos braços. Isto faz-me passar algumas horas (a mais, em comparação) em pé. Como tal, os músculos mais sacrificados não relaxam e, durante a noite, no processo de restauro do corpo, sinto muitas dores.

Os levantares pós-treinos mais duros são mesmo muito dolorosos. E o início dos treinos é sempre muito penoso. Demoro uns três ou quatro dias a ficar bem. Se, nesse processo, consigo descansar melhor, o dia seguinte a uma noite mais "normal" parece um atropelo de um camião. É algo normal, já que o corpo aproveita para refazer o material muscular danificado pela corrida.

Nada disto foi uma queixa. Esta é a minha realidade agora e é a ela que tenho de me adaptar, mas não duvido de que encontrei um novo conceito de ressaca. 

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28
Jun21

Uma bucha que não embucha


João Silva

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E voltamos a falar de comida. 

De vez em quando, lá calha haver mais para contar da cozinha cá de casa. 

Desta feita, eu e a Diana demos vida a um clássico da nossa estadia prolongada em Aveiro nos idos anos de universidade e trabalho naquela cidade.

Trata-se de buchas de frango.

Já aqui falei na receita que usamos para fazer pão cá em casa (ver receita do pão de azeitonas). É necessário ter a massa pronta. Depois disso, é fazer frango desfiado guisado ao vosso gosto (nós usamos cebola, colorau, folha de louro, sal, pimenta e vinho branco).

De seguida, uma colherada de massa numa folha de papel vegetal, uma colher do preparado de frango e mais uma colherada de massa.

Vai ao forno a 210 graus durante de um tempo médio de 25 minutos (pode variar) e depois é só mnham Mnham Mnham Mnham.

Muito prático agora no verão. 

26
Jun21

Há lugar para isso ou não?


João Silva

De quando em vez lá aparece a "inquisição" pública para destruir um ou outro atleta pelas suas ações e palavras, sobretudo, no campo político e social.

Há quem defenda que um desportista não se deve meter nessas coisas.

Não sei o que acham disso. No meu entender, se estamos a falar de pessoas, estamos, à partida, a reconhecer que são seres sociais com deveres e direitos cívicos e, como tal, têm direito a enviar mensagens sociais e políticas.

O desporto tem um estatuto de exemplo, portanto, muitos crescem a olhar para aquelas pessoas como ídolos. Se o desporto se coaduna com futilidade, comércio desenfreado e corrupção, por que motivo só se questiona a conduta de um desportista quando este faz um gesto que reprime uma dada ação social e política?

Sempre vi no desporto uma função social. Mexe com muita coisa. Basta ver a estupidez que grassa por aí à conta de comentadores desportivos. Então isso é permitido mas ter um festejo que simboliza uma causa social ou que é contrária a um regime político não é tolerado? Faz algum sentido?

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24
Jun21

Do you think you can breathe?


João Silva

É uma coisa básica, certo? Todos sabem respirar. Fazêmo-lo de forma inata.

Então e o que nos pode trazer uma consciencialização daquela ação? Desde logo, pode ajudar a detetar eventuais falhas respiratórias.

Além disso, quando devidamente controlada, a respiração pode ser um enorme aliado na hora de melhorar a performance desportiva, em especial, na corrida.

Vejam lá se o que alguém habituado a estas andanças diz faz sentido ou não:

 

22
Jun21

Talvez a origem esteja aí


João Silva

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Nesta aventura para tentar perceber de onde vem todo este gosto pela corrida, deparei-me com uma memória que talvez possa explicar tudo.

Regressando ao meu passado de há 13 ou 14 anos, encontro-me a correr noutro país.

Ainda era bem gordinho, mas a verdade é que já via a corrida como um escape.

Na altura, foi durante uma estadia em casa dos meus pais no Luxemburgo que descobri uma verdadeira forma de me equilibrar. 

O ambiente era muito pesado e a única forma que tinha de fugir daquela opressão psicológica era caminhar e correr. De há coisa que não falta naquele país são campos frondosos e florestas bem escuras, sempre a fazer lembrar os filmes nórdicos. 

