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O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista

Em 2016 era obeso, hoje sou maratonista (6 oficiais e quase 20 meias-maratonas). A viagem segue agora com muita dedicação, meditação, foco e crença na partilha das histórias e do conhecimeto na corrida.

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27
Jul20

1, 2, 3, uma entrevista de cada vez


João Silva

Hoje temos uma estreia nesta rubrica.

Pela primeira vez, vou "dar voz" a uma pessoa que não conheço pessoalmente, mas por quem tenho uma grande estima e admiração.

Como não podia deixar de ser, é mais um "papa-maratonas" e é aí que começa o meu processo de fascínio pela sua carreira.

Além de tudo isto, Manuel Sequeira é ainda jornalista/repórter na Revista Atletismo.

Na verdade, na sequência de um e-mail para aquela publicação em 2019 onde dei a conhecer a minha história, foi ele que tomou a iniciativa de estabelecer contacto. Sempre muito cordial, rapidamente se percebeu que este homem transpira atletismo por todo o lado. 

Perante isto, era impossível não o trazer para este espaço. Vem, estou certo disso, enriquecer o blogue e oxalá possam beber dele muitas informações e histórias dignas de registo. Este homem teve a incrível gentileza de refletir muito bem sobre as diferenças do atletismo ao longo dos anos. Não desfazendo de nenhuma resposta, aquela que se refere às diferenças na modalidade vale cada linha.

Uma pessoa com tanta história tem de a poder contar. E é isso que pretendo: que nos faça perceber, uma vez mais, que velhos são os trapos.

Fiquemos, pois, com Manuel Sequeira:

Sequeira-Corrida Dublin com minha mulher.jpg

 

 

  • Nome

Manuel Sequeira

  • Idade

69 anos

Sequeira-Grupo chegado de amigos.jpg

 

  • Equipa

Como atleta popular, vou correndo pelo Grupo Desp. e Cultural dos Trabalhadores da Repsol Polímeros e Associação Talentos Team.

  • Praticante de atletismo desde

Comecei a treinar aos sábados com um grupo de amigos na Primavera de 1980. Sou dos tempos onde correr nas ruas era uma “aventura”, ouvindo todo o tipo de comentários depreciativos, tipo “vai trabalhar malandro, para trabalhar não corres tu!”.

A minha primeira corrida (noturna) foi em 15 de Setembro desse ano, com cerca de 10 km. A Corrida do Bocage, prova integrada nas comemorações do poeta setubalense. Demorei 50 minutos. A partida e meta eram no interior do Estádio do Bonfim. A bancada central estava cheia de espetadores porque, entretanto, havia outros eventos desportivos. No dia seguinte, fartei-me de ouvir “bocas” de colegas da Setenave (onde trabalhava) que me tinham visto a correr.

Sequeira-Maratona Berlim.jpg

 

 

  • Modalidade de atletismo preferida

De há uns anos a esta parte, prefiro as provas de estrada. A razão é muito simples, são de menor desgaste comparativamente com as atuais provas de trail. Durante boa parte da minha vida desportiva, gostava mais de participar em provas de montanha, era habitual participante das provas do António Matias, pioneiro em Portugal na montanha. Mas a idade não perdoa, daí agora, uma maior opção pela estrada.

  • Prefere curtas ou longas distâncias

Curiosamente e durante muitos anos, a minha distância preferida era a meia maratona. Nunca fui um corredor rápido, muito raramente fazia séries, optando quase sempre pela corrida contínua. Por isso, não apreciava muito as provas de 10 km, corria-as em 40/45 minutos mas eram muito rápidas para mim. Claro que com os anos (velhice), as preferências vão-se alterando e mais a partir dos 65 anos de idade, quando a quebra começa a ser maior, a maior parte das provas em que participo têm 10 km.

  • Na atual equipa desde

Nunca trabalhei na atual Repsol, foi um amigo de Setúbal que corria e trabalhava lá, que me convidou a fazer parte do Grupo Desportivo e a correr por eles. A empresa chamava-se então Petroquímica e sofreu várias alterações no seu nome conforme ia mudando de dono.

Durante uma boa meia dúzia de anos, fui dirigente e corredor da Associação de Atletismo Lebres do Sado e obviamente, corri então a maior parte das provas por eles. Mas quando corri a minha centésima meia maratona, (Évora-Arraiolos) em 9 de Dezembro de 2001, fiz a primeira metade da prova com uma camisola e a segunda parte com a outra do segundo clube que levava dentro de uma bolsa à cintura.

Atualmente, sou sócio da Associação Talentos Team, clube de Setúbal fundado há poucos anos com um excelente ambiente entre os atletas. Identifiquei-me com eles desde o momento que os conheci e tenho corrido várias vezes pelo clube.