Além disso, em meados de abril costumava haver muito frio, gelo e neve. 

Lembro-me de correr devagarinho por aquele espaço e de sentir que entra a noutra dimensão. Lembro-me da felicidade e da liberdade. Recordo uma curva em particular quando saía de casa e uma reta com muitos ramos no caminho de regresso.

Durante aquelas duas semanas, corrida era o meu escape. 

Percebo hoje que é também a minha tábua de salvação e o meu ponto de equilíbrio. 

Infelizmente, perdi as fotos daquela altura. E tantas tirei eu. Porém, acredito que tudo tenha começado aí. 

20
Jun21

Lá bem longe em conjunto


João Silva

Este último ano é meio tem sido bem propício a memórias.

Sendo alguém que gosta muito de encontrar paralelos e ligações em tudo o que o rodeia, dou por mim a navegar muitas vezes no meu tanque à procura de memórias que liguem a minha paixão pela corrida ao meu passado.

O meu pai foi corredor. Quando nasci, já ele tinha deixado o atletismo.

Portanto, não deve ter vindo daí. 

Ainda assim, recordo-me bem de um dos poucos treinos de corrida que fiz na minha adolescência. Na verdade, só tenho memória de três. Curiosamente, um deles foi com o meu pai.

Eu, ele e um colega da terra. Não sei quanto tempo andámos a desbravar mato, mas sei que gostei imenso de passar pelos pinhais e que, por outro lado, não podia com uma gata pelo rabo (era cheiinho), que detestei a corrida na areia solta e que, muito curioso, queria que aquilo acabasse bem depressa.

Quem diria que, muitos anos mais tarde, ficaria um apaixonado por corridas e, melhor ainda, por longas distâncias?

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18
Jun21

Reféns dos patrocínios


João Silva

Isto do desporto é mesmo giro. 

Todos dizem que fazer é uma espécie de milagre para a nossa saúde, o que não me atrevo a desmentir. 

Além disso, o desporto é tido como um prazer. O que também é verdade. 

Mas se tudo isto é uma realidade, onde é que têm lugar as histórias de atletas profissionais que deixam de poder treinar e competir porque perderam os patrocínios?

Alguns perdem as bolsas ou mesmo os patrocínios, porque deixaram de apresentar resultados. Outros ficam sem nada porque se lesionaram e as marcas foram à sua vida. E, como se não bastasse, ainda temos o caso de atletas mulheres que deixam de ter quem aposte nelas porque, veja-se, foram mães.

Cada vez mais recorrentemente, tenho ouvido relatos de profissionais que viram a sua vida cair em desgraça porque as marcas perderam o interesse.

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Apesar de saber há muito que a nossa sociedade só valoriza números, e se for dinheiro melhor ainda, não deixo de ficar triste quando percebo que o crédito das pessoas se esgota no dia em que deixam de render. Então e onde fica o legado da pessoa? E onde se esgotam os seus valores morais e o exemo que dá aos mais novos e o caminho desportivo que mostra?

Só vale se ganhar? Recuso-me a aceitar essa ideia. 

16
Jun21

Sonhos lesionados


João Silva

Conhecem a sensação de acordarem de manhã e de um dos vossos gémeos ("barriga da perna') estar em pedra?

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Aconteceu-me isso numa destas noites.

Normalmente, isto aparece quando ando muito cansado e desgastado muscularmente.

Na dita noite, sei que não gritei (já aconteceu num movimento repentino), porque não queria acordar o Mateus, mas foram dores infernais numa ínfima fração de segundos. 

O mais estranho é que tudo isto pareceu um sonho muito distante. 

Por outro lado, quando acordei, o gémeo estava em pedra e doía. Portanto, arrisco a dizer que não sonhei... 

12
Jun21

De vez em quando lá vem ela


João Silva

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Por defeito e feitio, gero ansiedade. Deverá haver algo de genético nisto, pois a minha mãe é a pessoa mais ansiosa, nervosa e angustiada que conheço. Não sei se é genético ou "contagioso". Sei que, embora consiga lidar melhor com isso do que ela, de tempos a tempos lá vem ela chatear-me, a dita ansiedade. E é tão perturbadora que a sinto a aparecer, que a crio e que depois demora até desaparecer.

Desde logo, tudo começa com o excesso de coisas que defino para fazer em cada dia. É claramente mais do que consigo fazer e aguentar. Como tal, primeiro crio estratégias inconscientes para acordar antes do despertador, depois, essa inconsciência vira consciência e já sou eu quem "dá as ordem".

E assim vão os dias até que começo a sentir-me angustiado, até que ando acelerado e me deito com o coração a mil, não deixando, porém, de beber muito café para ajudar à festa. 

A melhor conclusão para todo este cenário é que deixo de conseguir dormir e, consequentemente, de descansar. 

A forma que encontro para lidar com isso é falar cá em casa e expor o que se passa comigo. Isso ajuda. O maior trunfo é quando começo a definir apenas uma ou duas tarefas extra para os meus dias.

Tudo isto agrava quando se tem filhos e nem sempre (muitas vezes) se consegue fazer tudo o que é necessário em termos familiares. 

Não sei como é com as outras pessoas, sei que essas épocas viram um inferno para mim. 

10
Jun21

No meu tempo...


João Silva

Apesar de fazer muitas referências ao passado em muitos assuntos, ainda não recorro muito à expressão que usei no título. Talvez porque ainda não me sinta velho e, de certeza, porque não o sou. Curioso, em forma de antítese, a ideia do meu pai, que se acha velho e tem apenas 55 anos. 

A propósito disso, há uns tempos, a falar de corrida, porque ele também foi atleta, disse-me "no meu tempo, não queríamos saber disso, era pôr os pés na estrada e correr". O tema incidia sobre a importância da técnica de corrida. Chutei para canto.

Mais recentemente, quando lhe expliquei por que usava sapatilhas de corrida, disse-me que não havia melhores do que as dele. Diga-se que as dele eram sapatilhas casuais normais, com uma sola rígida e ideais para deslocar uma rótula ao primeiro impacto.

Aquela conversa fez-me pensar nas muitas diferenças entre o corredor típico da época do meu pai e o da minha.

Tendo em conta que o investimento não era uma prioridade na altura, já que o dinheiro tinha para onde ir, não deixa de ser interessante que um corredor de há 35 anos so precisava de uma t-shirt e de uns calções. Quanto a meias e a sapatilhas, era o que houvesse.

Quando penso em mim e no que considero essencial, vejo que não é nada assim. Por outro lado, há que admitir, também se cai muito no excesso. 

Voltando a mim: sapatilhas de corrida (mesmo que a um preço muito acessível), meias próprias, perneiras, collants no inverno, joelheiras por causa do impacto em alguns treinos, calções, luvas no inverno, t-shirt respirável, bolsa para telemóvel, gorro no inverno. Como corro de madrugada, ainda acrescento frontal, dínamos e fita refletora. Ah, e relógio GPS. Pouca coisa, portanto. É preciso uma sessão só para me vestir.

Mais a sério, há aqui algumas coisas dispensáveis, mas os tempos são outros. Mais do que de estilo, falamos de tornar uma atividade desportiva dura em algo confortável.

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Tal como noutras áreas da vida, houve evolução e já nem me atrevo a ir para a mentalidade, porque aí as diferenças são mais gritantes. Alongamentos, exercícios complementares de reforço muscular e treino cruzado são coisas que ainda não existem para muitos corredores mais velhos. 

E por aí, como se vê a evolução geracional naquilo que gostam de fazer. 

08
Jun21

Um problema de (ex)pressão


João Silva

A pressão é uma constante da vida. Chega mesmo a ser concreta e definida. 

Sou da opinião de que deve partir de nós. 

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No meu caso, sou o primeiro a fazê-lo, com quase tudo na minha vida, e acabo, por um lado, por gerar ansiedade, com a qual nem sempre (muito poucas vezes) sei lidar. Por outro, também desenvolvo mecanismos próprios para chegar onde pretendo. Porém, elevar a fasquia também é viver permanentemente na insuficiência e na imperfeição. Nunca nada chega.