  • Volume de treinos por semana

Treino pouco, em média três vezes por semana. Duas vezes na casa dos 30/40 minutos e uma vez, à volta de uma hora. É o suficiente para participar em provas de 10/15 km. Se o objetivo for participar numa meia maratona, aumento a quilometragem mas mantenho os três treinos por semana. Antigamente, treinava em média quatro vezes por semana, mesmo quando me preparava para a maratona, claro que com outra quilometragem.

Sequeira-Maratona Médoc 2014.jpg

 

  • Importância dos treinos

Os treinos são fundamentais para estarmos preparados no desempenho de uma qualquer atividade desportiva, seja ela individual ou coletiva. É o que se passa no atletismo. Basta ver como nos sentimos quando estamos uma ou duas semanas sem treinar e vamos participar numa corrida. Ainda assim e nas pequenas entrevistas que faço após as corridas, deparo-me com alguns corredores que não treinam durante a semana mas não falham as corridas domingueiras. Não é aconselhável tal prática.

  • Se tem ou não treinador

Nunca tive um treinador. E apenas seguia um plano de treinos elaborado por mim quando me preparava para as maratonas ou distâncias superiores.

  • Diferenças existentes entre o atletismo passado e atual

Sequeira-Meia Maratona Estocolmo.jpg

As diferenças são enormes, a começar pelos meios tecnológicos disponíveis. Antigamente, seria praticamente impossível realizar-se uma prova com 10 mil participantes, como já vamos tendo em Portugal. Então, as provas com 30 ou 40 mil…Não havia chips, um avanço determinante que proporciona haver tanta gente numa mesma prova.

Antigamente, quando acabávamos uma prova, ficávamos num funil que dava voltas e voltas até chegar a nossa vez de entregar o dorsal e receber a t.shirt ou diploma e alguma lembrança. E muitas vezes a chover torrencialmente, cheguei a estar mais tempo na fila do que o demorado na prova!

Os dorsais tinham os números escritos muitas vezes à mão. Quando chovia, era frequente, os dorsais ficarem destruídos, sem o número visível.

As classificações eram feitas à mão. Os prémios começavam a ser distribuídos 1h30m/2h depois dos primeiros terem chegado! Quando alguém do grupo tinha hipóteses de ser premiado, ficávamos à espera até bem depois do meio-dia. Isto para uma prova que podia ter terminado às 10.30.

Depois, as inscrições eram feitas pelo correio, envio dos dados dos inscritos e cheques.

As inscrições eram gratuitas, o que fazia com que equipas inscrevessem todos os seus corredores, sem saber se eles estavam ou não interessados em ir a essa prova. Dava-se muito trabalho e despesas desnecessárias às Organizações

As distâncias das provas não eram frequentemente rigorosas, pecando muitas vezes pela falta de centenas de metros.

Não eram raras as provas com trânsito, os carros a passarem pelo meio dos corredores. Poucas provas tinham a polícia a orientarem o trânsito.

Não havia wc’s. Ou havia cafés ao pé das partidas ou então, o recurso era “regar” as árvores. A situação era mais complicada para as corredoras do sexo feminino.

Os abastecimentos falhavam muitas vezes. Agora, isso acontece raramente. Hoje, uma prova mal organizada é que é notícia, melhorou-se imenso o nível organizativo das provas em Portugal.

Não havia muitos patrocinadores privados mas as autarquias subsidiavam geralmente as provas. Estas tinham muitas vezes prémios elevados, na casa das muitas centenas de contos, em moeda antiga.

Também havia muito pouco informação técnica. Apenas a Revista Spiridon e mais tarde, a Revista Atletismo. Hoje e com a internet, há um grande manancial de informação que nos permite preparar adequadamente, seja a nível técnico como nutricional.

Hoje ainda, as despesas com a organização de uma prova são enormes a começar com o iva. Por cada inscrição que fazemos, o Estado fica com 23%! E depois, são taxas e taxinhas para as Associações Regionais de Atletismo, para as Câmaras, taxas de ruído, de ocupação de espaço, a polícia. Quem critica o preço das inscrições, não imagina quando pagam a Organizações nas taxas e licenças.