Transportando para o desporto, no meu caso é o mesmo. Se não vejo o número (resultado) que pretendo, questiono-me logo, quando sei perfeitamente que, se, analisar o todo, o caminho foi bem feito. E é esse caminho que conta, não o resultado em si. Para mim, morrer a tentar é melhor do que nunca tentar. Portanto, a questão da pressão está na forma de expressão.

É a formulação que condiciona a avaliação. 

Se ganharmos distanciamento do que quer que seja e mudarmos as lentes para umas menos subjectivas, veremos que o resultado foi melhor mesmo não tendo sido o melhor. Concordam ou discordam? 

06
Jun21

I have a dream!


João Silva

Com toda esta incerteza, apesar de já haver perspetivas de vacina até ao final do ano (as duas doses), mantenho as minhas dúvidas quanto a uma eventual participação em provas. 

Tenho medo de estar junto a tantas pessoas. Esse medo supera as saudades que tenho de fazer provas. 

Seja agora ou no futuro, há um sonho, bem lamechas, que funciona como uma espécie de força motriz: nada me deixaria mais realizado do que cruzar uma meta com o meu filho ao colo e, futuramente, de mão dada.

Não faço questão que partilhe dos meus gostos, tudo o que quero é que tenha uma personalidade própria e bem vincada. Agora, mentiria se dissesse que não sonho com uma chegada à meta com o Mateus. Acho que seria como voltar a fazer uma maratona pela primeira vez. 

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04
Jun21

Velho? Velho??


João Silva

Trago-vos um belo episódio em que estive envolvido há pouco tempo. 

Como é hábito, estava a terminar o meu treino de reforço muscular no passeio do prédio onde habito. Como sempre também, chega o padeiro de um dos vizinhos.

Tirando o louvável "bom dia", nunca tinha metido conversa. Até àquele dia.

"Então, já está para hoje", pergunta.

"Sim, sim, para hoje está feito. Amanhã há mais", retorqui.

"Foram quantos?

"Hoje foram 15." (o treino tinha sido péssimo).

"Numa hora e meia?", insistiu

"Sim."

"Então, está bom. Mais é que não se pode, diz que faz mal."

"Ao fim de semana faço bem mais, cerca do dobro, e nunca me senti mal", procurei ripostar.

"Pois, mas com o aumentar da idade não é suposto correr mais. Faz mal." E foi embora.

E eu fiquei ali na rua meio atordoado e a pensar no que diriam as pessoas com mais de 50 anos que correm maratonas e trails endurance. 

Subi as escadas e depois caiu a ficha:

" pera aí!! Ele chamou-me velho. Velho!!!".

Ó homem, ainda nem 33 anos completei (dentro de pouco tempo)!!! (esta devia ter sido a resposta).

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02
Jun21

E se perguntarem aos envolvidos...


João Silva

Prometo ser breve. 

O tema é claro como água: ao que parece, vamos mesmo ter Jogos Olímpicos. 

Faz sentido? O Comité Olímpico acha que sim. Aliás, há uns meses, mas já em finais de 2020, veio a terreiro dizer algo como "não admitimos a hipótese de não se realizar em 2021".

Ouvi relatos de vários atletas e treinadores, de vários países. A insegurança é palpável. 

Perante tudo isto, face à possibilidade de limitação de contactos entre comitivas, à necessidade de restringir acessos e ao risco real de algo que nunca ninguém viveu até ao momento, pergunto: faz sentido realizar uma das provas mais apaixonantes do planeta apenas pelo dinheiro?

Faz sentido fazer aqui o que se faz no futebol e seguir viagem como se nada fosse porque o que importa é o jogo e "a vida continua"?

Não será isto uma velha máxima mas ao contrário: o palhaço está doente mas "hoje" há circo?

E cada um dos envolvidos no espetáculo não deveria ter uma posição?

Já alguém perguntou aos atletas se queriam que a prova se realizasse?

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