Baixou muito o nível competitivo

Costumamos dizer e com razão, que baixou muito o nível do meio fundo e fundo em Portugal nos atletas de elite. Para além de Carlos Lopes e Fernando Mamede, Rosa Mota e Aurora Cunha, tivemos mais de uma dezena de atletas que foram dos/as melhores do mundo. Agora, o nível é extremamente baixo. Mas o mesmo se passa nos atletas populares. Sempre fui um “Zé Ninguém” no pelotão, um dos muitos anónimos do pelotão. Dou apenas quatro exemplos:

  • O meu recorde pessoal da meia maratona foi fixado na Ponte 25 de Abril, em 1993, com 1h24m14s. Fiquei então em 1.160º entre 4.261 classificados. Com o mesmo tempo na edição do ano passado, teria sido o 311º entre 10.607 classificados.
  • Na minha primeira maratona em 1983, fiz 3h37m13s. Fiquei nos últimos, em 161º entre 176 classificados. Na maratona de Lisboa do ano passado, com o mesmo tempo teria ficado em 920º entre 4.442 classificados.
  • Na Corrida do 1º de Maio em Lisboa, em 1993, terminei em 301º entre 895 classificados com 58m51s. Na edição de 2019, teria sido o 28º em 1.043 classificados.
  • Na Corrida dos Sinos em Mafra, em 1991, fui o 712º com 1h04m14s em 1.566 classificados. No ano passado, teria sido o 161º entre 1.575 classificados.

Na minha opinião, a razão está em hoje correr-se com outro espírito. Há menos competitividade no pelotão, interessa mais acabar bem do que lutar por um grande tempo. Prefiro o espírito de hoje.

  • Histórias insólitas, curiosas ou inéditas

Quando se corre há 41 anos, tem de haver sempre estórias curiosas. Aqui vão três delas:

  • - Fui uma vez correr o GP do Museu Ferroviário no Entroncamento. Saí de Setúbal de boleia com um amigo que também ia correr e com as nossas mulheres. Perdemo-nos no caminho e quando vi que íamos chegar atrasados à partida uns minutos, telefonei a um companheiro do clube. Pedi-lhe que entregasse os nossos dois dorsais a alguém da Organização que ficasse na meta. Assim aconteceu e lá partimos uns 5/10 minutos depois da partida oficial. Tinha dito ao meu companheiro de infortúnio: “Não te preocupes que daqui a pouco, apanhamos os mais atrasados e depois, é só seguir o percurso”. O problema é que não encontrávamos os mais atrasados. No início, fomos perguntando aos transeuntes que nos iam dizendo “eles passaram por aqui ou por ali”. Mas chegámos a um momento que estávamos completamente perdidos e ninguém sabia por onde era a prova. Quando demos por nós, estávamos à porta do cemitério do Entroncamento! Aí, disse ao meu companheiro: “Eh pá, vamos voltar já a caminho da meta, já estamos com mais de 40 minutos, quando chegarmos à meta, já se terá passado quase uma hora”. Na altura, corria os 10 km em menos de 50 minutos. Perguntámos como ir para a meta, lá nos disseram. Quando íamos a entrar na meta, reparámos que estávamos a entrar nela no sentido inverso ao da corrida. Lá demos uma voltinha para entrarmos pelo sentido correto. Um membro da Organização reconheceu-nos e saudou termos feito a prova. Nunca sonhou como tinha sido.
  • Esta estória passou-se em 2017, numa corrida comemorativa do Comércio e Indústria, clube de Setúbal. Combinei com um amigo que faríamos a prova sempre juntos. O número de concorrentes era diminuto, ao fim de pouco tempo já o pelotão estava bem estendido. Como o percurso estava muito mal marcado, perdemo-nos. A certa altura, perguntámos a um polícia que nos mandou seguir em frente. Era um percurso parcialmente de ida e volta, não víamos ninguém a cruzar-se connosco. Percebemos que tínhamos cortado caminho. A solução foi esperar que chegasse boa parte do pelotão e continuarmos então a correr. Já a uns 2 km da meta, apanhámos o que seria o último que ia com a “atleta-vassoura”. Ele depois contou-nos que ela também se tinha perdido! Lá cortámos a meta e contei à Organização o que se tinha passado. Como não influenciámos em nada as classificações, não houve problemas. Valeu a prova ser na minha cidade e saber bem como chegar à meta.
  • Estava na Organização da Maratona dos Descobrimentos, num dos anos com a partida e meta localizadas no Estádio 1º de Maio. A poucos minutos da partida, um atleta holandês (cerca de 60 anos) pediu-me muito aflito se eu não lhe arranjava uns sapatos de corrida e uns calções emprestados. O seu saco com o equipamento tinha ficado no porão do avião e não apareceu a tempo da prova. Por sorte dele, eu estava calçado com os sapatos de treino. Ele experimentou-os e como lhe serviam, trocámos de sapatos. Ainda fui à procura de alguém que tivesse uns calções a mais mas não consegui. Voltei à partida para avisá-lo que não tinha arranjado os calções mas já não o vi.

Contei depois a situação a alguns companheiros que me disseram que se fossem eles não tinham emprestado os sapatos. “E se ele não aparece? Ficas sem os sapatos”. Pois, os dele que eu tinha calçado até eram bem velhotes. Bom. Lá fui para a meta fazer umas entrevistas a quem acabava a prova e o bom do holandês nunca mais chegava. Já depois das 4 horas de prova, lá chegou ele, muito feliz e muito agradecido a mim. Tinha resolvido o problema dos calções, correu de boxers!

  • Aventura marcante

 

Sequeira-Santiago Compostela.jpg

Escolho a minha participação na Maratona do Sahará, em 25 de Fevereiro de 2002. Aqui, a “culpa” maior foi da Revista Spiridon. O seu diretor Mário Machado tinha ido em tempos correr no deserto e fez uma reportagem. Fiquei admirado pela forma entusiástica como ele descrevia a sua experiência no deserto, correr quilómetros e quilómetros, só a ver areia. Uma vez, perguntei-lhe qual era o prazer e ele respondeu-me: “só indo lá”. Mais tare, tive a oportunidade de ir com um grupo de dezenas de portugueses correr a maratona e não a desperdicei. Foi uma experiência fascinante, o contato com aquele povo oprimido e a viver em condições muito difíceis (racionamento de água, de comida, etc) mas extremamente simples e simpático. E gostei muito de correr na areia, o Mário Machado tinha razão. Foi muito difícil, apanhámos muita areia solta mas acabei em 4h52m30s. Fiquei em 66º lugar entre 130 classificados.

  • Participação em prova mais longa

Foi em 12 de Julho de 2003, na Noturna da Malcata, com 51 km. Fiquei em 35º entre 46 classificados. Então, eram muito raras as provas acima da maratona. E o número de participantes também era naturalmente muito baixo. Hoje, temos muitas dezenas de trails com distâncias superiores a 50 km.

A outro nível, consegui completar a antiga Volta ao Minho disputada entre 1 e 9 de Agosto. Foram 347 km em 16 etapas, corridas a uma média de 5m/km. Havia um carro da organização à frente dos participantes que regulava a velocidade. Inicialmente, correr a 5m/km era muito lento mas a partir do 4º/5º dia, começavam a aparecer as lesões que obrigavam muitos que corriam habitualmente bem mais rápido, a desistirem. Era uma Volta duríssima, em pleno Verão, com duas etapas diárias à exceção de dois dias. Chegámos a fazer 52 km num só dia, em constante sobe e desce. Com um enorme sacrifício nos dois últimos dias, consegui chegar à meta em Braga como um d os sobreviventes. Durante uma semana, mal conseguia andar, tinha ficado com um “andar novo”.

  • Objetivos pessoais futuros

Quando se está prestes a completar 70 anos de idade e se corre há 41, os objetivos futuros só podem passar por poder continuar a correr, sem quaisquer preocupações quanto a tempos. Quero continuar a correr muitas provas de 10 km e duas ou três de 15 km. Sou totalista de corridas na Ponte 25 de Abril, para o ano ainda penso correr a Meia Maratona mas deve ser a minha última. Depois, farei lá apenas os 10 km. Já demoro mais de duas horas a correr a meia maratona, é muito tempo para poucos quilómetros, os últimos já são penosos.

Sequeira-Tãlentos Team.jpg

 

  • Como vê o atletismo daqui a 5 anos

Fazendo votos que o atual constrangimento provocado pela pandemia do coronavírus seja ultrapassado a curto prazo (4/5 meses), prevejo um grande aumento de participantes nas provas populares. Em 2019, tivemos 60 provas de estrada com mais de 1.000 participantes. É previsível que daqui a cinco anos, tenhamos não 60 mas 150/200. Embora ainda longe da média europeia, temos cada vez mais gente a aderir ao mundo da corrida.

Seria desejável que o Governo, autarquias e Federação através das suas Associações Regionais, baixassem as taxas que atualmente se paga, a começar pelos 23% das inscrições. Particularmente o Governo e as autarquias, promovem pouco o atletismo e ainda ganham bom dinheiro com quem corre e organiza.

  • Como se vê no atletismo daqui a 5 anos

 

Sequeira-Trail serra S. Mamede.jpg

Como disse na pergunta referente aos objetivos pessoais futuros, quero continuar a participar em provas de 10 km. E quando tal não for possível, há as caminhadas incluídas nas provas para continuar a viver o ambiente caraterístico das corridas onde o convívio com os amigos é maravilhoso. O problema é que já hoje, quando estou nas partidas e olho em volta, já vejo poucos corredores conhecidos. Houve uma grande renovação no pelotão, restam poucos veteranos do antigamente.

 

 

 

 

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